Bem-aventurados os que choram

 BEM-AVENTURADOS

OS QUE CHORAM

(Mateus 5:4)

 

 

 

Aquilo que o mundo mais procura evitar é a necessidade de chorar e acha inteiramente ridícula. Mas o que está em foco aqui é algo inteiramente espiritual em seu significado.

Quando cada crente se aproxima desta descrição e começa a colocar em prática esta beatitude, o cristianismo atrai aqueles que estão de fora da Igreja, e aí acontece um novo reavivamento.

Preocupa-nos o estado e a vida da Igreja nos dias atuais. E mais uma vez é lamentável que não esteja em evidência esse tipo de atitude como sucedia no passado. Continuo afirmando que a Igreja não está exercendo um maior impacto sobre a vida dos homens e das mulheres deste nosso mundo devido ao fato que a sua própria vida não se encontra em ordem.

Outra explicação é de uma falsa ideia que vem surgindo e ganhando terreno, aquela de que o crente deve ostentar deliberadamente uma aparência de vivacidade e jovialidade. Isso é apenas uma simulação, puro farisaísmo. É por isso que se sente uma ausência dessa virtude nas igrejas modernas — “o choro espiritual”. Pelo contrário, se vê uma certa superficialidade quase irracional.

Vou mais longe ainda. O assunto é profundo e sério. A explicação final para o estado da Igreja Moderna, é um defeituoso senso de pecado, bem como uma doutrina distorcida do pecado. Estas duas coisas: a) o conceito superficial de júbilo e felicidade e b) a doutrina defeituosa do pecado, produziram entre nós tipos de crentes superficiais e uma forma de vida extremamente inadequada.

Essas razões são tão importantes e nos levam a nos aproximar do Sermão do Monte. Há uma necessidade de sermos humildes de espírito antes de sermos cheios do Espírito Santo. E para sermos cheios, devemos lamentar e chorar vendo nossa condição pecaminosa e com atitude de humildade pedir perdão a Deus.

Nós temos vários exemplos na Bíblia onde vemos homens chorando, lamentando algo que os deixaram tristes. Podemos ver esses exemplos em Jesus Cristo (Lucas 19:41-44), nos ensinos de Paulo (Romanos 7:24, II Coríntios 5:2, etc.) Tudo isso nos mostra um pouco o que se deve entender por chorar espiritualmente.

Não vemos alguma coisa que se assemelhe à vivacidade e jovialidade moderna. É conveniente que o indivíduo faça uma pausa no final de seu dia e comece a meditar sobre si mesmo: o que fiz?; o que disse?; O que pensei?; como relacionei-me com os meus semelhantes?  Numa das noites, ao sentir que fez muitas coisas que jamais deveria ter feito, se for um cristão autêntico, se sentirá profundamente afetado pela tristeza e pesar, isso o levará a lamentar-se.

Contudo o crente não para nem mesmo aí. Não cessa de fazer considerações sobre si mesmo, mas enxerga as misérias em outras pessoas, preocupa-se com o estado da sociedade e do mundo, e lamenta por causa de todas estas coisas. Sim, o crente chora em face da situação do seu semelhante no mundo inteiro ao contemplar a desordem, infelicidade, sofrimento, guerras, etc., uma condição enferma e infeliz. Jesus, quando viu essa condição humana horrenda, feia e terrível, a qual invadiu nossas vidas e introduziu a morte, chorou em seu espírito. É isso que significa chorar no sentido espiritual.

Mas em face de tudo isso, vem o consolo. O indivíduo que verdadeiramente chora é consolado e sente-se feliz.  A vida cristã é passada dessa maneira, entre choro e alegria, entre tristeza e felicidade. Para o mundo não há consolo, mas para o crente que se lamenta em face do seu pecado e dos seus semelhantes, há o seguinte consolo: o consolo da bendita esperança, o da glória vindoura da esperança que brilha no horizonte. Ele tem esperança final na eternidade.

 

 AUTOR

Pr. Estevam Hernandes Filho

 

Por: Estevam Hernandes Filho

Publicado em 16/07/2018

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