Breve histórico do Cristianismo

 

BREVE HISTÓRICO DO CRISTIANISMO

 

 

 

 

1. A BUSCA PELA RELIGIÃO

 

 

1.1  Introdução

 

 

Desde os primórdios da civilização, o homem sente uma forte necessidade de procurar por Deus, buscar n’Ele alento e força para continuar na sua luta diária. Com o correr dos tempos, líderes começaram a impor teorias próprias a seus seguidores. 

Porém, antes de entrar no estudo das religiões, é preciso que se esteja preparado para refletir sobre aquilo que as pessoas pensam diferente de nós, pois só assim conseguiremos reforçar os fundamentos da nossa fé e buscar subsídios para recuperar essas pessoas. Segundo Geoffrey Parrinter, no seu livro “Religiões mundiais – da História Antiga ao presente”, “...o conhecimento leva ao entendimento, e o entendimento à tolerância para com as pessoas que tenham um ponto de vista diferente.”

 

 

1.2  As origens das religiões

 

 

Qual o motivo e como surgiram as religiões são perguntas de vital importância para todos os que se interessam em encontrar a verdade a respeito de religião e crenças religiosas. Tratando-se de origem, as pessoas logo pensam em nomes como Maomé, Buda, Confúcio e Jesus, nomes centrais que estabeleceram um tipo de fé. Alguns deles eram filósofos que defendiam ideias próprias, aperfeiçoadas mais tarde por outros, criando uma aura mística e até um endeusamento em torno de tais pensadores. É bom registrar que a maioria dessas ideias “inovadoras” foram baseadas em sistemas religiosos já existentes, que não satisfaziam às aspirações de um povo de determinada região.

 

 

1.3  A tradição religiosa

 

 

A religião se tem tornado quase um assunto de tradição familiar, fazendo com que, invariavelmente, outras pessoas escolham por nós a nossa religião. O historiador Arnold Toynbee diz que “o indivíduo ser adepto de certa crença é muitas vezes determinado pela localização geográfica, do lugar onde nasceu.” Assim, se a religião de nascimento fosse obrigatoriamente a verdadeira, a aprovada por Deus, muitas pessoas ainda estariam praticando os antigos cultos da fertilidade. É como se disséssemos: o que é bom para meus antepassados é bom para mim.

É normal e aceitável que as pessoas discordem entre si nas suas crenças religiosas, mas não existe base para que se odeie alguém só porque tem um ponto de vista diferente. (1 Pe 3:15 e 1 Jo 4:20,21). Observe a semelhança dessa ideia, através de citações de procedências diferentes:

 

Judaísmo:  “Ama a teu próximo como a ti mesmo.”  (Lv 19:17,18)

Cristianismo: “Continuai a amar os vossos inimigos, a fazer o bem” (Lc 6:27,35)

Alcorão: É possível que Alá faça surgir amizade entre ti e aqueles que consideras como inimigos.”  (Surata 60:7 MMP)

 

 

1.4  Todos os caminhos levam a Deus

 

 

O Pr. Natalício Álvaro Batista, um querido amigo de Canoas/RS, costumava dizer que esta é a maior mentira que já se disse na face da terra. O fato de respeitarmos ideias contrárias às nossas, não quer dizer que estamos concordando com elas. O historiador Geoffrey Parrinder pondera o seguinte: “Diz-se às vezes que todas as religiões têm o mesmo alvo, ou que são caminhos que igualmente levam à verdade, ou até mesmo que todas elas ensinam as mesmas doutrinas (...) No entanto, os antigos astecas erguiam para o sol os corações de suas vítimas! Fica claro que a religião deles não era tão boa quanto a do pacífico Buda.”  Se lermos Miquéias 6:8 veremos o próprio Deus determinando o que é aceitável, quando se trata de adoração.

 

 

1.5  A religião e seus frutos

 

 

A conduta de cada pessoa normalmente será um reflexo da sua formação religiosa. Cada um deve fazer-se a seguinte pergunta: Minha religião produz em mim uma pessoa mais bondosa, generosa, honesta, humilde, tolerante e compassiva? Se essas coisas não estão acontecendo, está havendo alguma coisa errada com a sua religião.  A seguir, alguns registros escritos a respeito disso:

 

“Enquanto a religião verdadeira evita um crime, as religiões falsas acham pretexto para mil.” (Charles Caleb Colton, 1825)

“Temos bastante religiões para fazer-nos odiar uns aos outros, mas não o bastante para que nos amemos uns aos outros.”  (Jonathan Swift, 1720)

“Os homem jamais pratica o mal tão completa e alegremente como quando o faz por convicções religiosas.” (Blaise Pascal, 1658)

“...Toda árvore boa produz bons frutos, e toda árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa produzir maus frutos, nem a árvore má produzir bons frutos. Toda árvore que não dá bom fruto é cortada e lançada no fogo. Portando, pelos seus frutos conhecereis estes homens.” (Jesus, em Mt 7:17-20)

 

Quanto à citação de Pascal, acima, veja que em duas guerras mundiais, católicos mataram católicos, protestantes mataram protestantes, etc. Apesar da admoestação de Gálatas 5:19-21, os cristãos praticam essas atrocidades há séculos, atitudes essas toleradas, não raro, pelo clero: Cruzadas, Inquisição, conflitos no Oriente Médio, Irlanda do Norte, Irã x Iraque, hindus X siques, etc. 

 

 

1.6  A religião certa

 

 

Muitas pessoas evitam falar sobre religião e fogem dizendo: Minha religião é boa para mim: não faço mal a ninguém, ajudo aos outros sempre posso, não fumo, não jogo... Será que isso é o suficiente? Basta criarmos um critério pessoal a respeito de religião? Como já foi dito anteriormente, é necessário que se conheça parâmetros, instrumentos palpáveis que definam o que é certo e o que é errado. 

O “Torah” (cinco primeiros livros da Bíblia), também conhecido como “Pentateuco”, é o mais antigo registro escrito, datando dos séculos XV e XVI a.C., registrados por Moisés sob inspiração divina. Os escritos hindus do “Rig Veda”, só aparecem no ano 900 a.C. e em momento algum reivindicam inspiração divina; o “Cânon dos três Cestos”, do budismo, é do século V a.C., não reivindica inspiração divina também; o “Alcorão”, que afirma ter sido inspirado por Deus, através do anjo Gabriel, é um produto do século VII d.C.; o “Livro dos Mórmons” teria sido inspirado ao norte-americano Joseph Smith por um anjo chamado Moroni, no século XIX d.C.

Cabe aqui uma pergunta: Se essas outras obras são inspiradas por Deus, por que seus ensinamentos contradizem os da Bíblia, que é a fonte original de inspiração?  Reafirmamos, então, que são essas diferenças, que aparecem nos documentos posteriores à Bíblia, que recebem o nome de heresia.

 

 

1.7  A fé e suas deformações

 

 

Conscientes ou não, muitas atitudes das pessoas têm ligação com práticas ou crenças supersticiosas, algumas delas tendo relação com deuses ou espíritos. A celebração de aniversários de nascimento, por exemplo, origina-se da Astrologia, enquanto que o bolo de aniversário está relacionado com os bolos de mel, em forma de lua, com velas, utilizados para festejar os aniversários da deusa grega Ártemis. Outro costume estranho é o das pessoas vestirem-se de preto para os funerais, que era um ardil para “tapear” os espíritos maus que estivessem por perto nos velórios e sepultamentos.

No Ocidente, existem as superstições de quebrar espelhos, ver um gato preto passar por baixo de escada, e o azar da sexta-feira 13, enquanto que no Oriente os japoneses costumam transpassar o quimono da esquerda para a direita, os defuntos são vestidos pela forma contrária e as casas não possuem abertura para o lado nordeste, para que os demônios que vêm dessa direção não entrem; nas Filipinas, as pessoas tiram os sapatos dos mortos antes do sepultamento, para que “São Pedro” os receba bem.

Atualmente, na busca do desconhecido, é normal ver-se pessoas consultarem médiuns, cartomantes e adivinhos para conhecerem o futuro ou receberem orientações para decisões importantes, prática muito comum em pessoas que pertencem várias religiões. algumas pessoas, inseguras quanto ao que costumam seguir, transformam o espiritismo, a magia negra e o ocultismo como sua segunda religião.

 

 

1.7.1  Os descrentes

 

 

Antes de nos determos nas grandes religiões, vamos estudar um pouco aqueles grupos de pessoas que não se sentem tocadas por nenhum tipo de fé, encontrando explicação para tudo na natureza que os cerca, no “destino”, etc.  

É preciso que se diga que as pessoas mais insensíveis que apareceram no decorrer da História da Humanidade, descuidadamente ou não deixaram claro que acreditavam na existência do Deus Supremo. 

Apesar da aparência de ateus, no íntimo essas pessoas aceitavam Jesus Cristo como o Filho que Deus mandou ao mundo para pagar pelos nossos pecados. Entre elas podemos destacar:

 

Francis Bacon (filósofo) – “Eu creio que a crucificação de Cristo deve tirar os pecados dos homens.”;  

Rosseau (ateu libertino) – “Se a vida e a morte de Sócrates foram as de um filósofo, a vida e morte de Jesus Cristo foram as de um Deus.”;  Lord Byron (poeta libertino) – “Se jamais algum homem foi Deus, ou Deus Homem, Jesus Cristo foi ambas as coisas.”;  

Napoleão (conquistador impiedoso) – “Eu penso que compreendo alguma coisa da natureza humana, e digo que Alexandre, César e Carlos Magno foram homens, e eu também sou homem, mas nenhum é como Ele: Jesus Cristo é mais que homem.”;  

Michelangelo (pintor e escultor italiano) – “Morro na fé de Jesus Cristo e na firme esperança de uma vida melhor.”

 

Entrando no estudo dos grupos de pessoas que dizem não crer na existência de Deus, vamos citar o que disseram McDowell e Stewart no seu livro Entendendo as religiões: “Enquanto aqueles que creem em alguma forma de Deus atribuem de alguma maneira a existência deste mundo a esse Deus (ou deuses), o ateu, o agnóstico e o cético apresentam uma explicação naturalista e alternativa para este mundo.”  

Como o assunto é muito vasto, pois os segmentos sofreram divisões, fica muito maçante desenvolver-se a história de cada um desses grupos, optando-se em dar uma pequena definição de cada um, quanto à origem e visão de Deus.

 

ATEÍSMO, por exemplo, é uma palavra originária do grego, formada pelo prefixo a (não ou nenhum) e pelo substantivo theos (deus ou deuses). Um ateísta é alguém que crê que existem provas em favor da inexistência de Deus, através de explicações naturais, nunca sobrenaturais. Para eles, toda prova, crença e fé religiosas são falsas. Esse termo começou a ser conhecido com Nicolau Maquiavel, falecido em 1527.

AGNOSTICISMO origina-se do grego, palavra formada pelo prefixo a (não ou nenhum) e pelo substantivo gnosis (conhecimento adquirido pela experiência). Um agnóstico é alguém que crê não existirem indícios suficientes para se provar a existência ou inexistência de Deus ou deuses, criticando tanto os teístas como os ateístas pela presunção de tal conhecimento. Segundo William e Mabel Shakarian, o agnosticismo “se refere a um ponto de vista neutro quanto à questão da existência de Deus; é um ponto de vista da pessoa que decide permanecer num estado de julgamento suspenso.” 

Já existem registros da existência dos gnósticos nos primeiros séculos da Igreja Primitiva, pois não aceitavam a santidade de Jesus pelo fato de que toda matéria era má. Assim, negaram a morte e ressurreição de Jesus. Os três pontos que os opõe às verdades bíblicas são: a) o mundo da matéria é ruim; b) a salvação vem por meio do conhecimento e c) não crença no Cristo “homem”. 

CETICISMO, é uma palavra originária do latim scepticus (indagador, pensativo, aquele que duvida) e formada pelo prefixo a (não ou nenhum) e pelo substantivo gnosis, que por sua vez deriva-se do grego scepsis (indagação, hesitação, dúvida). Esse é o segmento oriundo de uma determinada escola de pensamento filosófico, os céticos, os quais acreditavam que, pelo fato do conhecimento ser verdadeiro e inatingível, deve-se suspender qualquer juízo com relação à verdade. Segundo eles, o único método para se chegar ao conhecimento das questões acima mencionadas é duvidar até que se ache algo indubitável ou algo tão indubitável quanto possível. Sempre que as provas não forem conclusivas, deve-se suspender o juízo. O primeiro filósofo cético conhecido foi Pirro de Elida, que viveu de 365 a 275 a.C.

 

 

2.  O CRISTIANISMO

 

 

Quem criou o Cristianismo foi Jesus, um jovem judeu que frequentava a sinagoga local e o templo de Jerusalém (Lucas 2:21-25), só iniciando seu ministério aos 30 anos de idade, após procurar batizar-se com João Batista, ato que era um símbolo de arrependimento. Naquele momento, abriu-se o céu e desceu sobre ele o Espírito Santo, em forma de pomba, enquanto se ouviu uma voz do céu: “Tu és meu Filho em quem me comprazo.”  (Lucas 3:21-23 e João 1:32-34)

Percorrendo toda a Galiléia e Judéia, iniciou seu ministério pregando a mensagem do Reino de Deus e realizando milagres. Ele não manipulava as massas com emocionalismo vulgar, mas usava uma lógica simples e parábolas que ilustravam a vida cotidiana. O ponto alto da sua doutrinação é o “Sermão do Monte” (Mateus 5:1 – 7:59 e Mateus 13:3-53 e Lucas 6:17-49).

Enquanto pregava a mensagem do Reino de Deus, manifestava amor, compaixão e humildade, tanto que ao morrer, disse: “Eu vos dou um novo mandamento, que vos ameis uns aos outros; assim como vos amei, que vos ameis uns aos outros.”  (João 13:34,35)

Ao contrário de Confúcio e Lao-tzu, Jesus não ensinou apenas uma filosofia de vida; ao contrário de Buda, que garantia salvação através do conhecimento e iluminação pessoal, Jesus apontava Deus como única fonte de salvação (João 3:16,17).  Por esses e outros ensinos é que Jesus pôde convencer as grandes massas de que Ele era .o caminho, a verdade e a vida e que ninguém viria ao Pai a não ser através dele. Deus, em Seu supremo amor,  enviara Jesus à terra como fonte de luz e de verdade, para conduzir os homens até Ele. (João 1:9-14).

Seguindo as pegadas de Jesus, o apóstolo Paulo ensinou que o amor cristão não devia ser manifestado apenas em palavras, mas em ações, conforme registrou na sua primeira carta aos coríntios. (I Coríntios 13:4-8)

No “Sermão da Montanha” Jesus deixava claro que cada cristão teria a obrigação de ser um evangelizador (Mateus 5:14-16). Inclusive, chegou a declarar que parte do sinal que definiria os últimos dias seria que a pregação dessas “Boas Novas” chegassem aos quatro cantos da terra. (Mateus 24:3-14 e Mateus 28:18-20)

O Cristianismo, dessa forma, sempre foi uma religião ativa e proselitista, provocando ira e ciúmes nos seguidores de outras religiões gregas e romanas, que tinham como fundamento a mitologia. (Atos 19:23-41)

Quanto à salvação, Jesus designou-se como a ressurreição e a vida, sendo que aqueles que nisso cressem, exercendo fé nessa verdade, ainda que mortos, viveriam, pois nunca morreriam. (João 11:25,26)  Isso foi ensinado quando Jesus ressuscitou a Lázaro, morto e enterrado há quatro dias, fato testemunhado pelos principais sacerdotes judeus.

Certa vez, num monte, e na presença dos apóstolos Pedro, Tiago e João, Jesus transfigurou-se, sendo que Seu rosto brilhava como o sol e Sua roupagem exterior como a luz. Nessa hora novamente foi ouvida a voz do céu, que dizia: “Este é o meu Filho amado, a quem tenho aprovado; escutai-O.”  (Mateus 17:1-6) Foram cenas reais como essas registradas acima que fortaleceram a fé dos apóstolos e demais seguidores de Jesus, e não apenas Seus ensinos teóricos. (I Pedro 1:16-18).

No ano 33 aconteceu o cumprimento de todas as promessas que Jesus houvera feito. Três dias após ser colocado morto num sepulcro, Ele ressuscitou, apresentou-se diante de muitos discípulos, ratificando e concluindo Suas recomendações sobre divulgação das “Boas Novas” após Sua partida definitiva.

A ressurreição de Cristo tinha um objetivo que, por fim, beneficiaria toda a humanidade, abrindo caminho para que Ele cumprisse o restante das profecias messiânicas. Seu governo justo, a partir dos céus invisíveis, deverá em breve se estender à terra purificada, passando a existir o “...novo céu e uma nova terra”, quando Deus “...enxugará dos seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor.”  Nesse momento, “...as coisas velhas já passaram.”  

No ano 33 aconteceu outro milagre que aumentou a força e o ímpeto daqueles cristãos primitivos, quando, no dia de Pentecostes, Deus derramou do céu o seu Espírito Santo sobre cerca de 120 cristãos reunidos em Jerusalém. 

Naquele momento, línguas de fogo se distribuíram sobre todas aquelas pessoas, que ficam cheias do Espírito Santo, começando a falar em línguas diferentes (Atos 2:3,4) e, como resultado, muitas das testemunhas creram e a mensagem cristã espalhou-se velozmente.

 

 

2.1  Apostasia

 

 

Nos três primeiros séculos, muitos cristãos morreram mediante a perseguição movida por Nero, imperador romano, e muitos se dispersaram por causa da introdução de falsas doutrinas no seu meio. Por causa disso, começou a acontecer uma apostasia, ou seja, um desvio da adoração verdadeira, vítima de introdução de filosofias romanas e pensamentos gregos. Porém, quem abraçasse essa fé só teria dois caminhos a escolher: apegar-se aos intransigentes ensinos cristãos ou optar pela ampla e cômoda trilha de transigências oferecidas pelo mundo de então. E a maioria fez a escolha que lhe trouxesse menos problemas.

 

 

2.2  Sedução pela filosofia

 

 

O historiador Will Durant, no volume III da coleção A História da Civilização, explica como a filosofia foi introduzida nas doutrinas cristãs nos primeiros 400 anos:

 

“A Igreja não se limitou a tomar algumas formas e costumes religiosos da Roma pagã, como a estola e outras vestes sacerdotais, o  uso do incenso e da água benta nas purificações, os círios e a luz perpetuamente acesa nos altares, a veneração de santos, a arquitetura as basílica, a lei romana como base da lei canônica, o título de Pontifix Maximus para o Supremo Pontífice, e no século IV o latim (...) Em breve os bispos, em vez de prefeitos romanos, seriam  a fonte da ordem e a sede do poder nas cidades, os metropolitanos, ou arcebisbos, iriam sustentar, senão suplantar, os governadores provinciais; e o sínodo dos bispos sucederia à Assembléia provincial. A Igreja Romana seguiu às pegadas do Estado Romano.”

 

De nada adiantaram as admoestações de Pedro (2 Pedro 3:1,2,17) e de Paulo (2 Coríntios 6:14-17) e as revelações recebidas e divulgadas por João (Apocalipse  18:2-5), pois os cristãos do segundo século lançaram mão de todos os ornatos da religião romana pagã, abandonando a origem bíblica e revestindo-se de paramentos e títulos romanos pagãos, conduzidos por filosofias gregas. 

 

 

2.3  Os ministérios

 

 

Durante o primeiro século, os apóstolos e anciãos cristãos trabalhavam para aconselhar e dirigir a congregação cristã, embora não exercessem superioridade sobre os demais cristãos. No ano 49, diante de discussões surgidas, tiveram que se reunir em Jerusalém e houve consenso de que deveriam ser enviados homens (Paulo e Barnabé) para Antioquia de modo a doutrinarem pessoas que não eram de origem judia (Atos 15:22,23). Cada congregação aberta nas cidades possuía o seu superintendente (anciãos espirituais - I Timóteo 3:1-7 e 5:17) e um corpo de anciãos  superintendentes,  não a um governo monárquico de um só homem. (Atos 20:17 e Filipenses 1:1)

Com o tempo esses superintendentes foram recebendo o título de “bispo”, um sacerdote com jurisdição sobre outros membros do clero em sua diocese. A partir do século IV os bispos passaram a atuar numa espécie de sistema monárquico, estabelecendo-se uma hierarquia, acabando com a nomeação do Bispo de Roma como o Supremo Bispo, ou seja, Papa. Só existe registro sobre pessoas com esse título a partir do final do século V, pois até aí esse título de Pontifex Maximus só era usado por imperadores romanos. Os papas passaram a ser conhecidos com títulos como Vigário de Jesus Cristo, Sucessor do Príncipe dos Apóstolos, Supremo Pontífice da Igreja Universal, Primaz da Itália, Soberano da Cidade do Vaticano, entre outros. Ele é carregado com pompa e cerimônia

 

 

2.4  O domínio cristão

 

 

Como já vimos, durante os três primeiros séculos da nossa era a Igreja de Cristo foi perseguida, massacrada e pilhada. Com a subida de Constantino ao trono do Império Romano e sua conversão (313), o cristianismo transformou-se na religião oficial de Roma. Em 325 Constantino convocou um concílio de bispos em Nicéia (cerca de 300 bispos) com o objetivo de unificar a Igreja do oriente com a do ocidente e definir os credos. Cobrindo-se com a capa de “Benfeitor do Cristianismo”, Constantino atraiu um número incalculável de pessoas para as fileiras dos sofridos cristãos. Todo mundo queria ser cristão! Não porque tinham nascido de novo, mas por conveniência política. 

 

 

2.5  Catolicismo Romano

 

 

Graciano, o sucessor de Constantino, não pretendendo ser líder religioso, nomeou o Bispo Damázio para “tomar conta”da Igreja. A partir daí, os pagãos se misturaram descaradamente com os crentes, abrindo as portas para os costumes pagãos e outras novidades. As heresias dentro da Igreja foram tantas, que Roma precisou proibir a leitura da Bíblia aos leigos. 

Com a sucessão dos acontecimentos, parte do clero começou a rebelar-se, resultando na grande Reforma Protestante, acontecida praticamente ao mesmo tempo em toda a Europa. Para abafar esses protestos, a Igreja instituiu a “Santa Inquisição”, quando um número muito grande de cristãos autênticos foi queimado em fogueiras, acusados de bruxarias, etc. 

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

 

ARRUDA, José Jobson; PILETTI, Nelson. Toda a História: História Geral e História do Brasil. 02 ed. São Paulo: Editora Ática, 1999.

DA SILVA, Ezequias Soares. Seitas e Heresias. Lições Bíblicas, 2] Trimestre de 1997. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembleias de Deus, 1997.

GILBERTO, Antônio. Religiões, seitas e doutrinas falsas. Lições Bíblicas, 4º Trimestre de 1992. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembleias de Deus, 1992.

McDOWELL, Josh; STEWART, Don. Entendendo as religiões seculares. São Paulo: Editora Candeias, 1989. 

OLIVEIRA, Raimundo F. de. Heresiologia: discernindo entre a verdade e o erro. Campinas: Editora Eetad.

PEDRO, Antônio. História Geral.  São Paulo: Editora FTD, 1995.

 

 

AUTOR

Walmir Damiani Corrêa

Por: Walmir Damiani Corrêa

Publicado em 18/08/2014

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