Servo de orelha furada

 SERVO DE ORELHA FURADA

                                     

Aquele, pois, que o filho libertar, verdadeiramente será livre. (João 8:36)

 

No antigo Israel, os escravos hebreus pagavam suas dívidas através do trabalho. A força, os sonhos, toda a vida era dedicada ao seu senhor. Em Êxodo, vemos uma determinação divina para que os escravos fossem libertos no sétimo ano de serviço: "Quando você adquirir um escravo hebreu, ele servirá seis anos; no sétimo ano ele sairá livre, sem pagamento." (Êxodo 21:2). O regime de escravidão no mundo hebreu, existia por dois principais motivos: pobreza extrema e dívidas.

Alguns escravos se apegavam tanto a seus senhores que poderiam optar por voluntariamente se entregarem como escravos daqueles senhores até o final de suas vidas, sem volta para a liberdade. Como um sinal da entrega, esses escravos furavam a orelha. "Então, o seu senhor o levará aos juízes, e o fará chegar à porta ou à ombreira, e o seu senhor lhe furará a orelha com uma sovela; e ele o servirá para sempre", (Êxodo 21:6). Escravos de orelha furada simbolizavam uma união de serviço e de amor.

Um detalhe é que escravos hebreus nunca eram chamados de escravos, mas de SERVOS. Quem serviam como escravos, sem direito à liberdade, eram os não-judeus, especialmente os cananeus. Não se sabe ao certo porque as leis de escravidão eram mais rígidas para estrangeiros, mas o certo é que tanto judeus como não-judeus falharam gravemente no modo de tratar seus servos e escravos. No livro do profeta Jeremias (Capitulo 34) Deus adverte: "Vós resistis em libertar seus servos".

O mundo físico e espiritual também forma seus escravos e resiste em libertá-los, mas Deus nos convida, através de Seu Filho Jesus, a sermos servos, pois servidão é o oposto de escravidão que exaure as forças humanas em causa alheia. Nós nos entregamos a Jesus como Senhor porque Ele pagou nossas dívidas, nos tornou livres do opressor. Este, sim, é o que oprime em carga de culpa e infelicidade, aprisionando a alma em serviço de delito à liberdade. Jesus é a nossa liberdade. Não precisamos realizar grandes obras, ajuntar exorbitantes quantias, nos esmerar em ser o melhor ou o mais belo. O mérito dessa liberdade não é nosso, mas de Deus.

Nesse plano eterno, e por vezes incompreensível, Ele estabelece um novo conceito de servidão, onde a liberdade é a moeda que nos estabelece. O céu pagou nossa dívida com o inferno, e já não pertencemos mais ao domínio do mal. Somos cheios de defeitos, mas ainda assim amados com incondicional amor. 

Se antes o simbolismo da escravidão voluntária era a orelha furada, na nova aliança é um coração circuncidado, renovado, inteiramente entregue ao Reino. “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (João 8:36)

 

NO MAR DO ESQUECIMENTO

 

Nada em nós é suficiente para nos reconciliar com Deus e apenas em Cristo recebemos a grande dádiva da justiça. Se Ele é justo, e habita em nós, nos tornamos justos naquilo que somos n’Ele: “Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira” (Romanos 5:9). Não precisamos temer a culpa, pois Ele nos faz livres! Tudo que precisamos é receber as promessas em nosso ser e prosseguir confiando naquele que nos resgatou. “Eu, eu mesmo sou o que apago as tuas transgressões por amor de mim, e dos teus pecados não me lembro”  (Isaías 43:25).

 

OLHANDO PARA A CRUZ

 

Tem dias que me sinto um fracasso, fazendo o que não devia, falando na hora errada... A culpa tenta me roubar a paz, como se um dedo gigante estivesse apontado para mim. Afinal, que tipo de cristã é você? Você errou, Deus está zangado com você!...  Raposinhas na vinha.

Porém, ao olhar para a cruz, recebemos perdão e vitória para termos paz, apesar dos insucessos, porque Ele nos diz: Fostes justificados pelo meu sangue! Chamei-te para a liberdade!  “Não torneis a colocar-vos debaixo do jugo da servidão” (Gálatas 5:1). 

Observe que, na cruz, sua orelha foi furada. Os pregos que transpassaram Jesus, feriram também sua alma em culpa e arrependimento, e Ele fez isso para que o fraco se tornasse forte! A fortaleza não é nossa, mas de Cristo. A cruz e o sangue nos redime e por isso a graça transparece em nós, os crentes, até mesmo e especialmente pelo que nos falta.

 

ORELHAS FURADAS

 

Imagino os servos israelitas andando no meio do seu povo, com orelhas furadas, sem emitir sons, ou gestos, sem alarde. Todos identificavam: "Eis um escravo! Quem é o teu senhor?" , da mesma forma como se faz ao cristão, que suas obras o denunciam: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne; vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou e se entregou a si mesmo por mim” (Gálatas 2:20). 

Lembram do profeta Eliseu? A sunamita o recebia em sua casa para alimentá-lo, pois seu comportamento lhe havia chamado à atenção: "E ela disse a seu marido: Eis que tenho observado que este que sempre passa por nós é um santo homem de Deus"  (2 Rs 4:9).  O servo de Cristo, deixa sua marca por onde passa.

 

LIBERTOS DA ESCRAVIDÃO

 

Saiba que Deus te ama e te convida a ser um escravo de orelha furada, que mesmo sendo liberto continua servindo a Seu Senhor, por amor. Ele pagou sua dívida, livrando-te do inferno, perdoando a toda tua culpa. Ele te chama para algo novo e melhor, para a liberdade, uma condição que o mundo jamais pode proporcionar. Trata-se de uma paz que a nada pode ser comparada. 

Tudo o que se precisa é de um coração, o seu coração entregue a confessar: “Senhor Jesus me perdoa e me ajuda a prosseguir em novidade de vida, seja meu Senhor, eis-me aqui como servo”. Que Deus te abençoe e não temas, porque n’Ele somos livres!

 

AUTORA

Wilma Rejane

Por: Vilma Rejane

Publicado em 11/08/2019

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