O centurião de Cafarnaum ( II )

 

O CENTURIÃO DE CAFARNAUM  ( II )

 

 

 

Tendo Jesus concluído todos esses discursos perante o povo, entrou em Cafarnaum. O servo de certo centurião, a quem este muito estimava, estava doente, quase à morte.  Quando o centurião ouviu falar a respeito de Jesus, enviou-Lhe uns anciãos dos judeus, rogando-Lhe que viesse curar o seu servo.

Chegando eles a Jesus, rogaram-Lhe muito, dizendo: “É digno de que lhe concedas isto, porque ama a nossa nação, e ele mesmo nos edificou a sinagoga.” Então Jesus foi com eles. Estando já perto da casa, enviou-Lhe o centurião uns amigos para lhe dizer: “Senhor, não te incomodes, pois não sou digno de que entres em minha casa. Por isso não me julguei digno de ir ter contigo. Dize, porém, uma palavra, e o meu servo será curado. Pois também eu sou homem sujeito à autoridade, e tendo soldados às minhas ordens, e digo a este: Vai, e ele vai; e a outro: Vem, e ele vem. Ao meu servo digo: Faze isto, e ele o faz.”

Ouvindo isto, Jesus se maravilhou dele e, voltando-se, disse à multidão que o seguia: “Digo-vos que nem ainda em Israel achei tanta fé.” Voltando para casa os que foram enviados, acharam curado o servo.  (Lucas 7:1-10)    

                                                                                                   

CORAÇÃO NÃO TEM NACIONALIDADE

 

 

A primeira coisa que percebemos neste texto, foi que quando o centurião procurou a Jesus, recebeu a bênção que estava procurando. Ele era um centurião romano, tinha cem soldados sob suas ordens, era um estrangeiro entre os israelitas, mas amava a nação onde estava vivendo.

No verso 5 vemos pessoas procurando a Jesus, pedindo-Lhe que fosse à casa do centurião curar um empregado seu, um criado. Intercederam por ele, testemunharam dele, dizendo que este centurião construíra a sinagoga na qual louvavam ao Senhor. Apesar de servir ao Império Romano, apesar de não ser um seguidor do Deus de Israel, o centurião respeitava o culto dos judeus, construindo generosamente o templo onde eles serviriam ao seu Deus.

Apesar de pertencer ao exército romano, que dominava as terras israelitas, esse homem amava àqueles que viviam com ele, e por esse motivo eles reivindicavam em seu favor. Eles não vieram a Jesus pedir coisas para si, mas para o seu bondoso benfeitor. Que lição isso nos traz!  Precisamos, então, não reivindicar coisas por conta própria; basta sermos bons para com o próximo, e eles reivindicarão por nós.

Existem predicados nas pessoas que fazem com que Deus olhe para elas com mais cuidado e carinho. São pessoas de conduta agradável, e Deus as abençoa na hora certa. Na época de Elias, por exemplo, havia muitas viúvas, mas só a uma ele foi enviado.

 

 

AMOR AO PRÓXIMO

 

 

O centurião considerava quem trabalhava para ele, estimava-os, sendo considerado por todos como um bom empregador. Ele mandou pedir uma bênção para um servo seu, e não para si próprio. E Jesus o abençoou, apesar dele pertencer a Roma, que na época oprimia o povo israelita.

É penoso ser empregado de um patrão perverso. O texto diz que o servo estimava àquele homem justo, que tratava bem aos que o ajudavam a ganhar a vida.

Essa é a virtude que muitas vezes falta na vida dos crentes: altruísmo, amor ao próximo, preocupação com a vida do próximo. Muitos se atritam porque só enxergam a si mesmos. Buscar a cura para um empregado é ausência total e egoísmo, é sinônimo de altruísmo.

 


OUTROS EXEMPLOS BÍBLICOS

 

 

Lembramos, agora, daquela história bíblica sobre o homem que foi atacado por ladrões e abandonado à beira de uma estrada. Depois de passar por ali um sacerdote judeu sem lhe dar socorro, passou um homem samaritano que o recolheu, levou-o até uma estalagem, ordenou que cuidassem dele até sua volta da viagem, pagando todas as despesas e prontificando-se a pagar o restante na sua volta. (Lucas 10:25-37).

A filosofia dos ladrões é esta: O que é teu, é meu.  Ele cobiça o que é dos outros. Se Deus não segurasse certas pessoas, fariam até desatinos, por causa da inveja e da cobiça. Porém, a filosofia do sacerdote era: O que é meu, é meu. Passa e vai embora, não perdendo tempo com o infeliz. Os egoístas só pensam em si mesmos, nos seus estômagos. Mas a filosofia do samaritano era outra: O que é meu é do meu irmão também. É a filosofia de Jesus! Não se pode viver apenas com a nossa posição! E os outros?  Precisamos nos preocupar com os outros!

Foi assim que agiu Rute ao conviver com os problemas da sua sogra Noemi. Passou a dividir os problemas da sogra, resolvendo acompanhá-la. (Rute 1:16,17) Deus premia essas pessoas: veja que a linhagem de Jesus passou por Rute, e ela nem era judia!  (Mateus 1:5)

Se você tem recursos, divida-os!  Não pense só em sua própria vida. Famílias têm-se desestruturado por causa de problemas financeiros. A ambição por dinheiro tem cegado pessoas: filhos contra pais, irmãos contra irmãos...  Isso tem embrutecido corações. Pessoas têm se tornado tão secas e insensíveis por causa desse materialismo!

Que Deus nos ajude para que sejamos como Jesus, que é altruísta. Deus, mesmo vendo a podridão do mundo, deu Seu Filho Unigênito para salvá-lo. Jesus, por Sua vez, deu Sua vida pelo mesmo motivo. O que é de Jesus é nosso, e o que é nosso deve ser de nossos irmãos!  Vamos dividir!

Temos muitas coisas a observar no comportamento desse centurião. Apesar de não aparecer seu nome, aparecem outras coisas que são muito mais importantes de serem registradas:

 

 

 

Ele tem fé.  Hebreus 11:1 diz que “a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem.”  Precisamos aprender a enfrentar cada dia com fé no Senhor Jesus. O justo viverá pela fé, pois a fé é o elemento que enobrece a alma humana. Creia e Deus vai abençoar a tua vida. Saiba que a dúvida é a maior inimiga da fé. Seja um homem de fé!

 

 

HUMILDADE

 

 

Quando o centurião vê Jesus chegando à sua casa, declara que não se acha digno de recebê-Lo sob o mesmo teto, que não se acha digno de olhar para Jesus face a face, de tão pecador que se sentia. Esperava, então, que Jesus curasse o empregado à distância, com poder. Ele se surpreendeu com a presença de Jesus ali, e isso impressionou a Jesus.

Vale a pena defendermos um ponto aqui: os valores mais escondidos, quando são expostos, normalmente são mal interpretados pelos outros. Procure entender que ele mandou alguém no seu lugar pedir a bênção, não por orgulho, mas pela humildade de não se achar digno de se ver frente a frente com Jesus. Muitos poderão ficar pensando que ele, por ser um oficial romano, mandou empregados para chamar Jesus para evitar rebaixar-se, ao fazê-lo pessoalmente.  Ele era um homem extremamente humilde.

 

 

DISCERNIMENTO

 

 

Saber que Jesus pode curar à distância é ter discernimento do poder e da autoridade de Jesus. O centurião tinha consciência de que Jesus não precisava ir até um doente para curá-lo. Ele ouvira falar de Jesus pelos seus criados judeus, tinha conhecimento do poder desse homem. Sua fé levou-o a pensar desse modo, comportando-se de maneira que poderiam até envergonhar a muitos judeus que viviam seguindo a Jesus, por onde quer que Ele fosse.

 

 

SUBMISSÃO

 

 

O centurião era um homem de autoridade civil, tinha cem homens às suas ordens, mas submeteu-se à autoridade espiritual de Jesus, quando não quis causar-Lhe incômodos, fazendo-O ir até sua casa.

 Se você quer ter a autoridade de Deus, seja submisso! Deus não ama a rebeldia. Ele descansa nos corações humildes. É muito difícil para um governante obedecer, mas Jesus aprendeu a obedecer, e aprendeu a fazer isso no meio das injustiças sofridas. É fácil ao servo obedecer, mas ao Filho de Deus, não.  E ele obedecia!

Aprenda também a obedecer a Deus e às autoridades permitidas ou designadas por Deus: é o guarda do trânsito, é o professor, o pai, o ministro da Igreja... O princípio da autoridade está na submissão. Deus honrará a vida que assim proceder.

A saída não é se deprimir diante da ordem recebida. Alguns perdem a paz, não dormem porque não conseguem obedecer, chegando a julgar os mandantes inferiores a si próprios e por isso custam a exercitar a obediência.

Jesus, quando levantava a voz, todos se calavam. Porém, mesmo tendo autoridade, Ele também era submisso. Começou Seu ministério com 30 anos porque essa era a idade da maioridade na Sua nação. Com 20 anos Ele já sabia tudo; com 12 já confundia os sábios no templo, mas soube esperar pacientemente pelos 30, que seria o seu ponto de partida, segundo as leis vigentes em Israel.

Jesus obteve autoridade, pois aprendeu a obedecer. Deus nos quer submissos, mesmo que venhamos a aprender com dores!

 

AUTOR

Pr. Bartolomeu Severino de Andrade

 

Esta pregação aconteceu em 25/02/1992, tendo por local a Igreja ADI, em Tubarão/SC. Os trabalhos de gravação, formatação e edição foram produzidos por Walmir Damiani Corrêa  —  www.elevados.com.br.

 

Por: Bartolomeu de Andrade

Publicado em 28/08/2014

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