Falsa religiosidade

 

FALSA RELIGIOSIDADE

 

 

O religiosismo humano é capaz de verdadeiras insanidades, incongruências, bizarrias e crueldades. Esse espírito religioso, fora dos princípios de conduta cristã adequada, cega os entendimentos, produz contrassensos e aprisiona as pessoas, tirando delas o direito e a liberdade de servir a Deus e ser feliz com Ele.

Precisamos viver na lei da liberdade em Cristo Jesus, como ensinou o próprio Senhor Jesus e o apóstolo Paulo em seus textos. Pensando com as categorias de seus ensinos, dentre outras coisas, entendemos que a liberdade deve ser com responsabilidade, pois muitas instruções divinas estão atreladas aos tempos específicos e suas culturas e que o bom senso, como no direito jurídico, em alguns casos, é normativo de procedimento.

Como exemplo, dou algumas situações bíblicas que são emblemáticas e fornecem embasamento para minhas assertivas discorridas acima. Cristo justificou algumas atitudes de Seus discípulos, fora dos costumes e da própria lei judaica, aludindo Davi e seus companheiros quando, em função da fome que os acometia, comeram dos pães da proposição no altar do templo, coisa que, segundo a lei, só era permitido aos sacerdotes.

No desdobramento desse meu raciocínio, aponto, também, o fato de Cristo ter trabalhado em alguns dias de sábado, o que era proibido aos judeus, por força legal do mandamento de Moisés. Pela urgência do Reino de Deus que chegava, Jesus se permitiu a essas coisas, afirmando diversas vezes que o homem não fora feito por causa da lei, mas, a lei por causa do homem, de modo que, pelo exemplo de Cristo, todas as coisas são colocadas em ordem de perspectiva correta.

Para que tenhamos uma ideia melhor do entendimento correto das Escrituras, pergunto o seguinte: é da vontade de Deus a escravatura? Deus teria para Seus filhos, em condição de escravos dos homens, orientações no tocante a serem bons escravos, para seus senhores? A reposta certa é não e sim. Como assim, me interpelariam. Explico: Jamais foi ou será da vontade de Deus a escravatura, no entanto, pela maldade e dureza de coração dos homens, essa condição várias vezes existiu e ainda existe na história. Porém, quando acontece dos filhos de Deus viverem essa desgraça, Deus não os abandona, mas os orienta no sentido de que sejam o mais corretos possível, diante dessa injusta condição social, a fim de que possam amenizar com atitudes espirituais, seus próprios sofrimentos, assim como, também, darem bom testemunho diante dos maus.

No texto de Efésios 6:5-9, temos não somente instruções para os escravos, mas também para os senhores dos servos. Os versos 7 e 9, respectivamente, dizem que é para servir como ao Senhor e não como aos homens e que os senhores de escravos, devem deixar de lado as ameaças, sabendo que o verdadeiro Senhor de todos está no Céu, de forma que cada um receberá desse Senhor todo o bem que fizer, seja como escravo ou como livre, de maneira que essas instruções, 

Hoje, para a absoluta maioria das igrejas no mundo, essas menções são obsoletas, extemporâneas, haja vista que não vivemos mais em regime escravista. Isso comprova o que afirmamos no início, quando dissemos que muitas instruções bíblicas têm a ver, especificamente, com períodos distintos da história. 

Impor determinados mandamentos em nossa atualidade, significa atos retrógrados e de inviabilidade cultural. A ordenança da lei mosaica para que o homem não vestisse roupa de mulher, é impraticável em alguns culturas, onde ambos os sexos se vestem do mesmo modo. É assim que uma boa e tradicional saia é perfeitamente adequada para um escocês e um belo e colorido vestido veste dignamente um africano. Mas não ficam bem em nós, brasileiros.

Não se deve dogmatizar culturas e nem sistematizar comportamentos. Por essa razão é que o Novo Testamento regula, através de princípios e normas, mediante sabedoria comportamental que emerge de uma sensibilidade espiritual, fundamentada em amor relacional, considerando e respeitando o outro ser humano. 

Dessa forma, com relação às vestes, o novo pacto de Deus com o homem, estabelece: "Vesti-vos com decência" e com relação à vida como um todo, ensina para que se examine tudo e reter o que é bom, portando-nos de forma varonil, pagando o mal com o bem, revestindo-nos de amor, para que a paz domine nossos corações, e sejamos agradecidos. Que a Palavra de Cristo habite abundantemente em nós, e o que fizermos por palavras ou por obras, façamos tudo em nome do Senhor Jesus, dando por Ele graças a Deus Pai.

Finalizo, contando uma história verídica, para exemplificar de forma vívida a ignorância do religiosismo em nosso meio. Certo pastor, de uma determinada igreja, relutava em batizar uma senhora que frequentava há algum tempo a comunidade, porque ela não tinha sua situação conjugal legalizada junto à sociedade. Vivia com seu companheiro em uma relação estável durante muitos anos, porém ele se recusava a casar-se. Por conta disso, seu grande desejo de fazer parte ativa da igreja, batizando-se e envolvendo-se na obra, ficava contido, em função desse regulamento interno de sua congregação. 

Numa reunião de oração, ela teve uma tremenda experiência com o Senhor, sendo cheia do Espírito Santo. Mais tarde, no culto, seu Pastor a viu jubilar, plena da presença do Senhor, profetizando e falando em outras línguas, na medida em que o Espírito concedia que falasse. Sem nada entender, buscou a Deus em oração, perguntando-se como uma pessoa que estava fora do regulamento padrão da igreja podia ser usada pelo Senhor daquela maneira. Foi quando sentiu, fortemente, a voz de Deus em seu íntimo, a lhe dizer pontualmente o seguinte: 

"Você pune a parte fiel, por causa da dureza de coração do infiel, pois, é o companheiro dela que não quer casar-se, e não ela; você lhe negou a água do batismo, mas eu, no entanto, lhe dei do meu Espírito Santo. Você não deixa que ela seja utilizada aqui na minha casa, enquanto que eu faço do seu espírito minha habitação e a uso para profetizar em meu nome no meio de meu povo. Você age como se fosse o juiz do meu povo, dono da minha casa e noivo da minha noiva. Você valoriza mais o estatuto da sua denominação do que a minha Palavra. Você tem zelo, mas não tem entendimento; tem boa intenção, mas não tem sabedoria. Dessa maneira, você está a ponto de me expulsar da minha própria casa e Eu estou prestes a te vomitar pela minha boca. Eu não quero fazer como fiz em Laudiceia: bater na porta da minha própria igreja para poder entrar no espaço que já é meu, por direito."

 

AUTOR

Pr. Bartolomeu de Andrade, 2014

Por: Bartolomeu de Andrade

Publicado em 10/07/2017

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