Montagem do Cânon Bíblico

 

MONTAGEM DO

CÂNON BÍBLICO

 

 

 

INTRODUÇÃO

 

Segundo os escritores Giesler e Nix, apesar da Bíblia Sagrada ser um dos livros mais antigos do mundo, continua sendo o bestseller mundial por excelência; mesmo sendo um produto originado do mundo oriental antigo, ela moldou o mundo ocidental moderno. Como se não bastasse, é o livro mais traduzido, o mais citado, o mais publicado e o que mais influência tem exercido em toda a história da humanidade.

A palavra Bíblia significa LIVRO e se origina do latim BIBLOS. É o conjunto de livros escritos por inspiração divina, nos quais Deus revela a Si mesmo e nos dá a conhecer o mistério da Sua vontade. Divide-se em duas grandes seções: ANTIGO TESTAMENTO, que contém a revelação feita por Deus ao Seu Povo (hebreus) e contando a história de Israel, e o NOVO TESTAMENTO, que contém a revelação feita diretamente por Jesus Cristo e transmitida pelos Seus Apóstolos e outros autores sagrados.

Vale registrar aqui que a palavra TESTAMENTO significa a mesma coisa que ALIANÇA. Como sabemos, Deus fez aliança com o Seu Povo e depois Jesus fez uma nova aliança.

Muita gente gosta de perguntar qual é a diferença entre os dois testamentos, entre as duas alianças. Agostinho declarou certa vez que “o Novo Testamento acha-se velado no Antigo, e que o Antigo encontra-se revelado no Novo.” Outros autores disseram a mesma coisa, mas em outras palavras: “O Novo Testamento está oculto no Antigo Testamento, enquanto que o Antigo está revelado no Novo Testamento.”  Se quisermos juntar as duas ideias, podemos chegar à seguinte conclusão: “Os crentes anteriores a Cristo olhavam adiante com grande expectativa, ao passo que os crentes de hoje veem em Cristo a concretização dos planos de Deus.”

Quando se fala em conhecer a Bíblia, entra em cena a palavra SABEDORIA, e assim aproveitamos para explicar que ser sábio é muito mais do que ter conhecimento. Apesar da maioria dos cristãos conhecerem a Bíblia Sagrada, somente aqueles que colocam este conhecimento em prática é que verdadeiramente são sábios. Veja o que Spurgeon fala sobre isso:

Sabedoria é o correto uso do conhecimento. Conhecer não é ser sábio. Há muitos homens que possuem grande soma de conhecimento, e são, não obstante, os maiores tolos. Saber como usar o conhecimento, isto sim é sabedoria.”  (Charles Haddison Spurgeon)

Apesar do tempo, a Bíblia continua a manter a sua forma original e, com certeza, é a mão do Senhor que mantém essa preservação. É um livro específico para o povo de Deus, pois o ímpio a encara como mais uma literatura, não dando a devida credibilidade às suas informações. É um livro de fé para um povo de fé.

Explicá-la, é praticamente desnecessário; entendê-la, não depende de uma boa formação cultural, de sabedoria, ou mesmo do domínio da língua original. Na verdade, apenas devemos aceitar os seus princípios, sem questioná-los! É a única fonte reveladora de Deus, da Sua vontade e dos Seus propósitos para os Seus filhos. Aqueles que pretendem viver em comunhão com o Eterno, precisam conhecê-la e meditar nas suas verdades.

Nosso estudo pretende pesquisar sobre como se chegou à estrutura atual da Bíblia Sagrada, desde as formas mais rudimentares até as luxuosas encadernações de hoje. O que se sabe é que no início os livros que compõem a Bíblia eram separados, escritos à mão em pergaminhos, papiros e outros artigos naturais, depois eram enrolados e guardados em jarros de barro, para que não sofressem destruição pelo tempo.

Depois, estaremos falando sobre Cânon Bíblico, expressão usada pela primeira vez por Atanásio, o Bispo de Alexandria, quando escrevia às Igrejas sobre o conteúdo do Novo Testamento. (307 d.C.).  Também falaremos das divisões entre o Antigo e o Novo Testamento.

 

CAPÍTULO I

Documentos Originais

 

A Bíblia toda é uma espécie de biblioteca que possui 66 livros, que foram escritos num período aproximado de 1.400 anos, envolvendo mais de 40 autores que viveram em épocas distintas e distantes uns dos outros. Conhecer o mais que pudermos, e praticar aquilo que nela aprendemos, fará de nós soldados mais prontos, mais equipados para os confrontos e as vicissitudes desta vida.

 

1.1  Antigo Testamento

 

O que se sabe é que os originais do Antigo Testamento e suas primeiras cópias foram escritas em pergaminhos ou papiro, desde o tempo de Moisés (1450 a.C.) até Malaquias (400 a.C.).

Até as sensacionais descobertas dos rolos nas cavernas do Mar Morto (1947) ainda não se possuía cópias do Antigo Testamento anteriores a 895 d.C. Até aí os massoretas (tradicionalistas) transcreviam as cópias entre 600 a 950 d.C. padronizando com exatidão as cópias que faziam.

Essas descobertas do Mar Morto trouxeram à luz um texto hebraico datado do século II a.C. de todos os livros do Antigo Testamento, menos Ester. Isso forneceu um instrumento muito mais antigo para verificar-se a exatidão do texto massorético, comprovando-se extremamente exato.

Outros instrumentos antigos de verificação do texto hebraico incluem a “Septuaginta” (tradução grega feita no século III a.C., os targuns aramaicos (paráfrases e citações do Antigo Testamento), citações em autores cristãos da Antiguidade, a tradução latina de Jerônimo, a “Vulgata” (400 d.C.), feita diretamente do texto hebraico corrente em sua época. Todas essas fontes nos asseguram um texto extremamente exato do Antigo Testamento.

 

1.2  Novo Testamento

 

Quanto à montagem do Novo Testamento, ela começou no mesmo processo utilizado com os livros do Antigo Testamento, só que usando as experiências anteriores.

As cartas apostólicas eram mandadas para as Igrejas distantes, enquanto outros autores se encarregavam de registrar tudo que acontecia no início da Igreja Primitiva. Tudo isso foi sendo juntado cuidadosamente, desde os evangelhos, as cartas, os registros históricos e o livro da Revelação, Apocalipse, o último a ser escrito, sem dúvida, aproximadamente em 95 d.C.

Acredita-se que o primeiro livro escrito foi a carta de Tiago, provavelmente antes do ano 49 a.C. e o último, sem dúvida, foi Apocalipse, aproximadamente em 95 d.C. O processo todo demorou mais ou menos 400 anos.

 

CAPÍTULO II  

A Questão canônica

 

A palavra CÂNON se deriva do grego kanõn, significando CANA, RÉGUA, que por sua vez se origina do hebraico kaneh, que significa “vara ou cana de medir” (Ezequiel 40:3).  Esse nome é dado ao conjunto de livros inspirados e aceitos para servirem como regra de fé e prática, ou seja, os livros de Escrituras Sagradas (Bíblia). 

Os livros bíblicos, para poderem pertencer ao cânon, precisam ser “medidos”, ou seja, avaliados. Se eles passassem nas “medidas”, de acordo com certos padrões prefixados, eles poderiam ser incorporados ao cânon.  É preciso que se diga que as medidas usadas para a formação do Antigo e do Novo Testamento foram diferenciadas. Veremos isso depois.

 

2.1  Comprovação da Inspiração

 

Este tem sido um verdadeiro desafio na vida dos cristãos: provar que a Bíblia foi inspirada por Deus. Visto que as Escrituras são firmadas nos alicerces da fé em Cristo, vem sobre os ombros dos apologistas cristãos a tarefa de apresentar evidências dessa inspiração divina. 

A primeira reflexão a ser feita é que não estamos falando de inspiração poética, mas de uma autoridade dada por Deus aos Seus ensinos, que formam e norteiam o pensamento e a vida do crente. Essa inspiração fala do sopro de Deus, de sussurros do Espírito Santo nos ouvidos dos profetas. Esses escritos são revestidos de autoridade divina (2 Timóteo 3:16,17). É resultado de um fenômeno sobrenatural.

Se analisarmos a cultura da maioria dos autores bíblicos, veremos ali pescadores, boiadeiros, agricultores, pastores de animais, médicos, cobradores de impostos, enfim, todo tipo de gente. Será que todos eles possuíam preparo suficiente para “criarem” esses livros que hoje forma a Bíblia Sagrada? Deus inspirou os textos dados a esses homens, mas não modificou o estilo de vida de cada uma dessas pessoas. Pedro explica as coisas de Deus exemplificando com pescarias, enquanto Amós fazia isso usando bois e vacas como parâmetro. Vai por aí...

Quem sabe vamos refletir um pouco sobre a unidade de pensamento e da defesa dos mesmos princípios que existe em todos os livros da Bíblia...  Como é que pode um camponês do Antigo Testamento refletir a mesma ideia do profundíssimo Paulo do Novo Testamento!!!  E veja que distância de tempo e de lugar de vida existe entre esses personagens!  Não há contradição em todo o corpo da Bíblia!

Embora não possamos nos aprofundar o quanto gostaríamos neste assunto, mas pensamos ser bastante lógica as afirmações de que os autores tenham sido inspirados. Não haveria como as doutrinas ali pregadas serem tiradas da própria inteligência desses homens incultos e semianalfabetos, na sua maioria. São 66 livros escritos durante 1.400 anos aproximadamente, por cerca de 40 pessoas diferentes, em línguas diferentes, com tópicos diferentes... Como pode existir essa espantosa unidade temática do começo ao fim?  

Alguém sugeriu, um dia, que a Globo contratasse 40 autores para uma mesma novela: um alemão, um francês, italiano, brasileiro, holandês, e assim por diante, sem preocupação com cultura ou nível escolar. Sem permitir que eles mantivessem qualquer contato, cada um deveria escrever um pedaço de uma história que lhe viesse à cabeça. No final, a Globo recolheria esses “pedaços”, juntaria e montaria a próxima novela das nove. (!!!???!!!)  Com certeza, toda essa unidade bíblica demonstra que a ela veio de fora, de algum lugar longe do alcance dos seus autores humanos.

Também há quem diga que a Bíblia inteira é unificada por um problema (pecado) e por uma solução (Jesus). 

 

2.2  Cânon do Antigo Testamento

 

Chegou um momento da história em que os livros inspirados deveriam fazer parte de uma coleção, de um cânon, para que pudessem ser apontados como livros autênticos, confiáveis, regras de fé, como se disse acima. A Igreja precisava ter competência espiritual para fazer isso, reunindo as autoridades representativas da época, para julgarem as duvidas.

O mesmo Espírito Santo que inspirou os escritores dos livros sagrados, inspirou também as pessoas encarregadas de organizarem o cânon bíblico, ou seja, a seleção dos livros inspirados.  Para se ter ideia da morosidade desse trabalho, o cânon do Antigo Testamento só pode ser concluído no ano 90 d.C., em Jânia, na Palestina.

 

2.1.1  Os judeus e os livros inspirados

 

O povo judeu, antes de Jesus, já fazia distinção entre livros inspirados e não inspirados. Na época em que estavam escravizados na Babilônia e Assíria, os judeus só consideravam como inspirados os escritos sobre a Lei de Moisés.  Moisés guardou os livros da Lei junto da Arca da Aliança (Deuteronômio 31:26), o mesmo acontecendo com Josué (Josué 24:26).  Se lermos Isaías 34:16 veremos falar ali do “Livro do Senhor”, cujo conteúdo era uma coletânea de profecias. Também foi acrescentado.

Depois de setenta anos no cativeiro babilônico, os judeus abandonaram suas práticas de idolatria, voltaram a se interessar pela sua religião e colecionar os livros que reconheciam como “inspirados”. Esdras ajudou muito nessa busca dos livros (Esdras 7:6-10).

O último livro a ser acrescentado à Bíblia Hebraica foi Malaquias, considerado como “Selo dos Profetas”.  Mas tarde, foram juntados os livros chamados de “Escritos”. 

Ao lermos os Evangelhos do Novo Testamento, é normal ver-se Jesus e Seus apóstolos mencionarem o cânon do Antigo Testamento, usando expressões como “As Escrituras”, “Os Escritos”, “A Lei”, “Os profetas”, “Os Salmos”, etc.

 

2.1.2  Métodos utilizados

 

A primeira questão a ser tratada aqui é como foram conduzidas as provas de autenticidade dos livros existentes, de modo a se constatar quais livros eram realmente inspirados pelo Espírito Santo, e quais eram apenas seculares, históricos, pois a partir daí  esses livros passariam a ser a regra de fé para os crentes.

O primeiro passo foi formar a Bíblia Hebraica, processo complicado que deve ter se prolongado por vários séculos da história. 

a) Inicialmente a revelação de Deus aos hebreus era transmitida oralmente, através dos profetas. Esses pronunciamentos eram transmitidos às gerações seguintes como sendo a ”Palavra do Senhor” na forma oral, de boca em boca, de pai para filho. 

b) Palavras e discursos divinamente inspirados passaram a ser registrados na forma escrita pela comunidade hebraica, Fe forma que essas palavras fossem preservadas.

c) Os Salmos, por exemplo, foram sendo reunidos por quase 500 anos. Esses acervos representavam valor, importância e autoridade para a vida religiosa da comunidade.

d) Embora não esteja claro como ocorreu a seleção dos textos existentes. Porém, pode-se afirmar que o consenso bíblico entre os líderes religiosos hebreus era orientado pelo Espírito Santo de Deus. 

 

2.1.3  Autenticidade dos livros

 

No momento em que era escrito, o livro já era julgado como autêntico ou não. Sendo juntados, com o tempo, esses livros autenticamente inspirados passavam a fazer parte do cânon hoje chamado de Bíblia.  Metodologia empregada:

a) Autor: A primeira coisa a ser julgada era a autoridade do autor do livro, e a autoridade do líder israelita, no Antigo Testamento. No caso dos livros do Novo Testamento, ele deveria ser escrito ou influenciado por um dos apóstolos. Podemos citar o caso de Marcos, que foi apoiado por Pedro, e de Lucas, que foi apoiado por Paulo. 

b) Inspiração do Espírito Santo:  O próprio livro precisaria dar uma prova cabal da sua inspiração divina. Seu conteúdo deveria demonstrar algo de diferente de qualquer outro livro, pelo fato de estar comunicando a revelação de Deus.

c) Universalidade: As Igrejas da época eram chamadas para dar o veredito sobre a canonicidade do livro em julgamento. Surpreendentemente, sempre houve unanimidade de opinião, o que prova a presença do Espírito de Deus nesse negócio. Sempre que um livro apresentasse questionamento de um grande número de Igrejas, ele não era aceito.

Há quem afirme que na época de Esdras (5 a.C.) todos os livros do Antigo Testamento já estavam reconhecidos e colecionados. Já o escritor Flávio Josefo afirmava em 95 d.C. o cânon completo com os 39 livros do Novo Testamento. 

 

2.1.4   Divisão da Bíblia Hebraica

 

Antes de encerrar este capítulo, vamos ver como os judeus separaram os diversos livros do Antigo Testamento, para comporem a sua Bíblia Hebraica, a original, a primeira:

a) Pentateuco ou Torá: Esses livros eram conhecidos como a Lei Judaica, a Lei de Moisés: Gênesis, Êxodo, Levíticos, Números e Deuteronômio;

b) Profetas: Os profetas anteriores foram Josué, Juízes, Samuel e Reis, enquanto que os profetas posteriores eram Isaías, Jeremias, Ezequiel e os 12 profetas menores;

c) Escritos: São os livros escritos pelos autores inspirados por Deus, embora não fossem profetas: Salmos, Provérbios, Jó, (poéticos), Cântico dos cânticos, Rute, Lamentações, Ester  e Eclesiastes (rolos), Daniel, Esdras, Neemias e Crônicas (históricos).

 

2.1.5  Divisão do Antigo Testamento

 

A nova divisão dos livros antes de Jesus Cristo só foi feita depois da Sua ascensão. 

a) Lei: Também conhecidos como o Pentateuco, ali se encontram as principais leis de Deus ao povo de Israel, através de Moisés: Gênesis, Êxodo, Levíticos, Números e Deuteronômio. (5 livros)

b) Históricos: Narram a história de Israel até 400 anos antes do nascimento de Jesus: Josué, Juízes, Rute, 1 Samuel, 2 Samuel, 1 Reis, 2 Reis, 1 Crônicas, 2 Crônicas, Esdras, Neemias e Ester. (12 livros)

c) Poéticos: Livros escritos em forma de poesia sem métrica e sem rimas, embora tivessem ritmo e paralelismos: Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes, Cântico dos cânticos.  (5 livros)

d) Profetas Maiores: São os livros proféticos mais longos: Isaías, Jeremias, Lamentações, Ezequiel, e Daniel. (5 livros)

e) Profetas Menores: São os livros proféticos mais curtos: Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias. (12 livros)

 

2.2  Cânon do Novo Testamento

 

Durante a presença de Jesus por este mundo, tanto Ele como Seus seguidores seguiam os escritos do Antigo Testamento. Com a Sua ascensão aos céus, começaram a ser escritos os evangelhos, enquanto outros se ocupavam em registrar as principais atividades de alguns dos apóstolos, como Pedro e Paulo, que resultou no livro de “Atos dos Apóstolos”, tudo escrito em grego, a língua oficial daquele tempo e daquela região. 

O crescimento dos trabalhos, inclusive com igrejas bem distantes, exigia que muitos dos contatos acontecessem por CARTAS que, ao serem recebidas, eram lidas pela liderança para todos os cristãos locais. Funcionavam como uma espécie de tratado, cheias de orientações espirituais práticas, como se fossem um livro. Cada vez que um problema exigia uma orientação, elas eram buscadas nessas cartas.  

Pela importância que o conteúdo dessas cartas representava, logo de deduz a urgência em reuni-las num só documento, ou seja, num cânon. Começava a ser montado o Novo Testamento, trabalho que demorou aproximadamente 400 anos.  

 

2.2.1  Escolha dos livros inspirados

 

Diante da necessidade de montar um cânon do Novo Testamento, algumas pessoas quiseram arrogar-se o direito de julgarem quais livros eram inspirados e que deveriam fazer parte dessa coleção. Um deles foi Marcião, um líder religioso que não suportava qualquer interferência ou influência judaica no cristianismo. Chegou a defender a retirada de alguns capítulos da epístola de Paulo aos Romanos. Com suas ideias extremistas, ele acabaria por suprimir muita comunicação inspirada pelo Espírito Santo.

Um dos motivos que apressaria esse trabalho da Igreja foi o Édito do Imperador Diocleciano (300 d.C.) que ordenara a queima de todos os escritos cristãos que fossem encontrados. Sob pressão, apressados, os líderes da Igreja Primitiva tiveram que criar uma metodologia de julgamento, tudo sob a orientação do Espírito Santo:

a) Autoria: O autor teria que ser um apóstolo ou seja, uma pessoa que tivesse convivido com Jesus, ou uma pessoa que tivesse convivido com um desses apóstolos, como Marcos, que recebera orientação de Pedro, e como Lucas, que foi discípulo de Paulo;

b) Universalidade: O livro deveria ser aceito pelas Igrejas de todos os lugares. Hebreus foi um dos livros que mais requereram discussão;

c) Inspiração do Espírito Santo: Era o filtro mais importante de todos. O conteúdo do livro deveria apresentar evidências claras de ter sido divinamente inspirado. Como a inspiração é sentida e não demonstrada, logo se conclui o que deve ter surgido de discussões a respeito desse item. Até hoje, o catolicismo valoriza alguns escritos da época apostólica, mas o mundo evangélico não concorda com essas teorias.

 

2.2.2  Originais existentes

 

Existem mais de cinco mil manuscritos do Novo Testamento ainda hoje, o que o torna muito mais documentado do que os escritos antigos.

Muitas dessas cópias pertencem a uma data bem próxima às originais. Estão preservados aproximadamente 75 fragmentos de papiro datados de 1325 d.C. até o século VIII, possuindo partes de 25 dos 27 livros, perfazendo um percentual de 40% do total dos textos.

Além disso, há cerca de 2.000 livretos de uso litúrgico contendo porções das Escrituras, mais de 86 mil citações do Novo Testamento nos escritos dos pais da Igreja, antigas traduções latinas, siríaca e egípcia, datadas do século III e, inclusive, a versão latina de Jerônimo. Todos esses dados, mais o trabalho feito pelos estudiosos da paleografia, arqueologia e crítica textual, nos asseguram possuirmos um texto exato e fidedigno no Novo Testamento.

 

2.2.3  Divisão do Novo Testamento

 

Essa é a divisão dos livros escritos a partir da passagem de Jesus Cristo por este mundo. 

a) Evangelhos: Livros que relatam os passos de Jesus durante os três anos do Seu ministério terreno: Mateus, Marcos, Lucas e João. (4 livros)

b) Históricos: Apenas o livro de Atos dos Apóstolos pode ser considerado como histórico, narrando os passos dos apóstolos na divulgação do Evangelho de Jesus Cristo e das viagens missionárias dos Seus apóstolos e demais discípulos.

c) Epístolas: São as cartas que os apóstolos mandavam para as Igrejas, contendo orientações espirituais, ora elogiando o comportamento dos membros locais, ora exortando os descaminhos: Romanos, 1 Coríntios, 2 Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, 1 Tessalonicenses, 2 Tessalonicenses, 1 Timóteo, 2 timóteo, Tito, Filemon, Hebreus, Tiago, 1 Pedro, 2 Pedro, 1 João, 2 João, 3 João e Judas. (21 livros)

d) Proféticos: O único livro profético do Novo Testamento foi Apocalipse, também chamado de “Livro das Revelações”. 

 

CAPÍTULO III    

Livros Apócrifos

 

Conforme demonstramos até aqui, foi muito cuidadoso e responsável o julgamento dos livros tanto na época do Antigo como do Novo Testamento. Todas as Igrejas existentes participavam do processo, sob a coordenação dos líderes maiores. Dessa forma, foram estabelecidos como divinamente inspirados um total de 66 livros, 39 na Bíblia Hebraica, mais 27 no Novo Testamento, a partir de Jesus Cristo. Nem os judeus antigos aceitaram esses livros.

Os demais livros sujeitos a julgamento não foram aprovados, passando a fazer parte da biblioteca universal, como preciosas compilações históricas de diversas épocas. Em momento algum está sendo julgada a importância desses livros, dentro dos objetivos a que se propuseram, apenas se está afirmando que eles não foram inspirados pelo Espírito Santo.

Como se sabe, o Antigo Testamento foi escrito praticamente todo na língua hebraica e alguma coisa em aramaico. Entre o II e o III século a.C. todos os seus livros foram traduzidos para a língua grega, tradução que recebeu o nome de “Septuaginta”, sendo que os responsáveis resolveram incluir os livros apócrifos. 

Jerônimo (340-420 d.C.) fez uma tradução para o Latim, que recebeu o nome de “Vulgata” repetindo o mesmo erro cometido anteriormente por autores da “Septuaginta”.  Embora o Concílio de Trento (1548) tenha reconhecido esses livros como canônicos, isso entrou em choque com os reformadores, que não aceitaram tal autoritarismo, tanto que em edições dos séculos XVI e XVII os apócrifos foram colocados à parte.

 

3.1  Conteúdo dos livros

 

Para que se entenda melhor como essa seleção era feita, procuraremos, a seguir, trazer algumas informações da metodologia de julgamento dos livros, inclusive fazendo uma crítica literária espiritual sobre cada um dos 7 livros apócrifos que a Igreja Católica Romana decidiu incluir no cânon do Antigo Testamento. 

a) Tobias

O livro de Tobias não passa de um conto moral, contando a história da vida de Tobias, cujo pai era cego. Um dia, ele teria sido levado por um anjo para tornar-se o oitavo marido de uma mulher cujos sete primeiros maridos morreram no dia do casamento, obra de um mau espírito. Para se proteger desse mal, fez o que o anjo lhe mandou: queimou o fígado de um peixe, pois a fumaça espantaria o tal espírito homicida. E tem mais: quando Tobias esfregou o fel desse peixe nos olhos do seu pai, curou-o da cegueira.

Como se disse até agora, a principal barreira para um livro ser aceito no cânon bíblico, era o julgamento de que ele fora inspirado pelo Espírito Santo. Nós que não somos experts para julgar um negócio importante como esse, com toda a nossa inexperiência, logo notaremos que o conteúdo desse livro não tem nada a ver com os livros da Bíblia. É um amontoado de besteiras, tudo diferente do modus operandi das pessoas que eram usadas para fazer milagres. Afinal, existe alguma menção sobre esse Tobias em algum outro livro da Bíblia?

b) Judite

Esse segundo livro tem um perfil histórico, mas suas narrativas cometem erros absurdos de geografia e história, quando fala de lugares e de épocas específicas. Essa mulher  chamada Judite (valentona como Anita Garibaldi), decidiu  os  destinos  de  uma guerra contra os assírios, quando cortou a cabeça do comandante do exército inimigo. Conta o livro que Judite tinha “intimidades” com esse comandante, o que facilitou sua ação.

Vamos refletir um pouco sobre esse acontecimento: existe um relato no livro de Juízes onde Jael, uma viúva judia, acolhera em sua tenda o comandante Sísera, cujo exército estava sendo abatido. Quando Sísera dormia, Jael martelou uma estaca na fronte, matando o comandante. Será que essa história contada nesse livro de Judite, não teria sido copiada do capítulo 4 de Juízes?  Pelo menos, a narrativa desse livro de Judite é cheia de erros, e duvida-se que haja alguma verdade nele.

c) Sabedoria de Salomão

Este terceiro livro é um tratado de ética, que recomenda a sabedoria e a retidão e condena a iniquidade e a idolatria. Traz uma porção de conselhos para a vida e, como o próprio nome indica, o livro aconselha que se procure a verdadeira sabedoria para a solução de tudo. 

d) Eclesiástico

Favor não confundir com ECLESIASTES, aquele livro que vem logo após o livro de Provérbios. Esse livro apócrifo possui 51 capítulos e também trata da sabedoria. O autor desse livro foi um homem chamado Jesus, que era filho de Siraque.

Em alguns momentos este livro lembra os conteúdos do livro de Provérbios, de Eclesiastes e do livro de Jó. Este livro também é conhecido como “Sabedoria de Jesus, filho de Siraque”. 

e) Baruque

O livro de Baruque enfoca três partes distintas: a) confissão dos pecados de Israel e oração pedindo perdão a Deus; b) Exortação para Israel voltar à fonte da sabedoria; c) Promessa de livramento.

f) Macabeus I

O livro 1 Macabeus relata acontecimentos políticos, militares e os atos de heroísmo da família de levitas chamada Macabeus durante a guerra da independência judaica. Essa guerra teria acontecido dois séculos antes do nascimento de Jesus Cristo.

g) Macabeus II

O segundo livro de Macabeus resume a grande obra de Jason de Sirene, que conta sobre um período de catorze anos da história judaica, (175-161 a.C.). O relato é bastante fantasioso, chegando a prejudicar uma possível veracidade a respeito dos fatos narrados.

 

3.2  Julgamento

 

Todos os sete livros apócrifos mostram Deus como um ser transcendente, ou seja, superior a tudo o que existe.  O interessante é que os autores nunca tratam Deus pelo Seu nome, mas substituindo-o como “Reino do Céus” no lugar de “Reino de Deus”.  Também se utilizam de expressões como ”o que habita nos céus” para se referirem a Deus.

Não sabemos qual a intenção, mas sempre que Deus teria que intervir nos destinos do mundo, os autor de Macabeus afirma que são os anjos quem fazem isso. No Antigo Testamento, é normal vermos Deus ser chamado de “Guerreiro” ao lado de Israel, mas Macabeus II só mostram anjos fazendo esse papel.

É bom que se diga que existe uma infinidade de outros livros apócrifos, que a Igreja Católica não tentou colocá-los também no meio dos livros da Bíblia. Podemos citar os títulos de alguns deles: “Enoque”, “Ascenção de Moisés”, “Jubileus”, “Salmos de Salomão”, “Testamento dos 12 Patriarcas”, “Os oráculos sibilinos”, etc.  Se formos tratar aqui do Novo Testamento, teríamos o “Evangelho de Pedro”, o “Evangelho de Tomé”, “Evangelho aos Hebreus”, “Evangelho aos Egípcios”, “Evangelho de Nicodemos” e assim por diante.

 

3.2.1  Doutrinas embutidas

 

Alguém poderia perguntar por que a Igreja Católica teve interesse em colocar os sete livros apócrifos no meio dos livros do Antigo Testamento. É simples: A história mostra as doutrinas que a Igreja foi inventando com o passar dos séculos, e precisaria de algo escrito que validasse, que desse autoridade a essas novas doutrinas, que são pregadas e defendidas até o os dias de hoje.  Vejamos algumas dessas doutrinas apócrifas:

a) Purgatório: Essa doutrina fala de um lugar onde a pessoa que morre é colocada, quando morre com pecados. É um lugar provisório, de sofrimento, à espera de perdão. E tem um adendo aí: se os parentes vivos mandarem “rezar” missas por essa pessoa, o tempo de purgatório vai diminuindo. Isso está documentado em 2 Macabeus 12:38-44 e em Sabedorias 3:4,5. 

b) Boas Obras: Segundo essa doutrina católica, quem dá esmolas faz investimentos na sua salvação, teoria defendida em Eclesiástico 3:30.

c) Intercessão pelos mortos: Segundo essa doutrina católica, uma pessoa morta pode interceder pelos vivos junto a Deus, anulando aquela outra ensinada por Jesus, que diz: “Ninguém vem ao Pai a não ser por mim. (2 Macabeus 15:14)

d) Culto aos mortos:  Essa doutrina incentiva os fieis a cultuarem seus mortos, ensinando que rezas, orações e missas podem salvá-los dos pecados cometidos em vida. (2 Macabeus 12:43-46).

e) Penitência ou Indulgência:  Essa doutrina ensina que pode-se fazer penitências para apagar nossos pecados. Chegaram a vender essas “indulgências”. Quem pagasse uma taxa de tal valor, pagaria pelo pecado cometido. É a chamada “Venda de Indulgências”, um dos principais motivos de acontecer a Reforma Protestante. (Tobias 4:10,11 e Tobias 7:10)

Deu para entender, agora, por que o catolicismo enfiou esses livros “goela abaixo” dos fieis? Descaradamente? Era para OFICILIZAR as novidades que eles inventaram, já que essas heresias não estavam previstas em nenhum dos livros do Antigo Testamento.

Bíblia de 1500 anos, achada na Turquia

 

CAPÍTULO IV

Depoimentos  e Curiosidades

 

Os críticos habituais poderiam dizer que este capítulo só fala de “cultura inútil”, mas não deixa de ser um trabalho feito por cristãos dedicados, pessoas que não sabem mais o que fazer para valorizar o inenarrável valor da Bíblia. Afinal de contas, é um trabalho que só pode ser feito por quem vive com a Bíblia na mão, que a conhece de capa a capa. É pesquisa inútil? Não sabemos. Mas são dados que merecem ser observados.

 

4.1  Dados curiosos sobre a Bíblia Sagrada

 

•  A Bíblia possui 3.566.480 letras;

•  A Bíblia possui 775.756 palavras;

•  A Bíblia possui 31.138 versículos;

•  A Bíblia possui 1.139 capítulos;

•  A Bíblia possui 66 livros;

•  O meio exato da Bíblia é o versículo 8 do Salmo 118;

•  O maior versículo é o 9 do capítulo 8 de Ester;

•  O menor versículo é o 35 do capítulo 11 de João;

•  A maior parte do Antigo Testamento foi escrita em hebraico;

•  Pequena parte do Antigo Testamento foi escrita em aramaico;

•  A primeira tradução da Bíblia foi para o grego em 285 a.C.;

•  O primeiro livro escrito do Novo Testamento foi Tiago, em 49 d.C.;

•  A Bíblia Católica possui 7 livros a mais no Antigo Testamento;

•  Foram necessários 1.400 anos para a Bíblia Sagrada ser escrita;

•  A Bíblia foi escrita por 40 autores de lugares e tempo diferentes;

•  A Bíblia foi dividida em capítulos em 1227, por Stephen Longton;

•  A Bíblia foi dividida em versículos em 1551, por Robert Stephanus;

 

4.2  Depoimentos de pessoas famosas

 

Agora, vamos registrar as opiniões de pessoas importantes, no decorrer da história, mostrando o que elas pensam sobre a Bíblia Sagrada.

•  Empunhe a Bíblia inteira: não uma parte dela. Um guerreiro não se engaja em uma batalha apenas com um pedaço de espada. (Dwight L. Moody)

•  A Bíblia revela o coração ímpio do homem e o coração indulgente de Deus. (Thomas Watson)

•  Dê-me uma Bíblia e uma candeia, e podem me enclausurar em um calabouço, pois serei capaz de dizer o que se está passando no mundo. (Cecil Richard)

•  A Bíblia é o mapa para o viajante errante; o guia para quem não sabe como chegar; o manual pra vida em cada instante; a fonte de água pra sede matar. (Mauro Sérgio Aiello)

•  Fé é crer na Palavra de Deus, naquilo que não vemos, e a recompensa é ver e desfrutar aquilo em que cremos. (Santo Agostinho)

•  A Bíblia nos afasta do pecado; o pecado nos afasta da Bíblia. (Dwight L. Moody)

•  Os quatro Evangelhos nos dão o retrato de uma personalidade muito definida, obrigando

 

AUTOR DA PESQUISA

Walmir Damiani Corrêa

 

Por: Walmir Damiani Corrêa

Publicado em 15/11/2015

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