Espiritismo - Prato variado para todos os gostos

 

ESPIRITISMO:

PRATO VARIADO PARA TODOS OS GOSTOS

 

 

 

INTRODUÇÃO

 

A indisfarçável tendência do ser humano em entender o “mundo dos mortos” levou as civilizações a procurar contato com pessoas mortas, principalmente entes queridos falecidos. As reuniões espíritas faziam parte da cultura de vários povos da antiguidade, como os egípcios, os caldeus, assírios, hindus, chineses, gregos, romanos e até dos primeiros habitantes da palestina.

Apesar das várias ramificações existentes, a essência desses grupos é semelhante, acreditando na comunicação com os mortos, salvação pessoal por méritos próprios e no dom da adivinhação do futuro. São vários ramos, mas a árvore é praticamente a mesma.

Muitas pessoas costumam confundir os termos ESPÍRITA com ESPIRITUALISTA, sendo que o próprio Allan Kardec afirmou que, basicamente, espiritualista é toda pessoa cuja doutrina é oposta ao materialismo. As duas, no fundo, representam a mesma ideia.

 

1. CRENÇAS ESPÍRITAS

 

Apesar de práticas diferentes, os diversos grupos espíritas brasileiros se confundem, costumando acreditar nas mesmas doutrinas, como veremos a seguir:

a) As sucessivas reencarnações produzem uma espécie de purificação nos seres humanos. A soma dos sofrimentos que precisam enfrentar e a prática de boas obras fazem com que o indivíduo atinja a sua salvação. Dessa forma, deduz-se que o progresso pessoal só depende do próprio indivíduo, através do caminho percorrido nas reencarnações acumuladas.

b) Creem na possibilidade de se comunicarem com entidades espirituais desencarnadas.

c) Acreditam que existem outros mundos habitados, e que o planeta Terra não passa de um local para onde todos os “viventes” se encaminham para expiarem seus pecados. 

d) Os seres humanos não conseguem escapar das consequências advindas dos próprios atos, pois Deus, apesar de existir, não é acessível. O contato com Ele só poderá ocorrer através da intercessão dos “Guias”, espíritos que se manifestas através dos “médiuns”.

e) Quanto a Jesus, Ele não é Deus; apenas uma entidade muito evoluída.

 

2.  AS IRMÃS FOX E ALLAN KARDEC

 

Eles podem ser apontados como os personagens que impulsionaram o espiritismo moderno, na segunda parte do século XIX.

As irmãs Margareth e Katie Fox, na cidade norte-americana de Hydesville (1848), afirmaram experimentar contatos com mortos, ruídos, móveis se movimentando, etc. Diante da divulgação pela mídia da época, elas se apressaram em desmentir tais fatos. Numa entrevista a um jornal de Nova York (10/10/1888), Katie chegou a afirmar que “tudo, sem exceção, foi fraude”. 

Quanto a Allan Kardec, esse foi o pseudônimo adotado pelo francês Léon Hippolyte Dénizart Rivail (1856), quando passou a considerar-se a reencarnação de um poeta celta que tinha tal nome. Através das publicações “Livro dos Espíritos” e “Evangelho segundo o Espiritismo”, ele introduziu ideias ligadas à reencarnação, além das já existentes invocações aos mortos.  

 

 

3.  DIVISÕES DO ESPIRITISMO

 

Segundo a maioria dos estudiosos do assunto, no Brasil, o espiritismo moderno pode ser dividido em Espiritismo Comum, Baixo Espiritismo, Espiritismo Científico e Espiritismo Kardecista.

 

3.1  Espiritismo Comum  

 

Esse grupo agasalha os seguidores das práticas dedicadas à adivinhação, como a Quiromancia (leitura das mãos), Cartomancia (adivinhação pelas cartas), Grafologia (adivinhação pela escrita), Hidromancia (adivinhação pela água) e Astrologia (adivinhação através dos astros). 

Muitos estudiosos costumam inserir as superstições como parte dessa categoria, apesar de não pretenderem desenvolver o dom de adivinhação. Apenas inserem uma boa dose de ocultismo aos fatos normais do dia a dia.

 

3.2 Baixo Espiritismo

 

Esse grupo sincrético é composto pelas crenças oriundas das religiosas africana, indígena, kardecista e católica, todas mescladas pelas teias do ocultismo. Nesse meio encontraremos o Vodu, Candomblé, Umbanda, Quimbanda, Macumba, etc. 

a) Umbanda: Apesar de se considerar uma religião, a Umbanda é conhecida como uma seita afro-brasileira com forte significado folclórico. Sua atividade em solo brasileiro agasalha o sincretismo de cultos africanos, ameríndios e das crenças católicas trazidas pelos portugueses. Esse segmento pretende uma associação zero com relação às práticas de males invocados pela Quimbanda, através dos Exus. Porém, distanciando-se dos Kardecistas, invocam os Orixás, elementos da natureza, os espíritos de pretos velhos e caboclos, que seriam os espíritos dos índios mortos. 

b) Vodu: Tradição religiosa africana que cultua os ancestrais, chegando às américas através do tráfico de escravos entre os séculos 16 e 19. Seus rituais de magia negra envolvem sacrifícios de galinhas e cabras, danças regidas por um ritmo forte e bem cadenciado, sendo que os participantes entram em transe e incorporam espíritos bons e maus. Dependendo da região, o vodu no Brasil misturou-se com o catolicismo, adotando nomes como Jeje, Xangô, Tambor de Minas, etc.  A iniciação pode constar de meses de isolamento em terreiros e os feiticeiros (hogans) são verdadeiros chefes espirituais. 

c)  Candomblé: Religião animista da região onde hoje estão os territórios da Nigéria e do Benin, trazida para o Brasil pelo tráfico escravagista. Suas reuniões públicas e privadas encenam uma convivência com forças da natureza e cultuam os ancestrais. Muitas derivações desta religião sofreram a inclusão do baixo espiritismo e de mitos ameríndios. 

d) Umbanda: Religião brasileira formada por elementos de outras religiões como o catolicismo, espiritismo e elementos da cultura africana e indígena. Seu nome deriva do termo “curandeiro”, na língua falada em Angola, o quimbundo. 

e) Quimbanda: Trata-se de uma segmentação da Umbanda, mas que se utiliza de espíritos exus em suas práticas, incluindo supostos malefícios endereçados a pessoas, animais, etc. Numa linguagem leiga, seus terreiros são chamados de “terreiro de macumba”.

f)  Macumba:  Designação genérica dos cultos afro-brasileiros originários de nagô e que receberam influências de outras religiões africanas, ameríndias, católicas, espíritas e ocultistas.

 

3.3 Espiritismo Científico

 

Essa classificação também costuma receber o nome de Alto Espiritismo e de Espiritismo Ortodoxo, pois seus seguidores consideram-se espíritas elitizados e racionalistas. Preferem dizer que formam uma “sociedade” e não uma religião. 

Vejamos alguns exemplos de grupos ligados ao lado científico do Espiritismo:

a) LBV: Legião da Boa Vontade: Seu fundador foi Alziro Elias Davi Abraão Zarur (1914) de origem síria, mas cujos pais eram católicos ortodoxos.  Zarur considerava-se a reencarnação de Allan Kardec, de acordo com o livro “Jesus - A Saga de Alziro Zarur”.

b) Racionalismo Cristão: Grupo fundado no Brasil pelo português Luiz de Mattos (1910), pratica o panteísmo, ou seja, crença de que tudo e todos compõem um Deus abrangente e imanente. Também acreditam que Deus e a Natureza são a mesma coisa. Assim sendo, não acreditam que Deus tenha criado o mundo.

c) Teosofismo: Oriundo da Índia, esse grupo foi adotado em Nova York pela médium espírita russa Helena Petrovna Blavatsky, também considerada uma das mães do Movimento Nova Era dos anos 1970. Defendem o ocultismo esotérico, que conseguem chegar ao céu sem Jesus. Copiando o Racionalismo Cristão, os teosofistas são panteístas e consideram Deus como uma iluminação e não como um criador pessoal.

d) Ecletismo: Também chamado de Ecleticismo, é um método científico-filosófico que busca a conciliação de teorias variadas. Na política e nas artes é considerado como a liberdade de escolha sobre aquilo que se considere como o melhor, sem marca, estilo ou preconceito.

e) Círculo Esotérico da Comunhão do Pensamento: Fundado em 1909 por Antônio Olívio Rodrigues, pratica a doutrina reencarnacionista, possuindo milhares de centros espalhados pelo Brasil. 

f)  Ordem Rosacruz:  Essa fraternidade segue uma tradição mística do Egito do século 12 a.C., conhecida como como Akhenaton. A Fraternidade Rosacruz de Max Heindel, a FRC (Fraternidade Rosae Crucis) de Clymer. A FRA (Fraternitas Rosacruciana Antíqua) de Krummheller ou a Igreja Gnóstica e a Ordem Cabalística da Rosacruz (Igreja Expectante do Sr. Léo Alvarez Costet de Mascheville).

g) Seicho-No-Iê:  Espécie de filosofia ou religião sincretista, de origem japonesa. Defende o não sectarismo religioso, as práticas de gratidão à família e a Deus, e o poder da palavra positiva que influencia na formação de um destino feliz, e também o universalismo. Trata-se de uma instituição monoteísta. 

h) Movimento Hare Krishna: Trata-se de uma associação religiosa, filosófica e cultural derivada do Hinduísmo vaishnava, fundada em 1966 em Nova York  pelo pensador indiano Abhay Charanaravinda Bhaktivedanta Swami Prabhupada. Esse líder apareceu nos Estados Unidos como uma figura importante da contracultura ocidental, apresentando a cultura védica a milhões de pessoas em todo o mundo.

 

3.4 Espiritismo Kardecista

 

São os seguidores das ideias do pedagogo francês Allan Kardec, considerado o Mestre Divino. É uma das maiores comunidades espíritas no Brasil, também chamada de “Espiritismo de Linha Branca”. Suas reuniões são realizadas em templos, constando de doutrinação e sessões de “passes” (imposição de mãos). 

Trata-se de uma doutrina religiosa-filosófica mediúnica ou moderno-espiritualista. Após a observação das mesas girantes, a incorporação e outros fenômenos mediúnicos, Kardec definiu o espiritismo como "a doutrina fundada sobre a existência, as manifestações e o ensino dos espíritos".

 

4. REENCARNAÇÃO

 

Como já mostramos anteriormente, o objetivo da reencarnação seria o “aperfeiçoamento” do indivíduo através de sucessivas vidas permeadas de sofrimento, através do que estaria pagando pelos pecados cometidos nessa e em outras vidas passadas. Ressalte-se, ainda, a prática da caridade que estaria elevando o indivíduo, finalmente, a um “plano superior”.

Essa pretensão é desmentida categoricamente pelas doutrinas bíblicas, que mostra como único caminho de salvação seguir a Jesus Cristo, não importando qualquer ação pessoal complementar. Se isso fosse verdade, a obra salvífica de Cristo teria sido em vão. (João 1:12) (João 3:16-18) (João 5:24)

Além disso, o apóstolo Paulo ensina aos romanos que todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus, mas que podem ser justificados gratuitamente pela Sua Graça, mediante a redenção que há em Jesus. (Efésios 2:8,9)

Essa tese de reencarnação tenta anular o valor do sacrifício de Jesus. Se o homem pode reencarnar porque Jesus morreria por nossos pecados? A reencarnação é mentira do Diabo. Jesus é o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. (João 3:29, Mateus 20:28, I Pedro 2:21-25, II Pedro 2.1 e Colossences 2:14).

Para derrubarmos definitivamente essa crença espírita da reencarnação, basta que se leia o que diz o autor do livro de Hebreus:  “E, como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois o juízo, assim também Cristo, oferecendo-se uma só vez para levar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação.” (Hebreus 9:27,28)  Como um homem pode reencarnar diversas vezes, se morre apenas uma vez?

Assim, vemos que o Espiritismo adultera a doutrina bíblica, ao invés de a estar completando, como ensina seu “mestre”  Allan Kardec. 

 

5.  INVOCAÇÃO DE MORTOS

 

De acordo com os irmãos Palheta, que pesquisamos neste estudo, a invocação de mortos é uma das principais estacas de sustentação de toda a fraude espiritista, e uma prática muito difundida no Brasil é a mediunidade, ou seja, a suposta comunicação entre mortos e vivos por meio de um médium. Os que não admitem essa doutrina declaram que, na verdade, não se trata de espíritos de mortos que se comunicam com os médiuns, mas espíritos demoníacos que se manifestam nas sessões em que se evocam os espíritos.

Mesmo que quiséssemos, não poderíamos deixar de citar aqui a ordenança de Deus a Moisés, antes de colocar o povo para viajar pelo deserto, em direção à terra prometida.  Ali, o Senhor mostrava Suas preocupações quanto às práticas dos povos pagãos que seriam encontrados naquelas terras. Vejamos o texto:

 

“Quando entrares na terra que o Senhor teu Deus te der. Não aprenderás a fazer conforme as abominações daquelas nações, entre ti se não achará quem faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro, nem encantador de encantamentos, nem quem consulte um espírito adivinhante, nem mágico, nem quem consulte os mortos; pois todo aquele que faz tal coisa é abominação ao Senhor, e por estas abominações o Senhor teu Deus a lança fora diante 

dele. Perfeito serás, como o Senhor, teu Deus. Porque estas nações, que hás de possuir, ouvem os prognosticadores e os adivinhadores; porém a ti o Senhor, teu Deus, não permitiu tal cousa” (Deuteronômio l8:9-14).

 

5.1  Evolução espiritual através de vidas sucessivas?

 

Enquanto o Espiritismo defende que os indivíduos vivem em diversos planetas e que só virão para o planeta Terra em outra vida com o objetivo de expiação, a Bíblia nos ensina claramente que há apenas dois destinos para o ser humano que morre: céu e inferno. Não existem estágios intermediários. Ou o ser humano se salva crendo em Jesus ou é condenado por rejeitá-Lo. Simples assim! (João 3:18)

A única forma que o ser humano possui de evoluir é dentro do seu tempo único de vida, é através da sua própria decisão de crer em Jesus como seu Salvador e Senhor.  O único caminho para chegar-se a Deus é crendo em Jesus. Não há como encontrar a Deus através de quaisquer espíritos "guias". Isto fica bem claro nas palavras de Jesus:  “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.”  (João 14:6)

 

CONCLUSÃO

 

Caso os leitores sintam curiosidade em conhecer melhor os diversos segmentos do espiritismo, poderão pesquisar neste nosso site (www.elevados.com.br), pois estaremos postando estudos exclusivos para vários segmentos.

 

AUTOR

 Walmir Damiani Corrêa

 

 

 

FONTES PESQUISADAS

 

PALHETA, Priscila e Maxwell.  Espiritismo à luz da Bíblia.  http://www.priscilaemaxwellpalheta.com/2012/03/espiritismo-luz-da-biblia.html. Acesso em 27/04/2016.

 

Por: Walmir Damiani Corrêa

Publicado em 28/04/2016

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