João Batista, a voz que clama no deserto

 

 

JOÃO BATISTA

A VOZ QUE CLAMA NO DESERTO

 


 

João Batista, filho de Isabel e primo de Jesus, sem dúvida veio a este mundo para cumprir uma missão poderosa: apresentar Jesus Cristo ao mundo. Sua passagem marcante por aqui, seu curto ministério foi muito bem descrito numa lição da Escola Bíblica Dominical em 1984, e tomamos a liberdade de copiar aqui, na íntegra, esta lição.

Voz que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor; endireitai no ermo vereda a nosso Deus. Todo o vale será exaltado, e todo o monte e todo o outeiro serão abatidos; e o que está torcido se endireitará, e o que é áspero se aplainará. (Isaías 40:3)

João testificou dele, e clamou dizendo: Este era aquele de quem eu dizia: O que vem depois de mim é antes de mim, porque foi primeiro do que eu. E todos nós recebemos também da sua plenitude, e graça por graça. Porque a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo. Deus nunca foi visto por alguém. O Filho Unigênito, que está no seio do Pai, esse o fez conhecer. E este é o testemunho de João, quando os judeus mandaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para que lhe perguntassem: Quem és tu?  E confessou, e não negou; confessou: Eu não sou Cristo. E perguntaram-lhe: Então quem és? És tu Elias? Ele disse: Não sou. És tu profeta? E ele responde: Não. Disseram-lhe, então: Quem és? Para que demos respostas àqueles que nos enviaram; que dizes de ti mesmo?  Disse: Eu sou a voz que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor, como disse o profeta Isaías. E os que tinham sido enviados eram dos fariseus; E perguntaram-lhe, e disseram-lhe: Por que batizas, se tu não és o Cristo e nem Elias, e nem o profeta? João respondeu-lhes, dizendo: Eu batizo com água, mas no meio de vós está um a quem vós não conheceis. Este é aquele que vem após mim, que foi antes de mim, do qual não sou digno de desatar a correia da alparca. Estas coisas aconteceram em Betânia, da outra banda do Jordão, onde João estava batizando. No dia seguinte João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.  (João 1:15-29)


Introdução


O autor do Evangelho de João apresenta o precursor de Jesus da seguinte maneira: Houve um homem enviado por Deus, cujo nome era João (1:6). Foi a melhor descrição possível de João Batista. Ele foi realmente enviado por Deus, portador duma mensagem celestial, a qual ele com todo empenho entregou ao povo no poder do Espírito Santo.
 
Nessa época de sequidão espiritual, o povo de Israel foi despertado pelo arauto do Messias, e logo depois, com as notícias comunicadas pelos pastores de Belém, e a seguir, pelos magos do Oriente.
 
O governo romano mudara sua sede para Cesaréia, à beira-mar. Muita política havia entre os fariseus e os saduceus. As ideias sobre o Messias eram mais teóricas do que reais. Alguns mestres opinavam que se toda pessoa em Israel se arrependesse, então viria o Messias; mas ninguém esperava acontecer tal coisa. Ocupar-se com as tradições era mais fácil do que dirigir sua vida, ao justificarem suas iniquidades.
 
Portanto, a nação precisava dum homem poderoso como João que, à maneira dum Elias, despertasse o povo do perigoso sono espiritual em que havia caído. João não chamou a atenção para sua própria pessoas, mas sim para o Messias prometido por Deus.
 
 
I. A VOZ PROMETIDA
 
 
1. A voz por Deus. Setecentos anos antes do nascimento do Cristo, o profeta Isaías predisse a vinda daquele que precederia o Messias. O capítulo 40 do seu livro inicia com muitas profecias messiânicas. Logo adiante, vêm as maravilhosas promessas do capítulo 53, que se referem à salvação e à libertação do pecado. A voz que prepararia o caminho do Messias seria João Batista.
 
2. O caminho para Deus.  Na Antiguidade, antes que um rei visitasse seus domínios, um grupo de trabalhadores ia adiante dele, limpando, consertando e aplainando as estradas. Assim foi o ministério de João Batista, o precursor de Cristo, e assim devemos nós também preparar o caminho para Cristo entrar nos corações dos perdidos. Para tanto, é preciso remover os obstáculos do coração, afastando o orgulho e o egoísmo. E de um modo completo, o arrependimento dos pecados. E Deus dará, então, o avivamento espiritual e a bênção em geral.
 
O mesmo capítulo (40:9-12) afirma: “Eis aqui está o vosso Deus” (v.9) Sim, Ele vem como o “Bom Pastor” (Jo 10:14); como aquele que domina a natureza (Lc 8:25); como aquele que dá poder aos fracos e vista aos cegos. Jesus, quando veio, pregou as boas novas aos mansos; sofreu em nosso lugar e chamou a todos a aceitarem a salvação (Mt 11:28). As bênçãos divinas serão nossas se crermos em Jesus, segundo a revelação divina.
 
 
 
 
 
II. A VOZ QUE CLAMA
 
 
1. O testemunho de João a respeito de Cristo.  Jo 1:14 mostra que Jesus, no seu ministério terreno revelou a glória de Deus, estando ele cheio de graça e verdade. João chamou a atenção do povo para esta glória, e humilhou-se a si mesmo dizendo-se indigno de desatar as correias das sandálias do Cristo. Reconheceu também que, embora tivesse nascido primeiro, Jesus era preexistente; era desde a eternidade (Lc 1:36; Jo 1:1,2; 8:58).
 
2. O testemunho de João experimentado. Os discípulos tiveram confirmado em sua experiência de salvação, o testemunho de João. Embora não podendo ver a Deus, começaram a entender como Deus é, ao caminharem com Jesus e ouvirem as suas palavras.
 
Jesus é Deus. Ele tomou forma humana, não para ocultar sua divindade, mas sim para revelá-la ao aos homens (Fp 2:7). Ele pôs de lado (esvaziou-se) os direitos e privilégios divinos e celestiais, mas não abdicou de suas divinas qualidades e atributos.
 
A glória divina revelada em Cristo não é apenas aquela maravilha revelada no Monte da Transfiguração, mas também as suas divinas qualidades de amor, bondade, graça e verdade. Jamais outra pessoa revelou em toda plenitude essas qualidades, nem mesmo Moisés. Moisés viu e revelou algo da glória de Deus, mas o povo não pôde suportá-la (Êx 33:18; 34:30). Mas em Cristo todos podemos contemplar e experimentar o favor e a bondade de Deus; graça por graça, sempre renovada e abundante. (Jo 1:16-18) Jesus pode revelar Deus porque Ele é Deus.
 
3. O testemunho de João questionado. Embora João estivesse pregando no deserto da Judéia, as multidões afluíam para ouvi-lo. A sua pregação destemida e poderosa despertava esperança no povo. Em princípio, os líderes não o ouviam, mas quando o despertamento espiritual alcançou a nação, uma comissão de líderes foi enviada para entrevistá-lo; Uma pessoa menos piedosa e consagrada se sentiria lisonjeada ao deparar com tão importante comitiva que procurou, com hipocrisia, persuadi-lo de sua importância pessoal. Assim fazem os formalistas, focalizando a atenção sobre o mensageiro e esquecendo-se da mensagem que ele conduz.
 
João deixou bem claro que ele não era Elias, nem o profeta predito por Moisés (Dt 18:18,19), nem o Messias, e nem Jeremias ou algum dos profetas do Antigo Testamento, ressuscitado. Não. João era apenas uma “voz”. O mensageiro não importava, mas sim a sua mensagem. Como precursor, seu papel era o de focalizar toda a atenção sobre o Cristo que logo haveria de aparecer. Façamos todos assim também, e acabemos de uma vez com a bajulação e com a exaltação do homem, e exaltemos a Deus!
 
4. O testemunho de João confirmado. João respondeu às interrogações dos fariseus, declarando que eles entenderiam a razão do seu ministério de arrependimento e batismo, uma vez que conhecessem Aquele que já estava entre eles, porém ainda desconhecido. João centralizou sua mensagem na pessoa de Cristo, exemplo que também devemos seguir.
 
Nos versículos 32 a 34, João Batista declarou que Deus confirmaria a importância do seu batismo, e que esse batismo seria aceito por Ele como preparação para uma realidade muito maior, isto é, o batismo com o Espírito Santo.
 
 
 
 
 
III. O CORDEIRO DESIGNADO
 
 
1. O Cordeiro de Deus preparado. Por que João chamou Jesus de “Cordeiro de Deus”? 
 
a) Porque lembrou dos cordeiros imolados do passado em lugar dos pecadores, as grandes libertações do passado, da provisão dum substituto para Isaque (Gm 22:8), do cordeiro cujo sangue livrou Israel da escravidão do Egito (um tipo de escravidão do pecado);
 
b) Porque lembrou das antigas profecias. Ele é o cordeiro de Isaías 53:7; 1 Pe 2:21-25. Ele cumpriu os sacrifícios da Velha Aliança (Hb 10:1-14; 4:15; 7:26,27; 9:11,14; 1 Pe 1:18,19; 2 Co 5:21).
 
c) Porque Ele é o cordeiro imaculado, cujo sacrifício perfeito agrada a Deus (Hb 9:14; 10:12).
 
2. O Cordeiro de Deus imolado. Os mestres, segundo o mundo, têm oferecido várias soluções para os problemas da humanidade que resultam em nada. Mas Jesus, o Cordeiro de Deus imolado, pode remover a causa dos problemas, que é o pecado e promover a comunhão com Deus.
 
Notemos que João disse “O Cordeiro de Deus”. Jesus não é um dos caminhos para Deus, mas sim o único. Se porventura algum descrente ler estas linhas, deve buscar este “Cordeiro”, Jesus, e receber pelo Seu sangue a  remissão dos pecados.
 
 
 
 
 
FONTE DE PESQUISA
 
 
OLSON, Lawrence.  Personagens do Novo Testamento: João Batista e sua missão.  Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembleias de Deus, II sem., 1984.

Por: Pr. Lawrence Olson

Publicado em 17/09/2013

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