Namoro, Noivado e Casamento

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 NAMORO, NOIVADO E CASAMENTO

 

 

 

  INTRODUÇÃO

 

 Não se pode pretender falar de relacionamentos afetivos sem falar das dificuldades a serem enfrentadas nessa área e que há uma necessidade urgente de buscarmos de Deus a graça para podermos viver as experiências do namoro, noivado e do casamento de maneira correta.

O relacionamento afetivo é uma área melindrosa, complexa demais para ser enfrentada de peito aberto, sem um mínimo de instrução e conhecimento. O que se vê são milhares de pessoas feridas, magoadas, aflitas, angustiadas, depressivas, exatamente por esse motivo: não se prepararam para lidar com essa área complexa da existência.

Para começar, afirmamos que as pessoas feridas em relações afetivas costumam tomar as mais diferentes direções possíveis: ou se fecham ou se degradam. 

A primeira delas, o ensimesmamento, que acontece com aquelas pessoas que se machucam nessa relação afetiva, elas se tornam desconfiadas, não acreditando em mais nada neste mundo e assumem um estado emocional psicológico de autofechamento. Essas pessoas costumam desistir de namorar, de casar, tornam-se tão inseguras que procuram inviabilizar qualquer relacionamento afetivo dali em diante.

Voltamos a afirmar que o pecado desse tipo de pessoa foi iniciar de forma despreparada um relacionamento afetivo. Em função disso, ficam machucadas ou machucam alguém, assumindo uma postura de ensimesmamento, de autofechamento. Os sentimentos não entram e não saem mais. A pessoa se transforma numa ostra.

A outra direção a ser tomada pela pessoa ferida é a do cinismo, quando corre o risco de tornar-se irresponsável, partindo para a teoria do toma-lá-dá-cá. “Me traíram? Vou trair também!  Me magoaram? Vou magoar também!”

Esse comportamento desenvolve uma doença psicológica, um tipo de patologia de conduta e comportamento desvirtuados. Essas pessoas tornam-se insensíveis, pois se transformaram em fruto de uma experiência para a qual entraram despreparadas.

 

 

1.   DIFERENTES VISÕES DO RELACIONAMENTO

 

  1.1  A visão de Deus

 

  A Palavra nos ensina que, para Deus, namoro é coisa séria. A partir do momento em que convivemos com alguém, não estaremos lidando com coisas frias, imóveis, sem vida; ao contrário, estaremos misturando emoções próprias e com emoções alheias. 

Sempre dizemos que namorar é a arte de aprender sobre gente, num nível bastante íntimo e pessoal, pois estaremos mexendo com coisas vivas, móveis, efervescentes, coisas que facilmente se excitam, se encrespam, se levantam. É preciso ter responsabilidade com essas coisas.

Se enfrentarmos essa realidade despreparados, estaremos sujeitos a causar prejuízos que podem acompanhar as pessoas até o fim de suas vidas, além de também nos magoar, nos ferir. É uma faca de dois gumes: podemos ferir e podemos sair feridos.

Você pode ter a certeza de que Deus não nos projetou para que amargurássemos pessoas, ou para que fôssemos amargurados, em função de uma decepção amorosa. Também não nos projetou para que vivêssemos de maneira irresponsável, em função desses problemas mencionados. Pelo contrário, Deus quer nos dar maturidade, preparação para tudo isso, administrando qualquer tipo de problema que resultar dessa situação.

Se os problemas atingem até as pessoas que estão preparadas, imagine o que pode acontecer com as pessoas despreparadas! É aí que reside a diferença: uma pessoa preparada terá maturidade, sabedoria, a graça de Deus para administrar os fracassos, enquanto que uma pessoa despreparada despencará dos altos de sua autossuficiência: virará, como já dissemos, numa pessoa ensimesmada ou uma pessoa cínica.

Esta é a primeira razão pela qual precisamos urgentemente buscar de Deus a instrução espiritual, de modo que possamos namorar e namorar bem. Um namoro nunca deve se transformar numa coisa prejudicial; ao contrário, tem que ser uma coisa positiva, feliz, uma situação nas mãos de Deus, utilizado para nos amadurecer, nos tornar pessoas capazes, de modo que aprendamos a enfrentar os desafios que a vida nos apresenta.

 

 1.2  A visão do mundo

 

 A tendência do mundo é gerar conceitos, ideias, modismos, tipos de comportamentos que normalmente nada têm a ver com o ensino da Palavra de Deus, pois ela é a contracultura desse modismo comportamental vigente no mundo. Tudo o que o mundo ensina, principalmente via televisão, é exatamente o oposto daquilo que nos é ensinado pela Bíblia. Esse é outro motivo pelo qual devemos buscar de Deus a instrução e a orientação para a nossa vida afetiva.

A televisão brasileira tem sido uma geradora de modismos e de comportamentos totalmente avessos à vontade de Deus. Há tempos atrás surgiu numa novela chamada “Clube das Mulheres”, onde um marmanjo musculoso desfilava vestindo roupinhas minúsculas, enquanto as mulheres iam gritando histericamente. Isso bastou para que todas as cidades brasileiras, até cidadezinhas do interior, que nem clubes sociais têm, passassem a produzir o tal “Clube das Mulheres”, um atentado ao bom senso vigente.

Isso é um fenômeno! Essa imediata adesão é uma grande vitória da comunicação televisiva, e tudo é explicável: é o poder de formação errônea que esse veículo de comunicação deu. É muito mais fácil para a Rede Globo, principalmente, pegar uma pessoa medíocre e num passe de mágica jogá-la nos píncaros da glória. No mesmo momento em que você liga o seu aparelho, todo o Brasil estará ligando o seu também. Já imaginaram o tamanho da influência que essa rede de televisão tem? Se a Globo disser que uma pessoa medíocre é talentosa, todo mundo passará a acreditar que essa pessoa é talentosa, mesmo!

É por essa razão que no estrelato atual da música e das artes cênicas existe tanta mediocridade e, ao mesmo tempo, tanta gente batendo palmas sem um senso crítico mais apurado, sem uma análise, sem um discernimento das coisas mais primárias: talento ou mediocridade.

Sobre namoro, o que a Globo nos ensina, é um desastre. Segundo suas produções de novela, virgindade é um tabu que está se quebrando, coisa de pessoas ultrapassadas. O que a Bíblia chama de honra, de dignidade, a Globo e suas concorrentes chamam de coisa ultrapassada.

Estaremos considerando mais tarde o texto Provérbio 30:18-19, que classifica de maravilhoso o caminho de um homem com uma virgem. Por sinal, é preciso enfatizar que, para Deus, tanto o homem como a mulher deveriam se conservar virgens até o momento da união.

Existe, também, esse machismo irresponsável, aqui no Brasil, essa hipocrisia e vulgaridade pregada por aí de que virgindade é uma coisa ridícula, e que o sexo deve ser livre. Porém, as pessoas que defendem essa moralidade mudam o comportamento no momento em que pensam em se casar: normalmente buscam uma moça virgem para companheira.

Falsas teorias. Fingimentos indisfarçáveis. São verdades que só existem da boca para fora. Deus imprimiu no caráter de todas as criaturas algo de básico, nesse sentido, e é por isso que uma pessoa incrédula, que não conhece a Deus, e que defende essa nova moralidade, quando vai casar seus filhos e suas filhas sabe muito bem instruí-los, em casa, na intimidade do seu lar: “...É, procure uma moça de boa família, fulano...” ou “Procure um bom rapaz, minha filha, educado, de bons princípios...”

É assim que funciona, na verdade. Pode ser bom para os outros, mas para a minha filha, não! Estão entendendo? É o caso de uma pessoa que não conhece Deus, mas que mantém uma salvaguarda no tratamento com as pessoas que mais ama. Isso se explica no momento em que entendemos que todos nós somos criaturas de Deus. 

Quando Deus criou o homem, ele imprimiu dentro da natureza humana algumas noções de justiça, de verdade e de moralidade. Não há outra explicação, pois eles mesmos estão por aí a se contradizer. As pessoas estão a viver uma falsa ideologia, uma prática diferenciada do discurso. A maioria delas, pelo menos. 

É bom que se frise que a maioria dessas pessoas já está degradada, sendo capazes de ir numa festa e oferecerem suas mulheres para seus companheiros e irem para a cama com as mulheres deles! É a conhecida troca de casais desses meios corrompidos. A sociedade está com um nível de degradação tão profundo, que essas atitudes não têm mais nenhum tipo de importância. As mentes estão cauterizadas!

 

 

 1.3  A visão de Salomão

 

 Em razão de tudo isso que acabamos de dizer, vamos ao texto de provérbio, citado anteriormente, procurando extrair um modelo de comportamento adequado para um moço e para uma moça. Assim diz o livro de Provérbios: 

 

“Há três coisas que me maravilham; e a quarta eu não conheço: o caminho da águia no céu; o caminho da serpente na penha; o caminho do navio no meio do mar; e o caminho do homem com uma virgem.”  (Provérbios 30:18,19)

 

Salomão, ao citar as três coisas acentua de maneira ilustrada, com figuras, alguns componentes básicos da relação afetiva. Estaremos considerando cada uma dessas figuras de Salomão, para que tenhamos um melhor entendimento desse ensino.

 

a)  O caminho da águia no céu

 

Essa visão fala de vida altaneira, de vivência superior, ilustrando o nível do namoro na perspectiva de Deus, ou seja, estabelecendo-se como uma relação alta, superior, celeste, sem contaminação com os condicionamentos inferiores do comportamento humanos.

 

b)  O caminho da serpente na penha

 

Uma cobra, quando passa sobre uma pedra, não deixa rastros, não deixa marcas da sua passagem, o que nos sugere uma caminhada limpa, sem vestígios. Espiritualizando o comentário, isso é o que ocorre num relacionamento afetivo quando há transparência, honestidade, fidelidade e sinceridade. Nenhuma marca do passado fica, nenhuma imagem que traga vergonha, arrependimento, amargura, qualquer tipo de sentimento que possa desestabilizar o futuro da relação a dois.

 

c)  O caminho do navio no mar

 

Sempre que um navio é visto no mar, deduz-se que ele saiu de um ponto e pretende chegar em outro. Há um início e um fim, e isso ilustra muito bem uma relação afetiva completa. 

Todo namoro, da mesma forma, deve ser bem planejado, visando o objetivo maior, que é o casamento. É preciso que se entenda que o namoro, em si, não é o objetivo a ser alcançado, pois ele não passa de uma viagem que leva a um porto seguro: o matrimônio.

Toda viagem que pretende ser bem sucedida, necessita de providências anteriores, de cuidados durante todo o seu percurso. Assim também deve ser a experiência do namoro cristão: cuidados anteriores e cuidados contínuos.

 

d)  O caminho do homem com a virgem

 

Agora, falaremos da quarta coisa relacionada por Salomão, a qual ele próprio confessou que não entendia muito bem. Do alto de sua imensa sabedoria, ele chegou à conclusão de que essa relação afetiva é algo misterioso e complexo, para ser entendida. Observe que ele próprio podia olhar para o céu e ver o voo da águia nas alturas imensuráveis, inconquistáveis pelos demais pássaros; ele podia olhar pelo caminho da serpente na rocha, sem temer coisa alguma; ele podia olhar para um navio no meio do mar e entender alguma coisa. Mas quando olhava para um canto onde havia um homem e uma mulher, Salomão simplesmente não conseguia entender nada.

Certamente que alguma coisa Salomão entendia, como o fato de ser um caminho misterioso e complexo, um caminho de atração ampla, de reciprocidade, que envolve totalmente as emoções e os sentimentos dos seres humanos.

De outra forma, não poderíamos entender como é que duas pessoas tão diferentes se associam nessa relação afetiva tão estrondosa, através do casamento consagrado por parte do Senhor. Pessoas com culturas diferentes, mentalidades diferentes, de tantas coisas diferentes... Como é que essas pessoas se arriscam em compartilhar uma vida conjunta?

Seria um sentimento de atração, algo que foge até à própria razão? Quando duas pessoas se unem de uma maneira tão íntima, Salomão, mesmo sem entender muito, diz: “Três coisas do mundo me maravilham, e a quarta eu não conheço: o pássaro no céu, a passagem da serpente na rocha, a travessia de um navio no meio do mar e o caminho de um homem com uma virgem.”   

 

 

2.   ESTRUTURA DO RELACIONAMENTO AFETIVO

 

 

Sem pretendermos ter a sabedoria de um Salomão e contando com a ajuda de Deus, vamos investigar, agora, alguns componentes básicos para uma boa trajetória nesse mundo das afetividades.

  

2.1  Reciprocidade

 

 Primeiramente, essa frase (o caminho do homem com a virgem) traz a ideia da reciprocidade, de que o sentimento fracassará se ele se manifestar unilateralmente, apenas de um lado. Tem que haver reciprocidade. Joaquim tem que achar Maria bonita, e Maria tem que achar Joaquim bonito. Joaquim tem que achar que Maria serve para ser sua esposa e vice-versa.

É assim que tem que ser. Ambos têm que se sentir atraídos um pelo outro, e é a partir dessa reciprocidade entre um homem e uma mulher, entre um jovem e uma jovem, que deve iniciar a relação afetiva. Note que o caminho é para ambos: é o caminho do homem com uma virgem.

 

2.2  O fundamento da Palavra

 

 Alguma coisa deve acontecer, no relacionamento de um homem com uma mulher, que seja compatível com o voo da águia no céu. Você sabia que a águia conquista alturas que outras aves nunca conquistaram? Isso quer dizer que o nosso relacionamento afetivo deve primar por coisas altas, superiores. Quando começarmos a nos relacionar com pessoas num namoro, esse relacionamento deve nos nortear, nos erguer. Os dois que se amam e que estão se preparando para o casamento, devem olhar para uma só direção, ou seja, para a direção do sagrado, do eterno, para a direção de Jesus. A palavra de Deus deve nortear essa relação e deve ser sua direção.

A Bíblia deve ser aberta e lida, estudada e obedecida por esse casal que pretende se casar, formando-o, orientando-o em todas as coisas espirituais. O casal deve permanecer tão ou mais alto que o voo da águia, pois essas coisas altas devem ser o referencial na vida daqueles que estão nessa empreitada de se relacionar um com o outro, tendo em vista o casamento.

Chamamos a atenção do leitor para o fato de que as figuras de Salomão estão inter-relacionadas, da mesma forma como está o caminho do homem com a virgem. 

 

 2.3  Transparência

 

 Seguindo esse raciocínio, vamos nos deter um pouco na segunda figura de Salomão, ou seja, o caminho da serpente na rocha. Olhando para a rocha e para a serpente, Salomão observou que não há rastro, não há sujeira, que a trajetória de uma serpente sobre uma rocha é limpa. Com isso, ele entendeu que em todo relacionamento afetivo deve-se primar pelas coisas limpas.

Você será incapaz de determinar, olhando para superfície de uma rocha, se uma serpente passou por ali ou não, porque ela simplesmente não deixa vestígio quando passa por uma pedra. Espiritualizando, a rocha significa Jesus, que é a base de todo relacionamento, porque se assim não fosse, não haveria condições de vivermos de maneira limpa, honesta. Jesus nos dá a base, na qual nós podemos caminhar. Todo aquele que pretende agir de maneira honesta com alguém que ama, se não estiver com Jesus, não vai conseguir nenhuma base sólida para os seus pés.

Por outro lado, é importante que se diga que a serpente não deixa rastro na pedra, mas deixa na areia. Assim, podemos entender que para termos um relacionamento real com o companheiro, não podemos esconder nada dele. É preciso que entre os dois haja lealdade, justiça, amor. Isso, porém, só pode ser colocado em ação se o casal estiver caminhando em Jesus, para que se concretizem coisas enriquecedoras em suas vidas. 

Todo aquele que fundamenta seu relacionamento em Jesus não trai a sua esposa, não por ele ser um super-homem, mas porque seu relacionamento com ela está fundamentado em Jesus de Nazaré. Antes de decidir casar-se com a mulher da sua vida, jurar-lhe fidelidade, você deve, primeiro, fidelidade a Deus, em cuja presença habitamos e vivemos.

Quem pode garantir que não será tentado, alguma vez? Por mais espiritual que se possa ser, sempre aparecerão tentações. O diabo está aí com suas ofertas, com suas tentações, e ele é muito criativo.

Nunca esqueça de traçar esse paralelo: não devemos falar mal da pessoa amada, porque amamos a Jesus, porque estamos centrados em Jesus. Devemos procurar compreender a pessoa que amamos porque compreendemos a Jesus, e compreender Jesus é estar na rocha, uma situação que não deixa rastros.

É o caminho da serpente na rocha. Não deixa vestígios, marcas, tristezas, enfim, é uma trajetória limpa. Assim, a nossa relação a dois deve ser limpa, tem que ser limpa.

Nosso cônjuge deve confiar em nós, porque sabe que antes dele e acima dele está Jesus, e que sem Jesus é impossível manter um relacionamento limpo, uma vez que o mundo é muito tentador e as ofertas do diabo estão a nos agredir. É preciso estar consciente de que o pecado, bem de perto, está a nos rodear.

Existe todo dia um assédio maligno, opressor, para que caiamos em tentação. Onde quer que você esteja, seja no trabalho, no colégio, em casa e até na igreja, você estará sendo agredido, tentado pelo diabo. Só estando com Jesus você conseguirá manter o relacionamento limpo, puro, com aquela pessoa que é o objetivo do seu amor e da sua dedicação.

Lealdade, fidelidade e respeito mútuo — coisas importantes para um relacionamento limpo — só serão possíveis quando estivermos na rocha, que é Jesus, quando a gente se inspirar em Jesus. Nenhum relacionamento terá vida longa, se não existirem esses valores envolvidos. Eles são a corrente que nos juntam, que nos ligam às outras pessoas.

Quando você percebe que sua mulher lhe é fiel, você a ama cada dia mais; quando você percebe que seu marido é fiel, você lhe devota mais dedicação. Esse é o exercício saudável que deve ser iniciado já no tempo do namoro, de noivado, e continuar no casamento.

Peça a Deus que lhe mantenha com lealdade, depois do casamento, a mesma fidelidade do tempo de solteiro. É comprovado que as pessoas infiéis durante o namoro, vão se viciar, vão se acostumar com esse estado de coisas, e não conseguirão mudar quando estiverem casadas.

A transparência no relacionamento do casal torna-se uma realidade diante de Jesus Cristo, o nosso Senhor e Salvador que, por sua vez, torna-se também o referencial maior para nossas vidas.

 

 2.4   Seriedade  

 

 Você não deve namorar para passar o tempo, mas para iniciar uma relação de amor, lealdade, pois é através dessa relação amorosa que as coisas vão se manifestar. Esteja atento, esteja alerta, porque enquanto você namora, pode romper essa união, mas se você romper depois de casado, pode pagar caro pelo rompimento, uma vez que já serão dois numa só carne, a união já estará intrinsecamente ajustada e uma separação, nesse estágio do relacionamento, traria muito mais dor e consequências muito maiores.

A hora de se abrir bem os olhos é durante o namoro, porque ainda há tempo para isso. Depois de casado, você terá feito uma aliança com Deus. Reafirmamos que namoro é preparação para o casamento e não uma brincadeira. É coisa séria! Durante o namoro passamos por emoções fortes, por sentimentos, e com sentimentos não se brinca. É nessa situação que você pode ferir e ser ferido.

Há psicólogos e até pastores que defendem a ideia de que não se deveria casar antes de passar um fim-de-semana juntos, na presença dos pais, porque é no dia-a-dia, é na intimidade que os defeitos afloram. Será que ele escova os dentes de manhã? Será que ela se comporta com boa educação à mesa? São essas coisas íntimas que o namoro deixa a descoberto, e é por isso que dizemos que o namoro é preparação para o casamento, porque nesse período podemos analisar os defeitos e as virtudes.

O Pastor Nee To Sheng, da China, disse certa vez: “O período do namoro é o tempo em que devemos manter os olhos bem abertos, enquanto que no período de casamento devemos manter os olhos bem fechados, para que não enxerguemos os defeitos do outro, uma vez que não poderemos mais voltar atrás.”

O jeito, então, é fechar os olhos para as coisas ruins do parceiro. Você vai ter que “engolir” se ele não escova os dentes após as refeições, ou se ela come com a boca aberta, se ele é descuidado com as suas coisas... Agora é tarde! Você deveria ter aberto os olhos durante o namoro, mas não o fez, pois só tinha olhos para “outras coisas”!

 

 2.5  Objetividade

 

 Vamos agora conversar um pouco sobre a terceira coisa: o caminho do navio no mar. Essa frase fala de uma meta, pois o navio, no meio do mar, não fica andando indefinidamente. Todo navio, ao partir, tem seu destino traçado, tem planejado o seu ponto de chegada. Todo navio que você vê navegando, pode ter certeza de que ele teve um ponto de saída e que terá um ponto de chegada.

Assim, da mesma forma, acontecerá com todo tipo de relacionamento afetivo: precisará ter um objetivo, pois não podemos namorar, apenas por namorar. O namoro é uma sociedade que se estabelece, que pode se transformar num nível mais íntimo de expressão física, o casamento, uma união para toda a vida. Por consequência, você tem que iniciar o relacionamento afetivo com um ideal, com um alvo bem definido.

Foi assim que Salomão viu o caminho do navio no mar, sobre as ondas, permanecendo sobre a fúria do mar, vencendo as tormentas, os ventos contrários que aparecem invariavelmente, somem e reaparecem ameaçadores mais adiante. Salomão viu que, além disso, aquele navio tinha uma direção, um objetivo, um ponto de chegada. Em algum ponto, em algum canto da Terra, alguém estaria esperando ansiosamente por esse navio.

Isso fala de um objetivo, de uma meta que você tem que traçar. Quando você começar a namorar alguém, por favor, estabeleça metas, pois se você pretende namorar segundo a revelação da Palavra de Deus, esse namoro só poderá ter como objetivo um possível casamento, através do qual possamos melhor servir a Deus. Só dessa maneira conseguimos enxergar uma pretensão de namoro.

Quando Deus criou Eva e a deu como companheira a Adão, Ele disse que aquele casal era o primeiro casamento a ser perpetuado, e que aquela união não seria apenas para se expressarem sexualmente, para se amarem de maneira egoísta. A Bíblia revela, em Gênesis, que esse casal foi formado por Deus para cuidarem do jardim do Éden, a obra de Deus, a Sua criação maravilhosa.

Ninguém pode expressar um relacionamento sem expressar o alvo de Deus na vida dos dois. Assim como o navio que anda no meio do mar tem um objetivo, Deus teve um objetivo ali, e terá objetivo em qualquer relacionamento que estiver acontecendo entre os Seus filhos.

 

  3.  O CASAMENTO

 

  O casamento não é só a constituição de uma família e a criação de Deus; é muito mais que isso. O lar que haveremos de estabelecer deve ser uma pequena agência do céu, aqui na Terra, pois as coisas que advirão desse relacionamento afetivo, deverão perseguir o alvo de Deus. Assim, quando alguém, no futuro, chegar à casa de pessoas recém-casadas, deverá primeiro ter um contato com Deus, porque o alvo maior dessa união foi Deus, o Seu sentir e a Sua glória. 

Namoro e casamento não se resumem em um olhando para o outro, mas nos dois fixarem seus olhares em Deus e na Sua glória. Enriqueçam seu relacionamento afetivo com coisas espirituais; aprendam a ler e obedecer juntos à Bíblia, orar juntos, discutir as coisas espirituais juntos.

Podemos captar mais uma figura, a partir desse navio no meio do mar: é a orientação principal. Quando Salomão escreveu essas coisas, não existiam coisas como rádio ou bússola, sendo que os marinheiros se orientavam apenas pelos sinais do céu, sempre olhando para o alto. Se o Cruzeiro do Sul está aqui, então o Brasil fica para aquele lado; se as sete estrelas ficam ali para o norte, então Israel fica para aquele lado.

Enquanto aqueles homens usavam o céu como orientação, os homens de hoje preferem se basear nas suas máquinas, e não raras vezes perdem o seu rumo. Salomão se maravilhava e perguntava: “Como é que esses homens saem de um porto, dentro de um navio, enfrentam a violência das águas, e conseguem chegar ao lugar previamente planejado?”

Era isso que parecia estranho a Salomão: esses homens se aventuravam sem uma bússola, sem um rádio, sem qualquer tipo de tecnologia! Em tempos bem mais recentes, admirava-se a coragem de Pedro Alvarez Cabral, Cristóvão Colombo e tantos outros grandes navegadores, que iam abrindo clareiras em mares nunca antes navegados, tendo como orientação apenas o céu, basicamente.

Espiritualmente, um casal de namorados deve andar olhando para o céu, olhando para Jesus, para Deus, para a Sua Palavra, porque é de lá do Alto que virá a orientação adequada para suas vidas. Se estamos em dúvida, com problemas, sem entendimento, juntemos nossas mãos, namorados e cônjuges, e olhemos juntos para o Alto, imitando os sábios navegadores do passado. Eles não se perdiam porque não tiravam os seus olhos do céu. Dessa forma, vocês também não vão se perder no seu relacionamento afetivo. Basta que levantem suas cabeças para o céu. É de lá que vem o socorro, já dizia o salmista.

 

 

4.   ORIENTAÇÕES BÁSICAS

 

  O que passaremos a comentar a seguir não deve ser considerado como lei fixa, porém são noções, parâmetros, sinalizações, instruções e critérios que podem nos ajudar na escolha do companheiro ou da companheira para o resto de nossa vida.

Eu busquei isso. Há três anos eu sou o homem mais feliz do mundo, na vida conjugal. Pode ter certeza de que dá certo. Você ora, fica no temor de Deus, tornando-se feliz e bem-sucedido. 

Você precisa orar a Deus para que Ele lhe dê um companheiro para a sua vida, uma pessoa certa, alguém que venha lhe abençoar, ajudar até espiritualmente, pois Deus precisa estar acima do namoro, para que os dois cresçam juntos, espiritualmente.

Existem pessoas que começam a namorar, e a primeira ideia que lhes vêm à cabeça é a de parar de estudar. Amam tanto, que não têm cabeça para mais nada. Não é pecado orar pedindo um namorado. Ore pela sua “Rebeca”, ore pelo seu “Jacó”, mas não faça disso uma obsessão. Tem moça, por exemplo, que passa o tempo todo só orando para Deus lhe mandar um namorado. Também não pode ser assim, pois você precisa orar pelas outras coisas também. A vida continua, mesmo que possa acontecer de não aparecer um namorado para você.

Nessa procura, você tem que fazer algumas comparações, ter alguns critérios que são fundamentalmente importantes e que vão aparecer. Não entre em desespero de agarrar ao primeiro que aparecer na sua frente. Tenha cuidado com a escolha!

 

 4.1  Compatibilidade

 

 Neste plano, chegamos ao problema do temperamento. A psicologia moderna diz que existem quatro tipos de temperamentos: melancólico, fleumático, colérico e sanguíneo, sendo que nesses dois últimos existe ainda a subdivisão em dois outros grupos, que são os mais conhecidos da Antiguidade: os introvertidos e os extrovertidos.

Introvertida é aquela pessoa que tem o temperamento mais fechado, que sofre sozinha, que curte suas dores. Já a extrovertida é aquela que não consegue guardar por muito tempo as coisas dentro de si: fala para o pai, fala para o irmão, fala para o avô, para o pastor, para o líder da mocidade... Não consegue ocultar as coisas por muito tempo dentro do seu coração, tendo necessidade de dividir seus sentimentos. 

Você não pode querer namorar e já querer se casar com a primeira pessoa que aparecer, antes de observar o temperamento dela, se ela se enquadra com o seu. É uma regra importantíssima; é um parâmetro.

Eu, particularmente, sou uma pessoa introvertida. Se eu tivesse me casado com uma pessoa introvertida, também, haveria um silêncio sepulcral na nossa casa. Uma barata passaria pela parede e logo seria percebida. Não é regra geral, mas normalmente esse casamento não daria certo.

Se você é uma pessoa introvertida, seria bom que você buscasse uma pessoa extrovertida, pois compatibilidade de temperamento não significa que os dois precisam ser iguais. Ao contrário, há exceções, mas não é uma regra. Eu conheço casais em que os dois parecem mudos, e vivem muito bem! Talvez em mil casos, um dê certo.

Minha esposa é brincalhona, sempre se comportando como uma criança, quando está em casa. Chega a se esconder, certas vezes em que a procuro. Isso tem trazido enriquecimento na minha vida, pois é algo que eu não faço. Não é do meu temperamento, mas é do dela. É isso complementa as pessoas.

Diz a palavra de Deus que “o homem deixará pai e mãe e se unirá à mulher e os dois serão uma só carne”.  Veja bem que as duas unidades se unirão em uma só unidade. Não há unidade mais perfeita no mundo do que o casamento, desde que um busque complementação no outro. Aquilo que estiver lhe faltando, precisa ser buscado na pessoa que você está elegendo para companheiro ou companheira, pois se trata de uma união que deverá se estender para o resto de suas vidas.

Precisamos fazer as coisas de modo que nossa vida de casados não se torne uma coisa enfadonha, insípida, rotineira. Quando chegarmos em casa, precisamos encontrar algo diferente de nós, uma novidade. Alguém já disse que “o casamento, quanto mais velho melhor” e eu complemento: desde que conduzido por Deus, e desde que seja realizado sob a Sua instrução.

Os casamentos por aí estão a se estagnar, com o passar dos dias, porque muita pouca coisa une as duas pessoas. Assim que as pequenas novidades acabam, não sobra mais nada que motive uma vida a dois; é aí que poderão aparecer as novidades desagradáveis, os defeitos, as incompatibilidades...  E lá vem a trágica solução: o divórcio.

Um pastor, certa vez, numa cerimônia de casamento, disse que uma união onde haja lealdade, respeito, onde haja um propósito de Deus, é como usar-se um par de sapatos: quanto mais tempo passa, mais maleável vai ficando. A adaptação entre o pé e o sapato é maior a cada dia. Observe se o temperamento se encaixa com o temperamento do seu namorado, do seu futuro marido, pois o namoro é o período em que nos preparamos para o casamento.

Muitas vezes as pessoas se detêm apenas nos aspectos físicos: se a pessoa for bonita, se for parecida com aquele príncipe encantado da sua fantasia, isso basta. E se esse “príncipe” tiver um temperamento avesso ao nosso, no sentido da compatibilidade? Se você olhar para o seu “príncipe” ou a sua “princesa”, e ver que não consegue se completar nele?

É preciso critério na escolha de nosso companheiro, da nossa companheira, procurando ver se os temperamentos combinam. Dificilmente uma pessoa melancólica vai se dar bem com outra pessoa melancólica, pois o melancólico chora por qualquer coisa ameaçadora. Já imaginou os dois juntos, abraçados, chorando por qualquer coisa, pelos cantos da casa?  Não daria certo!

O bom é que o companheiro ou companheira seja diferente de nós: quando um chora, a outra chega a levantar-lhe os ânimos, invocando a presença de Deus naquele problema. O olhar lacrimejante se reanimará, ao encarar o olhar aceso do companheiro.

Eu conheço rapazes que aos 20 anos de idade não estão prontos para namorar, pois suas mentes não evoluíram em proporção à idade cronológica. Em compensação, já conheci outros com 16 anos que já estavam preparados para enfrentar o namoro.

Existem muitas coisas criadas por aí, em relação à idade, que precisam ser revistas, pois não têm embasamento bíblico, nem lógico. Por exemplo, afirma-se, categoricamente, que um moço não pode se casar com uma moça mais velha. Eu não consigo concordar com isso, pois estaríamos confundindo o problema da idade cronológica com o da idade mental. Ele pode ser mais novo e ter uma idade mental evoluída, enquanto que ela, mais velha, pode ter uma idade mental abaixo da idade cronológica. A diferença some instantaneamente e isso deixaria de ser uma incompatibilidade.

 

  4.2  Ausência dos pais

 

 Os pais têm um papel preponderante no namoro. Quando se começa a namorar, deve-se estar sob a proteção, orientação e autoridade paterna, pois isso tem respaldo bíblico. Diz ali que “devemos honrar e obedecer a nossos pais, para que vivamos mais tempo neste mundo” (Efésios 6:2), o primeiro mandamento com promessa, que vemos na Bíblia. O filho obediente aos pais terá, como prêmio de Deus, uma vida mais longa.

Veja que nisso a Bíblia está incluindo até aqueles pais com quem não nos damos muito bem. Nossa obrigação é tentar resolver esses problemas, para depois amá-los, respeitá-los, como diz a ordenança de Deus. No final do livro de Malaquias lemos que Elias foi levantado por Deus com uma unção específica: conciliar o coração dos pais com o coração dos filhos.

Quanta discórdia entre pais e filhos por aí... Que o Espírito Santo interfira nessas relações distantes da vontade de Deus! Não podemos ter independência de nossos pais, pois foram eles que nos trouxeram para este mundo, e nos sustentaram desde crianças. Como é fácil esquecer tudo isso, quando já conseguimos andar com as próprias pernas, quando supomos que não precisamos mais deles! Todo amor que pudermos dedicar a nossos pais não conseguirá pagar o quanto eles fizeram por nós. Assim, que possamos nos converter primeiro a nossos pais, além de a Deus. É o Espírito Santo quem opera nessas relações entre pais e filhos, quem rompe todas as barreiras da falta de comunicação.

Os maiores testemunhos de conversão passam por essa via doméstica. Quando o filho se converte a Jesus, sente a forte necessidade de procurar seu pai, com os olhos cheios de lágrimas, pedir perdão pelas condutas muitas vezes rebeldes, acintosas, agressivas, propondo ao pai voltar àquele tempo de criança quando eram tão amigos, quando costumavam passear de mãos dadas.

Tudo isso é patrocinado pela consciência do Espírito Santo de Deus, que passou a dirigir essa vida. Tudo volta ao nível da pureza, do amor, do respeito, da admiração. É assim que o filho se converte aos seus pais. Quando há bloqueios nas relações familiares, os propósitos de Deus deixam de se cumprir.

 

 4.3  Nível Cultural

  

A cultura de uma pessoa não se resume a um diploma pendurado na parede. Conheço algumas pessoas diplomadas que assumem posições não condizentes com a sua formação. A cultura tem muito a ver com a inteligência, com a percepção da vida e das coisas e não necessariamente com a formação acadêmica.

Se você está procurando um companheiro, uma companheira, então deve atentar para esse detalhe, ver se o nível de inteligência da pessoa é compatível com o seu, sob pena de gerar-se problemas. Ele fala algo sobre o mercado econômico e ela logo vai pensar que abriu um novo mercado na esquina! Pode acontecer, nessas horas, de os maridos perderem o interesse de conversar com suas esposas e vice-versa.

Casamento dá certo quando você se associa a uma pessoa que vai estar com você em todos os momentos: de noite, de manhã, na luta, na paz, na guerra, na bonança, no fracasso, na conquista, na derrota, na alegria, na tristeza... Você precisa ter ao seu lado alguém com quem possa conversar, alguém que acompanhe o nível das suas ideias.

Quantas esposas hoje reclamam: “Meu marido antes conversava comigo, e hoje não conversa mais...” Se for feita uma análise a fundo, a raiz do problema estará ali: o nível de cultura não se compatibiliza. Ele fala de luz e ela entende que é treva; ele fala de coisas celestiais e ela entende que são terrenas. Assuntos começados que não conseguem se desenvolver. Apesar de acreditar-se em exceções, um nível cultural semelhante é uma exigência básica para que haja compatibilidade.

 

 4.4  Aparência Física

  

Você não pode supervalorizar este lado e desconsiderar os demais. Temos a tendência de nos extremar para um lado ou para o outro, mas precisamos equilibrar as coisas. Há aqueles que só enfatizam o lado físico e há outros que só enfatizam o lado emocional, espiritual e intelectual. Precisamos combinar todas as coisas.

Já vi pessoas bonitas se casarem com pessoas feias e vivem bem, mas são casos raros. Em linhas gerais, a atração física é importante. A pessoa com quem vou me casar deve me atrair, ou então como será a minha vida inteira ao lado dessa pessoa?

A atração física tem que ser mútua, recíproca. Precisa existir. Vocês podem até achar que eu estou exagerando, mas eu mesmo passei por essas escolhas. Apareceram muitas pessoas que eu achava feias. Escolhi quem eu quis. Entre as pessoas espirituais, que é o lado mais importante, eu escolhi uma pessoa que fosse bonita, segundo o meu gosto. Eu me concentrei em detalhes como pele, cabelo, boca, nariz, etc. Isso é natural!  Não é pecado, não! Não podemos desconsiderar isso!

Pode ser também que Deus tinha um propósito diferente conosco; pode ser que Ele interfira nessa escolha e aconteça o mesmo que aconteceu com um pastor que eu conheci, o qual se casou com uma paraplégica, após estar viúvo por 15 anos. Coisa tremenda! Coisa maravilhosa! E são felizes! Seu nome é Antônio Abuchaim, autor daquele livro famoso “Barro em suas mãos”. Eles moram até hoje em Presidente Epitácio, divisa paulista com o Mato Grosso do Sul. 

Será que o leitor está entendendo? É natural que se escolha pela beleza física, segundo nosso gosto, mas o Espírito Santo pode interferir e gerar em nós um amor profundo por uma pessoa que não possua dote algum de beleza exterior. É bom estarmos abertos para essa possibilidade. 

 

 4.5  Aspecto Financeiro

 

 É outro lado importante a ser observado, no momento em que nos decidimos a procurar um companheiro ou uma companheira. Tem pessoas que não veem nenhum entrave em serem pobres e se casarem com outras ricas. Algumas, inclusive, até procuram por isso deliberadamente, mas não é um bom critério. Um rapaz pobre não terá condição de dar o mesmo padrão de vida que sua noiva rica está acostumada a ter. E depois, como é que vai ser? Será que ela vai conseguir aceitar uma redução drástica em seus confortos, em seus costumes?

Tem gente que vai entrando no campo do namoro e não se detém para pensar no lado financeiro. É um lado muito importante! Veja bem que não estamos dizendo que uma pessoa mais rica não possa se casar com uma mais pobre; o que estamos querendo dizer é que esse assunto deve ser amplamente conversado antes do casamento, para que não venha ser motivo de desajustes. Os namorados terão que ponderar se o amor que os une é suficiente para que se sujeitem a um padrão de vida inferior àquele que o moço ou a moça tinham em sua casa paterna.

Lembro agora da história daquela moça rica que se apaixonou por um rapaz pobre. O rapaz, sem profissão definida, alertava-a insistentemente sobre o perigo, chegando ao ponto de querer romper o relacionamento com ela. Conscientemente, a moça sujeitou-se a viver dentro dos padrões econômicos do rapaz, dizendo que seu amor por ele sobrepunha-se às dificuldades financeiras, roupa, comida, casa, etc. 

O rapaz resolveu casar-se e seis meses depois perdeu o emprego, levando o casal a passar necessidades. O tempo passou, a moça começou a impacientar-se e recordar do “tempo bom” em que vivia com seus pais. Chamou o marido, numa hora que julgou apropriada, e disse-lhe não estar acostumada a comer pão de três dias, chá de capim, etc., exigindo dele uma solução. Ele, então, humildemente, lembrou-lhe que quando discutiam sobre esse problema que poderia acontecer, ela disse que bastaria olhar para os olhos dele que desistiria de tudo. Aí, ela retrucou: “O problema é que não consigo nem olhar para os teus olhos, de tanta fome!” 

É preciso que se converse de forma madura sobre esse assunto, antes do casamento, pois pode trazer consequências funestas no futuro.

 

 4.6  Aspecto Espiritual

 

 É outro terreno perigosíssimo! Dificilmente um casamento dará certo se os cônjuges seguirem orientações espirituais diferentes, ou apenas um dos dois tenha uma orientação espiritual firme. A Bíblia é clara quando questiona que não pode haver união entre luz e treva, entre carne e espírito.

Há casos em que uma pessoa crente casa-se com uma não-crente e, com o passar do tempo, o incrédulo converte-se. Quando Paulo escreveu aos Coríntios, no capítulo 7 da carta, ele perguntou o seguinte: “Como sabes, ó mulher, se salvarás a teu marido?”

Não podemos chegar aqui e ter a ousadia de afirmar que essa união é pecaminosa. A Bíblia não nos dá autoridade para dizer isso, porém nos autoriza a dizer uma coisa para vocês: não é recomendável você procurar um moço não-crente, uma moça não-crente para namorar. Veja bem o que estamos dizendo: não é recomendável.

Desde o Antigo Testamento Deus orientava o Seu povo para que não se casassem com mulheres estranhas aos costumes de Israel. A orientação sempre foi para que as pessoas se casassem com alguém que tivesse as mesmas esperanças e a mesma fé. É preciso que haja compatibilidade espiritual, para que a união seja abençoada por Deus.

Por outro lado, Moisés casou-se com uma mulher estrangeira, e nem por isso Deus deixou de abençoá-lo. Mas, não sem consequência! Mesmo que você viva bem, que Deus continue a abençoá-lo, você vai passar por consequências, por causa desse seu ato. Moisés passou, e tantos outros estão passando hoje ainda.

Com o passar do tempo, as dificuldades vão aumentando, vão aparecendo, pelo fato de termos nos casado com uma pessoa não-crente. Um quer ir num lugar e o outro não acompanha, criando-se um abismo entre os dois. Cada um vai para um lado. O não-crente nunca vai entender por que a esposa nunca o acompanha em bailes, etc... Ele nunca vai entender que estar nessas festas é pecado, que não é bom. Isso nunca lhe passará pela cabeça, pelo entendimento. 

Os vinte anos que passamos a pastorear Igrejas serviram para nos mostrar muitas situações indesejáveis. Já vi moças que foram honradas por Deus por terem sido fiéis nesse sentido. Ao terem paciência em esperar no Senhor, perderam muitas oportunidades oferecidas pelo mundo, mas foram fiéis àquilo que ensina a palavra de Deus.

Crente casa com crente. Os animais, em sua irracionalidade, não se procuram pela própria espécie? Você já viu uma cadela procurar por um coelho? Então, na hora de casar, pense bem na parte espiritual. Muitas menininhas crentes dizem, inocentemente: “Estou namorando um moço incrédulo e vou ganhá-lo pra Jesus.” Com o passar do tempo, sabem o que normalmente acontece? O moço incrédulo é que levará a moça crente para os bailões. A mulher, por natureza, é mais subserviente: a tendência é que, com o tempo, ela ceda aos caprichos do seu namorado ou marido.

Geralmente essas coisas acontecem porque as pessoas não veem dentro da sua Igreja um parceiro ou parceira do seu agrado. É normal, por exemplo, ter mais moças do que rapazes nas Igrejas, mas precisamos pensar, nessas horas, que não é só na nossa igreja que existem rapazes com a mesma formação espiritual. Por isso é bom que se participe de encontros, de congressos, etc. Não estamos dizendo para os jovens irem lá com essa motivação, mas é por aí que a coisa acontece. Procurem conhecer outras pessoas de outras Igrejas evangélicas da cidade! Procurem se associar! Você vai lá para adorar a Deus, para conhecer mais de Sua Palavra, mas também vai ver se o seu “Jacó” está por lá dando bobeira.

Você precisa se colocar nas mãos de Deus para que essas coisas aconteçam na hora em que Ele queira. Ore a Deus, e na hora certa aparecerá aquela pessoa preparada para a sua vida. Pense nisso, ou poderá pagar um preço muito alto pela impaciência ou desobediência. O que tem de pessoas arrependidas por aí!...Quantas dizem assim: “Ah, se me tivessem orientado, quando era moça”!

Você sabia que tem Igrejas onde não se fala sobre essas coisas, pastores que não entram nessa questão? São agarrados em coisas que não tem valor nenhum, como usos e costumes, e se esquecem de falar de coisas importantes como esta.

Deus está falando aqui! Considerem essas palavras que estão sendo faladas aqui! Quem sabe Deus está querendo te livrar de um sofrimento maior amanhã! Tenha Fé! Espere pacientemente no Senhor! Se você crê em Jesus para a Salvação da sua alma, por que não crê numa operação tão simples e pequena como essa? Se Deus cura, liberta, salva, converte marginais, por que Ele não faria uma coisa simples como a de colocar diante de você um companheiro crente, com uma fé e esperança semelhante à sua?

O problema é a falta de paciência. Fique imaginando que coisa boa você deitar e ler a bíblia com a pessoa amada... Que coisa boa conversar com ela sobre a programação da Igreja... Que coisa boa!

Agora, imagine-se vivendo com um incrédulo: ela convida para orar e ele ri; ela o convida para irem na igreja e ele resmunga que se não podem ir no bailão, então quer ficar vendo o Fantástico. Já pensaram o que esses dois vão passar na vida?

 

 4.7  Parte Sentimental

 

 Outra coisa que precisamos observar é o sentimento que está no nosso coração, pois existem pessoas que confundem amor com paixão.

Paixão é algo muito parecido com amor, mas não é amor. Quando alguém escolhe um companheiro ou companheira para a vida, através desse sentimento chamado paixão e não pelo amor, deve estar correndo perigo, pois paixão, em primeira instância, significa algo passageiro, tendo mais a ver com a atração física do que com sentimentos espirituais, morais e intelectuais que formam a solidificação e um casamento.

Paixão está para atração física assim como o amor está para os sentimentos interiores das pessoas. Nós temos valores internos que são chamados de valores solidificadores do casamento.

Tem pessoas que não se preocupam com o caráter da visão, olhando apenas para os aspectos físicos, deixando-se dominar por paixão, um sentimento que é o oposto do amor verdadeiro e duradouro. O amor, quando cultivado, perdura, enquanto que na paixão não há atitude nenhuma que a faça perdurar; é um sentimento passageiro. Quando passa o calor naquela paixão, as pessoas abrem os olhos e começam a perceber defeitos que antes não haviam percebido.

Paixão é algo passageiro, momentâneo, que só tem a ver com a emoção descontrolada, com volúpia. Para que não possa diferenciar os sentimentos de amor dos sentimentos de paixão, faremos agora uma bateria de perguntas-teste, e vocês poderão avaliar o que andam sentindo. Com suas respostas, você poderão discernir melhor entre amor e paixão.

 

 

a) Teste de resistência:

 

 Quando o que você sente é paixão, ela não dura muito. No namoro, ela já pode ser detectada, pois começa a se manifestar. E só aparecer os primeiros problemas, os equívocos, as dificuldades do namoro, e a paixão não resiste. Ela explode! A paixão não tem paciência, não tem aquele sentimento do amor em nossa vida.

Enquanto a Bíblia diz em 1 Coríntios 13 que “O amor é paciente...”, a paixão é o contrário. Quando não há paciência, quebra-se a resistência, não ultrapassando o período normal e convencional de um namoro.

 

 a)  Teste de hábitos

 

 Quando você ama, você não ignora os defeitos do seu companheiro, embora tenha conhecimento deles. Porém, quando você sente apenas atração física, você, não dá a devida atenção àqueles problemas. Você os ignora! Já o amor sabe: “Você tem tal defeito, mas eu te amo assim mesmo.” “Você fala demais, mas apesar disso, eu te amo!” O amor tem algo de inteligente, de coerente, de amplo, não nos cegando para a realidade da vida.

Já a paixão cega!  Vê-se os problemas e finge-se que ele não existe! Não se fala daquilo, pois pode quebrar o encanto!

 

  c)  Teste de ciúme

 

 Quem não tem amor e vive apenas uma paixão, é ciumento! O texto 1 Coríntios 13 diz que o amor não arde em ciúmes, pois o amor confia. Minha esposa pode ser gentil e cordial com outras pessoas, sem que eu tenha arroubos de ciúmes. Se eu amo, eu confio! 

A paixão, entretanto, nos torna inseguros, exatamente por causa das suas características: passageira, momentânea, precipitada, impaciente, ignorando os defeitos do outro. É dessa maneira que você vai ficando sempre preocupado de que possa surgir alguém melhor do que você e tome o seu lugar.

O amor, pelo contrário, traz segurança, pois é um sentimento que vem de Deus. A primeira coisa que o amor faz em nossas vidas é nos tornar seguros. Garanto que o teste do ciúme é infalível. 

Vou falar de uma coisa boa da televisão, agora. Aquela novela “Sinhá Moça”, que passou há muito tempo no horário das 18 horas, foi uma novela boa, inspirada em fatos históricos. Ali, o rapaz apaixonado escreveu um bilhetinho para a sua amada, onde se lia: “Quem ama, confia.” E é verdade! É bíblico, inclusive! Novela boa, séria, falando de coisas sérias da história brasileira.

  

 

5.  QUANDO O NAMORO É PREJUDICIAL

 

 

O namoro deveria ser tão somente um fator de crescimento para a vida, porque é a arte de se aprender sobre gente, num nível alto, honesto, bem pessoal e íntimo. O namoro deveria ser apenas uma bênção, algo que nos erga para cima, porque o referencial do namoro é Jesus Cristo.

Falamos o verbo “deveria” no tempo condicional, pois, infelizmente, há a possibilidade do namoro ser uma coisa prejudicial. Veremos agora, nessa linha prática que estamos abordando, quando é que o namoro pode ser prejudicial.

 

 5.1  Ausência de metas

 

 Já falamos bastante sobre isso anteriormente, quando refletimos sobre a visão de Salomão, no item 1, especificamente quando ele observava a determinação de um navio, no meio do mar, em alcançar o objetivo traçado com antecedência.

  

5.2  Namoro possessivo

 

 Tem pessoas que amam tanto, que não querem dividir a pessoa amada nem com a própria mãe ou com o próprio pai. Possessividade é algo que macula todo tipo de relacionamento. Se o amor, como já foi dito, é um sentimento que nos deixa seguros, então por que tanta necessidade de posse?

Minha namorada pode ter amizade com o vizinho, com os irmãos da Igreja... A possessividade é prejudicial ao namoro, pois pode prejudicar até a comunhão na própria Igreja: Muitos, após iniciarem um namoro, já não ensaiam mais, não fazem mais parte do grupo de evangelismo, de visitas a hospitais, às casas... Param com tudo! Tem pastores desesperados por aí, por causa desses namoros ciumentos. São jovens que são forças positivas na Igreja, mas que abandonam tudo por causa do namoro.

 

  5.3  Namoro leviano

 

  Também já falamos desse assunto anteriormente, mas não com essa praticidade, comentando sobre o respeito mútuo que deve haver entre o casal. Ao contrário, leviandade é a falta de respeito, é o não-cumprimento da Palavra. Quantos casais estragam seu relacionamento porque estão se tornando levianos, não cumprindo a Palavra empenhada!

Há uma verdadeira crise de não-cumprimento da palavra no mundo em que vivemos, esse mundo de mentiras, onde os políticos não têm mais credibilidade, por terem se tornado levianos, onde seu discurso distanciou-se da prática. Pregam uma coisa e vivem outra. Isso é leviandade. Dessa forma, a prática não tem mais valor porque as pessoas se tornaram levianas. Em todos os escalões dos diferentes seguimentos da sociedade atual se vê essa crise de credibilidade. 

Esse valor perdido precisa ser restaurado nas relações afetivas, como é o caso do namoro, pois toda relação implica em lealdade, fidelidade, respeito mútuo, verdade, e no cumprimento da Palavra. Nunca minta para seu namorado ou namorada! Quando você disser que vai fazer tal coisa, faça! Cumpra a palavra! Quanto mais você cumprir a sua palavra, mais credibilidade ganhará junto à pessoa amada. Você estará sendo considerado uma pessoa confiável pelo seu cônjuge. Se acontecer de você não chegar na hora marcada, sua namorada nem se preocupará: “Deve ter acontecido alguma coisa, pois ele nunca falta a um compromisso!”

Que coisa bonita! Viu como é bom não ser leviano? A leviandade é ruim em qualquer relação. É uma coisa nociva que corrói, que mina toda a estrutura de qualquer tipo de relacionamento. Até mesmo entre pai e filho não pode haver leviandade: nunca prometa nada a seu filho, que não possa cumprir! Seja um exemplo para seu filho! Isso só cultivará na criança um conceito de que a sua palavra não tem valor, trazendo como desdobramento que a criança repassará essa ideia para todas as pessoas. Essa criança passará a não acreditar também naquilo que a professora disser, enfim, estará sempre em dúvida, em qualquer relacionamento que vier a ter.

 

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

  

O desejo do nosso coração é que tenhamos contribuído, ao menos um pouco, para o esclarecimento dessas questões importantes da vida afetiva dos nossos jovens.

Exortamos a todos os queridos leitores a que mantenham acesos em seus corações os princípios norteados considerados aqui, segundo a visão de Deus, e que este material sirva de pesquisa pessoal sempre que você se defrontar com um dos problemas aqui mencionados.

Se algumas pessoas tiverem sido edificadas no que diz respeito à visão correta do relacionamento afetivo, e que tenham sido orientadas nos aspectos básicos do padrão bíblico para o casamento bem sucedido, já estaremos felizes.

Encerrando, queremos registrar que alguns dos conceitos aqui emitidos tiveram como fonte de inspiração livros que tratam especificamente deste mesmo assunto, que lemos pelo correr dos anos, dentre os quais lembramos apenas os títulos e registramos abaixo.

Damos glórias a Deus por sua infinita bondade, pelo fato de ter nos utilizados como instrumentos propagadores do Seu propósito eterno, que é o de guiar Seu povo pelo caminho de toda a verdade.

 

 

 

 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

 

CHRISTENNSON, Larry. A família do cristão normal. Editora Betânia, 1988, 208 p.

D’ARAÚJO FILHO, Caio Fábio. Abrindo o jogo sobre o namoro. Belo Horizonte: Editora Betânia, 1985, 59 p.

SHORT, Ray. Perguntas sobre sexo, namoro e amor.  São Paulo: Editora Mundo Cristão, 144 p.

 

 

 

 

Por: Bartolomeu de Andrade

Publicado em 29/08/2016

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