Maçonaria: Simbologia

 MAÇONARIA
SIMBOLOGIA

 

 

 


NOTA DO EDITOR

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Desde o princípio do seu funcionamento o site ELEVADOS.COM.BR tem se dedicado em localizar a existência de heresias em segmentos religiosos que dizem seguir a Bíblia Sagrada.

Isso tem nos custado alguns dissabores, é claro, pois as pessoas cegas não gostam que lhes abram os olhos, costumando reagir de forma grosseira, insultando e humilhando aos seus críticos.

Como residimos numa cidade pequena, somos facilmente identificados e nos transformamos num prato cheio para quem gosta de “reclamar por celular”.  Normalmente, esses leitores não vêm pessoalmente, é claro, mas sempre se escondendo atrás de um telefone. Ficam mais valentes.

Por outro lado, muitas outras pessoas têm nos cobrado o motivo de não apresentarmos também estudos sobre a Maçonaria, seu comportamento discretíssimo de seus membros, e o que realmente tem por trás dessa fachada de “bonzinhos” que eles apresentam.

Bem, estamos publicando aqui um primeiro artigo de pesquisa sobre o tema Maçonaria, não sendo resultado total de conhecimento pessoal nosso sobre o tema, mas uma pesquisa em cima de outros artigos que lemos por aí.

Temos muitos amigos e vizinhos que frequentam a Maçonaria, boa parte deles sendo pessoas maravilhosas, que chegaram a nos surpreender quando descobrimos suas tendências. É claro que junto dessas pessoas encontramos pessoas arrogantes, da mesma forma como acontece com todos os ajuntamentos sociais.

Neste primeiro trabalho, procuramos nos restringir em estudar a grande quantidade de símbolos valorizados no meio maçom, que chamam a atenção das pessoas leigas. Depois, em outra oportunidade, procuraremos tratar da estrutura funcional da instituição, assunto bastante rico, pois chega a ser difícil de entendimento para as pessoas “de fora”.

 

 

INTRODUÇÃO 

 

 

A Maçonaria consiste numa organização fraterna que remonta às associações locais de pedreiros que, a partir do final do século XIV, regulamentavam as qualificações de sua profissão e sua interação com autoridades e clientes.

As categorias maçônicas são em número de três: "Aprendiz", "Companheiro" e "Mestre maçom". Seus candidatos são progressivamente ensinados quanto aos significados dos símbolos da entidade, sendo-lhes confiado inicialmente as formas de cumprimentos, sinais e palavras que comuniquem a outros membros que essa pessoa já é um iniciado no mundo maçom.

Os graus são a parte moral alegórica da organização, quando os membros são conhecidos como maçons, existindo graduações que vão variando de acordo com a localidade e jurisdição, e geralmente são administrados por seus próprios órgãos.

A organização básica da unidade local da Maçonaria é chamada de LOJA, geralmente supervisionada em nível regional (estado, província, etc.) Em nível internacional, não existe uma Superloja que supervisione as unidades regionais ou nacionais.

 


Uma Loja Maçônica em 1790

 

Como a Maçonaria defende a fé num único Ser Supremo, e como a população brasileira é composta na sua maioria por pessoas oriundas de doutrinas judaico-cristãs, ela aceita a Bíblia Sagrada como o “Livro da Lei” para as lojas brasileiras.

O nome “maçom”, que vem do francês, significa pedreiro ou construtor, e a Maçonaria é  uma organização com fins filandontrópicos, educacionais, filosóficos, progressista e educativa, tendo seu método educacional todo baseado em simbologia e em rituais. “Maçonaria Livre” vem do inglês FREEMASONRY.

 

a) Exigências Iniciais

 

Apesar de ser uma sociedade secreta, a Maçonaria é aberta a homens de todas as religiões, embora não admita a presença de ateus e mulheres como membros, e a prática de discussões internas sobre religião e política.

O teólogo Inocêncio de Jesus Viegas, assessor do Grande Oriente Brasileiro, uma das maiores associações maçônicas do país, explica que para fazer parte dela o indivíduo deve crer em Deus e ter uma conduta comprovadamente ética e honesta.
Uma exigência fundamental é que o membro não pode contar para outras pessoas “de fora” aquilo que assiste nas reuniões em que toma parte e nem pode se identificar como maçom para essas pessoas estranhas à instituição.

 

b)  Os Inícios


Situando-nos no tempo, afirmamos que a organização maçônica surgiu na Idade Média, época marcada por grandes construções em pedra, como castelos e catedrais.  Tudo começou como uma espécie de embrião dos sindicatos, as chamadas corporações de ofício. Nelas se reuniam os trabalhadores medievais, principalmente os pedreiros. 

Com o final da Idade Média, a Maçonaria passou a admitir outros membros, além de pedreiros, assim como os alfaiates, os sapateiros e os ferreiros. Como eles guardavam suas técnicas a sete chaves, foram se transformando numa fraternidade dedicada à liberdade de pensamento e expressão, religiosa ou política, e contra qualquer tipo de sistema absolutista.

Eduardo Basto de Albuquerque, professor de História das Religiões (Unesp), registra em seus escritos que “a organização teve forte influência nos bastidores da Revolução Francesa e da independência dos Estados Unidos. Aqui no Brasil participou decisivamente na abolição da escravatura, além da Independência e da proclamação da República”.



1. OS SÍMBOLOS DA MAÇONARIA



Os símbolos maçônicos compõem o conjunto de ferramentas que formam a base do método maçônico, principalmente de dois instrumentos geométricos (compasso e esquadro), exibindo no meio deles a letra G usada no início da palavra inglesa GOD (Deus). O desenho dessa junção forma uma figura também geométrica, que é o triângulo.

Abaixo, uma imagem da capa do livro “O Simbolismo na Maçonaria”, escrito por Colin Dyer, obra que trata desses símbolos importantes do método maçônico.

 

 

Uma variante dessa figura triangular foi criada com a imagem de uma pirâmide, cuja parte superior ostenta um olho, que teria a função de lembrar a letra G, do Deus Onisciente, que tudo sabe e tudo vê. Essa variação do triângulo passou a ser imprimida na nota de 1 dólar dos Estados Unidos da América, uma comprovação da importância da Maçonaria para esse país.

Para se ter ideia da familiaridade existente entre os EUA e a Maçonaria, vale registrar que os três primeiros presidentes dessa nação, também foram os principais articuladores da independência norte-americana. Eles eram maçons: George Washington, Thomas Jefferson e Benjamin Franklin.

                                      
Nenhuma loja maçônica funciona sem a presença do Esquadro e do Compasso, dispostos sobre o Livro da Lei, aberto, pois como já dissemos eles compõem os símbolos mais emblemáticos da Maçonaria. Individualmente eles têm também seus significados, simbolizando a materialidade do homem e sua espiritualidade.

Nascida da Maçonaria Operativa e dos pedreiros livres, toda essa sua estrutura simbólica é baseada nos utensílios dos pedreiros, que eram os construtores e arquitetos medievais. A maioria dos símbolos usados na maçonaria são os mesmos utensílios de pedreiros ou símbolos de outra categoria, incorporados à Ordem.

Maçonaria Operativa:
Pedreiros livres no período medieval


O termo “símbolo”, originário do grego SYMBOLON  [σύμβολον], designa um tipo de signo em que o significante (realidade concreta) representa algo abstrato (religiões, nações, quantidades de tempo ou matéria etc.) por força de convenção, semelhança ou contiguidade semântica (como no caso da cruz que representa o cristianismo, porque ela é uma parte do todo: a imagem do Cristo morto).

 

 

2.  AS TRÊS GRANDES LUZES 

 

 

Como já foi dito, a Maçonaria é dividida em graus, cada um deles contendo seus próprios ensinamentos, símbolos e rituais, definidos tanto pelo rito maçônico quanto pela obediências maçônicas ou Supremo Conselho a qual a Loja Maçônica pertence. Não sendo dogmática, a Ordem Maçônica evita arbitrar sobre os significados dos símbolos, dando um máximo de abertura para os adeptos refletirem e tirarem suas próprias conclusões. Foi isso que escreveu o próprio Albert Pike, no seu livro “Moral e Dogma”, que define quais são os graus da realidade maçônica.

 A maçonaria tem suas leis baseadas nos landmarks, sobretudo no modelo da Constituição de Anderson, uma série de regras que regem a Maçonaria desde o seu início e até hoje baseia as constituições das Potências Maçônicas no mundo todo. Dentre todos os símbolos presentes na Maçonaria Mundial, alguns são obrigatórios para o funcionamento de uma reunião, sendo  apresentados nos landmarks:


VIII - a manutenção das Três Grandes Luzes da Maçonaria: o Livro da Lei, o Esquadro e o Compasso, sempre à vista, em todas as sessões das Lojas;

IX - o uso do avental nas sessões.

 

O uso do Livro da Lei, o Esquadro e Compasso e do Avental são essenciais, não podendo funcionar a loja sem a presença deles, pois juntos eles formam a tríade denominada As Três Grandes Luzes.


2.1  O livro da Lei

 

O Livro da Lei, também conhecido como  “Livro Sagrado”, é a primeira das três luzes da Maçonaria. Um dos preceitos mais respeitados por todas as potências maçônicas do mundo é a crença num Ser Supremo, criador do universo, denominado na Maçonaria como o Grande Arquiteto do Universo. O Livro Sagrado representa a ligação do maçom com esse Ser e com a espiritualidade.

Este livro não é estipulado por nenhum manual, constituição ou landmark. Ele pode ser qualquer livro sagrado de religiões que creem em um deus criador, dependendo da crença individual ou do conjunto da loja: Como já foi dito, para um cristão, o Livro da Lei será a Bíblia, enquanto que para um muçulmano será o Alcorão e assim por diante.

Deste modo, todo juramento da Maçonaria é feito individualmente sobre a crença pessoal de quem está jurando. Em lojas onde há a presença de maçons de religiões distintas, coloca-se vários livros sobre o altar dos juramentos, onde cada um deles terá o foco em seu livro sagrado. A Casa do Templo, sede do Supremo Conselho do Rito Escocês da Jurisdição Sul dos EUA, tem em seu altar a presença de oito livros, embora o símbolo continue o mesmo:  “Livro da Lei”

O Livro da Lei possui esse nome genérico para se evitar qualquer tipo de sectarismo, pois ao nominar o livro sagrado de uma reunião maçônica de qualquer título, seja Bíblia, Alcorão, Torá, ou outros, automaticamente estar-se-ia limitando o caráter ecumênico da Ordem. A única restrição é que o volume deve conter, realmente, as Sagradas Escrituras de uma religião conhecida, e fazer referência a Deus.

Assim como a maçonaria não impõe uma crença específica no Livro da Lei, o mesmo ocorre com o conceito de Deus. Cada um terá seu conceito pessoal respeitado. Na Maçonaria o sinônimo usado para designar Deus é GADU — O Grande Arquiteto do Universo. O termo sempre se refere à crença pessoal de quem fala sobre o Ser Criador do Universo e cada um terá seu conceito próprio, assim como é o termo "Deus" no Ocidente.


2.2  Esquadro e Compasso

 

O símbolo da Maçonaria remete aos instrumentos dos trabalhadores que, na Idade Média, dominavam as técnicas de construção em pedra.

Esquadro, compasso e letra G


2.2.1 O compasso

 

O compasso, que desenha círculos perfeitos, representa a busca da perfeição pelo homem, enquanto que a letra G, no centro de tudo, vem de God, “Deus” em inglês. Para os maçons, Ele é o Grande Arquiteto do Universo.

O Compasso é um instrumento de desenho que faz arcos de circunferência e também serve para tomar e transferir medidas. É o símbolo do espírito, do pensamento nas diversas formas de raciocínio, e também do relativo (círculo) dependente do ponto inicial (absoluto). Os círculos traçados com o compasso representam as lojas. O símbolo mais básico alcançado pelo compasso é o circulo com um ponto no centro, símbolo do Sol.

 

2.2.2  O esquadro

 

Quanto ao esquadro, ele forma ângulos retos, lembrando que o homem deve levar uma vida igualmente reta, ética e honesta.

O Esquadro é um instrumento de desenho utilizado em obras civis e que também pode ser usado para fazer linhas retas verticais com precisão de 90°, resultando da união da linha vertical com a linha horizontal. Simbolicamente, demonstra retidão e também a ação do Homem sobre a matéria e da ação do Homem sobre si mesmo, significando que a conduta deve ser guiada pela linha reta. Emite a ideia inflexível da imparcialidade e precisão de caráter, simbolizando a moralidade, a retidão e as coisas concretas.

O esquadro é usado pelo Venerável Mestre Maçon, demostrando que ele é o responsável por guiar a Loja de maneira retificada. Tem seu braço direito maior que o esquerdo, demonstrando que o Venerável age ativamente. Alguns Veneráveis utilizam uma joia diferente, com o Teorema de Pitágoras, representado entre as perpendiculares do esquadro, simbolizando a ciência alcançada, sendo a representação máxima da maçonaria, a ciência da geometria.

 

2.2.3  A junção que simboliza a força maçônica

 

Sendo o compasso móvel e o esquadro estático, dá-se aí mais uma dualidade passiva e ativa entre dois símbolos, bastante presente na simbologia maçônica. Juntos eles formam o símbolo mais característico da Maçonaria, representando que a Ordem é pautada pela filosofia sobre os itens dos pedreiros e antigos construtores.

Trata-se do símbolo de mais fácil reconhecimento usado em joias, construções e nos mais diversos modos. Como já dissemos anteriormente, nenhuma loja funciona sem a presença do esquadro e do compasso, mostrados sobre o Livro da Lei, aberto. Por isso é um simbolo tão emblemático da Maçonaria.

 O compasso e o esquadro sobre o Livro da Lei

 

Individualmente, eles também têm seus significados. O Esquadro e o Compasso simbolizam a materialidade do homem e sua espiritualidade, mas juntos e na sua apresentação básica e a depender de como se arrumam, indicam em qual grau a Loja está trabalhando.

Na Loja de Aprendiz, o esquadro fica sobre o compasso; na de Loja de Companheiro se entrecruzam, e na Loja de Mestre o compasso fica sobre o esquadro. Isto expressa a sobreposição do espírito sobre a matéria, ideia platônica presente na Maçonaria.

 

 

3. AS COLUNAS

 

 

As colunas ostentadas na parte frontal dos templos maçônicos lembram elementos arquitetônicos destinados a receber as cargas verticais de uma obra de arquitetura (arco como barramento, arquitrave, abóbada) transmitindo-as à fundação. Representam o suporte de algo superior e dão sustentação à obra. Para se ter ideia, na Maçonaria as colunas utilizadas em seus templos são inspiradas nas colunas do templo de Salomão e nas colunas da Arquitetura da Grécia Antiga.


                                               
O conjunto de três colunas gregas formam as três pequenas Luzes. A coluna de Ordem Dórica, mais robusta e de ângulos retos, representa a força e o Primeiro Vigilante;  a de Ordem Coríntia, adornada de folhas de acanto, representa a beleza e o Segundo Vigilante e; a coluna da Ordem Jônica, enfeitada com volutas, representa a sabedoria e o Venerável Mestre.

 

3.1  As colunas Boaz e Jachin

 

Boaz e Jachin são duas colunas de cobre que ficavam à frente do Templo de Salomão, o primeiro templo construído em Jerusalém. No templo maçônico, essas duas colunas guardam a porta de entrada, embora às vezes se localizam dentro do próprio templo, dividindo a construção em três partes.

Do lado da Coluna B (Boaz) ficam os Aprendizes, e do lado da Coluna J (Jachin) ficam os Companheiros, sendo que entre as duas colunas encontram-se os Mestres Maçons e o altar dos juramentos, com as três grandes luzes.

Vale registrar que dependendo do rito adotado, o local dos Aprendizes e dos Companheiros podem se inverter.  A descrição que inspirou o modelo atual das duas colunas encontra-se na Bíblia, no livro de 1 Reis 7:1-22. As colunas dos templos maçônicos são de bronze, encimadas com romãs, lírios e correntes.

 Representação artística das 2 colunas do Templo de Salomão

 

3.1.1  Boaz 

 

Boaz é um personagem do Antigo Testamento da Bíblia Sagrada, sendo citado no Livro de Rute e em 1 Crônicas como pertencente à tribo de Judá. Era filho de Salmom, vindo a ser bisavô do rei Davi. O significado do seu nome, do hebraico [בועז Bốʿaz], pode ser "na força", "nele (é) a força" e "ser forte".

 

3.1.2 Jaquim

 

Quanto a Jaquim (ou Jakin), do hebreu JAH, significa Deus e Iachin que significa Estabelecerá, ou seja: Jachin significa “Deus estabelecerá”.

 

3.1.3   Adereços

 

Essas duas colunas são ornadas com romãs, lírios e correntes. A Romã foi usada como metáfora por vários santos e papas católicos. São Gregório de Níssa compara a romã com a vida cristã, onde por fora a casca dura faz a fruta aparentar ser não apropriada para se comer, mas dentro ela é linda, suculenta e doce, tal qual a vida cristã. Dentro do templo, ela é comparada com caridade, humildade e união. A quantidade de grãos unidos faz com que o fruto seja visto como símbolo de fartura, união e fecundidade. A semelhança com a vulva também traz a ideia de fertilidade.

Já na Maçonaria o simbolismo mais comum é o dos grãos unidos por uma camada gelatinosa, que  representa a fraternidade maçônica. Com lírios os maçons tomam as analogias comuns ao cristianismo, comparando a brancura dos lírios com a virgindade de uma moça. Porém, os lírios citados na Bíblia provavelmente eram um tipo diferente de flor avermelhada, e foram usados por Hiram Abiff para adornar as colunas. Como representam a virgindade e a pureza, liga-se naturalmente aos membros iniciados, recém chegados à Ordem.

As colunas são ornadas com sete voltas de corrente. Lembramos que o número sete é muito recorrente na cultura judaico-cristã, podendo representar diversas coisas. As correntes tanto podem relembrar a vida passada de encarceramento quanto a nova vida, com elos fortes de união.

Por fim, doze colunas enfeitam os lados norte e sul da parte interna do templo. São as Colunas Zodiacais, que representam os doze Signos zodiacais: Áries, Touro, Gêmeos, Câncer, Leão, Virgem, Libra, Escorpião, Sagitário, Capricórnio, Aquário e Peixes.

Cada uma dessas colunas leva consigo os diversos simbolismos astrológicos e leituras próprias da visão maçônica. Simbolicamente elas sustentam a abóbada do templo maçônico que, por sua vez, simboliza a abóbada celeste. Essa conjuntura dá ao próprio templo o simbolismo de Mundo.

 

 

4.  UTENSÍLIOS DE PEDREIRO    

 

 

Como já dissemos anteriormente, “Maçom”, do francês, significa pedreiro, e é por isso que praticamente toda a estrutura da simbologia maçônica se baseia nos antigos construtores de catedrais e castelos.

Além do Esquadro e do Compasso, outros utensílios fazem parte do conjunto simbólico.


 

4.1  Malho

 

O Malho (também chamado de maço e martelo) e o Cinzel são duas ferramentes utilizadas por profissionais da construção até os dias atuais, quando trabalham em pedra, madeira e diversos outros materiais. O malho, para começar, pode ser feito de diferentes materiais como ferro, madeira ou borracha, diferindo um pouco de alguns outros tipos existentes, mas na Maçonaria todos eles levam consigo o mesmo sentido de força de vontade, da força em si e da iniciativa.


  

4.2  Cinzel

 

O Cinzel é feito de ferro endurecido ou aço, podendo ter vários tipos, dependendo da necessidade, podendo ter a cabeça pontiaguda, arredondada, achatada e outras formas mais. Numa extremidade ele toca a pedra (ou outro material) e na extremidade oposta é socado pelo malho, por isso dando uma ideia de passividade.  É possível encontrar esses dois objetos fundidos num só, semelhante a uma pequena britadeira, onde o trabalho é facilitado.

Na simbologia maçônica estão relacionados ao desgaste da pedra bruta e ao trabalho do Aprendiz Maçom. Além desse simbolismo, o malho, sem o cinzel, é simbolo dos cargos de Venerável Meste e dos dois Vigilantes, em forma de malhete.

Assim como o Compasso e o Esquadro, o Malho e o Cinzel representam, respectivamente, a energia ativa e passiva. O cinzel exige a utilização do malho e não tem referência a ele isoladamente, simbolizando que o pensamento sem ação não tem eficácia.

Simbolizam também o começo do trabalho sobre a pedra bruta, onde o aprendiz prepara as pedras, desbastando as arestas e a transformando em uma pedra cúbica. Segurando o cinzel com a mão esquerda, dá-se o sentido de passividade, fazendo correspondência com o lado ponderado e intelectual que observa qual parte da pedra precisa ser aparada. O malho, segurado com a mão direita, representa a energia ativa, que executa o que foi planejado pelo cinzel e finaliza a aparagem.


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4.3  Malhete

 

O malhete é uma evolução do malho, mas utilizado por juízes para demonstrar o poder do magistrado. Na Maçonaria é utilizado pelos cargos de Venerável Mestre, Segundo Vigilante e Primeiro Vigilante, que dão o sinais para início, suspensão e fim dos trabalhos na Loja.

Também são utilizados com o intuito semelhante ao bater de palmas, onde os malhos são batidos várias vezes seguidas para demonstrar a mesma emoção das palmas.

Segundo Oswald Wirth, o MJÖLNIR do deus nórdico Thor é um indicio das primeiras utilizações do martelo como simbolismo da força e da ordem. Donar (alemão antigo), decorrente da língua protogermânica Þunraz (trovão). Seria equivalente a Júpiter, Tonante, para os romanos, e Sucellus para os celtas. Muitos deuses ferreiros ligados à construção e destruição utilizavam o simbolo do martelo. Também é a forma do tau.

 

4.4  Prumo ou Perpendicular

 

O prumo (perpendicular) e o nível são equipamentos utilizados para verificar a inclinação de planos em relação à vertical e à horizontal, respectivamente. Representam, assim como as duplas de utensílios anteriores, o masculino (prumo) e o feminino (nível). A perpendicular é formada por uma armação abobadada de onde desce um prumo até a base.
O nível é representado por um triângulo virado para cima, de onde desce um fio de prumo, ou perpendicular. O nível é formado por um esquadro, de onde desce um fio de primo do vértice. A Perpendicular é representante do Segundo Vigilante.

O prumo, que têm tanto a perpendicular quanto a horizontal, é representativa do Primeiro Vigilante, que leva consigo as atribuições dos dois. Os dois instrumentos e os dos Vigilantes simbolicamente servem para utilização correta das pedras cúbicas na construção dos templos simbólicos, que são as próprias pessoas.  O nível também é visto como um simbolo de igualdade entre as pessoas.

 

4.5  Trolha

 

A trolha (colher de pedreiro) é o símbolo da benevolência e tolerância. É utilizada para estender a argamassa e cobrir todas as irregularidades, fazendo parecer o edifício como formado por um único bloco. Com isso, a trolha pode ser considerada como um emblema de tolerância e de indulgência.

A trolha é o símbolo do amor fraternal que sugere a união de todos os maçons, como único cimento que cobre toda a edificação do templo. Passar a trolha significa esquecer as injúrias ou as injustiças, perdoar um agravo, dissimular um ressentimento e desculpar uma falta.

Na Maçonaria Operativa o Aprendiz ocupava-se do preparo dos materiais brutos, pelo que necessitava unicamente do malho e do cinzel. Esses materiais passavam depois às mãos dos Companheiros  (operários) que os colocavam convenientemente, servindo-se do prumo, do nível e do esquadro.

 

4.6  Régua

 

A régua é um instrumento que serve para aferir pequenas medidas e para auxiliar no desenho de segmentos de reta. Na Maçonaria, simboliza as unidades de medidas e o aperfeiçoamento. O aprendiz utiliza uma régua lisa, mas ao passar para o grau de companheiro passa a usar uma régua demarcada,  chamada de “Régua de 24 polegadas", simbolizando, cada polegada, uma hora do dia. A alavanca representa a força utilizada de modo sábio, ajudando a realocar as pedras nos seus devidos lugares.

Por último, o mestre verificava a exatidão com que foi feito o trabalho, dando a última demão e estendendo com a trolha o cimento, que une definitivamente todos os materiais. Por isso, considera-se que a trolha é um instrumento do Mestre Maçom. Em certas lojas inglesas, porém, a trolha é a ferramenta de trabalho do Mestre Instalado.

 

4.7  Avental

 

O avental é uma peça de vestuário que é amarrado à cintura, utilizado para proteção dianteira da roupa e do próprio usuário. Feito habitualmente de pano, serve para proteção de nódoas, ou de outro tipo de agressão exterior. Também pode ser encontrado em couro, plástico e diversos outros materiais.

O maçom recebe o avental no seu momento de iniciação, sendo peça obrigatória na vestimenta maçônica daí para a frente. É proibido ao maçom a permanência na loja sem estar usando o avental, o símbolo do trabalho maçônico. O avental para os Aprendizes é branco, tendo a aba levantada; para os Companheiros  ele é branco, com a aba abaixada; para os Mestres, dependendo da potência da Loja simbólica ou do rito praticado, o avental deve ser branco, orlado de vermelho ou azul celeste.

Antigamente, o avental era feito de pele de animal, mas hoje em dia é aceito com outros tipos de material. É, geralmente, composto por um retângulo, mas pode mudar de forma para um hexágono e para semicírculo, a que se sobrepõem uma abeta triangular.
Inicialmente os aventais não eram tão padronizados, podendo ser confeccionado de diversas maneiras. É fácil encontrar aventais que são verdadeiras obras de arte, como o da imagem à direita.

Hoje em dia os aventais são padronizados de acordo com a potência maçônica responsável, respeitando cada grau e cada rito. Para se ter ideia, pelo avental identifica-se o rito utilizado e o grau do maçom. No REAA cada um dos 30 graus tem seu avental apropriado.


          

 

 

5.  SÍMBOLOS DO TEMPLO

 

 

O Templo Maçônico é o nome dado ao prédio ou espaço físico onde os maçons se reúnem em Loja. Esses templos podem se diferenciar muito entre si, dependendo do rito adotado pela loja que o construiu, pelo estilo comum a cada país e  pelo nível financeiro dos que o utilizam. Mas há elementos em comum que fazem com que os templos sejam reconhecíveis, como a decoração simbólica encontrada na maioria deles. Podem até diferenciar em estilo, mas têm o mesmo valor simbólico.


5.1  Pedra bruta e Pedra polida

 

Para representar o ofício do maçom (pedreiro), encontra-se no interior do templo algumas pedras simbolizando o seu trabalho, como a pedra bruta e a pedra polida. A primeira é o objeto de trabalho do Aprendiz, que utilizando-se dos utensílios básicos irá desbastar a pedra bruta, retirando as arestas e imperfeições até deixá-la em formato cúbico para utilização na construção do prédio.

Este é o trabalho mais básico na construção e, consequentemente, na simbologia maçônica, onde a alegoria se refere ao Aprendiz como a própria pedra bruta que será burilada, assim como os vícios que atrapalham a construção de uma sociedade mais justa.

O mestre, com seus utensílios, verifica se a pedra está realmente cúbica e o objeto é passado para um companheiro que irá providenciar um polimento. O trabalho do Companheiro é receber a pedra cúbica e refinar o trabalho, polindo e deixando-a perfeita para utilização no prédio.

A Pedra Bruta é o símbolo das imperfeições do espírito que os maçons devem procurar corrigir; e também, da liberdade total do Aprendiz e dos maçons em geral.

A pedra pronta e polida é a representação do Mestre Maçom, aperfeiçoado e pronto tanto para ser utilizado na construção do prédio quanto para auxiliar os Aprendizes e Companheiros nas suas jornadas.


                                     

 

5.2  Estrela de Cinco Pontas

 

 

As Estrelas representam as lágrimas da beleza da Criação. Olhemos para cima, para o céu e encontraremos a nossa estrela-guia, que representa o homem nos seus cinco aspectos: físico, emocional, mental, intuitivo e espiritual, totalmente realizado e uno com o Grande Arquiteto do Universo.

Chamada de Estrela do Oriente ou Estrela da Iniciação, a estrela de cinco pontas é para os maçons cristãos aquela que simbolizou o nascimento de Jesus, o símbolo do Homem Perfeito, da Humanidade plena entre Pai e Filho. Sua figura sugere um homem de braços abertos, mas sem virilidade, porque dominou as paixões e emoções.

Na Maçonaria e nos seus templos, a abóbada celeste está adornada de estrelas, que é o emblema do gênio flamejante que leva a grandes coisas com a sua influência. Ela é o emblema da paz, do bom acolhimento e da amizade fraternal.

Apresentando ligação com os cinco elementos encontrados dentro de um homem, e que constituem o microcosmo (fogo, terra, ar, água e éter), este último sendo uma substância relacionada ao espírito, a estrela apresenta uma variedade de nomes como: pentagrama, pentalfa, estrela rutilante, etc.

Diz-se também ser o símbolo que exalta a feminilidade, uma vez que representa a deusa Vénus e traz em sua forma a trajetória realizada a cada oito anos por esse planeta em relação à Terra. A estrela tem relação com o homem de braços e pernas abertos com o “Homem Vitruviano” de Leonardo da Vinci.

Nos templos da Maçonaria, a abóbada celeste está adornada de Estrelas, representando as lágrimas da beleza da Criação ou menos dogmaticamente a extensão do universo onde nos encontramos.

 

5.2  Acácia

 

A Acácia é, por excelência, a planta símbolo da Maçonaria, sendo utilizada pelos Mestres Maçons como sinal de identificação, representando a segurança, a clareza, e também a inocência ou pureza.

A Acácia foi tida na Antiguidade, entre os hebreus, como árvore sagrada, sendo depois adaptada como símbolo maçônico. Os antigos costumavam simbolizar a virtude e outras qualidades da alma com diversas plantas e a Acácia é inicialmente um símbolo da verdadeira iniciação para uma nova vida, a ressurreição para uma vida futura.

 

5.3  Outros Símbolos


 

5.3.1   Delta

 


Triângulo luminoso que representa, entre outros significados, a força para expandir-se.
     

 

5.3.2   Delta Luminoso

 


Quarta letra do alfabeto grego, é o emblema da Tri-unidade. É o primeiro polígono. Tanto nas Igrejas Judaico-cristãs como nos templos maçônicos está geralmente envolvida de uma “glória”, e centrada pela letra G.

É o símbolo da tripla força indivisível e divina, que se manifesta como Vontade, Amar e Inteligência cósmicos ou ainda os Pólos positivo e negativo e o efeito de sua união. É, às vezes, figurado por três pontos.


                                          

 

5.3.2  Pavimento em Xadrez

 

Outros chamam a essa decoração de “Pavimento de mosaico”, composta por quadrados pretos e brancos, com que devem ser revestidos os templos ou o centro destes são o símbolo da diversidade do globo e das raças, unidas pela Maçonaria e da oposição de diversos contrários, bem e mal, espírito e corpo, luz e trevas.

 

 

5.3.3  O Templo

 


O templo é o símbolo da construção maçônica por excelência, da paz profunda para que tendem todos os maçons. Construindo o seu templo interior e construindo, em conjunto com os irmãos, um templo universal.

 

 

5.3.4   Três Pontos

 


Os três pontos representam um triângulo e é um símbolo com várias interpretações, aliás conciliáveis: a primeira seria luz, trevas e tempo;  a segunda seria passado, presente e futuro;  a terceira seria sabedoria, força e beleza;  a quarta seria nascimento, vida e morte;  a última seria liberdade, igualdade e fraternidade.

 

5.3.5   O número 9

 

O número 9 é o princípio da Luz Divina, Criadora, luz que ilumina todo pensamento, todo desejo e toda obra, exprimindo externamente a Obra de Deus que mora em cada homem, para descansar depois de concluir sua Obra, o homem novenário que pelo triplo do ternário é a união do absoluto com o relativo, e  do abstracto com o concreto. O número nove, no simbolismo maçônico, desempenha um papel variado e importante com significados aplicados na sua forma ritualista. O número 9 é o número dos Iniciados e dos Profetas.


5.3.6  Escada Caracol

 


Essa escada mostra a difícil trajetória do Companheiro. Com seus degraus em espiral, ela representa a dificuldade em subir, aprender a autoaperfeiçoar-se, mostrando que a evolução não se desenvolve de uma forma constante e retilínea. Ela tem seus altos e baixos. Sua persistência em busca da luz, será a recompensa, pois atingirá o topo da escada.

 


5.3.7  Escada de Jacó

 

“E Jacó sonhou: e eis que uma escada era posta na terra, porque o sol era posto; e eis que os anjos de Deus subiam e desciam por ela; e eis que o Senhor estava em cima dela.” (Geneses 28:12,13).

A escada mística vista por Jacó simboliza o ciclo involutivo e evolutivo da vida, em seu perpétuo fluxo e refluxo, através de nascimentos e mortes, a desdobrar-se em hierarquias de seres, potestades, mundos, reinos e vida e raças.

Segundo as tradições maçônicas, a escada, com esse significado, consta de 14 degraus. Na verdade, seus degraus são tantos quantos são as virtudes necessárias ao aperfeiçoamento de cada um. As três mais importantes são a , a Esperança e a Caridade, ali simbolizadas pela Cruz, a Âncora e o Cálice.


 

 

6.  GABINETE DE REFLEXÃO

 

 

O Gabinete de Reflexão é um cômodo de apenas um vão, tendo suas paredes e teto pintados de preto e inscrições de frases e símbolos na parede. A depender da loja, ele pode ter mais ou menos objetos, símbolos e frases na parede. Os mais constantes são o galo, a foice, a ampulheta, uma pequena chama de vela ou de lanterna, pão, um pequeno vaso de água e taças, um esqueleto ou parte dele, normalmente o crânio, enxofre, sal e mercúrio, faixas, folha de papel e caneta, uma mesa e uma cadeira.

A sala é usada no começo da iniciação maçônica, sobretudo no Rito Escocês e tem seu simbolismo voltado para a reflexão sobre a morte e a finitude do ser humano. O pão e a água simbolizam simplicidade e humildade.

Alguns cristão jejuam a pão e água, indicação da própria Santa Maria, pela tradição católica. Ao mesmo tempo que é simbolo de humildade, também é simbolo de força o suficiente que o ser humano precisa. A água é simbolo de vida e de pureza, indispensável para qualquer tipo de vida, além de limpar e purificar.

O enxofre, o sal e o mercúrio também estão presentes na sala, elementos que tomam o sentido alquímico, referindo-se às leis herméticas e à criação da Pedra Filosofal. O enxofre também simboliza o masculino, enquanto o mercúrio simboliza o feminino e o sal é o elemento neutro e de ligação entre os dois anteriores. O sal e o enxofre encontram-se realmente no gabinete, normalmente em pires ou recipientes de vidro.

Diferentemente, o mercúrio é representado pela figura do galo, animal que representa o alvorecer e a vigilância. Também usado no topo das torres de igrejas, a figura do galo representa a vontade de agir logo cedo e também o anúncio que traz o nascer do Sol. Esses três elementos indicam que o iniciado precisará passar por uma transmutação alquímica, a mudança de um metal pobre para o metal valioso.

Os símbolos fúnebres representam a finitude e a morte, como os ossos, o esqueleto, a foice e a ampulheta. Eles servem para lembrar ao iniciado que ele é finito e que ele morreu para o mundo profano (termo maçônico para o mundo fora da Maçonaria).

Os ossos indicam a finitude e igualdade na morte,enquanto que a foice é o símbolo da própria morte e a ampulheta representa a marcação de pequenos intervalos de tempo, como a própria vida. Os três símbolos são bastante recorrentes na arte fúnebre cristã e na decoração de cemitérios, túmulos e mausoléus.

 


PESQUISAS BIBLIOGRÁFICAS

 

 


BOUCHER, Jules. A Simbólica Maçônica. Editora Pensamento, 2016. 400 p.

CHEVALIER, Jean; GHEERBRANT, Alain. Dicionário dos Símbolos. Editorial Teorema, 1994. ISBN 978-9726952152

DA CAMINO, Rizzardo. Dicionário Maçônico. São Paulo, Mandras Editora, 2013.

FIGUEIREDO, Joaquim Gervasio de. Dicionário de Maçonaria. Editora Pensamento, 2016. 516p.

D'ELIA JUNIOR, Raymundo. Maçonaria: 100 instruções de aprendiz. Editora Madras, 2012. 368p.

Revista SUPERINTERESTANTE. O que é e como surgiu a maçonaria. Publicação de 28/02/2001


PESQUISADOR


Walmir Damiani Corrêa
www.elevados.com.br

Por: Walmir Damiani Corrêa

Publicado em 22/05/2020

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