O que Deus espera de nós

 

O QUE DEUS ESPERA DE NÓS

 

Artigo retirado do livro “A lógica de Deus”

 

 

Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a benignidade, e andes humildemente com o teu Deus?  (Miquéias 6:8)

 

Tenho dito sempre: Para Deus, menos que santo não serve. 

Afinal, o que é ser santo nos dias de hoje? Quanto mais o tempo passa, mais vemos este conceito deteriorar-se em desculpas das mais esfarrapadas. Em nome do progresso e da modernidade, infelizmente, muitos cristãos têm-se deixado levar para a contramão da santidade.

Como é difícil ser santo! O Senhor nos declarou, em Sua Palavra, o que é BOM. Bom para nós mesmos, pois somos os maiores beneficiados em servirmos a Ele de todo o nosso coração.

A partir do momento em que fazemos uma opção por Cristo, tudo deve ser renovado em nós. Não podemos admitir que alguém que, genuinamente, conheça a Jesus ignore os Seus mandamentos quanto à santidade e reto proceder. Além disso, nós somos o espelho que deve refletir ao mundo a imagem de Jesus.

É o nosso modo de conduzir a nossa vida, em todas as suas áreas, que dá o testemunho mais autêntico da nossa fé e transformação pelo Evangelho. A nossa melhor estratégia evangelística é o exemplo que apresentamos.

 

Importa que os homens nos considerem como ministros de Cristo, r despenseiros dos mistérios de Deus. Além disso, requer-se dos despenseiros que cada um se ache fiel. (1 Coríntios 4:1-2)

 

Temos visto, com tristeza no coração, crescer o número de escândalos nas nossas igrejas. O pecado tem encontrado espaço na vida de muitos cristãos que, certamente, negligenciaram a vigilância e a confiança integral no Senhor. 

Líderes descomprometidos com a santidade e preocupados em agradar aos homens e crescer em seu próprio benefício têm desagradado a Deus e levam consigo multidões que simpatizam com o evangelho fácil, da prosperidade e do “pode tudo”.  Mas, graças a Deus, também temos visto um grande mover do Senhor, através do Seu Espírito Santo, ensinando, instruindo, convencendo o homem de sua real condição e da necessidade de ser diferente e fazer a diferença.

Muitos têm se conscientizado de que o crescimento espiritual fundamenta-se, basicamente, num tríplice apoio: Obediência, Oração e Amor.

 

 

OBEDIÊNCIA

 

 

Sabemos que devemos viver voltados para Deus e Seus mandamentos e na maiores e menores coisas de nossa vida devemos ser obedientes a Deus por meio da Sua Palavra.

Quando vivemos essa prática diária, o pecado nos incomoda, sentimos repugnância por Ele, pois sabemos que Deus odeia o pecado. “Qualquer que é nascido de Deus não comete pecado; porque a sua semente permanece nele; e não pode pecar, porque é nascido de Deus.” (1 João 3:9)

Imagine alguém que você ame muito, de todo o seu coração, e que tenha certeza de que também ama você. Este alguém faz tudo para lhe agradar e lhe dá tudo do melhor que tem. Você conseguiria fazer, deliberadamente, alguma coisa que soubesse que iria desagradar profundamente a este alguém que só tem boas dádivas para você?

Assim é com Deus. Se amamos a Deus sobre todas as coisas, obedecer Seus mandamentos é uma consequência natural deste amor e, obedecer a Ele, incondicionalmente, é sinônimo de santidade. Afinal, obedecer a Deus não implica necessariamente em grandes sacrifícios religiosos, pois a Bíblia diz que é melhor obedecer do que sacrificar.

 

Porém Samuel disse: Tem porventura o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, com em que se obedeça à Palavra do Senhor? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordura de carneiros. (1 Samuel 15:22)

 

Contudo, o sacrifício necessário na jornada salutar da obediência é o sacrifício do Eu Carnal, que tem a tendência natural de estabelecer, na vida espiritual, o princípio do menor esforço, que mantém o homem em sua zona de conforto ideológico. Este princípio acaba por gerar uma acomodação no “velho homem”, privando o cristão de estabelecer novas metas embasadas na Palavra de Deus, o que gera, inevitavelmente, conflitos de ordem psicológica e emocional.

O cristão deve entender que ser feliz, muitas vezes, é sinônimo de negar-se e não de priorizar-se. Obedecer significa seguir, sem questionar, a orientação de outrem, partindo do pressuposto de que ele sabe realmente o que é melhor a se fazer em determinada situação, e que conhece, de antemão, os resultados da ação proposta.

Como Deus realmente sabe o que é melhor para nós, não nos cabe questionar, mas seguir os Seus mandamentos como um culto racional diante da Sua grandeza, onisciência e infalibilidade.

 

 

ORAÇÃO

 

 

A oração é prioridade na vida do crente, pois é um meio de comunicar-se com o seu Deus. Só em oração e adoração verdadeiras podemos chegar à presença do Senhor, exatamente como somos, e apresentar a Ele as nossas súplicas e ações de graça.

Cristão que não reserva tempo para oração é fraco, e qualquer vento o derruba. Afinal, como poderá resistir ao pecado que constantemente o rodeia? 

A oração, como uma conversa íntima com Deus, nos aproxima do Pai num diálogo amoroso e fértil para o nosso crescimento espiritual. Isso é tão importante que a própria Palavra ressalta, em várias oportunidades, a fundamental importância desse convívio, haja vista o número de vezes em que apresenta o Senhor Jesus falando com o Pai, ensinando a orar e nos dando estratégias para fazê-lo como convém.

A coração pode ser instrumento de súplica, libertação, desabafo, testemunho, comunhão, elevação espiritual, entre tantas outras fontes às quais temos acesso quando oramos.

 

E, tudo o que pedirdes em oração, crendo, o recebereis. (Mateus 21:22)

Mas esta casta de demônios não se expulsa senão pela oração e pelo jejum. (Mateus 17:21)

E aconteceu que naqueles dias (Jesus) subiu ao monte a orar, e passou a noite em oração a Deus. (Lucas 6:12)

E da mesma maneira também o Espírito nos ajuda em nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis. (Romanos 8:26)

 

AMOR

 

 

Para completar, vamos falar do amor. O primeiro mandamento é amar a Deus sobre todas as coisas. “Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor." (1 João 4:8)

Por outro lado, aquele que ama conhece a Deus. Aquele que conhece a Deus quer estar mais perto dEle e sua trajetória natural é amar mais e mais e tornar-se mais puro e parecido com Ele a cada dia dessa convivência.

Não podemos nos esquecer, contudo, da manifestação desse amor ao nosso próximo, que é a prova material de que amamos a Deus. “Ninguém jamais viu a Deus; se nos amamos uns aos outros, Deus está em nós, e em nós é perfeito o seu amor.” (1 João 4:12)

Não há muito mais o que dizer sobre o amor. Amar é uma pré-condição, é o elo maravilhoso que nos aproxima de Deus. Afinal, Ele nos amor primeiro, e o amor de Deus derramado em nossos corações nos torna melhores pessoas a cada dia, pois nos aproxima do projeto original de Deus a nosso respeito. Com o amor de Deus manifesto em atos, somos mais simples uns com os outros. 

Mas, de todas as maravilhas que o amor nos proporciona, talvez a empatia que ele gera no momento do sentir o outro como parte de nós seja a inexplicável presença do Senhor em nós. É assim que nós amamos e nos sentimos amados.

Pensando nesses três fundamentos, não poderíamos deixar de citar a maior manifestação de perfeição nos três: Jesus. A Bíblia nos mostra que, enquanto esteve aqui na Terra, Ele foi obediente até o fim, orava e falava com o Pai constantemente. 

Ele tem em si mesmo o maior amor que se poderia imaginar. Ele se dispôs a morrer por mim e por você. Ele é o nosso modelo e garantia de acesso à Graça. Só por meio dEle conseguimos chegar ao Pai.

O que será que Deus espera de nós? O que poderíamos dar a Ele em troca de tão grande amor? Por incrível que pareça, um Deus tão grande e poderoso espera apenas que entreguemos a Ele o nosso coração sincero e quebrantado, disposto a servi-Lo com toda a nossa força. Ele quer que sejamos santos, para que um dia possamos reinar com Ele em glória.

 

 

SANTIDADE

 

 

Vejamos alguns pontos importantes para Deus, revelados em Sua Palavra, quando o tema é santidade.

 

 

1.  Precisamos ser santos como Jesus

 

 

Para que consigamos atingir esse nível, precisaremos antes ser sábios, sóbrios, obedientes e renovados nEle. 

 

Portanto, cingindo os lombos do vosso entendimento, sede sóbrios e esperai inteiramente na graça que se vos ofereceu na revelação de Jesus Cristo: como filhos obedientes, não vos conformando com as concupiscências que antes havia em vossa ignorância; mas como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver; porquanto está escrito: Sede santos, porque eu sou santo. (1 Pedro 1:14-16)

 

Se assim está escrito é porque é assim que deve ser. Todo o nosso proceder deve estar coerente com a nossa nova vida em Cristo. Caso contrário, não teremos a autoridade espiritual e moral que tanto almejamos

 

 

2. Pré-requisito para termos comunhão com Deus

 

 

Santidade é pré-requisito para que consigamos experimentar o gozo da comunhão com o nosso Deus. É nosso dever rejeitar o mundo em sua corrupção.

Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. (Romanos 12:1,2)

 

 

3. Não à carne, mas sim a Jesus

 

 

Um texto de Romanos simplifica bem essa ideia: “Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo, e não tenhais cuidado da carne em suas concupiscências.” (Romanos 13:14)

 

 

4.  Todo o nosso viver deve servir a Deus

 

 

Aquilo que somos está estampado nos nossos hábitos. Nenhuma comunhão pode haver entre luz e trevas.

 

Porque noutro tempo éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor; andai como filhos da luz, porque o fruto do Espírito está em toda a bondade, e justiça e verdade, provando sempre o que é agradável ao Senhor. E não comuniqueis com as obras infrutíferas das trevas, mas antes condenai-as. Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios. (Efésios 5:8-11,15)

 

Não se pode servir a dois senhores, diz a Palavra. Não podemos servir verdadeiramente a Deus enquanto não tomarmos uma posição radical quanto ao nosso caráter diante dEle. Enfim, não dá para ser “meio crente”.

No livro "As 21 qualidades indispensáveis de um líder", o autor John Maxwell registrou o seguinte: “Um líder não só permanece acima do limite entre o certo e o errado, mas também fica bem distante das ‘áreas cinzentas’.”  Esta deveria ser uma realidade na vida de todo cristão. Alguém já disse que ninguém tropeça em pedras grandes, mas nas pequenas. Precisamos estar atentos a isto.

Entendo que essas áreas cinzentas podem ser o que chamamos de “pecadinhos”, pois é muito fácil distinguir as pedras grandes. Nós sabemos que não podemos matar, roubar, adulterar... Estes são os “pecadões”.  Mas, e as “mentirinhas” cotidianas, a pouca fidelidade nos dízimos e ofertas, a reação iracunda no trânsito, a falta de solidariedade e amor aos necessitados e os mais sutis princípios éticos em nossa sociedade, como serão classificados diante de Deus?

Satanás certamente é o inventor de algumas frases bastante na moda e que têm sido premissas em muitas vidas, mas, o fim delas é a morte. Vejamos algumas:  “O que tem de errado nisso?”; “Todo mundo faz!...”; “É só desta vez, eu prometo!”;  “A carne é fraca!”  e vai por aí...

Realmente, soo fracos em nós mesmos, mas é Jesus quem nos fortalece. É nEle que devemos estar firmados com todo o nosso querer.

 

E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo. (2 Coríntios 12:9)

 

Cabe a nós fazermos a opção de sermos chamados filhos de Deus, ainda que haja um alto preço a pagar por isso: preço de críticas de escárnio, de incompreensão por parte dos homens, preço de prejuízos financeiros e pessoais. “Fostes comprados por bom preço; não vos façais servos dos homens.” (1 Coríntios 7:23)

Mas o nosso alvo não é este mundo e o preço que Jesus pagou por nós foi muito mais caro do que qualquer um que tenhamos que pagar por escolhermos estar com Ele. 

Reflitamos nisso: Se Jesus voltasse hoje, o que teríamos a apresentar para Ele? Nossas vestes estariam alvas e o nosso proceder irrepreensível?

 

Amados, peço-vos, como a peregrinos e forasteiros, que vos abstenhais das concupiscências carnais que combatem contra a alma; tendo o vosso viver honesto entre os gentios, para que, naquilo em que falam mal de vós, como de malfeitores, glorifiquem a Deus no dia da visitação, pelas boas obras que em vós observem. (1 Pedro 2:11,12)

 

 

AUTORA

Pra. Hérica Capanema

 

 

Hérica Capanema é pastora da Igreja Emanuel Missões, Capelã Internacional pela UNIPAS, Teóloga formada pela Friends International Christian University (Estados Unidos), jornalista, pregadora e líder de louvor. Atualmente é viúva e tem uma filha.

Sua carreira literária começou em 1985, quando ainda era uma adolescente, através do livro de poemas “Convite a Sonhar”, tendo editado mais três livros depois, destacando-se aquele que tem o título “Levanta-te e anda!”, onde conta seu testemunho de cura milagrosa de tetraplegia. Atualmente, atua como profissional nas áreas de comunicação e marketing.

 

 

 

Por: Hérica Capanema

Publicado em 30/08/2014

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