Judaísmo: o berço da fé

 

 JUDAÍSMO:

O BERÇO DA FÉ

 

  

 

 

 

1. A BUSCA PELA RELIGIÃO

 

 

Desde os primórdios da civilização, o homem sente uma forte necessidade de procurar por Deus, buscar n’Ele alento e força para continuar na sua luta diária. Com o correr dos tempos, líderes começaram a impor teorias próprias a seus seguidores. 

Porém, antes de entrar no estudo das religiões, é preciso que se esteja preparado para refletir sobre aquilo que as pessoas pensam diferente de nós, pois só assim conseguiremos reforçar os fundamentos da nossa fé e buscar subsídios para recuperar essas pessoas. Segundo Geoffrey Parrinter, no seu livro “Religiões mundiais – da História Antiga ao presente”, “...o conhecimento leva ao entendimento, e o entendimento à tolerância para com as pessoas que tenham um ponto de vista diferente.”

 

 

1.1  As origens das religiões

 

 

Qual o motivo e como surgiram as religiões são perguntas de vital importância para todos os que se interessam em encontrar a verdade a respeito de religião e crenças religiosas. Tratando-se de origem, as pessoas logo pensam em nomes como Maomé, Buda, Confúcio e Jesus, nomes centrais que estabeleceram um tipo de fé. Alguns deles eram filósofos que defendiam ideias próprias, aperfeiçoadas mais tarde por outros, criando uma aura mística e até um endeusamento em torno de tais pensadores. É bom registrar que a maioria dessas ideias “inovadoras” foram baseadas em sistemas religiosos já existentes, que não satisfaziam às aspirações de um povo de determinada região.

 

 

1.2  A tradição religiosa

 

 

A religião se tem tornado quase um assunto de tradição familiar, fazendo com que, invariavelmente, outras pessoas escolham por nós a nossa religião. O historiador Arnold Toynbee diz que “o indivíduo ser adepto de certa crença é muitas vezes determinado pela localização geográfica, do lugar onde nasceu.” Assim, se a religião de nascimento fosse obrigatoriamente a verdadeira, a aprovada por Deus, muitas pessoas ainda estariam praticando os antigos cultos da fertilidade. É como se disséssemos: o que é bom para meus antepassados é bom para mim.

É normal e aceitável que as pessoas discordem entre si nas suas crenças religiosas, mas não existe base para que se odeie alguém só porque tem um ponto de vista diferente. (1 Pe 3:15 e 1 Jo 4:20,21). Observe a semelhança dessa ideia, através de citações de procedências diferentes:

 

Judaísmo: “Ama a teu próximo como a ti mesmo.”  (Levíticos19:17,18)

 

Cristianismo: “...continuai a amar os vossos inimigos, a fazer o bem...” (Lucas 6:27,35)

 

Alcorão: "É possível que Alá faça surgir amizade entre ti e aqueles que consideras como inimigos.”  (Surata 60:7 MMP)

 

 

 

1.3  Todos os caminhos levam a Deus

 

 

O Pr. Natalício Álvaro Batista, um querido amigo de Canoas/RS, costumava dizer que esta é a maior mentira que já se disse na face da terra. O fato de respeitarmos ideias contrárias às nossas, não quer dizer que estamos concordando com elas. O historiador Geoffrey Parrinder pondera o seguinte: “Diz-se às vezes que todas as religiões têm o mesmo alvo, ou que são caminhos que igualmente levam à verdade, ou até mesmo que todas elas ensinam as mesmas doutrinas (...) No entanto, os antigos astecas erguiam para o sol os corações de suas vítimas! Fica claro que a religião deles não era tão boa quanto a do pacífico Buda.”  Se lermos Miquéias 6:8 veremos o próprio Deus determinando o que é aceitável, quando se trata de adoração.

 

 

1.4  A religião e seus frutos

 

 

A conduta de cada pessoa normalmente será um reflexo da sua formação religiosa. Cada um deve fazer-se a seguinte pergunta: Minha religião produz em mim uma pessoa mais bondosa, generosa, honesta, humilde, tolerante e compassiva? Se essas coisas não estão acontecendo, está havendo alguma coisa errada com a sua religião.  A seguir, alguns registros escritos a respeito disso:

 

“Enquanto a religião verdadeira evita um crime, as religiões falsas acham pretexto para mil.” (Charles Caleb Colton, 1825)

 

“Temos bastante religiões para fazer-nos odiar uns aos outros, mas não o bastante para que nos amemos uns aos outros.”  (Jonathan Swift, 1720)

 

“Os homem jamais pratica o mal tão completa e alegremente como quando o faz por convicções religiosas.” (Blaise Pascal, 1658)

 

“...Toda árvore boa produz bons frutos, e toda árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa produzir maus frutos, nem a árvore má produzir bons frutos. Toda árvore que não dá bom fruto é cortada e lançada no fogo. Portando, pelos seus frutos conhecereis estes homens.” (Jesus, em Mt 7:17-20)

 

 Quanto à citação de Pascal, acima, veja que em duas guerras mundiais, católicos mataram católicos, protestantes mataram protestantes, etc. Apesar da admoestação de Gálatas 5:19-21, os cristãos praticam essas atrocidades há séculos, atitudes essas toleradas, não raro, pelo clero: Cruzadas, Inquisição, conflitos no Oriente Médio, Irlanda do Norte, Irã x Iraque, hindus X siques, etc. 

 

 

1.5  A religião certa

 

 

Muitas pessoas evitam falar sobre religião e fogem dizendo: Minha religião é boa para mim: não faço mal a ninguém, ajudo aos outros sempre posso, não fumo, não jogo... Será que isso é o suficiente? Basta criarmos um critério pessoal a respeito de religião? Como já foi dito anteriormente, é necessário que se conheça parâmetros, instrumentos palpáveis que definam o que é certo e o que é errado. 

O “Torah” (cinco primeiros livros da Bíblia), também conhecido como “Pentateuco”, é o mais antigo registro escrito, datando dos séculos XV e XVI a.C., registrados por Moisés sob inspiração divina. Os escritos hindus do “Rig Veda”, só aparecem no ano 900 a.C. e em momento algum reivindicam inspiração divina; o “Cânon dos três Cestos”, do budismo, é do século V a.C., não reivindica inspiração divina também; o “Alcorão”, que afirma ter sido inspirado por Deus, através do anjo Gabriel, é um produto do século VII d.C.; o “Livro dos Mórmons” teria sido inspirado ao norte-americano Joseph Smith por um anjo chamado Moroni, no século XIX d.C.

Cabe aqui uma pergunta: Se essas outras obras são inspiradas por Deus, por que seus ensinamentos contradizem os da Bíblia, que é a fonte original de inspiração?  Reafirmamos, então, que são essas diferenças, que aparecem nos documentos posteriores à Bíblia, que recebem o nome de heresia.

 

 

1.6  A fé e suas deformações

 

 

Conscientes ou não, muitas atitudes das pessoas têm ligação com práticas ou crenças supersticiosas, algumas delas tendo relação com deuses ou espíritos. A celebração de aniversários de nascimento, por exemplo, origina-se da Astrologia, enquanto que o bolo de aniversário está relacionado com os bolos de mel, em forma de lua, com velas, utilizados para festejar os aniversários da deusa grega Ártemis. Outro costume estranho é o das pessoas vestirem-se de preto para os funerais, que era um ardil para “tapear” os espíritos maus que estivessem por perto nos velórios e sepultamentos.

No Ocidente, existem as superstições de quebrar espelhos, ver um gato preto passar por baixo de escada, e o azar da sexta-feira 13, enquanto que no Oriente os japoneses costumam transpassar o quimono da esquerda para a direita, os defuntos são vestidos pela forma contrária e as casas não possuem abertura para o lado nordeste, para que os demônios que vêm dessa direção não entrem; nas Filipinas, as pessoas tiram os sapatos dos mortos antes do sepultamento, para que “São Pedro” os receba bem.

Atualmente, na busca do desconhecido, é normal ver-se pessoas consultarem médiuns, cartomantes e adivinhos para conhecerem o futuro ou receberem orientações para decisões importantes, prática muito comum em pessoas que pertencem várias religiões. Algumas pessoas, inseguras quanto ao que costumam seguir, transformam o espiritismo, a magia negra e o ocultismo como sua segunda religião.

 

 

1.6.1  Os descrentes

 

 

Antes de nos determos nas grandes religiões, vamos estudar um pouco aqueles grupos de pessoas que não se sentem tocadas por nenhum tipo de fé, encontrando explicação para tudo na natureza que os cerca, no “destino”, etc.  

É preciso que se diga que as pessoas mais insensíveis que apareceram no decorrer da História da Humanidade, descuidadamente ou não deixaram claro que acreditavam na existência do Deus Supremo. 

Apesar da aparência de ateus, no íntimo essas pessoas aceitavam Jesus Cristo como o Filho que Deus mandou ao mundo para pagar pelos nossos pecados. Entre elas podemos destacar:

 

 

Francis Bacon (filósofo) – “Eu creio que a crucificação de Cristo deve tirar os pecados dos homens.”;  

 

Rosseau (ateu libertino) – “Se a vida e a morte de Sócrates foram as de um filósofo, a vida e morte de Jesus Cristo foram as de um Deus.”;  Lord Byron (poeta libertino) – “Se jamais algum homem foi Deus, ou Deus Homem, Jesus Cristo foi ambas as coisas.”;  

 

Napoleão (conquistador impiedoso) – “Eu penso que compreendo alguma coisa da natureza humana, e digo que Alexandre, César e Carlos Magno foram homens, e eu também sou homem, mas nenhum é como Ele: Jesus Cristo é mais que homem.”;  

 

Michelangelo (pintor e escultor italiano) – “Morro na fé de Jesus Cristo e na firme esperança de uma vida melhor.”

 

 

Entrando no estudo dos grupos de pessoas que dizem não crer na existência de Deus, vamos citar o que disseram McDowell e Stewart no seu livro “Entendendo as religiões”: “Enquanto aqueles que crêem em alguma forma de Deus atribuem de alguma maneira a existência deste mundo a esse Deus (ou deuses), o ateu, o agnóstico e o cético apresentam uma explicação naturalista e alternativa para este mundo.”  

Como o assunto é muito vasto, pois os segmentos sofreram divisões, fica muito maçante desenvolver-se a história de cada um desses grupos, optando-se em dar uma pequena definição de cada um, quanto à origem e visão de Deus.

 

ATEÍSMO

 

É uma palavra originária do grego, formada pelo prefixo a (não ou nenhum) e pelo substantivo theos (deus ou deuses). Um ateísta é alguém que crê que existem provas em favor da inexistência de Deus, através de explicações naturais, nunca sobrenaturais. Para eles, toda prova, crença e fé religiosas são falsas. Esse termo começou a ser conhecido com Nicolau Maquiavel, falecido em 1527.

 

AGNOSTICISMO

 

Origina-se do grego, palavra formada pelo prefixo a (não ou nenhum) e pelo substantivo gnosis (conhecimento adquirido pela experiência). Um agnóstico é alguém que crê não existirem indícios suficientes para se provar a existência ou inexistência de Deus ou deuses, criticando tanto os teístas como os ateístas pela presunção de tal conhecimento. Segundo William e Mabel Shakarian, o agnosticismo “se refere a um ponto de vista neutro quanto à questão da existência de Deus; é um ponto de vista da pessoa que decide permanecer num estado de julgamento suspenso.” 

Já existem registros da existência dos gnósticos nos primeiros séculos da Igreja Primitiva, pois não aceitavam a santidade de Jesus pelo fato de que toda matéria era má. Assim, negaram a morte e ressurreição de Jesus. Os três pontos que os opõe às verdades bíblicas são: a) o mundo da matéria é ruim; b) a salvação vem por meio do conhecimento e c) não crença no Cristo “homem”. 

 

CETICISMO

 

É uma palavra originária do latim scepticus (indagador, pensativo, aquele que duvida) e formada pelo prefixo a (não ou nenhum) e pelo substantivo gnosis, que por sua vez deriva-se do grego scepsis(indagação, hesitação, dúvida). Esse é o segmento oriundo de uma determinada escola de pensamento filosófico, os céticos, os quais acreditavam que, pelo fato do conhecimento ser verdadeiro e inatingível, deve-se suspender qualquer juízo com relação à verdade. Segundo eles, o único método para se chegar ao conhecimento das questões acima mencionadas é duvidar até que se ache algo indubitável ou algo tão indubitável quanto possível. Sempre que as provas não forem conclusivas, deve-se suspender o juízo. O primeiro filósofo cético conhecido foi Pirro de Elida, que viveu de 365 a 275 a.C.

 

 

2. O JUDAÍSMO

 

 

2.1  Introdução

 

 

Diferente de outras religiões antigas, o judaísmo tem suas raízes na história e não na Mitologia. É a religião dos judeus, antigamente chamados de hebreus, que buscam a Deus através das Escrituras Sagradas e da tradição. De alguma forma os judeus vêm influindo no curso da história e na cultura da humanidade, através de homens destacados como Moisés, Abraão, Jesus, Mahler, Marx, Freud, Einsten, etc.

Diante de uma população mundial de 6 bilhões de pessoas, os judeus somam apenas 18 milhões, uma minoria, mas tornou-se importante no contexto mundial pelo fato de ter 4.000 anos de existência e que centenas de outras grandes religiões tiveram no Judaísmo as suas raízes, como o Cristianismo e o Islamismo. Sua importância também se encontra no fato de que essa religião provê o homem de um elo essencial na sua busca do Deus único e verdadeiro.

 

 

2.2  As cinco colunas do Judaísmo

 

 

O Judaísmo abrange cinco assuntos principais:

 

a) Jeová, o Deus único e verdadeiro;

b) As Sagradas Escrituras, principalmente o Torah, que compõe os       cinco livros de Moisés;

c) O povo de Israel, especialmente constituído por Deus;

d) A terra de Israel, desde o tempo de Abraão (Gênesis 17:7,8);

e) O culto judaico.

 

Apesar de provenientes do Judaísmo, os cristãos o consideram uma religião separada, isolada. Como se sabe, os primeiros cristãos eram judeus convertidos, que só mais tarde passaram a aceitar gentios no seu meio (Atos 10:45-48).

Como importância para o Judaísmo, apresenta-se verdades bíblicas como:

 — A salvação vem dos judeus (João 4:22);

— Jesus era judeu (Mateus 1);

— Todos os escritores da Bíblia foram judeus (Romanos 3:1,2).

 

 

2.3 Abraão, o começo

 

 

A história dos judeus é a própria história bíblica, iniciando em Abraão, que deixou a cidade de Ur, na Sumária, rumando para Canaã, seguindo uma ordem divina (Gen 11:31 e 12:7). A partir dele os judeus traçam uma linha de descendentes, passando por seu filho Isaque e seu neto Jacó, que teve doze filhos, cada um deles tornando-se a base das conhecidas doze tribos da história israelita. Entre eles, um se chamava Judá, de onde veio a se derivar o nome “judeu” (2 Reis 16:6), nome que seria usado mais tarde para designar a qualquer pessoas do povo israelita. Pelo fato dos registros genealógicos haverem sido destruídos na invasão romana do ano 70 DC, nenhum judeu hoje pode determinar corretamente de qual das doze tribos descende. Atualmente, o judaísmo é praticado não só em Israel, mas por todo o mundo, graças à dispersão havida desse povo durante toda a sua marcante história.

 

 

2.4  Moisés, o grande instrumento

 

 

Moisés, nascido em 1593 a.C., de pais israelitas escravos no Egito, é outro nome preponderante na história desse povo, pois apesar de gozar das prerrogativas de ser o braço direito do Faraó, optou por alinhar-se ao seu povo, para tirá-lo das garras egípcias e levá-lo para Canaã, a Terra Prometida, cumprindo os preceitos bíblicos (Deuteronômio 6:23 e 34:10), Ele também foi usado por Deus para apresentar a primeira legislação, a primeira constituição do povo judeu, quando recebeu das mãos divinas os Dez Mandamentos e mais de 600 leis que, posteriormente, vieram a se transformar num código de diretrizes e orientações para a conduta do povo, tanto na parte administrativa quanto na espiritual.

Era o cumprimento dessas leis que tornariam Israel como um “povo escolhido” para servir aos propósitos de Deus na face da terra. Para tanto, foi estabelecido um sacerdócio a partir de Arão, irmão de Moisés, e o centro de adoração e de sacrifícios era, a princípio, uma grande tenda portátil (Êxodo 26 e 28), enquanto os judeus seguiam para as terras de Canaã.

Lá chegando, com a tomada de posse das terras prometidas, os judeus se estabeleceram efetivamente como uma nação, tendo reis marcantes como Davi, que viria a dominar todas os povos vizinhos da época, tendo como sede a cidade de Jerusalém. Com a morte de Davi, coube a Salomão, seu filho, a tarefa de construir um magnífico templo em Jerusalém, que viria a pôr fim no funcionamento do tabernáculo. Deus fizera um pacto com Davi de que o reinado permaneceria na sua linhagem para sempre, e que um dia mandaria um rei ungido entre seus descendentes, o Messias, que traria um governo perfeito para o povo judeu. (Gênesis 22:18)

 

 

3.  DESVIOS DO ALVO

 

 

3.1   O Messias prometido

 

 

O maior problema na história do povo hebreu foi não ter reconhecido Jesus como o Messias enviado por Deus, profetizado por todo o Antigo testamento. Eles se defendem dizendo que algumas profecias parecem ter se cumprido em Jesus, mas que tudo não passa de coincidência. Se fossem uma ou duas, tudo bem, mas não as 50 principais profecias e suas 270 ramificações.

Existe um estudioso chamado Peter Stoner que afirma que a Ciência das probabilidades exclui totalmente essas coincidências. Ele diz que num estudo de probabilidades sobre oito profecias, descobriu que a chance homem que tenha vivido até o presente cumprir essas profecias é de 1 em 10, que seria 10.000.000.000.000.000. Vejamos quais são as 8 profecias:

              

               Miquéias 5:2        Malaquias 3:1       Zacarias 9:9        Zacarias 13:6

              Zacarias 11:12     Zacarias 11:13       Isaías 53:7         Salmos 22:16

 

Para que possamos entender essa impressionante probabilidade, Stoner fez a seguinte ilustração:

 

Se tomarmos 10 dólares em moedas e as colocarmos sobre a superfície do Texas, elas cobrirão todo o estado. Marque então uma dessas moedas e esparrame o resto delas por todo o estado. Vende os olhos de um homem e diga-lhe que pode viajar até aonde quiser, mas deve apanhar uma das moedas e dizer que é a marcada. Que probabilidade ele teria de encontrar a moeda certa? A mesma chance que os profetas teriam de escrever essas oito profecias e fazer com que todas se cumprissem em um único homem, desde os seus dias até o presente e desde que tivessem escrito com a sua própria sabedoria. Essas profecias, portanto, ou foram feitas por inspiração de Deus ou os profetas as escreveram conforme achavam que deveriam ser. Neste último caso eles tinham apenas uma chance em 10 de fazer como que se realizassem em qualquer homem, mas todas se cumpriram em Cristo. Isto significa que o cumprimento dessas oito profecias prova que Deus inspirou os escritores delas a uma definição à qual só falta uma chance em 10 para ser absoluta.

 

 

3.2  A perda da identidade

 

 

Por causa dessa falta de sabedoria e por outras razões, os judeus foram esquecendo suas raízes, deixando-se influenciar pela falsa religião dos cananeus e outras nações vizinhas. Deus, então, enviou uma série de profetas para corrigir tais desvios. Essas profecias vieram a se constituir em 18 livros das Escrituras Sagradas Hebraicas, cada um deles tendo o nome do seu profeta (Isa 1:4-17). Entre eles destacaram-se Isaías Jeremias e Ezequiel, que incansavelmente profetizaram sobre a iminente punição que viria de Deus ao povo, por causa de suas idolatrias. Todas essas profecias se cumpriram, quando aconteceram as diversas invasões, chegando até ao ponto deles serem levados cativos outra vez. Foi aí que aconteceu a primeira Diáspora do povo judeu, pois boa parte se dispersou e espalhou-se por outras terras, deixando até de retornar às suas terras originais com a maioria.

A posterior invasão grega veio a trazer uma fusão entre as culturas grega e judaica, chegando até a deixarem de falar o hebraico. Tanto foi assim que no século III a.C. foi feita uma tradução das Escrituras do hebraico para o grego, chamada Septuaginta. Enquanto gentios se convertiam ao judaísmo, muitos judeus tornavam-se entendidos em pensamento grego, chegando a se tornarem filósofos. Experimentaram, inclusive, adicionar a lógica grega à revelação judaica.

Depois veio o domínio do Império Romano, que viria a tornar mais significativas essas mudanças no comportamento judeu. Segundo Max Dimont, eles ficaram entre a “mente da Grécia e a espada de Roma”. Nessa situação, os judeus se viam divididos em facções, como os fariseus, os saduceus, os essênios, os zelotes e os herodianos, com flagrantes desacordos entre eles, tanto na parte religiosa como na filosófica. Os líderes espirituais judeus eram chamados de rabinos, grandes conhecedores das leis. No ano 70 d.C. Jerusalém foi tomada e destruída, sendo que o povo judeu foi totalmente dispersado, expulso de suas terras, sendo proibida sua permanência em Jerusalém.

Assim, o judaísmo passou a ser praticado em todo lugar onde houvesse judeus exilados. Nesse cenário, onde o ensino oral prevalecia, muitas coisas foram sendo acrescentadas às Escrituras. Nessa época foi criado o Talmude, um escrito legalista, mas recheado de influências filosóficas gregas. Na Idade Média, esse livro já era mais reverenciado pelos judeus do que a própria Bíblia, tendo em sua essência doutrinas anti-bíblicas, reforçadas mais tarde pelo livro Cabala, que ensinava sobre a reencarnação, um ensinamento de origem hindu.

A base para a interpretação religiosa judaica atual veio da Idade Média (cerca de 500 a 1500 DC), resultado dos dois grupos remanescentes de judeus, na época: os sefárdicos (em meio ao domínio muçulmano na Espanha) e os asquenazes, que se radicaram na Europa Central e Oriental. Tanto é assim que muitos dos costumes e práticas religiosas atuais no judaísmo tiveram início na Idade Média.

No século XXII d.C. os judeus passaram a ser perseguidos e expulsos de todos os países dominados pela influência da Igreja Católica Romana, tendo que se refugiar na Europa Oriental e países em volta do Mediterrâneo.

Por volta dos meados do século XVIII, finalmente surgiram perspectivas de tirar o povo judeu desse longo período obscuro. Enquanto surgia o Hassidismo, uma mistura religiosa de misticismo e êxtase na devoção e atividades diárias, o filósofo judeu-alemão Menselssohn mostrava o caminho do Hascalá (esclarecimento), que haveria de conduzir os judeus ao que é considerado o Judaísmo Moderno, uma reação contra o Talmude, surgido por influência grega.

A partir dessa época, os judeus perderam a esperança da vinda de um Messias que os conduzisse de volta a Israel, e passaram a trabalhar pelo estabelecimento de um Estado Judaico. Essa luta recebeu o nome de Sionismo, obtendo a simpatia do mundo todo, no século XX, por causa do assassinato de aproximadamente 6 milhões de judeus no holocausto da 2ª Guerra Mundial. O sonho sionista realizou-se em 1948 com o estabelecimento do Estado de Israel, que dura até os nossos dias.

 

 

4.  O ISRAEL DE HOJE

 

 

4.1  A moderna fé judaica

 

 

Atualmente, a grosso modo, o judaísmo é a religião de um povo, aceitando a conversão de gentios que desejem se juntar a eles política e religiosamente. É uma religião monoteísta no mais estrito sentido, sustentando que Deus intervém na história humana, principalmente com relação a eles. Essa crença num Deus único foi repassada para o Cristianismo e para o Islamismo.

Para pôr fim à contradição entre “ressurreição” e “imortalidade da alma”, os judeus passaram a defender que a alma vive em outro domínio, enquanto que o corpo jaz na sepultura à espera da ressurreição física, surgindo assim as crenças a respeito de céu e inferno.

 

 

4.2   Israel tem sua salvação garantida?

 

 

Esta é uma pergunta que muitos crentes fazem: Esse povo será salvo só pelo fato de reconhecer a Deus e a Sua Palavra? Não, pois Jesus é o único caminho (João 14:6 – Atos 4:16). Conhecimento de Deus, religião judaica e privilégios não bastam para salvar ninguém.

É preciso mudança de coração (Ezequiel 36:24-28).

A mensagem da salvação para os judeus está em Hebreus 7:14-28. Após o arrebatamento da Igreja, Israel sob o peso do sofrimento da Grande Tribulação, voltar-se-á arrependido e se converterá a Cristo. (Zacarias 13:8,9 — Romanos 9:27 e 11:26 — Isaías 10:21,22 e Mateus 23:39). Quem abençoar esse povo, será por Deus abençoado, e quem amaldiçoar a esse povo, será amaldiçoado (Gênesis 12:3).

Deus não revogou Suas maravilhosas promessas para com esse povo terreno. Elas apenas estão suspensas devido à sua incredulidade e rejeição da salvação em Cristo.

 

 

4.3   Território israelita

 

 

É outro assunto que muita gente gostaria de saber como está. Afinal, Deus preparou Canaã como a “Terra Prometida” para o Seu Povo que estava escravizado no Egito. O relato Bíblico mostra que eles tomaram essas terras, com a ajuda de Deus, mas como está esse território hoje, em pleno Século XXI, está completo ou eles perderam alguma parte?

Muito bem. Deus deu essas terras em possessão eterna, sob promessa (Gênesis 15:18). Porém, Israel nunca possuiu toda a terra prometida por Deus, mas a possuirá no seu pleno esplendor, durante o Milênio. Como isso acontecerá, não sabemos. O que sabemos é que Deus luta por Israel. Miguel, o poderoso arcanjo, é o protetor do Povo de Deus (Daniel 10:21 e 12:1)

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

 

OLIVEIRA, Raimundo F. de. Heresiologia: discernindo entre a verdade e o erro. Campinas: Editora Eetad.

DA SILVA, Ezequias Soares. Seitas e Heresias. Lições Bíblicas, 2º Trimestre de 1997. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembleias de Deus, 1997.

GILBERTO, Antônio. Religiões,seitas e doutrinas falsas. Lições Bíblicas, 4º Trimestre de 1992. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembleias de Deus, 1992.

LEWIS, C.S. Cristianismo puro e simples. São Paulo: ABU, 1985.

LEWIS, C.S. Milagres: um estudo preliminar. São Paulo: Mundo Cristão, 1984.

McDOWELL, Josh; STEWART, Don. Entendendo as religiões seculares. São Paulo: Editora Candeias, 1989.

MELO, Edino. A Bíblia: religiões, seitas e heresias. Coleção Ferramenta, Vol. I. Campinas, Transcultural Editora, 2005.

MELO, Edino. A Bíblia: religiões, seitas e heresias. Coleção Ferramenta, Vol. III. Campinas, Transcultural Editora, 2005.

ARRUDA, José Jobson; PILETTI, Nelson. Toda a História: História Geral e História do Brasil. 02 ed. São Paulo: Editora Ática, 1999.

PEDRO, Antônio. História Geral. São Paulo: Editora FTD, 1995.

STONER, Peter. Applying the Science of Probability to the Scrictures.

 

 

AUTOR

 

Walmir Damiani Corrêa

 

Por: Walmir Damiani Corrêa

Publicado em 18/08/2014

Todos os direitos reservados ©elevados.com.br 2013 - 2021