Baixo Espiritismo: Simbologias

BAIXO ESPIRITISMO:
SIMBOLOGIAS

 

 

INTRODUÇÃO

 

O Espiritismo Kardecista não envolve muita aparência física nas suas atividades. Como figuras, logotipos, etc., mas se penetrarmos na área e práticas do Baixo Espiritismo, começaremos nos deparar com uma infinidade de gravuras, ilustrações, locais tipicamente preparados para as suas, práticas, nomes e títulos internos, e assim por diante.

Vamos começar, então, a apresentar a grande série de caracterizações, práticas obrigatórias, indumentárias, etc. dos vários tipos de grupos do baixo espiritismo, mas tendo sempre como líder A Umbanda, que sempre se destacou muito nas terras brasileiras.


PONTOS RISCADOS

 

Segundo registros no livro “Umbanda sem estigmas” (GOMES, Vera), os locais que praticam o baixo-espiritismo costumam montar um conga, riscando pontos e símbolos no chão onde acontecerão determinados trabalhos. Esses pontos são riscados com “pembas coloridas”, uma espécie de giz, transformando o conjunto dos desenhos em verdadeiros códigos da Confraria de Umbanda.

Cada risco ou sinal identificam poderes, responsabilidades, os tipos de atividades e vínculos de iniciação das falanges. Como já dissemos acima, os símbolos são desenhados no chão, e seu uso e preparação dependem do tempo que as entidades pretendem “trabalhar” naquele local. Normalmente, só riscam o chão quando a atividade prometer uma longa duração.

Vejamos alguns desses símbolos e desenhos utilizados pelos organizadores dos locais de reunião.

CRUZ:  Nos meios esotéricos, a cruz simboliza a luz espiritual, o espírito puro e as energias ou forças espirituais. Ela serve para afastar os espíritos inferiores, Maus e obsessores. Na Umbanda, a cruz é o símbolo de Oxalá. (Lv 17:7)

LINHA RETA:  A linha reta simboliza a justiça divina, significando o caminho mais certo entre o erro e a sua consequência. (Ez 8:5-18; 13:18-21 e 20:30-32)

LINHA CURVA: Riscada com pemba branca, simboliza a sabedoria de Deus. Se for riscada com pemba vermelha, significa a força espiritual para o bem.

TRIÂNGULO:  Quando for desenhado com o vértice para cima, simboliza a libertação do espírito, mas com o vértice para baixo simboliza a incorporação do espírito.

SIGNO DE SALOMÃO: Esse é um dos pontos mais riscados, simbolizando a união do espírito com a matéria. (Lv 19:31 e Is 8:19-22)

FLECHA: A flecha representa o impulso das energias astrais (Lv 17:7).

 

DEFUMAÇÃO DO AMBIENTE


O primeiro cuidado para realização de uma sessão é a defumação do terreiro, dos filhos-de-santo e de todos os presentes, atividade que fica sob a responsabilidade do Pai-de-santo ou pelo Subchefe (1 Co 10:19-20).


 

BATIDA-DE-CABEÇA


Antes de iniciar a sessão, os Filhos-de-santo são chamado para o salão, que em seguida se prostram diante do Congá, o altar onde colocam as imagens de santos católicos. Nessa saudação, eles se ajoelham e tocam a cabeça no chão com a testa (Dt 18:9-12; 2 Rs 21:10-15).


 

INDUMENTÁRIA


Os umbandistas utilizam roupas especiais nas suas sessões, pois consideram o “trocar de roupas” uma espécie de homenagem às entidades (Ez 16:16-23).

Além das roupas, eles usam colares, apetrecho indispensável que é chamado de “guia”, e de uso obrigatório por todos os participantes dos trabalhos. A montagem desses colares consta da união de conchas, contas naturais ou artificiais, aço, pedras, miçangas, etc. As cores utilizadas e o material sempre correspondem à entidade protetora (Ez 13:18-23 e 7:20) Para se ter uma ideia melhor, para Omulu são usadas fitas de palha trançada, enfeitadas com conchas, enquanto que os adereços para trabalhos com os Caboclos exigem artefatos feitos com dentes de bois. Quando aos trabalhos com os Pretos Velhos usa-se correntes com elos de metal, enfeitadas com diversos amuletos, com a crença de que esses colares sejam magnetizados e passem a emanar poderes.

Vale registrar que esses adereços não são usados unicamente durante as sessões, podendo ser usados também fora dali, por baixo das camisas e blusas, pois têm caráter de amuleto.

 

BEBIDAS, COMIDA E FUMO

 

Cada classe de espírito requisita um tipo de bebida para desfrutar durante as sessões. Os Pretos Velhos, por exemplo, gostam de vinho, enquanto que as Pombagiras fazem questão de beber licores de aniz ou champanhe.  Quanto aos Exus, eles preferem as cabaças, mas as pessoas costumam lhes oferecer bebidas em garrafas, nas encruzilhadas (Pv 23:31-32).

O fumo não apenas é permitido, como também é exigido. Acredita-se que as entidades se utilizam das forças energéticas do fumo. Caboclos, Exus e Orixás masculinos costumam fumar charutos, enquanto que outros tipos de Exus preferem cigarros e Pretos Velhos adoram cachimbos. As Pombagiras, são fumantes de cigarro e cigarrilhas (1 Co 3:16-17 e 6:19).


 

ATIVIDADES E PARTICIPANTES


Logo que a sessão começa, pode-se observar o estado de transe dos participantes, seguido da incorporação dos espíritos, possessão que pode ser inconsciente, semiconsciente ou consciente. Os Orixás se expressam através do Pai-de-santo ou de um Filho-de-santo, através de sua voz, gestos e atitudes. Segundo os fiéis, Tanto o Pai como o Filho-de-santo oferecem o seu corpo e se tornam “cavalos” ou “aparelhos” para as entidades. (Mc 5:20)

No momento em que a entidade/médium estão fazendo a “consulta”, sem tocar no consulente, dão um “passe” no mesmo, afastando-se para o lado e estalando os dedos indicador e médio (Dt 18:9-12).


 

INSTRUMENTOS MUSICAIS


Segundo os frequentadores, existe um sentido mágico no toque dos instrumentos, sendo que o Atabaque é o mais usado, uma espécie de tambor. Também são utilizados o Agogô e o Adjá.

 

CONCLUSÃO

 

Conforme anunciamos na introdução desta pesquisa, o Baixo Espiritismo defende muitas variações de práticas, vestimentas, ambientes, etc., se for comparado ao Espiritismo Kardecista. Quanto a isso não temos a menor dúvida.

As únicas semelhanças de atividades que podem ser citadas é o fato de trabalharem para que “entidades” ou “espíritos desencarnados”  se apresentem no local de prática, o uso de passes, as incorporações, etc. A forma, porém de atingirem esses objetivos é que diferem os dois segmentos .


AUTOR DA PESQUISA

Walmir Damiani Corrêa
www.elevados.cm.br

 

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

 

COSTA, Valdeli Carvalho da. Umbanda. Vol.I. São Paulo/SP: Loyola, 1983.

CUPERTINO, Fausto. As muitas religiões do brasileiro. São Paulo: Civilização Brasileira, 1976.

GOMES, Vera Braga de Souza. Umbanda sem estigmas. Rio de Janeiro/RJ: Editora Mudra, 1984.

HOLANDA, S.B. Raízes do Brasil. Rio de Janeiro/RJ: Editora José Olimpo.

ITIOKA, Neusa. Os deuses da Umbanda. São Paulo/SP: ABU, 1987.

MELO, Edino. A Bíblia: Religiões, Seitas e heresias. Vol. IV. Campinas/SP. Editora Transcultural.

OLIVEIRA, Raimundo F. de. Seitas e Heresias. Rio de Janeiro/RJ: CPAD, 2001.

Por: Walmir Damiani Corrêa

Publicado em 11/11/2019

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