Morrer por Cristo: Os mártires da Igreja Primitiva

 

MORRER POR CRISTO

OS MÁRTIRES DA IGREJA PRIMITIVA

 

 

INTRODUÇÃO

 

Quando nos dispomos a falar sobre pessoas que desistiram de suas vidas por amor a Cristo, estamos falando de homens e mulheres que viveram em épocas diferentes, em lugares diferentes, mas que possuíam um alvo semelhante.

Porém, procuraremos nos ater aos homens que deram suas vidas pelos primeiros passos da Igreja Primitiva, incluindo aí o profeta e evangelista João Batista, o homem que anunciou a chegada do Messias a este mundo, preparando o povo em sua volta para tão importante acontecimento.

A ilustração que abre este trabalho de pesquisa mostra como os cristãos eram martirizados naquela época, colocados na arena do Coliseu de Roma para serem devorados pelas feras. O mais triste disso é que esses acontecimentos era programados para servirem de “diversão” para o povo romano, que lotava as arquibancadas daquele estádio para poderem assistir e se divertir com aquelas atrocidades.

É claro que esses fatos históricos da Igreja Primitiva foram se repetindo pelos séculos adiante, desembocando na Idade Média, Reforma Protestante e chegando aos nossos dias, como mostra a televisão, hoje, quando os militantes do Estado Islâmico degolam ou queimam os “infiéis”, nomes que eles dão a quem não pensa como eles.

Cristão sendo queimado vivo

 

Voltando ao nosso foco de pesquisa, que é Jesus e seus seguidores na Igreja Primitiva, é normal as pessoas perguntarem se aqueles mártires sabiam onde estavam “se metendo” quando provocaram suas próprias mortes, de forma tão violenta. Garantimos que sabiam, sim, pois Jesus nunca escondeu de ninguém o que poderia acontecer àqueles que O seguissem. Veja apenas algumas palavras de alerta proferidas pelo Mestre:

Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me. (Mateus 16:24) 

Sereis atribulados, e vos matarão. Sereis odiados por todas as nações, por causa do meu nome. (Mateus 24:9) 

Profetas e apóstolos lhes mandarei; e eles matarão uns e perseguirão outros. (Lucas 11.49) 

Até pelos pais, irmãos, parentes e amigos sereis entregues; e matarão alguns de vós. E de todos sereis odiados por causa do meu nome. (Lucas 21.16-17)

Se a mim me perseguiram, também vos perseguirão a vós (...) mas tudo isso por causa do meu nome. (João 15.19-20)

Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos (...) eles vos entregarão aos sinédrios e vos açoitarão nas suas sinagogas, e sereis conduzidos à presença dos governadores e dos reis, por causa de mim.  (Mateus 10.16-18)

 

Por outro lado, seria bom refletirmos que não é nada lógico que alguém decida por seguir um caminho perigoso como esse, sem acreditar numa luz brilhando no fim do túnel. Em outras palavras, ninguém se habilita a uma missão como essa para defender uma mentira. Na verdade, a sua fé em Cristo é uma tremenda evidência de que eles testemunharam a ressurreição do seu Mestre.

Ainda introduzindo este trabalho, precisamos mostrar algo escrito daquela época, que mostre o motivo de tanto ódio pelos cristãos, afinal eram pessoas ordeiras, religiosas, homens e mulheres sem pretensões políticas que ameaçassem o governo romano.

O que transcrevemos a seguir é parte uma carta mandada por Caio Plínio, governador da Bitínia por volta de 111 d.C., ao então Imperador Trajano, de Roma, onde mostra sua estranheza pelas preocupações romanas com os cristãos da época. O governador diz como vinha tratando os “bandidos cristãos”, mas mostrando que não estava entendendo porque tinha que agir daquela maneira com pessoas aparentemente inocentes.

 

“É regra para mim submeter-te todos os assuntos sobre os quais tenho dúvidas, pois quem mais poderia orientar-me melhor em minhas hesitações ou me instruir na minha ignorância?”  

(...)

Como nunca participei de inquéritos contra os cristãos, não sei a quais fatos e em que medidas devem ser aplicadas penas ou investigações judiciárias. Também me pergunto, não sem perplexidade: deve-se considerar algo com relação à idade, ou crianças devem ser tratadas da mesma forma que o adulto? Deve-se perdoar o arrependido ou o cristão não lucra nada tendo voltado atrás? É punido o nome de ‘cristãos’, mesmo sem crimes, ou são punidos os crimes que o nome deles implica? 

 (...)

Esta foi a regra que eu segui diante dos que me foram deferidos como cristãos: perguntei a eles mesmos se eram cristãos; aos que respondiam afirmativamente, repeti uma segunda e uma terceira vez a pergunta, ameaçando-os com o suplício. Os que persistiram mandei executá-los, pois eu não duvidava que, seja qual for a culpa, a teimosia e a obstinação inflexível, eles deveriam ser punidos. Outros, cidadãos romanos portadores da mesma loucura, pus no rol dos que devem ser enviados a Roma.

 (...)

Todo o crime ou erro dos cristãos se resume nisto: têm por costume reunirem-se num certo dia, antes do romper da aurora, e cantarem juntos um hino a Cristo, como se fosse um Deus, e se ligarem por um juramento de não cometerem qualquer iniquidade, de não serem culpados de roubos ou adultério, de nunca desmentirem a sua palavra, nem negarem qualquer penhor que lhes fosse confiado, quando fossem chamados a restituí-los. Depois disso feito, costumavam-se separar-se e em seguida reunirem-se de novo, sem a menor desordem. Depois dessas informações julguei muito necessário examinar, mesmo por meio de torturas, duas diaconisas, mas nada descobri a não ser uma superstição má e excessiva.” 

Logicamente, essas histórias a serem aqui transcritas carregam uma grande possibilidade de estarem mudando o rumo os fatos realmente acontecidos. A Bíblia Sagrada é o instrumento que deveria registrar a maior quantidade dos fatos ocorridos de martírios, mas não é assim. 

Para que possamos produzir este trabalho, precisamos nos utilizar de histórias contadas pelos pouquíssimos autores dessas épocas distantes, de fatos contados de pai para filho, e assim por diante, aumentando a tal possibilidade de que muitos desses fatos não terem acontecido da maneira como se conhece hoje.

De qualquer maneira, é bom registrarmos que o nosso maior interesse aqui é mostrar os exemplos da grandeza da fé cristã daquele tempo, deixando-nos um legado hoje pouco respeitado e até certo ponto ignorado. 

Segundo Tertuliano, um dos Pais das Igreja, “o sangue dos mártires servia de adubo para o crescimento da Igreja, pois quanto mais os crentes eram massacrados, mais eles cresciam em número. Quanto mais se proibia o Cristianismo, mais as pessoas reconheciam a Cristo como seu Senhor e Salvador.”

Vamos, então, registrar o que conseguimos pesquisar sobre os homens e mulheres que morreram por amor de Cristo e de sua doutrina.

 

João Batista

 

Imagina-se que os primeiros homens a passar por essas provações são aqueles que seguiram a Jesus, os que vieram depois dele, entusiasmados pelas Suas doutrinas, mas na nossa opinião, tudo começou por um homem que vivia no deserto, parecendo meio maluco, dizendo coisas que não pareciam ter lógica. 

O profeta e evangelista João Batista era esse homem, filho do sacerdote Zacarias e Isabel, vindo a ser primo-irmão de Jesus, que era filho de Maria, prima de Isabel. A diferença de nascimento entre os dois foi de meses. Por volta de 700 anos antes disso, o profeta Isaías anunciava a vinda de um homem que pregaria no deserto, que se vestiria de peles de animais e que se alimentaria de gafanhotos. Ele não poderia beber vinho ou qualquer bebida forte, pois seria cheio do Espírito Santo desde o ventre de sua mãe.

João apareceu no deserto protagonizando esse homem, a exemplo do profeta Elias, para converter os corações, convencer os rebeldes à prudência, preparar o povo para a vinda do Senhor, aquele que ele mesmo se julgava indigno de calçar Suas sandálias. João Batista chamava o povo ao arrependimento, batizava as pessoas no rio Jordão, daí ser conhecido como “batista”. Costumava chamar os religiosos de “raça de víboras”. 

Esse homem não media as palavras que saíam de sua boca, atacando os líderes e governantes romanos que tanto entristeciam o povo judeu. O rei Herodes, o tetrarca, atendendo aos pedidos de sua enteada, que não gostava de João Batista, mandou degolá-lo, entregando a cabeça de João sobre uma bandeja para essa moça.

Todas essas desventuras de João Batista estão fartamente contadas nos evangelhos do Novo Testamento, para conhecimento da Igreja até os dias de hoje.

 

Apóstolos e Discípulos de Jesus

 

O grupo dos apóstolos e discípulos é bastante seleto, pois foi formado, a princípio, pelo próprio Jesus, e depois eles mesmos se encarregavam de convidar outras pessoas para ajuda-los na obra. Lembramos que o grupo dos apóstolos era formado por 12 homens, enquanto que o grupo original dos discípulos era composto por 70 pessoas.

O grupo dos apóstolos foi escolhido por Jesus, conforme vemos nos quatro evangelhos, dessa forma:

SIMÃO PEDRO, ANDRÉ, JOÃO, TIAGO (filho de Zebedeu), FELIPE, BARTOLOMEU, TOMÉ, MATEUS, TIAGO (filho de Alfeu), JUDAS TADEU, SIMÃO CANANEU e JUDAS ISCARIÓTIS. 

Só para esclarecer, lembramos que Judas Iscariótis, após suicidar-se, foi substituído por MATIAS, numa reunião entre os onze apóstolos remanescentes. Jesus, porém optou por chamar a Paulo de Tarso, (Atos 9:1-8) para ocupar essa vaga, transformando aquele perseguidor de cristãos num apóstolo perseguido, e reestruturando o grupo de doze.

Jesus e os apóstolos na última ceia

 

A ordem com que apresentaremos os apóstolos e discípulos da Igreja Primitiva não obedecerá a nenhum tipo de qualificação, pois apenas nos condicionaremos a registrar como aconteceu o ministério e a morte desses homens. 

Por outro lado, voltamos a ressaltar que a pobreza de registros confiáveis nos forçam a acreditar naquilo que as tradições da Igreja divulgam, os livros apócrifos, os poucos autores da época e dos séculos seguintes. Ousamos dizer que são relatos importantes, mas com pouco crédito.

 

SIMÃO PEDRO

 

Citado no Novo Testamento como “Simão Pedro”, como “Cefas” e como “Simão Barjonas” (Marcos 3:16 e João 1:42), ele nasceu em Betsaida da Galileia, filho de Jonas e irmão de André, uma família de pescadores. Os dois procuraram Jesus por sugestão de João Batista.

Pedro teve relevante importância nos fatos que marcaram a passagem de Jesus por este mundo. Várias conversas entre ele e Jesus mereceram registro nos Evangelhos, como aquela em que Jesus perguntou-lhe o que diziam a Seu respeito, e Pedro respondeu que Ele era “o Cristo, o Filho do Deus vivo”. (Mateus 16.16) 

Além disso, ele foi testemunha da transfiguração de Jesus (Mateus 17:1-4), autor do grande sermão do Dia de Pentecostes, por volta do ano 68 d.C. (Atos 2:14-36), e o apóstolo a negar Jesus por três vezes (Mateus 26:31-35).

Os maiores detalhes da morte do apóstolo Simão Pedro foram informados por Hegésipo, um escritor da época da Igreja Primitiva, embora não exista nenhuma alusão bíblica de que Pedro tenha estado em Roma alguma vez da sua vida. 

Segundo Jerônimo, Simão Pedro teria sido crucificado de cabeça para baixo atendendo–se aos pedidos do próprio apóstolo, por não considerar-se digno de ser morto da mesma forma que fora o seu mestre. 

Porém, existe uma segunda hipótese, de que isso teria sido feito para humilhá-lo ainda mais, pois a posição faria com que fosse sufocado pelo próprio sangue. Ele teria 75 anos quando isso aconteceu, no ano 68 d.C. Já o escritor Clemente de Roma, que morreu em 95 d.C., afirma que a morte de Pedro aconteceu quatro anos antes.

Simão Pedro, na cruz invertida

 

ESTÊVÃO

 

Embora não tenha desempenhado as funções de apóstolo, Estêvão ocupou com muita competência o cargo de diácono na Igreja Primitiva e foi o primeiro mártir da Igreja Cristã, conforme pode-se ler nos capítulos 6 e 7 de Atos dos Apóstolos. 

A pregação de Estêvão para os judeus era tão radical que veio a ocasionar um grande tormento de ânimos. A turba arrastou Estêvão para fora dos muros da cidade, apedrejando-o até a morte (Atos 7:57-60), aparentemente a mando de Saulo de Tarso, que estava presente na ocorrência Atos 22:20). Até essa morte, só se tinha notícia de oposição geral contra a pregação do Evangelho, açoites ocasionais, mas nada que resultasse em matar alguém.

No seu sofrimento, enquanto perdia suas últimas forças, Estêvão colocou-se de joelhos e orou alto para que Deus não imputasse o pecado de sua morte aos seus algozes. Conta-se que suas últimas palavras teriam sido: “Senhor Jesus, recebe o meu espírito!”

Supõe-se que a morte de Estêvão tenha acontecido entre a Páscoa seguinte à morte de Jesus e o primeiro aniversário de sua ascensão, que aconteceu na primavera.

Apedrejamento de Estêvão

 

PAULO

 

Paulo de Tarso era judeu da tribo de Benjamim (Filipenses 3.5), natural de Tarso, na Cilícia, hoje Turquia, e não existe qualquer menção bíblica de que ele tenha convivido com Jesus. 

Ele também possuía cidadania romana, com o nome de Saulo, sendo soldado e chefe de uma guarnição militar, cuja missão era perseguir e matar cristãos, podendo-se citar aqui, como exemplo, o apedrejamento de Estêvão. (Atos 22:20)

Viajando para Damasco, numa dessas missões, ele foi literalmente derrubado do cavalo por Jesus, no meio do deserto, vindo a sofrer uma cegueira provisória, enquanto o Mestre falava com ele, transformando-o, a partir daquele momento, de perseguidor dos cristãos em discípulo perseguido. Foi enviado para Damasco como missionário dos gentios, vindo a se tornar o maior missionário da Igreja Primitiva.

Pouco tempo depois, já em contato íntimo com os cristãos, o maior motivo de encrencas entre Paulo e os demais líderes dos apóstolos é que ele defendia que Jesus não tinha vindo apenas para salvar os judeus, mas também os gentios, como os gregos, os egípcios e até mesmo os romanos. Para que isso acontecesse, sua obra notabilizou-se pelas três grandes viagens missionárias, quando fundou muitas igrejas. 

Como não conseguia estar ao mesmo tempo em todas as igrejas que implantou, precisou escrever cartas para essas localidades por onde passava. A maior parte dos livros do Novo Testamento são cartas de sua autoria.

Quanto à sua morte, foi por decapitação, nos tempos de Nero, no ano 67 (Atos 8:3; 13:9 e 23:6), depois de um bom tempo nos cárceres de Roma. 

Decapitação de Paulo

 

FELIPE

 

O apóstolo Felipe era natural de Betsaida da Galileia, a mesma cidade de Pedro e André. Foi um dos primeiros a ser chamado por Jesus, trazendo com ele o seu amigo Bartolomeu, também conhecido como Natanael (João 1:43-46). Segundo se consta em Atos 21:9, Felipe era casado e quatro filhas profetas moravam com ele.

Notabilizado pelo seu trabalho missionário, Felipe teria evangelizado na Frígia, na Samaria e também na Cesareia, onde morou. Existe um registro bíblico de que a caravana de Paulo teria se hospedado por muitos dias na casa do “Missionário Felipe”, em Cesareia, quando se dirigiam para Roma. (Atos 21:8,9)

Quanto à sua morte, há controvérsias, pois apesar da profusão de ideias a respeito, nada é provado. Para se ter ideia, alguns defendem que Felipe morreu crucificado em Hierápolis; outros afirmam ter sido enforcado num pilar do templo de Hierápolis, região da Frígia, na Ásia Menor; outros que ele tenha sido crucificado de cabeça para baixo, aos 87 anos, no tempo do Imperador Domiciano; outro grupo considera a possibilidade de morte por apedrejamento; A última possibilidade é levantada pelo livro “Genealogias dos Apóstolos”, que defende a morte de Felipe por causas naturais.

Filipe de Betsaida

 

ANDRÉ

 

Pertencente a uma família de pescadores, André era irmão de Simão Pedro (Mateus 4:18), que eram filhos de Jonas. Morando em Cafarnaum, foi discípulo de João Batista, antes de ser apresentado a Jesus, e comunicou as boas novas ao seu irmão Pedro, dizendo que havia achado o Messias (João 1:35-42 e Mateus 10:2).  

Seu ministério desenvolveu-se em muitas nações da Ásia e na província de Acaia, composta pela Macedônia e pela Grécia. 

Sua morte teria acontecido em Edesa, na Grécia, durante o reinado de Trajano, de forma bastante violenta. Teria sido chicoteado severamente por 7 soldados, que o prenderam com corda a uma cruz em forma de “X”, para que sua agonia fosse prolongada. As extremidades da cruz foram transversalmente fixadas no solo. Essa cruz passou a ser chamada pela Igreja Católica como a “Cruz de Santo André”, passando a figurar na bandeira da Escócia. Isso teria acontecido no ano 60 d.C.

Seus seguidores contaram que André, no momento em que era levado para o sacrifício, falava para todos os que assistiam à cena: “Muito desejei e esperei por esta hora. A cruz foi consagrada pelo corpo de Cristo, pendurado nela”. Pelos dois dias em que permaneceu pendurado, André teria pregado continuamente para os seus espectadores.

Os restos mortais de André estavam sendo levados para a Escócia quando o navio naufragou. A baía onde isso aconteceu passou a ser chamada de “Baía de Santo André”.

André, na cruz transversal

 

JOÃO EVANGELISTA

 

O apóstolo João também pertencia a uma família de pescadores, sendo irmão do também apóstolo Tiago Maior, e filho de Zebedeu (Mateus 4:21), naturais de Betsaida da Galileia. João Ele foi o mais jovem dos apóstolos de Jesus e também o último deles a morrer. Diante da preferência que Jesus não escondia por João, ele passou a ser considerado “o discípulo que Jesus amava” (João 13:23) e também como “o apóstolo do amor”. Observe-se que ele foi o único apóstolo a permanecer junto à cruz de Cristo (João 19.26-27), e o primeiro a crer na ressurreição de Cristo (João 20:1-10). 

Ainda sobre o amor de Jesus por João, podemos citar o fato de Jesus, na cruz, confiar-lhe a missão de cuidar de Sua mãe Maria.

Quanto à sua obra, a Bíblia registra que foi na ilha de Patmos, onde esteve preso por muitos anos, que João recebeu de Jesus Cristo as revelações proféticas do Apocalipse, uma série de visões (Apocalipse 1:9...). Nesse mesmo local ele registrou todo o conteúdo que encontramos no livro de Apocalipse. Quando foi libertado, voltou para Éfeso, onde também escreveu o Evangelho que leva o seu nome, e as três epístolas. 

A tradição relata que a vida missionária de João foi maior em Éfeso, cidade da atual região da Turquia onde ele morou e fundou muitas igrejas.

Tratando-se de morte, João é considerado o único apóstolo a morrer de forma natural, com 100 anos de idade, na cidade de Éfeso. Como martírio pode-se citar que ele foi lançado num caldeirão de óleo fervente, a mando o Imperador Tirano. Da mesma forma como libertou os três rapazes da fornalha ardente, Deus livrou João do azeite sem sofrer nenhum dano.

Ainda como provação podemos citar o fato de João teria sido preso em 89 d.C. pelo Imperador Domiciano, condenado à morte, mas sua pena foi transformada em prisão perpétua na ilha de Patmos, no mar Egeu, onde trabalharia nas minas de carvão. Depois de alguns anos, com a morte desse imperador, João foi solto no ano 96 d.C. pelo Imperador Nerva, partiu para Éfeso, onde permaneceu até sua morte. 

Podemos ainda acrescentar que João foi o único apóstolo a morrer em paz.

João escrevendo o Apocalipse na Ilha de Patmos

 

TIAGO MAIOR

 

Tiago era natural de Betsaida da Galileia, de uma família de pescadores, sendo irmão de João, e ambos filhos de Zebedeu (Mateus 10:2), chamados por Jesus de “Filhos do trovão”. Fizeram parte do grupo dos doze apóstolos, gozando da intimidade de Jesus, juntamente com Pedro (Mateus 17:1 e Marcos 5:37 e 9:2) 

Após a morte de Jesus, Tiago foi escolhido como Bispo de Jerusalém, passando a presidir os passos da Igreja Primitiva por várias décadas, como o fez na famosa Assembleia de Jerusalém (Atos 15). Paulo, inclusive, o procurou para deliberações, quando esteve em Jerusalém (Atos 21:18 e Gálatas 1:19)

Tiago Maior foi quem escreveu a Epístola de Tiago, autoria que causa bastante controvérsia até os dias atuais. Esse trabalho, considerado o primeiro livro escrito do Novo Testamento, foi elaborado aproximadamente no ano 32.

A tradição católica afirma que, após esse tempo, Tiago teria ido anunciar o Evangelho na Espanha, onde é conhecido e venerado até hoje como padroeiro, com o nome de “Santiago de Compostela”. Com o advento das Grandes Navegações, sua fama avançou para as Américas, vindo a ser muito cultuado pela Igreja Católica no Chile, México e Peru.

A morte de Tiago Maior, em Jerusalém, foi um dos poucos casos de martírio registrados na própria Bíblia. Segundo Atos 12:1,2 Tiago foi decapitado por ordem do rei Herodes Agripa I, no ano 44 d.C.

De acordo com registros do antigo escritor Clemente de Alexandria, o acusador de Tiago compareceu ao local público do martírio, dizendo-se arrependido de seu ato, pediu perdão ao apóstolo e confessou-se publicamente convertido ao Cristianismo. Essa decisão fez com que ele também fosse condenado à morte por decapitação.

Tiago Maior

 

TIAGO MENOR 

 

Para não ser confundido com o apóstolo Tiago Maior, este Tiago é conhecido como Tiago Menor, e também como Tiago filho de Alfeu, chamado de Cléofas em Marcos 15:40, e de Maria Cleofa, uma meio irmã de Maria, a mãe de Jesus (João 19:25).  Ele também era conhecido como Tiago o Justo.

Tiago Alfeu também foi apóstolo, e tinha como irmãos José, Simão e o apóstolo Judas Tadeu, não sendo irmão de sangue de Jesus, como afirma a tradição católica, mas apenas Seu primo. (Marcos 6:3 e Mateus 13:55)

Como ministério, conta-se que pregou o evangelho na Palestina e no Egito.

Sua morte por martírio aconteceu em 62 d.C., quando foi lançado do pináculo do templo de Jerusalém, por ordem do sacerdote Ananias e, a seguir, espancado e apedrejado até a morte. 

 Tiago, filho de Alfeu

 

TIAGO, IRMÃO DE JESUS

 

Esse terceiro Tiago não fazia parte do grupo de apóstolos (Mateus 10:3), e realmente era irmão de Jesus. Por ser da família, ele e seus irmãos não acreditavam na deidade de Jesus (Marcos 3:21 e João 7:5), e tinham ciúmes d’Ele por causa da fama que O cercava (João 7:3-8). Essa espécie de inveja e contrariedade afastava os irmãos de Jesus (Marcos 3:31,32) e só conseguiram crer e converter-se ao Evangelho quando O viram ressuscitado (1 Coríntios 15:7), passando então a conviver com os apóstolos e participar dos trabalhos. 

A tradição afirma que esse irmão de Jesus também morreu por apedrejamento. 

Tiago sendo apedrejado

 

BARTOLOMEU

 

Pouco se encontra sobre o apóstolo Bartolomeu. O que se sabe é que era natural de Caná da Galileia, um homem de bom caráter, recebendo elogios de Jesus por causa disso, e que também atendia pelo nome de Natanael. Bartolomeu foi apresentado a Jesus pelo apóstolo Felipe.

É o possível autor da frase: “Por acaso vem alguém que preste de Nazaré?” Em contrapartida, recebeu de Jesus uma palavra edificante: “Eis aqui um verdadeiro israelita, em quem não há dolo” (Mateus 10:3 e João 1:45-47).

Quanto ao seu ministério, ele foi intenso na Índia, segundo livros consultados, resultando em muitas conversões na região. Também foi exercido na Anatólia, Etiópia, Mesopotâmia, Armênia e região que hoje compõe a Turquia.

Quanto à sua morte, possivelmente na Síria, o que mais se afirma é que teria sido chicoteado até morrer esfolado, pois chegaram a arrancar-lhe a pele. Concluem dizendo que depois disso também teria sido crucificado de cabeça para baixo.

Uma outra versão de sua morte conta que foi chicoteado quase até morrer, sendo colocado ainda vivo num saco e jogado ao mar.

Bartolomeu açoitado e crucificado

 

JUDAS ISCARIÓTIS

 

Judas foi o único apóstolo que não nasceu na região da Galileia. Ele era natural de Kerioth, da Judeia, filho de um homem chamado Simão Iscariótis. Foi um dos primeiros homens a se juntarem a Jesus para segui-Lo.

Quanto à traição de Judas, ela lhe valeu a importância de 30 moedas de prata, que na época correspondiam ao preço de um escravo. Pesquisadores tentam defender o seu gesto, dizendo que ele teria sido enganado pelos sacerdotes, pois garantiram que a prisão duraria apenas o tempo da festividade da Páscoa Judaica.

Em 1970 foi encontrado um documento numa caverna do Egito, cujo conteúdo dizia ser Judas o discípulo mais fiel a Cristo, e que O teria entregado aos romanos atendendo ao pedido do próprio Jesus, para que se cumprissem as antigas previsões. O manuscrito, datado do século III ou IV, foi divulgado pela revista National Geographic no ano de 2006.

Ainda sobre Judas Iscariótis, depois de Simão Pedro ele tem seu nome como o mais citado nos textos do Novo Testamento: 20 vezes. 

Quanto à sua participação ministerial no grupo apostólico, a única informação que se tem é que ele teria sido escolhido como o tesoureiro do grupo, pelo fato de ser bem mais instruído do que os outros.

Logicamente, a morte de Judas Iscariótis não aconteceu por martírio, mas por suicídio, como é do conhecimento de todos os cristãos. Judas desesperou-se ao ver o que faziam com Jesus, depois da prisão, arrependeu-se e devolveu as moedas de prata aos sacerdotes, atirando-as aos seus pés. Ato contínuo, resolveu suicidar-se da maneira mais comum da época: enforcamento numa figueira. (Atos 1:18,19 e (Mateus 27:3-5). 

A tradição conta que os sacerdotes juntaram o dinheiro de Judas e com ele compraram um terreno que serviria de cemitério aos estrangeiros, mais tarde chamado de “Campo de Sangue”.

O enforcamento de Judas Iscariótis

 

MATIAS

 

Muito pouco se sabe sobre esse apóstolo que foi eleito como substituto para Judas Iscariótis, após sua morte. Para se entender o processo de escolha, o candidato deveria cumprir a exigência de ter acompanhado os discípulos durante todo o ministério de Jesus, ou seja, desde o batismo realizado por João Batista, até Sua ascensão ao céu. Logo, o novo apóstolo obrigatoriamente deveria ser capaz de testemunhar a ressurreição de Jesus, ou seja, ter visto o Cristo ressurreto, conforme o texto abaixo de Atos dos Apóstolos:  

 

“É necessário, pois, que, dentre estes homens que nos acompanharam todo o tempo em que o Senhor Jesus viveu em nosso meio, a começar do batismo de João até o dia em que dentre nós foi arrebatado, um destes se torne conosco testemunha da sua ressurreição“. E oraram, depois de apresentarem os dois candidatos. “Tu, Senhor, que conheces o coração de todos, mostra-nos qual destes dois escolheste para ocupar o lugar que Judas abandonou, no ministério do apostolado, para dirigir-se ao lugar que era seu.” Lançaram sortes sobre eles, e a sorte veio a cair em Matias, que foi então contado entre os doze apóstolos.  (Atos 1:21-26)

 

Sente-se que os onze apóstolos restantes, comandados por Pedro, agiram de forma lúcida, apesar de terem aplicado o recurso de sorteio entre Matias e José Barsabás, os dois candidatos para a vaga. Era um critério permitido e recomendado pelo Evangelho, em vários casos. 

Referindo-se a esse assunto polêmico, o próprio apóstolo Paulo sempre considerou Matias como participante do grupo de 12 apóstolos que viram Jesus após a ressurreição. Em momento algum ele reivindicou para si essa posição (1 Coríntios 15:1-5).

Quanto à sua área missionária, Matias é apontado como um dos cinco apóstolos a trabalhar na Etiópia, que pode ter feito parte da Armênia e Macedônia, tendo fortes ligações com Felipe, Tomé e outros evangelistas. 

Sua obra também menciona trabalhos eclesiais no Egito, onde estabeleceu o fundamento para o Cristianismo Egípcio, que serviu de base para os filósofos esotéricos cristãos do segundo século estabelecerem a forma gnóstica de misticismo, característica dessa interpretação.

Falando-se de sua morte, a tradição embaralha bastante o fato, uma vez que várias possibilidades são citadas. Alguns pesquisadores defendem que Matias pode ter sido condenado e martirizado pelo Sanhedrin Judaico, na Pérsia, enquanto que Hipólito de Roma defende que Matias morreu em Jerusalém com idade bem avançada. Ainda sobre ter morrido em Jerusalém, outros dizem que foi por decapitação e apedrejamento, tradição essa menos confiável. 

Se continuarmos nessa ciranda de opiniões, ainda existe aquela em que Matias teria sido amarrado na cruz para morrer, depois de ser selvagemente apedrejado. E ainda sobre decapitação, tem quem defenda que ela aconteceu em Colchis, perto do Mar Negro. 

Mas, como Matias trabalhou muito na Etiópia, alguns dizem que seu martírio aconteceu por lá, apedrejado e decapitado. Para encerrar, defende-se que ele teria morrido em Sebastopolis, perto do Templo do Sol.

A insistência da possibilidade de martírio envolvendo a Etiópia tem conexão com o Norte da África, onde Matias costumava pregar para tribos de canibais, histórias citadas por Felipe.

Matias

 

TOMÉ

 

Também conhecido como Tomás e como Dídimo (João 11:16), é muito difícil achar-se pesquisas confiáveis sobre as origens do apóstolo Tomé, mas a tradição afirma que ele nasceu na Antioquia. Tudo o que se precisa saber sobre ele é relatado por João, no seu evangelho.

Esse apóstolo não acreditava nem naquilo que via. Apesar de ter duvidado, a princípio, de que aquele homem que lhes apareceu era o Cristo Ressurreto (João 20:25), Tomé veio o tornar-se um dos maiores pregadores da época. Mesmo precisando conferir as chagas do Senhor, Tomé mostra outro lado completamente antagônico, quando diz: “Vamos morrer com Ele.”  

Outro lado interessante da pessoa de Tomé era a sua visão pessimista das coisas. Ele sempre via problemas em tudo quanto lhe fosse proposto. Era negativista.

Conforme informações da tradição, Tomé viajou muitíssimo, percorrendo a Síria, a Pérsia e chegando até a Índia.

Quanto à sua morte, conta a tradição que ele foi morto na cidade indiana de Madras, atravessado por uma lança pelo próprio rei local, no ano 53 da Era Cristã.  Nessa região existe um monte batizado de ”Monte São Tomé”, em sua homenagem, e uma catedral com o mesmo nome, supostamente o local onde foi sepultado.

Alguns historiadores dizem que Tomé morreu de flechadas enquanto orava e outros falam de lanças. 

Uma terceira possibilidade é que ele teria sido lançado numa fornalha. 

Tomé

 

LUCAS

 

Lucas era um médico grego, não era apóstolo, nem discípulo de Jesus, e também não foi testemunha dos fatos citados no caso de Matias. Ele nem chegou a conhecer Jesus pessoalmente.

Pela sua inteligência e perspicácia conseguiu recolher com os apóstolos uma gama muito grande de detalhes, a ponto de conseguir escrever o seu próprio evangelho, que foi aceito como inspirado pela Igreja universal da época. A linguagem utilizada nesse livro era muito rebuscada, contendo relatos mais profundos. O que se vê no seu conteúdo foi uma atenção especial para com a infância de Jesus.

Lucas também foi o autor do livro “Atos dos Apóstolos”, onde registrou com muita organização os fatos históricos que serviram de alicerce para a Igreja Primitiva que nascia.

Sobre sua morte, relata-se que foi enforcado numa oliveira, na Grécia, seu país de nascimento.

Lucas

 

MARCOS

 

Também conhecido como Marcos Evangelista e como João Marcos, ele era judeu de nascimento, tribo de Levi, transformando-se num dos primeiros discípulos de Simão Pedro. Conta-se que o nome de sua mãe era Maria, a qual oferecia sua casa em Jerusalém para reuniões da Igreja Primitiva. 

Como pessoa organizada, registra-se que nos inícios dos trabalhos da Igreja, Pedro confiava a João Marcos os cuidados da entidade, quando precisava se ausentar.

Quanto ao trabalho missionário de Marcos, ele era feito em parcerias com seu tio Barnabé e mais tarde com Paulo.

Depois de sair de Roma, onde dava apoio a Paulo na prisão (Colossenses 4:10), Marcos ensinou em Chipre, no Egito e países vizinhos, oportunizando milhares de conversões. Por onde passava, transformava templos pagãos em igrejas cristãs. 

Falando de sua morte, a tradição registra que seu corpo foi arrastado pelas ruas até o ponto de ser despedaçado. 

João Marcos

 

MATEUS

 

Também conhecido como Levi, Mateus era filho de Alfeu e deve ter nascido às margens do Mar da Galileia, assim como acontecia com todos os outros apóstolos. Como Cafarnaum era, na época, um centro importante de cobrança de impostos, talvez Jesus tenha encontrado Mateus naquela cidadezinha.

Mateus tinha o apelido de “Publicano” justamente porque era um cobrador de impostos. Para se ter ideia da antipatia que esses cobradores despertavam, basta lembrar que eles trabalhavam para os invasores, para os romanos, cobrando taxas dos seus irmãos judeus. Era mal vistos. (Marcos 2:14; Mateus 9:9-13; 10:3; Atos 1:13)

Apesar dessa profissão odiosa, Mateus conseguiu despertar o interesse de Jesus para desempenhar a missão de apóstolo, fazer parte de um seleto grupo de 12 homens valorosos.

Além de escrever o Evangelho que leva o seu nome (ano 32), os livros apócrifos "Atos de Mateus" e "Martírio de Mateus” defendem que ele pregou e oportunizou milagres na cidade de Myrna, dedicando 15 anos à Palestina, Judeia, Etiópia e Pérsia, pregando e ensinando.

Mateus resolveu fazer de seu próprio país o seu campo missionário, dedicando todos os seus esforços para salvação dos irmãos judeus. 

Ainda há muitas divergências sobre sua morte. Segundo alguns livros consultados, Mateus foi decapitado, e em outras fontes Mateus foi apedrejado e queimado na Etiópia e até decapitado. Outros dizem que foi morto ao fio da espada.

A tradição defende que ele morreu de morte natural na Etiópia ou na Macedônia. Para encerrar, diz-se que teria morrido na Etiópia e que o seu túmulo se encontra em Salermo, na Itália. Uma terceira possibilidade defendida é que seu corpo tenha sido cravado no chão e decapitado.

 

Mateus, o cobrador de impostos

 

SIMÃO ZELOTE

 

Simão era conhecido por diversos nomes, podendo-se citar “Zelote”, “Simão Zelote”, “Simão Cananeu” e Simão Cananita” (Lucas 6:15, Atos 1:13 e Mateus 10:4), e natural de Caná da Galileia. Sem dúvida, seu nome faz parte do grupo dos 12 apóstolos (Marcos 3:18, Lucas 6:15 e Atos 1:13).

O pouco que se sabe do ministério de Zelote é que ele pregou na Mauritânia, Norte da África, e também na Grã-Bretanha.

Durante o reinado de Domiciano, grande perseguidor dos cristãos, Zelote sofreu perseguição e violência na Palestina.

Quanto à sua morte, a tradição conta que aconteceu na Pérsia, por ordem do Imperador Trajano, martirizado até à morte, crucificado (ano 70 a 74 d.C.), já com a idade avançada de 120 anos, juntamente com outro apóstolo, Judas Tadeu.

Simão Zelote

 

JUDAS TADEU

 

Tadeu nasceu em Caná da Galileia. Filho de Alfeu e Maria Cleofas e irmão do apóstolo Tiago Menor, de José, Simão e Maria Salomé. Era primo-irmão de Jesus porque sua mãe era prima de Maria mãe de Jesus e seu pai Alfeu era irmão de José, o carpinteiro.

Quanto à autoria da Epístola de Judas, alguns defendeu que tenha sido escrita por Judas, um dos irmãos de Jesus e outros defendem que foi escrita por Judas Tadeu.

Falando-se do seu ministério, pregou o Evangelho aos judeus pela Galileia e Samaria, em meio a muito sofrimento e perseguição. Depois passou a pregar na Mesopotâmia (atual Pérsia), Edesa, Arábia e Síria, tendo realizado um destacado trabalho na Armênia, quando uniu-se Simão Zelote, também apóstolo. 

Quanto ao seu martírio, Judas Tadeu e Simão Zelote foram cruelmente martirizados enquanto estavam na Pérsia, sofrendo golpes de machado, desferidos pelos sacerdotes pagãos, porque os dois se negaram a reverenciar à deusa Diana. Isso teria acontecido no ano 70 a 74 d.C.

Existe uma parte dos pesquisadores que garantem que Judas Tadeu morreu com o corpo crivado de flechas.

Judas Tadeu

 

TIMÓTEO

 

Se nos basearmos em Atos 16:1,2 veremos que Timóteo morava nas localidades de Listra e Icônio, na região da Galácia. Era filho de mãe Judia (Eunice) e de pai grego (não mencionado). 

O conhecimento das Escrituras por Timóteo foram ministrados por sua mãe Eunice e sua avó Loide, conhecidas mulheres pela sua piedade e fé, convertidas por Paulo na primeira viagem missionária (Atos 14:6-22).

Timóteo tornou-se um dos personagens mais conhecidos do Novo Testamento por causa das suas ligações com Paulo, desde seus 13 anos, durante a primeira viagem missionária de Paulo. Seis anos depois, ao passar novamente por Listra, Paulo resolve convidar Timóteo para ser seu parceiro de ministério, agora com 19 anos (Atos 16:2-3) e o considerava como seu verdadeiro filho na fé (1 Tim 1:1,2). 

A partir daí, Timóteo passou a ser enviado por Paulo para Corinto (1 Coríntios 4:17), Filipos (Filipenses 2:19) e para a Tessalônica (1 Tessalonicenses 3:2) e Éfeso (1 Timóteo 1:3).

Uma qualidade foi importantíssima para que Timóteo se notabilizasse como um grande líder: ele sempre soube ser um grande liderado, sempre estava atento, cumprindo o que lhe fosse ordenado.

Veja o que Paulo declarou a seu respeito:

 

Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste, e de que foste inteirado, sabendo de quem o tens aprendido, E que desde a tua meninice sabes as sagradas Escrituras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus. (II Tm 3:14,15).

                        

Pelos textos bíblicos, deduz-se que Timóteo era tímido e possuía dificuldades para se expressar (I Coríntios 16:10,11 e II Timóteo 1:6-10), tinha uma saúde comprometida (I Timóteo 4:12 e 5:23),  era muito citado pela comunidade primitiva (Atos, I Coríntios e Tessalonicenses) e era muito bem relacionado pelas comunidades vizinhas, pois os irmãos que estavam em Listra e em Icônio davam bom testemunho dele (Atos 16:1,2)

Durante o seu ministério, Paulo lhe escreveu duas cartas, preparando-o para fazer uma grande obra, vindo a ser conhecido como evangelista, mestre e pastor (I Timóteo 4:12), e um dos líderes da Igreja Primitiva que mais refutou as doutrinas heréticas, principalmente em Éfeso.

De acordo com uma tradição, o apóstolo Paulo consagrou Timóteo como o primeiro Bispo de Éfeso, no ano 65 d.C., onde ele teria acompanhado a comunidade por 15 anos e depois ser substituído pelo apóstolo João, quando assumiu a direção das Igrejas da Ásia. 

Para que Timóteo pudesse desempenhar bem seu ministério, Paulo achou necessário circuncidá-lo, para que não acontecesse nenhum escândalo entre os judeus mais conservadores, embora Paulo não levasse em conta tais exigências.

Timóteo nunca esmoreceu em sua fé, mantendo-se firme na confissão de Jesus Cristo, mesmo na época em que estava na prisão (Hebreus 13:23).

Embora os textos bíblicos não mencionem como Timóteo morreu, acredita-se que ele também tenha sofrido martírio enquanto João cumpria seu tempo de prisão na Ilha de Palmos.

Conta-se que no ano 80 Timóteo tentou impedir a realização de uma procissão pagã, provocando a ira dos participantes. Eles o teriam atacado a pauladas, apedrejado e arrastado pelas ruas da cidade. Foi assim que teria acabado a vida desse importante missionário da Igreja Primitiva.

Esse acontecimento está registrado em atas e escritos do século V ou VI que relatam o martírio de Timóteo quando o imperador romano era Nerva. A procissão homenageava à deusa Diana, os pagãos passaram a cometer uma série de abominações e ofensas a Deus, o que provocou a intervenção do Bispo Timóteo, passando a discursar energicamente, criticando a postura dos pagãos.

Timóteo e Paulo

 

BARNABÉ

 

O nome verdadeiro de Barnabé era José, um levita natural de Chipre (Atos 4:36). O pouco que foi citado em Atos dos Apóstolos parece combinar com a sua humildade, com o seu caráter. Foi mencionado apenas 29 vezes em Atos e 5 vezes nas cartas de Paulo. 

Para se ter ideia da visão espiritual desse homem, foi ele quem apresentou e recomendou Paulo ao colegiado apostólico (Atos 9:27).

Sua primeira aparição em Jerusalém foi para mostrar seu exemplo de generosidade, quando doou e colocou aos pés dos apóstolos o dinheiro recebido pela venda da sua casa (Atos 4:37), provando que riqueza e generosidade podiam andar de mãos dadas.

Quanto ao seu comprometimento, encarou um dos maiores desafios missionários de todos os tempos, em tempo de perseguições, pois ele pregava o que vivia e vivia o que pregava, pois era um homem dedicado, comprometido e irrepreensível.

A respeito de sua morte, sabe-se que foi torturado, arrastado por uma corda no pescoço e depois queimado vivo.

Barbabé sendo arrastado pela cidade

 

INÁCIO DE ANTIOQUIA

 

Esse discípulo teria sido ordenado Bispo de Antioquia da Síria pelo apóstolo João, substituindo ao apóstolo Pedro nesse cargo. 

Sobre sua morte, conta-se que foi preso pela autoridade do Imperador Trajano, transportado para Roma, julgado e condenado à morte. No Coliseu, enfrentou a ferocidade de leões. Durante a viagem para Roma, escreveu várias cartas, onde contava como era tratado pelos soldados sírios, que ele comparava a leopardos, tal a sua maldade. Mas declarava estar aprendendo, com essas coisas. 

Diante das feras, no coliseu, ele declarou: “Sou como o trigo debulhado de Cristo, que precisa ser moído pelos dentes das feras antes de se transformar em pão.” 

 

PESQUISA ELOTRÔNICA

 

thiagogigo.wordpress.com

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Rádio Novo Tempo. Vitória/ES


PESQUISA BIBLIOGRÁFICA

 

CESARÉIA, Eusébio. História Eclesiástica. Editora CPAD.

CHO, David Yonggi. Oração, a chave do avivamento. Editora Betânea.

FOX, J. O livro dos Mártires. Editora CPAD. Rio de Janeiro: 5.ed. 2003.

GRANT, M.Ivã. Conhecendo os mártires da Igreja. Editora Betânea

LOPES, Hernandes Dias. Pentecostes, o fogo que não se apaga. Editora Hagnos

LOPES, Hernandes Dias. Quando Deus Intervém. Editora Candeia.

REVISTA DEFESA DA FÉ - Edição Especial. EDITORA ICP.

REVISTA GRAÇA. Ano I, Nº 11.

RICHARDSON, D. Senhores da Terra. Editora Betânea



AUTOR DA PESQUISA

Walmir Damiani Corrêa







 

Por: elevados.com.br

Publicado em 09/03/2017

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