A família cristã

 

A FAMÍLIA CRISTÃ

SOB O PONTO DE VISTA DE DEUS

 

 

1. INTRODUÇÃO



Cada membro de uma família tem o seu papel a desempenhar dentro dela e Deus deseja que ela esteja bem estruturada, que ela viva de uma maneira espiritual. Só assim os propósitos de Deus poderão entrar em pleno funcionamento.

Uma vez o Dr. Billy Graham, notável pregador norte-americano, disse o seguinte:

 

“A base de uma sociedade reside exatamente na solidificação das famílias, e o Satanás, nosso adversário, concentra todas as suas forças especificamente sobre essa base da sociedade, pois uma vez destruída a família, a consequência imediata será o desmoronamento da nação ela onde estiver vivendo.”

 

 Imagine o que seria da sociedade, se não houvesse a família! Não haveria respeito, não haveria autoridade, e a anarquia se instalaria de uma maneira absoluta. É embasado nisso que Satanás tenta desestabilizar a família e, por consequência, toda a sociedade.

No Seu Sermão Profético, Jesus apontou, como um dos dois pontos iminentes da Sua volta, a desestruturação familiar: “Até pelos pais, irmãos e amigos sereis entregues, e matarão alguns de vós...” (Lucas 21:16).  “Nesse momento, disse Jesus, levantai vossas cabeças para o alto, pois a vossa redenção se aproxima.” (Lucas 21:28)

Devemos observar com bastante atenção e seriedade esses assuntos, meditar em cima de suas verdades e, acima de tudo, colocá-las em prática, pois de nada adiantará sermos ouvintes “esquecidos” da Palavra de Deus. Seria o mesmo que tentar enganar a nós mesmos (Tiago 1:22). 

Temos que pregar o que vivemos.  Se eu, por exemplo, ensinar pela Palavra as vantagens de se fazer cultos domésticos, mas não os realizo com minha família, então estarei enganando a mim mesmo, estarei pregando uma prática cristã saudável, terapêutica, mas que eu mesmo não pratico.  Temos, então, que ser ouvintes-praticantes da Palavra!

Oremos para que Deus nos ajude a ser ouvintes-praticantes da Palavra! A primeira Igreja é a nossa família! Só depois que nossa família estiver bem é que deveremos nos preocupar com a congregação que frequentamos. Se as famílias estiverem bem, a Igreja, por consequência, estará bem, também.

  

2. O PAPEL DO HOMEM CRISTÃO

 

 Deus, através da Bíblia, manifesta abundantemente Seu agrado pelo testemunho daqueles que O temem. Os bons filhos dão testemunho de Sua existência e de Sua grandeza, em todos os atos das suas vidas.

E o que é necessário para que tenhamos um testemunho assim? Primeiramente, é necessário que tenhamos uma família cuja existência esteja diante d’Ele, assim como Abraão a teve (Gênesis 19:1-7), uma família verdadeiramente cristã. Um dos motivos que fez com que Deus escolhesse a Abraão como o grande patriarca foi o fato dele ter tido a faculdade de reunir a família, filhos e cumprir o seu ministério dentro da própria casa.

A primeira Igreja deve ser a nossa família. A primeira ideia que um filho deve ter de Deus, como Pai, passa pela conduta do seu próprio pai terrestre, pela grandeza de coração do próprio pai, pois os filhos que rejeitam a seus pais, dificilmente conseguirão chamar a Deus de Pai, uma vez que essa palavra não lhes lembraria nada que lhes agradasse.

É preciso que tenhamos testemunhos para dar, e entre eles esteja o governo de nossa casa. Deus, antes de me olhar dentro da igreja, tem Seus olhos voltados para o meu desempenho como chefe de família, para o meu relacionamento com meus familiares, dentro da própria casa.

Como tenho sido como marido? Como tenho tratado minha esposa e meus filhos? Tenho sido cristão dentro de casa? Se a resposta for não, Deus não poderá me olhar dentro da igreja, pois tenho que ensinar à minha família a ser temente a Deus, a ser fiel à Sua Palavra. De que adianta ganhar almas lá fora, se nossos filhos estão se perdendo dentro da nossa própria casa? A ordem de importância é: Deus → Família → Igreja.      

 

 

 

2.1  CONVERSÃO FAMILIAR

 

 Temos que nos converter a nossos filhos e nossos filhos têm que se converter a nós! Os pais podem até ser convertidos perante Deus, mas não parecerão convertidos necessariamente, diante dos filhos.  A nossa conduta dentro da nossa casa tem que ser cristã!  O pai tem que ser o maior responsável pelo cristianismo da mulher e dos filhos, devendo reunir a família e pregar-lhes a Palavra. O pai precisa ter a autoridade de Deus, caso contrário o seu lar se desmoronará!

O pai não deve transferir essa responsabilidade para a mãe ou para a professora da Escola Bíblica Dominical. Só quando o pai não é cristão é que se pode aceitar a sua omissão na liderança espiritual do lar. Nesse caso específico, o pai descrente será abençoado pelas reuniões do restante da família.

O pai é o chefe da família, é o líder, e esse é o principal ministério do pai.  É por esse motivo que o inimigo de nossas almas costuma fazer de tudo para que você se esqueça de reunir sua família, de realizar o seu culto doméstico. 

Muitos pais não entendem porque seus filhos se desviam dos caminhos de Deus. Tome uma posição! Peça a graça de Deus para que Ele o capacite a falar das coisas divinas com seus filhos e com a sua esposa! Cante hinos e outros cânticos espirituais com sua família e ela jamais se desviará! Faça uma escala familiar: um lê, o outro canta, o outro ora, e assim por diante. Faça da sua casa uma extensão da Igreja!

 

 

 

2.2  LIDERANÇA, SACERDÓCIO E PROFECIA

 

 

Esses são os três ministérios do homem, do chefe de família, dados diretamente por Deus. Ele é líder quando conduz sua família, toma as iniciativas com autoridade; é sacerdote quando ora a Deus intercedendo pelos seus, pedindo unção para ensinar a eles as coisas divinas e; é profeta quando põe em ação a vontade de Deus, ensinando a Palavra para os seus.

Quanto aos ministérios proféticos e sacerdotais do pai, Deus quer ver se estamos diariamente anunciando a Palavra, se primeiro falamos com Ele intercedendo pela nossa família, para somente depois fazer o papel de profeta. Ore pelo seu lar, pela sua família, pelos seus filhos, pela sua esposa! Jejue pelo seu filho rebelde, fazendo isso naquele dia em que está dispensando um almoço especial, ficando durante aquele almoço passando momentos de intercessão pelo filho.

Precisamos arrumar tempo para a família e não somente para a Igreja. É bom repetirmos que o marido deve antes constituir uma Igreja dentro da sua própria casa! Só depois é que deverá dispensar tempo para a Igreja.

Ba primeira carta a Timóteo 3:4,5 Paulo orienta àqueles que desejam ter cargos na Igreja, dizendo-lhes que estão desejando uma boa coisa, mas que antes é preciso que eles governem bem a sua casa.  Quando numa casa o pai fica calado e a mãe toma a frente das coisas em seu lugar, passa a acontecer um desencontro com a Palavra de Deus, passa a acontecer uma inversão de valores. Que cada um reconheça o seu papel dentro daquilo que Deus estabeleceu.

Muitas vezes ocorre que o pai deixa todas as responsabilidades do lar nas costas da esposa, iniciativas que deveriam pertencer a ele: “Vá falar com sua mãe!”; “Isso é com a sua mãe!”;  “Ah, não sei... veja lá com a sua mãe!”   É... Tudo com a mãe! E onde fica o ministério do pai? Temos que nos espelhar em Abraão e Jó, exemplos edificantes de liderança familiar!

O pai deve ser o espelho de Deus para a sua família. A primeira ideia que um filho tem de Deus como Pai, passa pela experiência que ele tem com o seu próprio pai: a conduta, o coração, a confiança... Filhos que rejeitam pais dificilmente conseguirão chamar a Deus de Pai, pois essa palavra lhes traria lembrança de coisas ruins, como falhas, má conduta, desconfiança, enfim nada de agradável, nada de bom.  Seja, portanto, um canal para a imagem de Deus para o seu filho!

Basicamente, este é o papel do homem na casa:  ele é o governante, o sacerdote, o chefe, o servo, o profeta, ele fala a Palavra para os seus familiares...  O homem é o iniciador de todas essas tarefas, porque Deus assim o estabeleceu. Sendo assim, cumpramos!!!

 

 

3. O PAPEL DA MULHER CRISTÃ

 

 

 

 

Segundo Provérbios 14:1, “toda mulher sábia edifica a sua casa, e a tola destrói com suas próprias mãos.”  O mesmo livro, em seu capítulo 24:3 diz:  “Com a sabedoria se edifica a casa, e com a inteligência ela se firma.” Porém, quando se chega ao capítulo 31:10-31 lemos e constatamos que uma das coisas mais necessárias para que a mulher edifique a sua casa é que tenha o temor de Deus no seu lar.

Neste texto, podemos traçar um paralelo entre a beleza exterior numa mulher, que pode ser bela exteriormente, mas feia no seu íntimo. Quando Deus diz que “enganosa é a graça” (v.30), está querendo nos dizer que a beleza externa pode ser ilusória quando é única na mulher. Porém, quando a mulher combina a beleza exterior com a beleza interior, quando combina a beleza física com o temor de Deus no coração, ela é privilegiada, passa a ser uma mulher bonita por dentro e por fora.

O Espírito Santo nos ensina, aqui, que não devemos ter uma motivação errada, uma visão fixada apenas naquilo que estamos enxergando. Quantos casamentos são realizados ignorando esse ensino de Deus, residindo apenas na admiração ao exterior, ao superficial, ao fútil.  É por esse motivo que muitos casamentos não chegam nem a dois anos, terminando da mesma forma e rapidez com que acaba o engano da formosura, quando apenas ela é o fator determinante para edificar uma coisa tão importante como é a nossa família e o nosso lar.

Nós precisamos modificar essas nossas motivações, essa nossa maneira de olhar! Nós precisamos buscar valores interiores, corações quebrantados, tementes a Deus!  Antes de admirarmos a cor dos olhos, admiremos a cor da alma!  Antes de procurarmos os predicados físicos, observemos os predicados espirituais da mulher com quem estamos querendo associar a nossa vida, nessa sociedade sagrada, que é o casamento.

É preferível casar com uma mulher feia, cheia de valores de Deus no coração, a casar com uma mulher bonita, que amanhã estará transgredindo a Palavra de Deus, dentro do próprio lar. Que Deus nos ajude a entender o que é importante para nossas vidas, quais as prioridades para ela.

A Bíblia nos diz que “o temor do Senhor é o princípio da sabedoria” (Salmos 111:10), e se analisarmos o capítulo 31 de Provérbios, veremos ali que a sabedoria da mulher vem do seu temor a Deus.  A mulher que quer edificar a sua casa, o faz através das suas palavras, através das suas ações, reações, atitudes, postura...  Mas só terá sabedoria para fazê-lo, se ela tiver temor de Deus no seu coração.

 

Há mulheres que simplesmente não temem a Deus, falam e dizem qualquer coisa dentro da sua casa, desrespeitam seus maridos com a maior tranquilidade. Se Deus estabeleceu o homem como mantenedor e provedor do seu lar, e a mulher o desacata, fica claro que essa mulher não teme a Deus! Ao contrário: ela O desafia, ela O desrespeita, também! Não há a menor dúvida de que está lhe faltando sabedoria.

Existe uma frase muito desgastada, usada sobre os casamentos, que diz uma verdade tremenda: Deus não tirou a mulher da cabeça do homem, para que ela governasse o homem, pois o homem é quem governa a sua família; Deus não tirou a mulher do pé do homem, para que o homem não pisasse a mulher, não a escravizasse; mas a tirou da costela do homem, para que fosse amparada pelo homem, para que fosse parte fundamental dele.

As mulheres, no fundo, gostam de se sentir protegidas e amparadas pelos seus maridos, pois assim tudo se estrutura de acordo com a vontade de Deus. Ela deve, então, deixar-se liderar pelo homem e, em resposta a essa liderança, deve respeitá-lo, evitando, assim, obstruir o fluxo das bênçãos sobre a família.

Sara, mulher de Abraão, chamava a seu marido de “Senhor”, tal era o respeito das mulheres antigas pelos seus esposos. Era a cultura da época, o costume de então, respeito que poderia ser o mesmo hoje.

Enquanto a função do esposo é basicamente amar e guiar, a da sua esposa é respeitar o seu esposo e submeter-se a ele.  Efésios 5:22 em diante confirma o que estamos ensinando.

 

 

3.1 SUBMISSÃO GERA PROTEÇÃO

 

 

Vejamos, agora, uma definição que gostamos muito, para a palavra submissão: “Submissão é a atitude de um coração em resposta ao amor de Deus, e não subordinação, como muitos pensam. Não será um atestado de que a partir dali o marido poderá pisar em cima dela.”

A passagem acima de Efésios traça um paralelo entre Jesus e a Igreja, e entre o marido e a sua esposa. Vejamos:

            Cristo ama a Deus........................... Submete-se a Ele;

            A Igreja ama a Jesus....................... Submete-se a Ele;

            A esposa ama o marido................... Submete-se a ele;

            O esposo ama a esposa.................. Protege-a.

 

O resultado dessa submissão traz proteção, segurança. Cristo estava seguro no Seu caminhar porque amava e era submisso a Deus; e Deus O protegia e guardava! Quando a mulher se submete a seu esposo, quando sente que o seu esposo a ama de fato, essa mulher está protegida contra as astutas ciladas do diabo, contra os condicionamentos do maligno, contra uma série de coisas que deveriam acontecer, mas que não acontecerão, em virtude da existência da sua submissão. Submissão gera proteção.

 

 3.2  DEUS ESTÁ POR TRÁS DO MARIDO

 

 

É essa a visão que as mulheres devem ter, em relação a seus maridos, pois Deus os estabeleceu para a posição de líderes familiares. O pior é que a maioria das mulheres não olha para a posição que o marido ocupa, proveniente de Deus, mas para a personalidade falha que ele possa ter, a personalidade humana deles. Com isso, não se submetem e, dessa forma, distorcendo as coisas, desobedecem a Deus.

Não cabe à mulher brigar com o marido, discutir sobre decisões financeiras da casa. O seu papel é deixar-se dominar por ele, embora possa estar certa e ele errado. Ela não tem o direito de interferir, pois pode estar impedindo a Deus de disciplinar ao seu marido, naquele momento do erro. Deus o ensinaria, caso ele estivesse errado, e lhe mostraria que sua mulher tinha razão. Esse é o método de Deus que as mulheres, normalmente, querem atropelar:  frequentemente Deus usa o fracasso do homem a fim de discipliná-lo.

Assim, se começarmos a praticar a Palavra de Deus dentro das nossas casas, Deus certamente vai fazer uma obra no seio da família. A mulher tem o direito de falar, de opinar, mas a decisão é do marido.  É nesse momento que entra a submissão da esposa, mesmo que o marido tenha falhas, fraquezas de caráter, fraquezas morais, mesmo que não entenda como deve agir dentro dessa posição que ele ocupa por Deus. A esposa deve se submeter a ele, pois foi Deus quem o colocou nessa posição. Não brigue! Submeta-se! Agindo assim, você estará, por extensão, submetendo-se ao próprio Deus! E Deus sabe como recompensar àqueles que obedecem à Sua Palavra.

 

 3.3  O HOMEM É A CABEÇA DA MULHER

A mulher é a extensão do marido, da mesma forma que a Igreja é a extensão de Cristo; Cristo é a cabeça da Igreja, enquanto que o homem é a cabeça da mulher.

Uma mulher evangélica, certa vez, passou a orar mais do que de costume, pela manhã, e com isso atrasava o almoço para o seu marido e filhos quem vinham do trabalho e da escola.  Criou-se o conflito, pois a esposa achava que pelo fato de estar tratando de coisas espirituais, justificava-se plenamente pelos seus atrasos. O marido e os filhos, por seu lado, tinham horários de trabalho e escola a cumprir e estavam sendo prejudicados. Procurando o pastor para um aconselhamento, o marido recebeu como resposta que o erro estava na sua esposa.

Ao ser procurada pelo pastor, aborreceu-se e ficou olhando mal para ele. Depois de algum tempo, num culto de Santa Ceia, perdoou-se com o pastor, entendeu ser mais prudente diminuir o seu período de oração e cumprir com os seus deveres de dona de casa.

No Salmo 119, o salmista diz: “Sou mais inteligente do que os meus mestres, porque obedeço à tua palavra, Senhor.” Há sabedoria, há inteligência, entendimento no coração da mulher quando ela, na sua casa, gasta tempo lendo a Bíblia, compreendendo os desígnios de Deus e obedecendo àquilo que está escrito nas Sagradas Escrituras.

Se o temor do Senhor é o princípio da sabedoria, a meditação das Escrituras é o aperfeiçoamento dessa sabedoria. Esposas, não deixem de ler a Bíblia todo dia, pois há tempo para tudo: para o serviço, para levar as crianças ao colégio, atender ao marido, ler a Bíblia, conversar com Deus, orar pelo esposo e pelos filhos.

 

3.4  A MULHER VIRTUOSA

 

Baseados no texto Provérbios 31:10-31, que estamos estudando, veremos agora as características que que marcam a virtuosidade da mulher, ensinando como deve ser a mulher virtuosa, assunto tão mencionado nas igrejas.

 

3.4.1 Generosidade

 

Generosidade é uma característica marcante a ser observada na mulher, pois Deus a separou para ser mãe, para que tivesse filhos com um amor parecido com aquele que Deus tem, como Pai. A mulher generosa deve viver a vida à moda de Deus, não podendo ver um filho aflito sem se comover, um necessitado sem estender a mão. A mulher generosa é bondosa, faz o bem e não o mal (v.12); é benigna, abre a mão aos aflitos e aos quebrantados (v.20).

 

 

3.4.2  Previdência

 

Essa é uma característica que a mulher deve ter para auxiliar seu esposo, para lhe servir de suporte. Com ela, a mulher cuida para que as coisas compradas sejam boas, saudáveis; não compra roupas de má qualidade, que possa se tornar num prejuízo futuro; cuida para que não falte luz na lamparina (v.20).

Essa é a mulher precavida, que tem precaução com as coisas utilizadas, mantendo as roupas limpas e guardadas. Se toarmos a realidade bíblica, veremos que o marido não vai ter o desprazer de acordar no meio da noite e descobrir que a lamparina ficou sem combustível no reservatório e se apagou. Isso é obrigação da mulher.

Atualmente, tem mulher que só percebe que está sem gás no fogão, no momento em que está cozinhando! E lá vai o marido cansado, depois de chegar do trabalho, buscar o botijão de gás, caso pretenda comer. O caminhão do gás passa o dia inteiro buzinando na rua, mas a mulher imprevidente não pensou em poupar seu marido de mais esse incômodo desnecessário. No tempo do Antigo Testamento, a preocupação era com o azeite da lamparina, com lenha para o fogo; hoje, é com o gás de cozinha!

A mulher previdente não deixa para seu marido, na hora de descanso, aquilo que ela poderia muito bem ter assumido enquanto ele estava fora trabalhando. Seu marido não precisa ter o aborrecimento de querer trocar de roupa e descobrir que aquela desejada ainda está por lavar.

 

3.4.3  Trabalho

 

A mulher virtuosa não pode ser preguiçosa (v.15,27); ela precisa ser trabalhadora, ativa, não se acordar às 11 horas!  O texto diz o contrário: mostra a mulher levantando-se de noite para instruir os empregados e preparar alimentos para a sua casa! Mulher ágil, dinâmica e eletrizante! Cuida da iluminação, coordena os serviçais, faz as compras com inteligência e sabedoria. 

Essa é a mulher que sabe das coisas, o oposto de certas mulheres que não sabem nem quanto custa um quilo de carne, sobrecarregando o esposo, pondo todas as preocupações e compromissos nas costas dele.

A mulher deve administrar a sua casa ativamente, mas sempre debaixo da supervisão do marido, auxiliando, sempre se mantendo debaixo da autoridade dele, e nunca tomando a liderança das coisas.

Alguém poderá, neste momento da reflexão, perguntar como é que as mulheres atualmente trabalham fora de casa. Bem, apesar do texto bíblico não se referir a isso, afirmamos que o trabalho fora de casa é lícito para a mulher, pois estará auxiliando o esposo na sustentação da casa. Na época em que o livro de Provérbios foi escrito, isso não acontecia ainda, não por ser proibido, mas porque não era necessária essa ajuda para o padrão de vida da época.  O que sucedia naquela época, por exemplo, era a mulher tecer roupas para casa e para vender. Ela trabalhava domesticamente com indústria e comércio, já naquela época, mas dentro da própria casa, ou ajudava nos trabalhos de plantio e criação de animais. (v. 22,24) Uma das características da mulher trabalhadora é o seu discernimento em prover as coisas, em se antecipar aos acontecimentos.

À propósito, lembramos o caso em que Jesus estava na casa de Simão, o leproso, e uma mulher quebrou um vaso de alabastro, impregnando o local com um maravilhoso perfume, deixando os discípulos sem entender nada, uma vez que ela usou em Jesus, dos pés à cabeça, todo o conteúdo do caro perfume. Ela foi criticada imediatamente pelos discípulos, por causa de tal extravagância, chegando a imaginar quanto teriam conseguido em dinheiro, se tivessem vendido todo aquele perfume. Jesus, contudo, exortou-os, pois eles não haviam conseguido entender que aquela mulher estava se antecipando: ela estava ungindo o corpo de Jesus, que logo estaria numa sepultura. É uma ação cristã, que nos dá condição de nos antecipar aos eventos.

 

3.4.4  Equilíbrio

 

Precisamos aprender que a esposa virtuosa, a mulher cristã, a mulher que tem Deus, não é bela só por fora, mas é bonita também por dentro, tendo essa característica destacada no versículo 25:  ela é equilibrada.

Força e glória, força e dignidade. O problema das mulheres que compõem o movimento feminista é que elas têm força, mas não têm a dignidade; uma mulher evangélica deve ter força e também dignidade.

Essa força do feminismo é força com pecado, com egoísmo, muitas vezes com adultério, enfim, com pecado.  Por outro lado, muitas vezes tem faltado para a mulher cristã a força, e tem lhe sobrado a dignidade.  Por isso, a mulher virtuosa do texto em estudo desponta com um modelo de mulher cristã, no equilíbrio desses valores: força e dignidade. Ação sem bênção e dignidade com passividade não trazem o equilíbrio sugerido pelo verso 25.

 

3.4.5  Como falar

 

Vemos no verso 26 que o uso adequado da língua é uma das características na composição de conduta da mulher virtuosa, visto que o seu mau uso, pelas mulheres, tem sido um grande motivo para dissensões, contendas e desarmonia generalizadas. Por isso o apóstolo Paulo ensina que devemos ter cuidado para que não saia de nossa boca palavras levianas, mas as que forem úteis para edificação.

Com relação às mulheres, especificamente, Paulo diz que elas não devem andar ociosas, de casa em casa; e não só ociosas, mas também faladeiras e curiosas, falando o que não convém.  Esses conselhos estão registrados no livro de Efésios 4:29 e 1 Timóteo 5:13.

 

 

4. PROPÓSITOS DIVINOS PARA O CASAMENTO

 

E Deus criou o homem à Sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou. E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a Terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar, e sobre as aves do céu, e sobre todo animal que se mova sobre a terra.  (Gênesis 1:27,28)

 

E disse o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma adjutora que esteja como diante dele. (Gênesis 2:18)

 

 

 Acreditamos que este texto que acabamos de ler seja o melhor que Deus usou para esclarecer o motivo da união de um homem com uma mulher.

Este é o assunto que estudaremos a partir deste momento: o relacionamento conjugal propriamente dito. Assim que percebemos o motivo com que Deus projetou a união do homem com uma mulher, por trás dessa ação de Deus aprenderemos muito a aperfeiçoar o nosso relacionamento pessoal. 

Deus estabeleceu que as coisas seriam assim, que vivêssemos em casal, que constituíssemos uma família, que associássemos nossa vida à vida de uma mulher e que dividíssemos nosso cotidiano até o fim.

Vejamos, agora, os três motivos que fizeram com que Deus unisse o homem a uma mulher, desde o princípio da criação: 

 

4.1  COMPANHEIRISMO

 

 

 

A primeira coisa a observar (2:18) é que Deus não achou bom que o homem vivesse solitário.  Se nos transportássemos, pela fé, para os jardins do Éden, veríamos que Deus criou todas as coisas, colocando ali, naquele lugar, o homem com autoridade sobre todas as plantas e animais.

Pelo texto, vemos que Deus tinha comunhão com o homem: Ele vinha, ao entardecer, observar e conviver alguns momentos com aquilo que Ele criara. Quando Deus observou que Adão precisava de companhia, ele não pensou num elefante, nem de qualquer outro animal que vivesse sob o seu domínio, pois esses Adão já os tinha. Essa companhia teria que ser compatível com a sua própria natureza, pois leão, elefante ou árvores já estavam juntos de Adão, mas em outros níveis de vida. Não poderia acontecer comunhão entre Adão e essas coisas.  Foi aí que Deus resolveu: “Far-lhe-ei uma adjutora, que esteja diante dele.”

Voltando ao nosso tempo, vemos hoje que as pessoas não olham para essas necessidades de companheirismo, quando estão para se casar, descuido que nos leva a sofrer muito, no nosso casamento. Examine, por um momento, as pessoas que estão para se casar: elas pensam em tudo, menos nisso!

A primeira função da mulher, no casamento, é ser amiga do esposo, companheira na acepção da palavra. Existem casos em que a moça se queixa de não ter liberdade para falar certas coisas com o namorado, ou com o noivo. A verdade é que não pode haver constrangimentos entre pessoas que pretendam formar uma sociedade de vidas, uma convivência integral para sempre.

Existem situações na vida da gente em que todos nos abandonam: pastores, amigos, irmãos, filhos-na-fé, enfim, momentos em que sentimos a necessidade de uma companheira, aquela pessoa que esteja pronta para enfrentar tudo conosco. É nessa hora que este texto bíblico fala forte conosco, pois veremos que o sexo estará em terceiro ou quarto lugar, no casamento.  O companheirismo ficará em primeiro lugar! A mulher, antes de ser amante, precisa ser uma amiga, uma companheira.

Se estudarmos a etimologia da palavra companheiro, veremos que significa aquele que compartilha, que partilha o pão. A mulher é a nossa principal companheira, pois é com ela que compartilhamos tudo.

E Deus anteviu essa afetividade entre marido e mulher. Talvez entendamos melhor, agora, o que já comentamos sobre isso, no momento em que Deus escolheu uma companheira para Adão. Não pode haver isolamento entre os participantes do casal, ou falta de comunicação; não pode haver constrangimentos entre o homem e a mulher, quando pretendem formar um casal. Os laços de companheirismo não podem se desatar!

  

4.2  ASSISTÊNCIA

 

 Deus, no Éden, havia dado uma série de incumbências ao homem, e quando lhe proporcionou uma companheira, foi para auxiliá-lo nessas atividades ou responsabilidades.

Todo homem tem uma tarefa espiritual. Nem todos pregam, nem todos são obreiros, mas todos têm um compromisso com Deus. Adão, por exemplo, teve uma mulher para ajudá-lo, como assistente, nesse trabalho diante de Deus.

Porém, o que vemos hoje em dia é justamente ao contrário: é normal vermos mulheres colocando obstáculos no trabalho espiritual dos homens, quando elas foram colocadas ao lado dos homens para facilitar, para tornar mais leve o trabalho deles. Nossa mulher tem que ser nossa assistente no trabalho de Deus, uma pessoa a encorajar as iniciativas do esposo.

Muitas mulheres causam problemas, são verdadeiros estorvos na vida de seus maridos, sentem-se trocadas pelo ministério de seus esposos, ao invés de ajudá-los a cumprir essa árdua empreitada. Isso está em desacordo com a Palavra de Deus. A mulher deve dar graças a Deus pelo fato de seu esposo estar fazendo alguma coisa para o Senhor! Ajude-o, então!  Assista-o!  Dê-lhe condições para que esse trabalho aconteça!

Conhecemos pastores que sofrem por causa dessa falta de assistência. Suas mulheres são verdadeiras pedras nos seus caminhos, são egoístas, reivindicam tudo para si, impedem o crescimento de ministérios tremendos. Só pensam em si mesmas e são egoístas demais! Se já está difícil para o homem servir a Deus no mundo de hoje, que as esposas não aumentem essas dificuldades!

 

 

4.3 SEXUALIDADE

  

Somente em terceiro lugar, na ordem de importância, vem a sexualidade. Deus primeiro providenciou a companheira e esta ajudaria ao companheiro; somente após esse companheirismo, essa sociedade de trabalhos se concretizar é que poderá acontecer a parte carnal. 

Deus ordena para o casal frutificar, se multiplicar, encher a Terra e cuidar dela (1:28), mas nunca pretendeu que a sexualidade se tornasse uma coisa egoísta, só para o casal; pretendia, sim, que a sexualidade desse frutos, que povoasse a Terra, embora passando pelo prazer carnal. A mulher, então, além de assistente, de companheira, é também uma amante! A sexualidade, dessa forma, é uma bênção, pois vem de Deus.

Devemos ter uma vida sexual maravilhosa, profunda, até! Provérbios 5:18 diz que o homem deve gozar a vida com a mulher da sua mocidade. A Bíblia ensina que é digno de honra o leito matrimonial e que não há sujeira no sexo, quando colocado na sua real prioridade, dentro da sua categoria, aos olhos de Deus. Confirmamos, então, que o sexo é uma bênção dos céus.

Deus nos deu a mulher para que pudéssemos nos expressar sexualmente com ela, de maneira livre, sem peso, sem culpa e sem temores. Sexo é uma bênção dentro do casamento. Assim, não pode haver barreiras, falsas moralidades em defesa de uma falsa espiritualidade.

 

 Por outro lado, a Bíblia diz que o sexo não pode se constituir numa atividade egoísta. Quantos traumas resultam da noite de núpcias! Torna-se um problema sério o homem pensar só em si mesmo. Só põe na cabeça que esperou por muito tempo por aquilo, aí vem a falta de tato, a falta de compreensão de que está partilhando de um ato a dois, esquecer que a mulher é um ser muito frágil, e vai por aí.

É preciso lembrar que o homem sente-se excitado sexualmente até pela visão, mas a mulher só se excita pelo afago, pelo carinho, pela voz, pela ternura, pela meiguice.  Poucos homens entendem isso. Fazem da vida sexual um desvio de conduta, um peso para a própria vida espiritual e, muitas vezes, um peso enorme, esmagador para a mulher.

A verdadeira felicidade conjugal acontece quando um cônjuge consegue fazer o outro feliz. Não seja egoísta no seu relacionamento sexual!  Pense primeiro no bem-estar e no prazer da sua companheira, antes de pensar em si mesmo!

Estamos falando abertamente de sexo porque, segundo a Palavra de Deus, o sexo é uma bênção dentro do casamento e, por isso, não deve ser tratado como um tabu. A sujeira não está no sexo, mas na forma como o mundo está tratando as coisas do sexo, nas afirmações erradas que o mundo passa e muitos crentes recebem. O sexo não foi inventado pelo diabo, mas por Deus!

Muitos problemas externos do casal podem estar sendo resolvidos no momento em que a vida sexual estiver sendo abençoada, mas quando não houver egoísmo no ato, quando um compreender os desejos do outro. Por outro lado, se a sexualidade vai mal, isso repercute nas outras atividades do casamento. Muitos problemas se originam de uma vida sexual mal resolvida. 

Sexo é uma bênção! Ele deve ser experimentado com prazer, sem egoísmo e com espiritualidade. Ore a Deus pela sua vida sexual, para que ela seja uma bênção, para que Deus estimule, incentive, dinamize, abençoe, revele, mostre, esclareça, guarde e proteja! Há vários textos na Bíblia que falam sobre a área sexual. Peça a Deus que dê entendimento bíblico sobre a questão sexual e passe, então, a praticar o sexo com seu cônjuge, sem nenhum ressentimento, sem medo!

A primeira carta de Paulo aos coríntios (7:4,5) diz que os casais não devem se separar, os cônjuges se privarem um do outro, a não ser por mútuo consentimento, para se aplicarem à oração, mas que depois deveriam se ajuntar novamente, para que o diabo não os tente. É a Bíblia estimulando a expressão e o relacionamento sexual do casal; é a Bíblia orientando a vida sexual; é Deus falando sem nenhum tabu, sem nenhum constrangimento.

 

  

 

5. NOÇÕES PRÁTICAS DA BOA CONVIVÊNCIA CONJUGAL

 

 

Baseados em muitos anos de experiência com aconselhamento de casais, procuraremos agora mostrar algumas situações que vão se criando com o passar do tempo, na maioria dos casamentos.

  

5.1  SUPERVALORIZAÇÃO DOS DEFEITOS

 

A primeira coisa que aconselhamos a um casal, no momento do casamento, é fechar os olhos para os problemas que possam existir entre os dois. O melhor tempo para abrir os olhos para problemas é durante o namoro e o noivado; depois, tem que haver um desligamento. O companheiro ou companheira que Deus lhe deu, agora está ao seu lado e você terá que viver bem com essa pessoa.

O propósito de Deus é que você viva para sempre junto da pessoa com quem se casou.  Divórcio jamais foi da vontade perfeita de Deus. Jamais. O divórcio apareceu na Bíblia por causa da dureza dos corações, para atenuar e evitar o mal maior, para legislar uma separação de fato, e que não era de direito. Mas não foi fruto da vontade de Deus.

O namoro não deve se transformar num período de sonho e fantasia, atração sexual, pois serve para abrir bem os olhos com aquela pessoa com quem você pretende se casar. Se ela lhe desrespeitar agora, como namorada, imagine depois, como esposa, quando já tiver atado você legalmente!  Por outro lado, se ele é tão grosseiro com você agora, como namorado, imagine depois que se casar! A verdade é que algumas pessoas entram num romance de olhos fechados, e só querem abrir os olhos depois que se casam.  Aí será tarde demais.

As coisas se revelam naturalmente; você é que não estava com os olhos abertos! Depois que se casa, você tem que aturar, tolerar, ser paciente, orar a Deus, procurar na Bíblia os princípios do casamento. A coisa mais nociva é essa maneira que as pessoas têm de procurar defeito no outro depois do casamento.

 

 

 

5.2  DESRESPEITO À INDIVIDUALIDADE

 

 Este é outro problema que só aparece depois do casamento: certos maridos acham que poderão mudar suas mulheres após o casamento, querendo transformá-las nas mulheres que eles projetaram para sua companheira. Porém, a única pessoa que pode fazer isso é Deus! O homem não tem poder e nem autoridade para isso.

Às vezes querem que a mulher goste daquilo que eles gostam! Temos a nossa individualidade!  O homem e a mulher têm que se respeitar mutuamente, no que concerne aos gostos. Essas coisas têm separado casais, também.

É preciso que se diga que nem Deus muda o temperamento de alguém. O que Deus faz é disciplinar temperamentos e controlá-los, pelo poder do Espírito Santo. Se eu sou brincalhão, minha mulher não pode querer que eu me transforme num homem sisudo! Se fui um mundano brincalhão, me transformei num crente brincalhão e tranquilamente vou ser um velho brincalhão! 

A única coisa que pode mudar é que as minhas brincadeiras passam a ser censuradas pelo Espírito Santo, e eu passarei a selecionar mais as minhas brincadeiras, para que as mesmas não se revistam de mau testemunho e de escândalo.

Assim acontecerá se eu for melancólico, colérico, sanguíneo ou fleumático.  Vou morrer com o meu temperamento, apesar dele ser disciplinado pelo Espírito Santo. Ainda bem que Ele vai controlar o meu temperamento, ou não nasceria a nova criatura.

Muitos problemas seriam evitados se um não tentasse alterar o temperamento do outro. Ame o seu cônjuge como ele é, pois você o escolheu para viver com você!

 

 

5.3  FALTA DE FLEXIBILIDADE

 

 

Outra coisa que devemos saber, no casamento, é que devemos ceder alguma coisa. Muitas vezes o homem fica na sua posição, não aceitando sacrificar nada das suas ideias. Certos costumes atrapalham o andamento do casamento: um homem, por exemplo, costuma sumir nos fins-de-semana, o que gera reclamações da esposa. Tudo tem um limite, uma medida! O homem precisa ceder um pouco, mesmo que ache que não está fazendo nada de errado. Discipline um pouco essas manias! Passe mais tempo em casa!

Muitas vezes o homem não cede em nada, a esposa da mesma maneira, e não vai acontecer concórdia, bem-estar na família. Se cada um andasse metade do caminho, ambos se encontrariam no meio dele. Portanto, cada um deve ceder um pouco, por amor ao seu cônjuge e pelo futuro do seu casamento.

 

 

 

5.4  INDIFERENÇA AFETIVA

 

 

A demonstração de apreço e sensibilidade é uma atitude importante no casamento, e têm resolvido muitos problemas. As palavras e os gestos são formas de demonstrar apreço e sensibilidade, prática que é interrompida depois dos primeiros tempos de casamento. Aí começam as queixas: “Você não é mais aquela pessoa atenciosa do tempo em que casamos!”  “Você não me beija mais quando está saindo!”  “Você não manda mais um cartãozinho, quando está viajando!” ...

Essa familiaridade, resultante pelo tempo de convivência no casamento, pode ser a causadora da perda de apreço entre o marido e a esposa, da perda da sensibilidade.  Se antes, quando eram apenas namorados, eram tão atenciosos, melosos um com o outro, agora que são casados, mais íntimos, a atenção deveria ser maior ainda!

Veja o ato de presentear, por exemplo: quando as coisas não vão bem e aparecem esses atos de apreço (presentinho, flores, bilhetinhos...) certas diferenças tendem a ser amenizadas.  Aniversário de casamento, datas festivas em geral, requerem demonstrações de apreço, sensibilidade; isso tende a funcionar como uma terapia.

A intimidade, com o passar do tempo, produz um desgaste natural. Somos atenciosos com os estranhos e esquecemos de sê-lo com nossos próprios cônjuges. Muitos homens pensam que ser carinhosos com suas esposas é dar tudo o que elas querem materialmente, mas isso é tratamento com prostitutas! Carinho é outra coisa! É o tratamento, é o tom de voz, é o carinho no falar, o gesto... Peça, use o termo “por favor”, e não esqueça de agradecer!  Seja gentil!  Não perca oportunidade de elogiar sua esposa! “Como você está bonita hoje!”  A verdade é quem com o passar do tempo, muitos tratam suas esposas como se fossem empregadas!

As mulheres, por sua vez, desrespeitam seus esposos, não os tratam com deferência, com o respeito que Deus ensinou. Se o marido tem que ser um cavalheiro, a mulher tem que ser uma dama! 

Quantos casais resolvem as diferenças a partir do momento em que despertam para essas coisinhas importantes! Não se relaxe, não caia no desleixo!  Renove-se!  Principalmente vocês, esposas: cuidem da higiene, da falta de pudor, da familiaridade exagerada! Mantenha aquela reserva de feminilidade dos primeiros tempos de casamento, não permitindo que esses encantos desapareçam!

 

5.5  AUSÊNCIA DE PARTICIPAÇÃO

 

 

Foi estabelecido por Deus que o homem deve administrar os bens da família, mas ele não deve deixar a esposa alheia, distante, dependente completamente. Seria bom se a cada final de mês o marido separasse uma quantia de dinheiro e desse para sua esposa, como se fosse uma mesada, para ela comprar aquilo que quisesse, como bijuterias, coisas pessoais aparentemente sem valor, mas que para a vaidade feminina são importantes. Conceda um pouco de privacidade para sua mulher, concedendo-lhe um pouco de liberdade.

Muitos maridos agem como guardiões, carcereiros, quando deveriam se comportar como protetores. Guardiões e carcereiros são pessoas que só inspiram medo, mas não amor ou respeito. É bom pensar nisso!

Muitos casamentos têm dado errado por causa da despersonificação da mulher, da sua falta de identidade, de liberdade.  Já imaginaram uma mulher não ter um “trocado” com ela, depender do marido para pedir dinheiro em cada comprinha irrelevante?  Isso é desumano!

O marido não deve transferir suas revoltas para a família, descarregar nela os seus problemas, suas frustrações do trabalho. Não seja um dominador, um tirano, mas seja, antes, um líder, um protetor, um coordenador das coisas da família.

  

 

6. RELACIONAMENTO DOS PAIS COM OS FILHOS 

 

 

Eis que vos envio o profeta Elias, antes que venha o dia grande e terrível do Senhor; e converterá o coração dos pais aos filhos e o coração dos filhos a seus pais; para que Eu não venha e fira a terra com maldição. (Malaquias 4:5,6) 

 

Muitos de nós estamos convertidos a Deus, mas não estamos convertidos a nossos filhos. Existem características latentes na vida do filho e na vida do pai, quando estão convertidos uns aos outros.  Se olharmos para nossa relação com Deus, após a nossa conversão, vamos ter o entendimento no que diz respeito a essa conversão familiar. O que nos aconteceu de mudança, em relação a Deus, deve também acontecer com relação ao filho.

Existem pais que não dialogam com seus filhos; não existe espírito de fraternidade, de amizade entre eles. Quando há conversão familiar, os pais e os filhos são amigos, conversam, estão juntos, da mesma forma como estamos juntos do Senhor. Assim como nossa alma tem comunhão com Jesus Cristo, o pai, quando é convertido a seu filho, tem prazer em gastar seu tempo com ele.

Por incrível que pareça, essa tem sido a causa da maioria dos desvios nas nossas casas. Há pastores amargando a tristeza e a vergonha de verem seus próprios filhos dando mau testemunho na igreja, isso quando estão na igreja!  Algumas vezes, os filhos de pastores estão no mundo, vivendo uma vida tão dissoluta, que ninguém, olhando, poderia supor que aquela moça ou aquele rapaz tenha sido criado num ambiente evangélico, durante sua infância.

Há pais que não dialogam, não conversam com seus filhos. Lemos um dia, que um pastor, em Nova York, pediu licença por um ano das suas funções, para investir no seu filho. Seu filho estava começando a sair dos caminhos do Senhor, e ele, assustado, foi orar. E Deus falou com o pastor: “Você tem tempo para todas as coisas, para todos os filhos de todas as famílias da igreja, mas não arranja tempo para o seu próprio filho!”  A partir daí, o pastor resolveu licenciar-se do ministério.  Esperou a igreja ficar bem cheia num domingo, e declarou publicamente: “Eu perco o meu salário, me afasto do meu ministério, mas não perco o meu filho! Vou investir este ano inteiro nele. Ele vai ser o meu campo missionário.”

O pastor passou a viver mais perto do filho, a compartilhar com ele suas experiências e, ao final daquele ano, seu filho estava cheio do Espírito Santo, andando com seu pai no caminho de Deus. O pastor voltou ao seu ministério na igreja, e sua vida familiar teve o reinício desejado.

Há quem diga que esse pastor foi a primeira pessoa a pregar sobre Conversão Familiar, nos Estados Unidos. Até esse ponto, esse assunto ainda não estava muito claro, tendo algo em oculto, pois lia-se o texto em Malaquias, mas não se entendia direito o que ele estava ensinando: “...converterá o coração dos filhos aos pais, e dos pais aos filhos...”

Há mães que têm uma dificuldade muito grande em conversar coisas íntimas com suas filhas, deixando de prepará-las para os períodos perigosos de suas vidas. Como resultado, as filhas vão aprendendo essas coisas fora de casa, na rua, de maneira distorcida, coisas que a mãe poderia ter ensinado pela forma mais direta e correta possível.

 

 Tem mocinha que quando menstrua pela primeira vez, toma um susto, pois não foi preparada para aquele acontecimento. Se a Bíblia diz que nós somos responsáveis pelos nossos filhos, por que são criadas barreiras tão grandes? Tem gente dizendo por aí que sexo não é assunto para conversar entre pais e filhos! Devemos deixar, então, que esse assunto seja ensinado para nossa filha por um namoradinho mal-intencionado, ou por uma coleguinha que já fez sexo com vários rapazes da escola?

Precisamos assumir uma postura transparente! Peçamos a ajuda de Deus para que esses tabus sejam quebrados, que desapareçam esses constrangimentos arcaicos e absurdos!

Pais, chamem seus filhos e conversem abertamente com eles sobre drogas, sexo, etc.  Ensinem-lhes sobre sexo lícito e sexo ilícito:  o primeiro, vindo de Deus, e o segundo, do diabo.  Você tem uma tarefa a cumprir, como pai! Não se envergonhe e não se intimide! Você tem autoridade de pai e de mãe! Não permita que outros, erradamente, ensinem coisas a seus filhos aquilo que Deus outorgou a você! A responsabilidade é de vocês! 

 

 

6.1  COMPROMISSO DE AMOR

 

 

 

Vejamos, agora, algumas características do pai, que é convertido ao seu filho, para que entendamos o texto que estamos estudando:

O pai se compromete de amar o filho de tal maneira, que tudo o que for necessário, ele vai fazer.  O exemplo do pastor que licenciou-se para cuidar do filho é muito bom para ilustrar essa característica.  Costumamos abandonar o fruto do nosso sangue, do nosso ventre, em troca de compromissos que temos com a obra do Senhor, ou de compromissos seculares, permitindo que barreiras sejam criadas entre nós e nossos filhos. Enquanto isso, nossos filhos estão indo para o mundo, passo a passo.

Às vezes, gastamos meses na conversão de uma família, mas não gastamos um tempinho sequer na conversão do nosso filho, deixando-o de lado, como ele tivesse, obrigatoriamente, que se transformar num crente só pelo fato de ser nosso filho. É muita pretensão de nossa parte!  Nosso filho é outra vida, não é a nossa vida!  Ele precisará ser convertido a nós, mas primeiro precisaremos ser convertidos ao coração dele.

Você tem saído para passear com o seu filho? Você tem proporcionado prazer ao seu filho por estar na sua companhia? Este tipo de comportamento ganhará a simpatia do seu filho.  Este prazer se transformará em confiança, admiração. Quando você tiver que falar de Jesus para seu filho, ele o escutará com a mesma simpatia, confiança e admiração. Seu coração já estará preparado para ouvir a Palavra de Deus!

Separe um dia da semana que você não tenha outro compromisso e gaste-o com sua família.  Abra a Bíblia e leia para eles!  Vá passear com eles!  Isso é conversão do coração do pai com o coração do filho.

  

 

6.2  DIÁLOGO

 

 

 

Um dia, no Rio de Janeiro, um pastor tinha um filho pequeno e o viu chegar muito triste da escola. Como ele era um pai que convivia com o seu filho, escolheu uma parte da tarde e chamou o filho para uma conversa. Após insistência para descobrir o motivo da tristeza, o garoto confessou que estava enfrentando problemas na escola, por ter roubado um cinzeiro.

Pois é... Um menino, filho de pastor, estudante de séries iniciais, e roubando um CINZEIRO!  Para quê? O pai não fumava, o garoto menos ainda! Para quê ele queria um cinzeiro?  Se o pai fosse uma pessoa despercebida, o erro continuaria despercebido também, com possibilidade de evolução, de alastramento. O pecado ficaria alojado no coração do menino, sem restrições.

Mas o pastor conhecia o seu filho, e notou a diferença no seu comportamento. Estava aberto para o diálogo. Ele se aproximou, teve percepção, sensibilidade para perceber essas alterações comportamentais.

Nesse momento, o pastor não poderia admoestar seu filho como se tivesse a sua idade, como se tivesse o seu entendimento da vida. Orou, então, a Deus, pediu sabedoria para agir e, em seguida, usando como exemplo as massinhas escolares de moldar, explicou ao filho, pedagogicamente, o erro que ele havia cometido. O filho começou a chorar, entendendo tudo, pois foi admoestado de uma maneira que ele entendia.

Está claro que leituras bíblicas, termos teológicos não teriam dado resultado, nessa situação. Pediu ao pai que tirasse dele essas marcas que estava moldando, após ter entendido o excelente exemplo dado pelo pai, com as massinhas. Foi aí que o pai ensinou-lhe que só Jesus teria capacidade de ajudá-lo. O filho, então, fez uma oração, da qual o pai nunca mais esqueceu. Devolveu o cinzeiro, a mando do pai, e livrou-se daquele peso.

Existe um chavão por aí, dizendo que “filho de peixe é peixinho.”  Porém, posso lhes assegurar que “filho de crente não é crentinho!” Ele vai ter que ser salvo, vai precisar se converter como qualquer pessoa, ter seu encontro pessoal com Jesus! Só dele! Essa tarefa, infelizmente, não cabe aos pais, não poderá ser feita por eles.

 

 

6.3  TRATAMENTO AMOROSO

 

 

Não se pode disciplinar um filho quando estamos passando por um momento de raiva, pois fatalmente diremos coisas das quais poderemos nos arrepender.

Essa parte de fazer confissão de amor, é muito importante.  Você não pode ficar adjetivando seu filho a todo momento: “Burro! Palhaço! Você não aprende nada! Não sei a quem puxou!”  E lá vai a criança para a escola, consciente de que é burra, de que tem deficiências mentais para aprender coisas, que serve de vergonha para os pais... Tais frases marcam indelevelmente a criança pelo resto de sua vida! Só o sangue puro de Jesus poderá libertar o coração de uma criança marcada dessa forma.

 

Eu mesmo sou testemunha disso. Nasci num lar desajustado e muitas vezes ouvi essas coisas. Foi por isso que busquei refúgio nas drogas. Eu só consegui ser libertado mais tarde, pelo poder de Nosso Senhor Jesus Cristo. Diretamente por Ele!

A instabilidade familiar provoca filhos desajustados, ansiosos, cínicos. Essas coisas, na minha infância, me chocaram, violentaram a minha personalidade. Qualquer acesso a outro tipo de convivência é aceito imediatamente por um filho nessas condições, pois ele não tem ainda essa estrutura emocional que temos falado.

Seja duro, seja enérgico, seja exigente, mas não use de palavras que firam a sensibilidade do seu filho em formação, palavras que possam vir a destruir o seu caráter. Ao contrário, devemos lhe falar coisas amorosas.  Que bonito um pai dizer ao filho: “Eu te amo, meu filho! Sou teu amigo. Sou muito feliz por Deus ter me dado a tua companhia.”

            

 

7. RELACIONAMENTO DOS FILHOS COM OS PAIS

 

 

A partir de agora, veremos algumas características do filho que é convertido a seus pais, uma situação recíproca de tudo aquilo que vimos no capítulo anterior.

Todo filho que é convertido a seus pais, os aceita incondicionalmente. Há filhos que não aceitam seus pais, envergonham-se deles, temem apresentá-los a seus amigos, a seus professores... Envergonham-se do modo do pai falar, do jeito da mãe andar...  São filhos que não foram convertidos a seus pais, que precisam abrir o coração para que Jesus possa fazer a Sua obra.

O filho convertido abraça-se com seu pai, enrosca-se no pescoço da sua mãe, faz confissões de amor a eles, é amigo, é companheiro, está sempre por perto. Ele se dispõe à obediência.

Há filhos que não se interessam por nada que seus pais fazem, pela profissão deles, afazeres domésticos, não mostram consternação por aquelas coisas que agradam a seus pais. Com certeza, não são convertidos aos corações de seus pais; precisam se converter! A coisa deve funcionar assim: o plano do pai deve ser o mesmo plano do filho; o desejo do pai deve ser o mesmo desejo do filho. O que se espera é que o filho se esforce, que ofereça ajuda de vez em quando. Afinal, Jesus não foi até às últimas consequências para ajudar ao Pai?

Tudo o que o pai faz e tem é para conforto e segurança de sua família, dos seus filhos e da sua esposa: a casa, o carro, os utensílios... Por que os filhos não reconhecem isso? Dê essa alegria ao seu pai! Ofereça-se para ajudar! Isso faz um bem tão grande no coração de um pai! Isso traz orgulho para um pai!

Essa é a obra de Deus: converter o coração do pai ao filho, e o do filho ao pai. Se nós crermos nisso, Deus fará essa obra, e o Senhor será glorificado em nossas vidas. 

 

Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isso é justo.  Honra a teu pai e tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa; para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra.  E vós, pais, não provoqueis a ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor.  (Efésios 6:1-4)

 

Então, o mandamento de Deus é que devemos honrar aos nossos pais, que devemos obedecê-los, para que se cumpra em nós essa promessa de Deus. Observe que na Bíblia nós temos as promessas condicionais e as promessas incondicionais. Esta promessa de longevidade (longa vida) para os filhos que honrarem aos pais, é uma promessa condicional, e o texto mostra isso claramente:  “Honra a teu pai e tua mãe, para que te vá bem...”

Há uma condição clara, pela parte de Deus. Há uma promessa de benefício de Deus para a nossa vida e uma promessa de que vamos viver muitos anos na face da terra. O filho obediente aos pais, o filho que sabe honrar a seus pais, terá em si o cumprimento da promessa de Deus.  Ele será bem sucedido naquilo que ele fizer e vai viver muitos anos na face da terra.

 

 

8. A DISCIPLINA FAMILIAR

 

  

Falaremos, agora, da responsabilidade que os pais têm com relação aos filhos. Quando um pai ouve pela primeira vez o choro do seu bebezinho lá no hospital, além da alegria, da lágrima, o pai deveria erguer seus olhos para Deus e pedir ajuda nessa responsabilidade da criação daquele filho. Sua responsabilidade triplicou, a partir daquele momento, no que diz respeito à sua postura de casa. Há um livro evangélico, o qual eu recomendo, que trata desse assunto especificamente, cujo título é “Criar filhos não é brincadeira”, da autora Alta Mae Erb.

 

 

Antônio Gilberto, um psicólogo-pastor da Assembleia de Deus, em São Paulo, disse numa conferência sobre a família, que se os pais não tomassem cuidado para criar os filhos na doutrina e admoestação do Senhor, na disciplina do Senhor, teriam motivos de sobra, mais tarde, para chorarem e se envergonharem, porque foram negligentes na criação deles.

Esse irmão provou cientificamente que até os nove anos de idade, o caráter e a personalidade dos seus filhos já estarão totalmente formados. Ele baseou sua conferência nesse assunto, dizendo que os pais ficam sempre protelando para amanhã o assunto da disciplina dos filhos:  Só tem quatro aninhos. Deixa para tratar disso quando estiver com oito.  Depois, vão falando em deixar para quando estiver com dez anos... 

Segundo o Pr. Gilberto, a essas alturas o tempo já terá passado irremediavelmente, e seus pais terão perdido a grande oportunidade que o tempo lhes ofereceu, porque dos primeiros anos até aos nove, o caráter da criança estava sendo formado.

A tarefa de educar os filhos é gigantesca. Quando você disciplina o seu filho de acordo com a Palavra de Deus, você estará incutindo na própria personalidade dele, no caráter dele, os valores espirituais. É por isso que a Bíblia diz, em Provérbios, que devemos ensinar à criança o caminho em que deve andar, porque depois de grande não se esquecerá dele. E por que não esquecerá? Porque tem memória boa? Não, é porque quando a criança está em sua idade tenra, o ensino da Palavra de Deus, que os pais estão introduzindo, fará parte da própria personalidade daquela criança. Será um subsídio junto a outros subsídios oferecidos à criança pelo ambiente em que vive. Tudo o que lhe for ensinado, fará parte do seu caráter, da sua vida futura.

Antônio Gilberto diz que, aos seis anos de idade, 75% do caráter e personalidade da criança já estarão formados. Seis anos de idade! Já pensaram bem nisso?  E tem gente pensando que as crianças estão pequenas demais para entenderem certas coisas!  Quando negligenciamos esse período, estamos perdendo oportunidades que jamais serão reconquistadas, não nos serão oferecidas de novo. É uma necessidade criarmos os nossos filhos na doutrina e admoestação do Senhor, na disciplina de Deus, segundo as Escrituras Sagradas.

Passaremos, agora, a explicar sobre os três modos que Deus nos oferece para que disciplinemos nossas crianças, nos momentos de erro:

 

 

8.1 DISCIPLINA FÍSICA

 

 

 

 

Há muita coisa dentro da Psicologia que não combina com a Palavra de Deus, mas há muitas atitudes dos pais, segundo a Bíblia, que não correspondem com aquilo que Deus pretende estabelecer. Parece que existem extremismos em todas as áreas. Ou assumimos a Psicologia Moderna, a qual ensina que não se deve bater nos filhos, ― de jeito nenhum ― ou se bate de maneira errada, sem sabedoria, sem a direção do Espírito Santo.

Nenhum dos dois caminhos é bom, porque se teremos que criar os filhos sem uma “vara”, então a Bíblia não teria apresentado a fartura de citações acerca desse tipo de punição. Provérbios 22:15 diz que a estultícia (burrice, asneira) está ligada ao coração da criança, mas a vara da correção a afugentará dela. Veja bem que a expressão “vara da correção” aparece de forma literal, no texto bíblico. Tem vez que você precisa disciplinar o seu filho com vara, na medida exata, pois se passar do limite estabelecido por Deus, estaremos fazendo um mal com aquela vara, e não uma correção. O equilíbrio da Bíblia é claro: “Castiga o teu filho com vara, mas não com exagero, para o matar.” (Provérbios 18:18)

Vemos, então, que toda questão reside num equilíbrio. Pais evangélicos precisam ter esse equilíbrio para disciplinar seus filhos, usando a vara, se necessário, pois é um recurso de Deus em nossas mãos.

Uma forma errada e muito usada pelos pais é disciplinar os filhos com vara, no momento em que estão irritados, ou até irados. Junto com as varadas, eles estarão passando uma porção de ira para o filho. No lugar de um remédio, essa ação provocará ira, revolta no seu filho, às vezes inesquecíveis.

Assim, a recomendação de Deus é que se evite a correção no momento em que se estiver irado, naquele estado emocional alterado, pois isso é nocivo para ao caráter do seu filho em formação. Temos que ter a graça de Deus para disciplinar o nosso filho com amor, o mesmo amor com que Deus nos molda, nos disciplina.

Em Hebreus 12:5-11 vemos que Deus castiga todo aquele que Ele recebe por filho, a todo aquele que ama. O amor também tem essa manifestação, pois amar não é só passar a mão sobre a cabeça das pessoas, afagar; tem o lado da correção, também! O amor de Deus tem o seu lado corretivo!

A melhor maneira de compreendermos os tratamentos de Deus para conosco é olhar para a nossa própria família: o pai é uma figura de Deus; a família é uma figura da Igreja. Lá em Hebreus diz que, se estamos sem disciplina, nós não somos filhos, mas bastardos, pois a disciplina serve de credencial para a nossa filiação. Você já parou para pensar nisso?  Bastardo é filho ilegítimo, aquele que não tem direito sobre certas coisas.

Aquela situação de dizer “Eu amo tanto meu filho, que não consigo bater nele”, não é correta, segundo os ensinos de Deus, pois você estará fazendo um mal a seu filho e não um bem.  Temos que fazer as coisas como Deus tem nos ensinado! Se Ele mesmo nos disciplina para provar que nos ama, façamos o mesmo com os nossos filhos! Porém, não o façam os com raiva, descontrolados, mas façamos com amor! Deus, por acaso, nos disciplina com raiva?  Não, Ele nunca fez isso!  E ainda bem que Ele não procede assim, quando erramos, pois não sobraria nada de nós para contar a história, se Ele nos punisse com raiva! Imagine como seria!

Uma vez, um pai disse que, a cada batida que dava no filho, sentia um eco no seu coração.  Outro, em outra oportunidade, disse que após bater no filho, ia para o quarto e chorava junto com o filho. O sentimento pode até ser esse, mas é necessário que aconteça. Sem dúvida, essa é uma reação sadia, uma reação humana. Que atitude espiritual e obediente a desse pai: chora por ter que bater, mas cumpre com a sua obrigação! Sente a dor que o filho está sentindo, mas não se omite!

Existem algumas coisas que precisamos saber, no momento de disciplinar os filhos. Rosto, não é lugar para se bater! Existe lugar bem apropriado para isso! Bater com ira no coração, também está errado! Ore a Deus, que através do espírito Santo Ele vai te guiar, te orientar, dirigir a tua vida com relação a isso.

  

 

 

8.2  DISCIPLINA MORAL

 

 

Tem situações que não exigem a vara literal, mas a palavra, como vemos em Miquéias 6:9.  Ali diz que devemos ouvir à vara, ou seja, à Palavra de Deus nos disciplinando. Em Isaías 11:1-5 lemos uma profecia messiânica (prevendo a vinda de Jesus Cristo), ensinando que Ele tem esse Espírito de sabedoria e de inteligência, que julgaria com justiça e repreenderia com equidade as pessoas da Terra, e que feriria a Terra com a “vara de sua boca”.

Nessas situações, quando a punição não deve ser física, você chama seu filho, põe no colo, abre a Bíblia e fala com autoridade, com energia, em nome de Jesus. Essa admoestação doerá mais no coração do filho, do que uma varada no seu corpo. É a isso que a Bíblia chama de “A vara da Palavra”. Que Deus nos dê sensibilidade para escolher que tipo de disciplina nosso filho está por merecer a cada momento específico!

Assim, acabamos de ver que a disciplina de Deus é física e moral. Tem gente que diz preferir uma surra a ser chamado para “aquela conversinha”.

 

 

8.3 DISCIPLINA RESTRITIVA

 

Esse tipo de disciplina trabalha nas restrição da liberdade. Em Deuteronômio 8:5 lemos que Deus restringiu a liberdade de Israel, para disciplinar ao povo, tirando algumas coisas, para que pudesse entender o que o Senhor pretendia com aquilo, o que esperava com aquilo. Muitas vezes a vara literal não consegue fazer com que seu filho entenda o erro de certas posturas, ações ou reações, mas a restrição o leva a refletir sobre o que fez de errado.

Existe um momento em que um filho não faz determinada coisa que se espera dele, e por causa disso deixará de ganhar algo que estava contando como certo. E ele vai entender! Vai, sim!  Isso é disciplina restritiva, que restringe privilégios para quem não está merecendo tê-los.  Restringe coisas que eles gostariam de ter.

Conforme temos visto, a disciplina dos filhos é exercida por essas três direções: a vara literal (disciplina física), a vara da Palavra (disciplina moral) e a restrição da liberdade (estreitar o caminho que eles trilham).  Porém, se não conseguirmos disciplinar o filho por esses caminhos, é porque está havendo alguma coisa errada com os pais. Seus filhos poderão estar vendo alguma coisa em você que não esteja compatível com a disciplina pela qual esteja sendo punido. Seu filho pode estar vendo em você alguma postura que deve ser exatamente o contrário daquilo que lhe está sendo exigido. Aqui entra a história do “Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço!”

A experiência nos diz que o filho aprende muito mais com o que ele vê do que com aquilo que ele escuta dos pais. Não podemos simplesmente apontar com o dedão o caminho do céu, mas devemos segurar na mão do nosso filho e ir com ele em direção do céu. Não vai adiantar você dizer que o cigarro faz mal, que é errado, se seu filho ver você fumando por aí! Da mesma forma acontecerá com a bebida e com o tipo de ambiente e pessoas que você frequenta. Não vai adiantar você dizer “Não Minta!” para seu filho, se ele vai continuar a te surpreender mentindo para os outros! Nunca esqueça de que você é o herói para o seu filho.

Conheci, lá no Uruguai, um irmão que possuía um defeito físico desde criança. Era uma perna ressequida, por causa de uma paralisia infantil. Ele puxava a perna para andar, logicamente, e usava uma pequena muleta. Um dia, sua esposa surpreendeu o filho de sete anos caminhando pela casa, puxando uma das pernas, tentando imitar ao pai. Ao ser questionado pela mãe preocupada, ele respondeu que queria andar igual ao seu pai! Observe que o filho não vai imitar só o que há de bonito em você!  Vai imitar em tudo!

Outra vez, fomos procurados para aconselhamento por um casal, queixando-se de um filho adolescente, que estava começando a alimentar maus hábitos. Ele estava constantemente se metendo em intrigas, murmurações, tanto em casa como no colégio. Conversamos com ele, mostramos as maravilhas de Deus, e ele ia aceitando tudo muito bem, inclusive as críticas quanto ao seu modo de agir.

Porém, no momento em que passamos a incentivá-lo a frequentar a igreja, dizendo-lhe que era um local para preservar os crentes dos maus caminhos, etc., ele reagiu, dizendo que não concordava. Para ele, a igreja não deveria ser tão boa assim, pois ouvia os pais conversando tantas coisas ruins a respeito dos irmãos, que não poderia considerar a Igreja melhor do que os ambientes onde ele estava indo. Faltava sabedoria aos pais. O filho foi crescendo com uma imagem negativa da Igreja, como se fosse um local de brigas, competições, fofoca, etc.

Conhecemos um obreiro que falava dos problemas da sua Igreja para pessoas não evangélicas. Um obreiro! Um homem que tinha por obrigação divulgar a Palavra de Deus! É um exemplo de como não se deve andar no Espírito. É um exemplo ao contrário de como se deve agir.

Diante de situações reais como essas que contamos, descobrimos que devemos viver num padrão elevado dentro da nossa casa, porque será esse mesmo padrão que nossos filhos deverão seguir mais tarde. 

Por outro lado, existem filhos que têm o maior respeito pelos seus pais. Conheço alguns homens de quarenta anos de idade, de cinquenta, que respeitam seus pais de setenta, oitenta anos, porque seus pais viveram dentro de um padrão espiritual elevado. Basta um olhar do “velhinho” encurvado e seu filho, já de barba branca, fica incapaz de reagir.

Uma vez, uma criança evangélica falou para outra: “O meu pai morreria por mim.”  Dá para notar a imagem que essa criança tinha do amor de seu pai por ela. A outra menina, ao sair do culto, em outro dia, disse: “Agora eu entendo o que significa meu pai para mim. Meu pai é a cruz que eu tenho que carregar.”  Para que se entenda melhor, a mensagem pregada naquele culto falava da cruz que Jesus carregou. Dois pais evangélicos, duas vidas diferentes, dois exemplos antagônicos: um morreria pela filha, enquanto que o outro não passava de um “peso” para a sua.

 

Finalizando essa parte, mostraremos mais dois casos que prejudicam a formação da educação dos filhos:

  

 

8.4  PROMESSA É DÍVIDA

 

 

É a situação em que se promete uma coisa para um filho e não se cumpre. Isso também vale para uma ameaça de punição que não acontece, ou para o presente prometido e não é dado.  Seu filho passará a desacreditar de você! “Seja sua palavra sim, sim; não, não.” (Mateus 5:37)  Sua palavra tem que representar algo para seu filho, tem que ter peso de autoridade, ser digna de confiança.

 

 

8.5  DOIS PESOS, DUAS MEDIDAS 

 

 

É a situação em que o pai pensa uma coisa e a mãe pensa outra, no momento da punição. Vamos clarear mais: é quando um está punindo e o outro chega, sem saber o que está acontecendo, e já vai dando outra opinião, tomando a defesa do filho. Para o filho, fica a ideia de que o pai ou a mãe não sabe direito o que fazer naquele momento, o que provoca uma depreciação pessoal.

A unidade de pensamento pode não existir, em determinadas situações, porém essa diferença deve ser omitida, para só depois ser discutida e resolvida. Que haja silêncio, no momento.  Depois, a parte errada pode até voltar atrás, pedir perdão ao filho, etc. Ninguém perde a autoridade por pedir desculpas, quando erra.  Acabemos com essas ideias machistas.

 

 

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

 

No momento em que estamos terminando de montar este estudo, estamos sendo informados sobre os resultados de uma pesquisa nacional, a qual visa descobrir as principais causas dos divórcios no nosso país. A pesquisa concluiu que as três maiores causas para a separação dos casais, são: o ciúme, os filhos e questões financeiras.

Graças a Deus que este estudo está sendo ministrado num momento em que até essa insensível imprensa nacional está se preocupando com os problemas de ordem familiar.

Se você chegou até aqui, na leitura deste estudo, e achou importante o que acabou de ler, recomendamos que procure na Bíblia cada referência aqui mencionada, e que promova uma reflexão familiar sobre todos os pontos abordados. Oremos a Deus pedindo que os princípios espirituais sejam aplicados na vida de cada membro da sua família.

Não tenha dúvida de que Deus o ouvirá, e que o guardará dessas ondas malignas que estão a solapar nossas famílias. Oremos a Deus pedindo que Ele afaste de nossas famílias os fantasmas do ódio, da contenda, da divisão, da impaciência, etc.

Encerrando, quero registrar aos queridos leitores, que alguns livros me ajudaram a discorrer sobre os assuntos aqui abordados, de autores como Caio Fábio, Watchman Nee e Alta Mae Erb, cujas leituras recomendo. Inclusive, alguns conceitos dessas obras, após terem sido adequadas às características de estilo e linguagem do nosso ministério, foram citadas durante o estudo.

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

 

A família cristã normal. Editora Obra Cristã.

ARAÚJO, Caio Fábio. O que Deus uniu. Rio de Janeiro: Editora Vinde, 1989.

Bíblia sagrada. Edição Contemporânea de Almeida. 01 ed. Deerfield, Florida, USA: Editora Vida, 1995.

BÍBLIA SAGRADA. Tradução de João Ferreira de Almeida. São Paulo: Editora Vida, 1987.

ERB, Alta Mae. Criar filhos não é brincadeira. 07 ed. Belo Horizonte: Betânia, 1986.

NEE, Watchman. A maturidade. São Paulo: Editora Árvore da Vida

 

 

AUTOR

Pr. Bartolomeu de Andrade (1992)

 

 

FONTE

Este estudo foi ministrado pelo Pr. Bartolomeu Severino de Andrade, na Igreja ADI, em Tubarão/SC, em outubro de 1991. Como resultado da gravação das palestras, foi compilado um livreto, cujo objetivo era a distribuição para os membros da denominação. Mais tarde, em 2017, o autor do trabalho, Prof. Walmir Damiani Corrêa viabilizou este estudo para o site www.elevados.com.br. 

 

Por: elevados.com.br

Publicado em 19/06/2017

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