Vaso de Alabastro

 

VASO DE ALABRASTRO

 

 

Aí está um assunto neotestamentário bastante conhecido, tema para pregações, artigos, reflexões, músicas, enfim, um assunto que merece ser estudado e aprofundado. Vamos ao texto que aparece nos evangelhos, e depois vamos explicar melhor do que ele está tratando.

 

E, estando Ele em Betânia, assentado à mesa, em casa de Simão, o leproso, veio uma mulher, que trazia um vaso de alabastro, com unguento de nardo puro, de muito preço, e quebrando o vaso, derramou o bálsamo sobre a cabeça de Jesus. Alguns dos presentes se indignaram e diziam uns aos outros: Para que se fez este desperdício de unguento? Este perfume podia ser vendido por trezentos denários, e dá-los aos pobres. E murmuravam contra ela. Jesus, porém, disse: Deixai-a. Por quê a aborreceis? Ela praticou uma boa obra para comigo. [...] (Marcos 14:3-6)

 

 

 

O VASO DE ALABASTRO

 

Antes da invenção da cerâmica, no mundo antigo, sempre que se precisava conservar líquidos ou sólidos utilizava-se receptáculos feitos de pele, caniços, madeira e pedra, como os odres onde se carregava água. Pedras não muito duras como alabastro e basalto eram cortadas e escavadas para tomarem a forma de taças, jarras, pratos, etc.

Com a descoberta dos valores do barro poroso (argila), foram surgindo os vasos, também chamados de jarros e botijas, usados para guardar líquidos, principalmente perfumes. Como o material conseguia absorver um pouco do líquido, impedia a evaporação do mesmo, e mantinha o conteúdo fresco. Só depois é que foram surgindo os vasos metálicos, de vidro e de marfim, mas estaríamos fugindo do assunto que enfocamos neste momento.

A matéria-prima cerâmica utilizada para a confecção desses vasos era o “alabastro”, um gesso branco, finíssimo, mais suave do que o mármore.

Quanto ao formato, esses frascos de alabastro tinham um formato pequeno, em torno de 14 cm de altura, sendo que seu corpo era normalmente redondo ou ovalado, com um gargalo comprido.  A boca do gargalo era selada, de modo a preservar o perfume do bálsamo. Agora, dá para entender por que a mulher “quebrou” o vaso para usar o bálsamo.  Esse selo, repetimos, funcionava como uma espécie de vedação. O vaso possuía uma pequena alça para que pudesse ser manipulado e para ser carregado.

 

O CONTEÚDO

 

Nosso texto fala que a mulher carregava “unguento” dentro do vaso de alabastro, um bálsamo, um líquido aromático e espesso que flui espontaneamente de muitas plantas ou através de ferimento intencional. O nardo puro, por exemplo, era uma erva importada de Tarso, na Cilícia, a terra natal do apóstolo Paulo.  Quase todo o resto era proveniente da cidade de Damasco, na Síria. 

O principal uso do unguento era como cosmético, um costume inventado pelos egípcios.  Até hoje ainda são recuperadas na Palestina caixas de produtos de toucador, feitas de alabastro.  Mais tarde, descobriu-se que tais unguentos era algo refrescante e aliviador para feridas.

Era costume do povo egípcio oferecer aos seus visitantes pequenos cones com unguento, para que fossem colocados em sua testa. O calor do corpo se encarregava de dissolver o líquido, que escorria rosto abaixo, até as vestes, produzindo um perfume agradável. Essa prática foi adotada pelos semitas, chegando até os povos neotestamentários. (Mateus 6:17 e Lucas 7:46)

Outro uso do unguento aromático era para evitar o ressecamento da pele, por causa das irritações produzidas pelo calor. Em locais com água rara, os unguentos serviam para disfarçar os odores da transpiração, como fazem os desodorantes da atualidade.

Os unguentos, fabricados por perfumistas (2 Crônicas 16:14) ou por sacerdotes. O óleo da santa unção continham azeite de oliveira, mirra, canela, cálamo e cássia, e não podiam ser fabricados por pessoas não autorizadas (Êxodo 30:37,38). 

O fato dos unguentos serem conservados em receptáculos de alabastro, eles melhoravam sua qualidade com a idade de preservação, tornando-se mais valiosos com os anos, assim como acontece com os vinhos. Por isso menciona-se no nosso texto inicial que o unguento de “muito preço”, chegando a gerar revolta entre os fariseus que assistiam à cena, considerando aquilo um desperdício.

 

CURIOSIDADE

 

Fazia parte da tradição daquelas terras que as famílias comprassem um vasinho desses quando uma de suas filhas fosse se casar, fazendo parte do dote. Quanto mais abastada fosse a família, maior seria o valor das especiarias contidas no frasco. Quando a moça fosse pedida em casamento, deveria quebrar o vaso aos pés do noivo, pois estaria praticando uma espécie de honraria com o seu futuro marido.

Outros registros contam que as moças carregavam um frasco de alabastro no pescoço, como se fosse um colar, e que na noite de núpcias ela quebrava o objeto, aspergindo o nardo em seus lençóis. Por ser um momento tão especial para a nubente, imagina-se quanto ela deveria valorizar tal vasinho de alabastro. 

Para não perder a oportunidade, vamos falar um pouquinho da mulher que ungiu a cabeça de Jesus com unguento. Se aquele líquido era “separado” para a noite de núpcias, e aquela mulher já não tinha mais esperanças de chegar a esse momento, por ser uma prostituta, imaginamos que ela deve ter revolucionado os seus pensamentos, os seus projetos de vida, usando todo o líquido aromático em Jesus, como que se estivesse desistindo da vida para entregar-se ao Senhor, passar a servi-Lo para sempre.

 

 

FONTES DE PESQUISA

 

ISBAIS, Juliana. O vaso de alabastro. Postado em http://juisbais.blogspot.com.br/. Pesquisado em 18/06/2014.

SILVA, Ivan Pereira da. O vaso de alabastro. Postado em http://www.privan.com.br/2012/05/o-vaso-de-alabastro.html. Pesquisado em 18/06/2014.

KAIRA, Priscilla. O segredo do vaso de alabastro. Postado em http://www.fotolog.com/priscillakaira.  Pesquisado em 17/06/2014.

QUÍMICA DOS PERFUMES. Um pouco de história sobre os perfumes. Postado em http://quimicadosperfumes.com.sapo.pt/hist.htm. Pesquisado em 17/06/2014.

REZENDE, Suely Marques de. O vaso de alabastro. Postado em http://herdeirosdedeushd.blogspot.com/.  Pesquisado em 17/06/2014.

ARAÚJO, Maristela Santos de. O vaso de alabastro. Publicado na revista Ultimato, 2010. Pesquisado em 18/06/2014.

MINISTERIOgeradosparaadorar.blogspot.com.br

 

AUTOR

Walmir Damiani Corrêa

 

 

Por: Walmir Damiani Corrêa

Publicado em 24/06/2014

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