A mulher sunanita

 

A MULHER SUNANITA

 

 

 

INTRODUÇÃO

 

 

Os estudiosos do Século 19 tiveram a preocupação de penetrar na obscuridade do passado, e descobrir a importância que os profetas desfrutavam nos tempos do Antigo Testamento. O entusiasmo popular por esses homens tornou-se tão relevante que dominou os temas estudados sobre aquela época.

Esse destaque, a princípio, se baseava em experiências espirituais e pessoais, o que hoje em dia se considera um “chamado”. Era comum que as pessoas se dirigirem aos profetas para que intercedessem junto a Deus, por elas, em nome delas. Era costume também que eles orassem a Deus no lugar delas, que averiguasse a vontade de Deus para elas. Que orassem por cura, para elas. O versículo 7 do capítulo 20 de Gênesis exemplifica bem essa situação.

Veja, agora, no relato bíblico de II Reis, como aconteceu a história da mulher sunanita, assim chamada porque morava num lugar chamado Suném, na região sul da Galileia, próxima ao monte Moré e não muito longe do Monte Gilboa, uma terra frutífera, bem regada, uma das regiões mais produtivas de todo o Israel.

 

 

REGISTRO BÍBLICO

 

 

Certo dia, Eliseu foi a Suném, onde uma mulher rica insistiu que ele fosse tomar uma refeição em sua casa. Depois disso, sempre que passava por ali, ele parava para uma refeição. Em vista disso, ela disse ao marido: "Sei que esse homem que sempre vem aqui é um santo homem de Deus. Vamos construir lá em cima um quartinho de tijolos e colocar nele uma cama, uma mesa, uma cadeira e uma lamparina para ele. Assim, sempre que nos visitar ele poderá ocupá-lo".

Um dia, quando Eliseu chegou, subiu ao seu quarto e deitou-se. Ele mandou o seu servo Geazi chamar a sunamita. Ele a chamou e, quando ela veio, Eliseu mandou Geazi dizer-lhe: "Você teve todo este trabalho por nossa causa. O que podemos fazer por você? Quer que eu interceda por você ao rei ou ao comandante do exército?"  Ela respondeu: "Estou bem entre a minha própria gente".

Mais tarde Eliseu perguntou a Geazi: "O que se pode fazer por ela?"  Ele respondeu: "Bem, ela não tem filhos, e seu marido é idoso". Então Eliseu mandou chamá-la de novo. Geazi a chamou, ela veio até a porta, e ele disse: "Por volta desta época, no ano que vem, você estará com um filho nos braços".

Ela contestou: "Não, meu senhor. Não iludas a tua serva, ó homem de Deus!" Mas, como Eliseu lhe dissera, a mulher engravidou e, no ano seguinte, por volta daquela mesma época, deu à luz um filho. 

O menino cresceu e, certo dia, foi encontrar-se com seu pai, que estava com os ceifeiros. De repente ele começou a chamar o pai, gritando: "Ai, minha cabeça! Ai, minha cabeça!" O pai disse a um servo: "Leve-o para a mãe dele". O servo o pegou e o levou à mãe. O menino ficou no colo dela até o meio-dia e morreu. Ela subiu ao quarto do homem de Deus, deitou o menino na cama, saiu e fechou a porta. Ela chamou o marido e disse: "Preciso de um servo e de uma jumenta para ir falar com o homem de Deus. Vou e volto logo". Ele perguntou: "Mas por que hoje? Não é lua nova nem sábado!" Ela respondeu: "Não se preocupe". Ela mandou selar a jumenta e disse ao servo: "Vamos rápido; só pare quando eu mandar". Assim ela partiu para encontrar-se com o homem de Deus no monte Carmelo. Quando ele a viu à distância, disse a seu servo Geazi: "Olhe! É a sunamita! Corra ao seu encontro e pergunte a ela: 'Está tudo bem com você? Tudo bem com seu marido? E com seu filho? "

Ela respondeu a Geazi: "Está tudo bem".

Ao encontrar o homem de Deus no monte, ela se abraçou aos seus pés. Geazi veio para afastá-la, mas o homem de Deus lhe disse: "Deixe-a em paz! Ela está muito angustiada, mas o Senhor nada me revelou e escondeu de mim a razão de sua angústia". E disse a mulher: "Acaso eu te pedi um filho, meu senhor? Não te disse para não me dar falsas esperanças?" Então Eliseu disse a Geazi: "Ponha a capa por dentro do cinto, pegue o meu cajado e corra. Se você encontrar alguém, não o cumprimente e, se alguém o cumprimentar, não responda. Quando lá chegar, ponha o meu cajado sobre o rosto do menino". 

Mas a mãe do menino disse: "Juro pelo nome do Senhor e por tua vida que, se ficares, não irei". Então ele foi com ela. Geazi chegou primeiro e pôs o cajado sobre o rosto do menino, mas ele não falou nem reagiu. Então Geazi voltou para encontrar-se com Eliseu e lhe disse: "O menino não voltou a si". Quando Eliseu chegou à casa, lá estava o menino, morto, estendido na cama. Ele entrou, fechou a porta e orou ao Senhor. Depois deitou-se sobre o menino, boca a boca, olhos com olhos, mãos com mãos. Enquanto se debruçava sobre ele, o corpo do menino ia se aquecendo. Eliseu levantou-se e começou a andar pelo quarto; depois subiu na cama e debruçou-se mais uma vez sobre ele. O menino espirrou sete vezes e abriu os olhos.

Eliseu chamou Geazi e o mandou chamar a sunamita. E ele obedeceu. Quando ela chegou, Eliseu disse: "Pegue seu filho". Ela entrou, prostrou-se a seus pés, curvando-se até o chão. Então pegou o filho e saiu. (2 Reis 4:8-37)

 

 

 

A MULHER SUNANITA

 

 

Resumindo o relato bíblico acima, essa mulher de Suném era rica, casada, e certa vez convidou o profeta Eliseu para almoçar em sua casa. Convencida dos valores espirituais desse homem, comunicou ao marido que gostaria de construir um quarto para o profeta no terraço superior da casa, para que ele o utilizasse sempre que passasse por Suném. Assim fez e assim passou a acontecer. 

Como profeta, ele sentiu que o maior desejo dessa mulher era ter um filho de seu marido já velho, embora já não esperasse mais isso. Mas, conforme disse Eliseu, o sonho foi realizado. Um dia o menino adoeceu, teve uma dor de cabeça fortíssima e morreu. A mãe, uma mulher de muita fé, sentiu que deveria colocar o corpo do menino sobre a cama que o profeta Eliseu costumava ocupar para dormir, quando passava por aquela localidade.

Eliseu se encontrava em sua casa quando foi encontrado por um emissário da mulher sunanita, que veio anunciar o ocorrido.  Eliseu pensou em apenas mandar seu servo Geazi até lá para ministrar sobre o corpo do menino com o cajado de Elias. Mas, com a insistência da mulher, o profeta levantou-se e partiu em direção a Suném, para ver o ocorrido. 

Chegando à casa da família, subiu até o quartinho, deitou-se sobre o corpo do menino morto, fixou seus olhos nos olhos dele, sua boca sobre a boca dele, suas mãos sobre as mãos dele e o corpo do menino começou a se aquecer. O profeta deitou-se novamente sobre o corpo do menino, quando aconteceu algo indescritível: o menino espirrou sete vezes e abriu os olhos, ressuscitando.

 

 

AUTOR DA PESQUISA

Walmir Damiani Corrêa

www.elevados.com.br

 

 

Por: Walmir Damiani Corrêa

Publicado em 01/07/2020

Procedência - www.elevados.com.br

Todos os direitos reservados ©elevados.com.br 2013 - 2021