Temperamentos: O humor e as emoções do ser humano

 

 

 

 

1.  INTRODUÇÃO

 

Jesus resumiu toda a lei em dois mandamentos: Amar a Deus sobre todas as coisas e amar ao próximo como a nós mesmos. Baseados nisso temos uma necessidade urgente de crescer nos relacionamentos, principalmente dentro do Corpo de Cristo, que é a Igreja.

Sempre que alguma coisa é planejada para o nosso aperfeiçoamento dentro do Reino de Deus, Satanás se intromete, usando até cristãos para atrapalhar determinadas atividades. Com este assunto que estamos começando a estudar, a coisa não é diferente, pois alguns pensadores modernos já começaram a dizer que esse assunto não é encontrado na Bíblia, não leva o crente a lugar nenhum, servindo apenas para desviá-lo do fato de que são salvos, lavados e redimidos no Sangue precioso de Jesus Cristo.

É verdade que este assunto não é tecnicamente abordado na Bíblia Sagrada, porém também é verdade que vivemos neste mundo e precisamos estar alerta para tudo o que pode nos ajudar a fazer melhor o trabalho proposto por Jesus. Trabalhar para o reino requer conhecimento de tudo o que pudermos absorver. Se vamos lidar com uma pessoa recém-chegada à Igreja, e temos à mão instrumentos para diagnosticar como essa pessoa costuma agir, reagir às coisas, é claro que lançaremos mão desses instrumentos.

O andamento dos nossos estudos mostrará quanto este assunto é importante para o dia-a-dia dos crentes, e como isso vai facilitar seu trabalho no Reino de Deus, colocando por terra essas tendências de ver problema em tudo o que se tenta fazer de novo no aprimoramento do Corpo de Cristo.

 

 

2.  DEFINIÇÃO, ORIGEM E FUNCIONALIDADE


2.1  Definições

 

A palavra temperamento origina-se do termo latino “temperamentum” (medida, equilíbrio, combinação), representando a estrutura dominante de humor e motivação em cada ser humano. Também mostra o caráter de um indivíduo, que corresponde ao conjunto dos seus traços psicológicos, que o distingue dos outros. 

Para a Psicologia, o temperamento é a combinação de características congênitas que afetam o procedimento do homem, recebidas dos avós e pais, o jeito de ser de cada pessoa, tudo isso tendo a ver com raça, nacionalidade, sexo e, sobretudo, com herança genética. É involuntário, imprevisível e origina o caráter.

Por falar em caráter, seria bom que não se confundiusse  os termos “temperamento”, “personalidade” e “caráter”:

 

Temperamento: Mostra a intensidade individual da estrutura dominante de humor e da motivação, variando muito de pessoas para pessoa. 

Personalidade: Conjunto de elementos temperamentais herdado durante a gestação e de elementos adquiridos durante as etapas de desenvolvimento, que vêm a formar o mundo interno psíquico de uma pessoa. 

Caráter: Um sinal, marca, mostrando os aspectos gravados no psiquismo e no corpo de cada indivíduo, durante o seu desenvolvimento. Emergiu da Filosofia, passando a ser objeto de investigação científica.

 

 

2.2  Origem dos estudos

 

 

Desde os primórdios, a Ciência tenta classificar o homem, época em que se discutia como os povos deveriam se desfazer dos seus mortos: cremando (fogo), enterrando (na terra), afundando (na água) ou expondo (ao ar). Coincidência, ou não, no século V a.C. o filósofo Empédocles formulou as quatro forças da natureza que têm a ver com o sepultamento citado acima: fogo, terra, água e ar. 

 

 

No século IV a.C. o médico e filósofo grego Hipócrates, chamado até hoje de “Pai da Medicina”, tipificou os quatro temperamentos do ser humano, segundo a teoria dos humores corporais, que explicariam os estados de saúde e doença: colérico, melancólico, fleumático e sanguíneo. Esse pensador serviu-se da concepção dos quatro elementos primários do corpo humano (sangue, fleuma, bile branca e bile negra), para chegar a esse entendimento. O equilíbrio adequado entre estes humores determinaria a saúde, e o desequilíbrio causaria a doença. 

 


 

Mais ou menos na mesma época, o filósofo grego Platão apresentou a sua contribuição para o assunto, fazendo uma classificação psicológica dos quatro tipos de Hipócrates, chamando-os de: Intuitivo, Sensorial, Sentimental e Pensativo.

Baseado na teoria de Hipócrates, o médico romano Claudio Galeno desenvolveu a sua tipologia do temperamento, ligando os males de doença aos quatro fluidos humanos (Bílis amarela, Bílis negra, Fleuma e Sangue), que combinariam com os quatro tipos de temperamentos de Hipócrates: sanguíneo, colérico, melancólico e fleumático.

Em 1798, o estudioso alemão Immanuel Kant descreveu o temperamento como um fenômeno psicológico, a partir da composição do sangue: 


Sanguíneo  (força, rapidez, emoções superficiais);   

Mecancólico  (emoções intensas e ações vagarosas);

Colérico  (ação rápida e impetuosa); 

Fleumpático  (emocionalidade ausente, ação vagarosa).


Na mesma época, outro estudioso alemão, chamado Wilhem Wundt, descreveu o temperamento em 4 combinações: Coléricos/melancólicos (emoções fortes), Sanguíneos/fleumáticos (emoções fracas), Sanguíneos/coléricos (mudanças emocionais rápidas) e Melancólicos/fleumáticos (mudanças emocionais lentas).

Com o aparecimento da Psicologia  no século XIX, renasceram os estudos do comportamento humano, reduzindo-os para apenas dois: INTROVERTIDOS e EXTROVERTIDOS.

No início do século XX, Sigmund Freud enxergava o comportamento humano como um resultado genético e também como resposta ao meio ambiente de cada pessoa, mas outros psiquiatras e psicólogos como Jung, Adler, Heymans, Kretschmer e Pavlov desenvolveram estudos mais efetivos, dando consistência a teorias que são aceitas até os dias atuais.

ADLER, por exemplo, seguindo os passos de Galeno, assim classificava os 4 tipos de temperamento:

 

Governante (agressivos, tiranos, enérgicos, dominantes); 

Dependente (sensíveis, fogem dos eventos exteriores);    

Evitação (melancólicos, evitam  pessoas e circunstâncias); 

Socialmente útil (saudáveis, atléticos, sanguíneos, vigorosos).

 

Alguns estudiosos costumam relacionar os títulos dados aos temperamentos a assuntos ligados ao corpo humano, da seguinte forma: 

 

Colérico (Biótipo hepático); 

Sanguíneo (Biotipo cardíaco); 

Melancólico (Biótipo pulmonar); 

Fleumático (Biótipo renal).

 

 Terminando nosso histórico, Pavlov, referendou os quatro tipo de temperamentos propostos por Hipócrates e Galeno, acreditando que o temperamento tem características inatas, sem influências ambientais, constructos que permanecem até os dias atuais e que são adotados pela IEVL, seguindo a apreciação da moderna Teologia Cristã.

 

2.3  Utilização prática

 

O estudo dos temperamentos ajuda a conhecer as virtudes e defeitos das pessoas que chegam à igreja, e até a nós mesmos, pois antes de queremos enquadrar qualquer pessoa neste ou naquele temperamento, precisamos fazer uma auto avaliação.

Os temperamentos são naturais: a criança já nasce com um determinado temperamento, embora possa o mesmo só vir a se manifestar muito mais tarde. Seu poder inconsciente tem sua raiz na nossa subconsciência, causando um efeito inevitável em nossa vida consciente, em nossas emoções, intelecto e vontade. 

Esse temperamento tanto pode tornar as pessoas extrovertidas e bem relacionadas, como introvertidas; pode tornar algumas pessoas mais entusiasmadas com a arte e a música, e outras com inclinação para esportes ou para a indústria.

Os temperamentos são imutáveis, pois a pessoa já nasce com um tipo de temperamento que a acompanha até a morte. Como esse temperamento não pode ser mudado pela Medicina, por exercícios físicos ou pela Educação, o que pode ser feito é tentar dominá-lo, controlá-lo, de maneira a não permitir que certos impulsos temperamentais nos prejudiquem.

Assim, neste processo de relacionamentos, entender porque os outros agem como agem e conhecer a nós mesmos vai facilitar grandemente a forma como vamos conseguir ter sucesso em cumprir o segundo grande mandamento de Jesus Cristo. A falta dessa informação tem feito muitos crentes retardarem seu sucesso profissional, tem destruído casamentos, e tem até impedido o crescimento da sua vida espiritual. 

 

 

2.3.1 Transformações dos temperamentos

 

 

Um temperamento pode ser camuflado numa criança por meio da disciplina familiar, da educação, da formação cultural, o que acabará dando origem ao seu caráter. Um extrovertido será sempre um extrovertido. Ele poderá crescer nos relacionamentos e conter com equilíbrio a expressão de sua extroversão, mas ainda assim será um extrovertido. O introvertido, igualmente, mesmo saindo de sua “concha” e agindo de forma mais agressiva, jamais se transformará numa pessoa extrovertida.

 

 

Porém, esse temperamento poderá ser transformado pelo poder do Espírito Santo, que habita em nós, pois Ele é transformador dos temperamentos. Jamais as características de nossos temperamentos devem nos conduzir a uma conformação com a situação. (Gn 4:7; 1 Co 9:25 ; Rm 8:29 ; Cl 1:27;  Gl 2:19-20)

Em seus livros, La Haye afirma que “cada indivíduo possa examinar-se a si mesmo, analisando seus pontos fortes e suas fraquezas, buscando então a cura do Espírito Santo para aquelas tendências que o impedem de ser usado por Deus.”

Não existe uma classificação para sabermos qual é o melhor temperamento que existe, pois todos possuem excelentes qualidades e terríveis defeitos. O principal objetivo é que, primeiramente, nos conheçamos para que possamos trabalhar em nossos pontos fracos, deixando sobressair nossos pontos fortes. O próximo passo é procurar conhecer e aceitar os outros como são, crescer nos relacionamentos.

 

 

2.3.2  Características dos temperamentos

 

 

Todos os temperamentos apresentam características positivas e negativas, cabendo ao ser humano dar ao Espírito Santo a oportunidade de trabalhar com liberdade em seu coração. 

Jamais deveremos nos desculpar pelas fraquezas de nosso temperamento, mas precisamos determinar quais são os aspectos que interferem no nosso desenvolvimento espiritual, e depois iniciar uma renovação do Espírito Santo para superar tais fraquezas. Quando entendemos que, pelo Espírito Santo, nossas fraquezas podem ser modificadas, passaremos a nos revestir das características do temperamento controlado pelo Espírito Santo.

 

 

Assim, vamos levantar, a partir de agora, tudo o que possa nos facilitar no convívio com as pessoas que nos cercam, deixando de lado certos aprofundamentos psicológicos, psiquiátricos e filosóficos. Estes, em quase nada nos ajudariam.

 

 

3.  GRUPOS DE TEMPERAMENTOS

 

 

3.1 Temperamento Sanguíneo

 

É uma pessoa “pra cima”, espalhafatosa, contador de piadas, de fácil convivência, tendo a tendência de tocar nas pessoas enquanto fala com elas. Está sempre de bem com a vida. As histórias dos outros sempre lhe despertam emoções (risos ou choro). Pela sua natureza de se envolver e por falar alto, normalmente contagia o ambiente em que se encontra, embora às vezes não tenha nada importante para dizer. Dizem que quando um sanguíneo entra numa sala, é sua boca que entra em primeiro lugar. 

Por não gostar de solidão, prefere ter grande convívio social, muitos amigos, exercendo grande atração sobre o sexo oposto e por isso sofre mais tentações sexuais do que os demais tipos de temperamentos. Tendo um coração afetuoso, sempre pronto a servir, perdoa com facilidade, tomando suas decisões pelos sentimentos e não através de reflexões. 

Por outro lado é uma pessoa um pouco despreocupada e desorganizada. Tendo dificuldade em seguir instruções à risca, dificilmente consegue terminar aquilo que começa. Distraído, tende a falar com uma pessoa e dar atenção a outra.  

O sanguíneo tem seu humor instável, sendo às vezes receptivo, e em outras explode com facilidade, pondo em risco a sua vida espiritual. 

Personagens bíblicos:  Jacó e Roboão. 

Tendências profissionais: vendedor, atendimento ao público, professor, conferencista, ator, operador de marketing, pregador e, ocasionalmente, bom chefe. Costuma interessar-se por muitas coisas ao mesmo tempo.

Pontos fortes: Sendo otimista, aprecia muito a vida; é amigo generoso e liberal, esquecendo-se facilmente das coisas desagradáveis; possui charme natural, é simpático e bem-humorado; gentil, amistoso, gostando de estar rodeado; Comunicativo, inicia conversas facilmente e fala bem em público; modesto, dedicado e pacificador; inquieto, costuma cantar ou assobiar enquanto anda; curioso, inspira-se facilmente com novos planos, arrastando outras pessoas consigo; é puro e crédulo como uma criança; altamente emotivo, tem um coração terno e sensível;  misericordioso, compartilha as emoções de outras pessoas; é religioso.

Pontos fracos: Egoísta e egocêntrico; é impaciente, instável, volúvel, inseguro, medroso, irritando-se facilmente; precipitado; precipitado; superficial e externo; tátil; não termina o que começa; indisciplinado, impulsivo; barulhento, exagerado, ri em voz alta, domina a conversa; Não é perseverante; é distraído; sendo enganador, não merece confiança; tem tendência a comer demais, não seguir dietas.

 

 

3.2 Temperamento Colérico

 

Com aptidões naturais para liderança, ninguém mostra mais firmeza de caráter do que o colérico, pois nasceu para a atividade. Enquanto o melancólico reflete ponderadamente para decidir sobre algo, o colérico reage com um vislumbre imediato, com firmeza, exatidão e praticidade, tanto sobre fatos como sobre pessoas. Quando estuda as pessoas é para entender o quanto elas poderão lhe servir.

Organizado e autossuficiente, gosta de ser o mestre da situação. É uma pessoa apaixonada por grandes feitos, não temendo quanto trabalho e dedicação isso custará. Tem grande capacidade de criar e está sempre cheio de ideias, projetos ou objetivos. 

Revolucionário e empreendedor, tem facilidade em tomar decisões até pelos outros, o que costuma lhe trazer fama de mandão. Tem raciocínio lógico, muitas ideias, facilidade para traçar metas, não se deixando limitar por nada. Por ser ambicioso, os obstáculos funcionam como combustível para que chegue ao seu objetivo. Por outro lado, não perde tempo com empreitadas desprovidas de produtividade. Ele tem sucesso onde os outros costumam falhar. 

É no campo das emoções que se encontram as deficiências deste temperamento. O colérico tem fama de antipático porque raramente simpatiza com as pessoas, não demonstra compaixão, irrita-se diante de suas lágrimas e é insensível para com suas necessidades, sendo conhecido como pessoa de “pavio curto”. Dependendo da situação, ele é violento, agressivo, rancoroso, vingativo, mas geralmente se controla. Às vezes, consegue prejudicar as pessoas que mais ama, temperamento da maioria dos grandes criminosos, ditadores, guerreiros e conquistadores do mundo. Se sua vontade não for controlada na infância, ele desenvolverá hábitos violentos e possessivos, que o perseguirão por toda a vida.

Se não sofrer influências do temperamento melancólico, o colérico pouco se entusiasma pelas artes em geral. Ele também possui falta de afetividade, como beijar as pessoas, abraçar, dizer palavras bondosas, etc.

Como é rápido nas suas avaliações, não perdendo tempo em reconhecer os obstáculos e armadilhas no seu caminho, pode passar por cima dos outros, caso se coloquem na sua frente. Chega a usar as pessoas para realizar seus fins. Como não tem tempo nem paciência para convencer os outros sobre suas ideias, acha que enxerga as coisas melhor do que todos.  

Psicologicamente, o colérico é visto como prepotente e autoconfiante, considerando humilhação ter que pedir perdão, seja para Deus ou para os homens. Seu orgulho e desejo por poder também são coisas complicadas. Tem que lutar contra as suas tendências para atividade inútil. 

Quando esposa, a colérica torna-se mandona, matriarca, controlando o marido, os filhos, genros, netos e toda a família. 

Se alguém for comandado por um colérico, raramente precisará perguntar sobre o que fazer, pois ele terá dado as ordens cinco vezes antes das oito horas da manhã e com o máximo de determinação que puder.

Quanto à sua transformação, o colérico é uma pessoa muito eficaz, desde que não permita que seus pontos fracos criem raízes e se tornem um estilo de vida dominante. Para isso, terá que submeter totalmente seu temperamento ao controle do Espírito Santo. 

Personagens bíblicos: Como exemplos de coléricos na Bíblia, citamos Caim, que assassinou o próprio irmão, traiçoeiro e cínico; Ninrode, o primeiro ditador mundial, que se colocou no projeto da torre de Babel e só Deus conseguiu pará-lo; Esaú, mau, perverso, vingativo; Saul, duro de coração, e perverso; Jezabel, mandona e prepotente; Paulo, antes do encontro com Jesus era um colérico, mas depois foi um grande líder missionário e o autor que mais contribuiu para os escritos do Novo Testamento. Nos dias de hoje seria o modelo do anticristo.

Vida espiritual:  Os coléricos pertencem ao grupo mais difícil a ser alcançado espiritualmente, pois costumam julgar a religião como uma coisa sentimental. Porém, quando aceitam o Evangelho, aceitam com o coração aberto. Como crentes, passam a possuir um bom caráter cristão. Quando são dirigidos por Deus, eles têm muito valor, tornando-se crentes ativos, que trabalham onde quer que estejam.

Tendências profissionais: Os coléricos dão bons gerentes, planejadores, produtores e até ditadores. Por sinal, muitos líderes mundiais e grandes generais foram coléricos. 

Pontos fortes:  Possui forte liderança de grupo; otimista, ousado, resoluto, decidido; enérgico,  exigente e audacioso; é prático, engenhoso, eficiente, dinâmico e intuitivo, odiando detalhes; ambicioso, independente, confiante, impetuoso; sedutor; gosta de desafiar o desconhecido e não gosta da monotonia; é determinado, organizado, disciplinado, inesgotável; brincalhão, adora ser reconhecido publicamente; é bom juiz e rápido nas decisões; seletivo com o que se envolve; persistente, enfrenta as adversidades e é argumentativo.

Pontos fracos: Ele é cruel, agressivo, mandão, ditador, intolerante, vaidoso, autossuficiente, inflexível, inoportuno, nervoso, inquieto, impiedoso nas decisões, impaciente; também é brigão, vingativo, tirano, gênio forte, incontrolável, severo, violento; seu tom de voz é ameaçador, atemorizando esposa e filhos; gosta de bater em porta e dar soco na mesa; faz comentários sarcásticos e cortantes causando insegurança às pessoas em redor; não hesita em afastar as pessoas que lhe atrapalham; é cabeça-dura, orgulhoso; também é imprudente, tomando decisão sem analisar muito os fatos; extremista, não aceitam “não” como resposta e ignora as opiniões contrárias;

 

 

3.3  Temperamento Melancólico

 

É o mais rico de todos os temperamentos, o tipo que pensa muito, perfeccionista, tendo uma natureza emocional muito sensível. Inclina-se a ser introvertido, ter baixa auto estima, mas como seus sentimentos predominam, ele pode variar suas atitudes, dependendo das suas emoções.

É o temperamento característico das pessoas tristes, sonhadoras e melancólicas, com excesso de bile negra, tendendo ao comportamento dos grandes gênios que se destacam nas artes e na cultura (música, poesia, pintura, escultura, canto, etc.) e nas ciências exatas, com grande capacidade de análise. É o temperamento dos grandes inventores. 

Pode entrar em profunda depressão depois de ter terminado um grande projeto, como resultado de ter negligenciado seu sono, apetite e diversão. Ficando literalmente exausto, física e emocionalmente, o melancólico normalmente se deprime. Tem sérios problemas no casamento, pois sempre espera por um cônjuge perfeito, que não existe. Como nunca atinge seu alto padrão de perfeição, ele sofre.

O melancólico é responsável com suas obrigações e não gosta de estar em evidência; gosta de sacrifício, mas se frustra com facilidade; é tímido e muito reservado, fala pouco e, quando fala, é porque já analisou a situação; é perfeccionista por natureza. Normalmente é introvertido e raramente se impõe. Por outro lado, ele é egoísta, depressivo, autopenalisador e mórbido, normalmente supervalorizando as adversidades, enxergando-as com lente de aumento. 

Ele é um amigo bem fiel, mas ao contrário do sanguíneo, não faz amizades facilmente, uma vez que é muito desconfiado. Raramente toma iniciativa de conhecer outras pessoas, preferindo que os outros venham até ele. Tem grande dificuldade em expressar seus verdadeiros sentimentos, apesar de amar as pessoas e ter forte desejo de ser amado por elas; tem facilidade em lembrar das pessoas; experiências desapontadoras o tornam inclinado a desconfiar das pessoas quando estas o procuram ou lhe dão atenção.

Ao contrário dos coléricos, os melancólicos possuem uma alta capacidade de análise e isso os leva a diagnosticar com exatidão obstáculos e perigos de qualquer projeto que estejam participando. Por outro lado, costumam perder-se nos detalhes, prejudicando a meta final a ser alcançada.

Os melancólicos têm aversão às pessoas com ponto de vista diferente, entrando em atrito com aquelas que se opõem ao seu caminhar. Eles se realizam através do sacrifício pessoal, e sempre escolhem uma vocação difícil, que envolva grande esforço pessoal. Raramente antecipam problemas ou dificuldades, pois confiam que, ao seu tempo, poderão resolver qualquer crise que possa surgir. 

Pensadores costumam afirmar que as crianças mais perturbadas psicologicamente vêm de pais predominantemente melancólicos ou coléricos, pessoas dificílimas de serem agradadas, e que muitas vezes geram frustrações nos próprios filhos.

Como o melancólico não se aceita, se ele não se deixar controlar pelo Espírito Santo isso pode torná-lo um maníaco depressivo ou, pelo menos, pode interromper numa explosão de ira que em muito difere de sua natureza normalmente gentil. 

Semelhantemente aos sanguíneos, ele pode mudar bruscamente de humor, podendo parecer superior, em algumas ocasiões, e inferior em outras. São essas atitudes que o torna vulnerável à depressão.

Enquanto o sanguíneo e o colérico pensam pouco, o melancólico começa a pensar, refletir e ponderar assim que as impressões aparecem, passando a remoê-las. O presente tem pouco interesse para ele, pois passa tanto deste mundo quanto para o mundo de pensamentos e sonhos. É lá que ele vive do passado ou do futuro.

Ninguém sofre como o melancólico. Quanto mais idoso ele vai ficando, mais se inclinará a experimentar atitudes negativas, como melancolia, irritação, infelicidade, e será impossível satisfazê-lo, a menos que seja transformado pelo Espírito Santo. Enquanto o sanguíneo logo esquece a injúria, e o colérico, com sua “cabeça dura”, não a nota, o melancólico sente-se profundamente ofendido.

Introspecção é o ponto fraco do melancólico, o motivo de sua luta. Quando chegar ao ponto de olhar por dentro e achar que é além de sua capacidade, então prostra-se aos pés de Jesus e isto se torna a sua salvação (Fp 4:7). Quando o melancólico enfrentar problemas com depressão, deve ler 1 Ts. 5:18 que diz: “Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus pra convosco”.

Deus tem usado muitos melancólicos que Lhe ofereceram seus talentos disponíveis. Muitos personagens da Bíblia eram indivíduos melancólicos, entretanto a chave para o sucesso deles não foi o temperamento, os talentos ou os seus dons, mas a disposição e entrega de suas vidas ao Espírito Santo de Deus.

Tendências profissionais: Muitos dos grandes gênios do mundo (artistas, músicos, inventores, filósofos, educadores e teóricos) eram melancólicos. Nenhum temperamento tem tanto potencial, quando impulsionado pelo Espírito Santo, quanto o melancólico. Algumas vezes, todas essas características podem ser encontradas num único indivíduo.

Uma vez escolhida a profissão, mostra-se muito persistente no que faz e realiza grandes feitos, desde que sua tendência natural ao sacrifício não o deprima, a ponto de fazê-lo abandonar o projeto. 

Personagens bíblicos: Alguns exemplos de melancólicos da Bíblia são Noé, cento e vinte anos pregando em um mundo totalmente depravado e não se contaminou; José, vendido em terra estranha, tentado, não pecou;  Moisés, 40 anos de preparação, 40 anos no deserto com o povo, 40 dias, por duas vezes, no monte de Deus (tinha uma fidelidade intrigante); Elias, o solitário, fugitivo e reclamador, achou que só tinha restado ele; Salomão, profundo pensador; Jeremias, lamentador; , sofredor; Daniel, fiel; Ezequiel, estranho e profundo; João Batista, misterioso e fiel; Timóteo, solteiro e fiel.

Vida espiritual: O melancólico pode ser facilmente convencido, pois as impressões deixam uma marca profunda na sua mente. Quanto às impressões que ele recebe de Deus, elas não lhe permitem que receba paz e gozo neste mundo. Porém, quando se converte, ele é muito sério acerca de sua fé, refletindo muito sobre a sua vida, seu pecado, seu coração obstinado.

Sua tendência sempre é ver espiritualmente as coisas tristes e escuras, e mais difícil ver a direção brilhante e graciosa de Deus. Facilmente começa a murmurar, reclamar, esquecer as misericórdias de Deus. Enquanto o sanguíneo tem as tentações na mente, o melancólico as têm no espírito. Como crente, não mostra nem atividade, nem iniciativa.

Ele precisa se entregar, sacrificar-se, trabalhar por outros, acreditar que isto ajuda muito a dirigir os seus pensamentos. Quanto mais se ocupar com outros, mais fácil esquecerá a si mesmo. Deve lutar contra pensamentos infrutíferos, aceitar a realidade e aprender a viver no presente. Deve lutar contra o criticismo e o orgulho. Ninguém vive a vida escondida em Cristo mais do que ele.

Pontos fortes: O melancólico é habilidoso, perfeccionista e inteligente; ponderado, analítico, lógico, estudioso, reservado; tem a natureza mais rica e sensível dos temperamentos e padrão de excelência acima de outras pessoas; é dedicado, leal e idealista; é reflexivo ao expor suas emoções e pontual no cumprimento de seus objetivos; prefere trabalhar nos “bastidores” e evita alimentação excessiva;

Pontos fracos: Egoísta, ambicioso; triste, amuado, solitário, antissocial e raiva interna; pessimista, temeroso, desconfiado, confuso; é teimoso, inflexível, insubordinado; fraudulento, crítico e vingativo; critica, censura e repreende seus cônjuges; desvaloriza-se ao comparar-se com pessoas de outros temperamentos, até na vida espiritual e acha que Deus não o aprova também; ele precisa de alguém prático ao seu lado para lhe dar equilíbrio;

 

 

3.4 Temperamento Fleumático

 

Tal temperamento é encontrado em pessoas lentas e apáticas, de sangue frio, indivíduos cronicamente cansados em seus movimentos, possuindo excesso de fleuma. É calmo, frio e bem equilibrado, raramente explode em riso ou raiva, mantendo sempre suas emoções sob controle. É o único tipo de temperamento coerente, mas tem muito mais emoção do que demonstra. 

É conciliador e pacificador, bondoso, calmo e agradável, desejando o menos possível preocupação e não entende por que outros ficam tão agitados acerca de coisas pequenas. E não fala muito. É digno de confiança porque é calmo e tem tempo para pensar completamente. O que faz é bem feito; pode resolver e agir, mas nem sempre está disposto a isso. Precisa de alguém para incentivá-lo. 

Caracteriza-se pela aparente falta de emoção, um tipo de pessoa com quem é fácil caminhar junto, pois sua vida é uma experiência feliz, sem agitação. É muito calmo e tranquilo, nunca parecendo agitado, nem se importando com as circunstâncias que o estejam cercando, apenas manifestando uma personalidade fria, sem demonstrar o que sente.

É o tipo de temperamento previsível, que se mostra sempre coerente. Habitualmente evita a violência, pois em meio a conflitos sua tendência será sair “de fininho”. Nunca fica perturbado ou irado.  

Alguns fleumáticos têm um senso de humor natural, capaz de fazer todos rirem e ele permanecer totalmente sério. São bons humoristas, bons conselheiros e também bons ouvintes. Só se tornam otimistas, se comparados a um melancólico pessimista.

O fleumático tende a ser um espectador da vida, não gostando de se envolver com situações alheias, e odiando agenda cheia.  Prefere levar a vida um dia após o outro, contrastando com os coléricos, que amam uma agenda cheia e divertem-se fazendo planejamentos a curto e longo prazo. São fiéis no que tratam, mas admiradores do menor esforço. Não gostam de fazer nada novo, mas quando têm que fazer, pensam em uma maneira mais fácil.

Tendo facilidade em dissimular, ele não se mostrará voluntário para nenhuma posição de liderança, mas quando essa posição lhe é imposta, prova ser um líder muito competente. Tem um efeito conciliador sobre outros, um estabelecedor natural de paz. 

Por gostar do convívio social, não lhe faltam amigos. É simpático e tem bom coração. Não se envolve nas atividades alheias, sendo muito capaz e eficiente. Eles demonstram gostar muito das pessoas.

Tem uma mente prática, não é tão profundo no pensamento como o melancólico, mas com calma considera todos os lados. O fleumático é tão desapaixonado que tem mais liberdade no pensamento, as coisas ou impressões não influenciam tanto. Ele evita a perda de tempo, tem gênio calmo e sereno e intelecto prático. Tem muita potencialidade como conselheiro.

O fleumático precisa lutar contra sua tendência pela tranquilidade e pela indiferença. Se ele começa a exercitar o amor em servir, seu coração se abrirá mais e mais para as necessidades e dificuldades dos outros, e ele conseguirá ultrapassar o gozo natural de uma vida calma e serena. 

Pontos fortes:  Ele é tranquilo, calmo, lento, contemplativo e sóbrio; é sonhador, concentrado, planejador, organizado; diplomata, conciliador, prático, cumpridor, dedicado; é conservador e  resignado; líder eficaz; caseiro; é bem-humorado, amoroso, indolente; amigo fiel; dificilmente discute; controlado, não pode cair nas tentações mais grosseiras;

Pontos fracos: Calculista, pretensioso, egoísta e insubmisso; desmotivado física e mental; temeroso, inconstante, indeciso, preguiçoso, covarde; invejoso, mesquinho (pão-duro), ganancioso, crítico; ausência de ganância; superintrovertido, tímido, envergonhado e desconfiado; além disso é displicente, só trabalhando sob pressão; não fazem nada além do que se pede; ofendem-se facilmente; não reagem diante de uma crise;

Vida espiritual: O fleumático geralmente é uma pessoa tão boa que, mesmo antes de se converter, já age como crente mais do que qualquer dos outros tipos de temperamentos. Ao se converter e obter o domínio próprio sobre o seu temperamento, torna-se um crente firme. Jamais se oferece como líder, mas tem capacidade latente de liderança. 

O temor muitas vezes impede que o fleumático exerça ministérios na Igreja. A maioria deles teme o fracasso, mas os que obtêm sucesso em servir eficazmente a Deus substituem seus temores pela fé. Uma vez que algum indivíduo fleumático se deixe controlar pelo Espírito Santo e se dedique, torna-se uma pessoa da qual podemos depender, trabalhando como obreiros por muitos e muitos anos. 

Personagens bíblicos: Alguns exemplos de personagens bíblicos fleumáticos são Abraão, cauteloso, pacífico, sempre precisando de um estímulo; Débora, talentosa, mas querendo limitar-se ao cargo de juíza; Ester e seu tio Mardoqueu, sempre tinham que lhe dizer o que fazer.

Tendências profissionais: São bons diplomatas, administradores, professores e técnicos. O trabalho do fleumático é caracterizado pela perfeição, tendo alto padrão de zelo, qualidade e precisão. É altamente organizado e todas as suas coisas são sempre bem arrumadas. É conservador e metódico, uma pessoa presa a regras. 

 

 

3.5  Revisão dos 4 Temperamentos

 

 

Baseados no que se estudou até aqui, podemos fazer o seguinte resumo das características dos quatro temperamentos: 

 

Colérico:  “Gosto de fazer as coisas do meu modo.”  (3%)

Melancólico:  “Gosto de fazer as coisas da maneira certa.” (16%)

Sanguíneo: “Gosto de fazer tudo da maneira mais divertida.” (12%)

Fleumático: “Gosto der fazer tudo da maneira mais fácil. (69%)

 

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4.  SUBGRUPOS DOS TEMPERAMENTOS

 

 

Depois de conhecermos os quatro grupos básicos dos temperamentos humanos, reafirmamos que ninguém pertence a um só tipo exclusivo de temperamento, embora um deles predomine. Características de outros grupos costumam se misturar numa mesma pessoa e, normalmente, essas combinações reúnem dois tipos de temperamentos e em casos mais raros, até três grupos. 

Pode-se também dizer que cada pessoa é capaz de possuir até vinte pontos fortes e vinte pontos fracos em um grau ou outro, sendo dez para o temperamento predominante, e dez para o secundário.

Conforme veremos a seguir, alguns destes pontos anulam a característica de outros, alguns se reforçam entre si, e alguns acentuam e compõem outros. Eles explicam as variedades de comportamentos, preconceitos e habilidades naturais de pessoas com o mesmo temperamento predominante, mas com diferentes temperamentos secundários. Isto se tornará mais claro à medida que estudamos as mesclas conhecidas de temperamentos, ou seja: os subgrupos.

 

4.1 SanCol  

 

Combinando os temperamentos sanguíneo e colérico, é o que mostra pessoas mais decididas e extrovertidas, pois os dois possuem natureza extrovertida. 

A soma do carisma do sanguíneo com a organização do colérico transforma a pessoa num vendedor maravilhoso, uma pessoa falante (san) e que, ao mesmo tempo, sabe interpretar as circunstâncias (col), descobrindo com facilidade quando é hora de parar ou de continuar. Quase todos os campos de atividade se adaptarão perfeitamente ao indivíduo que reunir esses dois temperamentos ao mesmo tempo.  

As fraquezas do SanCol são tão grandes quanto suas qualidades, pois mostram pessoas que lidam muito com o exterior, pessoas que falam demais e, por isso, denunciam suas fraquezas diante de todos. Sua opinião é fortíssima e eles são extremamente argumentadores. Expressam-se em voz alta, antes mesmo de conhecerem todos os fatos. Ninguém tem tantos problemas com a língua quanto os SanCol.

Gostam de festas, são amáveis, porém quando se sentem ameaçados ou inseguros, chegam a se tornar inconvenientes.  Seu maior problema emocional é a ira, que pode aparecer diante da menor provocação. Combinando a facilidade de esquecer do sanguíneo com a teimosia do colérico, o SanCol pode não ter uma consciência muito ativa, resultando em sempre querer justificar os seus atos, e dificilmente reconhecer seus erros.

O apóstolo Pedro, obviamente, é um exemplo clássico de SanCol do Novo Testamento, mostrando repetidamente problemas de língua solta. Falou mais nos evangelhos do que todos os demais apóstolos juntos, sendo que, na maiorias das vezes, o que dizia estava errado. Ele mostrava-se egoísta, sem força de vontade e carnal. No livro de Atos, entretanto, aparece como um homem notavelmente transformado, resoluto, eficiente e produtivo. O que fez a diferença? Ele estava cheio do Espírito Santo. O SanCol precisa estar sempre cheio do Espírito Santo e da Palavra de Deus, para que consiga controlar seus impulsos.

 

4.2  SanMel 

 

Os SanMel são pessoas altamente emocionais, que costumam flutuar drasticamente em suas emoções. Num mesmo minuto podem rir histericamente e, em seguida, irromperem-se em lágrimas. Choram facilmente ao se depararem com uma situação triste, compartilhando as tristezas dos outros.  

Quase todos os campos de atividades estão abertos para eles, especialmente falar em público, atuar no teatro, na música e com as belas artes.  É ótimo juntar o talento do melancólico com a espontaneidade do sanguíneo, porém como o melancólico tende a ser perfeccionista e exigente, e o sanguíneo fala sem pensar, muitas vezes isso torna a pessoa arrogante, crítica e inconveniente. 

Como os dois são sonhadores, se a parte melancólica sugerir um pensamento negativo, isso poderá anular o potencial dos SanMel. Mais do que outras, essas pessoas terão um problema de ira e uma tendência para o medo. Os dois temperamentos apresentam insegurança, e é comum que a pessoa receie utilizar a sua potencialidade.

Os SanMel adoram ser admirados e elogiados por outras pessoas, o que os impulsiona a realizarem grandes coisas. Eles têm grande capacidade de comunicar-se com Deus, e se andarem no Espírito serão servos eficazes de Cristo.

O rei Davi é uma ilustração clássica do temperamento dos SanMel, homem extremamente simpático, que atraía tanto homens quanto mulheres: era expressivo, dramático, emotivo e fraco de vontade. Podia tocar uma harpa e cantar (instinto poético em seus Salmos) como tomar decisões impulsivamente. Infelizmente, tal como a maioria dos SanMel, estragou sua vida por uma série de erros desastrosos, antes de ter obtido autodisciplina suficiente para terminar o seu destino.  

É bom alertarmos que nem todos os SanMel são capazes de ajuntar os pedaços de suas vidas e começar de novo, a exemplo do que Davi fez. É melhor que eles andem diariamente no Espírito, evitando, assim, esses erros.

 

4.3 SanFle

 

É a pessoa mais fácil de se gostar. As muitas palavras e a tendência à inconveniência do sanguíneo são anuladas pela graciosidade e timidez do fleumático. É uma pessoa extremamente feliz, “cuca fresca”, cujo espírito, livre de preocupações e dotado de bom-humor, torna-o uma companhia de coração leve que as pessoas procuram. Para ele tudo está sempre muito bom, pois não gosta de criticar ou confrontar situações. 

O SanFle é naturalmente favorável à família e ama seus filhos ― e também todas as demais pessoas. Ele é contra a confrontação e não feriria ninguém propositalmente. Poderíamos considerar que ele é uma pessoa “boa”. 

As fraquezas do SanFle são tão grandes quanto suas virtudes. Ele junta a falta de disciplina do sanguíneo com a falta de motivação do fleumático. Como ama muito as pessoas, prefere ter um bom tempo com elas da ter que trabalhar. Tende a levar a vida casualmente, sem alvos, sem metas a serem atingidas, sem estresse. Não gosta de pensar e nem de planejar. Uma vez um executivo disse o seguinte a seu respeito: “Ele é o melhor indivíduo que eu já despedi!”

Tem um interminável repertório de piadas e se deleita em fazer outras pessoas rirem, geralmente quando a ocasião requer seriedade. Raramente se perturba diante de qualquer problema e sempre acha o lado bom de todas as coisas. 

Sua “cuca fresca” vai impedi-lo de tomar as atitudes necessárias de um chefe de família, podendo vir a causar ressentimentos em seus familiares. Porém, quando estiver cheio do Espírito Santo, poderá ser transformado numa pessoa resoluta, cheia de propósito e muito produtiva. 

O evangelista Apolo (século I d.C.) talvez seja o melhor exemplo que podemos encontrar numa ilustração neo-testamentária do SanFle. Ele foi um hábil orador que sucedeu Paulo e outros fundadores de igrejas, animando-as com sua pregação e o seu ensino cheio do Espírito Santo. Amado por todos e seguido devotadamente por alguns, esse homem agradável e dedicado viajou muito, embora não tenha fundado novos trabalhos.

 

4.4 ColSan


É extrovertido também, tendo sua vida completamente dedicada à atividade. É um promotor natural e vendedor nato, com carisma suficiente para dar-se bem com outras pessoas. 

Certamente, é o melhor motivador de pessoas e alguém que cresce em meio aos desafios; é quase destituído de temor, exibindo uma tremenda energia. Ou ele anda à toda velocidade, ou estará parado. 

O ColSan é o promotor de justiça que pode encantar o juiz e o júri com o mais frio coração, o levantador de fundos que pode fazer as pessoas contribuírem com aquilo que tencionavam poupar, o homem que nunca chega a lugar algum sem ser notado, o pregador que combina tanto o ensino bíblico prático como a administração eclesiástica, e o político que, falando, leva seu estado a mudar sua constituição. 

Debatedor convincente, compensa com gracejos e arrogância o que lhe falta de argumentos. Na qualidade de professor, é um excelente comunicador, particularmente dentro das ciências sociais, raramente atraído pelas ciências matemáticas ou pelas abstrações.  Qualquer que seja a sua ocupação profissional, o cérebro está em constante movimento.

Sua hostilidade é tão ampla quanto os seus talentos. Ele combina a ira imediata e explosiva do sanguíneo (sem o espírito de perdão) com o ressentimento de longa duração do colérico. É o tipo de personalidade que não somente adquire úlceras, mas também as transmite a outras pessoas. Ele consegue juntar o orgulho de ser brutalmente franco com a impaciência em lidar com aqueles que não compartilham de suas motivações.  

É difícil para ele concentrar-se em uma coisa por muito tempo, motivo pelo qual, com frequência, apela para que outros terminem o que ele começou. Por outro lado, é dotado de opiniões fortes, de preconceitos, impetuoso e teimosamente inclinado a terminar um projeto que provavelmente nem deveria ter iniciado, desde que não seja por muito tempo. 

Se não for controlado por Deus, se inclinará a justificar qualquer coisa que faça ― e raramente hesita em manipular ou passar por cima de outras pessoas para realizar suas finalidades. A maioria dos ColSan envolve-se de tal maneira em seu trabalho que chega a negligenciar esposa e família, chegando mesmo a condená-los com veemência por se queixarem disso. Mas, uma vez que compreenda a importância de dar amor e aprovação a seus familiares, transforma seu lar por inteiro.

Tiago poderia bem ser considerado um ColSan, pois é assim que parece ser em seu livro. O significado principal do livro declara que "a fé sem suas obras é morta", o conceito favorito dos coléricos que amam o trabalho. Ele usava o raciocínio prático e lógico de um colérico e, no entanto, era um homem altamente estimado por Deus. 

Observe que ele discutiu sobre o controle da língua (Tiago 3), que é justamente a característica mais vulnerável deste tipo de temperamento.   

4.5 ColMel

 

O indivíduo ColMel é uma pessoa extremamente habilidosa e capaz. O otimismo e a praticabilidade do colérico vence a tendência que o melancólico tem para o mau-humor, fazendo o ColMel tornar-se orientado para os alvos e detalhado. 

Assim, sai-se bem na escola, possui uma mente rápida e analítica, mas é decisivo. Desenvolve-se num líder completo, do tipo que alguém sempre pode contar para fazer um trabalho extraordinário. Nunca convide um ColMel para um debate, a menos que você esteja certo de seus fatos, pois ele fará "picadinho” de você, combinando agressividade verbal com atenção aos detalhes. 

Esse homem é extremamente competitivo e vigoroso em tudo quanto faz. Pesquisador decidido, geralmente obtém sucesso sem importar o tipo de negócio que seguir, temperamento que faz dele o melhor líder natural. Seus pontos fortes equivalem-se aos fracos. Autocrata, é um tipo de ditador que inspira simultaneamente admiração e ódio. Falador de mente rápida, seu sarcasmo pode devastar outras pessoas. 

Os hábitos de trabalho de um ColMel são irregulares e longos. Ele guarda considerável hostilidade e ressentimento e, a menos que desfrute de boas relações com seus pais, encontrará dificuldade até nos relacionamentos familiares. 

Nenhum homem se inclina a ser um disciplinador mais decidido do que um pai ColMel. Ele combina a tendência difícil de agradar do colérico com o perfeccionismo do melancólico. Entretanto, quando é controlado pelo Espírito Santo, ele se torna um cristão notável.

Há pouca dúvida de que o apóstolo Paulo era um Colmel. Antes de sua conversão era hostil e cruel, passando o seu tempo a perseguir e prender os cristãos. Mesmo depois de convertido, vemos as marcas da sua vontade forte e decidida, pois seus escritos e seu ministério demonstram a combinação do raciocínio prático e analítico, o autosacrifício e a natureza extremamente impulsiva de um ColMel. Paulo, pois, é um bom exemplo do poder transformador de Deus na vida de um ColMel, que é completamente dedicado à vontade de Deus.

 

4.6 ColFle

 

É o mais subjugado e extrovertido de todos os temperamentos. Mostra-se sempre pronto, ativo e entusiasmado e, ao mesmo tempo, calmo, indiferente e pouco estimulado. Sendo assim, não se inclina a correr às coisas com muita prontidão, como os coléricos anteriores. É considerado um bom marido e pai, assim como como excelente administrador em qualquer campo da atividade humana. 

Trata-se de uma pessoa muito organizada, que combina planejamento com trabalho árduo. As pessoas normalmente gostam de trabalhar ao seu lado, porque ele sabe para onde está indo e, no entanto, não é indevidamente severo com as pessoas. Demonstra capacidade de ajudar os outros a fazerem o melhor uso possível de suas habilidades, e raramente ofende as pessoas ou as faz se sentirem usadas.  O slogan de um ColFle, sobre a organização, é: "Qualquer coisa que precise ser feita pode ser feita melhor, se for organizada".

Embora não seja inclinado à ira imediata, como alguns temperamentos, é conhecido por guardar ressentimentos e amargura. Parte do fio cortante do sarcasmo do colérico é aqui abrandado pelo espírito gracioso do fleumático. Ninguém terá certeza se ele estará brincando ou ridicularizando, dependendo de seu mau-humor.  

Ninguém é mais teimoso e obstinado do que um ColFle e é muito dificil para ele mudar de atitude. Custa a arrepender-se e reconhecer um erro. Porém, mesmo sem reconhecer o seu erro, inclina-se a compensar aqueles a quem tiver prejudicado, sem realmente enfrentar o seu erro.

Tito, o filho espiritual do apóstolo Paulo e líder de aproximadamente cem igrejas da ilha de Creta, bem pode ter sido um ColFle.  Quando cheio do Espírito, era o tipo de homem de quem Paulo podia depender fielmente para que ensinasse a Palavra às Igrejas e as administrasse de forma capaz, visando à glória de Deus. O livro que Paulo lhe escreveu faz uma leitura ideal para qualquer mestre, especialmente um ColFle.

 

4.7 MelSan

 

Pessoa muito talentosa, com o dom de ser um músico encantador a qualquer plateia. Como artista, pode desenhar ou pintar maravilhosamente bem, se estiver inspirado. 

É comum envolver-se com o campo da Educação, porquanto é um bom erudito e, provavelmente, o melhor de todos os professores de uma escola, particularmente nos níveis do ginásio e do colégio. O melancólico que há nele eliminará fatos pouco conhecidos e ele será exato no uso de eventos e detalhes, enquanto que o elemento sanguíneo o capacitará a comunicar-se bem com alunos.

Ele mostra uma interessante variação de ânimos. Quando as circunstâncias lhe parecerem agradáveis, se mostrará fantasticamente feliz, mas se as coisas resultarem em um mal, ou se ele for rejeitado, insultado ou injuriado, sua natureza menos sanguínea se afogará na autocompaixão. 

Ele é facilmente levado às lágrimas, sentindo tudo profundamente, mas pode ser desproporcionalmente crítico e duro com outras pessoas. Tende a ser rígido e, normalmente, não coopera com outros, a menos que as coisas corram a seu modo. Com frequência é um homem temeroso, inseguro, dotado de baixa auto-estima, que o limita desnecessariamente.

Muitos dos profetas eram do tipo MelSan, como João Batista, Elias, Jeremias e outros, que tinham uma tremenda  capacidade de se comunicar com Deus. Chegavam a se sacrificar em prol das pessoas. Eles tinham carisma suficiente para atrair um grupo de seguidores, tendendo a serem legalistas em seu ensino e em sua chamada ao arrependimento, exibindo uma tendência para o dramático, tendo morrido voluntariamente em defesa de seus princípios.

 

4.8 MelCol

 

As mudanças de ânimo do melancólicos são estabilizadas pela força de vontade e determinação do MelCol. Vocacionalmente, quase nada existe que esse homem não possa fazer bem feito. Ele é, ao mesmo tempo, um perfeccionista e um impulsionador, possuindo forte capacidade de liderança.

Quase todas as habilidades, construção ou nível educacional estão abertos para ele.  Diferente dos MelSan, pode fundar sua própria instituição ou negócio, e fazê-lo andar bem, sem ostentação, mas  com eficiência. Eles podem se tornar grandes líderes de orquestra e de corais. 

A fraqueza natural da pessoa do tipo MelCol revela-se na mente, nas emoções e na língua. É uma pessoa extremamente difícil de agradar, e raramente está satisfeita consigo mesma.  Uma vez que comece a pensar negativamente sobre algo ou alguém (incluindo a si mesma), pode tornar-se intolerável na sua convivência com outras pessoas. 

Embora não mantenha uma atitude deprimida por longo tempo, como os melancólico, pode cair nessa atitude muito rapidamente. Tanto os melancólicos como os coléricos sofrem de manias de autoperseguição, hostilidade  e crítica, sendo comum se zangarem com Deus e com seus semelhantes. Se tais pensamentos persistirem por muito tempo, a pessoa poderá tornar-se um maníaco-depressivo. Nos casos extremos, pode até tornar-se um sadista. 

Sua tendência para a análise detalhada e para o perfeccionismo faz dele uma pessoa minuciosa, que leva os outros de encontro à parede. A menos que esteja cheio do Espírito de Deus ou possa manter uma atitude mental positiva, não servirá como companhia agradável por muito tempo.

Ninguém é mais dolorosamente consciente disso do que sua esposa e seus filhos. Ele não somente age de maneira exagerada quando demonstra a sua desaprovação, mas sente-se compelido a castigá-los verbalmente por seus fracassos e por corrigir seus erros ― tanto em público como privadamente. Esse homem, por sua própria natureza, precisa desesperadamente do amor de Deus em seu coração, e seus familiares precisam dele para compartilhar desse amor com eles. 

Muitos dos grandes homens da Bíblia mostram sinais de terem um temperamento tipo MelCol, como  o Dr. Lucas, incansável companheiro de viagens de Paulo, minucioso erudito que investigou a vida de Cristo e deixou à Igreja a mais detalhada narrativa da vida de nosso Senhor, bem como o único registro da propagação da Igreja primitiva. 

Outro seria Moisés, o grande líder de Israel, que nunca conseguiu vitória sobre sua hostilidade e amargura. Em consequência, morreu antes do tempo. Ele desperdiçou quarenta anos de sua vida ancorado no deserto, conservando sua amargura e animosidade, antes de render sua vida a Deus. Muitos MelCol nunca vivem à altura de seu notável potencial, por causa do espírito de ira e de vingança.

 

4.9 MelFle

 

Alguns dos maiores eruditos do mundo foram MelFle. Eles não tendem tanto à hostilidade como os dois tipos prévios melancólicos e, geralmente, se dão bem com os seus semelhantes. Introvertidos, combinam o perfeccionismo analítico dos tipos melancólicos com a eficiência organizacional dos fleumáticos.

Normalmente são humanitários de boa natureza, preferindo locais sossegados para estudarem e pesquisarem as atividades intermináveis, buscadas pelos temperamentos extrovertidos.  

Os MelFle são excelentes escritores e bons matemáticos, pessoas tão habilidosas que têm beneficiado grandemente a humanidade com a maioria das invenções significativas e descobertas médicas

Porém, a menos que sejam controlados pelo Espírito de Deus, facilmente tornam-se desencorajados e desenvolvem padrões de pensamento muito negativos. Uma vez que percebam que é um pecado desenvolver um espírito de críticas e aprendam a regozijar-se em toda a sua atitude, a vida deles pode ser transformada. 

Ordinariamente são pessoas quietas, capazes de conservar iras e hostilidades interiores, causadas por sua tendência à vingança. Os homens do tipo MelFle são vulneráveis diante do temor, da ansiedade e de uma auto imagem negativa.  

É notório o fato de que as pessoas com maior talento e maior capacidade são, com freqüência, vítimas de sentimentos sobre sua própria pequena valia. Mas quando são cheios do Espírito de Deus, são amados e admirados por seus familiares, por causa de sua disciplina pessoal e dedicação exemplar a toda a família.

Por outro lado, a preocupação com a humanidade em geral pode levá-los a negligenciar seus familiares. A menos que aprendam a dar passos certos e a desfrutar de diversões que os ajudem a relaxar, geralmente tornam-se dados estatísticos de mortes prematuras.

O mais provável candidato a MelFle na Bíblia é o amado apóstolo João. Tinha uma natureza muito sensível, pois quando era jovem ainda, inclinava a cabeça sobre o peito de Jesus, para ouvir seus ensinos. Por ocasião da crucificação, foi o único discípulo a permanecer devotadamente diante da cruz. Posteriormente, esse discípulo tornou-se um grande líder eclesiástico e nos deixou cinco livros no Novo Testamento, dois dos quais (o Evangelho de João e o livro de Apocalipse) glorificam particularmente a Jesus Cristo.

 

4.10 FleSan

 

É o temperamento mais comunicativo. Ele é divertido, bem-humorado, feliz, cooperador, pensativo, orientado para com as pessoas, diplomático e amoroso. Popular entre as crianças e os adultos, nunca exibe uma personalidade abrasiva.  É um bom pai de família, que desfruta de vida tranquila e ama a esposa e os filhos. Normalmente costuma frequentar uma igreja onde o pastor é um bom motivador, e onde, provavelmente, assumirá um papel bastante ativo.

Os pontos fracos de um FleSan são tão agradáveis quanto sua personalidade. Herdando a falta de motivação de um fleumático e a falta de disciplina de um sanguíneo, é comum que a pessoa do tipo FleSan fique muito aquém de sua verdadeira capacidade. Com frequência desiste da escola, deixa escapar boas oportunidades e evita qualquer coisa que envolva "esforço demasiado". 

O temor é outro problema que acentua seus sentimentos irreais de insegurança. Com uma fé maior, poderia ultrapassar sua timidez e ansiedade autoderrotadoras. Entretanto, prefere edificar uma concha autoprotetora e evitar, egoisticamente, o tipo de envolvimento ou dedicação às atividades que precisa ter, e que seria uma rica bênção para seu cônjuge e para seus filhos. Precisamos respeitar o potencial dessa pessoa feliz, mas ela precisa cooperar também, permitindo que Deus a motive a uma atividade altruísta.

O indivíduo mencionado nas Escrituras que mais se parece com um FleSan é o gentil e  fiel Timóteo, dotado de boa natureza, o filho espiritual favorito do apóstolo Paulo. Ele era confiável e estável, mas tímido e temeroso. Por repetidas vezes Paulo precisou exortá-lo a ser mais agressivo, e a fazer "o trabalho de um evangelista". (2 Timóteo 4.5.)

 

4.11 FleCol

 

Apesar de ser considerado o mais ativo de todos os fleumáticos, nunca será uma "bola de fogo". À semelhança de seus irmãos fleumáticos, ele é de fácil convivência e pode tornar-se um excelente líder de grupo. 

Por ser um excelente ouvinte,  o FleCol caracteriza-se como um bom conselheiro, pois não interrompe as pessoas com histórias sobre si mesmo, interessando-se genuinamente nelas. Mas, embora raramente ofereça seus serviços a outros, quando chega a seu escritório organizado, onde exerce controle, é um profissional de primeira classe. Seus conselhos serão práticos, ajudadores, e ― se ele for um cristão maduro na Bíblia ― será bastante digno de confiança.  

Seu espírito gentil nunca faz as pessoas se sentirem ameaçadas. Ele sempre faz o que é certo, e raramente ultrapassa as normas. Se sua esposa puder ajustar-se à sua passividade e relutância, particularmente na disciplina dos  filhos, poderão desfrutar de um casamento feliz.

Os pontos fracos do FleCol não são aparentes no início, mas vêm à tona gradualmente, especialmente no lar. Diferente dos fleumáticos puros, o FleCol pode se mostrar teimoso ao extremo, sem nunca ceder terreno e embora não exploda com os outros, simplesmente recusa-se a ceder ou a cooperar. Não é um lutador por natureza, mas com frequência permite que sua ira interior e sua teimosia se reflitam no silêncio, numa espécie de “emburramento”. 

O FleCol refugia-se em sua "oficina" sozinho, ou imerge a sua mente todas as noites na frente da televisão. Quanto mais velho, mais egoisticamente se entrega à sua tendência sedentária, tornando-se mais e mais  passivo. Embora tenda a uma vida longa e pacífica, se ele se entregar a esses sentimentos de passividade, terá uma vida maçante ― não somente para si mesmo, mas também para os seus familiares. 

Nenhum homem da Bíblia é exemplo mais exato de FleCol do que Abraão, figura do Antigo Testamento. O temor caracterizava tudo o que fazia em seus primeiros dias. Por exemplo, ele relutou em deixar a segurança da cidade pagã de Ur, quando Deus o chamou pela primeira vez, chegando a renegar sua esposa por duas ocasiões, tentando até apresentá-la como sua irmã, por motivo de temor. Depois, rendeu-se completamente a Deus e cresceu espiritualmente. De acordo com isso, sua maior fraqueza tornou-se seu maior ponto forte. Hoje em dia, ao invés de ser conhecido como o temeroso Abraão, é conhecido como o homem "que confiou no Senhor, e Ele contou isso como sua justiça".

 

4.12 FleMel

 

Esse é o temperamento mais gracioso, gentil e quieto. Raramente se ira ou se torna hostil, e quase nunca diz qualquer coisa por que tenha que pedir desculpas (principalmente porque fala pouco). Ele nunca embaraça a si mesmo ou a seus semelhantes, sempre faz o que é próprio, veste-se com simplicidade. Todos podem depender dele e de sua exatidão.    

Tende a possuir os dons espirituais da misericórdia e da ajuda ao próximo, sendo arrumado e organizado em seus hábitos de trabalho. Tal como qualquer outro fleumático, está sempre pronto a fazer algo na casa e, segundo suas energias lhe permitam, mantém a casa sempre funcional. Se tiver uma esposa que reconheça suas tendências para a passividade, eles gozarão de uma boa vida doméstica e de um excelente casamento; caso contrário, haverá conflito conjugal. Ele poderá negligenciar a disciplina necessária para ajudar a preparar seus filhos para uma vida produtiva e auto-disciplinada, e assim "provocará seus filhos à ira", tanto quanto o tirano irado cuja disciplina desarrazoada os deixará amargurados.

Outro ponto fraco desse homem gira em torno do temor, do egoísmo, do negativismo, da crítica e da ausência de auto-imagem. Uma vez que perceba que esse ponto fraco o impede de ser bem-sucedido, ele será capaz de sair de sua concha e tornar-se um homem, um marido e um pai eficientes. 

A maioria dos indivíduos do tipo FleMel teme muito envolver-se, recusando prontamente quase todo tipo de afiliação. É muito difícil ver-se um indivíduo FleMel envolvido demasiadamente em alguma coisa, a não ser que consiga se resguardar de um envolvimento exagerado. Ele precisa reconhecer que, pelo fato de não ser inteiramente motivado, precisa aceitar maiores responsabilidades do que pensa que possa cumprir, pois esse estímulo externo o motivará a maiores realizações. Lembremos que o fleumático trabalha bem sob pressão, mas a pressão deve vir de fora. Sem dúvida alguma, sua maior fonte de motivação será o poder do Espírito Santo.

Quem possui toda a probabilidade de ser um FleMel é Barnabé, o santo piedoso da Igreja Primitiva (século I d.C.), acompanhou o apóstolo Paulo em sua primeira viagem missionária, doando metade de seus bens para a Igreja, a fim de alimentar os pobres. Por outro lado, ele teve uma séria contenda com o apóstolo Paulo sobre dar a João Marcos (seu sobrinho) outra chance para servir a Deus, acompanhando-os em sua segunda viagem missionária. O desentendimento tornou-se tão agudo que Barnabé abandonou Paulo, tomou seu sobrinho e eles procederam a sua viagem sozinhos.

 

 

 

5.  RELACIONAMENTO ENTRE OS TEMPERAMENTOS

 

 

5.1  O que se espera de cada temperamento

   

SANGUÍNEOS

Os sanguíneos gostam quando você abre espaço para que falem de si mesmos; quando elogia, compartilha e implementa suas ideias; quando explica detalhes sem se fixar neles; quando você é ameno e amigável com ele.

Por outro lado, eles se sentem prejudicados quando você monopoliza a ideia, ignorando as deles e suas realizações; e quando você diz a eles o que fazer. 

COLÉRICOS

Os coléricos gostam quando você vai direto ao assunto; quando você faz perguntas do tipo “o que” e não do tipo “como”; quando você focaliza os resultados; quando você pontua o principal de uma situação; quando você sugere soluções e quando mostra vantagens para um empreendimento; e quando mostra resultado numa proposição.

Por outro lado, eles não gostam quando você divaga ou repete muito o mesmo assunto; quando você valoriza mais o problema do que a solução; e quando você faz generalizações e afirmações sem fundamento.

MELANCÓLICOS

Os melancólicos gostam quando você apoia ideias com novas informações; quando é específico ao explicar coisas; quando é paciente, persistente e diplomático nas explanações; dá mais ênfase aos fatos do que às emoções; quando você respeita o espaço deles; quando mostra claramente o que espera deles; e quando apresenta os “prós” e os “contras” de um argumento.

Por outro lado, não gostam quando você se recusa a explicar alguns detalhes; quando responde de forma lenta e casual; 

FLEUMÁTICOS

Os fleumáticos gostam quando você mostra interesse por eles; quando você define clara e pacientemente seus objetivos; quando apresenta uma apreciação sincera; quando dá tempo para adaptação a mudanças; e quando você dá retorno a um trabalho feito.

Por outro lado, eles não gostam que novas ideias sejam apresentadas com ameaças ou agressividade; quando você é exigente demais e os confronta.

 

 

5.2  Como tratar alguém não controlado pelo Espírito Santo

 

 

SANGUÍNEO

•  Sendo sempre amigo, aceitando-o como ele é;

•  Ouvindo-o com atenção, pois ele é falante;

•  Fazendo-o sentir-se importante, elogiando-o;

•  Reconhecer seus esforços e suas realizações;

•  Ouvindo com atenção seus projetos, e motivando-o; 

•  Ponderar sobre seus projetos, enxergando possíveis furos;

•  Levando-o a e jamais escondendo a verdade dele;

•  Não espere que ele cumpra tudo o que promete;

•  Não espere que ele termine tudo o que começa;

•  Não acredite em tudo o que ele diz;

•  Confrontando-o, pois sua tendência é fechar-se;

•  Elogie bastante antes de pensar em criticá-lo.

COLÉRICO

•  Liderá-lo de modo a sentir que está tudo sob controle; 

•  Estabelecer bem os limites, sem forçar a barra;

•  Ter uma comunicação direta, aberta e franca;

•  Organizar-se, para que ele sinta segurança;

•  Levá-lo a confiar mais na força e direção de Deus;

•  Ensiná-lo a exercer autoridade com disciplina, sem ser ser dominador;

•  Ir direto ao assunto, sem rodeios; 

•  Mesmo no confronto, a verdade tem que ser dita com amor;

•  Mostrar que mesmo parecendo duro, ele precisa de amor.

MELANCÓLICO

•  Valorizar seu trabalho;

•  Cuidar dele como pessoa, mantendo seu tanque cheio;

•  Reconhecer o que ele faz; 

•  Levá-lo a enxergar o lado positivo das coisas;

•  Aliviar a pressão, pois ele sozinho já se pressiona; 

•  Entender que é um grande desafio ele enfrentar o público;

•  Remover qualquer ameaça, a fim de que ele se sinta seguro;

•  Apresentar os fatos claramente, dando tempo para as decisões;

•  Mantê-lo a par de tudo, avisando com antecedência;

•  A exortação deve parecer mais um elogio ao seu trabalho.

FLEUMÁTICO

•  Gastar tempo com ele, sendo amigável e constante;

•  Compartilhar os planos devagar, não falando alto, e não apressando;

•  Encorajá-lo, ganhando sua confiança;

•  Nunca o coloque em situações públicas embaraçosas;

•  Perguntar-lhe se entendeu para ver se houve comunicação;

•  Buscar encorajá-lo sempre.

 

 

5.3  Como vencer o nosso temperamento

 

 

Primeiro passo: Estudar todos os temperamentos, e ver em qual deles nos encaixamos, pois nunca poderemos vencer o efeito sem combater a causa. Precisamos diagnosticar o nosso temperamento, listando as partes negativas para anularmos as fraquezas e problemas causados. Se tiver uma pessoa de confiança poderá compartilhar para solicitar ajuda.

Segundo passo: Orar e vigiar. Você deve orar não apenas apresentando suas fraquezas a Deus, mas após a confissão deverá apropriar-se das promessas de Deus com relação ao seu problema. A vigilância é fator preponderante na batalha do equilíbrio do nosso temperamento. Na verdade, ação sem vigilância é o mesmo que um prédio sem alicerces. Você poderá construir um “prédio de orações”, mas se não vigiar tudo acabará em nada.

Terceiro passo: Ser cheio do Espírito Santo. O imperativo bíblico é: “Enchei-vos do Espírito Santo” (Ef.5:18). Este enchimento contínuo resultará no “andar no Espírito”, e na vitória sobre nosso temperamento.

Quarto passo: Meditar na palavra de Deus. O caminho para o sucesso na vida do líder cristão, como foi para Josué, é: “Não se aparte da tua boca, o livro desta lei, antes medita nele dia e noite... porque farás prosperar o teu caminho, e então prudentemente te conduzirás” (Js. 1:08). Quando meditamos na palavra de Deus, somos conduzidos por ela, e não pelo nosso temperamento desajustado. 

Quinto passo: Praticar a Palavra. Após ter absolvido a Palavra através da meditação, procurar aplicar os versículos ou capítulos que leu, na prática. O maior desafio do líder cristão talvez seja tornar-se mais do que um mero ouvinte, sobretudo praticante da Palavra de Deus (Tg. 1:22-23).

 

 

 

6.  PERSONAGENS BÍBLICOS E SEUS TEMPERAMENTOS

 

 

6.1  O apóstolo Pedro

 

 

Segundo Mt 16:13-20, Pedro era sanguíneo. Depois do Senhor Jesus Cristo, Pedro foi a pessoa que mais se sobressaiu nos Evangelhos, que é uma característica típica de um sanguíneo: chamar atenção por onde passa. 

Dentre os discípulos é o que mais deixa seus defeitos visíveis: num momento é amável e alegre; no outro, assusta com suas atitudes. Teve a ousadia de repreender o Mestre; recebeu louvor pessoal do Salvador.

Quando experimentou a plenitude do Espírito Santo não só foi o homem de maior influência na Igreja dos primeiros tempos e um desafio para os cristãos exemplificando o que o Espírito Santo pode fazer com uma vida entregue a Ele.

 

•  Impulsivo, quando atendeu ao chamado de Jesus (Mt 4:20); 

•  Reação ao ver Jesus andando sobre o mar  (Mt 14:28-29);

•  Reação diante da prisão de Jesus (Jo 18:10); 

•  Diante da ressurreição de Jesus (Jo 20:6);

•  Encontro com o Jesus após a ressurreição (Jo 21:1-11);

•  Atitude na pesca maravilhosa (Lc 5:1-11);

•  Seu testemunho acerca de Jesus (Mt 16:13-20 e Jo 6:66-69);

•  Egoísta (Mt 16:22);  

•  Interesseiro (Mt 19:27-30); 

•  Fanfarrão (Mt 26:33).

 

Pedro cheio do Espírito Santo

 

•  Do sanguíneo e iletrado ao líder cheio do Espírito Santo (At 1:15);

•  Ousadia em glorificar ao Senhor Jesus e não a si mesmo. (At 3:1-7);

•  Antes negara Jesus, agora confessa que Ele é o Salvador. (At 4:5-13);

•  A constância ao ser açoitado pelo oficial do Sinédrio.  (At 5:40-42); 

•  Humildade e dependência de Deus (At 9:36-42);  

•  Maturidade (1 Pe 3:15)

 

 

6.2  O Apóstolo Paulo

 

 

 

O personagem bíblico que melhor ilustra o temperamento colérico é o apóstolo Paulo. Ele é, de fato, excelente exemplo da maneira como o Espírito Santo modifica uma pessoa de vontade férrea, após sua conversão. Saulo de Tarso era um colérico de aprimorada educação e muita religiosidade. 

Ele aparece no cenário bíblico, quando do apedrejamento de Estevão (At 7:54-58), do qual participou. Ali diz que as testemunhas deixaram as vestes de Estêvão aos pés de um jovem chamado Saulo, o que indica ser ele o líder do grupo. Estudiosos afirmam que ele era membro do Sinédrio (Conselho dos setenta anciãos de Israel), e como era muito jovem, na época, isto seria um privilégio fora do comum.

 

Paulo apenas Colérico

 

•   Cruel, amargo, respirando ameaças (At 9:1,2);

•   Astuto e ardiloso;

•   Dono de uma grande força de vontade (1 Co 9:24-27);

•   Autodisciplinado; (2 Co 10)

•   Agressivo e irado com Barnabé (At 15);

•   Intolerante e inflexível (At 23, no Sinédrio).

 

Paulo cheio do Espírito Santo

 

•   Amoroso, caloroso, compassivo (Rm 10:1,9:1-3);

•   Mantinha permanentemente a paz (Fp 4:11-12; 6,7);

•   Humilde, mostrava total dependência de Deus (Rm 8:28);

•  Entregou sua vontade a Jesus na estrada de Damasco. (Mt 10:39).

 

 

6.3  O Líder Moisés

 

 

 

O melancólico Moisés nos fornece excelente material para um estado analítico desse temperamento, porque as Escrituras nos dão muitas informações a seu respeito. O líder de Israel ilustra claramente a diferença que o poder de Deus faz na vida de um homem. Depois de ser educado aprimoradamente, durante 40 anos, na sede da cultura egípcia, esse brilhante melancólico passou 40 anos cuidando de animais num deserto distante. Com 80, ouviu o chamado de Deus diante da sarça ardente e, durante os 40 anos seguintes, foi um dos maiores líderes da história do mundo. Como qualquer cristão dos dias de hoje, Moisés só foi produtivo para Deus quando passou a ser controlado pelo Espírito Santo. 

Talentoso: Moisés foi educado em toda a ciência do Egito, que era o centro da civilização, na época. Moisés, porém, absorveu todo o conhecimento sem se deixar dominar. A sua habilidade em conduzir três milhões de pessoas através do deserto, como juiz e profeta, reflete sua natureza excepcionalmente bem dotada.

Abnegado: Os indivíduos melancólicos têm dificuldades em desfrutar do conforto ou do sucesso sem sentir alguma espécie de culpa. Frequentemente possuem inclinação para se dedicar a causas que exijam sacrifício (Hb 11:23-27). Porém, seu exemplo de abnegação é prova de que homem algum sai perdendo quando está com Deus.

Leal: Um dos traços mais admiráveis do melancólico é a sua lealdade e fidelidade. A devoção de Moisés cresceu durante os 40 anos no deserto. Quando os problemas surgiram, buscava direção divina e, como líder, deu várias provas de sua fidelidade ao Senhor (Ex 14;16;17). Isto não significa que ele era perfeito, pois encontraremos diversas falhas em sua vida, indicando que era muito humano, durante os anos em que serviu a Deus.

Complexo de inferioridade: Os talentos de Moisés foram negligenciados devido ao seu excessivo sentimento de inferioridade. As desculpas que Moisés deu ao Deus Todo-Poderoso, quando conversaram junto à sarça ardente, são um exemplo clássico da depreciação que os melancólicos costumam fazer de si mesmos. Veja abaixo:

 

1. Não tenho talento: “Quem sou eu para ir a Faraó e tirar do Egito os filhos de Israel?” (Ex 3:11). Moisés depreciava suas habilidades pessoais e recuava diante da idéia de colocar seus talentos à disposição do Senhor. A resposta de Deus a Moisés é válida para todos os cristãos: “Certamente Eu serei contigo” (Ex 3:12). Do que mais Moisés precisava?

2. Ninguém acredita em mim: “Mas eis que não crerão nem acudirão à minha voz” (Ex 4:1). O medo de ser rejeitado faz parte do complexo de inferioridade do melancólico. Este temor é totalmente egoísta, e quanto mais cedo for reconhecido como pecado, mais depressa será sentido o poder transformador de Deus em nossas vidas.

3. Não sei falar em público: “Nunca fui eloquente (…) pois sou pesado de boca e pesado de língua” (Ex 4:10). A resposta de Deus a Moisés é hoje tão pertinente quanto foi o passado: “Quem fez a boca do homem? (…) Eu serei com tua boca e te ensinarei o que hás de falar” (Ex 4:11). Pregar e ensinar a Palavra de Deus não tem nada a ver com eloquência e sim com obediência. A resposta do Senhor a Moisés esclarece que o êxito espiritual é alcançado pelo poder de Deus e não pelo nosso potencial e nossos talentos.

4. A ira de Moisés: Além do medo, a ira reprimida frequentemente espreita o temperamento melancólico. Sua incapacidade de controlar essa emoção o impediu de entrar na terra prometida (Ex 16:20; 32:19). A ira auto indulgente desagrada a Deus e leva a graves pecados. Nenhuma pessoa compreensiva criticaria Moisés por se irritar com aquele povo ingrato, mas Deus assim o fez, pois o Senhor lhe tinha oferecido toda orientação e poder necessário.

5. A depressão de Moisés: Moisés é um dos três grandes servos de Deus que ficaram deprimidos a ponto de se desesperar e pedir a Deus que lhes permitisse morrer. Os outros dois foram Elias (1 Rs 19) e Jonas (Jn 4:1-3). De todos os temperamentos, o maior problema das pessoas melancólicas é a depressão, sendo que o relato da depressão de Moisés é relatado em Nm 11:1-15. Deus jamais pediu a Moisés que suportasse todo aquele peso de responsabilidade, os quais eram d’Ele. Porém, Moisés cultivou de tal forma a autopiedade que pediu ao Senhor: “Se assim me tratas, mata-me de uma vez, eu Te peço, se tenho achado favor aos Teus olhos”. Lembre-se de que a reação de Moisés, face aos acontecimentos, foi o que causou a sua depressão, e não as circunstâncias em si mesmas.

 

 

6.4  Abraão, o pai da fé

 

 

 

Como um fleumático, Abraão está entre as pessoas de mais fácil convivência, dada a sua natureza calma e sossegada, fazendo com que sejam benquistas por todos. 

Por ser introvertido, suas fraquezas e virtudes não são tão perceptíveis, mas um de seus maiores problemas é a falta de motivação, com uma tendência de olhar a situação como um espectador, evitando envolver-se: o medo de errar perante as outras pessoas gera relutância em lançar-se a algum projeto. 

Vários homens dos tempos bíblicos parecem ter possuído parcela deste temperamento: Noé, Samuel, Daniel, José (esposo de Maria), Natanael, Felipe e Tiago, mas o melhor exemplo é Abraão.

Cauteloso: a hesitação, indecisão e o medo, naturais no fleumático, são vistos em Abraão (Gn 12), ao receber o chamado do Senhor. Ele era tão dependente de seus pais que, em vez de obedecer inteiramente à ordem de Deus, levou consigo seus familiares, o que lhe causou sérios problemas. Muitos cristãos fleumáticos relutam diante das oportunidades, não pela falta de capacidade, mas pela hesitação de aventurarem-se pelo desconhecido.

Pacífico: Uma das melhores características é o seu amor à paz, demonstrar serenidade e calma. Seu desejo de paz e harmonia é, em geral, maior do que o de possuir bens pessoais. Observe que na discussão entre Abraão e Ló, Abraão intervém de maneira ordeira, dando ao sobrinho o direito de escolha (Gn 13:8-9).

Leal: Sua atitude, quando pressionado, revela sua personalidade. É o tipo de temperamento que melhor trabalha sob pressão, demonstrando calma e eficiência em tempos de crise. Ao saber que Ló havia sido levado cativo, Abraão age como seu defensor, demonstrando características latentes de liderança e que a amizade ao sobrinho estava acima de suas diferenças pessoais. (Gn 14)

Passivo: Essa inclinação natural traz uma passividade, face aos conflitos. Em Gênesis 16 vemos a exagerada influência de Sara sobre Abraão, o que resultou em sérias consequências. Uma das lições que os fleumáticos precisam aprender é que nada se consegue pela acomodação.

Temeroso: O fleumático possui doses generosas de medo. Por causa das dificuldades, Abraão deixou de lado a vontade de Deus e foi para o Egito, onde negou que Sara era sua esposa, diante de Faraó (Gn 12), fato que se repetiu quando pretendia conseguir os favores de Abimeleque. Se não fosse a intervenção divina, os dois teriam sido envolvidos em um pecado trágico (Gn 20). Os nossos pretextos e as nossas concessões jamais melhoram o plano de Deus.

Porém, o crescimento de Abraão na fé mostra-nos um crescimento gradual que Deus dá a todo crente. Uma das maiores provas deste crescimento está no sacrifício de Isaque (Gn 22). O resultado desta fé está na confiança que Abraão depositou na Palavra de Deus, agindo conforme sua promessa. A fé não precisa de respostas, só de direção.

 

 

7.  CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

 

7.1 Temperamentos controlados

 

 

Assim como falamos no início deste estudo, muitas pessoas podem estranhar que estejamos trabalhando este tema com pessoas lavadas pelo sangue de Jesus, pessoas que passaram a viver uma vida nova, que passaram por um novo nascimento. 

Precisamos repetir que grupos e subgrupos de temperamentos são formados com as pessoas, e que só conseguem modificar as tendências de reações através de muito domínio próprio e principalmente através do controle do Espírito Santo de Deus sobre suas vidas, pois uma vida controlada pelo Espírito Santo mostra que Ele é modificador de comportamento. 

Cristãos maduros, cujo temperamento já foi moldado pelo Espírito, com frequência acham difícil aceitar sua formação temperamental, uma vez que já não se deixam conduzir pelas características do temperamento natural do homem pecador. 

O temperamento é o cartão de visitas do homem natural, sem que se veja nele nada de espiritual. Eis porque achamos mais fácil diagnosticar e classificar uma pessoa perdida ou um crente carnal, do que um crente dedicado e maduro. 

Para conseguir maior êxito, deveria antes concentrar-se sobre os seus pontos fortes ou considerar seu comportamento antes de ter-se tornado um crente controlado pelo Espírito Santo.  


 

7.2  Discernir os temperamentos

 

 

 

Quando quisermos discernir sobre nosso temperamento, devemos descobrir primeiro nossos pontos fortes, nossas qualidades, porque é mais fácil ser objetivo quanto às qualidades do que às fraquezas. Uma vez determinadas as virtudes, procuremos os defeitos correspondentes:

Diversos fatores devem ser lembrados quando você estiver descobrindo o seu temperamento, e o mais importante é que ninguém se caracteriza por apenas um deles, sendo que um dos temperamentos será sempre mais destacado do que os outros três.

Outro fator é a idade. A maioria dos temperamentos é mais fácil de distinguir entre os quinze e os trinta e cinco anos. Dessa época em diante, suas atitudes, em geral, não se alteram, a não ser que os hábitos, as experiências ou outras pressões as acentuem.

Outro fator que pode afetar o comportamento de alguém, criando uma impressão errada quanto ao seu temperamento natural, é a existência de um trauma que pode ter sido provocado por um único acontecimento ou uma série deles em sua vida. Esses traumas são mais predominantes nas áreas do medo, pois causam, no indivíduo, atitudes de retração e recolhimento.

No decorrer da vida, cabe ao indivíduo alcançar uma harmonia interior dos quatro temperamentos, através do trabalho do próprio “eu”. Compreende-se a possibilidade disso ao considerar que um temperamento predomina em cada época da vida: a criança tende para o sanguíneo; a juventude, para o colérico; a idade madura, para o melancólico; e a velhice, para o fleumático. 

Aprenda que uma pessoa pode ser 60% colérica e 40% sanguínea, enquanto que outra pode ser 60% melancólica e 40% colérica. Veja que um deles é dominante.

Veremos, agora, um resumo das características dos quatro temperamentos básicos que foram estudadas anteriormente.

 

Sanguíneos: são atores, vendedores, oradores, recepcionistas, desportistas; como qualidades, são comunicativos, destacados, entusiastas, simpáticos, bons companheiros, compreensivos, crédulos, afáveis, etc.; como defeitos, são indecisos, volúveis, indisciplinados, impulsivos, inseguros, egocêntricos, barulhentos, exagerados e medrosos.

Coléricos: são produtores, construtores, líderes, professores, ditadores, políticos, gerentes, líderes de movimentos; como qualidades, são enérgicos, resolutos, otimistas, práticos, eficientes, decididos, líderes, audaciosos; como defeitos, são irancundos, sarcásticos, impacientes, prepotentes, intolerantes, vaidosos, autossuficientes, insensíveis e astuciosos.

Melancólicos: são artistas, músicos, poetas, inventores, mestres, filósofos, contadores, esteticistas e escritores; como qualidades, são habilidosos, minuciosos, sensíveis, perfeccionistas, estetas, idealistas, leais, dedicados; como defeitos, são egoístas, amuados, pessimistas, teóricos, antissociais, críticos, vingativos e inflexíveis.

Fleumáticos: são diplomatas, administradores, professores, técnicos, cientistas, líderes, médicos, artistas plásticos e donas de casa; como qualidades, são calmos, tranquilos, cumpridores, eficientes, conservadores, práticos, líderes, diplomatas e bem-humorados; como defeitos, são calculistas, temerosos, indecisos, contemplativos, desconfiados, pretensiosos, introvertido e desmotivados.

 

 

7.3 Lições dos temperamentos 

 

 

Nós precisamos aprender com os temperamentos, pois todos eles têm lições para nos dar. Precisamos aprender com os sanguíneos, que são decididos e vencedores, com os coléricos que são ousados e criativos, com os melancólicos que são sensíveis e compassivos e com os fleumáticos que são organizados, que mantêm os pés no chão.

Mediante o que estudamos nos seis capítulos anteriores, precisamos saber discernir as características marcantes de temperamentos nas pessoas que convivem conosco, sob pena de fazermos juízo errado dessas pessoas. Assim, procuremos levar em consideração essas três ponderações:

 

•  Nunca julgue o temperamento do outro; sem conhecê-lo antes;

• Apesar de podemos ter características dos 4 temperamentos, apenas um dominará a nossa vida;

•  Nunca diga a uma pessoa qual o seu temperamento, a não ser que ela pergunte diretamente.

 

 

 

ORGANIZAÇÃO DESTE ESTUDO

IEVL - IGREJA EVANGÉLICA A VERDADE QUE LIBERTA

TUBARÃO/SC, 2010

 

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

 

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Por: elevados.com.br

Publicado em 01/09/2017

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