O espetáculo da Cruz

 

 O ESPETÁCULO DA CRUZ

  

 

E toda a multidão que se ajuntara a este espetáculo, vendo o que havia acontecido, voltava batendo nos peitos. (Lucas 23:48)

Quando chegaram ao lugar chamado Caveira, ali o crucificaram com os criminosos, um à sua direita e o outro à sua esquerda. Jesus disse: "Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que estão fazendo." Então eles dividiram as roupas dele, tirando sortes. O povo ficou observando, e as autoridades o ridicularizavam. "Salvou os outros", diziam; "salve-se a si mesmo, se é o Cristo de Deus, o Escolhido". Os soldados, aproximando-se, também zombavam dele. Oferecendo-lhe vinagre, diziam: "Se você é o rei dos judeus, salve-se a si mesmo". Havia uma inscrição acima dele, que dizia: ESTE É O REI DOS JUDEUS.
Um dos criminosos que ali estavam dependurados lançava-lhe insultos: "Você não é o Cristo? Salve-se a si mesmo e a nós!” Mas o outro criminoso o repreendeu, dizendo: "Você não teme a Deus, nem estando sob a mesma sentença? Nós estamos sendo punidos com justiça, porque estamos recebendo o que os nossos atos merecem. Mas este homem não cometeu nenhum mal".  Então ele disse: "Jesus, lembra-te de mim quando entrares no teu Reino". Jesus lhe respondeu: "Eu lhe garanto: Hoje você estará comigo no paraíso". Já era quase meio dia, e trevas cobriram toda a terra até às três horas da tarde; o sol deixara de brilhar. E o véu do santuário rasgou-se ao meio. Jesus bradou em alta voz: "Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito". Tendo dito isso, expirou. O centurião, vendo o que havia acontecido, louvou a Deus, dizendo: "Certamente este homem era justo". E todo o povo que se havia juntado para presenciar o que estava acontecendo, ao ver isso, começou a bater no peito e a afastar-se.
Mas todos os que o conheciam, inclusive as mulheres que o haviam seguido desde a Galiléia, ficaram de longe, observando essas coisas. (Lucas 23:33-49)

 

 INTRODUÇÃO

 

Lucas apresenta Jesus como alguém maravilhoso: ”E todos lhe davam testemunho, e se maravilhavam das palavras de graça que saíam da sua boca; e diziam: Não é este o filho de José?”. (Lucas 4:22)

Aqui no texto lido, ele refere-se à cruz de Jesus como um “espetáculo” (v. 48). Quais as razões o levaram a fazer uma afirmação tão forte?  Com certeza não foi só porque a crucificação era a morte mais dura imposta no tempo de Jesus, mas porque na cruz aprendemos valores espetaculares. 

 

O VALOR ESPETACULAR DO PERDÃO  (v.33-38)

 

Jesus foi julgado e injustamente condenado, coroado com uma coroa de espinhos, cuspido no rosto, esmurrado, esbofeteado, escarnecido, desnudado e crucificado como se fosse um criminoso, mas ainda assim colocou nos lábios o sentimento do seu coração: perdão. Ao invés de acusar Seus algozes, Ele intercedeu por eles.

 

Por isso lhe darei a parte de muitos, e com os poderosos repartirá ele o despojo; porquanto derramou a sua alma na morte, e foi contado com os transgressores; mas ele levou sobre si o pecado de muitos, e intercedeu pelos transgressores. (Isaías 53:12)

 

 

A FONTE DO PERDÃO É O PAI  (v.34)

 

 

“E dizia Jesus: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”.

O ofendido direto, imediato e visível foi Jesus, mas Jesus evidencia que o perdão precisava vir do Pai, dos céus, pois aqueles homens, ao rejeitarem a maior expressão do amor de Deus, Seu próprio Filho, estavam ofendendo ao Pai e precisavam do Seu Perdão, porque só Deus Pai pode perdoar pecados. 

  

O ALVO DO PERDÃO SÃO OS IGNORANTES (v.34)



“Eles não sabem o que fazem.” 

As autoridades zombadoras ignoraram a divindade de Jesus (v.35), enquanto que os soldados escarnecedores ignoraram a soberania de Jesus (v.36,37).

Todos ignoravam o poder salvador de Jesus e Ele promoveu o espetáculo do perdão, por meio do qual não só recebemos o milagre do perdão, mas proporciona o milagre do perdão.

Phillip Yancey escreveu certa vez que “Ser cristão é perdoar o imperdoável nos outros, pois Deus perdoou o imperdoável em nós.”

 

A ESPETACULAR AÇÃO DA GRAÇA SALVADORA (v.39-43)

 


Nessa cena podemos perceber que um dos malfeitores blasfemou sobre a divindade de Jesus, perguntando-lhe por que não salvava a Si mesmo (Lucas 23:39), enquanto que o outro admitiu Sua identidade e a loucura do companheiro (v.40b). Ele reconhece o poder salvador de Jesus (v.42), quando pediu: “Senhor lembra-te de mim, quando entrares no teu reino”.  (Lucas 23:42)

  

 

A REAÇÃO DE JESUS PROMOVE O ESPETÁCULO DA SALVAÇÃO PESSOAL (v.43)

 

 

  “E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso”. (Lucas 23:43)

Vemos aí que a graça salvadora é imeritória (não exige obras), individual (direta), imediata (hoje), insacramental (não exige o rito do batismo) e indubitável (estarás comigo).

Jesus quer promover na Sua vida hoje o espetáculo da salvação pessoal, quer garantir a sua entrada no Seu Paraíso. Para que isto aconteça, você precisa ter o coração do segundo malfeitor: confessar seus pecados, confessar a divindade e a santidade de Jesus, confessar a autoridade de Jesus sobre o Paraíso e rejeitar toda e qualquer tentativa de salvação própria, além de convidar Jesus para entrar em seu coração (João 1:12). 

 

 

NA CRUZ ENCONTRAMOS O SIGNIFICADO ESPETACULAR DA COMUNHÃO  (v.44-49) 



a)  A manifestação da natureza  (v.44) 



A natureza testemunha que na cruz do Calvário Deus estava em Cristo abrindo um caminho extraordinário de aliança com Ele. “E era já quase a hora sexta, e houve trevas em toda a terra até à hora nona, escurecendo-se o sol; (Lucas 23:44).

 

b)  A nova configuração do templo (v.45) 

 

“E rasgou-se ao meio o véu do templo”. (Lucas 23:45)  O véu rasgado do templo evidenciou que Deus agora Se deixa ver e conhecer por todos que O buscarem permanentemente através do caminho novo e vivo – Cristo Jesus (Hebreus 10:19-25) 

 

c) O Decreto VERBAL de Jesus.  (v.46)

 

"Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito". Tendo dito isso, expirou”.  (Lucas 23:46). A conclusão evidente do motivo de sua vinda, (João 19:30)  —  “Está consumado”.

Jesus mesmo encarregou-se de declarar na cruz que tudo aquilo que era necessário fazer para nos ligar em comunhão a Deus fora feito por Ele na cruz.

 

d)  A conclusão de um OFICIAL (v.47) 

 

“E o centurião, vendo o que tinha acontecido, deu glória a Deus, dizendo: Na verdade, este homem era justo.” (Lucas 23:47).

O representante do império romano rende-se à extraordinária realidade do Calvário: Deus, querendo relacionar-se com os homens, o faz pela mediação de seu maravilhoso Filho. Jesus quer promover na sua vida hoje o espetáculo da comunhão: Ele não te chamou só para estar com Ele eternamente no céu, mas para estar qualitativamente com Ele na terra (Hebreus 10:19-22) 

 

CONCLUSÃO

 

 “E toda a multidão que se ajuntara a este espetáculo, vendo o que havia acontecido....” 

Como reagiu?  A multidão lamentou-se e retirou-se (v.48), contemplando à distância (v.49)

 

A história é um combate incessante entre o Deus que chama e o homem que resiste. E no centro desta história se levanta a Cruz. Cruz que é o grande paradoxo da Bíblia e de toda a história humana: Deus, para salvar o mundo, escolheu esse meio de se fazer pregar numa Cruz. Desde as primeiras páginas do Gênesis até as últimas do Apocalipse, tudo tende e converge para essa Cruz e tudo dela procede. Desde o momento em que foi plantada no centro do mundo, o mundo não pode ter sentido senão por ela e nela. “O Desígnio de Deus”   (Suzanne de Dietrich, 1891-1981)

 

 

AUTOR

Pr. Carlos Elias de Souza Santos (2012) 

 

 

 

 

 

Por: Pr. Carlos Elias de Souza Santos

Publicado em 12/06/2013

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