Festas Juninas

 

FESTAS JUNINAS

 
 
 
 
 
 
 
PARTE I
INTRODUÇÃO
 
 
 
As chamadas Festas Juninas reúnem as homenagens aos principais santos reverenciados no mês de junho: Santo Antônio, São João e São Pedro, período marcado por brincadeiras dançantes, comidas típicas, muitas superstições e “simpatias”. Nesses eventos as pessoas gostam de se vestir de jeca, pintar os dentes para parecerem “banguelas”, etc.  A festa é um verdadeiro coquetel incluindo o profano, o religioso e até o folclórico.
 
Ao contrário do que muitos pensam o nome junino não se origina no apóstolo João, mas no evangelista João Batista, aquele que teve o privilégio de batizar a Jesus, nas águas do rio Jordão. Incialmente a comemoração era chamada de “Festa Joanina”, por causa do nome do santo, mas ao incluir outros santos (São Pedro e Santo Antônio) e também pelo fato de acontecer no mês de junho, começou a ser chamada de “Festa Junina”.
 
Como é difícil se precisar as origens dessa festividade, consideramos que vale a pena perder um tempinho para conhecer algumas possibilidades. Por outro lado, tentaremos mostrar que ela não tem nada a ver com os cristãos genuínos, uma vez que todas essas origens pesquisadas apontam para celebrações pagãs recheadas de sensualidade, permissividade, atitudes que não combinam com aquilo que as Sagradas Escrituras esperam de nós.
 
Você está achando que é exagero, que não teria nenhum problema frequentar igrejas Evangélicas e festas juninas ao mesmo tempo?  Pois garantimos que isso seria servir a dois senhores ao mesmo tempo (Mateus 6:24). 
Comece a ler, acompanhe nossa linha de pensamento, pois acabaremos nos encontrando nas “Considerações Finais” desta pesquisa, e só então vamos querer saber o que você continua pensando a respeito. Temos certeza de que no momento em que você estiver lendo a última parte deste estudo, nós já estaremos pensando da mesma forma. Acomode-se numa boa poltrona e tenha uma boa viagem!
 
 
 
PARTE II
ORIGEM GERAL
 
 
 
As origens mais remotas dessa movimentada festividade nos levam aos costumes pagãos da Idade Média, quando homenageavam a deuses mitológicos. A única certeza que temos é que porém todas afunilaram na atual “Festa Junina”, cristianizada pela Igreja Católica Romana, de modo a não criar incompatibilidade com as ideias contrárias. Na verdade, os papas católicos apenas substituíram essas divindades pagãs pelos santos que conhecemos até hoje. Os bons historiadores sabem como a Igreja Romana especializou-se na adoção de festas já existentes para transformá-las em festas católicas, não importando que viessem da Mitologia, do paganismo egípcio, grego ou romano. Imperadores, reis e papas de mãos dadas.
 
Antes de aprofundarmos nossas pesquisas, avisamos que nossa principal meta neste trabalho é esclarecer ao povo genuinamente evangélico que tipo de festa pode ser frequentada por eles. Vamos trilhar os caminhos do forró, vamos abrir as sanfonas, introduzir os baiões e outros ritmos característicos desses eventos, para descobrirmos no que vai dar.
 
 
 
 
 
2.1  AS CELEBRAÇÕES ANTIGAS 
 
 
 
A maioria da festas antigas celebravam as atividades ligadas à lavoura e à pecuária, principais atividades daquela época. Festejava-se a época da colheita, da preparação da terra, e assim por diante, mas sempre na pessoa de uma divindade pagã ligada ao evento. A mitologia, por exemplo, possuía um verdadeiro arsenal de deuses que patrocinavam as mais diferentes atividades, ofereciam proteção, etc. Sugerimos a leitura de uma pesquisa chamada “Mitologia Greco-romana”, neste site, que trata exaustivamente sobre esse assunto.
 
 
 
 
 
2.1.1  Soltício de Verão
 
 
 
 
Existe um período do ano na Europa, norte da África e no Oriente Médio, em que o dia e a noite possuem exatamente a mesma duração, recebendo o nome de “Solstício de Verão”. Na Antiguidade, esse fenômeno marcava a proximidade da colheita, momento em que o crescimento das plantações era observado com expectativa. Como o tempo no Hemisfério Norte se comporta ao contrário do nosso Hemisfério Sul, vale lembrar que esse período ocorre por volta do dia 21 de junho.
 
Nesse dia, aqueles povos antigos se reuniam para festejar o coroamento do seu trabalho no ano. Celtas, bretões, sardenhos, bascos, persas, egípcios, sírios e sumérios são exemplos desses povos que realizavam rituais de fertilidade, objetivando favorecer o crescimento da vegetação e a fartura das colheitas. 
 
É bom registrar que antes de Cristo os sacerdotes druidas da Grã-Bretanha já festejavam o deus Baal com fogos de artifício em 24 de junho. Para marcar bem a coincidência, lembramos que uma das maiores tradições da atual “Festa de São João” é a queima de fogos de artifício. Os duidas também não abriam mão de grandes fogueiras, nas suas comemorações, e a[o aestaria outra grande coincidência: a fogueira é um dos maiores símbolos das atuais festas juninas. Qualquer semelhança é mera coincidência.
 
 
 
2.1.2  Paganismo vira cristianismo
 
 
 
Dada a sua popularidade e tradição, essas festas não podiam simplesmente ser exterminadas pela Igreja, embora possuíssem uma essência iminentemente pagã. Registros históricos declaram que no século VI a Igreja mandou missionários até esses locais de festejos para estudá-los. Como resultado, não vendo outra solução, uniam-se aos mesmos, adaptando-os às suas exigências e realidade. Nesse caso específico, como o cristianismo comemorava a “Festa da São João” em 24 de junho, época do solstício, imaginaram que poderiam “entrar num acordo” e realizarem as duas festas juntas, mas com um título católico. 
 
Isso já tinha acontecido com as festividades pagãs ligadas ao natal e ao carnaval. Habilmente, da mesma forma como decretaram 25 de dezembro como o dia em que Jesus nasceu, não custaria nada decretarem 24 de junho como celebração do nascimento de João Batista. A decisão foi tão inteligente, que a data fecharia perfeitamente: A Bíblia registra que João Batista era primo em segundo-grau de Jesus, nascido seis meses antes do Messias (Lucas 1:26,36): 24 de Junho/ 25 de dezembro. Existe uma pesquisa sobre esse assunto, neste site, com o nome de “Natal – festa de dois hemisférios”. Vale a pena dar uma olhada na parte da data.
 
 
 
 
2.1.3  Salada junina
 
 
 
Rosane Volpato, num estudo realizado sobre esse assunto, mostra como as festas se misturaram, mas afirma que em muitos lugares continuaram mantendo a essência pagã. Mais uma vez se cumpre o ensino bíblico de que água e azeite não conseguem se misturar, mesmo que os homens queiram dar uma “ajudazinha”. 
 
Para que se entenda melhor essa explicação de Rosane Volpato, o livro “O ramo de Ouro” de James Frazer, conta que no início do século XX os sardenhos ainda plantavam os jardins do deus Adônis durante a festa do Soltício de Verão, embora já fosse conhecia como “Festa de São João”.  
Os povos antigos faziam rituais religiosos para controlar certos fatores que poderiam representar reveses em suas vidas. O tempo passou, os desvios foram se sucedendo e hoje em dia esses rituais aparecem, bem deturpados, em várias festividades cristãs. (DUBUGRAS, Elsie)
 
Essa mesma festa do Solstício, já com o nome de “Festa de São João” inclui a tradição das pessoas se banharem no mar, em nascentes de rios ou no sereno da noite, nesse dia. Se você duvida, registramos que em Nápoles existe uma igreja dedicada a São João Batista, mas com o nome adaptado de São João do Mar. Por quê?  Porque a crença antiga é que, banhando-se naquele dia, as pessoas se livrariam dos pecados.  É cristianismo ou é paganismo?
 
Vamos a mais um dado sobre essas encrencas pagãs ligadas à água, na noite do Soltício, mas que agora é chamada de “Festa de São João”. Nos Abruzos, acredita-se que a água possui qualidades benéficas nessa noite específica, enquanto que na Sicília tem uma gruta subterrânea com corrente d’água, ao lado de uma Igreja de São João, para que jos rituais possam ser mantidos. Na véspera da festa, as moças solteiras visitam a gruta para beberem da sua água “profética”, para saberem se conseguirão se casar naquele ano. As mulheres casadas, por sua vez, procuram saber se seus maridos lhes são fiéis. Aumentando ainda mais o paganismo, os enfermos acreditam que serão curados, caso se banhem nessa gruta.
 
 
 
2.2   FRIO E FOGUEIRAS
 
 
 
O pesquisador Eliomar Mazoco, presidente da Comissão Espírito-Santense de Folclore, apresenta uma possível origem para as festas juninas. 
Segundo ele, em épocas remotas, era comum realizar-se encontros ao redor de fogueiras no Hemisfério Norte, sendo que as pessoas se juntavam ali para se protegerem do frio. Mazoco afirma que aconteciam muitas danças, brincadeiras, desenvolviam-se hábitos culinários e gastronômicos. Tudo muito parecido com as características das atuais festas juninas.
Mais tarde, a Igreja teria se apropriado da ideia, incluindo outras simbologias e transformando esses encontros em festas religiosas. Nós não conseguimos descobrir as fontes dessas informações, mas são bastante parecidas com aquelas festas dos povos europeus do item anterior.
 
 
 
 
 
2.3  FESTA JUNINA NA MITOLOGIA?
 
 
 
O Prof. Wander de Lara Proença (Londrina/PR) vai fundo nas suas pesquisas sobre as origens das festas juninas, lembrando de uma festa existente na Grécia Antiga quando homenageavam a Dionínio (deus da alegria e do vinho), o mesmo que entre os romanos era chamado de deus Baco.
 
Nessa festa, realizada à noite, os gregos e romanos consumiam farta alimentação e bebidas, regadas a muita música, danças e com forte tendência à sensualidade. Nessa festa ocorriam adivinhações para casamento, prognóstico para o futuro e banhos coletivos de madrugada.
 
 
 
Chegando-se à época do Imperador Constantino, quando o Cristianismo assumiu a posição de religião oficial do Império Romano, e multidões aderiram à fé cristã sem quase nenhuma conversão espiritual, os antigos deuses foram sendo substituídos por “santos” (apóstolos e mártires) cristãos, transformando-se em padroeiros das cidades gregas e romanas, fato que se repete no mundo inteiro até os dias de hoje. 
 
Nessa época já existia um calendário eclesiástico que festejava acontecimentos memoráveis, como a Páscoa, passando a ser acrescido de outros eventos como o dia da morte daquelas pessoas que foram martirizadas pelas perseguições do Império Romano. As homenagens aos apóstolo Pedro e a João Batista (primo de Jesus) começaram nessa época.  
 
 
 
2.4  FESTA JUNINA EGÍPCIA?
 
 
 
Outra teoria dá conta de registros que em épocas anteriores ao Cristianismo existiram festas semelhantes àquelas que celebravam o início da colheita, cultuando os deuses do sol e da fertilidade. Pelas influências do Império Romano, as essências dessa festa foram sendo copiadas pelo continente europeu, principalmente na Espanha e em Portugal. 
 
 
 
2.5  FESTA JUNINA FRANCESA?
 
 
 
Uma última teoria que vamos citar é a que as festas juninas se originaram de festas realizadas na região onde hoje existe e França. Isso já é por volta do século XII, também celebrando o solstício de verão (junho), marcando o início das colheitas.  
 
Também aqui se conta que aos poucos a tradição foi sendo absorvida pelo cristianismo europeu e, depois, transmitidas ao Novo Mundo.
 
 
 
 
 
PARTE III
AS FESTAS JUNINAS ATUAIS NO MUNDO
 
 
 
Vamos agora nos concentrar em como essas celebrações continuam acontecendo no Século XXI, em alguns países, apenas para dar uma ideia do que se sucedeu.
 
 
 
3.1  POLÔNIA
 
 
 
As tradições das atuais festas juninas na Polônia estão associadas com as regiões da Pomerânia e Casúbia, comemoradas em 23 de junho, com o nome de “Noite de São João”.
 
A festa começa às 8 horas da manhã, atravessa o dia e termina na madrugada do outro. Se formos comparar com o estilo da festividade brasileira, as pessoas também usam fantasias, mas não de trajes camponeses, caipiras, mas vestimentas de piratas. De noite, fogueiras são acesas para marcar a celebração. 
 
Em Varsóvia e Cracóvia, duas importantes cidades polonesas, essa festa faz parte do calendário oficial do município.
 
 
 
3.2  RÚSSIA
 
 
 
O nome dado lá é “Festa de Ivan Kupala” (João Batista), sendo considerada a maior festa pagã no país, começando em 23 de junho e terminando em 06 de julho. Para variar, tudo tem a ver com a passagem do Solstício de Verão, em junho.
 
Com o tempo, essa festa foi absorvida pela Igreja Ortodoxa, parente próxima da Igreja Católica Romana, mas não perdendo o relacionamento pagão com o fogo, a água, a fertilidade e a autopurificação. No decorrer da festa, as moças russas buscam a sorte, colocando guirlandas de flores na água dos rios. Também é bastante tradicional pular sobre as chamas das fogueiras.
 
Assim, qualquer semelhança com as fogueiras brasileiras de São João também é mera coincidência.
 
 
 
3.3  SUÉCIA
 
 
 
As festas de junho na Suécia são chamadas de “Midsommarafton” estando entre as mais comentadas no mundo. É a festa nacional sueca, por excelência, sendo mais comemorada até do que o próprio Natal. As comemorações ocorrem entre os dias 20 e 26 de junho, sendo que a sexta-feira é o dia mais tradicional de festejos. 
 
Uma das características mais tradicionais são as danças em círculo, ao redor do “Majstângen”, que é um mastro colocado no centro da cidade ou aldeia. Quando o mastro é erguido, são atiradas flores e folhas.  Vale registrar aqui que tanto esse mastro usado na Suécia como o mastro usado nas festas juninas brasileiras têm origens dos povos germânicos.
 
 
 
 
 
3.4  FRANÇA
 
 
 
A “Fête de la Saint-Jean” é a que mais se assemelha às festas juninas brasileiras, começando pela data que é também 24 de junho.  A fogueira também é a característica mais importante, chamada de “Chavande” na região de Vosges. Embora sejam mantidas algumas tradições pagãs, essa festa francesa hoje é totalmente católica. Durante a festa, os participantes cotumam entoar vários cânticos tradicionais da época, vestindo-se como pessoas do interior. 
 
Por acontecer no início do verão europeu, é muito comum a presença de alimentos típicos da época, como morangos e batatas. Também são tradicionais as “simpatias”, sendo a mais famosa a das moças que constroem buquês de sete ou nove flores de espécies diferentes e colocam sob o travesseiro, na esperança de sonhar com o futuro marido. 
 
No passado, acreditava-se que as ervas colhidas durante esta festa seriam altamente poderosas, e a água das fontes dariam boa saúde. Também nesta época, decoram-se as casas com arranjos de folhas e flores, segundo a superstição, para trazer boa sorte.
 
É comum, durante esse feriado, as grandes cidades suecas, como Estocolmo e Gotemburgo tornarem-se desertas, pois as pessoas viajam para suas casas de veraneio na França, de modo a participarem da “Fête de la Saint-Jean”.
 
 
 
3.5  PORTUGAL
 
 
 
Em Portugal, é comum organizar-se arraiais, usando-se foguetes, assando-se sardinhas e oferecendo-se manjericos. Quando as marchas populares desfilam pelas ruas e avenidas, os participantes dão marteladas de brincadeira com martelinhos de plástico e alho porró nas cabeças das pessoas, principalmente nas crianças, e também nos rapazes que querem se meter com as moças solteiras.
 
 
 
 
PARTE IV
AS FESTAS JUNINAS NO BRASIL
 
 
 
 
Embora alguns considerem um exagero, há quem diga que as manifestações juninas chegaram ao Brasil já em 1500, com os passageiros que viajavam nas caravelas de Pedro Álvares Cabral.
 
De qualquer maneira, a pesquisadora Rosane Volpatto garante que os jesuítas trouxeram muitas crenças e costumes em suas bagagens, quando aqui chegaram. Segundo alguns cronistas da época, os padres jesuítas foram os primeiros a acender fogueiras e tochas para comemorar a “Festa de São João”, novidade muito bem aceita pelos nossos indígenas, pois isso remetia às suas danças sagradas ao redor do fogo. Como pessoas espertas, os padres jesuítas aproveitavam essas receptividades indígenas para estabelecerem os seus planos de aproximação à população local. 
 
 
 
 
 
4.1  UM COQUETEL DE CULTURAS
 
 
 
Uma visão atual desses eventos remete ao entendimento de que eles são a soma de contribuições culturais de vários povos, e não só do povo português. É por causa desse “coquetel de culturas” que o Brasil atrai tantos turistas para apreciarem as descontraídas festas juninas aqui existentes.
 
Para confirmarmos a contribuição portuguesa nessa tradição brasileira, a história registra que desde o século XIII a comemoração portuguesa a São João era chamada de “Festa Joanina", incluindo os santos Antônio (13 de junho), João (24 de junho) e Pedro (29 de junho). Pelo fato das festas se realizarem em junho, os brasileiros adaptaram seu nome para JUNINA.
 
Sobre a “Dança da Quadrilha”, tão apreciada nessas festas, é uma dança francesa que tem suas raízes nas contra-danças inglesas (Country Dance), surgidas no final do século XVIII.  Trata-se de uma alegre apresentação dançante que desembarcou no Brasil com a família real portuguesa, em 1808. Só a alta sociedade da época se divertia em suas recepções ao som da dança da quadrilha. 
 
Com o tempo, esse modismo francês caiu nas graças do povo, deixando os salões aristocráticos para fazer mparte das festas populares. Surgiram, então, as variantes no interior do país, como a “Quadrilha Caipira”. A quadrilha ainda hoje, é dançada no interior para homenagear os santos juninos e agradecer pelas boas colheitas da roça. O instrumento tradicional das quadrilhas é a sanfona.
 
 
 
A festa, de um modo geral, é oriunda da Europa e trazida pelos portugueses, ganhando força com a introdução de comidas e bebidas típicas brasileiras de inverno, como a rapadura, o quentão, a cocada, o milho, doces, etc.  Por tudo isso, ela logo foi incorporada aos costumes dos povos negros e indígenas do Brasil.
 
 
 
4.1.1  Sincretismo religioso
 
 
 
Além do fato dessas festividades terem se desenvolvido mais na zona rural, elas produziram um sincretismo religioso muito forte, atraindo a simpatia dos indígenas, negros africanos, e os colonizadores europeus. Esse sincretismo proporcionou a mescla da tradição cristã com as crenças e costumes indígenas e cultos africanos.
 
Por isso, repetimos, o uso de fogueiras e danças ao seu redor caiu tanto no gosto desses povos. Era normal assistir-se à travessia sobre o braseiro aceso, a presença de magias, supertições, etc. Veja o que pensava o escritor brasileiro Gilberto Freyre, quando escreveu seu famoso livro “Casa Grande e Senzala”, analisando o periodo colonial brasileiro.
 
As festas que fazem na noite ou na madrugada de São João, festejadas a foguetes, visam no Brasil, como em Portugal, a união dos sexos, o casamento, o amor que se deseja e não encontrou ainda (...) Santo Antônio, por exemplo, é um dos santos que mais encontramos associados às práticas de feitiçaria afrodisíaca no Brasil. É a imagem desse santo que frequentemente se pendura de cabeça para baixo dentro da cacimba ou do poço para que atenda às promessas o mais breve possível. (Gilberto Freyre)
 
 
 
 
 
 
4.3  AS FESTAS NORDESTINAS
 
 
 
 
As festas juninas brasileiras podem ser divididas em dois tipos distintos: as festas do Nordeste e as festas do Brasil Caipira, ou seja, nos estados de São Paulo, norte do Paraná, sul de Minas Gerais e Goiás. Assim, embora sejam comemoradas nos quatro cantos do Brasil, no Nordeste as festas ganham uma expressão maior. 
 
Os festejos ocorridos nas cidades pólos do Nordeste dão impulso à economia local. Nós podemos citar como as festas mais concorridas da região as de  Caruaru, Campina Grande, Mossoró, Maceió, Aracaju e Juazeiro do Norte. Logicamente, as festas também acontecem nas pequenas cidades nordestinas como Cruz das Almas, Ibicuí, Jequié e Euclides da Cunha, mas   Caruaru e Campina Grande disputam o título de “Maior São João do Mundo”, embora Caruaru esteja consolidada no Guinness Book com a categoria de “Festa Country” ao ar livre.
 
 
 
O desfile junino em Caruaru, na véspera de São João, chega a contar com a presença de dez mil figurantes, muitos carros alegóricos, carroças ornamentadas, quadrilhas tradicionais e estilizadas, grupos folclóricos, bacamarteiros, bandas de pífaro, tudo debaixo de um grande espetáculo pirotécnico. Entre esses figurantes também desfilam as entidades de classe, grupos escolares, instituições públicas em geral e comerciantes.
 
Como o mês de junho é o momento de se fazer homenagens aos três santos católicos: São João, São Pedro e Santo Antônio, e como o Nordeste é uma região onde a seca é um problema grave, os nordestinos aproveitam as festividades para agradecer as chuvas raras na região, que servem para manter a agricultura. 
 
Uma razão apontada para essa predileção nordestina pelas festas juninas é que a colonização portuguesa deixou uma herança cultural muito maior por lá, além das celebrações católicas do Natal, da Páscoa e outras. O mesmo não pode ser dito sobre o centro e o sul do país, pois a cultura sulista foi construída em cima dos costumes italianos e alemães, principalmente, além de costumes poloneses e japoneses.
 
Conforme carta do padre Fernão Cardin (1583), os padres jusuítas se utilizavam dessas festas para atrair a simpatia dos indígenas locais, de modo a conduzi-los à fé católica, pois eram muito ligados em danças ao redor do fogo. Veja o que ele registrou, ao mencionar as mais celebradas festas religiosas da nova terra: “A primeira é as fogueiras de São João, porque suas aldeias ardem em fogos, e para saltarem as fogueiras não os estorva a roupa.” 
 
O padre franciscano Frei Vicente de Salvador, um dos cronistas do Brasil, também deixou algo escrito sobre o gosto dos indígenas pelas festas envolvendo danças e fogueiras: “Acodem todos com muita vontade, nas festas em que há fogueira, como no dia de São João Batista”.
 
 
 
 
4.4  PARINTINS, A VERSÃO AMAZÔNICA 
 
 
 
Outra festa que está conseguindo destaque nacional e internacional, ultimamente, é a “Festa Junina de Parintins” no Amazonas, principalmente nos dias 28,29 e 30 de junho, na Ilha de Tupinambarama, distante 400 quilômetros de Manaus.
 
Dois grupos de boi-bumbá tomam conta da festa, chamados de “Boi Caprichoso” e “Boi Garantido”. Trata-se de um enorme espetáculo de cunho teatral, cada grupo apresentando alegorias com cerca de 15 metros de altura.
 
Os grupos, que possuem acima de dois mil figurantes, apresentam lendas da Amazônia encenadas por “tribos indígenas”, animais gigantescos, onças de fogo, tendo cada grupo um tempo de três horas para apresentar seu espetáculo.
 
 
 
 
 
4.5  A BANALIZAÇÃO DAS FESTAS JUNINAS
 
 
 
Na década de 1960, o Brasil experimentou um grande processo de êxodo rural, culminando com o superlotação das cidades, sendo que os costumes simples do campo não eram vistos com a pureza que eles possuíam na sua essência interiorana. Assim, as instituições escolares e religiosas encarregaram-se de tranformar essas celebrações religiosas em simples eventos folclóricos. 
 
Com exceção do Nordeste, no centro e no sul do Brasil essas festas passaram a ser consideradas como uma excelente fonte de renda para as instituições que as organizavam. A banalização está ficando tão séria, que é normal chegar-se num evento desses e não encontrar  a culinária típica junina (quentão, milho verde, rapadura, etc.) e nem a música ambiente tradicional (forró, baião, xaxado, etc.).  O que se vende é cerveja, coca-cola, hotdog, hambúrguer, a música ambiente passa a ser a que se usa nos bailões atuais, como axé, serteneja, rock music, funk, etc.
 
Quanto às festas da Região Nordeste, elas procuram manter aquela pegada antiga, mas com preocupações maiores nos resultados turísticos do que na própria diversão. O aparato nas decorações lembram mais o Carnaval Carioca do que uma “festa de interior”. É muito luxo!
 
 
 
 
 
 
PARTE V
BIOGRAFIA DOS SANTOS JUNINOS
 
 
 
 
Ante de comemtarmos sobre os santos celebrados em junho, valeria falarmos alguma coisa sobre o que seria realmente esse título que se chama de “santo”.
 
Segundo o Pr. Davi de Souza, da Comunidade Nova Aliança, de Londrina/PR, a partir da Idade Média, o calendário romano foi definitivamente adotado por toda a Igreja Católica ocidental, incluindo a celebração das festas dos “santos” e dos “mártires”. Daí surgiu o atual “Calendário dos santos da Igreja católica”, dedicando a Igreja Católica aproximadamente 42 dias do ano a algum santo. Vários grupos protestantes eliminaram completamente esse calendário religioso, celebrando apenas alguns eventos que consideram importantes, como o Natal, por exemplo.
 
No Antigo Testamento, a palavra hebraica mais usada para descrever SANTO (cerca de 116 vezes) foi “Qadosh”, que significa “separado”, enquanto que no Novo Testamento, a palavra grega para SANTO era “Ágios” (230 vezes de Mateus a Apocalipse), significando “separados pelo Senhor”. 
 
Por sinal, na Igreja Primitiva, criada por Jesus e pelos apóstolos, todos os crentes eram chamados de “santos” (At 9:13,32; 26:10; Rm 8:27; 12:13; 15:25,26, 1 Pedro 2:9; Ef 4:11,12)
 
Dentro do Catolicismo Romano, pessoas são decretadas como “santas” a partir de supostas atitudes e sofrimentos passados, milagres realizados, etc. São canonizados, e recomenda-se a veneração dos fiéis a essas pessoas, pois passariam a ser consideradas “mediadoras” e ‘intercessoras” entre esses fiéis e Deus, anulando o que diz 1 Timóteo 2:5 e Romanos 8:34 sobre Jesus Cristo ser o único mediador entre Deus e os homens. 
 
Vamos agora conhecer um pouco desses três santos anfitriões da concorrida festa junina brasileira: São João, São Pedro e Santo Antônio. 
 
 
 
 
 
5.1  SÃO JOÃO BATISTA (24 de junho)
 
 
 
 
Iniciando, precisamos alertar que esse SÃO JOÃO não é aquele apóstolo de Jesus, o mesmo que escreveu um dos quatro evangelhos. Esse João é filho de Zebedeu (Marcos 1:19,20)
 
Este SÃO JOÃO celebrado em junho é aquele que batizou Jesus no rio Jordão (Mateus 3), homem de características rudes, pois vivia no deserto, alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre, e usava vestes de couro de camelo.
 
Ele apareceu no deserto da Judéia, como um pregador, conclamando o povo ao arrependimento, dizendo que o reino dos céus estava próximo. A presença desse homem já havia sido protetizada por Isaías, 720 anos antes, dizendo que ele seria “a voz que clama no deserto, que viria preparar a vinda do Senhor.” (Isaías 4:3)
 
João Batista, após aconselhar aqueles que o procuravam, batizava-os nas águas do rio Jordão, mas sempre dizendo que viria outro após ele, que era muito mais poderoso, e que Aquele batizaria a todos com o Espírito Santo e não apenas com água. 
 
Ele não temia a ninguém, enquanto desempenhava seu ministério de conclamar a todos ao arrependimento. Ele chamava aos fariseus de “raça de víboras”. Ele foi citado por Jesus no capítulo 11 de Mateus, quando as pessoas queriam saber qual dos dois era o enviado dos céus.
 
Segundo a tradição, o Evangelista João Batista nasceu no dia 24 de junho e morto por decapitação em 29 de agosto do ano de 31, por ordem do Rei Herodes, conforme pode ser lido no capítulo 14 de Mateus.
 
 
 
5.1.1  João Batista era primo de Jesus
 
 
  
Lendo o primeiro capítulo do Evangelho de Lucas, conheceremos a história do nascimento de João Batista, filho de Isabel, que era prima-irmã de Maria, a mãe de Jesus. Dessa forma, Jesus e João eram primos em segundo grau.
 
Conta a tradição (e não a Bíblia) que Isabel morava numa colina e a única forma que tinha para comunicar à sua prima Maria de que dera luz ao seu filho, seria através de uma fogueira acesa. Por esse motivo, os povos costumam acender fogueira na ”Festa de São João”, como uma espécie de celebração. 
 
Quanto aos banhos de rio que as pessoas costumam ter à meia-noite de 23 de junho, nos sertões, é uma forma de celebrar o ministério de batismos de João Batista. 
 
 
 
5.2  SÃO PEDRO (29 de junho)
 
 
 
O Apóstolo Pedro teve presença marcante no início da Igreja Primitiva. Segundo a tradição, no ano de 67 ele foi perseguido pelo Imperador Nero, preso e condenado à morte por crucificação.  Relatos da época contam que Pedro não achava digno ser morto da mesma forma que o seu Mestre, implorando então que fosse crucificado de cabeça para baixo.  
Para se conhecer bem a Pedro, é preciso que se leia quase todo o Novo Testamento da Bíblia Sagrada, pois ele é fartamente citado em quase todos os livros. Sugerimos a pesquisa principalmente nos quarto evangelhos e no livro de Atos dos Apóstolos. Também sugerimos que se leia as três cartas dele, com os títulos de Primeira Pedro, Segunda Pedro e Terceira Pedro, já próximo ao final do Novo Testamento. 
Pescador de profissão, esse homem tornou-se apóstolo e acompanhou pessoalmente todos os atos da vida ministerial de Jesus. Também foi líder ativo no estabelecimento da Igreja Primitiva criada por Jesus Cristo. 
Ao contrário do que apregoa a Igreja Católica Romana, Pedro não foi o primeiro papa, teoria facilmente derrubada pelos próprios registros bíblicos. Ele também não é o “Porteiro do Céu” como a tradição católica também defende, uma teoria ridícula.
Segundo a tradição secular, ele foi crucificado no dia 29 de junho de 67, mesmo dia em que também é celebrada a festa desse santo até hoje. 
 
 
 
5.3  SANTO ANTÔNIO DE PÁDUA  (13 de junho)
 
 
 
Esse não tem nada a ver com os registros bíblicos, pois viveu muito depois. Nasceu em Portugal, de uma família tradicional lisboeta, sendo ordenado sacerdote aos 23 anos. Seu nome verdadeiro era Fernando de Bulhões.
 
Segundo a Igreja Católica Romana, ele começou a “fazer milagres” em solo africano e morreu na cidade italiana de Pádua, em 13 de junho de 1231, data que passou a ser usada para celebrar esse santo.
 
 
 
5.3.1  O Santo Casamenteiro
 
 
 
Santo Antônio de Pádua, além de mundialmente conhecido como o padroeiro dos casamentos, também é invocado pelos católicos para que se ache coisas perdidas e também como protetor militar nas guerras e conflitos armados.
 
É uma prática comum, no dia em sua homenagem, os jovens fazerem “simpatias” e "adivinhações" para conquistar o amor de alguém ou descobrir quando se irá casar. Não é à toa que escolheu-se 12 de junho, véspera do Dia de Santo Antônio, como data para celebrar-se o “Dia dos Namorados”.
 
A pesquisadora Rita Amaral, na sua tese de doutourado (USP), cita um trecho de sermão do Padre Antônio Vieira, (1656), divulgando os “maravilhosos poderes” desse santo, e em seguida um pronunciamento de Gilberto Freyre (1995):
 
 
Se vos adoece o filho, Santo Antonio; se vos foge o escravo, Santo Antônio; se mandais a encomenda, Santo Antônio; se esperais o retorno, Santo Antonio; se requereis o despacho, Santo Antônio; se aguardais a sentença, Santo Antônio; se perdeis a menor miudeza da vossa casa, Santo Antônio; e, talvez, se quereis os bens alheios, Santo Antônio. (Padre Antonio Vieira, apud Cascudo, 1969:128).

A escassez de portugueses na colônia sublinhou o valor do casamento ou mesmo da procriação (com ou sem o casamento), o que tornou populares os santos padroeiros do amor, da fertilidade, das uniões e instaurou uma grande tolerância para com toda espécie de reunião que resultasse no aumento da população no Brasil. Estes interesses abafaram não apenas os preconceitos morais, como os escrúpulos católicos de ortodoxia.  (Gilberto Freyre, 1995)
 
 
A crença de que Santo Antônio, se “devidamente” invocado, perturbado com pedidos de todo tipo e até mesmo “torturado”, arranja casamento mesmo para a mais sem graça das moças é muito difundida, e é esta a qualidade mais prezada do santo durante as festas juninas. 
 
 
 
 
5.3.2  As santas superstições
 
 
 
 
Como todo este nosso trabalho expõe situações engraçadas, esdrúxulas e até ridículas, não podemos nos furtar de relacionar uma série de lendas, curiosidades, costumes e superstições existentes em relação a essas comemorações juninas e aos seus “anfitriões”.
 
O relacionamento entre os devotos e os santos juninos é quase familiar, cheio de intimidades, chegando a ser, por vezes, irreverente, debochado e quase obsceno. Esse caráter fica bastante evidente quando se entra em contato com as simpatias, sortes, adivinhações e acalantos feitos a esses santos:
 
a)  Os foguetes que estouram no “Dia de São João” são para acordar o santo e para espantar os maus espíritos;
 
b)  O interessante é que as imagens desses três santos de junho são sérias, tristes, abatidas, desalentadas. Será que é por isso que se faz tanta festa e dança para eles?  É para animá-los? 
 
c)  A fogueira é acesa para proteger contra os maus espíritos, purificar o local e homenagear e agradecer aos santos;
 
d) O pau-de-sebo, também chamado de “Mastro de São João”, simboliza o desejo da fertilidade. Para isso as pessoas devem jogar cabelos, unhas e sementes sobre ele, como manifestação do desejo;
 
e)  À meia-noite da véspera dos dias 13, 24 e 29 deve-se tirar “sortes” do santo, em questões de amor, profissão, destino, etc. Aprenda como fazer isso:
 
SORTE NO NAMORO:  Planta-se um dente de alho com o nome da jovem ou do jovem de quem se gosta, escrito num papel. O dente do alho deve ficar para cima, junto com o papel. Diz a lenda que no dia seguinte, quando amanhece, se o alho estiver brotando é porque vai dar casamento. Se não brotar no dia seguinte, deve-se esperar mais um pouco.

SORTE DO PRATO D’ÁGUA:  Escreve-se os nomes dos pretendentes em pedaços de papel branco. Em seguida, pega-se todos os papeizinhos e os torce, bem torcidinhos. Disponha-os, então, num prato cheio de água. No dia seguinte, o papel que amanhecer aberto é o que tem o nome daquele que pode acabar em casamento.
 
 
f) Os objetos utilizados nas simpatias e adivinhações devem ser virgens, ou seja, usados pela primeira vez, senão a simpatia não funciona;  
 
g) Moças desejosas de se casar colocam uma imagem do Santo Antônio de cabeça para baixo atrás da porta ou dentro do poço ou enterram-no até o pescoço. Fazem o pedido e, enquanto não são atendidas, a imagem vai ficando por lá de cabeça para baixo;
 
h) Para arrumar namorado ou marido, basta atar uma fita vermelha e outra branca no braço da imagem de Santo Antônio, enquanto faz a ele o pedido. Rezar um Pai-Nosso e uma Salve-Rainha. Pendurar a imagem de cabeça para baixo sob a cama. Ela só deve ser desvirada quando a pessoa alcançar o pedido;
 
i)  Ir à igreja para receber o "pãozinho de Santo Antônio", no dia 13 de junho, dado gratuitamente pelos frades. Em troca, os fiéis costumam deixar ofertas. O pão, que é bento, deve ser deixado junto aos demais mantimentos para que estes não faltem jamais;
 
j)  No “Dia de Santo Antônio” é tradicional, em Lisboa, a cerimônia de casamento múltiplo, quando chegam a casar-se de 200 a 300 casais ao mesmo tempo.
 
 
 
 
PARTE VI
CARACTERÍSTICAS DAS FESTAS JUNINAS
 
 
 
 
Para participar da festa, o legal é caprichar no visual. Os rapazes devem usar chapéu de palha, camisa xadrez e calça com remendos coloridos, não podendo faltar um bigodinho. Para as meninas, vestido rodado, batom vermelho e bochechas rosadas dão o toque final.
 
Antigamente, porém, as festas juninas tinham prestígios na Corte Imperial, onde as mulheres usavam seus vestidos mais bonitos e rodados para participarem dessa comemoração.
 
Já o Nordeste brasileiro, comemora ruidosamente as “festas Juninas”, reunindo toda a comunidade e até turistas, com fartura de comida, quadrilhas, casamento de jeca e muito forró. Ainda é muito comum por lá a formação dos grupos festeiros, que ficam andando e cantando pelas ruas das cidades. À medida que vão passando pelas casas, os moradores deixam comidas e bebidas nas portas e janelas, de modo a serem degustadas pelos festeiros.
 
Nas regiões Sudeste e Sul são tradicionais as quermesses realizadas pelas igrejas, escolas e até empresas. As barraquinhas oferecem comidas típicas e jogos para animar os visitantes. A dança da quadrilha e o casamento de Jeca são o ponto alto das festas dessas regiões.
 
Como já dissemos anteriormente, não há como negar a influência de elementos culturais portugueses, alemães, espanhóis e franceses nessas festas brasileiras: quadrilha marcada da França, os fogos de artifício da China, dança das fitas de Portugal, etc. 
 
 
 
 
6.1  DANÇA DA QUADRILHA
 
 
 
 
Aí está uma das principais apresentações nas festas juninas, muito esperada pelas pessoas que comparecem às festas.  Essa “Quadrilha Caipira” que assistimos atualmente se origina das danças palacianas da França, na Europa medieval, como veremos a seguir.
 
Segundo o pesquisador Lula Gonzaga, citado no site www.recife.pe.gov.br, a “Quadrille” era originária das velhas danças populares das áreas rurais da Normandia e da Inglaterra, chegando ao Brasil através dos mestres franceses Milliet e Cavalier, como uma das danças de salão preferidas pela nobreza do século XVIII e XIX.
 
 
A quadrilha tornou-se uma das mais animadas danças de salão da Europa, nos Estados Unidos e no Brasil durante o século XIX. Esta dança palaciana teve gosto na França no século XVIII, sendo muito popular na era napoleônica. Foi registrada sua prática na Inglaterra em 1815 (Country Dance) e em Berlim em 1820. A data desta manifestação no Brasil foi possivelmente com a vinda da família real para cá, quando sua presença era notada em festas palacianas em várias comemorações e até no carnaval.

No Brasil, os grupos da elite imperial, que procuravam acompanhar o gosto europeu em termos de moda, leitura, danças, e até comida, trouxeram o costume daquele continente no início do século XIX. (Lula Gonzaga, pesquisador) 
 
 
 
Era considerada uma dança aristocrática, que servia para abrir os bailes da alta sociedade da Europa.  É muito comum ver-se em filmes de época os grupos de moças e rapazes dançando num salão, em festas suntuosas, com todo aquele requinte e respeito do século XVIII. Foi da “Dança da Quadrilha” que se originaram outras danças populares como “Cielito”, “Perico” e “Square dances”, conhecidas só em alguns lugares.
 
A “Quadrilha Caipira” ainda hoje é dançada nas cidades do interior, durante as festas juninas, sempre ao som de sanfonas. O interessante é que a apresentação é marcada por um mestre que vai gritando a troca dos passos, dos pares e assim por diante.
 
O detalhe é que essa marcação é gritada em francês:  “Anavantur”, “Anarriê”, “Travessê”, “Balancê”, “Sangê de Dame”, “Grand Chanê”, etc.  Além dessas marcações, existem outras em português, que foram sendo adaptadas, como “Passeio dos Namorados”, “Lá vem a chuva”, “Caminho da Roça”, “Olha o túnel”, “A grande serpente”, etc.
 
A fina dança típica, dançada aos pares, que celebrava casamentos da aristocracia européia, passou a ser usada em apresentações folclóricas caipiras, enquanto que os tecidos finos da nobreza francesa deram lugar à chita, tecido mais barato e acessível. O casamento, que falaremos mais tarde, passou a ser encenado por um grupo de pessoas ensaiadas.
 
 
 
 
6.2  CASAMENTO CAIPIRA
 
 
 
 
O “Casamento Caipira” também é chamado de “Casamento de Jeca”, funcionando como uma paródia às cerimônias tradicionais dos enlaces matrimoniais.  
 
Até os primeiros anos do século XX, nas regiões mais interioranas, os casamentos de verdade eram realizados ao redor da fogueira, na presença dos noivos, dos pais, padrinhos, pessoas da família e convidados. Devido ao número insuficiente de sacerdotes para atender às zonas rurais, essas cerimônias eram válidas até que um missionário passasse por aqueles lugares e, oficialmente, abençoasse a união. Daí, até hoje, o costume de se realizar o “casamento caipira” como parte das festividades de casamento.
 
A encenação não muda muito de enredo. O grupo normalmente chega ao local em grande cortejo pelas ruas da cidade, onde os principais personagens são os noivos, o padre, o delegado, os pais da noiva e do noivo, os padrinhos e alguns convidados. Como a noiva normalmente está grávida e o casamento é exigido pelos seus pais, o noivo tenta por todos os meios fugir da cerimônia, por isso é necessária a presença do delegado e até de policiais.
 
Depois que a cerimônias do casório se encerram, debaixo da autoridade do delegado, começam as comemorações, através da “Dança da Quadrilha”, da mesma forma como acontecia nos casamentos europeus. 
 
A quadrilha, hoje associada ao casamento matuto vai se transformando em um folguedo de natureza complexa. O casamento matuto é a representação onde os jovens debocham com muita liberdade e malícia da instituição do casamento, da severidade dos pais, do sexo pré-nupcial e suas consequências, do machismo, etc. Tal representação crítica acaba por reforçar os papéis sociais e os valores da moral tradicional.Um aspecto deve ser evidenciado — os festejos juninos são a festa da adolescência, e da juventude, talvez ainda como uma reminiscência dos ritos de fertilidade. (Roberto Benjamin)
 
 
 
 
 
 
6.3  FOGUEIRA
 
 
 
Assim como aconteceu a cristianização da árvore pagã "sempre verde" em árvore de natal, a fogueira do dia de "Midsummer" (24 de Junho) tornou-se, pouco a pouco, na Idade Média, um atributo da festa de São João Batista, o santo celebrado nesse mesmo dia. Ainda hoje, a fogueira de São João é o traço comum que une todas as festas européias de São João, da Estônia a Portugal, e da Finlândia à França.
 
Por falar em Finlândia, as fogueiras de São João são bastante populares por lá, onde parte da população passa esse dia no campo, locais que estão em festejos. Por causa do elevado consumo de bebidas alcoólicas nessas festas, a porcentagem de acidentes e intervenções policiais no São João finlandês é comparável às do Carnaval brasileiro.
 
De uma forma geral, pelo fato de se originar de cultos pagãos da Antiguidade, de homenagear divindades femininas, sempre com vistas para a fertilidade, a fogueira, sem dúvida alguma, está relacionada a simbolismos ocultistas (Deuteronômio 18:9-12).  Essas fogueiras sempre são acesas às 18 horas, momento em que os católicos convencionam chamar de a “Hora da Ave Maria”
 
 
 
 
 
6.3.1  Lenda católica
 
 
 
Como já mencionamos anteriormente, se dermos uma olhada no primeiro capítulo do Evangelho de Lucas, veremos ali a história do nascimento de João Batista, filho de Isabel e sobrinho de Maria, a mãe de Jesus. Assim, João Batista era primo em segundo grau de Jesus, nascendo seis meses antes d’Ele.
 
A Bíblia não fala nada disso, mas existe uma lenda católica de que Isabel teria mandado acender uma grande fogueira na colina onde morava, para que Maria, sua prima, pudesse saber que seu sobrinho havia nascido. É por isso, creem os católicos, que se costuma acender uma fogueira até hoje no dia em que se festeja o nascimento de São João Batista (24 de junho).
 
 
 
6.3.2  Brasas vivas
 
 
 
Como é comum acerder-se a fogueira na véspera do “Dia de São João”, em alguns lugares, seguindo a tradição, espalha-se brasas vivas pelo chão, montando um verdadeiro tapete ardente, por volta da meia-noite, nos primeiros minutos da data festiva. Nesse momento, os fieis testam a sua fé em São João Batista, passando por cima das brasas acesas. E fazem isso descalços! 
 
Na cidade de Bocaina/SP, essa tradição já existe há mais de 120 anos, e na última edição 17 pessoas passaram descalços por cima do tapete de brasas vivas. Segundo essas pessoas corajosas, os pés não ficam queimados.
 
As pessoas que hoje possuem mais de 60 anos cansaram de ouvir testemunhos de outras pessoas mais velhas que costumavam passar por essa experiência espetacular.
 
 
 
 
 
6.4  FOGOS DE ARTIFÍCIO
 
 
 
 
Quando se fala em fogos de artifício, estamos falando de um verdadeiro arsenal usado por crianças, adultos e até por instituições governamentais. Ali podem ser vistas as bombas, foguetes, bombinhas, espoletas, rojões, cabeça-de-negro, espada-de-fogo, traque, buscapé, cobrinha e outros. Um verdadeiro espetáculo pirotécnico. Segundo a tradição, todos esses fogos barulhentos servem para acordar São João Batista, que pode estar dormindo.
 
 
 
6.5  BALÕES 
 
 
 
Os balões constituem atualmente uma prática proibida por lei, devido ao risco de incêndio. Antigamente, esses balões serviam para avisar à população vizinha que a festa estava para começar. Eram soltos de cinco a sete balões de papel.
 
No mês de junho dos dias atuais, é comum ver-se nos noticiários de TV grupos de pessoas se organizando para soltarem seus balões nas comunidades do Rio de Janeiro. É um verdadeiro perigo, pois não dá para prever onde os balões cairão e, dependendo do lugar, podem provocar incêndios de calamidades incalculáveis. Os grupos costumam seguir seus balões, já no ar, tentando recuperar materiais do mesmo, após a queda.
 
Atualmente, esses balões são construídos de papel ou de plástrico, extravagantemente coloridos, e a beleza dos mesmos serve de competição entre os grupos das comunidades das favela cariocas.
 
 
 
 
 
6.6  PAU-DE-SEBO
 
 
 
 
Também chamado de “Mastro de São João”, trata-se de um poste arredondado, com aproximadamente 5 metros de altura. Ele é totalmente ensebado com óleo e gordura animal, e no seu topo podem ser colocadas três bandeirinhas que simbolizam os três santos celebrados em junho, ou uma cédula de dinheiro, que será o prêmio ao vencedor. De qualquer maneira, a pessoa que conseguir chegar ao topo ganhará um prêmio.
 
O mais engraçado de tudo é que os candidatos, ao tentarem subir pelo mastro, vão escorregando e caindo, sendo vítimas das gargalhadas de quem está assistindo. Saem dali totalmente sujos pelo sebo. Em Portugal, esse poste era chamado de “Mastro dos Santos Populares”.
 
A origem de uso desse poste é originalmente pagão, recebendo o nome de “Mastro de Maio”, ou “Árvore de Maio” e ainda acontece em algumas partes da Europa. Na Suécia, por exemplo, essa brincadeira recebe o nome de "Majstången".
 
 
 
 
 
6.7  MÚSICAS  JUNINAS  
 
 
 
Não é segredo para ninguém a facilidade que o povo brasileiro tem em se adaptar a situações novas. Existe até um título para essa coisa: “Jeitinho brasileiro”.
 
Nem procuramos saber que tipo de música era usado na Europa para as pessoas dançarem em redor das fogueiras, nos tempos antigos, mas isso não seria um problema para o Brasil, pois nós temos um rico cancioneiro, uma farta e diversa musicalidade, para que não venhamos a depender dos outros. 
 
 
 
6.7.1  Forró
 
 
 
Existem duas teorias para a origem do nome FORRÓ. Uma delas é que corresponda etimologicamente ao termo FORROBODÓ, que na linguagem nordestina significa festança, baile popular, concentração humana onde haja grande animação, fartura de comida, bebida e muita descontração. 
 
A segunda teoria menciona o tempo da Segunda Guerra Mundial, quando festas eram realizadas nas bases americanas do Nordeste. Como todo o povo costumava ser convidado para tais festas, os americanos diziam que a festença era FOR ALL (para todos).  Simplesmente teria havido uma adaptação dessa expressão inglesa para o português: FORRÓ.  É meiuo forte, mas vá lá!
 
Esse tipo de música é tocada à base de sanfona, de zabumba e de triângulo, conhecida também como “arrasta-pé”. Como o ritmo sofreu algumas variações, existem algumas bandas comerciais modernas que incorporaram o baixo eletrônico, a guitarra e a bateria às suas performances.
 
 
 
6.7.2   Baião
 
 
 
Acredita-se que a palavra baião tenha surgido de BAILÃO, fazendo alusão a um baile grande. Essa dança popular do século XIX permite a improvisação, sendo mais rápido do que o xote, o que a torna mais viva. A habilidade nos pés é maior, exigindo movimentos mais velozes dos dançarinos. Os passos são acompanhados por palmas, estalos de dedos e "umbigadas" e a marcação segue a musicalidade dos cocos e da sanfona.
 
Pode não ter sido o inventor, mas o maior divulgador do baião foi o cantor-sanfoneiro Luiz Gonzaga, da cidade de Exú, Pernambuco. Em 2012 o Brasil comemorou o centenário de seu nascimento.  
 
 
 
 
 
6.8  CULINÁRIA JUNINA
 
 
 
 
Mais uma vez o Nordesde não se faz de rogado diante das novidades que lhe aparecem. A festa européia chega e pretende ensinar o nordestino a comer os quitudes de diversas partes da Europa, da mesma forma como queria lhe ensinar a pular fogueira, soltar fogos, dançar, etc.
 
O Nordeste impôs sua própria culinária popular, e foi ficando tradicional participar-se das festas juninas comendo  milho verde, canjica, pipoca, carau, pinhão, bolo de cenoura, pamonha, broa de fubá, arroz doce, bolo de amendoim, batata doce, cuzcuz, bolo de milho, etc. Com o tempo, foram aparecendo também os doces como cocada, pé-de-moleque, quebra-queixo e bombocado. Hoje tem até hot-dog, para atender aos gostos mais modernos. Para beber, só quentão, bebida quente feita com vinho, aguardente, cravo-de-índia, canela em rama, gengibre, etc. Hoje, tem até cerveja e Coca-cola. Se alguém notou que o milho faz parte de quase todo o conjunto oferecido, é porque esse cereal é colhido nessa época do ano, na Região Nordestina.
 
 
 
 
 

PARTE VII
FOLCLORE OU RELIGIÃO?
 
 
 
 
Estamos chegando ao final da nossa pesquisa. Tentamos ser imparciais durante a exposição das nossas descobertas, apesar de fazermos algumas “piadinhas”, de vez em quanto, nos momentos em que certas aberrações eram comentadas, a respeito das tradições juninas.
 
Diante de tudo o que fomos registrando aqui, que é o retrato das divulgações dessas festas pela mídia, pelas escolas, pelas paróquias católicas, enfim, por todos aqueles que organizam essas comemorações de meio de ano, fica caracterizada uma página do folclore brasileiro, juntando danças, música, religião, culinária, enfim, um conjunto completo da cultura de um país. 
 
Porém, os evangélicos são alertados pelas Sagradas Escrituras a não se misturarem com coisas que tenham a aparência do mal, com chocarrices, com bebedeiras, com permissividades, enfim, não devem participar de celebrações a ídolos. Alguém, lendo esse parágrafo, pode já estar achando um exagero dizer-se que as “inocentes” festas juninas possuam tais ingredients antibíblicos.
 
Em toda a pesquisa apresentada não economizamos espaço para mencionar a origem de cada detalhe dessas festas, que não precisam ser repetidos aqui, costumes e práticas pagãs antigas, até de tempos antes de Jesus Cristo. Também foi bastante mencionado que a Igreja Católica, sempre política e prática, dava um jeitinho de absorver as práticas e costumes pagãos, cristianizando-os, ou seja, adaptando-os aos costumes do catolicismo romano. As coisas iam acontecendo por decreto papal. 
 
Se hoje as festas parecem homenagear a santinhos casamenteiros engraçadinhos, e outras coisinhas aparentemente inocentes, originalmente eram para homenagear a deuses mitológicos que foram trocando de nomes com os santinhos juninos. O Vaticano sempre usou de inteligência, para manipular as massas. 
 
 
 
 
7.1   EVANGÉLICOS DANÇANDO QUADRILHA
 
 
 
 
Atualmente, é comum algumas Igrejas Evangélicas realizarem eventos juninos, como se fosse mais uma escola da comunidade, mais uma igreja, mais uma prefeitura… Participam ativamente dessa tentative de “restauração da cultura popular”.
 
Está faltando aqui a inteligência e a esperteza do Vaticano, que mencionamos anteriormente. Enquanto o Vaticano ia manipulando pessoas para parecer que essas festas eram para celebrar “santos”, os evangélicos caem nessa esparrela e “entram na dança”.  
 
Nós, particularmente, já assistimos uma “Dança da Quadrilha” dançada pela mui digna mocidade da igreja. Todos vestidinhos de jeca, dançando, fazendo-se de bobos (como se matuto fosse bobo!), bigodinhos pintados a carvão…  Só não tinha quentão, pois “evangelico não toma bebida alcoólica”. Também não tinha fogueira.  Mas o resto, TINHA.  
 
Estamos cansados de ver adesivos em carros anunciando um “Arraial Gospel” na igreja tal, em tal dia. Repetimos: parece apenas mais uma escolinha da comunidade, mais uma igrejinha católica, mais uma prefeito fajuta querendo agradar aos seus conterrâneos. Falta inteligência! Falta perspicácia!
 
 
 
 
7.2  A ALEGRIA DO SENHOR É A NOSSA FORÇA
 
 
 
 
Neemias 8:10 afirma que a alegria do Senhor é a nossa força. O interessante é que em momento algum a Bíblia dnos orienta que procuremos por festas mundanas para que consigamos encontrar a tal alegria.  Temois aprendido que nossa alegria está em sabermos que temos um Deus que nos criou, que nos protege, que nos guia, e que um dia nos receberá de braços abertos, no céu.  Será que precisamos encontrar alguma alegria maior que essa?
 
Na verdade, com esse crescimento em massa do evangelho no Brasil, existe uma verdadeira luta nas igrejas para “ganhar” almas. Infelizmente, para poder encher as igrejas, certos líderes abrem mão de qualquer princípio, fecham os olhos para uma série de perigos e negociam qualquer coisa. Trazem as pessoas para a igreja e, ao invés de mostrar a elas a realidade da Salvação, uma saída do mundo, preferem “mundalizar” a igreja, para que as pessoas que chegam se sintam bem, não sintam saudade das coisas que ficaram para trás. Seria mais ou menos a situação de não permitir que os israelitas não sentissem falta das cebolinhas do Egito, enquanto viajavam pelo deserto em direção a Canaã. 
 
Que evangelho é esse? Que plano de Salvação é esse?  As discussões estão aumentando, alguns líderes cristãos estão se digladiando, de modo a defender seus princípios. Veja as opiniões de alguns pastores sobre esse assunto:
 
Este assunto já entrou no terreno das divergências emocionais, ultrapassando a discussão bíblica, mas deve ser analisado sob vários aspectos. O primeiro seria a ligação com a adoração aos “santos”, contraposta à condenação de qualquer atividade que esteja ligada à idolatria (Êxodo 20:3-4, Isaías 44 e 45). Qualquer tipo de festa que tenha por finalidade adorar alguém é condenável. Para o evangélico, santos são todos os que se converteram e aceitaram a Jesus Cristo como único Senhor e Salvador, dispostos a viver de acordo com os ensinamentos da Palavra escrita na Bíblia.   (Pr. Erasmo Vieira, Igreja Batista Morada de Camburi)
 
 
Esse pastor lembra que o povo de Israel promove algumas festas que nada têm de fundo religioso.  Na “Festa do Purim”, por exemplo, não se fala o nome de Deus, apesar de ter sido uma graça oferecida pelo Pai ao Seu povo. É um feriado judaico, no qual se festeja o livramento do povo judeu do plano de destruição de Amã, narrado no livro de Ester. No evento, o livro é lido publicamente, há distribuição de comida e dinheiro aos pobres, além de danças e pratos típicos. Mas existe um detalhe importante que o Pr. Erasmo não mencionou: em momento algum essa festa se originou de homenagens a deuses pagãos!  Sua motivação está totalmente voltada para a libertação do povo judeu das mãos de inimigos. 
 
Se formos comparar, teremos também o exemplo dos festejos do Natal, com tudo isso que vemos por aí, e que não poderemos entrar em detalhe agora. Tudo muito bonito, o menino Jesus nascendo, a manjedoura humilde, as magos, mas não podemos esquecer que a Igreja Católica camuflou com isso a antiga festa pagã da “Saturnália”, onde a permissividade sexual era total, comilança, etc. Tudo isso, do dia para a noite, se transformou no “espírito do natal”! Do que estamos participando, na verdade? Da festa pagã antiga, ou da adaptação sugerida pelo Vaticano?
 
Nosso pesquisador, o Pr. Erasmo, defende que existe um elemento de abertura para discutir as festas juninas separada do aspecto religioso, aspecto esse que quase não mais existe. Ele sugere que tentemos ver a festividade como coreografias folclóricas, quadrilhas, danças e comidas típicas da época da colheita do milho.
 
 
 
 
7.3  A OPINIÃO DA BÍBLIA SAGRADA
 
 
 
 
Usando uma expressão popular aqui do Sul do país, diríamos que essas coisas “não entram no gogó”.  Vejamos a opinião da Bíblia sobre tudo isso que comentamos até aqui.  Se alguém quer ficar contra o que  a própria Bíblia diz, então… 
 
 

7.3.1  Comer algo sacrificado a ídolos
 
 
 
Vários textos bíblicos podem ser usados como base para os cristãos evangélicos, mas a interpretação dada a eles é que vai fundamentar a decisão.  A Primeira Carta aos Coríntios, no capítulo 8, fala claramente sobre comer-se das coisas sacrificadas aos ídolos, mas diz também que o ídolo por si só não é nada, afirmando que a consciência do indivíduo é que se deixa contaminar. E veja o que diz a mesma carta: “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas me convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma”. (1 Coríntios 6:12)
 
Está aí o diferencial da liberdade cristã, permitindo ao homem viver no mundo sem se deixar governar espiritualmente por ele.  
 
O Pr. Júlio Cezar de Paula Brotto (Igreja Batista de Itacibá) entende assim essas coisas: 
 
 
Cada pessoa deve entender que tem competência para interpretar o que está dito na Bíblia e que, com a orientação do Espírito Santo, encontrará suas respostas pessoais. Porém, é de extrema importância que o membro de uma determinada igreja procure saber o que pensa a sua igreja e o seu pastor, para não criar constrangimentos nem para si mesmo, nem para os outros.
 
 
O Pr. José Vicente de Lima (Primeira Igreja Presbiteriana de Vila Velha/ES), acha que os evangélicos não deveriam participar desse tipo de festividade, e nem por isso sua atitude configuraria extremismo. Ele não concorda com essas alegações sobre folclore, caipira, etc. Para ele, “a mudança na configuração da festa não muda o mandamento do Senhor.”  Para ele, não seguir a esses princípios, é o mesmo que deixar de seguir ao Senhor. E conclui: “Os tempos são outros, mas a Bíblia é a mesma.”
 
Alguns podem até participar destas festas e não se deixar dominar, mas outros acabam incorrendo em erro.  Para não errar, o melhor seria não ir.  O senhor participou de festas, de casamentos sem com isso se contaminar, mas há festas e festas. (José Vicente de Lima)
 
 
Quando a cultura e a fé dialogam, a resposta para as dúvidas do cristão evangélico deve se firmar na Palavra e em uma fé inabalável, no aconselhamento com o próprio pastor, e com Deus. Como o crente tem a liberdade de dizer sim ou não (1 Coríntios 10:23), a liberdade cristã deve vir do conhecimento de Jesus e da Palavra que liberta (João 8:31.32). 
 
 
 
 
PARTE 8
CONSIDERAÇÕES FINAIS
 
 
 
 
Para encerrar, convém que alertemos nossos pais evangélicos sobre a proteção que a Constituição Brasileira nos dá sobre o que nossos filhos são obrigados a participar nos seus colégios.
 
É muito comum diretores despreparados motivarem seus professores a darem nota extra em determinadas disciplinas aos aluno que participarem das festas que trazem lucro para a instituição. Nada contra a motivação dos diritores em promover festas que tragam melhorias de funcionamento para o estabelecimento, mas eles não podem obrigar os alunos a participarem de algo que sua formação não permita, nem envolverem notas de participação em disciplinas escolares que nada tenham a ver com a realização dessas festas.
 
Nós, cristãos, podemos aceitar as manifestações populares, culturais, musicais e artísticas que representem a identidade de um povo ou de uma nação, desde que os nossos princípios inegociáveis da Verdade não sejam comprometidos, e que a nossa liberdade social não seja violada.
 
De acordo com o Planejamento Curricular Nacional, as instituições de ensino têm como dever preservar e transmitir valores culturais da nação, embora não tenham o direito de obrigar as crianças a participarem de qualquer manifestação. 
 
Como as crianças evangélicas podem passar por constrangimento, pelo fato de não participarem dessas festas com sincretismo religioso, é bom verificar a Proposta Pedagógica  da escola e deixar claro o posicionamento da família logo no início do ano letivo. Isso deve ser conversado com respeito entre pais, professores e pedagogos. Antecipadamente. 
 
No Capítulo II do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), estão previstos mecanismos de proteção. Os artigos 15, 16 e 17 preveem:
 
 
 
Art. 15 – A criança e o adolescente têm direito à liberdade, ao respeito e à dignidade como pessoas humanas em processo de desenvolvimento e como sujeitos de direitos civis, humanos e sociais garantidos na Constituição e nas leis;
Art. 16 – O direito à liberdade compreende os seguintes aspectos: (…) II – Opinião e expressão; III – Crença e culto religioso.
Art. – 17 O direito ao respeito consiste na inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral da criança e do adolescente, abrangendo a preservação da imagem, da identidade, da autonomia, dos valores, idéias e crenças, dos espaços e objetos pessoais.
 
 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
 
 
 
MELO, Edino. A Bíblia: religiões, seitas e heresias. Coleção Ferramenta, Vol. III. Campinas, Transcultural Editora, 2005.
 
SILVA, Milton Vieira da. Festas Populares e suas origens. Curitiba: Editora AD Santos, 2002.
 
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PROENÇA, Wander de Lara. Origens históricas e culturais da Festa Junina. Pesquisa do site www.ejesus.com.br. 
 
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VOLPATTO, Rosane. Dos deuses pagãos a São João Batista.  Pesquisado no site www.slideshare.net. em 07/12/2012. 
 
AMARAL, Rita. Festa à brasileira: sentidos do festejar no país que não é sério  Tese de doutourado em Anbtropologia Social. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, 1998.
 
www.recife.pe.gov.br .  Quadrilha Junina.  Pesquisado em 10/12/2012.
 
INSTITUTO DE PESQUISAS IMAGICK. O lado pagão das festas. Exibido em www.imagick.org.br/pagmag/themas2/LadoPagao.html . Pesquisado em 21/06/2015.
 
 
 

AUTOR DA PESQUISA
 
Walmir Damiani Corrêa

 

Por: Walmir Damiani Corrêa

Publicado em 23/06/2015

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