Policarpo de Esmirna

 POLICARPO 

DE ESMIRNA
 
 
 

 
 
 
Dados biográficos 
 
 
Como acontece com a maioria dos personagens antigos, as datas de seus nascimento e morte podem sofrer diferentes posicionamentos.
 
A princípio, o nome verdadeiro desse cristão era Polycarp, e ele teria nascido no Ano 68 d.C. na cidade de Esmirna. Sua morte aconteceu em 23 de fevereiro de 155 d.C., na mesma cidade, quando ele já teria alcançado a idade de 86 anos. O nome de sua mãe era Theodora.
 
 
Importância de Policarpo
 
 
Policarpo viveu nos anos que se seguiram à morte dos apóstolos, quando estava sendo pregada uma grande variedade de interpretações sobre o que Jesus havia dito e feito. Seu papel foi de autenticar o que seria considerado "ortodoxo" através de sua famosa relação com o apóstolo João. 
 
Policarpo viveu numa época cuja ortodoxia é geralmente aceita pelas igrejas cristãs ortodoxas, católicas orientais, por grupos adventistas, protestantes (tradicionais, não reformados) e católicos. Todos esses fatos aumentam muito o interesse sobre sua obra.
 
Policarpo de Esmirna ocupa um lugar importante na história do cristianismo primitivo, pois ele está entre os primeiros cristãos cuja alguma obra sobreviveu. Como veremos a seguir, é provável que ele tenha conhecido o apóstolo João. Ele era também o ancião de uma congregação que teve importante papel na consolidação da Igreja Cristã. 
 
Observem o testemunho de pensadores antigos e modernos sobre a importância da vida desse homem: 
 
“O testemunho de Policarpo considerava a ficção dos professores heréticos como novidades ofensivas à Palavra de Deus.” (Henry Wace)
 
”Policarpo era companheiro de Papias de Hierápolis, outro que "ouviu os discursos de João” (Bispo Ireneu de Lyon)
 
“Policarpo pode ter sido um dos que compilaram, editaram e publicaram o que depois veio a ser chamado de "Novo Testamento". (David Trobisch)
 
“Um homem cuja estatura estava acima do normal, e cujo testemunho era mais firme sobre a verdade do que de pessoas famosas como Marcião, Valentim e muitos outros pensadores heréticos (gnósticos).”  (Bispo Ireneu de Lyon) 
 
“Eu testemunho que Policarpo teve contato com João. (Pápias) 
 
“Policarpo havia sido discípulo do apóstolo João, fato atestado por mim e por Tertuliano, que testemunhamos seus discursos quando ainda éramos jovens.” (Bispo Ireneu de Lyon)
 
“Inácio de Antioquia endereçou uma carta a Policarpo, mencionando isso em suas próprias correspondências para os efésios e para os magnésios.”  
 
“Fragmentos de Harris, uma hagiografia esmirniota mostrando um contexto de rivalidade entre as igrejas de Esmirna e Éfeso, através de papiros fragmentários datados entre os séculos III e VI d.C. Eles foram interpretados por mim, comprovando a associação de Policarpo ao apóstolo João, mas ecoando num martírio do apóstolo que nunca ficou comprovado.”  (Frederick Weidmann)
 
 
Histórias sobre Policarpo
 
 
Policarpo de Esmirna foi um bispo da igreja de Esmirna do século II d.C. De acordo com a obra "Martírio de Policarpo", ele foi apunhalado quando estava amarrado numa estaca para ser queimado vivo, sendo que as chamas milagrosamente não o tocavam. Ele é considerado, por isso, um mártir e um santo por diversas denominações cristãs. 
 
A tradição primitiva que foi expandida pelo "Martírio...", ligando Policarpo em contraste com o apóstolo João que, apesar de muitas tentativas de assassinato, não foi martirizado e teria morrido de velhice após ser exilado para a ilha de Patmos, se baseia nos chamados.
 
 
 
Martírio de Policarpo de Esmirna
 
 
O Bispo Ireneu de Lyon considerava a memória de Policarpo como tendo uma ligação direta com o passado apostólico, quando relata quando e como ele se tornara cristão e, em sua epístola a Florinus, afirmou ter visto e ouvido Policarpo pessoalmente na Ásia Menor.
 
Pápias relata ter ouvido o registro de uma discussão de Policarpo e com outros que haviam visto Jesus, e reportando depoimento de Jerônimo de que Policarpo se convertera pelas mãos dos apóstolos e que por eles foi consagrado bispo. Por diversas vezes Jerônimo enfatiza a idade avançada de Policarpo, uma forma de confirmar a verdade daquilo que está afirmando.
 

Visita a Aniceto
 
 
De acordo com Ireneu de Lyon, durante o papado de seu conterrâneo sírio, Aniceto, nas décadas de 150 ou 160, Policarpo teria visitado Roma para discutir as diferenças que existiam entre as práticas asiáticas e romanas "com relação a certas coisas" e especialmente sobre a data da Páscoa. Ireneu afirma que sobre "certas coisas" os dois bispos rapidamente chegaram num acordo, enquanto que sobre a Páscoa, cada um continuou aderindo às suas próprias tradições, sem contudo quebrar com a comunhão entre as igrejas. 
 
Policarpo seguia a prática oriental de celebrar a Páscoa no 14 de Nisan, o dia da Pessach judaica, sem se preocupar em qual dia da semana ele caía, enquanto que em Roma a Páscoa era celebrada sempre aos domingos (vide quartodecimanismo). Segundo Aniceto, as fontes romanas concedem este ponto como sendo uma honraria especial, permitindo que Policarpo celebrasse a Eucaristia em sua própria igreja. 
 
Ainda estando em Roma, Policarpo teria conhecido alguns hereges gnósticos valentianos, inclusive o próprio Valentim, e encontrou-se com Marcião, a quem Policarpo chamava de "primogênito de Satanás".
 
 
Obras de Policarpo
 
 
A única obra sobrevivente atribuída a Policarpo é a “Epístola de Policarpo aos Filipenses e seu martírio: Os primeiros cristãos”, enviada em 110 d.C., um mosaico de referências às Escrituras em grego, preservada no relato de Ireneu sobre a vida do Bispo de Esmirna. 
 
Também se atribui a ele o livro “Epístola de Policarpo aos Filipenses"
 
 

Epístola de Policarpo aos Filipenses
 
 
 
Num trecho do “Martírio”, que tem a forma de uma carta circular da Igreja de Esmirna para as demais igrejas da província do Ponto, é parte de uma coleção de escritos dos Padres Apostólicos. Juntamente com os Atos dos Apóstolos, que contém o relato do martírio de Santo Estevão, o “Martírio de Policarpo” é considerado como sendo uma dos mais antigos relatos genuínos de martírios cristãos e um dos poucos relatos sobreviventes compostos na época das perseguições.
 
 
 
AUTOR DA PESQUISA
 

Walmir Damiani Corrêa
www.elevados.com.br

 

Por: Walmir Damiani Corrêa

Publicado em 24/06/2021

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