Geografia da Palestina: Época de Jesus

 

GEOGRAFIA DA PALESTINA

ÉPOCA DE JESUS

 

 

 

1. GEOGRAFIA POLÍTICA

 

1.1  Herodes, o grande

 

No ano 63 a.C, dando continuidade aos planos de expansão do Império Romano, o general romano Pompeu invadiu e dominou a Palestina, situação que perdurou durante todo o período do Novo Testamento.

No ano 40 a.C, o senado romano nomeou Herodes, o Grande, como rei da Judéia, na mesma época em que a Síria e a Palestina estavam sendo invadidas pelos Partos e Matatias Antígono, que foi declarado rei de Jerusalém. 

Em 37 a.C, depois de sucessivas batalhas contra os exércitos de Antígono e seus aliados, Herodes torna-se vencedor, retomando a Palestina, assumindo, assim, o posto de único governante da Judéia. 

Enquanto governava, Herodes ampliou significativamente o reino ao longo das décadas seguintes. Sua paixão pela pompa, o desejo de ver o seu nome imortalizado, e ao mesmo tempo, a necessidade de apaziguar uma população hostil que lhe dava trabalho, fizeram com que o Herodes investisse na construção de grandes obras de embelezamento de Jerusalém. 

Assim, a cidade passou a ser transformada pelas novas edificações, como um suntuoso palácio que foi levantado a Noroeste da Cidade Alta (Palácio de Herodes), a ampliação e revitalização do Templo do Senhor (Templo de Herodes, conforme Mt 2:1-19 e Lc 1:5), a construção da Fortaleza de Antônia e de novas muralhas. Herodes, o Grande reinou do  ano 37 a.C. até o ano 4 a.C.

A Pártia, também conhecida como Império Arsácida, foi a potência dominante no Planalto Iraniano a partir do século III a.C., controlando a Mesopotâmia de maneira intermitente entre os anos 190 a.C. e 224 d.C.  A Pártia era arquiinimiga do Império Romano, sempre tentando limitar a expansão deste ao leste além da Capadócia (Anatólia central).

 

1.2  Sucessão de Herodes, o Grande

 

Após a morte de Herodes, o Grande, o reino todo foi dividido entre os seus três filhos. 

 a) Herodes Antipas passou a ser Tetrarca da Galileia, ou seja, administrador das terras situadas entre a própria Galileia e a Peréia, que correspondia à quarta parte do total do reino dominado pelo seu pai, durante o período entre 4 a.C a 39 d.C. Os registros estão  em Marcos  6:14-29, Lucas 3:1, 13:31-35 e 23:7-12. 

 b) Herodes Filipe, seu irmão, passou a ser o Tetrarca das terras que compreendiam a Ituréia, Traconites, Gaulanites, Auanites e Batanéia, entre 4 a.C. e 35 d.C., conforme registros de Lucas 3:1.

 c) Herodes Arquerlau, o terceiro filho de Herodes, o Grande, foi Etnarca, ou seja, administrador da nação que compreendia a Judéia, Samaria e Iduméia, de 4 a.C. a 6 d.C., conforme registro em Mateus 2:22. Os desmandos administrativos de Arquelau, na Judéia, fizeram com que ele fosse deposto pelo Império Romano.

 Foi durante esse período de desmandos que José, Maria e Jesus, que regressavam da fuga do Egito, resolveram não irem de volta para a Judeia (Mateus 2:21-23), preferindo morar em Nazaré da Galileia.

A partir do ano 6 d.C., sucessivos governadores foram assumindo no lugar de Arquerlau. Na época da morte e ressurreição de Jesus, por exemplo, era Pôncio Pilatos quem fora nomeado para governar a Judéia.

 

 

2. GEOGRAFIA HISTÓRICA

 

 

A História da Palestina no período neo-testamentário, contada nos evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João, está diretamente ligada no campo da Geografia Histórica, tratando do advento do nascimento, juventude, ministério, morte e ressurreição de Jesus.

 

2.1  O Nascimento de Jesus e a Fuga para o Egito

 

Segundo a tradição cristã, Jesus nasceu em Belém, nos dias do rei Herodes, o Grande, o qual morreu em Abril, na primavera do ano 4 d.C.

De acordo com Lc 2:1-7, o nascimento de Jesus ocorreu provavelmente em dezembro, mas a criança só foi apresentada no templo, em Jerusalém, depois que voltaram da fuga do Egito. (Lc 2:22-24).  

Sobre essa fuga para o Egito, José e Maria estavam em Belém quando decidiram fugir para aquelas terras, pois a vida da criança estava ameaçada por uma decisão do rei Herodes. (Mateus 2:1-18)

 

2.2  A volta do Egito e Jesus no Templo

 

Após a morte do rei Herodes, o Grande, temendo os desmandos de Herodes Arquelau, que havia sido nomeado Etnarca da Judéia, a família retorna para Nazaré da Galileia, àquelas alturas, sob o domínio de Herodes Antipas (Mateus 2:19-23). 

Quando Jesus estava com 12 anos, a família subiu para Jerusalém, de modo a participarem da Festa da Páscoa, quando todos os judeus costumavam participar.  Durante a viagem de retorno, José e Maria deram pela falta de menino, tendo que regressar a Jerusalém para procurá-lo. Encontraram o menino dentro do Templo, debatendo com os doutores da Lei (Lc 2:4-50).  Jesus viveu em Nazaré da Galileia até Sua idade adulta (Lc 2:51,52).

 

2.3  O Batismo de Jesus e a ida ao deserto

 

O contato de Jesus com o público, ou seja, o início do Seu ministério público, isso se deu entre 27 e 28 d.C.

Quanto ao Seu batismo, Ele saiu de Nazaré, descendo em direção ao Mar Morto, passando pelo lado da Peréia. Chegando ao Rio Jordão, Jesus encontrou-se com João Batista e foi batizado  (Mt  3:13-17).

A partir do batismo, que representa o início do Seu ministério, Jesus encaminhou-se para o deserto, nas proximidades de Jericó, onde permaneceu quarenta dias, (Mc 1:13). Só depois de cumprir esse compromisso, Jesus retornou para a Galileia (Mt 4:12).

 

2.4  De Nazaré a Cafarnaum

 

Jesus fez seu primeiro milagre em Caná da Galileia, durante um casamento, encaminhando-se depois para o norte de Nazaré (João 2:1-11), onde não foi bem aceito. 

De lá, dirigiu-se a Cafarnaum, cidade ao Norte do Mar da Galileia, onde procurou estabeleceu residência (Mateus 3:13). Nessa período Ele nomeou os doze apóstolos, segundo registram (Marcos 3:13-19 e Mateus 10:1-4.

 

2.5  O Ministério em Caná e Nazaré

 

Jesus volta a Nazaré, onde prega em uma sinagoga (Marcos 6: 1-6), e a Caná da Galileia (João 4:46), e também ao Sul, em Naim (Lucas 7:11-17).

 

2.6  O Ministério pelo Mar da Galileia

 

A maior parte do ministério de Jesus aconteceu ao redor do mar da Galiléia, onde Ele costumava usar um barco como púlpito, enquanto a multidão ficava à margem, ouvindo Seus ensinamentos. 

Eram constantes as travessias por barco no lago, de uma margem à outra, o que talvez explique que Seus primeiros apóstolos fossem pescadores. Jesus se movimentava pelas cidades costeiras de Cafarnaum, Betsaida, Genesaré, Magadã, Sennabris, Gergesa e suas circunvizinhanças.

Todo o ministério de Jesus, nesse período, foi relatado em Mateus 4:18;  8:18,23-24;  9:1; 13:1; 14:13-34; 15:29-39; em Marcos 2:16-20; 2:13; 4:1,35-41; 5:1-21; 6:32-53; 8:1-10; em Lucas 5:1-11; 8:22-39; 9:10-17; e em João 6:1-25.

 

2.7  A Visita a Tiro, Sidom e Cesaréia de Felipe

 

Deixando os limites tradicionais da Terra Santa, Jesus fez uma viagem a Tiro e Sidom (Marcos 7:24 e Mateus 15;21-29), e de lá dirigiu-se para Cesaréia de Felipe (Mateus16:13-20), contornando pela região árida de Decápolis (Marcos 7:31), até retornar por Gadara, ao Mar da Galileia.

 

2.8  Jesus em Jerusalém

 

O Evangelho, segundo João, registra várias outras viagens de Jesus a Jerusalém, as quais não são mencionadas nos outros evangelhos (João 2:13; 3:21; 5:1-18). 

Na viagem relatada pelos evangelhos sinópticos (Mateus, Marcos e Lucas), Jesus saiu de Cafarnaum, rumo a Jerusalém, passando por Tiberíades, Citópolis, Salim, cruzou o Jordão, e seguiu para o Sul, até Betsabara. 

De Betsabara Jesus foi para Jerusalém, onde desenvolveu boa parte de Seu ministério, com feitos maravilhosos, milagres, levando as Boas Novas ao povo judeu, e também aos gentios, e instruindo Seus discípulos quanto à retidão de seus caminhos. (João 4:1-42; 5:1-18; 7:1-10; 10:40; 11:1-44,54). Depois, Jesus retornou para a Galileia, passando por dentro de Samaria.

 

2.9  A Última Viagem de Jesus a Jerusalém

 

Quando se aproximavam os dias da Sua ascensão (Lucas 9:51), no final da permanência na Galileia, Jesus começou a predizer aos discípulos o Seu destino em Jerusalém, dirigindo-se pela última vez a essa cidade, para a consumação de Seu ministério terreno. Saiu da Galileia e entrou na  Judeia, além do Jordão (Mateus 19:1,2), e pela Pereia, chegando a Jericó, Betânia, Betfagé e finalmente, fazendo a entrada triunfal, em Jerusalém (Mateus 20:17,29-34; Marcos 8:31; 10:1.32,46-52; 11:1-2; Luas 9:51-56; 10:38-42; 13:22; 18:31-42; 19:1-10;28-35; João 12:1-8).

No dia seguinte à chegada, aconteceu a Última Ceia (Marcos 14:15; Lucas 22:12). Jesus foi com os discípulos passar a noite no Getsêmani, onde foi preso, sendo depois acusado, julgado e condenado. Em seguida, foi levado para fora do Segundo Muro de Jerusalém, para um monte pedregoso chamado Gólgota.

Sua execução se deu segundo a prática dos romanos, ou seja, pregado em uma cruz. Ele foi sepultado ali perto, em um túmulo cedido por um homem chamado José de Arimatéia. Jesus, como Ele mesmo havia anunciado, e cumprindo a vontade do Pai, ressuscitou dentre os mortos no terceiro dia, levando sobre Si todos os pecados da humanidade. 

Os evangelhos registram aparições do Cristo ressurreto, na Galileia e na Judeia, que finalmente ascende aos céus, no Monte das Oliveiras (Atos 1.2-12).

 

 

3. GEOGRAFIA ECONÔMICA 

 

 

a)  Agricultura, Pecuária, Pesca e Proto-Indústria

 

A produção agrícola na Palestina era diversificada, com o aproveitamento dos vales e planaltos elevados, em áreas de cultivo de grãos, como o trigo e cevada, e das encostas das montanhas, para o pastoreio. O terreno montanhoso de vegetação rasteira dava pastagens para as ovelhas e gado.

Nas encostas das montanhas, além dos vinhedos, eram cultivados figos, romãs, castanhas, tâmaras e azeitonas. A pesca era desenvolvida ao longo da costa do Mediterrâneo e em torno do Mar da Galileia. 

A metalurgia já florescia com o cobre e o ferro,  as olarias, com tijolos de barro e cerâmica rudimentares. A extração de sal, no Mar Morto, e a produção de corantes de púrpura, também existiam, nessa época.

 

b)  O Comércio

 

Herodes, o Grande, obteve grandes proventos financeiros para a Judeia, com o comércio intensivo e a coleta de impostos do povo judeu, subjugado. Haviam várias rotas comerciais por terra e mar. 

Jerusalém era o principal centro comercial da região, seguida de perto por cidades costeiras como Gaza, Jope e Tiro, também consideradas  centros comerciais de grande movimento.

Além dos escravos, esses locais recebiam especiarias como o vinho, frutas, ervas e temperos da Grécia e da Ásia Menor, grãos do Egito. Também recebiam tecidos como seda provenientes da China e da Índia, e especiarias arábicas. Tais mercadorias vinham pelo Mar Vermelho e pelo Golfo de Ácaba, até chegarem à cidade de Elate, e de lá, por terra, se encaminhavam para toda a Palestina. 

No Oriente, ficava a cidade de Damasco, de onde provinha, por terra, grandes variedades de produtos orientais, principalmente temperos e especiarias.

 

c)  As Estradas

 

Estradas rudimentares, desprovidas de pavimentação, cortavam todo o território e facilitavam o comércio. As mercadorias eram transportadas em lombo de mulas, e as pessoas viajavam a pé, em carroças ou liteiras. 

Uma das estradas partia de Jerusalém, na direção sudoeste, para Belém e Gaza, enquanto que outra ia para o oeste, no sentido de Emaús, e ainda outra, na direção nordeste, para Betânia, Jericó e Damasco. 

Havia uma estrada que cortava a Transjordânia, através de Decápolis, chegando em Cafarnaum. Outra importante estrada subia até o porto de Tiro, costeando o Mar Mediterrâneo de Gaza. A Via Maris saía de Damasco, passava por Cafarnaum e Nazaré, indo em direção à zona costeira.

 

AUTORA DO TRABALHO 

Rita de Cássia Paglione

 

 

Observação 1

 Este trabalho representa parte de um TCC produzido pela aluna Rita de Cassia Paglione, à disciplina de Geografia Bíblica, ministrada pelo Prof. Ricardo Cunha Bagnato, do curso de Bacharelado em Teologia da Faculdade Teológica Batista de Bauru (FATEO) em Bauru,SP, 2008.

Observação 2

 As ilustrações que aparecem no trabalho acima foram acrescentadas pela redação do site www.elevados.com.br, bem como algumas adaptações que se fizeram necessárias para completar a obra original, de modo a manter o estilo das nossas divulgações.

 

 

Por: Rita de Cássia Paglione

Publicado em 11/09/2020

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