Livro de Malaquias

 

 MALAQUIAS

 

 

O livro de Malaquias fala sobre o culto a Deus numa situação de desânimo, de desesperança, inclusive uma mensagem oportuna para os dias atuais. 

O ano era por volta de 400 aC, e estava fazendo cem anos que o povo de Israel tinha saído do cativeiro babilônico para a sua terra. Eles haviam sido liderados por Neemias, por Esdras, e  alguns profetas, como Ageu e Zacarias, acompanharam esse retorno à terra que Deus houvera lhes prometido por herança.

Conforme narrativas nos livros de Esdras e Neemias, houve muito júbilo, muita expectativa de que o tempo das promessas feitas por Isaías, Jeremias, Ezequiel e até por Ageu e Zacarias estava chegando. Pregavam que o povo seria restaurado e o templo seria reconstruído e que o culto a Deus seria restabelecido através da presença dos sacerdotes nas suas funções. Lembramos que durante os 70 anos em que estiveram no exílio, não aconteciam cultos a Deus. A Era Messiânica estava prometida, e também um período de paz. Era o tempo de restauração da nação de Israel, a esperança dos grandes reis novamente.

O tempo foi passando, mas essas promessas só foram se cumprindo em parte. Por sinal, só parte do povo voltou para as terras de Israel, pois boa parte preferiu ficar nas terras da Babilônia. O mesmo aconteceu com parte dos judeus que haviam fugido para o Egito, para Alexandria. Assim, as tribos que voltaram, de forma reduzida, eram lideradas por Judá e Benjamin, e alguns remanescentes das outras dez tribos.

Dessa forma, as promessas não estavam se cumprindo da forma como esperavam, havia problemas financeiros, e eles não estavam completamente livres, pois os persas dominavam essas terras que lhes deveria pertencer, segundo as promessas de Deus. Eles tinham liberdade para prestar custo, mas precisavam pagar altos impostos. O governador, por exemplo, era nomeado pelo rei da Pérsia. Os inimigos ainda estavam ali, principalmente os descendentes de Esaú.

O templo foi reconstruído, é verdade, mas era um templo acanhado, se comparado àquele construído por Salomão. O culto a Deus acontecia, mas o coração das pessoas não estava ali. Os sacrifícios oferecidos através dos sacerdotes não eram os mesmos de outrora, da época da opulência: as ovelhas eram mancas, o cordeiro era cego, traziam o que sobrava. 

Os sacerdotes, diante dessa realidade diferente passaram a se corromper, na sua maioria eram ignorantes quanto ao conhecimento da Palavra de Deus, enfim, não sabiam o que ensinar ao povo, enquanto que outros praticavam o adultério. O estado moral do povo não era nada bom. Os anos iam passando, o povo se dispersando, pois pareciam que a glória antiga não voltaria.

Foi nesse período que aparece o último profeta da linhagem do Velho Testamento. A única coisa que a gente sabe dele é que seu nome era Malaquias, sendo desconhecida sua origem e o que fazia. Alguns estudiosos dos três primeiros séculos do Novo Testamento achavam que esse homem era um levita oriundo da região de Zebulon, chamado por Deus para trazer uma mensagem para aquele povo desorientado. Talvez isso explique o zelo que Malaquias teve pelo culto a Deus, pelos sacerdotes, orientação para o tipo de Sacrifício, a oferta. 

A mensagem de Malaquias é uma espécie de denúncia, de condenação para a atitude do povo e até de desafio, pois chama o povo para o arrependimento, de ser fiel a Deus até mesmo quando as coisas parecem estagnadas. Por outro lado, também era uma mensagem de esperança, garantindo que Deus haveria de cumprir as suas promessas. Enquanto esse tempo não chegasse, o povo precisava continuar a servi-Lo de todo o seu coração. 

Não sabemos por quanto tempo ele pregou a sua mensagem, mas sabemos é que ele foi confrontado, rebatido, questionado. Podemos, inclusive, constatar que o livro de Malaquias é diferente dos livros dos demais profetas: enquanto os outros profetizavam, Malaquias dialogava. Se estudarmos seu texto, veremos que ele responde a seis ou sete questionamentos que o povo fazia com respeito a Deus, Seu amor e Sua lealdade, quanto ao cumprimento das promessas.

É por causa dessa distorção entre o que Malaquias pregava sobre a vontade de Deus e as ideias errôneas que o povo tinha formado a respeito desse mesmo Deus. Isso se parece muito com situações que assistimos atualmente no nosso meio. 

Assim, pretende-se que aprendamos com Malaquias como cultuar a Deus em momentos de crise, em momentos difíceis, em momentos de desesperança, quando parece não fazer nenhuma diferença se cultuamos a Deus ou não.


AUTOR

Rev. Augustus Nicodemus Lopes

 

FONTE

 

Extraído de uma palestra ministrada pelo Rev. Augustus Nicodemus Lopes, em dezembro de 2007, quando introduzia um ensino sobre o dízimo no Novo Testamento.

 

Por: Augustus Nicodemus

Publicado em 21/12/2015

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