A Igreja de hoje

 

A IGREJA DE HOJE

 

 

 

Desde minha consagração ao ministério pastoral, até hoje, houve mudanças significativas no cenário evangélico. Algumas boas, outras nem tanto. Uma das mudanças mais expressivas foi o conceito do que seja um pastor. Antes era um homem que estudava e ensinava a Bíblia ao povo e lhe dava assistência espiritual. Hoje, algumas Igrejas querem animadores de auditório. Se o pastor não é, arranjam um para dirigir o culto para ele. O negócio é agito e não reflexão. As pessoas não vão à igreja para conhecer mais sobre Deus, mas para externar emoções. A comunicação hoje não é mais cognitiva (ideias), mas gestual (com o corpo). Não se reflete. Sacode-se!

Nesta mudança, os pastores devem sempre elogiar. Seu ensino deve ser sempre positivo. Não devem falar de pecado e de erro, pois a pregação é para as pessoas se sentirem bem. Eles devem fidelizar os clientes e não admoestá-los.

Conforme disse no meu livro “Contextualizando a Igreja de Cristo” (p. 61), “a tendência atual é aceitar o evangelho de modo superficial, como mais uma ajuda espiritual. Nunca houve tantas ‘conversões’ evangélicas, mas nunca foram tão superficiais. Hoje, mais do que nunca, é preciso deixar claro que ‘ser cristão’ significa mudança de vida definida".

A igreja deixou de ser Casa de Deus para se tornar casa dos homens. Não se busca a voz de Deus, mas um eco da voz humana, confirmando que as pessoas estão certas e são boas, dando-lhes apoio para viver. Nada de transcendente, de moral, de padrões e princípios. Só conforto, bem-estar, e apoio para ajudar na vida. Uma psicoterapia de segunda categoria.

Em “Admirável Mundo Novo”, Huxley apresentou uma droga chamada soma, que tirava a dureza da vida. Tipo Prozac. Há muito soma e Prozac nas igrejas. O evangelho é para levantar o ânimo, e não para moldar a vida.

O evangelho chama a reordenar a vida.


No passado Deus não levou em conta essa ignorância, mas agora ordena que todos, em todo lugar, se arrependam. Pois estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio do homem que designou. E deu provas disso a todos, ressuscitando-o dentre os mortos (Atos 17.3-31).


O evangelho traz conforto e segurança, mas pede arrependimento e mudança de vida. E tem mais: a igreja não é um lugar para se ter o ego massageado ou o estilo de vida confirmado. É a comunhão dos salvos por Jesus, que se comprometeram com Ele e querem viver Seus padrões. Não é comida por quilo, onde se pega o que se gosta. Ela se compõe de cristãos postos num corpo para transformar o mundo.

Culto não é programa de auditório, mas anúncio do evangelho. Não é um "Façam o que quiserem que Deus não está nem aí".  A igreja é a companhia dos salvos engajados com Cristo, não um grupo em busca de entretenimento.

Por vezes, sobra festa e falta contrição. Há duas necessidades por reafirmar conversão e santificação. Sem elas, a vida cristã é enganosa.

 

AUTOR

Luiz Saião



    Luiz Saião é autor do livro “Contextualizando a Igreja
de Cristo”

Por: Luiz Saião

Publicado em 21/11/2013

Todos os direitos reservados ©elevados.com.br 2013 - 2022