Gideão precisou descer

 

 

GIDEÃO PRECISOU DESCER

 

 

Naquela mesma noite o Senhor lhe disse: Levanta-se e desce ao arraial, porque eu o entregarei nas tuas mãos. Mas se ainda temes descer, vai com o teu moço Purá ao arraial e ouvirás o que dizem, e então se fortalecerão as tuas mãos para desceres contra o arraial. Então desceu com o seu moço Purá até o posto avançado das sentinelas do arraial. Os midianitas, os amalequitas e todos os filhos do oriente jaziam no vale, como gafanhotos em multidão. Eram inumeráveis os seus camelos, como a areia que há na praia do mar. Chegando Gideão, ouviu um homem contando o seu sonho ao seu companheiro. Dizia: Eu tive um sonho. Um pão de cevada torrado rodava contra o arraial dos midianitas, e deu de encontro à tenda do comandante, de maneira que esta caiu, e se virou de cima para baixo, e ficou estendida. Respondeu o seu companheiro: Isso não é outra coisa senão a espada de Gideão, filho de Joás, homem israelita. Deus entregou nas mãos dele aos midianitas, e a todo este arraial.
Ouvindo Gideão a narração deste sonho, e a sua explicação, adorou. Voltou ao arraial de Israel e disse: Levantai-vos! O Senhor entregou o arraial dos midianitas nas vossas mãos. Então repartiu os 300 homens em três companhias, e deu-lhes a cada um nas suas mãos trombetas, e cântaros vazios contendo tochas acesas, e disse-lhes: Olhai para mim, e fazei como eu disser. Chegando eu ao extremo do arraial, como eu fizer, assim fareis vós. Tocando eu e todos os que comigo estiverem a trombeta, então também vós tocareis a trombeta ao redor de todo o arraial, e direis: Pelo Senhor e por Gideão!
Chegaram Gideão e os 100 homens que com ele iam à extremidade do arrraial, ao princípio da vigília da meia-noite, logo depois da troca das sentinelas. Tocaram as trombetas e partiram os cântaros que traziam nas mãos. Tocaram as três companhias as trombetas e partiram os cântaros. E, segurando na mão esquerda as tochas acesas, e na mão direita as trombetas, que tocavam, exclamaram: Espada pelo Senhor e por Gideão!  (Juízes 7:9-20)

 

Esta é uma passagem bastante conhecida do Antigo Testamento, narrando os preparativos do exército de Gideão para atacar aos midianitas. Gideão contava inicialmente com 32 mil soldados acampados, porém a maioria fugiu amedrontada, restando apenas 10 mil homens. Desses 10 mil, a mando do Senhor, Gideão selecionou 300 soldados valorosos, sendo que os demais foram dispensados e também voltaram para casa.

O temor era muito grande no meio do exército de Gideão, diante do número assustador de soldados minianitas. O relato bíblico usa a expressão antiga “nuvem de gafanhotos” para dar a real idéia da quantidade de midianitas. E isso me chama a atenção. Ficamos assustados perante as notícias que ouvimos por aí, e a nossa primeira iniciativa é de nos resguardar. Se é o Senhor quem nos impele à luta, então precisamos ter certeza da vitória.

 

A estratégia divina

 

Eram apenas 300 homens contra uma multidão do inimigo. Diante do medo do Seu Povo, Deus ordenou a Gideão que descesse até o local onde estava acampado o exército inimigo, para lá fortalecer a sua fé, seus ânimos para a luta e posterior vitória, fato que estava longe de julgar possível. A estratégia de Deus, então, era descer para fortalecer.

Se trouxermos essa situação para os nossos dias, nos veremos aquartelados dentro das paredes da igreja, temendo sair para enfrentar o diabo lá fora, tentar resgatar as almas e os problemas que as cercam. Porém, só conheceremos o inimigo se sairmos, se nos aproximarmos dele, procurando conhecer seus pontos fracos. É uma estratégia tanto para batalhas militares, quanto para batalhas espirituais: conhecer os pontos fracos dos inimigos.

 

O perfil dos midianitas de hoje

 

Se sairmos do nosso “acampamento”, logo descobriremos que o Espiritismo controla tudo ao seu redor, apesar de dizerem que nosso país é a maior nação católica do mundo. Pode até ser a maior nação católica, mas mantendo em seu meio milhões de homossexuais, uma das maiores incidências mundiais de AIDS, milhões de prostitutas menores de 14 anos, mais de 4 milhões de abortos por ano.

Se descermos ao “arraial” dos atuais inimigos, veremos drogas infiltradas nos melhores colégios, jovens se prostituindo, roubando, para poder conseguir dinheiro para mais drogas. Também veremos as rebeliões nas FEBEMs, onde crianças, como feras enjauladas, usam qualquer coisa como arma para enfrentar os policiais. Veremos que o Brasil é o maior consumidor de cachaça do mundo, com um consumo superior a dois milhões e meio de litros por ano. E, para nossa vergonha, veremos líderes de Igrejas prostituindo a Palavra de Deus, para alcançarem seus objetivos sórdidos.

O inimigo é tremendo! Quando o Senhor nos manda que desçamos ao arraial inimigo, ao seu próprio ambiente, quer que aprendamos como ele vive. Com isso, Ele quer nos fortalecer, preparar para a iminente batalha.

Não há mérito algum em sermos membros da nossa Igreja, mas de vivermos como Cristo viveu, imitá-Lo, para que nossas mãos sejam fortalecidas. Diante desse falso cristianismo aí instalado, precisaremos descer até o inimigo, procurando pelos necessitados.

Já no seu tempo, o apóstolo Paulo dizia-se constrangido em pregar o evangelho, e veja que a situação daquela época não era tão caótica quanto a atual! Como as almas só serão alcançadas através da pregação do evangelho, a missão da Igreja deve ser a de uma tocha ardente, devendo pulsar em nós o mesmo espírito que pulsava em Jesus.

Enquanto Jesus estava se transfigurando no monte, alguns quiseram ficar ali para semptre, montar tendas, pois ali era bom de se ficar! Porém, mais abaixo do monte, outras coisas aconteciam: um pai clamava pela cura do seu filho lunático, o cego de Jericó gritava por ajuda, mercenários tomavam conta do templo, e assim por diante. Era preciso descer e continuar a combater o inimigo. E Jesus fez aquilo que o Pai lhe ordenara: desceu, não pretendendo ser igual ao Pai; ao contrário, desceu a este mundo e viveu como homem, conheceu nossos problemas!

 

A missão de Gideão

 

Voltando ao nosso relato bíblico, vemos Gideão se aproximando das linhas inimigas, tendo como companhia apenas o seu auxiliar imediato, de nome Curá. Espreitando, ele ouve uma sentinela midianita contando um sonho que tivera, onde um enorme pão torrado de cevada caía sobre eles, destruindo-os. Dizia a sentinela que isso tinha sido obra da mão do Deus dos israelitas, que estava a guiar Gideão e seus soldados. Essa foi a forma que Deus utilizou para fortalecer a fé de Gideão, para dar-lhe certeza de que o Senhor estaria à sua frente.

A Igreja deve se espelhar em Gideão, ter essa mesma certeza de vitória, pois Jesus condenou Satanás ao inferno! Precisamos sair para a batalha, mas sempre observando os critérios traçados por Deus. Sob essa visão, não devemos fazer as coisas segundo a nossa vontade!

 

Da teoria para a prática

 

O texto nos conta que 300 homens foram divididos em três esquadrões, sendo que os soldados carregavam apenas trombetas e cântaros vazios com tochas acesas dentro deles. Se olharmos espiritualmente para esses três elementos, facilmente vislumbraremos que a trombeta representa a vida; os cântaros vazios somos nós; e as tochas dentro representam a luz do Espírito Santo.

E lá iam eles marchando, levando as tochas acesas escondidas dentro dos cântaros vazios. Essas tochas lembram o Salmo 119:105 que diz: “Lâmpada para os meus pés é a Tua Palavra, e luz para os meus caminhos.”  Que a Igreja se prepare para esse encontro: cântaros vazios com tochas acesas dentro! Que o jovem e a criança sejam preparados para a futura realidade desse encontro!  O que se lamenta é que muitos ainda não estão preparados, atualmente. Se o nosso capitão é Cristo, precisamos imitá-Lo, para que quando chegarmos ao acampamento do inimigo, levando tochas, cântaros e trombetas, a vitória já esteja previamente assegurada por Deus.

Quando os três esquadrões já estavam prontos para atacar, à meia-noite, os cântaros foram simultaneamente quebrados, mostrando o clarão das tochas que estavam escondidas dentro deles. O que se viu foi o poder de Deus se fazendo forte naquele lugar: ao som das trombetas, o exército midianita fugia em disparada, até limites seguros, imaginando-se a salvo do exército israelita.

No momento da batalha, eles tinham as tochas acesas na mão direita e tocavam as trombetas com a esquerda. Imaginem a cena, irmãos! Meia-noite e, de repente, uma imensidão de tochas perfiladas cerca o exército midiatina, tudo isso ao som de trombetas! À meia-noite!  Tudo conforme a ordem do Senhor!

 

A Igreja precisa descer


É assim que as coisas precisam acontecer: os vasos (nós) têm que ser quebrados, para que o poder de Deus (luz) apareça! Muitos de nós têm sido um empecilho à Sua mensagem, à Sua ação! São vasos que não se quebram, que não se submetem e, por conseguinte, a luz do Espírito Santo não consegue ser propagada. Dessa forma, outros serão impedidos de serem tocados, alcançados.


Quando nossas Igrejas estiverem nessa condição de obediência, a Palavra de Deus seguirá o curso programado por Ele. Que o Espírito Santo fale em nossos corações e nos submeta à Sua vontade!


Vasos que se quebram são vidas que se despem do orgulho, que passam a viver um cristianismo puro, genuíno. Que a sua vida reflita que você  é um cristão! Não é você quem deve dizer que é um cristão, mas quando isso é dito às suas costas: Ali vai um cristão! Só nessa hora os outros te respeitarão, te procurarão para ouvir falar das coisas do Senhor. É essa a Igreja e são esses os soldados que Deus quer para essa batalha!


Quando estivermos carregando uma cruz muito pesada, e nosso Pai não nos livrará dela, apesar de muito pedirmos. Peçamos graça para podermos carregá-la dignamente! Não busquemos as receitas de pedras e cristais que o mundo anda nos oferecendo, para nos libertar das opressões; busquemos a Pedra Principal, a Pedra de Esquina, que é o Nosso Senhor Jesus Cristo.

 

Busquemos o comando divino

 

Precisamos aprender a viver na dependência do Senhor, esvaziar os cântaros e deixar que eles sejam inundados pela Sua luz.  Ao invés de nos preocuparmos em construir um templo grande, precisamos primeiro nos preocupar em aumentar a Igreja! Deus suprirá a necessidade na hora certa. Se você se sente derrotado, entregue-se nas mãos do Senhor, pois o inimigo faz com que você não se esqueça do seu problema, como o desemprego, a doença, mas sua preocupação deve direcionar-se para a sua salvação, para Jesus Cristo. Esqueça-se do resto. O Senhor cuidará disso para você.


Estamos cansados de ver irmãos desempregados, bons profissionais que estão a aceitar qualquer serviço! Porém, se tivermos paciência, Deus dará o melhor, na hora certa! Aparecerá coisa melhor do que foi pedida! A Bíblia nos ensina que nada nos acontece sem o consentimento de Deus! Então, se Deus sabe que tal coisa está acontecendo e não está providenciando solução, de que adianta tentarmos resolvê-la pelas nossas próprias forças?


Vamos nos fortalecer neste ensino do livro de Juízes! Gideão fortaleceu-se quando desceu. Quem sabe você precisa descer um pouco, meu amigo! Quem sabe, inclusive, se não é necessário que você desça hoje até a cruz, abandonando o seu pedestal de autossuficiência? O Senhor quer te dar a vitória, mas você precisa mostrar que tem interesse em buscá-la!


Então, desce de onde estais, da tua religião, talvez! Desce do lugar que te impede de chegar a Jesus, te impede de chegar até à cruz da salvação! Quem sabe o que te impede de chegar a Jesus seja o teu padrão de vida, o teu ambiente familiar... Você tem que quebrar os grilhões que te escravizam, que te prendem!

Aprenda que é necessário que você desapareça para que Cristo apareça na tua vida! É preciso que a casca que te envolve seja quebrada, que o teu exemplo de vida seja luz para outros incrédulos! Que os outros saibam que você é cristão pelo seu comportamento e não pela sua carteirinha de membro da Igreja!


Pedimos que o Senhor quebre corações, a começar pelo nosso. Só assim haverá um só coração, um só espírito na Igreja.

 

AUTOR

 Pr.  Natanael Brígido

Por: Natanael Brígido

Publicado em 03/10/2013

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