Natal - Festa de dois hemisférios

 

NATAL

FESTA DE DOIS HEMISFÉRIOS

 

 

INTRODUÇÃO

 

Juntamente com a Páscoa, o Natal é considerado a maior festa da cristandade, apesar das motivações suspeitas que obscurecem as suas origens.

O que nos remeteu a essa pesquisa foi exatamente a pluralidade de ideias dessas motivações iniciais, cujas raízes são às vezes cristãs e outras pagãs. Aliás, é bom que se diga que a maioria dos festejos tradicionais tem raízes pagãs, eventos que foram transformados em práticas cristãs à medida que os povos iam se misturando. Na verdade, poucos são os povos antigos que seguiam às determinações de Deus, basicamente porque não O conheciam. Podemos citar os povos bíblicos que perseguiam os hebreus e, num exemplo mais próximo, os indígenas em todas as parte do mundo.

A Igreja sempre esteve atenta às origens dessas festas populares, mas geralmente se associava a elas, com o objetivo de cristianizá-las. Em alguns casos, a essência da festa era mantida, alterava-se o nome, e impunha-se adoração aos símbolos cristãos.

Esquecendo um pouco das origens, as comemorações do Natal conseguiram ser canalizadas para se festejar o nascimento de Jesus, ao invés de adorar-se ao antigo “Deus Sol Invicto”.

Mesmo assim, com o tempo, foram sendo criados alguns mitos que distorceram a adoração ao Menino Jesus, no aniversário do Seu nascimento. Também apareceu o Papai Noel, que promovia o costume da troca de presentes entre as pessoas, costume absorvido até por países não cristãos, como a China, o Japão e alguns países islâmicos.

Outra discrepância é quanto à data de 25 de dezembro, escolhida por um papa, pois alguns fatos provam que Jesus não poderia ter nascido em dezembro.

Tentaremos ser imparciais enquanto estivermos apresentando os resultados na nossa pesquisa, pois as opiniões a serem aqui apresentadas tanto poderão  ser contra à comemoração do Natal, como também a favor.

Procuraremos pegar um pouco de cada uma das opiniões dos autores pesquisados na Internet, embora muitas dessas opiniões sejam exatamente iguais em vários artigos.

De qualquer forma, não podemos nos esquecer de que não estamos  aqui discutindo sobre a data de nascimento de qualquer Zé Ruéla, mas sobre a data de nascimento de Jesus Cristo, o Salvador da humanidade, que veio a este mundo com o propósito de nos dar uma oportunidade de Salvação. A pergunta que fazemos aqui, no começo do trabalho, é esta:

Será que vale a pena perdermos tempo com detalhes, com problemas menores, e perder a oportunidade de festejar o aniversário de nascimento do Único que realmente merece ser festejado?

 

CAPÍTULO I  -  ORIGEM DO NATAL



ORIGEM DA PALAVRA


A palavra portuguesa NATAL se deriva do latim “Natale”, sendo grafada com inicial maiúscula, quando se refere ao nascimento de Jesus. Quanto à palavra inglesa CHRISTMAS, vem do inglês arcaico “Cristes Maesse”, que significa “Missa de Cristo”.

De acordo com Jeff Rovin, como a palavra grega para Cristo é “Xristos”, acendeu-se a possibilidade de abreviar CHRISTMAS para “Xmas”, uso que popularizou-se a partir do ano de 1500, mais ou menos.

 

CRISTÃOS NÃO COMEMORAVAM ANIVERSÁRIO


Antes de mais nada, é bom registrar que não era um costume cristão a celebração de aniversário de uma pessoa. Basta dizer que apenas duas festas de aniversário estão registradas na Bíblia, e ambas de governantes pagãos e idólatras: o de um Faraó do Antigo Testamento (Gênesis 40:20-22) e do rei Herodes, no Novo Testamento, aquele que decretou a morte de João Batista, com a decepação da sua cabeça. Em ambos os casos, as comemorações estavam ligadas a orgias gastronômicas, bebedeiras e lascívia. E mais um detalhe: as duas festas terminaram em morte.

Vale, então, dizer que se os cristãos primitivos não tinham o hábito de celebrar seus próprios aniversários, por ser isso um costume pagão e idólatra, parece que também não deveriam celebrar o nascimento do Salvador.

Por falar nisso: Será que existem algum registro bíblico mostrando os discípulos de Jesus festejando um aniversário d’Ele? Não existe. Em momento algum Jesus deixou alguma instrução para que se celebrasse o Seu nascimento. Ao contrário, o que sabemos é que Ele ordenou que se celebrasse a Sua morte (Lucas 22:19).

Assim, mais uma vez o engano foi semeado junto à fé dos santos. O profano foi misturado ao sagrado e o joio ao trigo. O paganismo e o cristianismo deram-se as mãos para, juntos, fazer prosperar o erro. O paganismo infiltrou-se dentro da Igreja.

 

PAGANISMO GERANDO CRISTIANISMO


A primeira pergunta é: se o Natal é uma festa da cristandade, por que os pagãos o celebram também, se essa festa não é registrada na Bíblia e não faz parte das festas bíblicas?

A origem das celebrações do Natal é bem definida pelos historiadores. Os povos pagãos costumavam festejar em dezembro o “Natalis Solis Invincti”, aniversário de nascimento do “Deus Sol Invicto”, e a chegada do inverno no Hemisfério Norte. Também festejavam nesse período a “Saturnália”, uma orgia carnavalesca regada a muita bebida e depravações.

Como o Império Romano e a Igreja pretendiam exterminar essas práticas pagãs, a solução encontrada foi criar uma nova celebração cristã no mesmo período, que viesse a atrair os pagãos para a Igreja. Decretou-se, então, 25 de dezembro como a data do nascimento do Salvador Jesus Cristo, “melando” o gosto do povo pelas tais festas já existentes. A revista católica norte-americana “U.S.Catholic”, porém, declara o seguinte:  "É impossível separar o Natal de suas origens pagãs".

Segundo o escritor S. Bacchiochi, “A adoção de uma festividade pagã, embora reinterpretada, sincretizada, cristianizada, equivale "a uma traição da fé cristã”.

 

 

CAPÍTULO II  -  DATA DA COMEMORAÇÃO

 


Como já citamos anteriormente, os romanos já festejavam em dezembro o “Natalis Solis Invincti”, aniversário de nascimento do “Deus Sol Invicto” e o início do inverno europeu.  Outros registros mostram que entre 17 e 22 de dezembro (século III d.C.), também acontecia a “Saturnália”, orgia carnavalesca em homenagem ao deus Saturno, regada a muito vinho e depravações. Durante as “Saturnálias”, as anarquias eram lideradas por um chefe de folia, uma espécie do rei momo que conhecemos hoje, um homem gordo representando Saturno e que muito se assemelhava ao atual Papai Noel, de quem falaremos mais tarde.

O resultado da assimilação dessas festas foi uma estranha mistura de festivais pagãos com falsas datas e falsos motivos cristãos, que passou a se chamar de “Natal”.

Uns registram o ano de 354 d.C. como começo das novas liturgias cristãs de 25 de dezembro, centralizando-a como o dia do nascimento de Jesus, enquanto que outros defendem a oficialização em 440 e que dura até os dias de hoje.

Foi a Igreja de Roma a pioneira na adoção e institucionalização da celebração do Natal em 25 de dezembro, fato reconhecido por ela mesma, conforme afirma Mário Righetti, teólogo católico: "... a Igreja de Roma, para facilitar a aceitação da fé pelas massas pagãs, achou conveniente instituir o 25 de dezembro como a festa do nascimento temporal de Cristo, para desviá-las da festa pagã, celebrada no mesmo dia, em honra do Mithras ‘Sol Invicto’, o conquistador das trevas".

Franz Cumont, em seu livro “Astrologia e religião entre os romanos”, comenta o seguinte: "Parece certo que a comemoração da natividade foi posta em 25 de dezembro porque no solstício de inverno era celebrado o renascimento do deus invicto. Ao adotar esta data, as autoridades eclesiásticas purificaram, de certo modo, alguns costumes pagãos que não conseguiram suprimir".

Segundo alguns escritores, utilizou-se uma nova linguagem cristã, baseada em textos bíblicos, nas alusões ao simbolismo de Cristo como o “Sol da Justiça” (Malaquias 4:2) e “Luz do Mundo” (João 8:12). Tal oportunismo expressa claramente o sincretismo religioso dessa época.

 

 

DATA CONTROVERSA

 


Após a explicação acima sobre a “cristianização” da festa pagã de dezembro, veremos algumas contestações sobre a afirmação de que Jesus tenha nascido em 25 de dezembro, mas desde já pode-se afirmar que, com certeza, Jesus não nasceu em 25 de dezembro.


a)  Clima citado não combina

 

A Bíblia descreve em Lucas 2:6-16 que na noite em que o menino nasceu havia pastores no campo, cuidando de seus rebanhos durante a madrugada.

Segundo o escritor Adam Clarke, é nos meses mês de  outubro e novembro, no Oriente Médio, que se inicia a estação das chuvas (inverno) e o frio já é bem sentido. Nessa época, os pastores mantêm seus rebanhos abrigados no aprisco, junto de suas casas. Os rebanhos eram enviados ao deserto na Páscoa e recolhidos no início das chuvas. Se Jesus tivesse nascido em dezembro, seria na estação das chuvas, estaria muito frio, e os rebanhos não poderiam estar sendo cuidados durante à noite pelos pastores. Não combina! Está na contramão da História e da cultura dos povos locais.

Segundo registro no “Talmudits”, os rebanhos eram velados pelos pastores durante o dia e a noite, enquanto permaneciam fora dos abrigos. Foi nesse período (verão) que os pastores receberam as novas do anjo (Lucas 2:6-8). Se tivesse sido no inverno, eles já não estariam mais lá.

Esse fato de outubro, novembro e dezembro serem tempos de chuva e de inverno pode ser confirmado em Zacarias 7:1, em Esdras 10:9 e em Jeremias 36:22.


b)  Recenseamento em época de chuva?

 

Outro fato que causa estranheza é que o Imperador César Augusto havia decretado um recenseamento para todos os moradores de Israel, cada pessoa devendo se deslocar para a sua cidade natal. Como José era de Belém, seguiu de Nazaré para lá com Maria, ainda grávida, numa viagem de 140 Km (Lucas 2:1-5), sendo que Belém situava-se a 250 metros do nível do mar, acima de Nazaré. Será que montados em burros ou em camelos eles conseguiriam fazer essa viagem no frio e na chuva? Será que o imperador marcaria um recenseamento para uma época dessas, forçando a movimentação das pessoas de um lugar para outro?


c)    Os magos não eram reis

 

Mais um registro popular que não “bate” com a Bíblia. A tradição diz que eles eram “reis magos”, mas a Bíblia os cita apenas como “magos” (Mateus 2:1-2). Mas isso não é o mais importante.

Não há registro de que Jesus ainda era um recém-nascido quando esses homens O encontraram. E outro detalhe: diz o texto que foi “em casa” e não “na estrebaria” como aconteceu com os pastores que cuidavam dos rebanhos.


d)  Jesus ou o deus-sol?

 

Se lermos Ezequiel 8:12-16 veremos o povo de Deus dando as costas para o Senhor e adorando ao “deus-sol”. Preste atenção que era 25 de dezembro, época do solstício do inverno, ou seja, o dia mais curto do ano.

Segundo registros da Diocese de Marília/SP, a Igreja oriental sempre festejou o nascimento de Jesus em 06 de janeiro, na “Festa da Epifania”, enquanto que no Ocidente a data escolhida foi 25 de dezembro. Afinal, quando foi que Jesus nasceu?


e)  A idade de Jesus denuncia seu nascimento

 

Lendo Lucas 1:39-43 e 56-59 veremos Maria visitando sua prima Isabel, grávida de João Batista, o qual nasceu no mês de Nisã (Abril no nosso calendário atual). Seis meses depois, nasceu Jesus. Que mês seria esse?  Etanim (atual Outubro)!

Abaixo, o calendário que divide o ano em 24 quinzenas, para que possamos acompanhar essa explicação.

 

f)  Calendário Juliano e Calendário Gregoriano

 

Uma terceira contestação seria que, quando os cristãos abandonaram o Calendário Juliano para adotar o Calendário Gregoriano, a data do Natal foi adiantada em 11 dias, para compensar a mudança de um calendário para o outro. Para se ter ideia, os “calendaristas” da Igreja Católica Romana ainda festejam o Natal em sua data original: no dia 7 de janeiro.

 

DATA DECRETADA


Quanto à oficialização, ainda no século IV, as Igrejas Ocidentais passaram a considerar o dia 25 de dezembro como dia do nascimento de Jesus e a visita dos magos à manjedoura no dia 06 de janeiro.

O primeiro testemunho direto sobre o nascimento de Cristo em 25 de dezembro é de Sexto Júlio Africano, no ano de 221. Em alguns registros ele foi chamado de “filósofo líbio”, enquanto que outros afirmam sua ascendência romana. Porém, ele próprio se intitulava como “nativo de Jerusalém”.

Somos obrigados a concordar que Jesus não pode mesmo ter nascido nessa em 25 de dezembro, e que essa afirmação católico-romana não tenha passado de mais um “decreto” que unia “o útil ao agradável”: coincidir uma festa nova com uma pagã já existente. O pano de fundo era o propósito de “melar” a comemoração pagã já existente.

Afinal, é a própria “Nova Enciclopédia Católica” quem  reconhece: "A data do nascimento de Cristo não é conhecida. Os evangelhos não indicam nem o dia nem o mês".

A data exata do nascimento de Jesus é totalmente desconhecida, mas talvez seis meses após a Páscoa.

 

A MAIOR FESTA CRISTÃ


Juntamente com a Páscoa, o Natal é a celebração mais significativa para a Igreja Católica Romana, enquanto que os outros credos  aproveitam  universalmente  esse  feriado  como  um  dia
consagrado à reunião da família, da solidariedade, fraternidade entre as pessoas, divulgação da paz, etc.
Nos  Estados  Unidos, sem  dúvida,  o Natal  é  o  maior
evento festivo do ano, apesar da maioria protestante. O governo, as escolas, as universidades e uma grande maioria de empresas dão aos funcionários um ou dois dias de folga no período do Natal, considerando a ocasião um feriado importante.

Vejamos outros feriados norte-americanos:

•  Dia de Ano Novo
•  Dia de Martin Luther King
•  Aniversário de Washington
•  Dia da Lembrança
•  Dia da Independência
•  Dia do Trabalho
•  Descobrimento da América
•  Dia do Soldado Veterano
•  Dia de Ação de Graças

 

COMEMORAÇÕES DESDE A VÉSPERA


Muitas pessoas se perguntam qual seria o motivo das festividades de Natal já começarem na véspera, sendo que a explicação é muito simples: todas as festividades judaicas começam no pôr-do-sol na noite anterior, durando até o outro pôr-do-sol, e não apenas até à meia-noite. Isso foi copiado.


DOZE DIAS DE NATAL


Esse é o nome que se dá ao período compreendido entre 25 de Dezembro a 06 de janeiro, chamado de “Natal da Epifania”. 

No passado, havia uma tradição de dar presentes no decorrer desses 12 dias, em vez de dar tudo de uma vez, na manhã de 25 de dezembro.

 

CAPÍTULO III  -  FESTA COMERCIAL


De acordo com Daniel Boorstin, o Natal não era um acontecimento tão importante até a proximidade do século XX. Para se ter idéia, o primeiro ano em que a Loja Macy’s abriu até tarde, na véspera de Natal, foi em 1867, em Nova York. Só cinco anos mais tarde é que começou o costume de enfeitar as vitrines com motivos natalinos. Também foi nessa época que surgiram as bolas de enfeite e as decorações de um modo geral, e uma tentativa de aquecimento do mercado consumidor.

Comercialmente, o Natal tornou-se um ótimo negócio para as empresas, uma vez que quase 40% da população mundial é cristã, percentual que sobe para 85% no continente norte-americano. Para os varejistas dos EUA, mais especificamente, 70% de suas vendas anuais acontecem no período natalino.

A maior constatação de que o Natal está sendo utilizado como estratégia de marketing, é que lugares como China, Japão e o mundo árabe, que nada tem a ver com o cristianismo, também “tiram a sua casquinha”, comercialmente nessa época, inclusive industrialmente.

No Brasil, a data é também a melhor época para o comércio, esperada o ano todo como forma de recuperar o movimento mais baixo de outros períodos. A liberação da primeira parcela do 13º salário, que por lei acontece até o dia 30 de novembro, marca também a abertura da temporada de compras, gerando grande expectativa de aumento das vendas. Tudo isso alavanca o treinamento e contratação de novos funcionários, para fazer frente a esse movimento temporário.

Entre os itens que mais vendem no Natal brasileiro estão os eletroeletrônicos,  por  representarem  compras de maior valor e apelo a produtos novos e modernos.

As decorações e promoções começam a aparecer logo após o “Dia da Criança”, invadindo as vitrines das lojas, as ruas, apelando-se para o desejo de compra do consumidor.

O comércio em geral passa a acompanhar os horários estendidos dos shoppings centers, sendo que nas cidades maiores é normal  montagem da “Casa de Papai Noel”, com grandes apelos publicitários, sorteio de brindes, balas para as crianças, etc.

Visando uma maior circulação do dinheiro, o poder público também investe nessa festividade, decorando com luzes e adereços as ruas, árvores, inclusive patrocinando apresentações artísticas que atraiam pessoas ao comércio.

Na cidade de São Paulo, a prefeitura leva visitantes ao passeio “Natal Iluminado”, para verem os pontos mais enfeitados nas regiões da avenida Paulista, Jardins e Ibirapuera. Algumas atrações chegam até a incluir show com neve artificial.


ORIGEM DA TROCA DE PRESENTES


Ao que tudo indica, essa tradição vem dos magos, quando tiveram a idéia de levar presentes para o Menino Jesus. Conforme relato da Bíblia, no evangelho de Mateus, lemos: "E entrando na casa, viram o menino com Maria, sua mãe e, prostrando-se, adoraram-no e abrindo seus tesouros, ofertaram-lhe dádivas: ouro, incenso e mirra".

Essa tradição começou na virada para o século XX, quando tomaram forma as histórias de Papai Noel, combinadas com o incrível fenômeno de vendas, já comentado.

Após o final da Primeira Guerra Mundial (1914), estabeleceu-se o costume de distribuir presentes às crianças carentes do pós-guerra.  Alguns garantem que as famílias da elite e classe média também começaram, nessa mesma época, as comemorações como as conhecemos hoje.

Outro fato que está comprovado é o aumento do stress durante o mês de dezembro. Estatísticas mostram que o nível aumenta 75% nesse mês e uma das causas mais apontadas é a sobrecarga de trabalho e as compras de final de ano.

Da celebração de uma simples missa, o Natal foi tomando dimensões universais, passando a movimentar a troca de mercadorias e o capitalismo. A principal estratégia empregada foi utilizar a figura do Papai Noel (São Nicolau), incorporando práticas do paganismo nórdico. Daí as imagens natalinas recheadas de neve e associadas à árvore de Natal.

Hoje, o Natal é o feriado mais rentável em países predominantemente cristãos, mas também em países como Japão e nações do mundo islâmico, como um feriado secundário, movimentando o comércio e a troca de presentes. Apesar das tradições serem variadas e ricas, a influência dos costumes natalinos norte-americanos e britânicos determina a tônica da celebração nos países ocidentais.

 

PARTE IV  -  TRADIÇÕES EUROPEIAS

 

Como qualquer tradição religiosa, as comemorações do Natal foram passadas de geração em geração por uma mescla de lendas, narrativas e valores espirituais. Essas tradições, em geral, sintetizam-se numa ceia de Natal à meia noite do dia 24 de dezembro, enquanto se espera o Papai Noel, que visita as casas entregando presentes às pessoas, principalmente às crianças.

 

PAPAI NOEL


Afinal, quem é esse personagem tão famoso dos festejos natalinos?  De onde vêm as suas histórias, lendas, etc.?  E existem mais perguntas:

•  Por que Noel é caracterizado como um cara baixinho, gordo e feliz?
•  Por que Papai Noel veste aquela roupa vermelha?
•  Por que ele viaja num trenó com renas e aterrissa nos telhados?
•  Por que ele desce pela chaminé, com um saco de brinquedos?

O velho “Noel” não é tão bondoso e santo quanto muitos pensam. O nome “Papai Noel” é uma corruptela do nome “São Nicolau”, um bispo romano que viveu entre os séculos IV e V.

O volume 19 da Enciclopédia Britânica, nas páginas 648 e 649, registra que São Nicolau era Bispo de Mira, cuja morte era festejada pelos gregos e latinos no dia 6 de dezembro. As lendas contam que ele oferecia dotes em moedas de ouro a três filhas de um homem pobre, mas tudo muito escondido; Daí deve ter surgido a ideia de presentear-se de forma anônima nessa data.

Quando essa data se fundiu com o “Dia de Natal” (25 de dezembro), foi adotado o costume de dar-se presentes às escondidas, como fazia o Saint Klaus, nome original de Papai Noel.

De acordo com a Enciclopédia Britânica, o bispo chamado Nicolau Taumaturgo veio a se transformar num santo católico sem muita importância, no século V. Anonimamente, ele costumava ajudar quem estivesse em dificuldades financeiras, colocando sacos com moedas de ouro na chaminé de suas casas. Segundo as lendas, ele foi declarado santo depois que muitos milagres lhe foram atribuídos.

De acordo com a tradição, ele nasceu em Patara, uma cidade portuária da Lícia, sendo que, quando jovem, viajou para a Palestina e para o Egito. Ele se tornou bispo de Mira e logo depois retornou para a Lícia. Foi preso durante a perseguição aos cristãos pelo imperador romano Diocleciano, sendo solto por ordem do Imperador Constantino.

Depois de sua morte, foi enterrado em sua igreja em Mira e, até o século VI, seu túmulo se tornou bastante visitado. Em 1087, marinheiros e comerciantes italianos roubaram seus restos mortais em Mira e os levaram para Bari, Itália. Isso aumentou a popularidade desse santo na Europa, fazendo com que Bari se tornasse um dos mais movimentados centros de peregrinação.

A generosidade e bondade desse homem gerou muitas lendas, espalhando-se notícias de milagres, como a história de que teria devolvido a vida a três crianças que haviam sido cortadas em pedaços por um açougueiro e colocadas na salmoura.

Na Idade Média, a devoção a São Nicolau chegou a todas as regiões da Europa. Ele se tornou o santo padroeiro da Rússia e da Grécia, de instituições de caridade, de crianças, de marinheiros, de moças solteiras, de comerciantes e donos de casas de penhores e de cidades como Friburgo (Suíça), e Moscou.

Milhares  de  igrejas  européias  foram  dedicadas  a  ele, incluindo uma no século VI, construída pelo imperador romano Justiniano I, em Constantinopla (atual Istambul). Os milagres de Nicolau eram o assunto favorito de artistas medievais em peças litúrgicas. O seu dia de festividades tradicionais era ocasião para as cerimônias de "Boy Bishop" (o Bispo-menino), um costume difundido por toda Europa, no qual um garoto era eleito bispo e reinava até o Dia dos Santos Inocentes (28 de dezembro).

Depois da Reforma Protestante (1500), o culto a Nicolau desapareceu de todos os países protestantes da Europa, exceto a Holanda, onde sua lenda persistiu, recebendo o nome local de "Sinterklaas", uma variante holandesa do nome "Saint Nicholas". Colonos holandeses levaram essa tradição para Nova Amsterdã (atual Nova Iorque) e para as colônias americanas do século XVII.

"Sinterklaas" foi adotado pela maioria dos países de língua inglesa com o nome "Santa Claus" (Papai Noel) e a lenda que dizia que ele era um homem muito bondoso foi unida às lendas populares nórdicas sobre um mágico que castigava crianças levadas e recompensava as boazinhas com presentes. (Enciclopédia Britânica, 1997)

No entando, quem criou a imagem popular do Papai Noel (trenó, renas, chaminés e o saco de brinquedos) foi o escritor americano Clement Moore, no poema “The Night Before Christmas” (A noite de véspera de Natal), em 1822. Impressa em jornais e revistas, a história do poema se espalhou, sendo que quase todo norte-americano consegue recitar seus versos até os dias de hoje.

Quem acabou por consagrar a imagem do bom velhinho, vestido de vermelho e branco, foi Thomas Nast, através de uma série de gravuras divulgadas pela revista “Harper’s Weekly”, de 1963 a 1886. Nessas gravuras, o velhinho aparecia em sua fábrica lendo cartas das crianças e conferindo a lista de presentes.

A Coca-Cola também teve uma participação muito grande na criação desse mito. Uma contundente campanha publicitária acabou por fixar a versão gorda e alegre desse personagem (1931 a 1964), quando a empresa veiculou uma imagem de Papai Noel na contracapa da revista “National Geographic”.

Estudiosos afirmam que a roupa vermelha e branca veio do verdadeiro  São  Nicolau,  já  que  eram  as cores tradicionais dos
mantos dos bispos da época.

Quanto à chaminé, muitos europeus teriam o costume de limpá-la no fim do ano, para permitir que a boa sorte entrasse para o ano seguinte. Uma das fontes que inspiraram essa tradição da chaminé são as pequenas tendas da Finlândia, em formato de iglus, que possuindo um buraco no telhado.

Já nos países do norte da Europa, diz a tradição que Papai Noel não vive propriamente no Pólo Norte, mas na Lapônia, mais propriamente na cidade de Rovaniemi, onde, de fato, existe o "escritório do Papai Noel", bem como o parque conhecido como "Santa Park", que se tornou uma atração turística local.

 

ÁRVORE DE NATAL

 

Sendo um dos maiores símbolos do Natal, o pinheiro normalmente tem um formato de cone, com folhas perenes, enfeitado com bolas coloridas, lâmpadas e adornos diversos.

A maioria das versões sobre a origem da árvore é creditada à Alemanha e, especificamente ao episódio de Martinho Lutero, no século XVI: olhando para o céu, através dos pinheiros, o padre protestante viu estrelas como um colar em cima das copas e decidiu levar um galho para plantar em casa. Colocou-o num vaso, com pequenas velas nas pontas dos ramos e papéis coloridos para reproduzir o que vira. O objetivo era mostrar às crianças como deveria ser o céu na noite do nascimento de Cristo. Nascia a árvore de Natal, como a conhecemos, após a tradição se espalhar por toda a Europa e, no final do século XIX, chegar aos Estados Unidos.

A lenda conta também que o pinheiro foi escolhido por sua forma triangular, que de acordo com a tradição cristã, representaria a Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo.

Quanto às tradições pagãs, elas vêm da Babilônia, de Ninrote (bisneto de Noé), homem tão perversão que teria se casado com a própria mãe. Ela defendeu a idéia de que o espírito de Ninrote (na noite de sua morte) teria assumido a forma de uma árvore morta e revivido. Ninrote teria assumido o compromisso de todo ano, naquela data, trazer presentes para seus queridos aos pés dessa árvore.

Entre os sacerdotes druidas, o carvalho era uma árvore sagrada, e coisas semelhantes eram cridas em Roma e no Egito antigo, durante as festividades da “Saturnália”.

Jeremias 10:2-5, em suas profecias, mandava o povo separar-se das adorações ligadas às árvores, que eram enfeitadas com prata e ouro, e serviam como deuses sendo adorados.

Em rituais pagãos ainda na Idade Média, as pessoas acreditavam existir espíritos nas árvores, No outono, quando as folhas caíam, eles penduravam decorações de pedras pintadas ou panos coloridos, para quem regressasse às plantas na primavera seguinte.

 

DECORAÇÃO DA ÁRVORE DE NATAL


Até a singela e aparentemente inocente decoração das árvores de Natal têm origem pagã. Na Idade Média, as pessoas acreditavam que havia espíritos nas árvores e as cultuavam todos os anos durante o Inverno. No outono, quando as folhas caíam, as pessoas pensavam que os espíritos das árvores as tinham abandonado. Esse fato motivava receios de que os espíritos pudessem não regressar a essas árvores na Primavera seguinte e, se tal acontecesse, as árvores não dariam mais frutos.

Para fazerem os espíritos regressarem às árvores, as pessoas penduravam decorações de pedras pintadas ou de panos coloridos, com a idéia de tentar tornar as árvores atraentes para que os espíritos regressassem e nelas habitassem de novo. Para "encanto de todos", os espíritos sempre voltavam na Primavera, pois as folhas despontavam novamente nas árvores.

Na Era Vitoriana, as pessoas decoravam árvores com doces e bolos pendurados com fitas. Em 1880, a rede de lojas “Woolworths” vendeu pela primeira vez enfeites para árvores de Natal, o que virou moda muito rapidamente. A primeira árvore de Natal com luzinhas apareceu dois anos depois.

Calvin Coolidge, em 1923, acendeu a primeira árvore ao ar livre, em uma cerimônia oficial, na Casa Branca, nos Estados Unidos, dando início a essa longa tradição.

 

VELAS / LUZES

 

A utilização de velas começou nos rituais pagãos dos solstícios, pretendendo manter vivo o “deus sol”, velas que nada têm a ver com o candelabro judaico (Menorah). Em anos recentes, passou-se a usar pequenas lâmpadas elétricas no lugar das velas.

 

 

 RUDOLPH, A RENA DO NARIZ VERMELHO


A história completa sobre a rena do nariz vermelho surgiu em 1939. Homens vestidos de Papai Noel, na loja Montgomery, distribuíram mais de 2 milhões de livretos intitulados “Rodolfo, a rena do nariz vermelho”, baseado na história escrita por Robert May, do departamento de propaganda da loja.

Segundo Charles Panati, o nome original da rena não era “Rollo”, nome que não agradava aos homens de negócio. O nome Rodolfo foi sugestão da filha do autor.

Em 1949, Gene Autry  cantou  uma versão do poema, que colocou-se entre as músicas mais vendidas, só perdendo para a canção “White Christmas”.  

    
GUIRLANDAS


Originalmente, essas coroas eram usadas como memoriais de consagração, oferendas, ofertas para funerais, celebração memorial aos deuses e celebração das vítimas que eram sacrificadas aos deuses pagãos. Também eram usadas nos esportes para os vencedores. A única vez que a Bíblia cita a guirlanda, foi quando colocaram uma na cabeça de Jesus, no dia de Sua morte. Essa guirlanda de espinhos é símbolo de escárnio.

O uso das coroas de natal, chamadas de “guirlanda” é uma tradição respeitada pela maioria dos norte-americanos e adotada por muitas pessoas ao redor do mundo. Ela é feita com uma planta norte-americana chamada VISCO, uma planta intrigante, cujos frutos já foram e continuam sendo usados medicinalmente.

Guirlandas têm sido usadas como decoração em casas há milhares de anos, sendo também associadas a rituais pagãos. Elas eram usadas como enfeites, oferendas, ofertas para funerais, celebração memorial aos deuses, celebração à vitalidade do mundo vegetal,  celebração  nos  esportes  e  celebração  às  vítimas sacrificadas aos deuses e depois também no Natal.

Essas coroas verdes eram colocadas nas portas das casas como um adorno para atrair a entrada dos deuses. Sempre significaram boas-vindas.

Para os escandinavos, Frigga (a deusa do amor) tem uma forte relação com as guirlandas  de visco. A tradição das pessoas se beijarem diante de uma guirlanda pode ter se originado dessa relação da guirlanda com a deusa do amor.

 

AZEVINHOS


O azevinho é uma planta originária da Europa, já usada com valor simbólico antes ainda do cristianismo. Suas folhas permanecem verdes mesmo quando estão cobertas pelo gelo do inverno; suas bagas vermelhas são promessa de alegria e esperança. Por isso tudo, foi adotada como planta símbolo do Natal.

De acordo com Charles Panati, em certa época a Igreja proibiu o uso de guirlandas no Natal, alegando sua relação com idolatria. Como substituto, sugeriu-se o uso do azevinho. Suas folhas pontudas e afiadas simbolizavam os espinhos na coroa de Cristo e as frutinhas vermelhas simbolizam as gotas de Seu sangue.

 

MISSA DO GALO


Nos países católicos, a Missa do Galo é celebrada à meia-noite de 24 para 25 de dezembro, antes do jantar da véspera de Natal. Seu nome consagra a lenda segundo a qual, à meia-noite deste dia, um galo teria cantado, anunciando a vinda do Messias.

Outra origem da expressão é associada ao fato da Missa de Natal terminar muito tarde "quando as pessoas voltavam para casa e os galos já estavam cantando. Hoje, devido à importância da missa, o próprio papa faz questão de rezá-la, enquanto todas as velas do Advento se encontram acesas.

 

CEIA DE NATAL


Assim que chegam da Missa do Galo, as pessoas se reúnem para a Ceia de Natal, onde todos se confraternizam e promovem a troca de presentes.

Como defendem alguns, essa tradição de presentes pode ter nascido da iniciativa dos três magos que levaram presentes para o Menino Jesus.

 

PRESÉPIOS


Originalmente, os presépios eram altares erguidos ao deus “Baal”, consagrado desde a antiga Babilônia, um estímulo à idolatria. A partir do século IV, porém, surgiu a tradição de montar um presépio com pequenos bonecos representando as pessoas e animais presentes ao nascimento do Menino Jesus.

Assim, a tradição cristã manda que se monte com antecedência um presépio, sendo que quando as pessoas participam da Ceia de Natal, colocam a imagem do Menino Jesus nesse presépio previamente montado, simbolizando o nascimento.

Como origem cristã dessa tradição, que alguns consideram  genuinamente natalina, conta-se que em 1223 São Francisco de Assis montou uma reprodução em palha de Jesus, de Maria e de José, com autorização do papa da época. O aperfeiçoamento da ideia veio pelas imagens esculpidas em barro.

A estrela, a manjedoura, os pastores, os anjos, os magos, os animais ali guardados, todos são descritos nos evangelhos de Mateus e Lucas, no Novo Testamento. Surgia aí o presépio de Natal.

 

 LENHA NA LAREIRA


A palavra inglesa “yuletide” (época natalina) é um termo derivado de “yule log” (lenha). Nos tempos antigos, um tronco enorme era usado como base para as fogueiras feitas em festividades. Assim, levar tocos de lenha para dentro de casa, no século XIX, fazia parte das festividades que antecediam o Natal, da mesma forma como se montava a árvore.

“Yule” pode ser encontrada na palavra “yollen”, do inglês arcaico (falado entre 1100 e 1450). Acredita-se que essa simbologia venha das festas pagãs dos anglo-saxões, em comemoração à chegada do inverno.

 

MEIAS PENDURADAS NA LAREIRA


De acordo com uma tradição bem antiga, São Nicolau de Mira, aquele bispo que gostava de deixar presentes nas casas das pessoas pobres, deixou moedas de ouro nas meias de três garotas pobres que precisavam de dinheiro para seus dotes de casamento. Essas meias estavam penduradas perto do fogo, para secar.

Até bem pouco tempo atrás, era normal receber pequenos objetos como frutas, nozes e doces nas meias, mas em muitas famílias isso foi substituído, em meados do século XX, por presentes mais caros. Na Itália, existe a tradição de colocar um pedaço de carvão nas meias das crianças levadas.

 

CARTÕES DE NATAL


O costume de trocar Cartões de Natal são relativamente recentes, começando em 1843, quando o britânico Henry Cole encomendou em uma gráfica a impressão de cartões para felicitar seus amigos, uma vez que não tinha tempo para escrever pessoalmente a cada um deles.

A partir dessa época, o costume de enviar cartões de Boas Festas estendeu-se por toda a Europa e, a partir de 1870, começaram a ser impressos em cores.


CANÇÕES NATALINAS


Você certamente já ouviu muitas vezes as tradicionais músicas de Natal, durante o período que antecede à data.
A lista não é muito longa, daí o porquê dessas músicas serem tocadas repetidamente.  A coleção, logicamente, tem origem
norte-americana e britânica.

Isso não impede que cada país tenha suas próprias composições natalinas, mas não chegam a ser conhecidas no mundo todo, como essas que citamos anteriormente.

As músicas natalinas cantadas por corais originaram-se na Europa. Elas costumavam ser cantadas durante as cerimônias do Solstício de Inverno (o dia mais curto do ano). As pessoas reunidas cantavam e dançavam em volta de círculos de pedra.

Veja a lista das músicas natalinas mais famosas:

-  Away in a manger
-  Carol of the bells
-  Chestnuts roasting on an open fire
-  Deck the halls
-  God rest ye merry gentlemen
-  Jingle Bells
-  Joy to the world
-  Hark, the Herald angels sing
-  Have yourself a Merry Little Christmas
-  I'll be home for Christmas
-  It came upon a midnight clear
-  Little drummer boy
-  O come all ye faithful    -  O holy night
-  O, little town of Bethlehem
-  O tannenbaum
-  Rudolf the red-nose reindeer
-  Santa Claus is coming to town
-  Silent night
-  Silver bells
-  The first Noel
-  The twelve days of Christmas
-  We wish you a Merry Christmas
-  What child is this?
-  White Christmas
-  Winter wonderland

As músicas de Natal atravessaram séculos, lutando contra o risco de desaparecerem, juntamente com as antigas tradições que as criaram.
Na Inglaterra e na França, durante a Idade Média, as músicas natalinas possuíam melodia e eram acompanhadas de danças. No sul da França, por exemplo, a “Música Natalina" era um tipo de dança em círculos.

Na tradição anglo-saxã, pequenos coros se  agrupavam nas matas para cantar as cantigas de Natal, para alegria dos que passavam por ali. Várias cantigas populares atuais vieram diretamente da França ou da Inglaterra.

 

 

CAPÍTULO V  -  TRADIÇÕES BRASILEIRAS

 

No Brasil, as celebrações natalinas já ocorriam no tempo dos padres jesuítas (século XVI), marcadas por uma festa religiosa tradicional, já contando com a Missa do Galo, o jantar em família e a montagem de presépios.

Como se viu até agora, o Natal no Hemisfério Norte (Estados Unidos, Europa...) acontece no início do inverno, em meio a muito frio e precipitação de neve. Daí a necessidade do Papai Noel vestir-se com roupas quentes, capuz, botas, etc. Como lá o frio é muito intenso, as casas são munidas de lareiras para aquecer as salas de estar.

Porém, como no Hemisfério Sul as estações são invertidas, o Brasil não conseguiria manter todas essas tradições do “Natal Branco” do norte. Apesar de muita coisa precisar ser alterada, não se ousou mexer na tradicional aparência do Papai Noel. Imaginem o velhinho usando bermuda, camiseta regata, sandália de dedo...

Outra coisa: como não é comum lareiras por aqui, com suas grandes chaminés, o Papai Noel entra pela porta da frente, mesmo. Alguém fantasiado do “velhinho” entra na casa onde a família está reunida, e ali é promovida a distribuição de presentes, normalmente colocados ao pé da Árvore de Natal.

Nas celebrações nas empresas, é normal organizar-se a brincadeira do “Amigo Secreto” ou “Amigo Oculto”, para oportunizar a troca de presentes entre os colegas, reunião que acontece alguns dias antes do Natal, na própria empresa ou outro local designado.

Não é mais comum acontecer a Ceia de Natal, aqui no Brasil. Quando acontece, é comum uma mesa farta, variada, cada região adaptando-se às comidas típicas locais. Não há mais a obrigatoriedade do peru com farofa, rodelas de abacaxi e panetone com frutas cristalizadas, bolinhos de bacalhau, como mandavam as origens italianas e portuguesas.

 

NATAL EM GRAMADO

 

Há cerca de duas décadas, algumas celebrações natalinas vêm tomando algumas cidades do sul do Brasil, com a participação da população na representação das cerimônias tradicionais. É o caso do Natal de Gramado, que há 22 anos une as pessoas na apresentação de espetáculos durante todo o mês de dezembro, evento que movimenta a cidade. São concertos, desfiles de personagens (papais noéis, gnomos, renas...), luzes enfeitando árvores e encenações, com mais de 2 mil pessoas envolvidas na montagem do evento que atrai turistas do Brasil e exterior.

 

NATAL EM CURITIBA

 

Já em Curitiba, um dos eventos mais tradicionais é a apresentação do coral infantil, com 160 crianças carentes, a partir de 02 de dezembro, no Palácio Avenida, um dos marcos históricos da cidade. Com isso, Curitiba ficou conhecida como a “Capital do Natal”, atraindo cerca de 300 mil pessoas nesta época, que vêm assistir às encenações associadas ao coral.

Esse evento foi iniciado há décadas atrás, sob o patrocínio do Banco Bamerindus, idéia comprada pelo Banco HSBC, quando absorveu o Bamerindus.

As janelas ficam repletas dessas crianças do coral, e o espetáculo é inesquecível para quem o assiste da avenida.  

Edifício do HSBC, onde um coro infantil de apresenta nas janelas

 

 AMIGO SECRETO


O famoso “Amigo Secreto” ou “Amigo Oculto” é uma brincadeira tradicional das festas de fim de ano, e comum entre colegas de trabalho, escolas, e familiares.

Cada participante tira um papel com o nome de outro participante, a quem presenteia somente no dia da brincadeira, incentivando os outros a adivinharem quem é o escolhido.

 

CAIXINHA DE NATAL

 

Outra forma de presentear informalmente, instituída no Brasil, é a conhecida “Caixinha de Natal”, em que funcionários e pessoas que prestam algum serviço no dia-a-dia às famílias, recebem uma gratificação em dinheiro por seu trabalho.

Muitos prestadores de serviço, no entanto, costumam pressionar as pessoas para receberem a caixinha. A prática deve ser rechaçada, já que muitos deles já recebem o 13º salário.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Depois de mostrarmos a síntese resultante das nossas pesquisas, cabe a todos que façam algumas considerações finais.

Quando registrarmos as opiniões dos cristãos extremistas, vemos gente citando Efésios 5:11 (não associar-se com obras das trevas) e 1 Samuel 7:3 (lançar fora os deuses estranhos), e que devemos resistir ao “espírito satânico do consumismo”, no Natal.

Algumas pessoas chegam ao extremo de que não podemos desejar “Feliz Natal” para os outros, mas que deveríamos cumprimentá-los com frases do tipo “Que o Senhor Jesus Cristo te abençoe nestes dias!” E dizem mais: que a Igreja Evangélica deveria utilizar esse espaço de tempo para anunciar o verdadeiro sentido do Natal, que poderia até começar com a manjedoura, mas que deveria incluir sempre a história da cruz.

Para encerrar, esses críticos da celebração do Natal dizem que não há mandamento ou instrução alguma na Bíblia para que se celebre o nascimento de Cristo, mas que somos orientados sim a lembrar da Sua morte e ressurreição, fato que nos proporcionou a Vida (I Coríntios 11:24-26 e João 13:14-17).

De nossa parte, constatamos que todas as tradições festivas que estão plantadas por aí têm alguma origem de festividades pagãs antigas, pois nem sempre os povos tiveram a oportunidade de conhecer às vontades de Deus, como nós.

Sem nos estendermos no assunto, achamos por bem dizer que não é pecado deixarmos nossos filhinhos e netinhos desfrutarem dessas ilusões criadas em torno de Papai Noel, de Coelhinho da Páscoa, etc., pois isso sempre fez parte do período infantil das pessoas. Nada que não possa ser entendido por eles mesmos após três, quatro anos de vivência com essas coisas.

Nós cansamos que procurar ovinhos de chocolate nos jardins e canteiros de nossas casas, na infância; quantas noites de Natal mal dormidas, pensando no amanhecer, quando teríamos contato com os presentinhos junto ao presépio!

Nada disso impediu nosso amadurecimento, pois à medida que os anos de infância iam acabando, íamos descobrindo sem traumas que tudo aquilo era para que as crianças passassem por um período de sonhos. A própria vida ia se encarregando de nos trazer para a realidade, de tal forma que aprendêssemos a repetir as mesmas fantasias com os próprios filhos que viriam. 

Para encerrar, vamos registrar uma colocação do site CHRISTMAS, num artigo intitulado “Quais são os equívocos mais comuns sobre o nascimento de Jesus Cristo?”  Depois de mostrar todos os “equívocos” referentes à celebração do Natal, os autores declararam o seguinte:

 

Ele verdadeiramente nasceu de uma virgem na cidade de Belém, exatamente como profetizado anos e anos antes. Jesus foi concebido em Maria, não por homem, mas pelo Espírito Santo de Deus. Como o apóstolo João revela, Jesus existia antes da Criação do mundo (João 1). Ele é parte da Santa Trindade que conhecemos como Deus (Pai, Filho e Espírito Santo). O Filho de Deus veio em forma de homem com um propósito - morrer como um sacrifício voluntário em pagamento pelos pecados da humanidade. Ele o fez para conceder salvação eterna como um dom gratuito a todo aquele que O aceitar e O seguir.

 

Amílton de Menezes escreveu num site que deixar de celebrar o natal apenas pelo fato de ter-se originado dos povos pagãos não é um argumento muito convincente. Ele diz que, entre outras coisas, os pagãos contribuíram grandemente para que surgisse a escrita. E encerra: “Se avaliarmos as coisas por este prisma, então não deveríamos escrever!”

Quanto a presentear, Menezes faz a seguinte pergunta: “Que mal existe em presentear os nossos queridos, demonstrando a eles o quanto são especiais para nós?”

E tem mais: O Pr. Silas Malafaia divulgou um Edital na “Revista Fiel” (dezembro/2011), que clareia bastante as dúvidas criadas sobre o assunto. Sem os exageros daqueles que se extremam, Malafaia, com seu jeito prático, suprime tudo o que julga descartável, fixando-se apenas nas verdades bíblicas que não podemos perder de foco.
        

Por que podemos celebrar o nascimento de Jesus em dezembro


A data em que celebramos o nascimento de Jesus não deveria ser motivo de discórdia. Afinal, o que comemoramos no dia 25 de dezembro é o nascimento do Príncipe da Paz (Is. 9:6), aquele que veio oferecer-se como Cordeiro para expiar os pecados da humanidade decaída, reconciliando o ser humano com o seu Criador. Porém, atualmente, há dois grupos que se posicionam contra essa celebração.

O primeiro diz que o mês de dezembro, por ser frio e chuvoso na Palestina, não permitiria que os pastores ficassem ao relento à noite guardando suas ovelhas, conforme relatou o evangelista Lucas (Lc 2:8-18). O segundo, mais radical, diz que o Natal é uma festa pagã, ligada às comemorações romanas do nascimento do “deus sol invencível”.

Acima de qualquer discussão, o Deus em que cremos e a quem servimos é atemporal. Antes da criação do primeiro ser humano, Ele já existia. Antes de qualquer mente adquirir a noção da passagem do tempo ou conceber calendários, Ele já reinava soberano e absoluto, no Universo.

Nós, cristãos do mundo inteiro, celebramos o Natal por ele representar o momento mais sublime no qual o Filho de Deus inseriu-se, humilde e poderosamente, na nossa história, e tornou-se como um de nós. A data de 25 de dezembro é um simples detalhe no amplo e múltiplo contexto dessa celebração.

Dentro do cenário do nascimento do Filho de Deus, que veio do céu para salvar a mim e a você, foram mobilizados uma estrela, sábios do Oriente, simples pastores do campo e anjos. Considerando a magnitude desse acontecimento, todo dia deveria ser celebrado como o Dia de Natal. Afinal, todos os dias Jesus nasce no coração daqueles que o aceitam como Salvador.

 

O que sobraria para este humilde servo do Senhor escrever, depois do que disse o Pr. Malafaia, inspirado pelo Espírito Santo de Deus?

Ademais, esse assunto duraria para sempre e o livrinho já está ficando maior do que prevíamos. Não custa nada acompanharmos as coisas bem de perto, sem perder o foco nas verdades espirituais que acreditamos, para que excessos não sejam cometidos nem por nós e muito menos pelas pessoas que dependem da nossa orientação, como nossos filhos de sangue e nossos filhos na fé.

 

FONTES PESQUISADAS

 

•  http://onatal1.no.sapo.pt/ Natal.

•  http://pessoas.hsw.uol.com.br/natal-eua.htm. Como tudo funciona

•  http://www.homemsonhador.com/CuriosidadesNatalinas.html. Natal no Mundo

•  MENEZES, Amiltom de. Natal: ilustrações, hinos e questões.

•  natalcuritiba.com.br. Natal em Curitiba.

•  REBELLO FILHO, Moacyr Mallemont. Natal: Por que 25 de dezembro?  www.armazemdesonhos.com

•  REVISTA FIEL. Por que podemos celebrar o nascimento de Jesus em dezembro.  Malafaia, Silas. Nº 79, dez.2011.

•  Suapesquisa.com  História do Natal

•  TIGHE, William J.  A instituição do Natal.  ECLESIA  - Arquidiocese Ortodoxa Grega de Buenos Aires.

•  VITORINO, Edemar. A origem do Natal. www.fuel for life.com

•  Wikipedia a Enciclopédia livre. Natal

•  www..velhosamigos.com.br/DatasEspeciais/dianatal16.html Tradições Natalinas

•  www.natalluzdegramado.com.br.  Natal em Gramado

•  www.presentedenatal.com.br/tradicoes_internacionais.htm. Presentes de Natal

•  www.sampaio.jor.br/nomeiodenos/edic04/04forma.html. Walsh curiosities of popular customs.

Por: Walmir Damiani Corrêa

Publicado em 16/11/2013

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