Adultério: Pecado que assusta Igrejas e destrói famílias

 

ADULTÉRIO: PECADO QUE ASSUSTA

 IGREJAS E DETRÓI FAMÍLIAS

 

 

O adultério, a infidelidade, não é um mal visto apenas no mundo. Entre o povo evangélico já é possível enumerar vários casais que viveram ou estão vivendo esse pecado. Pesquisa realizada em 10 países, por uma escritora norte-americana, mostra que 12% da população brasileira é infiel ao parceiro(a). 

A pesquisadora Carmita Abdo, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, traçou o perfil da sexualidade dos brasileiros e revelou que nada menos que 50% dos homens e 25% das mulheres já traíram pelo menos uma vez, apesar de participarem de um relacionamento estável, de confiança.

Essa realidade de traição, infidelidade e até promiscuidade, assusta e atormenta inclusive casais cristãos, que cada vez mais têm se deparado com essas situações em suas vidas.

 

FRAQUEZAS MASCULINAS E FEMININAS

 

Afinal, o que leva uma pessoa casada a envolver-se com outra que não seja o seu cônjuge?  Entre as causas mais citadas estão as diferenças de pensamento, a insatisfação sexual, a falta de tempo para a família, as influências do mundo e, sobretudo, problemas financeiros, um afastamento de Deus.  

A autora Shannon Ethridge, em seu livro “A batalha de toda mulher”, defende que homens possuem “fraquezas” diferentes das mulheres. Enquanto o homem basicamente se satisfaz fisicamente, a mulher é mais complexa, misturando seus desejos físicos naturais com outros emocionais. 

Qualquer pessoa observadora notará que os homens desejam intimidade física, dão amor para conseguir sexo, são estimulados pelo que veem, conseguindo desligar o corpo da mente, do coração e da alma. Os homens possuem ciclos recorrentes de necessidades físicas, tornando-se vulneráveis à infidelidade, quando acontece a ausência desse toque físico. 

Já as mulheres desejam uma intimidade emocional, fazendo sexo para obter amor, sendo estimuladas pelo que ouvem, mantendo o corpo, a mente, o coração e a alma interligados. Elas passam por ciclos recorrentes de necessidades emocionais e vulneráveis à infidelidade, quando ocorre a ausência de ligação emocional.

A pastora Norma Lúcia Santos Raymundo, especializada em Sexologia Clínica, recomenda que os cônjuges sempre devem se preocupar em saber como o outro está se sentindo, se está feliz.

A pastora concorda com a opinião de Shannon Ethridge, quanto às diferenças entre homens e mulheres. Para Norma, enquanto que para a mulher a relação sexual é consequência de toda uma vivência envolvendo afetividade, o homem aprecia o envolvimento físico sexual, aparecendo a afetividade apenas como consequência. Quando os cônjuges não suprem essas necessidades específicas, ficam vulneráveis a buscar tal suprimento em outras pessoas, ou até mesmo em outros projetos de vida. Por isso os casais precisam conversar sobre suas necessidades físicas e emocionais, investindo na tentativa de estarem mais juntos, criando afinidade e cumplicidade, afastando qualquer brecha para a quebra da aliança, como, por exemplo, a infidelidade.

 

UMA CADEIA DE SOFRIMENTOS

 

Quando os limites são ultrapassados e uma traição acontece, os primeiros que sofrem são os membros da família. A relação entre marido e esposa piora, mesmo que o pecado ainda não tenha sido revelado, e o trato com os filhos também passa a sofrer alteração. Enquanto a mentira vai ficando latente e mais frequente, os sentimentos de culpa e de desconfiança também passam a ser mais notados.  

Segundo o pastor e terapeuta familiar Josué Gonçalves, “quando um casamento acaba por causa de um adultério, os filhos saem marcados, o cônjuge traído também. Se for cristão, o Evangelho é envergonhado e as perdas são irreparáveis. Nenhuma outra dor é maior. A traição é uma flecha que atravessa a alma”.


AS MÍDIAS FAVORECEM A TRAIÇÃO


Nas revistas, nos jornais, nos programas de TV e nas novelas a gama de material sensual, de conteúdo promíscuo, de culto ao corpo, de supervalorização do sexo, abrem brechas enormes para os primeiros passos em direção ao pecado da infidelidade. Um vilão mais recente é a internet, que divulga imagens de sexo e proporciona conversas desinibidas em salas de bate-papo, propiciando que aquelas frustrações com o cônjuge sejam deixadas de lado por uma ilusão de que tudo pode ser diferente com o amigo ou amiga virtual.

O reverendo Nivaldo Schneider, em Vila Velha, numa de suas palestras proferidas na Congregação Evangélica Luterana Paz, fala justamente sobre a “E-infidelidade” (infidelidade eletrônica), destacando uma frase que hoje já é muito ouvida: “Trair e teclar é só começar”. O pastor é contundente ao afirmar que a internet criou uma nova forma de infidelidade. “Começa com a troca de mensagens eletrônicas, o envolvimento vai crescendo e estabelece-se um vínculo íntimo. Tem todos os ingredientes de um caso extraconjugal. Em 60% dos casos a infidelidade sexual virtual termina em sexo real”, alerta.

Segundo o pastor Ashbell Siumonton, 

 

Quem busca erotismo na internet maltrata o casamento, pois compara injustamente o cônjuge com aquele apresentado no material pornográfico, produzindo o desinteresse sexual dentro do casamento, levando conseqüentemente à traição.

 

Tenho ouvido muitas histórias reais de pessoas fiéis que destruíram o casamento por causa de uma sala de bate-papo, orkut e sites de relacionamentos.

Já o pastor Sandro Santoro, da Primeira Igreja Batista de Vila Batista, em Vila Velha, que é mestrando em Terapia de Família, afirma que muitas vezes a simples pergunta “Como foi o seu dia?” pode fazer surgir um interesse na pessoa que inicia uma conversa em um chat, quando em casa esse cônjuge não recebe a atenção que queria. “O conteúdo online traz à realidade sonhos virtuais e mentiras, e isso pode virar uma compulsão.”

 

COMO A IGREJA TEM ABORDADO O ASSUNTO?

 

Falar sobre traição nas igrejas é ainda um tabu e, enquanto casais destroem seus casamentos, líderes muitas vezes preferem fingir que nada está acontecendo. Muitas das vezes, por total falta de instrução. Faltam pastores e líderes de casais com maturidade espiritual e até conjugal para falar sobre o assunto.

O pastor Jaime Kemp, diretor da Sociedade Religiosa Lar Cristão, e um dos pioneiros no trabalho com casais e famílias no Brasil, assim analisa esse desastre do adultério:

 

O pastor tem que ser um detetive nesses problemas de casais. Ele precisa identificar a dificuldade, mas o grande mal é que não sabe fazer isso, porque no seminário aprendeu apenas a realizar casamento, mensagem, funeral. Quando se fala sobre traição, o pastor passa creme em cima do câncer, quando é preciso cirurgia para extirpar a doença. A falta de instrução impede a solução dos problemas, aliada ao fato de 50% dos pastores terem sérios problemas conjugais ou com os filhos. Infelizmente, essa é uma realidade, e estamos vivendo uma epidemia de divórcios nos púlpitos. Se os pastores estão com problemas graves, não servem de exemplo. E como a igreja vai caminhar?

 

O Pr. Jaime Kemp conta que recebe dezenas de casais por semana em seu gabinete, em São Paulo, e nas crises conjugais a infidelidade é sempre um dos maiores problemas. Porém, se os casais buscam ajuda num pastor, num conselheiro familiar ou em algum casal com casamento firme, é possível que se consiga uma reconciliação.  E ele continua contando suas experiências: 

 

Já recebi a esposa de um pastor que chegou desesperada contando que durante uma madrugada acordou e não viu o marido na cama. Ao procurá-lo pela casa, viu que ele estava na internet assistindo a vídeos pornográficos. Isso é realidade e, mesmo que não tenha ocorrido contato físico, já é uma traição. A Bíblia diz ‘que qualquer que olhar com mente impura para uma mulher, já em seu coração cometeu adultério com ela’ (Mateus 5:28). A infidelidade é um problema terrível.

 

Para Kemp, a Igreja, em casos de traição, precisa ser um ponto de apoio, e não de inquisição. Assim como entre os cônjuges, a Igreja deve tratar o assunto com carinho, diálogo, conciliação e perdão. A mulher e o homem precisam ser ajudados, e não rotulados; incluídos e não excluídos; amados e não discriminados. 

Segundo o reverendo Simonton, atualmente em apenas 27% das igrejas evangélicas há ministério específico para divorciados, solteiros e viúvos. “São necessárias ações mais profundas, que restaurem a dignidade humana e a capacidade de servir ao Senhor”, destacou.

 

CONSEQUÊNCIAS DA INFIDELIDADE

 

Muitas são as consequências resultantes da infidelidade numa família. Entre as mais citadas, podemos relacionar os sentimentos de vingança, baixa autoestima, culpa, esfriamento sexual, depressão, dificuldade em criar os filhos, vergonha, mentiras, cobrança da Igreja e da sociedade, desespero, inércia diante da situação, perda de confiança pelas pessoas do relacionamento, problemas financeiros, doenças sexualmente transmissíveis, etc.

 

EXISTE SAÍDA?

 

Existem. Como um exemplo, podemos citar a existência de um ministério interdenominacional chamado “Casados para sempre”, que ministram cursos específicos mostrando a realidade vivida nos casamentos, sugerindo possibilidades de enfrentamento. 

Ubiracy da Fonseca e sua esposa Luzia (Vila Velha, ES), que participam desse ministério, deixam a seguinte declaração para nossa reflexão:

 

Hoje a liberalidade da pornografia lida, vista e falada; a promiscuidade nos relacionamentos; e a televisão, a internet, as revistas, oferecendo condições, circunstâncias e oportunidades para a libertinagem, contribuem para a degradação do bem mais precioso para Deus, que é a família. Tem-se visto muitos casais, mesmo estando no meio cristão, praticando a traição. Dessa forma, o inimigo de Deus tem atacado muito ferozmente os casamentos e, por conseqüência, há muitas separações. Entretanto, nosso Senhor não desiste do homem, e tem dado ferramentas para utilização das igrejas. Satanás sabe que famílias fortes significam igrejas fortes e por isso tenta destruí-las.

O maior problema dos casamentos que terminam em divórcio é que não levaram em conta o que Deus fala sobre o assunto. O plano original de Deus para o casamento não incluía separação ou divórcio. Deus quer as famílias estruturadas.

 

A pastora Norma, que é da Igreja Apostólica Brasileira, em Vitória, aponta alguns passos para a restauração dos laços conjugais após um caso de infidelidade. É preciso primeiro perdoar, e o cônjuge que caiu em pecado deve pedir perdão a Deus, perdão ao companheiro(a) e a si mesmo. Em seguida, precisam decidir se há disposição para permanecerem juntos e quais os investimentos necessários para a restauração deste casamento.

Além dessas análises e decisões, é preciso mudança de comportamento. O pecado confessado é perdoado, mas haverá as conseqüências deste erro, e o casal vai necessitar de acompanhamento, que pode ser realizado por seus líderes, ou por profissionais idôneos.

 

O diálogo é imprescindível, por isso o casal não pode excluir Jesus do centro deste relacionamento. A rotina também não pode tomar conta. Casal precisa sair sozinho para passear, conversar. É claro que, mesmo havendo uma reconciliação, houve pecado, e Deus diz que há consequências. Cada caso deve ser analisado separadamente, mas a pessoa que traiu vai ser movida pelo Espírito Santo para expor a situação. Se não fizer, vai viver sob tensão, sob a sombra de um fantasma, sem paz.

Ninguém deve se iludir achando que Deus vai deixar de lado esse pecado. Todo pecado tem consequência, assim como está escrito em Gálatas 5:19-21: ‘Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: adultério, prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus.’

 

O pastor Jaime Kemp destaca a importância do acompanhamento de líderes de casais no momento da reconciliação, e diz que reconquistar a confiança da pessoa traída é o grande trabalho a ser feito. “Isso pode demorar de um a dois anos, por isso deve haver na igreja um ministério bem estruturado para casais, que se baseie profundamente no perdão e no relacionamento com Deus”, disse.

Mas o que acontece quando uma pessoa não consegue perdoar o cônjuge que a traiu? O perdão não é obrigatório, e muitos maridos e esposas não vão conseguir conviver com o outro sabendo de uma traição acontecida anteriormente. Nesses casos, é preciso avaliar a questão da separação, do divórcio. 

De acordo com a opinião do Pr. Sandro Santoro, a pessoa traída, se não exercer o perdão, pode sofrer consequências emocionais, além de espirituais.

 

Ela vai ter complexo de inferioridade, porque, muitas vezes, acaba colocando a culpa em si própria, e será atacada por uma confusão de sentimentos, não mais conseguindo discernir o que é amor, carinho. Vai achar que todo mundo agora vai traí-la e por isso vai ter dificuldades em confiar novamente em alguém. O perdão é voluntário e a Bíblia diz que aquilo que você perdoar será perdoado.

 

Como é maravilhoso ver problemas que até então pareciam sem solução serem transformados e resolvidos, mas isso só é possível com a graça do Pai. Deus exige fidelidade no casamento e a colocou na lista dos frutos do Espírito, no meio do amor, da alegria, da paz, paciência, benignidade, bondade, mansidão e domínio próprio. 

Há deveres conjugais a serem cumpridos, conforme o apóstolo Paulo descreve em Efésios capítulo 5, mas há também a promessa de que “o amor cobrirá a multidão de pecados” (I Pedro 4:8). Deus quer famílias firmes, casais que amem e saibam perdoar.

Para que o pecado da infidelidade seja evitado, existe lima série de ações preventivas a serem observadas pelo casal, como o diálogo, a constante doação, o respeito, o investimento no relacionamento, a confiança em Deus e a busca de forças para vencer as tentações, orando e estudando a Sua Palavra.

É preciso lutar pelo casamento. Terapeutas de casais já afirmam que “casamento não é coisa para preguiçosos”. É um doar-se diário, buscando sempre a sua alegria na alegria do outro e exercendo o amor a todo tempo, como orienta a Bíblia.

 

ESTATÍSTICAS DA INFIDELIDADE NO BRASIL

 

Uma pesquisa do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo mostra que um dos menores índices de infidelidade é o do Paraná, mas é onde 43% dos homens já traíram. São Paulo apresenta um índice de 44%, Minas Gerais 52%, Rio Grande do Sul 60% e no Ceará 61%. Os baianos são os campeões desses números: 64% dos homens se dizem infiéis.

Vejamos, agora, os resultados de uma pesquisa nacional feita com 3.106 de diferentes partes dos estados brasileiros, que já tiveram um “caso” ou “aventura” durante o seu período de casamento.

Paraná: 19,3%                                Ceará: 26,7%

Pará: 20,3%                                   Goiás: 27,7%

Santa Catarina: 23,3%                    Minas Gerais: 29,5%  

São Paulo: 24,1%                          Rio Grande do Nporte: 30,2%

Bahia: 25,2%                                 Rio Grande do Sul: 31,7%

Pernambuco: 26,5%                       Rio de Janeiro: 34,8%

 

A pesquisa promoveu uma comparação entre a infidelidade masculina e feminina, para descobrir qual o índice de cada um entre todos as pessoas pesquisadas. Como resultado, chegaram à conclusão de que 50,6% dos homens já praticaram algum tipo de adultério durante seu casamento, enquanto que o índice das mulheres é de 25,7% do total.

Essa pesquisa tem o nome de “Descobrimento Sexual do Brasil — para curiosos e estudiosos”, e foi realizada pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, sob a coordenação da doutora Carmita Abdo. 

 

 

AUTOR DESCONHECIDO

Divulgado no Portal Padom (2010)

Por: elevados.com.br

Publicado em 23/12/2014

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