Deus sumiu ?

 

DEUS SUMIU?

 

 

 

1.INTRODUÇÃO

 

A raça humana está se superando. As pessoas estão conseguindo vender uma imagem de que Deus não está mais preocupado com o mundo, que Ele já nos abandonou, que foi cuidar das próprias coisas. Ou seja: Deus sumiu!!! Parece que Deus nos deixou livres para tomarmos as nossas próprias decisões, pois as Suas intromissões não estavam dando resultado.

Se olharmos a imagem acima, vemos um anjinho que não deve ter mais de 6 anos, aos prantos, chorando diante da falta de expectativa que o futuro está lhe oferecendo nas redondezas da Síria. Não sabemos quem é aquela senhora morta logo atrás da menina, podendo ser sua mãe, sua avó, uma tia, ou quem sabe até uma vizinha que tentava conduzir a menina para longe do perigo dos conflitos desse “bendito” Oriente Médio. Este é o quadro atual, é a reprise de cenas que o mundo já se acostumou a assistir na História da Humanidade, realidade que o mundo não consegue superar, transformar, vencer.

Se nos reportarmos à Bíblia Sagrada, uma das maiores fontes de registro das barbaridades cometidas durante a História da Humanidade, veremos que as coisas atuais não são novidades para ninguém, não foram inventadas agora. Desde a época do Éden, por séculos e séculos o Criador tentou ensinar a humanidade a viver em paz neste mundo criado para esse fim. Séculos e séculos foram se desenrolando e mostrando a insanidade humana, a desobediência, a insistência em provar uns para os outros que não precisamos que ninguém nos dirija, que somos capazes de decidir nossas próprias coisas. 

Qualquer cristão interessado nos textos bíblicos pode observar quanto o Criador trabalhou para que as criaturas entendessem o Seu projeto. Para caber a história de todos esses séculos, o Espírito Santo precisou inspirar dezenas de autores de diversas partes do mundo e de épocas diferentes para registrar tudo nos livros do Antigo Testamento. Trinta e nove livros, ao todo, um cânon inspirado, uma das última tentativa de Deus de colocar Suas verdades e projetos nas cabeças desse bando incalculável de pessoas desobedientes. 

Porém, o Criador não aguentava mais os desaforos das Suas criaturas. Parou de enviar profetas, parou de tentar convencer juízes, reis, sacerdotes, etc. Depois de Malaquias, o mundo passaria a viver por sua conta, como tanto desejava. Ele não falaria mais nada através de profetas.

 

2.PERÍODO INTERBÍBLICO 

 

Esse título define uma divisão entre as duas partes da Bíblia: o Antigo Testamento (Gênesis a Malaquias) e a vinda do Messias, o Novo testamento. Agora sim, é a última e definitiva tentativa do Criador em possuir um povo que lhe desse alegria. Para isso, Ele mandaria para este mundo o Seu único Filho para, pessoalmente, ensinar as verdades não assimiladas durante todo o tempo antigo. 

Dessa forma, após Malaquias, o Espírito Santo de Deus não mais falaria ao mundo através de profetas. Começou, então, um período de silêncio de Deus, que alguns chamam de “Período Negro” e que outros chamam de “Período Intertestamentários” (entre os dois testamentos), que durou 400 anos, de 397 a 6 a.C.

 

2.1 O Novo Testamento

 

É lógico que Deus não pretendia abandonar Seu povo para sempre. Ele tinha outras cartas na manga, como se diz na gíria. Primeiro permitiu que acontecesse a tal organização social e até religiosa que o povo pretendia, mas depois de passados os 400 de sequidão espiritual anos, Deus enviou o Seu novo profeta, um homem com características culturais muito parecidas com o profeta Elias, que vivera em Israel por volta do ano 900 a.C. Estamos falando do profeta João Batista, que começou a pregar na Judeia, chamando o povo ao arrependimento, pois o Messias enviado pelos céus já estaria entre eles.  Assim ele ia batizando a todos aqueles que acreditavam na sua mensagem profética.

 

3. ACONTECIMENTOS INTERTESTAMENTÁRIOS

 

É bom que se diga que O mundo não parou durante esse período de 400 anos sem a intervenção efetiva de Deus.  Pelo fato de viverem numa era não profética, sem as profecias e orientações dos enviados de Deus, muitos acontecimentos históricos foram se desenvolvendo, sendo que a sociedade judaica precisou se organizar em grupos, partidos, seitas, através de líderes levantados pelo próprio povo e não mais por Deus.

Também é necessário que destaquemos as transformações significativas quanto às civilizações que se levantaram para invadir e dominar essa grande comunidade israelita, povo que apenas aguardava a chegada de um Messias prometido, pessoa que restauraria Israel dos seus vizinhos dominadores, povos esses que trataremos a seguir. 

 

3.1 Os Livros Apócrifos

 

Como Deus não falava mais através de profetas, e não apareceram mais “escritos” como o isso forçou o aparecimento de uma produção literária bastante grande, com o intuito de dar continuidade aos escritos interrompidos em Malaquias. Esses novos escritos registravam fatos históricos como levantes, batalhas, assim como os outros tipos de literatura semelhantes às conhecidas na Bíblia. 

O que precisa ser dito enfaticamente aqui é que esses livros tinham apenas o cunho humano, não passando pelo crivo da Igreja universal da época, não foram considerados como inspirados pelo Espírito Santo. Eles eram estudados e testados de acordo com as normas canônicas existentes na época, chegando-se à conclusão de que não preenchiam os requisitos necessários. Essas obras apenas tinham como objetivo 

Na verdade, todas essa obras tinham como propósito manter a unidade do povo diante das doutrinas estranhas que iam se entranhando no meio do povo, após o período em que estiveram dispersos em terras estranhas.

Esse conjunto de livros recebeu o nome de Literatura Apócrifa ou de Livros Apócrifos (livros ocultos) e não podiam ser incluídos no cânon bíblico, segundo a Igreja universal neotestamentária, que possuía a autoridade para esse fim. 

Muito mais tarde, parte dessas obras passaram a ser incluídas no cânon da Septuaginta e da Vulgata Católica Romana, através de decretos papais, fato nunca obedecido nem aceito pelas lideranças protestantes futuras. 

 

3.2  Invasões e Domínios


3.2.1 Domínio Persa

 

O domínio persa sobre a Judeia durou aproximadamente 200 anos e coincide com o fim do exílio, quando foi autorizada a reconstrução de Jerusalém (muros, templo, etc.). O domínio foi considerado tranquilo, mantendo-se o respeito pelas instituições religiosas de Israel, autonomia da sua cultura religiosa, inclusive controlando a função do Sumo Sacerdote, função que passou a ser considerada mais política do que religiosa, e disputada por muitos judeus. Numa dessas disputas pelo cargo, Joanã, filho de Joiada, assassinou a seu irmão Josué dentro do templo. (Neemias 12:22)

Exército Persa

 

3.2.2  Domínio Grego

 

Alexandre III, rei da Macedônia, também conhecido como Alexandre Magno e Alexandre o Grande, conquistou o Império Persa em 333 a.C., transformando-se em um dos mais importantes militares do mundo antigo, estudado em ciências, medicina e literatura.

Alexandre também conduziu com bondade seu domínio sobre os judeus, permitiu que observassem seus preceitos religiosos, isentou-os dos impostos sabáticos e permitiu-lhes também a permanência na cidade de Alexandria, gozando de privilégios comparáveis aos súditos gregos. 

Alexandre Magno

 

3.2.3 Domínio dos Ptolomeus sobre a Judeia

 

Com a morte de Alexandre Magno (323 a.C.), a Judeia, ficou sujeita, por algum tempo a Antígono, um dos generais de Alexandre que controlava parte da Ásia Menor, que depois foi dominado por Ptolomeu I, também cognominado de ”Soter, o libertador”.

Ptolomeu I honrou os costumes anteriores de tratar os judeus com carinho. Seu sucessor Ptolomeu II (Filadelfo) permitiu que os judeus de Alexandria traduzissem o Pentateuco para a língua grega, que mais tarde passou a ser chamada de “Septuaginta”, uma tradução de qualidade perfeita. O trabalho foi tão bem feito que todo o resto dos escritos do Antigo Testamento foram incluídos nesse trabalho.

Os judeus estiveram todo o Século III a.C. sob o domínio dos Ptolomeus.

Soldados Ptolomeus

 

3.2.4 Domínio Selêucida sobre a Judeia

 

O Império Selêucida foi um estado helenístico governado pela Dinastia Selêucida, fundada por Selêuco I (Nicánor), após a divisão do Império Grego estabelecido por Alexandre Magno. A partir da Babilônia, Selêuco expandiu seus domínios para regiões hoje conhecidas como Turquia, Síria, Líbano, Mesopotâmia, Pérsia, Arábia, Frígia, fundou Antioquia da Síria, entre outras, e também os territórios palestinos, hoje chamados de Israel. 

Durante os primeiros anos de domínio selêucida, eles permitiram que o Sumo Sacerdote de Israel continuasse a governar os judeus de acordo com suas próprias leis. Todavia, como surgiram conflitos entre o partido helenista e os judeus ortodoxos, Antíoco IV (Epifânio) aliou-se ao partido helenista e invadiu Jerusalém, saqueando o templo e matando muitos judeus (170 a.C.). 

Diante disso, as liberdades civis e religiosas foram suspensas, os sacrifícios diários foram proibidos, outros deuses foram levantados no templo, e cópias das Escrituras foram queimadas, e os judeus foram forçados a comer carne de porco, o que era proibido pela Lei. Para aumentar a humilhação, uma porca foi oferecida em sacrifício sobre o altar do holocausto.

Com a ascensão de Seleuco II, e mais tarde de Seleucoi III, houve um declínio no Império Selêucida, quando começaram a surgir separações de algumas regiões desse império e outros povo iam se aproveitando do momento de fraqueza para invadir territórios.

Exército Selêucida na Batalha de Ráfia

 

3.2.5  O domínio de Roma

 

Diante do enfraquecimento do Império Grego, o exército romano, liderado pelo general Pompeu, conquistou a Palestina no ano 64 a.C., transformando-a em província Romana.  A partir desse momento são os romanos quem decidem quem iria governar essa região, colocando como critério principal a fidelidade a Roma. 

Havia respeito mútuo entre s romanos, o Sinédrio e lideranças judaicas. O Império permitia o funcionamento do serviço religioso no Templo de Jerusalém, desde que fosse mantida a ordem e desde que os impostos aos romanos fossem pagos.

Pode-se citar Herodes como um dos mais cruéis governantes de todos os tempos. Ele assassinou o venerável Hircano (31 a.C.) e mandou matar sua própria esposa e seus dois filhos. No seu leito de morte, ordenou a execução de Antípater, outro filho seu com outra esposa. Nas Escrituras, Herodes é conhecido como o rei que ordenou a morte dos meninos em Belém por temer um possível rival que nascera para ser Rei dos Judeus.

Roma Antiga

 

4.GRUPOS JUDEUS DA ÉPOCA

 

Agora, vamos nos prender aos grupos judeus do Período Interbíblico, incluindo aí famílias, partidos, seitas religiosas e até grupos armados. 

Quanto às seitas judaicas, elas começaram a ser criadas no momento em que o Helenismo tentava mudar a mentalidade dos países do Oriente Médio. Como resultado, alguns judeus se rebelavam e resolviam aprofundar ainda mais a fé de seus pais, enquanto que outros se dispunham a adaptar seu pensamento às novas ideias que emanavam da Grécia.

Foi exatamente o choque entre essas ideias helenísticas e as judaicas que deram origem às diversas seitas locais do Período Interbíblico.

 

4.1 Fariseus      

 

O termo fariseu pode ser traduzido como “separados”, “separatistas”, “santos”, “não-conformistas” e também como “a verdadeira comunidade de Israel”. 

Aparentemente surgiram no século II a.C., durante o período do cativeiro babilônico (587-836 a.C.), descendentes espirituais dos judeus piedosos que haviam lutado contra os helenistas no tempo dos Macabeus. Acreditavam na Lei Oral em conjunto com a Lei escrita, e eram devotos do Torá.

Sua trajetória é marcada por duas obras meritórias, que os orgulhavam: foram os criadores da instituição da sinagoga, e os precursores do Judaísmo Rabínico.

Através dos tempos, sua oposição ferrenha ao Cristianismo rendeu-lhes uma fama de fanáticos e hipócritas, que apenas manipulam as leis para seu próprio interesse. Esse comportamento e modo de viver fez com que o termo "fariseu" seja usado até hoje pejorativamente, para adjetivar pessoas extremamente religiosas ou aparentemente religiosas. Para se ter ideia da postura rígida dos membros desse grupo, lembramos que Saulo de Tarso se orgulhava em afirmar que fazia parte desse grupo ortodoxo na sua época. (Filipenses 3:5) Sua lealdade exagerada à Lei chegou a provocar exasperação em Jesus. (Mateus 5:20)

Tomando-se citações de Tognini, podemos comentar que os fariseus acreditavam no livre-arbítrio do homem, na imortalidade da alma, na ressurreição do corpo, na existência de anjos, na direção divina de todas as coisas, nas recompensas e castigos na vida futura, na preservação da alma humana após a morte e na existência de espíritos bons e maus. 

Fariseus

 

4.2  Saduceus      

 

Como origens aceitas para os saduceus informamos que Sadoc (ou Zadoque) foi um sumo sacerdote do tempo do rei Salomão (I Reis 2:35), que não aceitava qualquer revelação além da Lei Mosaica.  Pelo que lemos em Atos dos Apóstolos 23:3, ele e seus seguidores não aceitavam a doutrina da ressurreição, e também não acreditavam em espíritos e anjos. Criaram, então, uma seita, ou partido.

Quanto à trajetória desse grupo, ela coincide com os dois últimos séculos do Segundo Templo e que desapareceu junto das cinzas da destruição de Jerusalém, no ano 70 d.C.

O partido dos saduceus era composto por pessoas de posses e com destaque na sociedade. Apesar de manter uma boa convivência com os invasores helenistas, estavam sempre em discórdia com os fariseus. Para se ter ideia, após o período interbíblico o partido controlava a ação dos sacerdotes, inclusive os rituais que aconteciam no Templo, enquanto que os fariseus controlavam a sinagoga. Foram essas discussões ferrenhas que transformaram os últimos anos da Jerusalém Judia num caos.

Os saduceus não aceitavam a Tradição Oral defendida pelos fariseus, controvérsia existente desde o tempo dos Macabeus entre os invasores helenistas e os ortodoxos. 

Os saduceus não deixaram registros escritos sobre sua história, mas a Bíblia Sagrada sempre deixou claro que eles não acreditavam na ressurreição e que eles possuíam uma doutrina relativa à interpretação e à aplicação da Lei. Pelo fato do escritor Flavio Josefo ter pertencido aos fariseus, não são dignos de confiança os seus escritos sobre os saduceus, visando os leitores greco-romanos.

Com a extinção dessa seita, restaram suas marcas em todas as tendências antirrabínicas dos primeiros séculos (d.C.) e da época medieval. Seu forte repúdio à existência da ressurreição e de seres angelicais os colocam como precursores dessa corrente de interpretação das Escrituras, considerados como os liberais da sua época.

Um grupo de saduceus

 

4.3 Essênios      

 

Os Essênios constituíram uma comunidade judaica monástica ascética que teve sua existência por volta de 150 a.C. até 70 d.C., paralelamente com os grupos político-religiosos dos fariseus e dos saduceus, embora não concordasse com os princípios dessas duas seitas. Reagiam contra o externalismo dos fariseus, e não concordavam com o liberalismo dos saduceus. O nome essênio provém do termo sírio “Asaya”, e do aramaico “Essaya”, todos com o significado de médico.

Uma das motivações dessa seita foi o distanciamento entre o governo judeu local e alguns grupos religiosos que pregavam a defesa de costumes mais tradicionais desse povo. Por isso, perseguidos, eles passaram a viver afastados da sociedade, morando no deserto. 

Quanto aos seus princípios religiosos, os essênios eram piedosos, celibatários, estudavam exageradamente o Torá e as Escrituras (Lei Mosaica e as leis dos profetas), além de se dedicarem enormemente à oração e preservavam cerimoniais de lavagens. Ao contrário dos saduceus, suas posses eram comuns. Não concordavam nem com a guerra e nem com a escravidão. Tinham fé na vinda do Messias que viria e consideravam-se o verdadeiro Israel para quem Ele viria. A hierarquia na comunidade era estabelecida de acordo com os graus de pureza espiritual dos seus membros, sendo que os sacerdotes ocupavam o topo da ordem.

Os essênios adotavam uma série de condutas morais que os diferenciavam dos demais judeus, entre as quais podem ser citadas:

a) Comida sujeita a rígidas regras de purificação;

b) Inexistência de propriedade privada;

c) Inexistência de casamento;

d) Prática do vegetarianismo;

e) Obrigação de banhar-se antes das refeições;

f) Vestimentas brancas, obrigatoriamente;

g) Inexistência de escravatura.

O que se sabe sobre essa comunidade foi através do escritor e historiador judeu e fariseu chamado Flávio Josefo, e pelo filósofo judeu Filon de Alexandria. Josefo chega a afirmar que na ocasião os essênios chegavam a possuir uma população de 4.000 pessoas espalhadas pelas aldeias e regiões rurais.

O Mosteiro de Qumran, próximo às cavernas em que os manuscrito do mar Morto foram encontrados em 1957, é considerado por muitos estudiosos como o centro essênio de estudos, no deserto da Judeia, a principal comunidade.  Os rolos encontrados ali mais tarde indicam que os membros da comunidade essênia haviam abandonado as influências corruptas das cidades judaicas para prepararem, no deserto, “o caminho do Senhor”.

Segundo o historiador orientalista Christian Ginsburg, os essênios foram os precursores do Cristianismo, pois a maior parte dos ensinamentos de Jesus, o idealismo ético, a pureza espiritual, remetem ao ideal essênio de vida espiritual. A prática de banhar-se com frequência, por exemplo, segundo alguns historiadores, estaria na origem do ritual cristão do batismo, que era ministrado por João Batista, às margens do Rio Jordão, próximo a Qumram.

Essênios

 

4.4 Escribas      

 

Numa época em que ainda não existia as máquinas gráficas, os Escribas, também conhecidos como “escrivãos” formavam um grupo de pessoas separadas para escrever, registrando e copiando coisas importantes como documentos legais ou administrativos, registros históricos e principalmente eram contratados para copiarem as Escrituras Sagradas. A continuidade lenta desse trabalho foi habilitando esses profissionais a se tornarem professores da Lei Judaica.

Abaixo, relacionamos os tipos de materiais utilizados pelos escribas dessa época, pois na Antiguidade não existia o papel como os de hoje em dia, nem lápis ou canetas;

• Penas ou canas, com uma ponta moldada para receber tinta como as canetas posteriores; 

• Potes de tinta em que se mergulhavam a ponta da pena seguidamente;

• Papiro ou pergaminho eram materiais parecidos com o papel atual, normalmente guardados em forma de rolos;

• Tábuas de barro, em lugar do papiro, em que se inscreviam as palavras com um pau afiado. Depois o barro era cozido;

• Facas para moldar os outros instrumentos;

• Todos os matérias utilizados (tinta, rolos, etc) eram preparados pelos próprios escribas.

Lembramos que o grupo dos escribas não representava partidos ou seitas religiosas, mas profissionais na área da escrita e também de ensino. Isso não os impedia de, paralelamente pertencerem a correntes como os fariseus (a maioria), os saduceus e os essênios. Todos esses grupos precisavam do trabalho dos escribas.

Dois escribas importantes mencionados no Antigo Testamento são Baruque e Esdras. Baruque trabalhava para o profeta Jeremias, que ditava suas palavras de profecia para ele as registrasse em papel (Jeremias 36:32). Esdras também era um sacerdote, além de escriba e doutor da Lei de Deus que voltou do exílio na Babilônia e liderou um avivamento religioso judaico (Esdras 7:6).

No tempo do Novo Testamento, pouco antes de Jesus Cristo, alguns escribas ficariam famosos, podendo ser citados Hillel e Sammai, ambos líderes de tendências opostas à interpretação da Lei. Gamaliel, discípulo de Hillel, foi o grande mestre do apóstolo Paulo (Atos 22:3). 

Se compararmos os Escribas aos outros grupos já mencionados, pode-se dizer que eles tinham uma linha de pensamento semelhante àquela dos fariseus, com quem apareceram associados, inclusive nos textos do Novo Testamento. (Mateus 5:20)

Vale registrar aqui que especificamente nos livros sagrados cristãos o termo ESCRIBA era utilizado para se referir aos chamados Doutores e Mestres (Msateus 22:35 e Lucas 5:17), ou seja, homens especializados no estudo e na explicação da Lei ou Torá. 

Quanto às origens desse tipo de trabalho, pode-se dizer que começaram a atuar nos tempos do Antigo Testamento em que a figura dos profetas ia perdendo o seu valor.

Embora seu grupo não represente uma seita ou organização religiosa, existem citações desses profissionais se opondo aos ensinamentos de Jesus (Marcos 14:1 e Lucas 22:1), chegando a ser criticados duramente por Jesus, sendo chamados de legalistas e hipócritas (Mateus 23:1-36 e Lucas 11:45-52 / 10:46-47), a exemplo dos fariseus.

Enquanto a destruição de Jerusalém (Ano 70 d.C.) provocou a extinção de várias correntes citadas anteriormente, para os escribas serviu para aumentar a sua influência. 

Um escriba trabalhando

 

4.5 Herodianos

 

A opressão política romana, simbolizada pelo Rei Herodes, e as reações religiosas expressas nas reações sectárias dentro do judaísmo pré-cristão forneceram o referencial histórico no qual Jesus veio ao mundo. Frustrações e conflitos prepararam Israel para o advento do Messias de Deus, que veio na “plenitude do tempo” (Gálatas 4.4). Era esse o pano de fundo.

Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos. (Gálatas 4:4-5)

Para começar, o nome desse partido político e/ou seita religiosa se origina no nome do Rei Herodes, o Grande, monarca que procurou romanizar a Palestina durante seu mandato. 

Como partido político, eles favoreciam a autoridade dos Herodes, sob o governo de Roma, ao mesmo tempo em que mostraram forte hostilidade para com Jesus Cristo, em diversas ocasiões (Mateus 22.16  e Marcos 3.6 – 12.13), situação em que  se associavam aos fariseus e saduceus. Acima de tudo, defendiam que os melhores interesses do judaísmo estavam na sua cooperação com os romanos. 

Ao extrairmos os ensinos que a história deste grupo nos traz, perceberemos que existem, em todos os períodos de tempo, aqueles que sempre estarão dispostos a sacrificar as convicções em troca do recebimento de benefícios pessoais. 

Por isso, esse grupo é caracterizado como aqueles que busca seu próprio interesse em detrimento do próximo, e um completo desapego das verdadeiras convicções e princípios, a começar pelos princípios éticos e Escriturísticos.  Para eles, o que mais importa era estar ao lado daqueles que lhes proporcionasse benefícios, pois assim poderiam experimentar os resultados trazidos pela influência e status do poder.

Herodianos

 

4.6 Samaritanos

 

Os judeus costumavam classificar os samaritanos como uma seita, cismáticos ou até mesmo como pagãos. Em Mateus 10:5 Jesus diz para Seus discípulos não entrarem nas cidades da Samaria. 

Na realidade, pode-se dizer que os samaritanos representavam uma mistura de judeus e gentios. Sua origem é atribuída à ocasião em que Sargom tomou Samaria e a levou para o cativeiro,  tentando desnacionalizar seus habitantes ao misturá-los com os babilônios (II Reis 17:24).

Talvez esse tenha sido um dos motivos pelos quais os outros judeus abominavam os samaritanos, considerando-os a escória da sociedade. Além disso, os samaritanos eram acusados pelos judeus de serem um povo sem “sangue puro”, que não seguia a religião judaica, e acusados de oportunismo, pois só se aproximavam dos judeus quando viam ali vantagens próprias.

Por conta dessas afrontas, na sua volta do cativeiro, os samaritanos foram proibidos de adorarem no Templo em Jerusalém juntamente com os restante dos judeus. Também não lhes foi permitido participarem da reconstrução dos muros. 

Mediante toda essa contrariedade, o genro de Sambalate, que era sacerdote, foi expulso do meio social judeu pelo próprio líder Neemias e começou a liderar uma campanha contrária à obra de reconstrução.. Sambalate chegou a construir um templo rival ao de Jerusalém, no monte Gerizim.  

Desde a construção deste templo alternativo, a situação entre judeus e samaritanos se agravou, e o clima de ódio e desprezo se tornou cada vez maior, como nos apresenta o livro apócrifo de Eclesiástico, quando afirma que “há dois povos que minha alma abomina, e o terceiro, que aborreço, nem sequer é um povo: aqueles que vivem no monte Seir, os filisteus, e o povo insensato que habita em Siquém”. Observe que esta ofensa “povo insensato que habita em Siquém” sestava se referindo aos samaritanos.

Na verdade, os samaritanos mantinham crenças semelhantes àquelas dos saduceus e, 

apesar de todas as acusações do judaísmo contra eles, podem ser encontradas diversas passagens bíblicas neotestamentárias que nos mostram a pregação do Evangelho para os samaritanos (Lucas 17:16; João 4; At 1:8; Atos 8:5,14; Atos 9:31) e até uma conduta destes que é contraposta à conduta do farisaísmo (Lucas 10:25-37).

Samaritanos

 

4.7 Zelotes

 

Zelotes foi o nome dado a um grupo político muito radical do Século I d.C., buscando uma rebelião contra o Império Romano, com o intuito de libertar Israel pela força. Na realidade foi isso mesmo que aconteceu, pois esse movimento conduziu à Primeira Guerra Judaico-Romana, acontecida entre os anos 66 d.C. e que culminou quatro anos depois com a destruição de Jerusalém e seu Templo. 

Se buscarmos explicação para o termo ZELOTES no grego e no hebraico da época, refere-se a “imitador”, “admirador zeloso”, “seguidor fervoroso”, ou “alguém que zela pelo nome de Deus”, traduções que atualmente suscitam apenas ideias de excesso de entusiasmo.   

Na verdade, o fervor dos zelotes fala de colocar as mãos nas armas, compromisso social acima de fervor religioso. São atitudes muito parecidas com outro grupo chamado Sicários, que será visto a seguir. 

Explicando mais especificamente essa luta travada pelos zelotes, ela se refere à vinda do Messias, o Filho de Deus, mas através de uma ação revolucionária, que resultaria em sua libertação das mãos opressoras de Roma e do helenismo.

Todos os grupos político-religiosos dessa época possuíam esse fervor na vinda do Messias, mas o que caracteriza os zelotes é a manifestação desse zelo através do desejo de revolução e luta como meio de atingir essa libertação. Por essa diferença específica, os Zelotes foram vítimas de oposição por parte dos Herodianos.

Zelotes

 

4.8  Sicários

 

Os Sicários não passaram de um subgrupo oriundo dos zelotes, porém, ainda mais radicais. O termo se origina do latim “sicarius” e significa “homem da adaga”.  Eles eram conhecidos por ocultarem punhais por debaixo da roupa.  O apóstolo Simão, por exemplo (não o chamado de Simão Pedro) pertencia ao grupo dos zelotes. (Lucas 6:15 e Atos 1:13)

Vale ressaltar aqui, que os Sicários pertenciam a um movimento revolucionário rural da Judeia, enquanto que os Sicários pertenciam a outro movimento chamado sacerdotal, de cunho mais religioso.

Sicários

 

4.9  Publicanos

 

Publicano é o nome dado ao grupo de coletores de impostos nas províncias do Império Romano, na época de Jesus, e que se dividiam em duas espécies: Publicanos Gerais, que eram responsáveis pela coleta de impostos no Império, e Publicanos Delegados, que coletavam os impostos nas províncias. Esses últimos eram considerados corruptos. Segundo historiadores, os Publicanos eram odiados pelo povo da mesma forma como o eram os fariseus, mas com a diferença de que não eram hipócritas. 

Os Publicanos não eram considerados um grupo filosófico-político-religioso, mas uma classe profissional.

Relatam os Evangelhos que alguns publicanos converteram-se ao cristianismo, entre os quais podemos citar Mateus, que deixou o ofício para se tornar apóstolo, e Zaqueu (Lucas 19:1-10) que ao ser visitado por Jesus, promoveu restituição a tudo o que havia defraudado.

Publicanos

 

4.10  Macabeus

 

Macabeus é o nome dado aos membros de um exército rebelde judeu, na época do domínio selêucida. Chegaram a governar o território de 164 a 37 a.C., reestruturando a religião judaica, expandindo as fronteiras de Israel e reduzindo a influência da cultura helenística sobre o povo. Seu membro mais conhecido foi Judas Macabeu, homem forte e determinado.

Os Macabeus lideraram durante anos o movimento que levaria à independência da Judeia, quando reconsagraram o Templo de Jerusalém, profanado pelos invasores gregos. 

Aristóbulo I foi o primeiro dos governantes macabeus a assumir o título de “Rei dos Judeus”. Depois de um breve reinado, foi substituído pelo tirânico Alexandre Janeu que, por sua vez deixou o reino para sua mãe, Alexandra, cujo reinado foi relativamente pacífico. Com a sua morte, um filho mais novo, Aristóbulo II, desapossou seu irmão mais velho.

Estava para irromper uma guerra civil em 37 a.C. quando Pompeu marchou sobre a Judeia com as suas legiões, buscando um acerto entre as partes e o melhor interesse de Roma. Aristóbulo II tentou defender Jerusalém do ataque de Pompeu, mas os romanos tomaram a cidade e penetraram até o Santo dos Santos. Pompeu, todavia, foi respeitoso, não tocando nos tesouros do templo, nem dos objetos de valor religioso.

Os Macabeus

 

AUTOR DA PESQUISA

Walmir Damiani Corrêa

 

 

BIBLIOGRAFIA

 

PFEIFFER, Charles F. De Malaquias a Mateus. [Adaptação]

TOGNINI, Enéas. O Período Interbíblico: 400 anos de silêncio profético. São Paulo: Editora Hagnos.

BÍBLIA DE ESTUDO ANOTADA

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FERNANDES, Robson. NAPEC – Núcleo Apologético de Pesquisas e Ensino Cristão. Grupos Judaicos na época de Cristo.

Site “SEMEANDO A VERDADEIRA DOUTRINA DE CRISTO. [Pr. Elder Cunha]

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BRITO, Ismael. Período Interbíblico ou Período Neotestamentário. 2014

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WWW.GOOGLE.COM.BR/SEARCH?EI=ZHNFWQ_AOC65WGSRSBGWDA&Q. Zelotes

NUMINOSUMTEOLOGIA.BLOGSPOT.COM.BR. Qual a diferença entre Zelotas e Sicários? 2009

 

Por: Walmir Damiani Corrêa

Publicado em 02/04/2018

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