Comida & Bebida: O quê a Bíblia pensa disso

 


COMIDA & BEBIDA:

O QUE A BÍBLIA PENSA DISSO?

 

 

 

INTRODUÇÃO

 

 

É muito comum a preocupação das pessoas tementes a Deus sobre o que pode ser ingerido e, não raro, muitas procuram seus líderes religiosos para serem orientadas no seu agir.

Cada segmento religioso produz suas crenças, estabelece normas, sendo que esses procedimentos se transformam em leis, em tradição. Essas tradições, com o correr dos anos, vão sofrendo modificações, vão se alterando até chegarem ao ponto de ficarem desacreditadas e até desaparecerem.

No momento em que nos determinamos em estudar o controle sobre o que podemos comer e beber, pretendemos incluir aí a prática do jejum, alguns tipos de abstinência, proibições sobre determinados alimentos como carne, principalmente, bebidas fortes, procurando sempre registrar a justificativa de quem os instituiu e quando.

Existem Igrejas que amedrontam seus seguidores, proibindo-lhes de comer carne vermelha, feijão, bebida alcoólica e outras coisas, mas quando se desconhece o motivo, fica mais difícil de aceitar a determinação.

Quando uma pessoa começa a estudar a Bíblia regularmente, desde o Antigo Testamento, aí sim é que se verá essas dúvidas e temores aumentarem. É nesse momento que o interessado precisará de um bocado de entendimento contextual e manejo bíblico para poder entender o que cada exigência teve a ver com a sua época, ou seja: precisará ter um conhecimento do contexto do assunto na Bíblia, para que o texto em estudo passe a ter sentido e entendimento real.

A seguir, utilizando tão e somente a Bíblia Sagrada da Editora Vida, na sua edição contemporânea da tradução de João Ferreira da Silva, fazemos um estudo daquilo que o Antigo e o Novo Testamento da Bíblia tratam sobre esse assunto, procurando tecer algum comentário contextual sobre cada registro apresentado.

 

 

CAPÍTULO I  —  MITOS E COSTUMES

 

 

É bom registrar, desde o início, que não daremos crédito algum a costumes ou tradições frutos de decisão humana, individual ou grupal, sobre como devemos nos comportar com relação ao comer ou beber. Para os cristãos, obrigatoriamente, a Bíblia é o único documento a ser considerado como de inspiração divina, sendo que devemos nos restringir a seguir o que ali nos é ensinado.

A História nos mostra que muitos líderes religiosos pretenderam mudar os ensinos das Sagradas Escrituras, suprimindo, acrescentando e até adulterando muita coisa, segundo a sua vontade. O tempo, porém, é o melhor conselheiro para provar a insensatez dessas atitudes e decisões, fazendo com que aquilo que era lei em determinada época, passa a não representar mais nada em outra época.

Reforçamos a ideia de que isso só acontece porque essas decisões foram fruto da vontade humana e não da vontade de Deus, pois aquilo que Deus definiu para nossas vidas continua a ser observado e não discutido por todos aqueles que sabem como discernir a origem das coisas.

 

 

1.1    Abstinência de Carne

 

 

A Igreja Católica Romana instituiu por volta de 1300, através de um papa, que não se poderia mais comer carne durante os quarenta dias de quaresma, período que antecede os festejos da Páscoa moderna, ou seja, a ressurreição de Jesus Cristo. Porém, caso a carne fosse de peixe, estaria liberado o seu uso.

Com o tempo, essa abstinência de carne vermelha resumiu-se às quartas e sextas-feiras do mesmo período da quaresma e, mais recentemente, a abstinência passou a ser indicada apenas para as sextas-feiras. Atualmente, pelo que sabemos, essa proibição só acontece na chamada “Sexta-feira Santa”, antevéspera do dia da Páscoa.

Há alguns anos atrás, os bons livros de História passaram a denunciar que essa abstinência não passou de um “negócio” entre o Vaticano e alguns países exploradores da pesca na Europa, como a Noruega: a Igreja instituía um aumento do consumo de carne de peixe e, em contrapartida, esses países faziam “doações” para o término da Basílica de São Pedro.

 

 

1.2   O jejum

 

 

No momento em que pretendemos humanamente entender o que seria o jejum, a memória nos transporta para o tempo de infância e adolescência. Lembramos que a Igreja Católica exigia que se tomasse “comunhão” em jejum, não importando que dia da semana fosse. Sinceramente, não lembramos qual era o motivo ensinado para tal abstinência, mas acreditamos, hoje, que fosse uma espécie de purificação do próprio corpo para participar de um rito religioso considerado importante para a instituição.

No meio evangélico, porém, é muito comum a prática do jejum, independente de participar-se  ou não de uma ceia. Sempre que as pessoas pretendem se purificar diante de Deus, em Seu louvor, fazem isso como uma forma de agradecimento ou prova de amor ao Deus Supremo. Eventualmente, o jejum pode acontecer em função da busca de uma graça, ou de um livramento.

Para que se entenda o real sentido desse ato, mostraremos agora alguns registros de jejum bíblico, e quais os objetivos específicos de cada um deles.


Davi falando: “...humilhava a minha alma com o jejum.” (Salmos 35:13)

Deus falando: “É este o jejum que escolhi, que o homem aflija a sua alma, (Isaías 58:5);

Deus falando: “Quando jejuastes e pranteastes,[...] durante estes 70 dias, jejuastes de fato para Mim? (Zacarias 7:5)

Jesus falando: “Esta casta de demônios não se expulsa senão por meio de oração e jejum.” (Mateus 17:21 ou Marcos 9:29)

Jesus falando: “Quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas, pois desfiguram o rosto para parecer aos homens que jejuam. (Mateus 6:16)

 

 

1.3  A glutonaria

 

 

Enquanto o jejum funciona como uma espécie de aproximação entre a criatura e o seu criador, pode-se entender que a glutonaria funcionaria num sentido inverso, pensamento que tentaremos explicar nas reflexões a seguir.

No início do capítulo 23 de Provérbios vemos o rei Salomão, filho do rei Davi, fazendo uma série de recomendações aos seus, no caso de serem convidados por alguma autoridade.

Ali Salomão os adverte para que estivessem atentos àquilo que lhes fosse servido, não cobiçando manjares gostosos, uma vez que tais manjares normalmente poderia se transformar em comidas enganosas. Ele chega a dizer, no versículo seguinte, que seria preferível uma pessoa colocar uma faca na sua própria garganta a se comportar como um glutão.

Nos versículos 27 e 28 do capítulo 25 ele ensina que não é bom comer mel demais, exemplificando que um homem não se domina, da mesma forma como uma cidade derrubada, quando fica sem muros de proteção.

 

 

1.4  Bebidas Fortes

 

 

No meio evangélico, é muito comum as pessoas temerem ingerir as chamadas “bebidas fortes”, entendendo-se aqui as que possuem teor alcoólico mais robusto,  como o próprio vinho do tempo bíblico, seguido, mais tarde, pelo uso de uísque, vodka, aguardente, conhaque e um sem número de outras bebidas modernas.

A seguir mostraremos problemas ocasionados pelo uso indevido de bebidas, e o que as leis de Levítico falam a respeito do assunto.

 

 

CAPÍTULO II  —  A COMIDA E A BÍBLIA

 

 

Como é do conhecimento dos cristãos, Deus fez surgir o povo hebreu através de Abraão e Sara, para que Ele pudesse ter sobre a terra um povo que Lhe satisfizesse, que O adorasse, que Lhe desse alegria.

Entretanto, a população que foi se estabelecendo no mundo conhecido da época era composta de pessoas idólatras, embrutecidas, duras de coração, pessoas difíceis de serem ensinadas.

Lendo a história bíblica, veremos que Deus, através dos Seus profetas, tentou ensinar ao Seu Povo o que deveriam fazer, o que não deveriam, mas normalmente não lograva êxito, pois essas pessoas preferiram imitar o agir dos seus povos vizinhos, que eram pagãos, que não conheciam ao Deus Criador.

 

 

2.1  Ensinos do Antigo Testamento

 

 

A seguir, tentaremos fazer um resumo dos ensinos contidos no Antigo Testamento sobre o tipo de comida a ser ingerida, aquelas a serem evitada e até aquelas que eram proibidas.

 

 

2.1.1  Carne Sacrificada

 

 

A adoração a ídolos transformou-se num desvio de comportamento do povo hebreu, cuja meta deveria ser adorar ao seu único Deus.  Na adoração a esses ídolos de vários lugares e épocas diferentes, os hebreus costumavam sacrificar e queimar animais, comendo-os logo depois, o que significava dupla ofensa ao Criador. Nem mesmo o sangue sufocado desses animais poderia ser comido, uma vez que era o sangue, especificamente, que representava a oferenda, o sacrifício.

Se lermos o texto Gênesis 9:4, veremos Deus falando com Noé a respeito dessas coisas, dizendo que as pessoas não deveriam comer carne “com sua vida”, ou seja, com o seu sangue.

 

 

2.1.2  Animais Imundos

 

 

No capítulo 11 de Levíticos, Deus determina a Moisés e a Arão quais animais poderiam ser comidos, uma vez que alguns deles eram considerados “imundos”.

Resumidamente, quanto aos animais terrestres, Deus permitia que fossem comidos aqueles que tivessem unhas fendidas, de casco dividido, e os que ruminam (menos os camelos, coelhos, lebres, porcos). Porém, proibiu que se comesse os animais que se arrastam pelo chão, que andam sobre o ventre, como a doninha, o lagarto, o rato, a lagartixa e a toupeira. Numa boa leitura sobre esse capítulo, veremos Deus dando ênfase muito especial aos animais que se arrastam pelo chão.

Quanto aos seres aquáticos, apenas poderiam ser comidos os que tivessem escamas e barbatanas, ficando proibido que se comesse qualquer espécie de réptil ou outro tipo de animal que viva nas águas.

Dentre os seres que voam, não poderiam ser comidos nenhum tipo de águia, falcão, gavião, corvo ou abutre e coruja, além dos avestruzes, gaivotas, gralhas, pelicanos, cegonhas, garças, morcegos e todos os tipos de insetos voadores. Quanto aos insetos, é feita exceção para aqueles que têm pernas compridas para saltar (gafanhoto, locusta, grilo, etc.)

Veja como Deus encerrou este assunto: “Esta é a lei referente aos animais, e às aves, e a todos os seres viventes que se movem nas águas, e de todos os que se arrastam sobre a terra, para que possais distinguir entre o imundo e o limpo, entre os animais que se podem comer e os que não se podem comer.” (Levíticos 11:46,47)

Vejamos, agora, alguns registros nas Antigas Escrituras que confirmam as leis de Levíticos sobre esse assunto.

 


a)    Outra orientação a Moisés

 

 

No capítulo 14 de Deuteronômio, Deus dá outras orientações a Moisés, agora mais específicas, sobre que tipo de carne poderia ser comida. Ali, Ele sugere que se comesse boi, ovelha, cabra, veado, gazela, corça, antílope, búfalo e gamo, ou seja, animais quadrúpedes que possuíssem unhas fendidas, divididas em duas partes, inclusive os animais ruminantes.

A seguir, Deus relaciona os animais que pertencem a um grupo de exceção, aqueles que não poderiam ser comidos porque possuíam algumas características positivas, mas também possuíam outras características consideradas negativas. Entre eles foram relacionados os camelos, as lebres, os porcos, etc. 

Aqui, neste texto, foi acrescentado às proibições comer um cabrito cozido no leite de sua mãe e também comer qualquer animal que morresse naturalmente, por si.

 

 

b)  Orientações à mãe de Sansão

 

 

Através de Seu anjo, Deus fala a essa mulher, que era estéril até então, para que tivesse alguns cuidados, pois teria um filho. Em Juízes 13:4 lemos a seguinte admoestação: “Agora, guarda-te, não bebas vinho nem bebida forte, nem comas coisa imunda...”

No versículo 14 do mesmo capítulo, o anjo aparece para o pai de Sansão e para a mulher, que a essas alturas já havia dado à luz. As admoestações agora eram sobre como o menino deveria se comportar em sua vida: “De tudo o que procede da videira, não comerá, nem vinho nem bebida forte beberá, nem coisa imunda comerá...”

 

 

c)  A obediência de Davi

 

 

Em suas preces vibrantes, o rei Davi pede a Deus que o ajude a comportar-se melhor, pondo censura em sua boca, não deixando que seu coração se inclinasse para o mal, e que não o deixasse comer das iguarias das pessoas pecadoras. Logicamente, Davi estava se referindo aos alimentos considerados “imundos” por Deus. Isso está registrado no Salmo 141:4.

 

 

2.1.3  Sangue e gorduras

 

 

Em Levíticos 7:22-27 Deus proibiu que se comesse qualquer gordura de origem bovina, ovina ou caprina. Se um desses animais morresse naturalmente, ou mesmo se fosse morto por uma fera, sua carne poderia ser usada para qualquer coisa, mas nunca para ser comida. O mesmo livro de Levíticos confirma isso no versículo 8 do seu capítulo 22. Basta dizer que qualquer hebreu surpreendido comendo o sangue ou a gordura do animal sacrificado era sumariamente eliminado do meio desse povo.

De forma alguma poderia comer sangue de aves ou de gado. Essa ordem foi confirmada em Levíticos 3:13, e Deuteronômio 12:16: “Tão somente não comerás o sangue; tu o derramarás sobre a terra, como água.” Se pesquisarmos em 1 Samuel 14:34, veremos o rei Saul ordenando que lhe trouxessem bois e ovelhas para que fossem degolados, advertindo que não pecassem contra o Senhor, comendo o sangue desses animais.

 

 

2.2   Ensinos do Novo Testamento

 

 

Cansado de tentar ensinar a Seu Povo através dos profetas, Deus resolve mandar Seu próprio Filho para este mundo. Jesus veio nos trazer uma forma única e permanente de remissão dos pecados, e para que isso acontecesse, era necessário orientar a humanidade, mostrar-lhe o que era certo ou errado, como fazer para que a Salvação viesse a ser uma realidade na vida de cada pessoa.

Tudo o que fora ensinado no passado, passa, então, a ser novamente ensinado, agora sob  outros prismas, buscando facilitar o entendimento humano sobre as vontades de Deus.

Em Lucas 16:16, o próprio Jesus declarou: “A lei e os profetas duraram até João Batista. Desde então é anunciado o Reino de Deus, e todo homem emprega força para entrar nele.”   A partir daí, todas as coisas passaram a funcionar de acordo com instruções claras, dadas pelo próprio Filho de Deus, uma vez que os profetas não conseguiram seu intento.

Acrescente-se a isso o fato de que as novas orientações agora eram endereçadas não só aos hebreus (judeus), mas também aos ímpios, ou seja, a todas as pessoas que passassem a viver o evangelho de Jesus Cristo.  Conforme lemos em João 1:17, “...as leis antigas foram dadas por Deus através de Moisés, porém a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo.”

 

 

2.2.1  Jesus ensina o que comer

 

 

Em Mateus 15:1-20 vemos Jesus ser criticado pelos “sábios religiosos” da época, só porque flagraram Seus discípulos comendo sem lavar as mãos. Nos versículos 17

 

AUTOR

 

Walmir Damiani Corrêa

 

 

 

 

 

Por: Walmir Damiani Corrêa

Publicado em 31/10/2013

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