Halloween: folclore ou bruxaria?

 

 

HALLOWEEN

FOLCLORE OU BRUXARIA?

 

 

INTRODUÇÃO


Este estudo visa descobrir o que significa “Halloween”, essa celebração espalhafatosa que a cada ano ganha mais adeptos no Brasil, principalmente no meio estudantil e nas camadas jovens da população.

Suas raízes históricas são localizadas claramente no meio dos celtas, povo pagão que viveu entre os anos 600 a.C. a 800 d.C. nas terras britânicas e uma pequena parte da França. A população anglo-saxônica, que foi se formando nesses territórios, absorveu os costumes desses moradores antigos, transferindo-os depois para outros povos que colonizados, principalmente Estados Unidos e Canadá.

Como alguns defendem que o evento não passa de uma simples manifestação folclórica, e outros o criticam por causa das suas origens pagãs, recheada de culto a mortos, etc., resolvemos inicialmente mostrar a distinção existente entre folclore, superstição e ocultismo, de um modo geral, para que as ideias passem a se clarear.

 

CAPÍTULO I  -  ORIGENS DA FESTA

 

1.1  Folclore

 

A palavra folclore vem do inglês “folklore”, que quer dizer “saber do povo”. Segundo o Dicionário Aurélio, significa o conjunto de tradições de um povo, expressas nas suas lendas, crenças, canções e costumes.

Se nos reportarmos aos portugueses, nossos colonizadores católicos, eles instituíram aqui uma série de comemorações religiosas, como as festas juninas, as procissões, os feriados relativos aos santos, etc. Os espanhóis deixaram outro tipo de folclore, muito ligado a danças, etc.

Quanto aos países de língua inglesa, como Inglaterra, Irlanda, Irlanda do Norte, Escócia, Austrália, Estados Unidos, Canadá, etc., é tradicional a celebração do “Dia de Ação de graças” na terceira quinta-feira de novembro, onde as famílias se reúnem, não importando a distância que os separe. “Halloween” também é considerado um evento folclórico, comemorado efusivamente nos colégios e nas ruas, na noite de 31 de outubro.

 

1.2  Superstições

 

Aqui entram as lendas, as histórias contadas de pai para filho, de avô para neto, aquelas crendices populares próprias de aldeias, de povos com pouco estudo, aqueles que normalmente vivem afastados das cidades.

Entre as superstições mais conhecidas podemos citar: espelho quebrado traz sete anos de azar; um gato preto cruzando na nossa frente algo de ruim vai nos acontecer; passar por trás de uma escada também traz azar.

Ainda hoje, em Nova York, certos edifícios não possuem o 13º andar, pois tudo ali traria maldição para quem o ocupasse. Alguns hotéis têm o 13º andar, mas só o utilizam para copa, lavanderia, etc., pois sabem que os clientes não gostariam de se hospedar ali.

Por outro lado, existem alguns amuletos que trariam sorte para quem os usasse ou os exibisse em suas casas: ferradura de cavalo, trevo de quatro folhas, estatueta de elefante atrás da porta, virado de costas para a saída... No Brasil, é comum dar-se um terceiro beijo ao cumprimentar uma moça, pois isso lhe traria casamento. 

 

1.3  Ocultismo

 

Se formos estudar a terminologia do vocábulo oculto, veremos que ele se deriva da palavra latina “occultus”, que significa escondido, secreto, obscuro, aquilo que é de falso fundamento, que é misterioso. São fenômenos que parecem escapar ou escapam ao domínio dos sentidos.

O termo ocultismo começou a aparecer no século 19, servindo para designar a série de teorias, práticas e rituais que tinham por base os conhecimentos secretos e a possibilidade de invocar forças desconhecidas, tanto da mente como da natureza. A alquimia, a astrologia, a cabala e a bruxaria estão entre as formas mais antigas e conhecidas de ocultismo, utilizando métodos próprios destinados a curar enfermidades, obter determinados bens ou adivinhar o futuro. Essas doutrinas pressupõem a existência de espíritos e de forças ocultas que governam o universo.

Muitas das formas de ocultismo tiveram origem em religiões secretas, tais como a bruxaria, que reproduzia, na Idade Média, rituais de cultos pré-cristãos. Outras se baseavam em conhecimentos de caráter filosófico, como a astrologia e a alquimia, que se propunham uma síntese de todo o saber.

O Dicionário de Religiões, Crenças e Ocultismo relata que “Ocultismo é o que está além da esfera do conhecimento empírico; o sobrenatural; o que é secreto ou escondido”.

Esoterismo é uma palavra que funciona perfeitamente como um sinônimo para a palavra “ocultismo”, nada mais sendo do que a doutrina que se oculta das pessoas em geral e só é revelada a quem é iniciado nela, aquele que a segue.

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1.3.1   A visão cristã-evangélica

 

Os cristãos evangélicos acreditam que o ocultismo traz consigo a influência das artes mágicas, das religiões de mistério, de muitos deuses e deusas, que tanto têm contribuído para que pessoas permaneçam longe do seu verdadeiro criador, colocando em perigo a sua salvação eterna.

É bom deixar claro que nossa pretensão ao concretizar esta pesquisa não é excitar a curiosidade das pessoas cristãs para essas aberrações que sempre existiram, mas alertar preventivamente para o perigo que elas representam, como fez Paulo: “...quero que sejais sábios para o bem e simples para o mal.” (Rm 16:19). Se formos maduros na fé, conseguiremos estar a par das atividades malignas sem nos deixarmos envolver pela obsessão ou fascinação doentia.

Embora não tenhamos que nos esquivar do que é sobrenatural, precisamos ser cuidadosos para não considerarmos todos os fenômenos inexplicáveis como sobrenaturais, pois a fraude sempre fez parte desse meio cheio de mistérios. Nosso primeiro erro seria não crer na influência diabólica e o segundo erro seria dedicarmos tempo demais em entender as coisas ocultas.


1.3.2  Origens do ocultismo

 

Se formos pesquisar sobre as origens do “ocultismo”, principalmente na área das adivinhações, teremos que citar a Babilônia e o Egito como os seus principais berços.


a)   Ocultismo no Egípcio

 

 A religião do Egito Antigo praticava o Zoormorfismo (culto a deuses animais) e o Antropomorfismo (culto a deuses humanos), enquanto que o próprio Faraó era considerado uma teofania, ou seja, a encarnação do deus principal dos egípcios.

Em busca da vida eterna, tumbas especiais e pirâmides eram erigidas, onde os ritos mais macabros eram praticados para garantir a vida pós-morte. Supersticiosos demais, os egípcios chegavam a prestar culto aos mortos.

 

Entre os egípcios, era comum também a crença de que os astros tinham influência sobre as diferentes partes do corpo: deus Rá (cabeça), deusa Selk (dentes), deusa Neit (joelhos), deusa Neit (pés), etc., deuses que se relacionavam com os astros.

Os símbolos ocultistas utilizados na magia eram: a serpente, o escaravelho e a chama, utilizando também a influência da numerologia na vida, segundo as crenças egípcias. Podemos citar aqui um exemplo bíblico, o caso da “briga” entre as serpentes de Moisés e do Faraó, no livro de Êxodo.

 

b)  Ocultismo na Babilônia

 

No contexto babilônico, destacam-se o culto, o exorcismo e a magia, onde mais de 2.500 entidades eram divinizadas pelos mesopotâmicos. A primeira forma do culto consistia na oração e na liturgia de atendimento aos deuses que, como mortais, deviam comer e beber, dormir e amar. Oferendas diárias deveriam ser oferecidas aos deuses, suas imagens expostas como forma de proteção, e seus símbolos usados como sinal de bom agouro.

Quanto à consulta aos horóscopos, apesar de originar-se dos caldeus, só se tornou popular através da Mesopotâmia. Esse sistema relacionava datas e lugares geográficos à posição dos astros, passando a ser usado para previsões do futuro.

Para os babilônicos, todo o mal (físico ou psíquico) ligava-se ao pecado ou ocorria por ação de demônios, por sua vez instigados por feiticeiros. Já a prática do exorcismo era uma atividade praticada através de rezas, penitências, ritos especiais e outras práticas orientadas por sacerdotes, feitas com o intuito de afastar as forças maléficas e abolir as causas do mal.

O Antigo Testamento mostra o rei Nabucodonosor consultando a Hepatoscopia, (método ocultista que adivinhava pelo fígado de um animal sacrificado) se deveria ou não atacar Jerusalém.

Para encerrar, registramos que, baseada na Bíblia, a Teologia Cristã chama a atenção para cinco categorias de ocultismo:

a) Astrologia: astros determina acontecimentos e caráter das pessoas;
b) Magia:  objetos e pessoas têm poder para o bem e para o mal;
c) Feitiçaria: pessoas têm poderes inexplicáveis pelos sentidos;
d) Necromancia: comunicação mediúnica com os mortos;
e) Reencarnação: retorno à vida em outro corpo.

 

CAPÍTULO II  -  RESUMO HISTÓRICO DAS FESTIVIDADES

 

Entrando nas comemorações de 31 de outubro, precisamos dizer que esse evento tem mais de 2.500 anos e para se chegar ao entendimento sobre suas origens precisaremos conhecer os desdobramentos que a Igreja Católica introduziu a essa festa, no decorrer da História. Após essa intervenção papal, passaram a existir três comemorações diferentes, mas inegavelmente ligadas entre si: “Dia de Samhain” (31-OUT), “Dia de Todos os Santos” (01-NOV) e “Dia de Finados” (02-NOV).


Para que os leitores possam ter um entendimento melhor desses desdobramentos, precisamos fazer um resumo do que aconteceu e só depois estudar com mais detalhes sobre cada um desses eventos que foram sendo criados e porque foram criados.

 

2.1 Festa de Samhain

 

Essa era uma celebração pagã do povo celta a Samhain (Deus dos Mortos), na região onde hoje estão os países britânicos: Inglaterra, Escócia, País de Gales, Irlanda e Irlanda do Norte (600 a.C. e 800 d.C.).

No Calendário Celta, 31 de outubro era o último dia do ano, quando celebravam a última colheita do ano e o final do verão. Nessa festa, eles homenageavam seus mortos, davam-lhes comidas jogadas em gigantescas fogueiras, etc.

Com a chegada do Império Romano a essas terras e da predominância cristã, Roma houve por bem transferir a festa católica do “Dia de Todos os Santos” (13 de maio) para o dia primeiro de novembro, colado às festividades pagãs de “Samhain”. Os santos, logicamente, eram mortos, e os objetivos das duas festas pareciam satisfazer pagãos e católicos. Só depois, é que os católicos instituíram o “Dia dos Mortos” (finados), que viria a completar três dias de festividades para os povos daquela região.

Vale acrescentar, também, que naquela época era comum iniciar-se as celebrações no por-do-sol da véspera e terminar no por-do-sol do próprio dia. Havia, então, uma mistura de objetivos maquiados pela alegria da festa.

 

2.2  Mix Diabólico

 

A Igreja Católica Romana conseguiu contornar o choque cultural entre seus interesses e os interesses pagãos dos celtas. É como se diz por aí: “Já que temos que ir para o inferno, não custa nada dar um abraço no diabo!”

A festa católica passou a ser chamada de "All Hallows' Eve" (Noite de Todos os Santos) e “All Hallows' Day” (véspera do Dia de Todos os Santos). Como a palavra inglesa “hallow” significa "pessoa santa”, (sagrada), o nome “Hallowe’en”, na realidade, não passa de uma versão abreviada do dia em que se celebram todas as "pessoas santas".

Assim, com o tempo, as pessoas passaram a se referir a esse feriadão como "Hallowe'en" e, mais tarde, simplesmente como "Halloween".

Como os celtas eram fissurados em invocar mortos, a Igreja revolveu instituir o “Dia dos Mortos” (02-NOV). Tudo se encaixou perfeitamente.  Veja que os feriados católicos “Todos os Santos” e “Finados” estão numa mesma sequência e celebram coisas semelhantes: a honra e a alma dos mortos. Dessa forma, o catolicismo e o paganismo passam a andar politicamente de mãos dadas.

 

CAPÍTULO III  -  O POVO CELTA

 

As terras da atual Grã-Bretanha foram invadidas pelos celtas, um povo bárbaro, que viveu ali entre os anos 600 a.C e 800 d.C., vindo de todas as partes da Europa. Os celtas eram altos e fortes, dedicados à lavoura, criação de ovelhas e gado, artesanato, além de fabricantes de armas e armaduras metálicas. Completamente pagãos, passaram a interferir na cultura dos povos nativos conquistados, impondo seus costumes.

Sua religião era politeísta e seus rituais aconteciam ao ar livre. Seu calendário de festas eram marcado por eventos naturais, como a época da semeadura (deusa Brígida), o fim do inverno (Festival de Beltane), e da colheita (Festival de Samhain), sempre ministrados pelos sacerdotes druidas.

 

3.1 Sacerdotes Druidas

 

Esses sacerdotes eram encontrados nos antigos territórios da Gália, Bretanha e Germânia, acumulando funções de magistrados, sábios e médicos.  Ensinavam sobre a existência de um único deus (Be’al) que aparentemente parece ter relação com o deus Baal dos fenícios, citado na Bíblia, pois ambos se identificavam com o sol e o fogo.

Os cultos aconteciam ao ar livre, próximos a um rio ou floresta e não utilizavam imagens. Seus santuários consistiam em enormes círculos de pedras. Documentos romanos garantem que os druidas ofereciam sacrifícios humanos ao deus Be’al.

A festa era celebrava com ritos presididos pelos sacerdotes druidas, que atuavam como "médiuns" entre as pessoas e os seus antepassados.

Talvez por estarem ligados a povos incultos, os druidas nunca registraram nada no papel sobre sua história, suas doutrinas, etc. Com a invasão dos romanos (46 a.C), os druidas foram perseguidos e seus ritos proibidos nas terras dominadas pelo Império Romano. No século segundo d.C., com a emergente evangelização desses territórios ocupados pelos romanos, a religião druida já tinha desaparecido na maioria das comunidades.

 

 

CAPÍTULO IV  -  A CONJUNÇÃO DAS TRÊS FESTAS

 

Passaremos, agora, a registrar detalhadamente como as celebrações foram sendo criadas, os objetivos, a época, etc., iniciando pela festa que hoje é conhecida como “Halloween”, que é o “Festival de Samhain” dos celtas.

 

4.1  O Festival de Samhain

 

Essa festa acontecia na noite de 31 de outubro, último dia do calendário celta, entre o equinócio de verão e o solstício de inverno. Cultuando a Samhain, o deus da morte, os celtas comemoravam a chegada no Novo Ano, a última colheita do ano e o final do verão.

Quando o tempo frio se aproximava, em outubro, os celtas traziam seus rebanhos de ovelhas e gado das montanhas para as pastagens próximas de suas casas, período que se transformavam em pessoas caseiras, ocupadas com artesanato e fabricação de armas e vestimentas de guerra.

Para o povo celta, o véu entre o mundo dos vivos e dos mortos, nessa noite, se tornava mais frágil, sendo o momento ideal para se comunicar com os que já morreram. Eles acreditavam que os espíritos dos mortos voltavam ao antigo lar para ter contato com os seus entes queridos e, se os vivos não providenciassem alimentos para eles, coisas terríveis poderiam acontecer. 

De acordo com as lendas célticas, era normal os espíritos dos mortos se misturarem com os dos vivos. Nessa noite os espíritos de todas as pessoas que morreram naquele ano sairiam do cemitério para tomar posse dos corpos dos vivos e usá-los durante o próximo ano. Essa era a única chance que os espíritos tinham em recuperar a vida após sua morte.

Temendo a ação dos espíritos, os celtas acendiam gigantescas fogueiras para honrar os deuses e os espíritos, sacrificando-lhes animais e jogando todo tipo de comida nessas fogueiras, temendo que os mortos dizimassem seus rebanhos e destruíssem suas casas. Para confundir os espíritos, os celtas se vestiam de preto e usavam máscaras.

Ainda segundo as lendas dos celtas, a única forma das pessoas vivas não serem possuídas pelos espíritos dos mortos naquela noite, era as pessoas se fantasiarem e desfilarem barulhentamente pela comunidade, tentando assustar aqueles espíritos que procuram corpos para possuir. Com esse mesmo objetivo, os celtas também costumavam colocar objetos assustadores em suas casas, como caveiras, ossos decorados, abóboras enfeitadas, entre outras coisas. Como a maçã era o símbolo de vida eterna para eles, o vinho era substituído por sidra ou suco de maçã.

Outra parte da celebração a Samhain tinha a ver com homenagens aos deuses celtas, quando as pessoas se vestiam como essas divindades, durante o festival. Eles iam de porta em porta recolher comida para depois oferecerem aos deuses na gigantesca fogueira, pois acreditavam que os espíritos vinham até ali para se alimentarem.

Por causa dos costumes pagãos dessa festa, ela foi condenada na Europa durante a Idade Média, época em que passou a ser chamada de “Dia das Bruxas”. Quem se atrevesse a comemorar a data, era condenado à morte na fogueira da Inquisição.

Passado o tempo da cristianização provocada pelo Império Romano, o “Festival de Samhain”  reapareceu com o nome de “Hallowe’en”.

 

4.1.1  Símbolos do festival

 

a) Caldeirão: Servia para as bruxas prepararem suas poções mágicas, onde eram atiradas moedas e mensagens escritas para os espíritos da noite de 31 de outubro.
b) Vela: Uma vela acesa era colocada dentro de uma abóbora oca ou de um nabo, para iluminar e destacar as feições humanas recortadas nelas. De acordo com as lendas, essa vela servia para iluminar os caminhos para os espíritos do outro plano astral.
c) Cara de Abóbora: Uma abóbora oca com feições humanas, simbolizava a fertilidade e a sabedoria. Colocada na escuridão com uma vela acesa dentro, causava impacto.
d) Vassoura:  Esse instrumento simbolizava o poder feminino, limpando a eletricidade negativa. As lendas contavam que a vassoura seria de veículo para transportar as bruxas nessa noite especial.
e) Aranha: A aranha simbolizava o destino, sendo que a sua teia servia de caminho para se seguir em frente.
f) Morcego: Esse bichinho significava a clarividência, pois eles enxergam além das aparências, sem precisar da visão ocular. Captam os campos magnéticos pela força da própria energia e sensibilidade.
g) Sapo: O sapo está ligado à simbologia do poder da sabedoria feminina. É um símbolo lunar e um atributo dos mortos e da magia feminina.
h) Gato Preto: O gato preto simboliza meditação e recolhimento espiritual, autoconfiança, independência e liberdade. Representa a plena harmonia com o universo.

As cores mais simbólicas do festival eram a LARANJA, que simbolizava a vitalidade geradora de força; o PRETO, que era a cor das vestes dos magos e bruxos; e o ROXO que é a cor da magias ritualística.

 

4.2  Dia de Todos os Santos

 

Desde que se passou a falar em religião, é normal ver-se os cristãos homenageando seus mortos, seus entes queridos. O Catolicismo Romano chegou ao ponto de canonizar seus mortos excessivamente virtuosos, após a sua morte, acreditando que esses santos teriam o dom da santidade e viviam próximos de Deus, podendo realizar milagres com os seres vivos que os invocassem. Assim, o dia da morte de determinado “santo canonizado” passava a fazer parte do calendário da Igreja e celebrado como aniversário daquela pessoa morta.

Por causa da quantidade de “santos” já canonizados, tornava-se difícil controlar a data para cada um deles, durante o ano. Assim, o Papa Bonifácio IV instituiu oficialmente o “Dia de Todos os Santos”, a partir do século sétimo, para que todos passassem a ser homenageados num só dia, que seria 13 de maio.

No século oitavo, porém, o Papa Gregório III transferiu essa comemoração para o dia 1º de novembro. Como já comentamos, para a maioria dos historiadores esta mudança teve a ver com a existência do “Festival de Samhein” dos pagãos, que acontecia em 31 de outubro, um dia antes.

Essa era uma prática política habitual naquela época, quando a Igreja Católica incorporava festividades pagãs nas suas próprias, a fim de juntar as pessoas e conseguir possíveis conversões à fé católica. Muitos historiadores acreditam, por exemplo, que a marcação da celebração do Natal foi marcada para 25 de dezembro para coincidir com os festivais pagãos do solstício de inverno.

A verdade é que, com a escolha de 1º de novembro, a Igreja começou a incorporar tradições pagãs do “Samhain” àquele dia reservado a todos os seus santos, estratégia que trouxe muitos descendentes celtas para o cristianismo romano.

O lado negativo disso é que muitas das tradições do “Samhain” eram centradas no sobrenatural e no mundo dos espíritos, ideias não aceitas pelo cristianismo. Pelo lado dos pagãos, reconhecer pessoas falecidas como santos até que pareceu simpático, mas eles ainda eram fascinados pela ideia de que seu familiar morto deveria retornar ao mundo dos vivos naquela noite.

Apesar de certo desconforto na Igreja, muitas ideias sobrenaturais persistiram nas celebrações da véspera do “Dia de Todos os Santos”, tornando a ocasião uma combinação notável de crenças cristãs e pagãs.

 

4.3  Dia de Finados

 

No final do século X, a Igreja tentou dar um pouco mais de direção a essas tradições mescladas ao “Samhain”, estabelecendo o “Dia de Finados” (02-NOV) como uma ocasião para se homenagear também os cristãos mortos.

Nos séculos 14 e 15 surgiu na França o costume de se usar disfarces em representações artísticas, época em que metade da população europeia foi ceifada pela Peste Negra e pela Peste Bubônica. Na véspera do “Dia de Finados” os artistas enfeitavam os muros dos cemitérios com imagens do diabo carregando pessoas em fila para as tumbas.

Com o tempo, o “Dia de Finados” passou a ser celebrado com missas e festividades em homenagem aos mortos que estariam no purgatório, local de pós-vida onde os cristãos mortos se purificariam para poderem, mais tarde, irem para o Céu. Por meio de orações e boas obras, o membros vivos da igreja poderiam ajudar os seus amigos e familiares que partiram.

O Dia de Finados (Dia dos Mortos) continua sendo uma data na qual as famílias gostam de lembrar dos seus parentes falecidos. Em alguns lugares, como o México, é uma data marcada por festividades, incluindo desfiles espetaculares de esqueletos e demônios. Em uma tradição notável, os farristas chegam a teatralizar um funeral com uma pessoa viva dentro de um caixão, simulação perfeitamente identificada com o “Halloween” .

"Finados" no México

 

4.4  Halloween

 

Afinal, se os dois feriados católicos, “Todos os Santos” e “Finados”, passaram a ser comemorados por todo o mundo, por que o terceiro, “Samhain”, não seria também comemorado?

O “Halloween” das terras britânicas passa a se espalhar pelo mundo, até mesmo naqueles países que não sofreram a invasão dos celtas, que não foram ministrados pelos Sacerdotes Druidas, etc.


CAPÍTULO V  -  HALLOWEEN MODERNO

 

Vejamos como essas três festas são realizadas em diversos países, logicamente com algum tempero da cultura local incorporada, como veremos a seguir.

 

5.1  A exportação das festas

 

O que pode ser observado é que as três festas já foram exportadas com suas características próprias e finais: “Halloween”, “Todos os Santos” e “Finados”, inexistindo qualquer relação entre elas.

 

a) Estados Unidos

 

O “Halloween” foi levado para os Estados Unidos e para o Canadá pelos imigrantes irlandeses e escoceses por volta de 1840.

A essas alturas, após a Reforma Protestante, os povos de língua inglesa já não  tinha mais nenhum vínculo com a Igreja Católica Romana, desvinculando também a festa de Halloween com os feriados católicos de “Todos os Santos” e “Finados”, mas sofrendo a introdução de novas tradições seculares locais. É comum, por exemplo, o aluguel de máscaras fantasmagóricas e de uma infinidade de fantasias bruxuleantes, para essa data. Tanto crianças como adultos se preparam para a festa.

O povo norte-americano incorporou a brincadeira do “Travessuras ou Gostosuras” (Trick-or-treat), que se origina de um costume europeu do século IX, quando os cristãos iam de vila em vila, de fazenda em fazenda pedindo bolos com cobertura de groselha. Para cada pedaço de bolo que ganhasse, a pessoa deveria fazer uma oração por um parente morto daquela pessoa que deu o bolo.

Atualmente, as crianças se vestem de fadinhas, bruxinhas, fantasminhas e fazem verdadeira peregrinação pelos seus condomínios ou bairros. Por gostarem, ou por receio de possíveis vandalismos, os adultos também se fantasiam, preparam-se como guloseimas, participando ativamente das brincadeiras. A tradição manda que quando os donos da casa se negarem a dar guloseimas, as crianças têm o direito de se vingarem, escrevendo nas portas com pincéis, arrancando flores do jardim, etc.

A cada ano que passa, os norte-americanos procuram esmerar-se nas produções sobre o tema, sempre sugerindo pensamentos assustadores, morte e muita coisa sobrenatural, casas comunitárias assombradas, históricas de fantasmas, etc. Cartões e decorações também fazem parte dessas festividades que tomam quase todo o mês de outubro. Para que se entenda a importância dada, em termos de faturamento, essa festa só perde para o Natal, nos Estados Unidos.

Nos últimos 50 anos, os cartões comemorativos se tornaram uma parte importante da celebração de Halloween. As vendas começaram em 1900 e atingem 24 milhões de cartões por ano.

 

b)  Brasil

 

No Brasil, o “Halloween” é popularmente chamado de "Dia das Bruxas" e sua comemoração pode ser considerada recente. As escolas de língua inglesa iniciaram essa comemoração com a desculpa de promoverem a cultura anglo-americana, iniciadas pelos colégios particulares e mais recentemente seguidas pelas escolas públicas.

É flagrante, nos últimos anos, o apelo publicitário nas vitrines de lojas durante o mês de outubro, e festas à fantasia patrocinadas pelas casas noturnas, com um nítido interesse apenas na variação, na novidade.

Quanto ao conhecimento do teor ocultismo/satanismo envolvidos historicamente nessa festividade, é flagrante que os jovens brasileiros estão completamente desligados, procurando apenas a tradicional provocação típica da idade, gostando de fazer aquilo que traz desconforto a outras gerações.

Há quem defenda que o “Halloween” não tenha nada a ver com a nossa cultura e que a data não deveria ser comemorada aqui, devendo-se valorizar mais os nossos temas folclóricos. Tentando cuidar disso, o governo brasileiro instituiu, em 2005, o “Dia do Saci”, a ser comemorado na mesma data: 31 de outubro. Não sabemos se essa “brilhante” iniciativa é mais apropriada para rir ou para chorar.

 

c)  Outros países

 

A Irlanda é considerada o país de origem do “Halloween”. Na noite de 31 de outubro, nas áreas rurais, as pessoas ainda hoje acendem fogueiras, imitando os celtas, antigos moradores do seu território. As crianças passeiam pelas ruas, recitando à porta de cada casa: “Tricks or treats” (doces ou travessuras), para ganhares guloseimas.

No México, a coisa é diferente de outros países, no dia 1º de novembro é comemorado o “Dia dos “Anjinhos” ou “Dia dos Santos Inocentes” para relembrarem as crianças que morreram antes de serem batizadas. No dia 02 eles celebram o “El Dia de los Muertos”, quando as pessoas oferecem aos mortos aquilo que eles mais gostavam quando estavam vivos: comida, bebida, flores... Também é costume entre os mexicanos enfeitarem os túmulos do cemitério, na véspera dessa data.

Durante a madrugada para o dia 02 a família e amigos comem, bebem e conversam, enquanto esperam a “chegada” dos seus mortos. Uma tradição muito popular entre eles é comer as caveiras doces, artefatos feitos com chocolate, marzipã e açúcar. Até desfiles são produzidos para celebrar essa data.

 

Na Tailândia, a data é comemorada com o “Festival Phi Ta Khon”, constando de muita música, desfiles de máscaras, tudo acompanhado e assistido pela imponente estátua de Buda. Segundo a lenda desse país, fantasmas e espíritos andam entre os homens nesse dia.

 

5.2  Componentes Atuais

 

Como já mencionamos anteriormente, cada país acrescentou alguma pitada da cultura local, substituindo ou adaptando componentes originais das terras britânicas. Comentaremos apenas os que mais caracterizam as celebrações atuais.

 

a) Travessuras ou Gostosuras?

 

No tempo dos celtas, na velha Irlanda, as pessoas se vestiam com trajes horríveis, desfilavam pelas vilas, tentando afugentar os espíritos que vinham à Terra naquela noite de 31 de outubro, enquanto que as crianças iam de porta em porta pedir lenha para a gigantesca fogueira comunitária.  

Uma corrente diz que nos tempos medievais, no ”Dia de Finados”, era comum as crianças irlandesas vestirem-se de fantasmas e irem de porta em porta pedir uma guloseima chamada “Bolo das Almas”, coberto de groselha. Para cada cubinho de bolo que ganhasse, a criança teria que fazer uma oração para os familiares mortos daquela família. Tais orações ajudariam esses mortos a saírem definitivamente do Purgatório e irem para o Céu. 

Outra corrente diz que a tradição de pedir doces, sob pena de fazer travessuras, teve origem na Inglaterra entre os anos de 1500 e 1700, após a Reforma Protestante, quando os católicos ali foram privados dos seus direitos legais e exercer cargos públicos. As perseguições chegavam a pesadas multas, impostos e até em prisão.

Um católico chamado Guy Fawkes foi acusado de pretender explodir o Parlamento Inglês e foi enforcado em 05 de novembro.  A partir daí, essa data passou a ser comemorada até os dias atuais, quando protestantes, usando máscaras, visitam casas de católicos exigindo deles cerveja e pastéis. Quando chegam, dizem a frase: “Trick or treat?”  Essa mesma comemoração foi levada pelo colonos irlandeses aos Estados Unidos, só que foi antecipada para 31 de outubro.

Muitas novidades foram sendo acrescentadas, de país para país, sendo que nos Estados Unidos chegou-se a implantar uma troca de presentes, nessa noite festiva.


b) Abóboras iluminadas

 

Esse conhecido símbolo é chamado, em inglês, de “Jack O’Lantern” (Jack da lanterna), um homem lendário que viveu na Irlanda no século 18. Era um homem rude e alcoólatra chamado Jack. Ele teria bebido tanto numa noite de 31 de outubro, que o diabo veio buscar sua alma. Mesmo assim, Jack implora ao diabo mais um copo de bebida e diante do último trago, pede ao diabo que o transforme numa moeda, para que consiga comprar a bebida. Como sua carteira tinha um fecho em forma de cruz, o diabo tenta fugir, mas Jack lhe propõe um trato: libertá-lo da força da cruz em troca de ficar mais um ano inteiro perambulando pela Terra. Feliz, Jack passa a tratar bem sua esposa e filhos, começa a frequentar a igreja e torna-se um homem caridoso.

Passado aquele ano inteiro do trato, na noite do próximo 31 de outubro Jack está indo para casa quando o diabo lhe aparece. Esperto, Jack induz o diabo a pegar uma maçã numa árvore, em cujo galho Jack desenha com um canivete o símbolo da cruz. Desta vez, o diabo lhe oferece mais 10 anos de sobrevida, mas Jack lhe ordena que nunca mais o aborreça.

Meses depois, Jack morre, tenta entrar no céu, mas sua entrada é negada. Sua única alternativa é ir para o inferno, onde o diabo, chateado com ele, também não permite sua entrada. Porém, dá a ele uma brasa, para que possa com ela iluminar o seu caminho até o purgatório. Para proteger a brasa, Jack a coloca dentro de um nabo e começa a sua peregrinação eterna. Só quando os imigrantes irlandeses chegaram aos Estados Unidos é que resolveram substituir o nabo por uma abóbora, iluminada por dentro por uma vela.

Assim, qualquer luzinha fraca vislumbrada na escuridão da noite de 31 de outubro deve ser Jack O’Lantern perambulando, e procurando um lugar para ficar.

Uma outra versão, esta mais concreta, conta que quando terminava o “Festival de Samhain”, os celtas voltavam para casa levando uma brasa da gigantesca fogueira comunitária, dentro de um nabo oco, que funcionava como uma lanterna. Isso nos remete às abóboras americanas da atualidade, contendo uma vela dentro.

As famílias irlandesas que emigraram para os Estados Unidos levaram essa tradição com eles, mas substituíram os nabos por abóboras, que além do tamanho maior, ainda tinham a vantagem de serem mais abundantes na América. As pessoas começaram a cortar boca e olhos assustadores em suas abóboras iluminadas.

Tanto as abóboras iluminadas tradicionais, como os nabos ocos com brasas ou velas dentro, tornaram-se uma decoração muito popular de Halloween na Irlanda e na Escócia. A tradição folclórica acreditava que elas evitariam a presença de Jack O’Lantern e de outros espíritos no Halloween, e também serviriam como representações das almas dos mortos.


c)  Maçãs da Sorte

 

A noite de Halloween suscitava uma necessidade de se olhar para o futuro, incluindo vários rituais de adivinhação, originados principalmente de tradições folclóricas das Ilhas Britânicas, e com raízes nas antigas festividades do “Samhain”.

Muitas das adivinhações relacionadas a casamento têm a ver com maçãs. Na tradição celta, a fruta era associada às deusas que controlavam as formas de amor. Veja a estrutura interna das maçãs: quando você corta a maçã em duas partes, você vê o formato de um pentagrama (uma estrela com cinco pontas) em cada metade, ao redor do centro. Por sinal, o pentagrama era um símbolo importante para os celtas antigos, assim como para muitas outras culturas. Entre outras coisas, era um símbolo divino.

Uma das adivinhações mais populares era fazer com que jovens solteiros tentassem morder uma maçã flutuando na água ou pendurada em um fio. Isto funciona como o buquê que ainda hoje é jogado nas festas de casamento: a primeira pessoa a morder a maçã seria a próxima a se casar.

Uma outra prática era uma jovem acender uma vela e descascar uma maçã em frente ao espelho. Enquanto ela estivesse descascando a maçã, seu futuro marido supostamente apareceria no lugar de seu reflexo.

Descascar uma maçã também era uma maneira de prever sua expectativa de vida. Se você conseguisse cortar uma casca longa, teria uma vida longa também. Se cortasse um pedaço de casca pequeno, você morreria jovem.

O título inglês dado a determinadas brincadeiras com maçãs era “Apple-ducking” (Maçãs flutuantes), em homenagem à deusa Pomona, deusa dos frutos e das árvores, louvada e celebrada em épocas de colheita. As maçãs ficavam boiando num barril com água, enquanto as pessoas mergulhavam seu rosto nela, tentando mordê-las com os dentes. Depois, faziam adivinhações sobre o futuro, baseados no formato deixado pela mordida.

As maçãs ainda são uma grande parte das celebrações de Halloween, atualmente. Além da brincadeira da maçã, as pessoas bebem cidra, fazem doces de maçã e entregam maçãs às crianças.


d)  Bruxaria

 

As bruxas têm um papel importantíssimo no “Halloween”, não sendo por acaso que essa festividade seja também conhecida como “Dia das Bruxas”.

Segundo as lendas, as bruxas costumavam se reunir duas vezes por ano, sempre na troca de estação: 30 de abril e 31 de outubro. Elas chegavam em vassouras voadoras e participavam de uma festa chefiada por Lúcifer. Elas jogavam maldições e feitiços em qualquer pessoa, enquanto se transformavam em várias coisas e causavam todo tipo de transtorno.

Dizia-se que, para encontrar uma bruxa, era necessário virar-se as roupas do avesso e andar de costas durante a noite de Halloween. Só assim a pessoa poderia ver uma bruxa à meia-noite.

Pelo fato da festa relacionar-se, no seu início, com a morte, ela resgata elementos e figuras assustadoras, simbolizadas por fantasmas, bruxas, zumbis, caveiras, monstros, gatos-pretos e até personagens como Drácula e Frankestein.

No Dia das Bruxas, grupos adeptos da bruxaria realizam brincadeiras com dança e música, tudo comemorado com muito ponche, bolos e doces, sendo que a cor predominante é o preto. Assim como no passado, ainda hoje os bruxos mantêm a antiga tradição dos celtas, pois os nomes das pessoas que já morreram são queimados no caldeirão sem conotação de tristeza.

Os sacerdotes druidas acreditavam que essa era a noite mais propícia para se  fazer previsões e adivinhações sobre o futuro e a única noite do ano onde a ajuda de Samhain, o "Senhor da Morte" era invocada para tais propósitos.

Um dos rituais mais comuns de bruxaria de desvendar o futuro consistia na observação dos restos mortais dos animais e das pessoas sacrificadas. O formato do fígado do morto, em especial, era estudado para se fazer prognósticos acerca do novo ano que se iniciava. Essa prática de bruxaria é mencionada no Antigo Testamento, realizada pelo rei da Babilônia: "Porque o rei da Babilônia para na encruzilhada, na entrada dos dois caminhos, para consultar os oráculos: sacode as flechas, interroga os ídolos do lar, examina o fígado" (Ezequiel 21.21).

A crença em bruxas também chegou aos Estados Unidos com os primeiros colonizadores. Elas chegaram às terras norte-americanas e suas histórias passaram a se misturar com as histórias de bruxas contadas pelos índios locais, e mais tarde ainda, com as crenças trazidas pelos escravos africanos.

A figura do gato preto é comumente associada à bruxaria, pois as lendas garantem que essa é a principal forma que as bruxas gostam de se transformar: em gatos pretos. Algumas pessoas chegam a pensar que os gatos são espíritos dos mortos.

Por outro lado, parte das mulheres do século XXI mostra uma tendência de se utilizar da bruxaria como um hobby, um estilo de vida, praticando magia através de feitiços e rituais, que variam de acordo com a tradição. Os ritos são praticados ao ritmo das forças vitais, marcadas pelas fases da lua e os feriados sazonais. Uma vez por mês, durante a lua cheia, os bruxos se reúnem para realização de feitiços e rituais extraordinários.

 

As feiticeiras atuais são diferentes daquelas que usavam roupas e chapéus pontiagudos e pretos. Elas estudam as propriedades medicinais das ervas, os ciclos da lua e as mudanças climáticas para aplicar tais conhecimentos “de forma terapêutica”.  As poções mágicas são provenientes das simpatias, rezas e crendices populares.

Elas também ficam atentas aos ciclos da natureza, como o  hábito de cortar cabelos de acordo com as fases da lua. A pessoa vira adepto de bruxaria sem saber.

De acordo com a Bíblia, pode-se concluir que a bruxaria não passa de mais uma artimanha do diabo para desviar pessoas do caminho, da verdade e da vida, pois o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus para servir só a Ele. “Não vos voltareis para os necromantes, nem para os adivinhos; não os procureis para serdes contaminados por eles. Eu sou o Senhor, vosso Deus” (Levítico 19.31).

 

CAPÍTULO VI  -  CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

6.1  O fascínio pela bruxaria

 

Agora que já sabemos de onde vêm os diferentes elementos dessa festividade, cabe a pergunta: De onde será que vem esse fascínio pelo Halloween e por todo tipo de atividade ligada à bruxaria em geral?  Que tipo de prazer as pessoas sentem diante de uma celebração da morte e das forças sobrenaturais? Será que é porque gostam de levar susto, de viver perigosamente? Será porque gostam de se vestir de forma assustadora?  Será que é apenas uma forma dos jovens abrirem um confronto com as faixas etárias que pensam diferente?

Todos esses prazeres parecem ser características humanas universais. Existem muitos festivais relacionados à morte e desfiles de fantasias aparecendo em muitas culturas, desde as orientais, as europeias e as do Terceiro Mundo. Parece que as culturas humanas são obcecadas pela morte porque não conseguem entendê-la. Quanto mais terríveis as imagens num filme, mais campeão de bilheteria ele se torna.

Além de trabalhar com o mal-estar a respeito dos mistérios da morte e do sobrenatural, as pessoas gostam de serem assustadas por razões puramente biológicas. Tanto quando você assiste a um filme de terror ou anda em uma montanha-russa, seu cérebro aciona uma resposta de medo. Seu corpo libera adrenalina e outros hormônios que fornecem energia extra para lidar com a situação.

Quando você está realmente em perigo, é claro, não gosta de sentir esses hormônios, você simplesmente os usa para lutar, escapar ou tomar alguma outra atitude. Porém, quando o perigo é simulado, sua mente sabe que, na verdade, você está seguro e gosta da energia que os hormônios te dão. O medo intencional e sob controle é divertido porque ele proporciona uma corrida de hormônios e o ajuda a trabalhar com seus medos em geral em um ambiente seguro.

Ao nos vestirmos com nossos medos, nós os temos mais perto, tomando um certo controle deles. Isto pode ser particularmente eficaz com crianças. Elas geralmente não têm medo da mortalidade tanto quanto de figuras sinistras como monstros e fantasmas. Uma vez que elas se vestem como um monstro e brincam com a personagem, eliminam um pouco do mistério do monstro, tornando-o menos ameaçador.

É claro que a prática do "travessuras ou gostosuras" não representam apenas usar roupas aterrorizantes. Normalmente, as crianças se vestem como sua personagem de desenho favorita ou uma figura adulta como um bombeiro ou um astronauta. O prazer disso consiste simplesmente na alegria de atuar. As crianças anseiam pelo “Halloween” porque elas podem habitar uma personagem, sendo ela uma figura aterrorizante ou um super-herói idolatrado.

Já os adultos, eles gostam de se vestir por razões semelhantes, e é por isso que as simulações são parte de tantos festivais de diferentes culturas. Colocar uma máscara permite que as pessoas esqueçam suas inibições e saiam de si mesmas por uma noite. Usando uma fantasia, as pessoas dizem e fazem coisas que provavelmente não fariam em sua rotina. É muito gratificante entrar num personagem por um tempo, mesmo para um adulto.

 

6.2  Igrejas pegando carona

 

Estamos vivendo tempos de perversão coletiva, onde Satanás se manifesta, às vezes, de forma descarada, mas muitas outras sutil e camufladamente. Como você vê Satanás se manifestando no Halloween? A Bíblia é clara na opção que devemos seguir:


Não se achará entre ti quem faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro; nem encantador, nem necromante, nem mágico, nem quem consulte os mortos; pois todo aquele que faz tal coisa é abominação ao Senhor; e por estas abominações o Senhor, teu Deus, os lança de diante de ti. Perfeito serás para com o Senhor, teu Deus. (Deuteronômio 18.10-13)


A opção está à nossa disposição: consultar aqueles que tagarelam e consultam mortos e adivinhos ou confiar no que dizem as Sagradas Escrituras.

Se o leitor perguntar se o Halloween está entrando nas igrejas, responderíamos que era só o que faltava, nessa busca de modernidade que assola as Igrejas da atualidade.

Certas Igrejas já não sabem mais o que fazer para parecerem modernas. Elas mundanizam suas atividades para que as pessoas não sintam falta das coisas lá de fora. É um mix de coreografias gospel, para que as meninas “ponham pra fora” suas tendências dançantes;  letras “gospel” em músicas barulhentas, para que os jovens não sintam falta do rock’n’roll lá de fora; festas-balada com rock gospel, com direito a luz negra... E vai por aí.

Ultimamente, até festas juninas são promovidas nas Igrejas brasileiras. Dançam a quadrilha, fazem o tradicional casamento-de-jeca... Esquecendo ou não, querendo lembrar que essas celebrações são em louvor a santos canonizados pelos papas católicos: São  João Batista, São Pedro e Santo Antônio, e todas as superstições ligadas às suas histórias. Já vi cartazes com uma Igreja anunciando a sua promoção: “Arraial Gospel”. Os retiros de carnaval, não raro, promovem danças parecidas com as “Comissões de Frente” das Escolas de Samba! Eu já vi!

Entrando mais na área do “Halloween”, é muito comum nos Estados Unidos crianças batistas, metodistas, presbiterianas, etc., participarem das “brincadeiras de Halloween” com as demais crianças americanas. Eu já vi!  Vestem-se de fadinhas, de bruxinhas e tudo o mais que os pais acham que não tem problemas.

Sabem qual foi a ideia “brilhante” que uma turma de Escola Dominical da Filadélfia instituiu nos Estados Unidos?  Quando as criancinhas filhas de crentes visitavam as casas com o “trick or treat”, ao invés de darem doces, as pessoas mandariam uma doação para um site da UNICEF (crianças carentes). Mas continuaram participando da “brincadeira”.

 

6.3  Halloween está provocando discussões

 

Graças a Deus que muita gente está se levantando contra a realização dessas festinhas em boates e nos colégios onde estudam nossos filhos. Discussões têm mostrado que nem todas as famílias estão de acordo com essas coisas. O problema é que muitos professores de inglês têm reagido raivosamente, como os sacerdotes druidas do passado, à menor crítica feita aos festejos de Halloween. Se a coisa funciona como eles dizem, que é apenas uma forma de “apresentar” a cultura anglo-americana, perguntamos por quê esses professores também não implantam a celebração do “Thanksgiven” (Dia de Ação de Graças)um dos ferianos mais comemorados nos Estados Unidos.  Gostaríamos de ver esses professores orando com seus alunos na terceira quinta-feira de novembro, agradecendo a Deus por todas as graças recebidas. Não nos lembramos de ter visto alguma escola fazer isso!

Apesar de o “Halloween” se originar parcialmente de tradições cristãs, muitos grupos cristãos não querem contato com a festa por causa de seus elementos pagãos. Figuras famosas de Halloween, tais como bruxas e demônios, carregam uma conotação satânica desconfortável para os cristãos, que não querem expor seus filhos a essas “brincadeiras” .

Alguns grupos também se incomodam com as origens da festa, já que é uma crença comum de que o “Festival de Samhain” era uma celebração de um diabólico deus dos mortos chamado Samhain. A maioria das evidências mostra que, na verdade, não é esse o caso - a principal documentação de tal deus vem de um material aparentemente produzido pela igreja católica há centenas de anos, como meio de converter pessoas do druidismo.

Os grupos cristãos se incomodam também com os boatos de que os druidas e wiccanos atuais guardam o “Halloween” como uma ocasião para adorar Satanás e outras forças do mal. As organizações estabelecidas desses grupos negam com veemência qualquer conhecimento de tais práticas, apesar de dizerem que se trata de uma data importante do ano em sua religião. Todo ano, há alguns relatos de rituais satânicos e até de sacrifícios de animais, como gatos, mas a maioria dessas histórias podem não ser verdadeiras. Na verdade, quaisquer sacrifícios reais são práticas de indivíduos em grupos extremistas menores, que operam junto da organização maior.

Muitos Wiccanos (bruxos atuais) irritam-se com o “Halloween”, pois querem separar a sua religião da noção popular de bruxas como figuras malvadas, compactuadas com o diabo. Eles dizem que a bruxaria moderna é baseada nas antigas crenças druidas e wiccanas e que nada tinham a ver com Satanás ou outras figuras da teologia judaico-cristã. Os Wiccanos dizem que a sua religião é baseada em uma conexão da natureza e do universo, não em forças obscuras e magias malignas, como sugere a ideia popular sobre as bruxas.

Em geral, o “Halloween” gera controvérsia porque alguns pais pensam que é uma festa imprópria e possivelmente perigosa para as crianças. Na sociedade moderna, as crianças estão correndo algum tipo de perigo físico ao brincar de "travessuras ou gostosuras" porque elas caminham pelos condomínios  e pelo seu bairro no escuro e aceitam doces de estranhos.

As imagens assustadoras que envolvem o “Halloween” também costumam gerar preocupação. Muitos pais temem que monstros e fantasmas sejam perturbadores demais para as crianças, notando-se que as crianças menores que brincam de "travessuras ou gostosuras" têm dificuldade em distinguir fantasia de realidade e podem se assustar demais com pessoas vestidas de monstros. Nos últimos anos, cada vez mais, pais têm desviado suas crianças do "travessuras ou gostosuras", levando seus filhos apenas às celebrações do colégio ou da igreja.

Este é um assunto difícil para os pais, pois frequentemente eles têm ótimas lembranças da brincadeira quando eram crianças, porém não se sentem seguros em deixar seus próprios filhos participando. Eles dizem que o “Halloween”  era menos assustador quando eles eram crianças porque era mais a diversão de usar fantasias engraçadas, e as crianças não eram expostas a tantas imagens perturbadoras na cultura popular. Os filmes de terror se tornaram um ponto particularmente sensível para os pais preocupados, por serem muito violentos.

Outros acham que muitos aspectos do “Halloween” são importantes para as crianças. Fantasiar-se pode fazer com que uma criança tímida tenha mais autoconfiança, e o "travessuras ou gostosuras" pode criar um sentimento saudável de comunidade em uma vizinhança. Na maioria das vezes, os adultos que gostam do “Halloween”  detestariam ver suas tradições favoritas acabarem aos poucos, pois eles se lembram de como eles as adoravam quando eram crianças.

A seguir, transcrevemos o depoimento de um brasileiro que viveu nos Estados Unidos durante a sua adolescência, convivendo por alguns anos com as celebrações ao ar livre do Halloween”.


Passei a minha adolescência nos estados de Indiana e do Tennessee, nos Estados Unidos, vendo a mesma cena se repetir várias vezes nas noites de 31 de outubro: as crianças da vizinhança vinham fantasiadas como monstrinhos, batiam à nossa porta e, ao abrirmos, elas nos indagavam: – "Trick or Treat?".
Se respondêssemos "trick!", elas iniciavam uma série de travessuras, como sujar a grama em frente da casa com papéis e lixo, jogar ovos no terraço, além de saírem gritando ofensas ingênuas. Se respondêssemos "treat!", nós lhes dávamos alguns doces e elas saíam contentes e felizes em direção à próxima casa.
O que não sabíamos, naquela ocasião, mas sabemos agora, é que aquelas criancinhas simbolizavam os espíritos dos mortos que supostamente vagueavam naquela noite procurando realizar maldades (travessuras) ou em busca de bom acolhimento. Se os celtas deixavam comidas do lado de fora das casas para agradar os espíritos que passavam, ao recebermos aquelas criancinhas ingênuas nas nossas casas, estávamos simbolicamente realizando negociatas com principados e potestades do mundo tenebroso, da mesma forma que se fazia na Antiguidade.


Agora, a opinião de outro pai, este norte-americano, que não vê grandes problemas nas crianças se vestirem de bruxas e saírem pedindo doces.

A celebração do 31 de outubro, muito provavelmente em virtude da sua origem como festa dos druidas, vem sendo ultimamente promovida por diversos grupos neo-pagãos, e em alguns casos assume o caráter de celebração ocultista.
Hollywood fornece vários filmes, entre os quais se destaca a série “Halloween”, na qual a violência plástica e os assassinatos acabam por criar no espectador um estado de angústia e ansiedade. Muitos desses filmes, apesar das restrições de exibição, acabam sendo vistos por crianças, gerando nelas o medo e uma idéia errônea da realidade.
Porém, não existe ligação dessa festa com o mal. Na celebração atual do Halloween, podemos notar a presença de muitos elementos ligados ao folclore em torno da bruxaria. As fantasias, enfeites e outros itens comercializados por ocasião dessa festa estão repletos de bruxas, gatos pretos, vampiros, fantasmas e monstros, no entanto isso não reflete a realidade pagã.


Um terceiro pai, o Dr. Samuel Magalhães Costa, de Porto Alegre/RS, manda um recado para os professores de língua inglesa, quanto à motivação que criam com seus alunos, em direção das celebrações de “Halloween”:

Meus queridos professores de inglês, o que há de tão "happy" no Halloween? Onde está a suposta felicidade transmitida pela festa de Samhain? Pessoalmente, não consigo enxergar nada além de trevas espirituais.
Para quem não sente prazer com o sofrimento, "divertida" é uma palavra pouco apropriada para descrever a festa de Samhain, marcada pela angústia, pelo medo, pela depressão, além das piores crueldades e contatos com um mundo espiritualmente tenebroso. Afinal, nem os celtas simpatizavam com a festa de Samhain.
O Halloween é uma algolagnia que leva as crianças a se familiarizarem com o sadismo cândido da infância e desperta o que existe de pior dentro de cada adolescente. É o avesso das relações sociais equilibradas! É a fusão com a distorção de valores do mundo cão, onde seus participantes tornam-se vítimas espiritualmente impotentes.


O Dicionário Aurélio explica o termo ALGOLAGNIA, utilizado pelo Dr. Samuel, que significa perversão daquele que só tem prazer sexual associado a uma dor experimentada por ele mesmo ou infligida a outrem.

Para encerrar, queremos deixar um conselho para as famílias que mantêm crianças nos colégios, normalmente induzidas a participarem de solenidades religiosas ou estranhas, como a de “Halloween”, inclusive obrigadas a apresentar trabalhos de relatórios sobre tais eventos, valendo nota. Existem leis que protegem os estudantes nessas situações, garantindo que ninguém é obrigado a participar de eventos que não combinem com as preferências religiosas da sua família. No caso de exigências por parte de professores, procurem a Direção do colégio e, se persistirem as exigências, procurem a Coordenadoria Regional de Educação. Existem leis que protegem você e seus filhos! ESeus filhos  não são obrigados a participar de atividades que não combinem com seus preceitos religiosos.

 

 

 

 

AUTOR

Walmir Damiani Corrêa

 

 

 

 

 

 

 

FONTES PESQUISADAS

 

- Folha de São Paulo;
- Estadinho (30/10/1999);
- COSTA, Dr.Samuel Magalhães. Happy Halloween! Porto Alegre: Revista Chamada da Meia-
   noite, 2001.;
- www.guiadoscuriosos.com.br;
- Wikipedia, a enciclopédia livre;
- MCDOWELL & STEWART. Entendendo o Oculto. São Paulo: Editora Candeia, 1996.;
- SILVA, Heverson. Por que os crentes não devem festejar o Halloweeen. Lynchburg, USA:
  2002.

 

 

Por: Walmir Damiani Corrêa

Publicado em 03/10/2013

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