Como funciona o Ramadã

 

COMO FUNCIONA O 

RADAMÃ

 

 

Todos os anos, mais de um bilhão de muçulmanos do mundo todo consideram a importância do mês de Ramadã. Esse período do ano é um momento para reflexão, devoção a Deus e autocontrole, demonstrado por meio do jejum.

Muitas religiões encorajam alguns tipos de jejum para propósitos religiosos. Por exemplo, os católicos não comem carne na Quaresma e os judeus jejuam durante o feriado de Yom Kippur. Para os muçulmanos, o jejum é um componente muito importante do Islamismo. Os benefícios do jejum para o Ramadã são numerosos. O mais importante, no entanto, é a ideia de que, por meio do autocontrole do jejum, uma pessoa pode prestar atenção especial em sua natureza espiritual.
 
O Ramadã é um período importante para os muçulmanos, não somente porque ajuda a desenvolver um relacionamento mais próximo com Deus, mas também por ser um período para pensar nas pessoas menos favorecidas. Outro objetivo do jejum para o Ramadã é experimentar a fome em compaixão por aqueles que não têm comida. Essa é a forma pela qual muitos muçulmanos aprendem a gratidão e a valorização daquilo que possuem.
 
Neste artigo, aprenderemos o significado de Ramadã, a tradição do jejum, como o período de Ramadã é determinado, o Eid al-Fitr (festividade do fim do Ramadã) e os benefícios de guardar o feriado.
 
 
O que é o Ramadã?
 
 
O Ramadã é o nono mês do calendário islâmico. Pelo fato de o Islamismo usar um calendário lunar, o Ramadã começa e termina em diferentes períodos do ano. O calendário lunar é baseado na observação das fases da Lua, em que o início de cada mês é identificado com a visão de uma nova Lua. Este calendário tem cerca de onze dias a menos que o calendário solar usado na maior parte do mundo ocidental. Para aprender mais sobre vários calendários do passado e do presente, veja Categoria calendário (site em inglês).
 
O início do Ramadã em cada ano é baseado na combinação das observações da Lua e em cálculos astronômicos. Nos Estados Unidos, muitos muçulmanos aderem à decisão da Sociedade Islâmica da América do Norte (site em inglês) para o começo da festividade. O final do Ramadã é determinado de maneira semelhante.
 
 
 
O significado do Ramadã
 
 
Para os muçulmanos, o Ramadã é um mês de bênção que inclui oração, jejum e caridade. O significado do Ramadã retrocede há muitos séculos, cerca de 610 d.C. Era nesse período, durante o nono mês do calendário lunar, que os muçulmanos acreditavam que Deus, ou Alá, revelara os primeiros versos do Alcorão, o livro sagrado do Islamismo.
 
De acordo com o Islamismo, um comerciante chamado Maomé estava andando em um deserto perto de Meca, onde atualmente localiza-se a Arábia Saudita. Certa noite, uma voz vinda do céu o chamou. Foi a voz do anjo Gabriel que falou que Maomé tinha sido escolhido para receber a palavra de Alá. Nos dias posteriores, Maomé começou a falar os versos que seriam transcritos, compondo o Alcorão.
 
Em muitas mesquitas, durante o Ramadã, os versos do Alcorão são recitados todas as noites. Os oradores são conhecidos como tarawih. No final do Ramadã, a escritura completa foi recitada. Ramadã é o período no qual os muçulmanos podem se interligar aos ensinamentos do Alcorão
 
 
 
O Islamismo no Brasil
 
 
No Brasil, um país com uma grande quantidade de crenças, o islamismo aparece como uma religião rígida, de início vista como pouco condizente com as tradições marcadas em nosso país. O islã é a segunda maior religião do mundo, a única outra religião com taxa de crescimento comparável são os evangélicos protestantes.
 
Na América Latina, os muçulmanos, na maioria descendentes de sírio-libaneses "turcos", escravos de origem africana islamizada, egípcios, palestinos e outras nacionalidades - são tradicionalmente mais dispersos, menos numerosos e visíveis. No Brasil eles estão espalhados por todo território e a maioria das Instituições Islâmicas no Brasil podem ser encontradas nas cidades de São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, Curitiba, Rio Grande do Sul e Foz do Iguaçu.
 
Percebemos a cada ano um aumento no número de brasileiros convertidos ao Islã, pois já é possível encontrar centros islâmicos fundados por brasileiros. No dado oficial do IBGE (censo de 2000), mostra o registro de 27.239 muçulmanos no país, e as mesquitas ultrapassam o número de 70 no Brasil.
 
Tradicionalmente uma das principais mesquitas se encontra na capital paulista, Mesquita Brasil, construída em 1929. Uma das únicas mesquitas no Brasil a emitir o chamado externo para os muçulmanos rezarem é a mesquita de Mogi das Cruzes, também em São Paulo. Ela possui quatro alto-falantes instalados no alto da torre da mesquita, a 42 metros de altura, anunciando: "Deus é o maior" (repetido quatro vezes); "Testemunho que não há divindade além de Deus" (duas vezes); "Testemunho que Muhammad é um mensageiro de Deus" (duas vezes); "Vinde à oração" (duas vezes); "Vinde ao sucesso" (duas vezes); "Deus é o maior" (duas vezes); "Não há divindade além de Deus" (uma vez). Essas frases são emitidas na língua árabe por aproximadamente três minutos.
 
O Jejum do Ramadã lembra muito a Quaresma católica, comentado anteriormente, mesmo que a Quaresma seja mais simbólica, o Ramadã é bastante disciplinado - eles devem acordar cedo, tomar seu café antes do nascer do sol, após disso não podem comer mais nada até depois do pôr-do-sol.
 
O jejum para os muçulmanos é obrigatório para aqueles que chegam à puberdade, constituindo um momento importante na vida e uma marca simbólica na entrada na vida adulta. Porém, não podem jejuar as grávidas, menstruadas, enfermos ou quando a pessoa está viajando. Quando esses dias de jejum não são seguidos ou cumpridos devem ser feitos em outra ocasião, antes do próximo Ramadã.
 
 
Como o Ramadã é celebrado?
 
 
Durante o Ramadã, os muçulmanos praticam o sawm, ou jejum. Claro que ninguém é obrigado a jejuar o mês inteiro. A prática do jejum durante o Ramadã significa que os muçulmanos não devem comer ou beber nada, incluindo água, enquanto o sol estiver brilhando. 
 
 
O jejum é um dos cinco pilares (site em inglês) ou obrigações do Islamismo. Como na maioria das práticas religiosas no Islamismo, os muçulmanos participam do jejum desde os 12 anos.
 
Um dos aspectos mais importantes do jejum do Ramadã é chamado niyyah, que significa "intenção". Os muçulmamos não devem simples ou acidentalmente se abster da comida. Eles devem realizar a condição do niyyah. Para executar essa exigência, um muçulmano deve "propor em seu coração que o jejum significa uma adoração somente a Alá". Dessa forma, se alguma pessoa jejua por razões políticas ou de dieta, essa pessoa não realizaria o niyyah. De acordo com as escrituras, "quem não faz niyyad antes do amanhecer, não deveria ter jejuado". A determinação de jejuar é de igual importância ao jejum em si mesmo.
 
Em muitos lugares do mundo, os restaurantes muçulmanos fecham durante o dia no período do Ramadã. As famílias acordam cedo, antes do sol nascer, e comem uma refeição chamada sohour. Depois que o sol se põe, o jejum é quebrado com uma refeição chamada iftar. O iftar muitas vezes começa com a ingestão de tâmaras e bebidas doces para dar ao jejum muçulmano um rápido aumento da energia, além de ser deliciosa. Pode ser adicionado qualquer tipo de alimento, mas a sobremesa quase sempre inclui konafa ou qattayef. Konafa é um bolo feito de trigo, açúcar, mel, uvas secas e nozes. O qatayef é um bolo semelhante, mas é menor e dobrado para revestir as nozes e as uvas secas. Entre as duas refeições, o iftar do período da noite e o shour antes do amanhecer, os muçulmanos podem comer livremente.
 
O jejum é muito importante para os muçulmanos por uma série de razões. Primeiro, quando você não está prestando atenção às suas necessidades físicas como o alimento, poderá ser capaz de estar em maior harmonia com Deus e com seu lado espiritual. Além disso, o jejum serve para lembrar os muçulmanos do sofrimento do pobre. Essa ideia reafirma a importância da caridade durante o Ramadã.
 
O jejum propicia aos muçulmanos uma oportunidade para praticar o autocontrole e a limpeza do corpo e do espírito. Muitas culturas e religiões usam o jejum para esse propósito. Durante o Ramadã, o jejum ajuda os muçulmanos em sua devoção espiritual, bem como no desenvolvimento de um sentimento de irmandade com outros muçulmanos.
 
Conforme segue a história, o Ramadã é o mês em que Alá entrou em contato com o profeta Maomé e lhe deu os versos do livro sagrado, ou Alcorão. Dessa forma, orar durante o Ramadã é muito importante. Os muçulmanos praticam orações noturnas, seja no período do Ramadã ou não, mas o “Taraweeh”, ou oração noturna do Ramadã, carrega um peso adicional.
 
De acordo com as escrituras, "aquele que observa a oração noturna no Ramadã como uma expressão de sua fé e para buscar a recompensa de Alá, terá seus pecados apagados". Desse modo, a oração noturna de Ramadã, depois de um dia de jejum, tem o propósito de erradicar os pecados cometidos anteriormente, sendo, então, um elemento importante para os rituais de Ramadã.
 
Ao final do Ramadã e antes da quebra do jejum, os muçulmanos dizem “Takbeer”, que é uma frase indicando que não há nada no mundo que seja maior ou melhor do que Alá. O takbeer é sempre falado quando um muçulmano completa uma tarefa importante, como o término do jejum de Ramadã
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Traduzido, o takbeer  exclama: "Alá é o Maior, Alá é o Maior. Não há divindade digna de adoração que não seja Alá e ele é o maior. Alá é o Maior e todo o louvor é devido a Ele". Recomenda-se que os homens falem alto o takbeer e as mulheres o façam em pensamento. Takbeer é um sinal de que as festividades de Eid Al-Fitr começaram. É uma frase de contentamento da fé e da consumação.
 
Os muçulmanos usam muitas frases para parabenizar uns aos outros pelo término do jejum:
 
• Kullu am wa antum bi-khair  
        (Que você fique bem durante todo o ano!)
• Atyab at-tihani bi-munasabat hulul shahru Ramadan al-Mubarak –
       (Cumprimento mais precioso na ocasião da chegada do Ramadã)
• 'Eid mubarak  
      (Uma abençoada Eid!) [ festa]
 
 
Eid al-Fitr
 
 
O Ramadã é considerado o mês do ano mais alegre, celebração que termina com a maior de todas: a quebra do jejum, Eid al-Fitr.  Em todo o mundo os muçulmanos celebram com luzes e decorações. No Egito, "fanoos" (lanternas feitas de lata e vidro colorido) decoram as ruas e as mesquitas. No passado, as crianças brincavam com as lanternas nas ruas. Hoje, os carros nas ruas tornaram essa prática perigosa, mas a tradição ainda é realizada nos lares e nas reuniões de Eid al-Fitr
 
 
Durante a celebração, as pessoas se vestem com o que têm de mais fino, decoram suas casas com luzes, dão divertimento para as crianças e visitam os amigos e a família. Para muitas pessoas, um senso de generosidade, de gratidão e de boas maneiras é o principal tema do Eid al-Fitr e são muito importantes para o Ramadã. 
 
O mês sempre consistirá no auxílio dos muçulmanos na alimentação dos pobres e nas contribuições para suas mesquitas. Quando os muçulmanos terminam o mês do jejum, partem com muitos benefícios que o Ramadã deixa para trás. De acordo com a tradição muçulmana, o Ramadã: 
 
• Fortalece o vínculo da pessoa com Alá e educa a alma a observar as obrigações de devoção de acordo com os ensinamentos do Alcorão;
• Impõe paciência e determinação;
• Desenvolve o princípio da sinceridade, afastando o ser individual da arrogância e da vaidade;
• Desenvolve o bom caráter, em especial a honestidade e a confiança;
• Encoraja o indivíduo a deixar os maus hábitos e mudar suas circunstâncias para melhor;
• Intensifica a generosidade, a hospitalidade e o dom da caridade;
• Reforça os sentimentos de unidade e irmandade entre os muçulmanos;
• Suscita ordem e cumprimento rigoroso dos valores do período;
• Serve como uma oportunidade para as crianças executarem a obediência e praticarem leis islâmicas de adoração;
• Oferece a chance de equilibrar a atenção da pessoa tanto para as necessidades físicas como para as espirituais.
 
 
 
Durante o mês do Ramadã, os muçulmanos conquistam mais do que uma purificação do corpo e da mente. Sentem que estão fazendo o trabalho de chegar mais perto de Alá por meio da oração e tornando-se pessoas mais misericordiosas por experimentar a fome e aprender sobre o sofrimento dos pobres. O jejum do Ramadã é a experiência principal na religião islâmica.
 
 
 

Por: Allison Klein

Publicado em 30/09/2013

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