Caim e Abel

 

CAIM & ABEL

 

 

Introdução

 
Embora seja muito pequeno o registro sobre a passagem desses dois personagens no livro de Gênesis, elas são bastante enriquecidas pelas lições que deixaram para todos nós.
 
De acordo com os costumes daquela região, é normal que os nomes possuam uma interpretação. Entre outras, o nome ABEL significa sopro, hálito e transitoriedade. Como a própria história se encarrega de mostrar, esse nome tem um cunho profético, uma vez que a vida desse personagem foi muito curta.
 
Eles foram os primeiros filhos de Adão e Eva e nasceram depois do pecado cometido pelos pais, envolvendo a serpente, provocando a sua expulsão do Éden. Isso não está querendo dizer que eles foram os filhos únicos do casal, por mais tarde a própria Bíblia se encarrega de afirmar que eles tiveram muitos irmãos (Gênesis 5:4).
 
 
Características pessoais
 
 
Diferente de Abel, que dedicou-se ao pastoreio de ovelhas, seu irmão Caim mostrou preferência pela atividade com a terra (Gênesis 4:2). 
Enquanto Abel mostrava-se um homem dócil, pacífico, cumpridor de seus deveres, Caim apresentava-se como uma pessoa temperamental e violenta.
 
 
A diferença entre as ofertas
 
 
De acordo com o início do capítulo 4 de Gênesis, vemos os irmãos procurando agradar a Deus com ofertas de sacrifício daquilo que possuía: Caim, que era lavrador, trouxe o melhor da terra para oferecer ao Senhor, enquanto que Abel, que era pastor, sacrificou uma ovelha que representava a primícia do que possuía.
 
Para começar, essas ofertas não eram motivadas por pedido de perdão por pecados, mas apenas atos voluntários de adoração, diferente do que mais tarde se configuraria as imolações de animais, uma vez por ano, buscando-se o perdão pelos pecados cometidos naquele período.
 
A Bíblia não diz o motivo, mas afirma que Deus se agradou mais da oferta de Abel. Alguns comentaristas acham que é porque o sacrifício de Caim não envolvia derramamento de sangue, porém mais tarde o próprio Deus ensinaria que abençoava tanto as ofertas de cereais quanto as dos sacrifícios de animais (Levíticos 6:14-23). Dessa forma, conclui-se que Deus julgou a intenção, a motivação de cada um, e não o que ofereceram.
 
Uma outra forma de se estudar essa opinião divina é que o sacrifício de Caim era resultado do seu esforço produzido, o melhor da sua inteligência, enquanto que Abel teve o cuidado de ofertar o melhor do seu rebando, a primícia, o primeiro resultado.
 
Se quisermos espiritualizar um pouco sobre isso, diríamos que a oferta de Caim foi resultado do seu esforço sobre a natureza, intervindo sobre o que já existia, enquanto que a oferta de Abel era de sangue, apontando profeticamente para a Graça, uma oferta que praticamente não dependia do seu esforço. A oferta de Abel apontava para a fé.
 
Se quisermos continuar espiritualizando, outros pensadores dizem que a oferta de Caim representa as religiões da terra, que buscam a justificação por meio de esforço pessoal e meritório, através das obras; já a oferta de Abel representava um sacrifício carregando a semente do cordeiro que foi ali sacrificado, materializado na crucificação de Jesus.
 
Como conhecemos os sacrifícios que mais tarde foram implantados através de Arão e dos levitas (Êxodo 12), entendemos que Abel se antecipou no tempo, oferecendo a Deus um sacrifício pessoal de um cordeiro, prefigurando Jesus, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (João 1:29).
 
Quanto a Caim, percebe-se, pela leitura de Gênesis 4 que seu estado de espírito era bem diferente daquele de Abel. Achamos que podemos confirmar, por aí, que Deus atenta primeiramente para o ofertante e só depois preocupa-se com a oferta (Deuteronômio 30:6).
 
 
Testemunho para sempre
 
 
Abel foi o primeiro mártir da história bíblica (Mateus 23:35), o primeiro homem a morrer em circunstâncias violentas, morte provocada por outra pessoa (Provérbios 14:30).
 
Para começar, o fato de sua morte estar documentada na Bíblia Sagrada, já proporciona um registro eterno, um testemunho de Deus. Jesus também confirma esse marco histórico da morte de Abel, chegando a dizer que sua morte seria requerida da sua geração (Lucas 11:51).
 
Deus declarou para Caim que a voz do sangue de Abel clamava a Ele desde a terra (Gênesis 4:10), subindo até os céus, pedindo por justiça.
 
Alguém certa vez escreveu que enquanto o sangue de Abel apontava para cima, pedindo justiça, o sangue de Jesus apontava para baixo, oferecendo misericórdia. Foi assim que Abel tornou-se um precioso tipo de Cristo.
 
 
 
 
AUTOR
Walmir Damiani Corrêa
 

Por: Walmir Damiani Corrêa

Publicado em 25/09/2013

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