O grande dilúvio: Lenda ou História?

 

O GRANDE DILÚVIO:

LENDA OU HISTÓRIA?

 

 

 

INTRODUÇÃO

 

 

Sempre que se conversa sobre Bíblia com pessoas incrédulas, vários assuntos logo vêm à tona, normalmente tratados como piada, e entre eles sempre está o Dilúvio.

A respeito do dilúvio, a Bíblia Sagrada nos conta que Deus estava aborrecido com os rumos que os homens estavam dando ao mundo, esquecendo-se completamente das orientações divinas. O Senhor mandou Noé construir uma arca com medidas bem definidas, pois ela deveria agasalhar os componentes da família de Moisés e um casal de cada animal existente. Essas pessoas e animais, como únicos sobreviventes dessa inundação global, se encarregariam de repovoar a Terra, depois que essa inundação global terminasse. Vale lembrar que tal inundação durou 40 dias.  (Gênesis 6:14-16)

Se observarmos como as pessoas se comportam hoje em dia diante das coisas de Deus, não precisaremos fazer muita força para imaginar como elas reagiram diante de Noé construindo essa grande embarcação.

O pior é que as zombarias continuam até hoje, pelos céticos, pelos cientistas, pelos evolucionistas, pelos ateus, etc. A única forma de acabar-se com isso seria mostrar a tal arca, inteira ou fragmentada, mas que comprovasse sua existência.

 

 

LENDA OU HISTÓRIA?

 

 

Na verdade, a Bíblia Sagrada não é a única fonte desse acontecimento.  Possivelmente, outras civilizações antigas deram a sua contribuição para contarem, a seu modo, como deve ter sido esse terrível acontecimento, mas sempre a partir do que é contado em Gênesis, pelo povo de Deus.

Veja como a Escola Britannica define o dilúvio:

 

O dilúvio é um mito universal que representa uma catástrofe de origem sobrenatural, da qual surge um mundo novo. Uma chuva imensa, que causa uma grande inundação, constitui o que se chama dilúvio. Em diversas culturas e crenças são contadas histórias sobre devastadoras inundações, que fazem desaparecer todos os seres da Terra, com exceção daqueles que ficarão para renovar o ciclo da vida. A catástrofe ocorre geralmente como um castigo divino e representa a purificação dos pecados da humanidade. (BRITANNICA, 2014)

 

Em seguida, vamos conhecer algumas versões sobre o grande dilúvio mundial, um acontecimento que interrompeu a civilização estabelecida até aquele momento da história. Primeiro, vejamos resumidamente como tudo é contado na Bíblia Sagrada e só depois veremos as demais versões dos povos antigos. 

 

a) Versão Bíblica: Desanimado pela maldade reinante no meio do Seu povo, Deus mandou que Noé construísse uma arca de cipreste, onde abrigaria um casal de cada animal existente no mundo da época, além dele mesmo, seus três filhos e suas esposas. Uma violenta chuva de 40 dias cobriria o mundo inteiro durante 40 dias. Foram as pessoas dentro da embarcação que repovoaram o mundo, iniciando uma nova humanidade, a partir do momento em que as águas baixaram. 

b) Versão Mitológica: Essa versão integra as histórias da Mitologia Grega. Zeus, irritado com a maldade dos mortais, mandou Posêidon (deus dos mares) inundar toda a superfície da Terra, durante nove dias de tempestades violentas e ondas agitadas. Prometeu aconselhou seu filho Decalião que se escondesse com sua mulher numa caixa de madeira no pico do Monte Parnaso, o único que não seria coberto pelas águas.

c) Versão Indiana: A personagem encarregada de construir a embarcação foi uma moça chamada Manu, avisada por um peixe do eminente perigo do dilúvio. Só ela sobreviveu. Comparando-se à versão bíblica, fica a pergunta: De onde sairia a nova população terrestre? Como resposta, eles contam que o peixe é um animal que simboliza fertilidade e cura. 

d) Versão Chinesa: Existe outra história sobre um homem chamado Nuh, que constrói um barco para salvar sua família e várias espécies de animais, por ocasião de uma inundação global. Como curiosidade, até hoje a letra correspondente a oceano no alfabeto chinês é um barquinho com oito pontos em cima. Será que Nuh é Noé, e os oito pontinhos correspondem aos oito sobreviventes do dilúvio?  Também existe outra história sobre um personagem chamado de Fa-He, salvando-se ele, sua esposa, três filhos e três filhas. Nessa versão, o motivo da enchente teria sido natural, e não por causa da maldade da humanidade.

e) Versão Polinésia e Aborígene: As histórias contadas pelos antigos habitantes das Ilhas Fiji e da Polinésia são semelhantes àquelas vistas até agora, mas garantindo que sobreviveram oito pessoas.

f) Versão Inca: Esses povos antigos dos Andes, principalmente no Peru, dão conta de que Viracocha é o deus supremo das tempestades e do Sol. Como criador do mundo e insatisfeito com a humanidade criada por ele, ele devastou tudo sobre a Terra, de modo a criar um mundo melhor, a partir dali. Apenas um casal sobreviveu à enchente, num barco.

g) Versão Asteca: O povo asteca do México traz uma versão sem muita criatividade: uma grande enchente cobriu toda a terra, e apenas um casal e seus filhos escaparam vivos, dentro de um navio.

h) Versão Druida:  Os druidas eram sacerdotes pagãos dos povos bárbaros que invadiram as ilhas britânicas. O sobrevivente teria sido um justo patriarca, o dilúvio foi mandado pelo Ser Supremo, em virtude da maldade reinante entre os habitantes da Terra.

i) Versão Americana: A história dos índios americanos é contada de forma nebulosa, salvando-se entre três e oito pessoas. Quando a água baixou, a embarcação descansou no cume de um alto monte.

j) Versão Mesopotâmica: Existe uma versão diluviana no poema de Gilgamés, comentando que toda a humanidade virou barro, e que o rei babilônico Utnapishtim abriu a janela da arca e viu que a terra já estava seca. Segundo esse sobrevivente, houve uma enchente avassaladora por volta de 2700 a.C., acompanhada de relâmpagos no céu. Com ele também existe a narrativa de soltar aves para sondar o ambiente, mas voltaram, pois não encontraram lugar Para pousar. Isso comprova a vasta extensão atingida pelo dilúvio. É a narrativa mais parecida com a bíblica, o mesmo acontecendo com outros textos antigos sumérios.

k) Versão Iraniana:  Conta-se no Irã que, depois de um rigoroso inverno, as neves derreteram, e nessa época os homens ainda não conheciam nem a velhice e nem a morte. O homem escolhido por Deus, nessa versão, foi o rei Yima, que levou com ele, no barco, os melhores entre todos os homens, além de diferentes espécies de animais e plantas.

l) Versão Brasileira: Vários povos indígenas brasileiros possuem lendas de um dilúvio que destruiu a humanidade, sendo que uma elas é contada pelo escritor José de Alencar no romance “Guarani”. O índio Tamandaré teria subido com sua companheira numa palmeira, permanecendo ali até as águas baixarem, alimentando-se dos frutos da árvore. 

 

No mapa abaixo, os pontos negros indicam os locais do mundo onde existem lendas sobre a existência do dilúvio global.

 

 

 

 TESTEMUNHAS OCULARES

 

 

A única forma de provar-se que esse acontecimento realmente faz parte da História, seria encontrar-se essa embarcação, ou parte dela, pondo-se fim a esses gracejos e zombarias por parte dos incrédulos.

Inicialmente, podemos citar o testemunho de pessoas reconhecidamente responsáveis na história, que garantem ter tido contato com esse objeto congelado no Monte Ararate.

 

a) Flavius Josephus:  Esse historiador judeu da época de Cristo declarou ter visto “um barco” nas alturas da montanha do Ararate.

b) Outro Historiador: Outro historiador do primeiro século informou que “madeiras de um navio” estavam descansadas no cume do Monte Ararate.

c) Marco Polo:  Esse famoso explorador mencionou, no final do Século XV, que a Arca de Noé ainda estava visível no topo do Monte Ararate.

d) Arramanus: Esse historiador egípcio de 30 a.C. é autor de uma história fenícia mencionando a existência da arca no Monte Ararate.

e) Berrossos:  Historiador caldeu e Sumo Sacerdote, visitou o local em 475 a.C. quando escreveu sobre o fenômeno que testemunhou, afirmando que era fácil perceber uma embarcação no alto da geleira.

f) Nicolau de Damasco: Mais ou menos em 30 a.C., foi biógrafo de Herodes, o Grande, comentando sobre a aterrissagem da arca junto ao cume do Aratate, afirmando que as madeiras ainda estavam por lá. 

 

 

EXPEDIÇÕES AO LOCAL

 

 

Vamos conhecer, a seguir, algumas tentativas de comprovar a real existência da Arca de Noé, através de expedições à região onde tudo aconteceu, isso de forma científica.

 

 

a)  Fernand Navarra

 

 

Esse industrial francês fez quatro expedições até o Monte Ararate, localizado na fronteira entre a Turquia e o Irã, nos anos de 1952, 1953, 1955 e 1969, tudo documentado no seu livro “Noah’s Ark: I touched it” (A Arca de Noé: eu toquei nela).  A princípio, a comunidade científica entendeu como verdadeira a hipótese de Navarra, mas após exames minuciosos em fragmentos de madeira retirados do local, ficou comprovado que pertenciam à Era Cristã e não à Era Diluviana. 

 

 

b) George Greene 

 

 

As divulgações de notícias sobre o assunto despertou o interesse de outras pessoas que trabalhavam naquela área, pois era normal ouvir-se dizer que foi vista uma embarcação coberta pela neve, inclusive com formação semelhante àquelas descritas em Gênesis. 

Na época da primeira expedição de Navarra, o engenheiro George Greene estava trabalhando na Turquia.  Sobrevoando de helicóptero o Monte Ararate, avistou algo parecido com um grande navio, exatamente no cume da montanha, e teve a felicidade de fotografar o grande objeto de uma distância de 30 metros.

Voltando aos Estados Unidos, tentou organizar uma expedição para o local, mas não recebeu apoio algum, nem despertou qualquer interesse na classe científica. Essas fotos nunca foram vistas por ninguém, até o dia de sua morte.

Fernand Navarra  e  George Greene

 

 

c) Força Aérea Americana 

 

 

Era uma missão de rotina da Força Aérea Americana, em 1949. Achando a imagem um pouco estranha, a fotografaram há mais de 4 mil metros de altura, mas essas fotos não foram levadas a sério, sendo o assunto mantido em silêncio por mais de 50 anos, quando aumentaram os rumores sobre o assunto.

 

 

d) Porcher Taylor

 

 

Em 1993, um estudante especializado em satélites e diplomacia ficou curioso com as fotos de 1949, principalmente porque as comparou com outras tiradas de um avião de espionagem, e outras ainda tiradas pela CIA em 1973 por um satélite, além de outras em melhor definição tiradas pela CIA em 1976, 1990 e 1992. 

Devido às várias camadas de gelo no cume do Monte Ararate, as fotos ainda não conseguiam dar a nitidez desejada.

O acesso pessoal ao local é muito difícil para as expedições científicas, pois na maior parte do ano o monte está completamente tomado pela neve. Outro problema são os ataques por terroristas curdos, uma vez que a região está sempre tomada por fortes conflitos armados.

 

 

e)  Dr. Brandenburger

 

 

Em 1959, depois de um piloto turco ter fotografado o tal objeto com a forma de um barco, as fotos foram parar em Ohio, nos Estados Unidos, onde o Dr. Brandenburger, um expert em fotogrametria, concluiu, após minuciosos exames das fotografias: “Não tenho  dúvida nenhuma que é um barco. Em toda a minha carreira nunca tinha visto um objeto como este em uma fotografia aérea.”

Um exame no local, feito por uma equipe norte-americana, determinou que aquelas placas não eram de madeira com idade de 4.400 anos, encerrando os trabalhos com um dia de serviço, e declarando não haver interesse em continuar no projeto.

Foi ponderado, nessa oportunidade, que até a época do dilúvio ainda não havia acontecido chuva no mundo (Gênesis 2:5,6), o que poderia fazer com que as condições do mundo fossem diferentes das que possuímos agora. 

 

 

RON WYATT ASSUME A LIDERANÇA

 

 

Depois de ler um artigo publicado na revista LIFE sobre essa expedição, esse famoso arqueólogo resolveu visitar o tal sítio arqueológico em 1977. 

Nova expedição norte-americana foi formada, para visitar o sítio arqueológico, para estudar o grande objeto localizado a 6.300 pés acima do nível do mar, demasiadamente alto para ser os restos de um barco, mesmo que houvesse acontecido uma inundação local, pois estaria há mais de 200 milhas do mar mais próximo. As dimensões combinavam com aquelas mencionadas na Bíblia.

Apesar do desgaste e da erosão, o objeto encontrado apresentava fielmente o formato de um barco e uma angulação perceptível do que seria a proa de um grande navio.

Com o auxílio de um radar, a equipe consegue descobrir que o andar superior havia desabado, deixando a parte interior intacta, percebendo-se ali a presença de 144 quartos. Também apareciam claramente paredes, cavidades, uma porta frontal, rampas e grandes cisternas. Submetendo a madeira a testes de laboratório no Tennessee, chegaram à conclusão de que era madeira laminada petrificada. Os testes trouxeram uma certeza completa, de que se tratava de matéria viva, ou seja, de madeira.

Na foto abaixo, uma amostra verdadeira cortada da Arca de Noé por Ron Wyatt. Note que existem três camadas de madeiras laminadas, cobertas com resina.

Detectores auxiliaram na descoberta de muitos remanches de metal, formando linhas paralelas, horizontais e verticais, definindo claramente a figura de uma grande embarcação.  Testes apropriados confirmaram a idade desses metais, que seriam anterior ao dilúvio bíblico.

Por sinal, existe menção em Gênesis 4:22 a um artífice chamado Tubalcain, que trabalhava com fundição de metais antes do período diluviano. Testes com carbono 14 comprovam que a madeira era apropriada para uma grande embarcação. Veja na foto abaixo, um panorama de um lado da embarcação, feita de tábuas e troncos. 

 

 

ÃNCORAS DE PEDRA

 

 

As âncoras de pedra, conforme fotos abaixo, devem ter tido um papel importante na trajetória da Arca, durante o dilúvio. Elas explicariam o porquê da Arca não ter virado durante as agitadas ondas do mar. Poderiam ter servido como estabilizadores do grande barco, segundo afirmam engenheiros especializados em construção de embarcações

 

 

 

GOVERNO TURCO

 

 

O governo turco também tem enviado expedições para o sítio arqueológico, as quais encontraram quatro barras intactas de metal, sendo que cada barra tinha quatro pés de largura, aproximadamente, que estão agora em poder do Ministério das Minas e Minerais da Turquia.

O governo turco também determinou que esse sítio arqueológico seria, a partir dessas descobertas, oficialmente um parque nacional, declarando que são os restos da Arca de Noé.

 

 

FONTES DE PESQUISA

 

 

MONTEIRO JÚNIOR. Encontrada a Arca de Noé.  Postado em www.arqbib.atspace.com, acesso em 2011.

FERREIRA, Marcos Sabino. Dilúvio nas diversas culturas. Postado em marcossabinoferreira@gmail.com , acesso em 2011.

BRITANNICA ESCOLA ONLINE.  Dilúvio. Postado em escola.britannica.com.br, acesso em 06/11/2014.

 

 

AUTOR DA PESQUISA

Walmir Damiani Corrêa

Por: Walmir Damiani Corrêa

Publicado em 06/11/2014

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