Jerônimo

 
JERÔNIMO

 

 

EUSÉBIO SOFRÔNIO JERÔNIMO nasceu por volta de 340 na cidade de Stridon, que ficava na fronteira entre as províncias romanas da Dalmácia e da Panômia, perto de Viena, Áustria.  Ficou conhecido como escritor, filósofo, teólogo, retórico, gramático, dialético, historiador, exegeta e doutor da Igreja. É de São Jerônimo a célebre frase: “Ignorar as Escrituras é o mesmo que ignorar a Cristo”.

Jerônimo só se converteu ao Cristianismo aos 25 anos, quando estudava em Roma, onde aprendeu Latim e um pouco do Grego. Foi um período em que se envolveu com maus colegas, o que lhe provocou, mais tarde grande arrependimento. Para apaziguar a consciência, propôs-se a visitar as sepulturas dos mártires e dos apóstolos, uma experiência que lhe lembrava os terrores do inferno.

A partir daí, resolveu viver como um monge, no deserto de Cálcis, próximo de Antioquia da Síria, local onde moravam inúmeros eremitas. Nesse período ele se dedicou a estudar e escrever e também aprender um pouco do Hebraico, época em que deve ter escrito o “Evangelho dos Hebreus”, mais tarde traduzido para o grego por ele mesmo.

Depois de muitos anos em Roma ele transferiu-se com companheiros para a Gália, na cidade de Trèves (atual Alemanha), onde possivelmente tenha se dedicado aos primeiros estudos teológicos. 

De volta a Antioquia, em 378, foi ordenado contra sua vontade, mas aceitou, desde que pudesse continuar sua vida asceta, viajando em seguida para Constantinopla a fim de continuar seus estudos sobre as Escrituras, permanecendo ali por dois anos.

 

 

UMA LENDA NA HISTÓRIA

 

 

A história conta uma lenda a respeito da pessoa de Jerônimo de Stridon, não se sabendo, exatamente, se ela tem a ver com a personalidade forte desse líder da Igreja. 

Conta a lenda que Jerônimo estava nos seus últimos anos de vida, vivendo como um eremita num mosteiro nas redondezas de Belém da Judéia, trabalhando exaustivamente da produção literária a que se propusera em toda a sua vida. Apareceu-lhe um leão que sofria devido a um espinho cravado numa das patas. Sem temor algum, Jerônimo conseguiu retirar o espinho, aliviando, dessa forma, o animal. 

Conta a lenda, repetimos, que o leão ficou muito agradecido a Jerônimo, passando a acompanha-lo a partir daquele dia. Onde estivesse Jerônimo, ali estaria ali o leão. Como se vê nas imagens abaixo, o leão ficava deitado no quarto do nosso personagem, enquanto ele escrevia distraidamente. 

Como dissemos anteriormente, talvez os adjetivos leoninos como a força, coragem, constância e vigilância tenham influenciado na criação dessa lenda, comparando esses adjetivos do animal aos de Jerônimo.

Aproveitando a oportunidade, também registramos que Jerônimo é um dos personagens religiosos mais retratados da história da pintura.

 

 

BREVE RETORNO A ROMA

 

 

Em 380 retornou a Roma para ficar lá três anos na corte do Papa Dâmaso I, na liderança cristã da cidade. Um dos encargos que recebeu ali foi realizar uma revisão na Bíblia Latina (Vetus Latina) a partir de manuscritos em grego. Além disso, atualizou o saltério contendo o “Livro dos Salmos”, que na época baseava-se na Septuaginta grega, trabalho que serviu de base para a composição da “Vulgata”, versão para o Latim, seu mais importante legado.

Nessa época, Jerônimo costumava viver rodeado por um círculo de mulheres bem-nascidas e bem-educadas da nobre sociedade romana, incluindo-se entre elas a viúva Paula e sua filha Eustóquia. Como aumentava a permissividade e a lascívia em Roma, debaixo da crítica feroz de Jerônimo ao clero secular, Paula e outras senhoras mostravam uma crescente inclinação pela vida monástica, na companhia do nosso personagem.

Com a morte do Papa Dâmaso I (384), Jerônimo sentiu-se desprotegido, sendo vítima de inquéritos abertos por pessoas a quem ele não poupava críticas, vendo-se na contingência de abdicar de suas funções em Roma. 

Entre esses processos, umdeles investigava uma suposta relação imprópria entre ele e a rica viúva Paula. O que levantou suspeitas no clero foi o fato que Paula passou a sustentar Jerônimo, para que ele vivesse sem preocupações e pudesse se dedicar aos estudos bíblicos.

Jerônimo ministrando a Paula e sua filha

 

Em 385, diante da situação criada, Jerônimo resolveu abandonar Roma definitivamente, voltando para Antioquia da Síria com seu irmão Pauliniano e alguns companheiros, sendo que logo depois chegaram Paula e sua filha Eustóquia, decidindo terminar suas vidas junto deles. 

No inverno desse ano Jerônimo viajou com um grupo composto pelo Bispo de Antioquia, seus companheiros, acompanhados ainda de Paula e de sua filha, peregrinando por Jerusalém, Belém e os lugares santos da Galileia, seguindo depois para o Egito, onde viviam os heróis de vida asceta, os monges do deserto.

 

 

FINALMENTE, O ASCETISMO

 

 

Vale explicar, neste momento, que ASCETISMO ou ASCETICISMO é o nome dado a uma filosofia de vida na qual os prazeres mundanos são refreados, propondo-se uma nova vida de austeridade diante de Deus.

Isso tem muito a ver com o MONASTÉRIO, que é a vida eremita dentro de mosteiros construídos em lugares desabitados. Nessa época de Jerônimo, muitos procuravam os mosteiros para poderem fugir das tentações do mundo.

Depois da peregrinação mencionada acima, Jerônimo volta com seu grupo para a Terra Santa, em 388. A partir daí, ele passou o resto da sua vida numa cela eremítica perto de Belém, rodeado de poucos amigos, homens e mulheres, incluindo aí Paula e sua filha Eustóquia, a quem ele atendia como sacerdote e professor.

Paula manteve o sustento financeiro a Jerônimo, como sempre, investindo também na manutenção e aumento da sua biblioteca particular, o que lhe propiciou uma vida de incessante produção literária, podendo ser citadas as seguintes obras: 

No ano de 416, como consequência de suas críticas às heresias do pelagianismo, seguidores desse grupo incendiaram os edifícios monásticos, forçando Jerônimo a se refugiar numa fortaleza nas imediações.

Jerônimo, o eremita do deserto, quadro de Lonardo da Vinci

 

 

LEGADO DE JERÔNIMO

 

 

É preciso que se diga que Jerônimo é o segundo autor mais prolífico do Cristianismo antigo tardio, só perdendo para Agostinho.

 

 

a) Obras Literárias

 

 

Jerônimo é conhecido como grande historiador. Uma de suas primeiras obras foi sua "Crônica" escrita por volta de 380, quando ele estava em Constantinopla, uma tradução para o Latim das tabelas cronológicas de Eusébio de Cesareia, cobrindo o período entre 325 e 379, uma obra valiosa, menos pelo conteúdo e mais pelo impulso que proporcionou para cronistas posteriores,  que continuassem complementando os anais.

Também é dele "De Viris Illustribus", escrita em Belém em 392, com título e arranjo emprestados da "Vida dos Doze Césares", de Suetônio. Essa obra contém breves notas biográficas e lista de obras de 135 autores cristãos, desde o apóstolo Pedro até o próprio Jerônimo. 

Como cristão, já envolvido pelas mudanças romanas na Igreja, Jerônimo dedicou-se a escrever obras de natureza hagiográfica, ou seja, biografias de “santos” da Igreja Católica Romana. 

 

 

b) Epístolas

 

 

As epístolas de Jerônimo formam uma importante porção do que restou de suas obras literárias, tanto pela enorme variedade de temas quanto pela qualidade estilística. 

Em suas cartas, Jerônimo registrava tanto confidências pessoais como tratados direcionados a terceiros, pois naquele tempo não existia distinção entre documentos pessoais e públicos. Nesses documentos ele discutia os problemas do ensino acadêmico, argumentava sobre os casos de consciência, reconfortava os aflitos, fazia elogios aos amigos, atacava os vícios e corrupções da sociedade da sua época, como a imoralidade sexual no clero, exortando a população à vida asceta e à renúncia do mundo, sempre se digladiando com seus adversários. 

 

 

c) Obras Teológicas

 

 

Como suas maiores obras podem ser citadas a Tradução do Antigo Testamento, a partir dos originais hebraicos, os melhores comentários sobre as Escrituras, seu catálogo de autores cristãos (De Viris Illustribus) e suas críticas contra as heresias dos pelagianos. 

É bom que se diga que antes da existência da “Vulgata” (Latim Vulgar), todas as traduções do Antigo Testamento eram baseadas na “Septuaginta”, deixando-se de lado os originais na língua hebraica.  Agostinho, por exemplo, considerava a “Septuaginta” como inspirada pelo Espírito Santo. 

Uma característica marcante na vida de Jerônimo e que quase todas as suas obras no campo religioso apresentam um caráter polêmico, um tom veemente, principalmente as direcionadas aos defensores de doutrinas contrárias às ortodoxas. Até a tradução de um tratado sobre o Espírito Santo para o Latim revela uma tendência apologética contra as heresias dos Arianos dos Pneumatomachoi.

Durante suas passagens por Constantinopla e Antioquia, por exemplo, Jerônimo estava mais preocupado com a controvérsia ariana e, especialmente, com o cisma em Antioquia.  Duas cartas ao Papa Dâmaso trazem reclamações a ambos os partidos em disputa (melecianos e paulinianos), que tentavam atraí-lo para a controvérsia sobre a relação entre Deus Pai e Deus Filho na Trindade e, mais especificamente, à aplicação de termos como ousia (substância) e hipóstase a esta relação. 

Na mesma época, ou pouco depois (373), ele compôs sua "Liber Contra Luciferianos", na qual ele utiliza o diálogo de forma bastante inteligente para combater os princípios da facção dos calaritanos, principalmente sua rejeição ao batismo realizado por heréticos (uma tese de cunho donatista, já rejeitada antes).

Em Roma (por volta de 383), Jerônimo escreveu uma apaixonada resposta aos ensinamentos de Helvídio, defendendo a doutrina da virgindade perpétua de Maria e da superioridade da castidade sobre o matrimônio. Um adversário de natureza similar foi Joviniano, com quem debateu em 392. 

Em 406, uma vez mais Jerônimo defendeu as práticas piedosas católicas e sua própria ética asceta contra o presbítero gaulês Vigilâncio, que era contrário à veneração dos mártires e das relíquias, ao voto de pobreza e ao celibato clerical. Em paralelo, participou ainda da controvérsia com João II de Jerusalém e Rufino sobre a ortodoxia do origenismo.

A este período pertencem algumas de suas mais apaixonadas e completas obras polêmicas: "Contra Joannem Hierosolymitanum" (398 ou 399); “Apologiae contra Rufinum" (402) e sua "Última palavra", escrita poucos meses depois, e "Liber tertius seu última responsio adversus scripta Rufini".

A última obra polêmica de Jerônimo foi sua "Dialogus contra Pelagianos" (415), contra a heresia do pelagianismo.

 

 

A MORTE DE JERÔNIMO

 

 

Jerônimo morreu em Belém da Judéia em 30 de setembro de 420. Acredita-se que seus restos mortais, originalmente enterrados em Belém, foram transladados para a Basílica de Santa Maria Maior, em Roma. 

 

 

FONTES DE PESQUISA

 

 

WIKIPÉDIA – A ENCICLOPÉDIA LIVRE  -  Jerônimo.  Pesquisado em 23 de setembro de 2014. 

CANÇÃO NOVA. São Jerônimo, presbítero e doutor da Igreja. Pesquisado em santo.cancaonova.com/santo/sao-jeronimo-presbitero-e-doutor-da-igreja/, em 23/09/2014.

QUERIDO BESTIÁRIO.  Lenda de São Jerônimo e o leão.  Pesquisado em http://queridobestiario.blogspoLenda .com.br/,  em 23/09/2014.

O REI ESTÁ VIVO.  O leão de São Jerônimo.  Pesquisado em reivivo.blogspot.com.br  em 22/09/2014. 

 

 

AUTOR DA PESQUISA

Walmir Damiani Corrêa

Por: Walmir Damiani Corrêa

Publicado em 25/09/2014

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