A cana trilhada e o pavio que fumega

 

A CANA TRILHADA

 

E O PAVIO QUE FUMEGA

 

 

Não pretendemos falar a respeito de todos os versículos que vamos ler agora, pois queremos, nessa oportunidade, nos ater especificamente ao verso 3. O motivo de lermos o texto todo é para dar uma ideia geral do assunto. Vamos ler, então, até o verso 5, que diz assim:

 

Eis aqui o meu servo a quem sustenho, o meu eleito, em quem se compraz a minha alma; porei o meu Espírito sobre ele, e justiça produzirá entre as nações. Não clamará, não se exaltará, nem fará ouvir a sua voz na praça. A cana trilhada não quebrará, nem apagará o pavio que fumega. Em verdade, produzirá o juízo; não faltará, nem será quebrantado, até que ponha na terra o juízo e as ilhas aguardarão a sua doutrina. Assim diz Deus, o Senhor, que criou os céus e os estendeu, e formou a terra e tudo quanto produz, que dá respiração ao povo que nela está, e o espírito aos que andam nela. (Isaías 42:1-5)

 

O verso 3, por sua vez, é dividido em três partes: 1) A cana trilhada não quebrará, 2) nem apagará o pavio que fumega, e 3) em verdade, produzirá o juízo.

Vamos orar, vamos pedir que Deus nos abençoe através desta Palavra, que Deus nos quebrante, que nos oriente, que Deus fale aos nossos corações. Peço que vocês descansem em Deus, nesta hora, esquecendo um pouco dos seus problemas, das suas necessidades... Pensem apenas que vocês estão na presença de Deus, neste lugar, e que precisam sentir a presença de Deus, que precisam receber a bênção de Deus. Pensem apenas na Palavra que lemos há pouco, onde diz que Deus não quebrará a cana trilhada e nem apagará o pavio que fumega, mas que produzirá um juízo justo, imparcial.

 

Ó Deus, nós estamos na Tua presença nesta noite, e reconhecemos que o Senhor está aqui. Reconhecemos o Senhor em todos os nossos caminhos e se estamos aqui é porque o Senhor nos trouxe, acima da nossa vontade e que o Teu Espírito esteve trabalhando para nos trazer até este lugar. Estamos aqui, Senhor, para declarar isto: que o Senhor está aqui, que o Senhor é poderoso, e que todas as coisas estão debaixo do Teu poder. Sujeitos à Tua autoridade estão todos os homens também, todos os espíritos, todas as potestades, todo o Universo, todas as coisas visíveis e invisíveis, móveis e imóveis. Tudo e todos estão sujeitos à autoridade da Tua Presença, da Tua Palavra, da autoridade da Tua Pessoa. Por isso louvamos o Teu nome e declaramos nesta noite que Jesus Cristo é o Senhor, o Rei dos reis e Senhor dos senhores, Jesus de Nazaré. Ele é Senhor dos reis e Rei dos senhores. Agora, nos rendemos a Ti, Senhor, nos colocamos debaixo da Tua autoridade poderosa, pedindo que Tu nos quebrante, e nos ensine, Senhor! Amém e amém!

 

Jesus Cristo foi, sem dúvida, o homem mais singular que jamais pisou nesta terra. Ao observarmos os escritos da Palavra Divina, que fala da pessoa bendita de Jesus de Nazaré, ao lermos os Evangelhos percebemos Suas atitudes, o Seu comportamento dentro do espaço de tempo que Ele viveu aqui neste mundo, quando observando as Suas palavras, as Suas respostas, as Suas ações e reações, os Seus sentimentos transmitidos pelo poder do Espírito Santo que estava em Sua vida, os acontecimentos que foram registrados nesses evangelhos, nós nos damos conta de uma forma muito clara que mais ninguém falou como esse Homem falou, e que mais ninguém viveu como esse Homem viveu, e que ninguém mais foi capaz de fazer afirmativas como aquelas feitas por Ele.

Lembro-me de uma certa ocasião em que Jesus estava reunido com os Seus discípulos, preparando os corações deles para que pudessem enfrentar a realidade cruel que em breve se abateria sobre eles e sobre o próprio Jesus no Evangelho de João, que registra que Satanás, o príncipe deste mundo, estava se aproximando. Colocando-se de pé, diante dos Seus discípulos, Ele os convidou a sair dali, dessa maneira: “Levantemos e vamo-nos daqui, porque aí vem o príncipe deste mundo e ele nada tem em Mim.” (João 14:30,31)

“Ele nada tem em mim.”  São declarações como esta que mostram a singularidade da vida e da pessoa de Jesus de Nazaré: “Vamos! Levantemo-nos! Saiamos deste lugar!”  Jesus Cristo era um homem totalmente liberto de todas as coisas que até mesmo de longe pudessem ser associadas com a figura maligna de Satanás. Era um homem totalmente liberto, vivendo 24 horas por dia na presença de Deus.

Em outra ocasião (João 18:20-23), Ele estava operando maravilhas, fazendo o bem para os necessitados, e tentando salvá-los, razão da Sua vinda a este mundo, quando Seus adversários, Seus inimigos, os Seus algozes arrazoavam contra Ele, pensando mal a Seu respeito. A Bíblia diz que Jesus se levanta, olha para aqueles inimigos gratuitos e diz: “Se eu faço o mal, então deem testemunho do meu mal, mas, se eu faço o bem, se Eu curo enfermos, se eu liberto oprimidos, se eu me preocupo com a salvação das almas, se me preocupo com o bem-estar de vocês, por que vocês não creem em mim? Por quê?  Se eu faço o mal, deem testemunho do meu pecado, mas se faço o bem, não me persigam! Aceitem a minha graça de graça.”  E Ele se levanta, encara Seus inimigos e diz: “Quem de vós me convence do pecado?” 

Que autoridade, irmãos! Não era uma autoridade orgulhosa, mas a afirmação constatada da realidade! Jesus vivia uma vida pura diante de Deus, embora fosse um homem como eu, como vocês! Não vamos pensar que Jesus usou a Sua divindade para viver de acordo com a vontade de Deus, porque não foi isso o que aconteceu. A Bíblia diz que em tudo Ele foi tentado, como nós. A diferença é que, sem ter pecado, Ele venceu todas as tentações sofridas na Sua vida terrena. Ele usou a Sua humanidade, a Sua fé singela em Deus, usou o Seu amor a Deus e às Escrituras para viver neste mundo de maneira digna, de modo a servir de modelo para cada um de nós, nos dar uma mensagem clara de que é possível viver uma vida dessa forma. Ele estava tentando nos ensinar que é possível também a nós viver uma vida assim diante de Deus, que é difícil, mas não é impossível viver uma vida santa como Ele viveu.

Meus irmãos, esse texto que nós lemos é uma profecia antiga, acontecida mais ou menos 730 anos antes da passagem de Jesus pelo nosso mundo. Houve um homem levantado por Deus, Isaías, que profetizou muito acerca de Jesus. Dizem os estudiosos da Bíblia que esse profeta antigo é considerado como o Evangelista do Antigo Testamento, chamado também como o Profeta Messiânico, tudo isso por causa das profecias quase sempre voltadas para a vinda e a vida de Jesus, o Messias que haveria de vir para resgatar a humanidade dos seus maus caminhos e ser conduzida até Deus.

Nesse texto que nós lemos, outra profecia de Jesus está dita aqui: 

 

Eis aqui o meu servo a quem sustenho, o meu eleito, em quem se compraz a minha alma, diz o Senhor, o meu Espírito sobre ele produzirá juízo entre os gentios. Não clamará, não se exaltará, nem fará ouvir a sua voz na praça. A cana trilhada não quebrará, nem apagará o pavio que fumega. Em verdade produzirá o juízo; não faltará, nem será quebrantado, até que ponha na terra o juízo e as ilhas aguardarão a sua doutrina. Assim diz o Senhor, que criou os céus e os estendeu, e formou a terra e tudo quanto produz, que dá respiração ao povo que nela está, e o espírito aos que andam nela. (Isaías 42:1-5)

 

É uma profecia voltada para Jesus, sobre a Sua vida humilhada, sobre a Sua vida quebrantada, sobre a Sua vida piedosa e sujeita a Deus, onde se destacam várias facetas do caráter, do temperamento e da personalidade de Jesus, entre as quais está a Sua humildade diante de Deus e dos homens. Um dos segredos de uma  vida vitoriosa é a humildade, uma das primeiras lições que Jesus nos ensinou.  

Ele diz lá em Mateus 11:29 que é para as pessoas virem até Ele a fim de aprenderem d’Ele que é manso e humilde de coração. Observe a humildade de Jesus retratada no nosso texto: “Não clamará, não se exaltará, nem fará ouvir a sua voz na praça. Eis aqui o meu servo a quem sustenho, o meu eleito, em quem se compraz a minha alma, diz o Senhor, o meu Espírito sobre ele produzirá juízo entre os gentios...”  

Esta é a vida de Jesus que tanto agradava a Deus, uma vida humilhada diante da potente mão do Pai, que se a tivermos, também vai fazer  com que agrademos ao Senhor. Seja humilde, irmão! Seja humilde!  Chega a hora em que precisamos ser realistas e entender que a mão de Deus está em oposição aos arrogantes, mas não aos humildes, pois sobre esses Sua mão poderosa está estendida para abençoar. A graça de Deus é para os humildes! É assim que afirma as Sagradas Escrituras.

 

O VERSO 3

 

No verso 3 do nosso texto vejo uma coisa extraordinária, que me quebranta o coração. Desde o princípio que comecei a pregar, estou fazendo força para não chorar, pois o meu coração está batendo forte no peito. Essas coisas me impressionam, saber que Jesus é assim dessa forma. Eu penso e olho para a minha vida e vejo que em mim tem se cumprido essa Palavra. Peço desculpas a quem me assiste, caso eu me emocione, mas eu preciso soltar um pouco minhas emoções!

Esse verso 3 diz que a cana trilhada não quebrará, e mostra algumas atitudes que Jesus toma diante de determinadas pessoas. Eu pediria que você me acompanhasse um pouco mais nesse versículo 3, pois a profecia sobre Jesus fala de um determinado comportamento que Ele tem para com determinadas pessoas:  A cana trilhada não quebrará, e quem é esse pavio que fumega não apagará...  Será que você sabe quem é essa cana trilhada? Será que o Espírito de Deus já abriu a sua visão para entender quem é essa cana trilhada e quem é esse pavio que fumega? Será que você sabe que Jesus não quebra a cana, não apaga o pavio, mas toma em suas mãos essa cana e esse pavio, trabalha com os dois, produzindo os justos juízos de Deus!

 

QUEM É A CANA TRILHADA E O PAVIO FUMEGANTE?

 

Essa cana, irmão, sou eu!  Esse pavio, irmão, é você! Essa cana tipifica muitos de nós! Esse pavio que fumega representa muitíssimas pessoas! Pense um pouco! Que utilidade pode ter uma cana pisada pelos trabalhadores ou um pavio que teima em se manter aceso? Afinal, o pavio não passa de um pedaço de pano embebido em algum combustível que mantém o fogo aceso na sua ponta, com o objetivo de iluminar. 

O nosso texto fala de um pavio que fumega, mas que já não dá luz, não resplandece! Praticamente não há mais nenhuma chama nele! Está apenas fumaceando! Que utilidade pode ter uma cana quebrada? Se uma cana inteira já é uma coisa insignificante, imagine então que valor teria uma casa trilhada, pisada!  

Mas o nosso texto diz que a cana trilhada não quebrará! Ela representa os miseráveis deste mundo, os indigentes deste mundo, os alienados e desesperados que há neste mundo, os esquecidos! Representa aquelas pessoas que já não têm mais esperança, pessoas para as quais a sociedade já não tem mais nenhuma resposta, mais nenhum projeto de recuperação. 

As pessoas de determinadas nações, principalmente dos países comunistas, estão planejando institucionalizar a eutanásia, ou seja, o direito de matar em massa, lei manejada por políticos cruéis e ensandecidos, já sem mais nenhum sentimento de amor ou piedade para com seus semelhantes. São homens duros, a despeito de suas riquezas e cultura, homens empedernidos, ateus... Eles querem se livrar dos cegos, dos aleijados, dos loucos e retardados, das pessoas que julgam só estarem dando prejuízo para a sociedade onde vivem. 

Esses governantes nada têm a ver com Jesus, que se curva, se abaixa até onde está a cana quebrada, e onde está o pavio que já não fumega, Ele vai até à escuridão e ilumina todos que estão assentados nas trevas. A Bíblia registra com fartura o que os governantes costumavam fazer com aqueles rejeitados e alienados, e vítimas de doenças contagiosas, arrancando-os de suas casas, de suas famílias, obrigando-os a viverem em segregação, em locais especialmente preparados para esse fim, normalmente em cavernas. Acabava-se o contato com as esposas, a família, perdia-se a alegria de assistir ao crescimento de seus filhos, os deveres e os privilégios destinados aos demais cidadãos da sua época.

 

JESUS TINHA OUTRA VISÃO DA CANA E DO PAVIO

 

Essa parcela das comunidades fazia parte dos grupos que aguardavam a vinda de Jesus, o Messias, para pôr fim no seu sofrimento e segregação. Eles se animavam em sair dos seus esconderijos, quando viam uma grande luz, que era o Messias passando nas proximidades. Um desses leprosos, numa situação dessa, se prostrou diante de Jesus e perguntou:  “Mestre, bem sei que Tu podes limpar-me.”  Diz a Bíblia que Jesus levantou Sua mão santa, pura e imaculada, tocou na cabeça do leproso e declarou: “Eu quero! Eu quero! Sê limpo! Sê limpo!” Na mesma hora a lepra foi embora do corpo daquele homem. (Mateus 8:1-4)  A dignidade foi restabelecida na vida daquele homem, e le pode voltar para o convívio dos seus.

É...  Jesus também fez isso com os viciados, com os loucos, com os endemoniados...

Uma certa vez Ele chegou numa região chamada Gadara (Lucas 8:26), onde vivia um homem possesso por uma legião de demônios, que andava nu e morava nos sepulcros. As pessoas já tinham tentado prendê-lo com correntes, mas tudo ele arrebentava. Todos tinha medo de passar por ali, onde ele costumava ficar. Quando esse homem se deparou com Jesus, prostrou-se diante d’Ele, enquanto os demônios exclamaram em alta voz: “Bem sei que és Jesus, o Filho do Deus Altíssimo. Peço-te que não nos atormentes.” O Senhor repreendeu os espíritos imundos que perturbavam aquele homem, que imediatamente sentiu-se no juízo perfeito, aquietou-se, sentou-se, vestiu-se... Ele inclusive decidiu-se por seguir a Jesus, junto com aquela multidão, mas o Senhor não aceitou, mandando-o voltar para a sua mulher, para os seus filhos, seus vizinhos, seus amigos, a fim de que Deus fosse glorificado pelo milagre de transformação. 

Você consegue imaginar aquele homem voltando para a sua casa, os vizinhos se afastando para longe quando o viram: “Lá vem aquele louco!”  As portas iam se fechando uma após a outra! Quando chegou na sua casa, ele bateu lentamente, pois Jesus lhe havia ordenado que voltasse para os seus!  Eram batidas lentas, de gente educada. Seus familiares, temerosos, abriram uma fresta na porta, enquanto as crianças gritavam: “Mamãe, ele veio nos matar!” Mas quando viram que ele estava normal, vestido, transmitindo calma com os olhos, eles escancararam a porta. 

Meu Deus, que situação! A reconciliação foi total, a família se reestruturou, o milagre da transformadora salvação de Deus tornara possível que aquilo acontecesse com plenitude. Ninguém, mais seria capaz de realizar aquilo. Glória a Deus pelo tão grande amor de Cristo, que transforma!

 

EU JÁ FUI UMA CANA TRILHADA

UM PAVIO QUASE APAGADO

 

Quando eu tinha 16 anos de idade, era um viciado em maconha e outras drogas. Numa madrugada, cheguei na casa na minha avó, com quem morava, pois minha mãe já não me aguentava mais. Eu estava cheio de maconha na cabeça. Minha avó gritava do lado de dentro: “Aqui você não entra mais!”  Passei a noite ao relento e no outro dia resolvi ir embora para outro lugar, para outra cidade. Eu era uma cana trilhada, um pavio que fumegava. Todos que se referiam a mim, diziam: “Bartolomeu não tem mais jeito!”  Não havia mais uma chama em mim, uma esperança, 

Mas Jesus não pensa assim, pois Ele investe na cana trilhada, Ele não apaga o pavio que fumega. Em lugar disso, Ele protege tudo com as Suas mãos. 

É por isso que não consigo ouvir aquele hino sem chorar: “Oh, quisera bem poder falar de Cristo e dizer o que Ele fez por minha vida. Oh, quisera bem poder falar de Cristo e todos pudessem ouvir de bom som. Minha vida estava cheia de perigos quando Jesus me cercou para me salvar.  Os Seus braços cercaram com desvelo, consertou-me os passos e fez-me caminhar. Ninguém tem amor igual a Ele. Oh! nem mesmo afeto maternal, nada pode comparar-se a isto...” 

Não tenho palavras que consigam mostrar o amor de Jesus, expressar a pessoa bendita que Ele é, tudo o que Ele fez e faz por cada um de nós. 

 

VOCÊ TAMBÉM É UM ALVO DE JESUS

 

Nesta noite, deixe que o Espírito Santo fale ao seu coração, pois só o Espírito Santo pode retratar de maneira real, verdadeira, cristalina aquilo que Jesus é e representa para cada um de nós. Deixe que Jesus conduza juízo na sua vida. Você, que é desesperado, que não sabe mais o que é ter o calor e o carinho de mais ninguém, você que acha que não possui grandes predicados, acerque-se de Jesus nesta noite, com ânimo, com alegria, com coragem, com sinceridade, com fé, sabendo que Ele valoriza a cana trilhada, o pavio que fumega! Ele não vai conduzir juízo matando quem não presta, mas transformando suas vidas, para que sejam úteis à sociedade. Jesus não é político, não é filósofo, Jesus não é Karl Marx! Jesus não é ateu!  Jesus é o homem que veio operar uma obra completa de salvação, um Deus Bendito que se fez carne e habitou entre nós.

 

VOCÊ PODE SER UM PROTAGONISTA

 

Eu estava ouvindo o testemunho de uma jovem que evangelizou os hippies e que se fez hippie para poder viver entre eles. Quando eles perceberam que aquela jovem era uma crente, uma serva de Deus, eles não entenderam nada e disseram: “Os crentes vêm pregar aqui na praça e nós não compreendemos porque eles nos mandam para o inferno. Mas você um de nós, e então podemos entender que esse seu Deus é acessível, e eu quero esse Deus porque ele está ao meu alcance, não é aquele Deus que muitos pastores pregam, um Deus no céu, muito distante do homem.”

Para nosso exemplo, Jesus se despiu de Sua glória e se vestiu da carne, se fazendo homem, desceu ao nível dos homens, foi até onde os homens estavam, nos buracos onde eles se encontravam, mostrando que Deus tinha uma obra de salvação, de transformação e de mudança para suas vidas.

Assim deve ser a nossa mensagem, que não aliena, mas uma mensagem que combine com aquilo que Jesus Cristo fez. Ele se pôs no paradeiro de pessoas alienadas e esquecidas da vida dos homens e da sociedade, colocou-se no encalço delas, perseguiu-as, alcançou-as, envolvendo-as com o Seu manto de misericórdia e declarou: “Deus do céu está aqui, e vive em mim, está na minha vida. Vem comigo e chegarão a uma grande vitória e salvação.” 

 

DENTRO DA IGREJA É FÁCIL SER CRENTE

 

É assim que nós também devemos fazer. Servir a Deus aqui no templo é muito fácil! Nós precisamos é ir lá fora, onde os pecadores estão, temos que ir atrás das almas perdidas, não levando condenação para elas, mas esperança, ânimo, salvação.

Passe a preocupar-se com os indigentes, com os viciados! Se alguém não tivesse se preocupado comigo, na situação em que eu estava, eu não estaria aqui pregando para vocês, nesta hora. Eu estou aqui porque alguém me amou, porque alguém me mostrou um Deus que eu podia entender. Os hospitais estão aí, os orfanatos estão aí, os asilos estão aí, as ruas, as esquinas, as praças estão aí! Jejuem, se consagrem, evangelizem, saiam às ruas! É lá fora que os pecadores estão esperando por uma palavra de esperança. Você tem todas as condições para ser uma bênção, pois a bênção não está na sua cultura, na sua aparência, não está no seu porte físico; a bênção está na graça de Deus no seu coração.

Hoje é dia de nos consagrarmos, de chegarmos aos pés daquele que não quebra a cana trilhada, que não abate o pavio que fumega, e em verdade produz o juízo para nossas próprias vidas para que sejamos bênçãos semelhantes a Ele e trazermos a Sua glória aqui.

Por isso, agora, em nome de Jesus, vamos orar na presença de Deus. Deus quer fazer uma obra muito grande nesse lugar. Ah, irmãos, gostaria muito que entendessem o que está tão claro, pois assim vocês mudariam suas atitudes a partir de hoje, deixariam de pensar em vocês mesmos e passariam a pensar mais em Deus. A diferença é Jesus quem faz. Tanto o Príncipe como o mendigo precisam se quebrantar aos pés de Jesus. Precisamos aprender a nos curvar diante d’Ele, pois é Ele quem faz toda a diferença. O príncipe chega até a presença de Jesus e deposita a coroa aos aos pés d’Ele, da mesma forma como o mendigo pega seu chapéu onde recolhe suas esmolas e o deposita diante dos pés feridos de Jesus de Nazaré.  

 

DEUS VALORIZA NOSSAS DOAÇÕES

 

Assim como aquele menino da multiplicação de João 6, que possuía apenas um lanche, nós também temos muito pouco para oferecer. Embora tenhamos quase nada, ofereçamos a Jesus o pouco que possuímos. Entreguemos para Jesus os cacos da nossa vida, os cacos que sobraram do nosso coração. Entreguemos para Jesus os fragmentos da nossa existência, os nossos anelos mais profundos. Observe que Jesus recebeu aquele lanche, o ergueu para os céus e deu graças a Deus. Em seguida, mandou que todos se assentassem, e ordenou aos Seus discípulos que dessem de comer à multidão. 

A multidão se alimentou daquele lanche e a fome de milhares foi satisfeita. O lanchinho do menino não poderia ser considerado uma refeição completa nem para ele, mas quando resolveu entregá-lo ao Senhor, o Mestre abençoou e multiplicou aquele lanche e uma multidão de homens, mulheres e crianças foram alimentadas.

 

PREGADOR

Pr. Bartolomeu Severino de Andrade

 

 

NOTA DO REDATOR

No momento o Pr. Bartolomeu apontou para uma moça que estava no terceiro banco, dizendo-lhe que o Senhor faria com ela, a partir daquele momento, o que tinha feito com o lanche do menino. Ela precisaria “juntar” os cacos da sua vida e depositá-los para Jesus ali, diante do altar. Ela veio como um robô para a frente, e ficou de pé diante do púlpito.

Nos anos que se seguiram essa moça, que era viúva e mãe de uma filha, passou a desempenhar serviços como missionária, estudou num seminário teológico do Paraná, retornou para sua Igreja e hoje (2019) é esposa do pastor dessa instituição onde conheceu a Jesus e recebeu o chamado para servir ao senhor.

 

              

Logicamente, a pregação do Pr. Bartolomeu acabou naquele momento, pois a congregação começou a viver um dos momentos mais emocionantes da sua história. Quase todas as pessoas presentes vieram à frente, para participarem da unção que caíra naquele lugar. 

 

 

As imagens aqui utilizadas foram extraídas de uma filmagem amadora feita durante o culto realizado em 19/09/1989, na ADI – Igreja Evangélica Assembleia de Deus, na cidade de Tubarão/SC. 

O culto em questão aconteceu durante uma visita do Pr. Bartolomeu à comunidade, época em ele tinha 36 anos de idade e residia em Santana do Livramento/RS, fronteira com Rivera, Uruguai. 

Dois anos depois ele se mudaria para Tubarão, convidado para pastorear a Igreja ADI, permanecendo ali por seis anos, e depois retornando para a fronteira Brasil-Uruguai, onde deu continuidade ao seu ministério evangelístico itinerante.

Walmir Damiani Corrêa (Org.)

 

 

 

 

 

 

 

 

Por: Bartolomeu de Andrade

Publicado em 22/06/2019

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