Crônicas de Bartolomeu de Andrade (2)

  

CRÔNICAS DE

  BARTOLOMEU DE ANDRADE

 

 

 

 HOOLIGANS: NATUREZA HUMANA

 

 

As redes sociais revelam que, independentemente dos fatores de classe, o gênero humano é exatamente igual. Somente o caráter e a sadia espiritualidade nos diferenciam dos demais. Afirmo isso desde que surgiram, no cenário futebolístico, os temíveis hooligans (violentos torcedores ingleses), pois percebi que, apesar de pertencerem ao chamado "primeiro mundo", eles eram tão ou mais bárbaros que os nossos torcedores daqui do “terceiro mundo".

Por conseguinte, concluí que, verdadeiramente, o que nos distingue não é a geografia, a condição econômica, o nível intelectual ou coisas afins, mas a formação do caráter moral e principalmente a construção do "eu", nos valores eminentemente cristãos. 

Muda-se o invólucro, mas o conteúdo é o mesmo; modifica-se o estereótipo, mas o espírito continua igual. Drogas são consumidas no casebre miserável do morro, assim como no apartamento triplex  da zona nobre da cidade. A violência grassa nos moderníssimos estádios da Europa como a selvageria nos acanhados campinhos da América do Sul. 

Agora, com o advento das redes de relacionamento, vemos insuspeitados "senhores e senhoras", intelectuais, artistas globais e autores consagrados, pessoas conhecidas literalmente "lavando roupas sujas" publicamente. Maledicências, acusações mútuas, críticas destrutivas, banalidades e impropriedades, são comuns no Facebook e no Twitter. Outro dia, um cidadão teve a grosseria de comentar o mau desempenho profissional de seu próprio colega de trabalho. Deselegância, truculência verbal e imoralidade, que antes estavam restritas aos pequenos espaços de convivência social, mas que agora são despejados para milhões e milhões de usuários da internet. 

As redes de relacionamento revelam a leviandade "educada" dos notáveis e a "polida" vilania das celebridades. Pergunto, então: Será que não devemos utilizar melhor as redes sociais? Por que não enobrecermos o uso deste meio de comunicação tão eficaz? O alcance desse veículo de comunicação é, simplesmente, extraordinário. Dizem que uma mensagem enviada pela web a uma única pessoa, no final do dia ela chega a milhares de internautas. 

Apelo aos meus contatos que deixemos de lado o que é banal, leviano, vulgar e inócuo, mas que contribuamos com temas de relevância para a edificação do pensamento cristão na sociedade. Existe uma finalidade mais proveitosa no uso da internet. Preguemos a mensagem de Cristo! Proclamemos o Reino de Deus! Edifiquemo-nos mutuamente!

 

VIVÊNCIAS E PERCEPÇÕES, O LEGADO DE CHICO

 

 

 

Não posso deixar de comentar sobre o falecimento do humorista Chico Anísio, não só pela perda de seu talento artístico singular, mas principalmente por causa de sua generosidade para com seus pares. É raro, nesse tão competitivo universo midiático, vermos pessoas com essa atitude altruística e solidária. Vimos uma profusão de testemunhos de pessoas do meio, relatando atos de bondade deste ícone do humor nacional, para com eles. É realmente difícil uma pessoa ter conquistado todos os méritos neste limitado mundo das artes e usar todo seu prestígio profissional para abrir tantas portas para os iniciantes e espaços para seus colegas de profissão, esquecidos pela mídia. O que se viu na vida deste famoso comediante foi que, sem nenhuma preocupação com a concorrência, deu inúmeras oportunidades para novos e veteranos, na sua famosa “Escola do Professor Raimundo”.

Em uma de suas últimas entrevistas, quando perguntado pela apresentadora Angélica sobre o que ele havia conquistado de melhor na sua carreira, ele respondeu que tinha sido as amizades de pessoas como a própria apresentadora, passando pelo seu motorista particular, a faxineira da Globo, companheiros de profissão, vizinhos de prédio e assim por diante.

Como se percebe, essa característica de seu caráter é, na verdade, o seu maior talento, sua maior criação e o seu maior legado, porque tem relação com a vida que realmente importa, porque não é  fictícia, mas real, humana, verdadeira, participativa e comunitária.

Isto é o que existiu de mais digno na vida deste ilustre brasileiro. O que fica como um exemplo a ser seguido e por isto mesmo, muito mais importante e digno de registro permanente. Mais importante do que qualquer um dos seus mais de duzentos personagens criados.

 

O CORDÃO DE TRÊS DOBRAS

 

 

Melhor é serem dois do que um, pois têm melhor paga do seu trabalho:  Porque se caírem, um levanta o companheiro; ai, porém, do que estiver só, pois, caindo, não haverá quem o levante. Também, se dois dormirem juntos, eles se aquentarão; mas um só, como se aquentará?

Se alguém quiser prevalecer contra um, os dois lhe resistirão; o cordão de três dobras não se rebenta com facilidade.”  (Eclesiastes 4.9-12)

 

Durante muito tempo li, ouvi e entendi que o cordão de três dobras, do qual fala o texto, se refere a presença de Deus em virtude do exercício do companheirismo que promove o Seu agir na história. Conquanto isso seja verdadeiro, ficava sempre uma impressão em meu coração, como a dizer-me que o texto queria expressar mais coisas, realidades mais complexas ligadas às inerências do próprio contexto bíblico.

Num determinado dia veio a iluminação: de maneira essencial, o cordão de três dobras surge em função da mistura, da mescla, da união. O entrelaçamento produz algo fenomenológico, metafísico.

Vivi muito tempo em duas cidades fronteiriças, na divisa do Brasil com o Uruguai, no interior do Rio Grande do Sul. Durante aquele tempo, percebi uma riqueza cultural proveniente dessa mistura, dessa

proximidade cultural, valores, fenômenos e produções que são acréscimos, em virtude do entrelaçamento dessas duas cidades separadas apenas por ruas e avenidas. Esse fenômeno fundiu aquelas duas comunidades, tornando-as, em certo sentido, uma unidade sócio-cultural, com características peculiares em diversos universos antropológicos, fato que as tornaram fortes, resistentes às crises e as imprecisões históricas e mercadológicas.

Percebi que esse processo fenomenológico, acontece sempre que existe união. A unidade na diversidade gera robustez, produz valores, trama conjunturas de fortalecimentos pelo viés da costura comunal. 

A experiência conjugal concebe o mesmo fenômeno. Quando duas pessoas se casam, carregam hábitos, costumes, tendências e inclinações, que são heranças dos ambientes familiares de ambos e dos legados de seus pais. 

No entanto, eles não reproduzirão tudo que aprenderam em suas ambiências anteriores, pois as individualidades serão amalgamadas e unificadas pela vivência matrimonial, de modo que eles venham a produzir uma nova cultura familiar, com uma identidade originada pelo enlace de suas histórias, peculiaridades, temperamentos e personalidades, como também, pela união de seus corpos, de suas almas e de seus espíritos, somados aos intensos sentimentos inerentes a ambos, que por sua vez produzem uma espécie de ligadura conjugal que os torna fortes e originais. 

Esse fenômeno é a terceira dobra tecida pela fricção, pelo acasalamento, pela troca de energias dos cônjuges. Isso se dá de forma natural, e na grande maioria das vezes é inconsciente. Na busca pelo

ideal matrimonial, na pressão da superação por causa das diferenças individuais, e nas alegrias e conquistas no dia-a-dia da vida a dois, a terceira dobra surge e se encorpa, ocupando espaço e fortalecendo a relação.

Algo divino é gerado quando o companheiro levanta o outro que caiu. O vínculo da amizade verdadeira é aperfeiçoado quando, no frio, esquentamos com o nosso próprio corpo a pessoa amada, e nas batalhas da vida, em meio aos embates cruéis, a ajuda do parceiro fiel, que se dispõe a pelejar conosco, torna a resistência muito possível de ser vitoriosa. É como dizem as Escrituras: “O cordão de três dobras não se rebenta com facilidade.”

 

Por essa razão, é muito melhor serem dois do que um. O usufruir da vida e o aproveitamento das conquistas resultará muito mais prazeroso e satisfatório quando for compartilhado. Como poderemos ser plenos se estivermos solitários? Que espécie de prazer teremos nós, se desfrutarmos nossos lucros sozinhos? Jamais seremos completos a sós. O livro de Deus afirma: “Melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho”. 

 

O PODER CORROMPE?

 

 

É pensamento recorrente que sim: o poder corrompe. 

Pessoas adequadamente formadas, bem intencionadas, quando inseridas em determinadas estruturas e ambientes sociais, onde existe o chamado espírito característico dominante, são seduzidas e então captadas à deformidade ali estabelecida pela reiterada prática comportamental. 

Uma outra corrente diz que não, defendendo que a tendência é latente e determinadas circunstâncias é que deflagram o processo do desvio já existente. 

Eu, particularmente, penso que, como diz o Senhor no gênesis, é mau o desígnio do homem desde a sua mocidade, mas no entanto, a obra de Deus em Cristo, através do Santo Espírito, é transformadora e, por conseguinte, o homem pode perfeitamente resistir a esse espírito e com perseverança vencer o mal. 

A Palavra diz: "Se o Espírito daquele que dos mortos ressuscitou a Cristo, habita em vós, ressuscitará a vós, pelo o poder que em vós habita". E ainda: "Em meio a uma geração perversa e corrupta, deveis resplandecer como luzeiros do mundo".

 

OSSOS DOS MEUS OSSOS, CARNE DA MINHA CARNE

 
 
 
 
É importante notar que no Reino de Deus o Senhor requer dos seus servos o despojamento das vaidades. Entendemos, pela Palavra de Deus, que é necessário a entrega e a simplicidade da humildade, a fim de que sejam galgados os degraus da jornada cristã.
 
O Senhor Jesus disse para alguns dos Seus discípulos que desejavam ser distinguidos, que no Seu Reino, quem quisesse ser o maior, fosse o primeiro a servir. Hoje, o que se vê, salvo raras oportunidades, é uma verdadeira competição de vaidades, onde pessoas se digladiam querendo ser maiores do que os outros. 
 
Não devemos perder de vista o fato de que o nosso Senhor Jesus foi exaltado em glória com Suas chagas. Como filhos de Deus, representamos Aquele que, escolhendo a Cruz, nasceu numa manjedoura, fazendo parte da família pobre de um humilde carpinteiro da Galiléia. Viveu como pregador itinerante e morreu como cordeiro mudo, levado pelos seus tosquiadores ao matadouro. 
 
Outro dia li um texto e fiquei impressionado com o modo utilizado pelo autor ao assiná-lo. Pareceu-me mais um parágrafo do artigo, de tantas informações acerca de suas quase que ilimitadas qualificações. Outro, numa fala, ao se apresentar para uma plateia, mencionou que era o Apóstolo-mor e o Bispo Primaz de sua denominação, além de numerosos títulos e cargos que disse possuir. 
 
Honestamente, sem querer de forma nenhuma emitir juízo de valor, mas apenas confrontando esse comportamento com o testemunho dos homens de Deus no relato bíblico, não me parece ser esta a atitude dos autênticos discípulos de Jesus. O apóstolo Paulo, por exemplo, quando falava sobre seus dotes pessoais, era sempre no sentido de contrastar a insignificância disso, diante da inaudita graça e incomensurável sabedoria de Cristo, fato que, por sua vez, o fazia dizer: "Se tenho que me gloriar, me gloriarei na Cruz de Cristo, pela qual estou crucificado para o mundo e o mundo para mim". 
 
Além disso, ele falou que não é aprovado quem a si mesmo se louva e, ainda, que ninguém deve pensar mais do que convém de si próprio. A genuína consciência cristã de Paulo ao longo de sua trajetória ministerial se evidencia através das suas palavras, na medida em que ele alcança os alvos pré-estabelecidos por Deus para sua vida. 
 
Com a característica de quem verdadeiramente cresce no Senhor, ele diz, no início do ministério, que é o menor dos apóstolos e, no meio da caminhada, revela que é o menor dos santos. Finalizando a jornada, esperando o martírio na prisão romana, ele confessa o que realmente ele é: "Sou o principal do pecadores". 
 
Diante dessas revelações bíblicas, compreendemos que, quando crescemos aos olhos de Deus, diminuímos diante dos homens.  A luz que emana da face gloriosa do Senhor ilumina o íntimo daquele que o contempla, revelando o secreto do seu coração.  Então, quando de fato o conhecemos, como Isaías declaramos: " Ai de mim vou perecendo, pois sou homem de lábios impuros e habito no meio de um povo de impuros lábios e os meus olhos viram o Rei, o Senhor ".  Também exclamamos feito Jó: “Com o ouvir dos meus ouvidos te ouvi, mas agora os meus olhos te veem". 
 
O Reino de Deus vem na contramão do mundo. Os princípios do Rei são diferentes e em nada se parecem com os dos homens. Em contraposição com o mundo, os sentidos estão inversos, de modo que ao entendimento comum, o que parece não é, e o que realmente é não parece ser, verdadeiramente, o que é. 
 
Desta forma, na autêntica experiência cristã, o grande é pequeno, o senhor é servo, o fraco é forte, o doador é recebedor e assim por diante, de maneira que, não discernindo direito o Espírito do Senhor, os homens se perdem na ânsia de crescerem e em busca de evidências, se auto proclamam, forçam situações, aceitam favorecimentos e no jogo de interesses mútuos se submetem a bajulações. Muitos, obcecados por visibilidade, até negociam os inegociáveis valores do Reino de Deus, confundindo o que é espiritual com o que é carnal, acabando por misturar as coisas, acabando por banalizar o sagrado.
 
Bem disse o nosso amigo Bispo Flori: “Nessa busca desenfreada por cargos e títulos, vemos em nosso meio inadequações e incompetências, apóstolos que nunca plantaram igrejas e profetas do óbvio.”
 
 
 
AS ESTRATÉGIAS NÃO MUDAM
 
 
 
 
 
Uma das estratégias do Maligno é que quando ele não está conseguindo nos derrotar no enfrentamento aberto, muda de tática e tenta ser nosso amigo. Isso é antigo e já se tornou provérbio popular que ensina: Se você não pode vencer o inimigo, alie-se a ele. 
 
A História registra que quando o imperador Constantino percebeu que quanto mais matavam os cristãos, mais pessoas se convertiam a Cristo, simulou a sua própria conversão. Com isso, ele conteve o avanço evangelístico da Igreja, matando depois a sua vida espiritual, tornando-a estatal. Conta-se que quando ele tentava atrair para o engano um dos remanescentes fiéis que não se renderam à política religiosa do império, dizia mostrando os tesouros da igreja: “Não podemos dizer como João, que não temos ouro nem prata.” Mas também conta-se que o crente fiel lhe respondeu: “É, mas também não podemos dizer, em nome de Jesus Cristo, o filho de Deus, ‘levanta-te e anda’.” Do mesmo modo, não é incomum ouvirmos hoje pastores, quando estão enfrentando os oprimidos do diabo, ao invés de orarem e repreenderem os espíritos malignos, os enviam aos hospitais e às clínicas psiquiátricas. Falta em nossos dias o verdadeiro conhecimento de Deus e a unção do Espírito Santo, que produz a libertação de pessoas aprisionadas por espíritos enganadores. 
 
O terrível quadro que se instalou em nosso tempo é esse: por um lado, temos os ativistas carismáticos sem caráter e, do lado oposto, os frios filósofos intelectuais da  fé. Os primeiros expulsam demônios e curam enfermos, mas não conseguem se libertar de suas próprias doenças morais; os segundos teologizam e confeccionam  belos  sermões, peças literárias e frases de efeitos, no entanto sobrevivem aos seus medos e inseguranças, sob o jugo dos tranqüilizantes  e  das performances sociais. 
 
No vácuo produzido por esses dois extremos, devemos perseverar crendo e nos equilibrarmos, como a Palavra ensina. Hoje, mais do que em qualquer outra época , devemos considerar o motivo do Senhor ter dito que certas castas de demônios só se expelem com jejum e oração. Consideremos também que Ele disse não ser suficiente conhecer apenas a Palavra, pois erramos quando, além da Bíblia, não conhecemos também o poder de Deus. 
 
Precisamos voltar aos princípios da fé evangélica, a fim de gerarmos um povo espiritualmente sadio para o Senhor, porque a realidade hoje é Edir Macedo demonizando tudo e todos, enquanto que, contraditoriamente, prega a favor do aborto, como se isso  fosse a coisa mais sensata a fazer. Do lado oposto, vemos a Globo numa surpreendente “abertura”, promovendo um especial de fim-de-ano evangélico, separando duas das mais representativas cantoras evangélicas do país para o show da virada do ano e do último caldeirão do ano. Com essa manobra, coloca os santos e os profanos juntos. Com essa sutileza do inferno, ela transmite a mensagem mentirosa de que não existe diferença entre os que serve a Deus e os que não o servem. 
 
Honestamente, eu não sei o que é pior: o Edir acusando a maioria dos cantores evangélicos de endemoninhados, ou se é a Globo  “abençoando” a música gospel brasileira. Sinceramente, sem de forma nenhuma querer parecer saudosista, eu sinto falta do tempo em que ser evangélico não dava status, mas acarretava perseguição. Sinto falta da época de minha conversão, quando não tínhamos como “irmãos na fé" apresentadoras de programas eróticos, futebolistas e artistas globais que eram membros de Igrejas e, ao mesmo tempo, clientes de night clubs. Lembro bem que não apoiávamos a causa gay e nem ouvíamos falar de “nu evangélico".
 
Naquele tempo, sexo fora do casamento era pecado e os jovens depois dos cultos não iam para as baladas, não existiam mega igrejas, templos gigantescos. Era um tempo em que a mensagem do evangelho não era popular porque enfatizava o senhorio de Cristo. Entretanto, o povo de Deus era muito mais santo, unido, pacífico e simples. Consequentemente, nessa singeleza de viver, nós éramos muito mais felizes. 
 
Finalmente, eu finalizo propondo a mim mesmo e a todos os que lerem esse texto, o seguinte: vigiemos, amigos, que o período histórico que estamos vivendo é exatamente aquele profetizado na Bíblia com relação aos homens serem ingratos e infiéis, que não suportariam a sã doutrina e por isso procurariam para si mesmos mestres segundo a sua própria concupiscência. Levemos à nossa geração a pura e viva Palavra de Deus. Estejamos atentos e não desconsideremos o que os inimigos do profeta Daniel disseram, quando procuraram e não encontraram nada que desabonasse a sua conduta, "Nunca acharemos nada contra esse Daniel, a não ser que a procuremos na lei do seu Deus". 
 
O Dr. Billy Graham disse que quando o diabo não consegue nos derrotar com as coisas desse mundo, ele procura enganar-nos com a própria Palavra de Deus. Ele tentou isso contra Cristo, quando citou a Bíblia, a fim de que o Senhor se atirasse no precipício. Predomina no meio cristão, atualmente, a confusão e a tirania do carisma pessoal e do orgulho do saber. Carecemos da verdadeira virtude que flui pelo poder da dependência do Espírito para pregar o evangelho e assim gerarmos os frutos que permanecem para o Senhor.
 
Em meio a essa situação o Espírito quer restaurar as Igrejas, usando o remanescente fiel que não se conforma com esse mundo e por isso busca incessantemente o Senhor. Deus quer levar as suas Igrejas de volta à simplicidade da fé e da vida do Espírito. É de suma importância compreendermos essas verdades, a fim de andarmos segundo a santa, perfeita e agradável vontade de Deus.
 
 
 
VALORES
 
 
 
 
O que são valores? Como conceituá-los? Analisando gramaticalmente, esse conceito se encontra presente nos discursos que proferimos, nos textos que escrevemos. Resumindo: à medida que organizamos cotidianamente nossos pensamentos e expressamos nossas opiniões, estamos fazendo uso de valores. 
 
Assim, em se tratando dos postulados gramaticais, o substantivo integra o que chamamos de classes gramaticais de palavras, exercendo funções específicas. Partindo desse princípio, precisamos conhecer as características que norteiam os substantivos, começando pela sua função.
 
Ele representa a palavra que serve para nomear os seres de uma forma geral, sendo estes representados por pessoas, lugares, instituições, grupos, entes de natureza espiritual ou mitológica. Assim, temos, como substantivos: homem, Brasil, saci, alma, cachorro, Paraná, sereia, mulher, criança... 
 
Além dessas utilizações já citados, os substantivos também nomeiam ações, estados, qualidades, sensações e sentimentos, bem como: caridade, tristeza, alegria, acontecimento, decepção, prazer...
 
Dada a função que essa classe de palavras exerce, nota-se que ela provém da mesma família de “substância, substancial”, ou seja, algo necessário, fundamental. Sendo assim, os substantivos recebem classificações distintas, tendo em vista aspectos relacionados à formação e ao significado de abrangência, classificando-se nos seguintes grupos: concretos e abstratos, comuns e próprios, simples e compostos, e ainda em primitivos e derivados. 
 
Dessa forma, devido à diversidade de seus empregos, podemos dar a uma mesma situação, mais de um valor e, a um ser, diferentes conotações, de modo que uma moeda de um real pode reunir em sim mesma três valores: o valor monetário, o valor intrínseco (com o qual a moeda foi confeccionada) e o valor estimativo. Por exemplo: Uma pessoa pode guardar consigo pelo resto de sua vida uma moeda recebida, na infância, de alguém muito especial do seu relacionamento. Pode decidir não vendê-la nem trocá-la por nada desde mundo. 
 
Abrindo um pouco mais essa reflexão, imaginemos que um quadro de Rembrandt, assegurado em milhões de dólares, fosse roubado. Temos certeza de que, mesmo sendo ressarcido o valor segurado por uma apólice, o seu verdadeiro valor jamais conseguirá ser restituído. Pergunte a um colecionador que teve um valioso quadro roubado, o que ele preferiria: ficar com o dinheiro do seguro ou ter a obra de arte de volta? A resposta dele certamente faria você compreender bem as nuances do conceito da palavra valor.  
 
Como diz um determinado comercial, algumas coisas extrapolam os limites dos valores e se tornam simplesmente sem preço. Da mesma forma, os valores também oscilam de acordo com as perspectivas do saber, dos sentimentos e da espiritualidade.
 
O filme “Sob a mesma lua” narra a história de um menino que enfrenta grandes dificuldades em busca de sua mãe. Durante a procura, ele encontra um adulto que o ajuda, ficando grande amigo dele. Numa cena comovente, quando tudo parecia estar perdido e todo esforço inútil, o menino, profundamente agradecido, tira do seu bolso um pequeno pião e o dá de presente ao seu companheiro de aventura. 
 
Temos aí, nessa belíssima imagem da sétima arte, uma confluência de valores no íntimo daquele garoto, fazendo surgir um novo valor na alma de seu amigo adulto, pois a partir daquele instante, quando ele olhasse para o simples brinquedo infantil, que agora era seu, veria nele representado muito mais que madeira, pino e cordão; contemplaria o amor genuíno de um filho pela sua mãe e a generosidade da gratidão fraterna, selada pelo protagonista mirim do filme, no ato de abrir mão do seu bem juvenil, brindando com ele a ajuda recebida do parceiro na busca do valor superior: O resgate físico da comunhão filial e maternal. 
 
A beleza dessa cena é excepcional porque simboliza um processo de aprendizado ocorrido no coração daquela criança. No transcurso das circunstâncias difíceis que lhe acometeram, ela aprendeu que os valores são de natureza diversa, surgem no meio das dificuldades, crescem, são aperfeiçoados e ainda se sobrepõem.
 
Acredito que, se desenvolvermos o pensamento, calcados nos princípios da justiça e da verdade, como encontrados na Bíblia, compreenderemos melhor o significado essencial dessa palavra, consequentemente a empregaremos apropriadamente e principalmente a aplicaremos às normas da excelência do comportamento, segundo os padrões Divinos, com o discernimento de que os valores se diferenciam entre absolutos e relativos.
 
 
 
GENEROSIDADE & AVAREZA 
 
 
 
 
 
Generosidade e Avareza são opostos motivadores, sendo que determinadas atitudes de muitas pessoas são geradas por esses dois sentimentos.
 
Em algumas situações elas podem ser confundidas. Por exemplo, quando damos coisas às pessoas, o aspecto físico daquilo que ofertamos pode simular o resultado de uma bondade quando, na verdade, é um manifesto de uma mascarada mesquinhez. Se posso dar uma camisa nova a um descamisado, e ao invés disso dou uma camiseta usada, certamente, de modo nenhum estou sendo generoso.
 
O meu melhor para os homens pode ser o meu pior, aos olhos de Deus. Que a oferta de vocês seja uma expressão de generosidade e não de avareza. Foi o que disse o apóstolo Paulo em II Coríntios 9:5, na Bíblia Sagrada.
 
 
PERSEVERANÇA
 
 
 
 
 
Todo ser humano tende a ficar desmotivado, quando decepcionado. Compete a nós lutarmos contra essa tendência e nos inspirarmos na Palavra de Deus, que nos ensina a não desanimarmos diante das frustrações que nos acometem no dia a dia da vida. 
 
Pensemos no semeador, da parábola do Senhor Jesus, que perseverou em semear em todos os solos que encontrou em sua caminhada. Era necessário continuar para que, finalmente, a semente frutificasse em terreno fértil.
 
Não devemos desistir de lançar sementes, ainda que elas nos sejam roubadas, ou que não permaneçam. Quando não frutificam, uma delas certamente há de frutificar e, a exemplo do salmista, voltaremos, sem dúvidas, com alegria, trazendo em nossas mãos os frutos do nosso labor, desde que, obviamente, como ensina o salmo 126, levarmos a preciosa semente, andando e chorando.
 
Note que o semeador chora enquanto semeia incansavelmente e que ele não para sequer para chorar. É daí que nasce o verdadeiro ditado: "A semente é adubada com as lágrimas do semeador". 
 
Não devemos deixar de acreditar nas pessoas, por mais que sejamos traídos ou desapontados por elas. Não percamos a capacidade de amar e perdoar, por causa do desamor de ingratos e infiéis. Lembremos do exemplo de nosso amado Senhor, que acerca de Judas, que o traiu de modo tão infame, disse em oração a Deus, o seguinte: "Amei-o até o fim". 
 
Mais dia, menos dia, colheremos os resultados de nossos investimentos no próximo, pois a promessa é que ceifaremos, se não nos cansarmos de fazer o bem, desfalecendo em nossos ânimos. Então, com paciência aguardamos. O salmo da esperança diz: "A minha alma anseia pelo Senhor, mais do que os guardas esperam pelo romper da manhã; sim a minha alma aguarda o Senhor e eu espero na sua Palavra"
 
 
 
ESCOLHAS
 
 
 
 
Decidi conviver com os diferentes, resolvi gostar de quem não gosta das mesmas coisas que eu, tolerar até os oportunistas de plantão e os de dúbio comportamento. Aprendi isso com Jesus, que nos Seus dias, foi tachado de "amigo de publicano e pecadores". 
 
Entendi, que a única maneira da luz brilhar, no meio das trevas, é se ela permanecer no meio delas, pois a luz perde sua função, se não houver a escuridão. 
 
Também entendi que o isolamento cristão é um contra senso existencial, para quem segue aquele que foi companheiro dos humildes pescadores como Pedro e João, amigo dos socialmente notáveis como Nicodemos e José de Arimatéia, porém espiritualmente medíocres.
 
Compreendi que a fuga não é solução para a decepção; ao contrário, é covardia.
 
Que o confronto com as adversidades me faz mais parecido com o Senhor e que o desgaste desse combate é a minha oportunidade de me reconhecer limitado e buscar a superação de mim mesmo, muita vezes incapaz de amar e perdoar os desiguais. 
 
Escolhi não deixar de acreditar no outro, pois, como disse Aristóteles: "Talvez eu seja enganado inúmeras vezes... Mas não deixarei de acreditar que em algum lugar, alguém merece a minha confiança". 
 
Definitivamente, aprendi que não tenho vocação para ser um eremita cristão, pois fui chamado por Cristo para ser cidadão do Reino de Deus na Terra e militante urbano da igreja física, plantada por Jesus no mundo, no qual, segundo Ele, devo resplandecer como luzeiro. 
 
Parafraseando Paulo, que foi um autêntico seguidor de Cristo, desejo me identificar, me inserir no contexto social. Quero me fazer de tudo para com todos, para ver se, de alguma maneira, eu consiga ganhar, influenciar e corrigir algumas pessoas para Deus. 
 
Não me tornarei um ser frustrado, desencantado com a vida. Não deixarei de sonhar e não cairei no ostracismo do fatalismo. Não vou ser derrotado pelo mal; pelo contrário, vou vencer o mal com o bem. 
 
 
 
 SUPERAÇÃO
 
 
 
 
 
Terça-feira, dia dezessete de julho de dois mil e doze, foi inaugurado o memorial das vítimas do voo da TAM, cinco anos depois do acidente que ceifou cento e noventa e nove vidas no aeroporto de Congonhas em São Paulo. 
 
Chamou a atenção o fato de que o memorial, com os nomes de todas as pessoas mortas, foi construído em torno de uma amoreira que resistiu bravamente à explosão, ao incêndio e à implosão do prédio sobre o qual a aeronave colidiu no dia do acidente. Tudo isso sob uma temperatura de cerca mil graus Celsius. No entanto, a árvore está ali,  verde, firme, altaneira e emblematicamente  nos dizendo: "Por maior que seja a dor e o sofrimento, é possível resistir, superar e sobreviver às tragédias". 
 
Não é por acaso que a Bíblia compara, em várias passagens, o ser humano com as árvores. No texto do profeta Jeremias, por exemplo:  Bendito o varão que confia no Senhor, e cuja esperança é o Senhor. Porque é como a árvore plantada junto às águas, que estende as suas raízes para o ribeiro, e não receia quando vem o calor, mas a sua folha fica verde; e no ano de sequidão não se afadiga, nem deixa de dar fruto".
 
Os depoimentos dos familiares dos mortos, colhidos pelos repórteres no evento, confirmaram a capacidade de superação que Deus concede as pessoas. Uma jovem senhora, que perdeu a mãe na tragédia disse: "A pessoa nunca sabe a força que tem, até que acontece uma coisa dessas e a gente tem que seguir em frente. (Jeremias 17:7,8)
 
Todos os encontros dos integrantes da Associação dos Familiares e Amigos das Vítimas do Voo TAM JJ3054 (Afavitam), transforma-se também na reunião de uma grande família, com muitos abraços e sorrisos. Embora o grupo tenha se formado pela dor, permanece pela amizade, na esperança e na luta por melhorias no sistema aéreo brasileiro. 
 
Assim, é impossível não falar de superação pessoal. Todos enfrentaram momentos de desalento e extremo sofrimento, especialmente nos primeiros meses após o trágico acidente com a aeronave que saiu de Porto Alegre e explodiu no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, mas buscaram forças para seguir em frente. Para eles, não há segredos para reencontrar a alegria de viver. Não são propriamente histórias com final feliz, porque nada será esquecido ou encerrado, mas são lições de recomeço. 
 
O casal de professores universitários Dario e Ana Sílvia Scott, de São Leopoldo, perdeu a única filha na tragédia, Thaís, que tinha 14 anos. Na ocasião, cada um enfrentou a dor a seu modo: ela mergulhando no trabalho, ele encabeçando os primeiros movimentos da AFAVITAM, da qual se tornou presidente. Em 2009, eles finalmente conseguiram realizar uma cerimônia para cremar o corpo da menina. "Foi como fechar um ciclo", diz Ana Sílvia. A partir de então, ambos voltaram a pensar em aumentar a família.
 
De fato, pouco tempo se passou entre o momento simbólico e o nascimento dos gêmeos Tomas e Anna, hoje com 1 ano e 10 meses. "Voltamos a ter um futuro", conta Ana Sílvia, que aos 53 anos passou por um processo de fertilização. "Se na época do acidente alguém dissesse que em 5 anos a minha vida estaria como está hoje, eu não acreditaria. Eu não tinha perspectiva nenhuma", recorda.
 
Dario, 48, lembra emocionado que Thaís sempre pedia irmãos. "Ela dizia que queria ser 'tia', mas nunca esteve nos nossos planos. Tudo mudou depois da tragédia", lembra ele. "Filhos são como um banco de amor, no qual você vai depositando todo seu sentimento. Quando lhe tiram isso, o mundo desaba. Estamos tendo uma nova chance. Fomos abençoados."
São exemplos como este que comprovam que o homem foi criado por Deus, e por isto mesmo tem esta incrível capacidade de se reinventar; tal qual aquela amoreira, no centro do memorial.
 
 
 
 IMPERMANÊNCIA

 

 

 

O mundo é impermanente, diante das forças imponderáveis da existência. Viver é dançar na corda oscilante do inesperado.

Não convém depositar a nossa esperança nos bens materiais. Os valores deste mundo não resistem às tempestades e intempéries da vida, e por isso não devemos confiar a eles a nossa esperança.

Impermanência é a mais constante característica da vida terrenal, assim como a vida que é como a rosa que nos inebria com o seu perfume e nos dilacera com seus espinhos. A verdadeira sabedoria comportamental empreende a travessia pelo árido deserto da existência, rumo ao oásis da coisas verdadeiramente essenciais.

A vida é breve demais para que a façamos pequena, e também é grande demais para que a tornemos menor. Ela é dom de Deus. Por esta razão, ela é excelente, não sendo racional que a deixemos medíocre, dando demasiada importância ao que Deus não tem em grande conta.

Por esta razão, não desperdice sua energia com o que não tem genuíno valor. Não permita que questiúnculas, pormenores, trivialidades estraguem os seus preciosos dias. A Bíblia diz que o dia-a-dia é milagre em renovação permanente. 

 
 

 

 

 

Por: Bartolomeu de Andrade

Publicado em 22/05/2014

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