A menina de Israel

 

A MENINA DE ISRAEL

UMA PERSONAGEM ANÔNIMA DA BÍBLIA
 
 
 
 
 
Naamã, chefe do exército do rei da Síria, era um grande homem diante do seu senhor, e de muito respeito, porque por ele o Senhor dera livramento aos siros. Era este um homem valente, porém leproso. 
Saíram tropas da Síria e da terra de Israel e levaram presa uma menina que ficou a serviço da mulher de Naamã. Disse esta à sua senhora: Oxalá o meu senhor estivesse diante do profeta que está em Samaria! Ele o restauraria da sua lepra.
Naamã foi ao seu senhor, e lhe disse o que a menina da terra de Israel havia falado. Respondeu o rei da Síria: Vai, anda, e enviarei uma carta ao rei de Israel. Assim Naamã partiu, levando consigo dez talentos de prata, seis mil ciclos de ouro e dez mudas de vestidos.  Entregou a carta ao rei de Israel, que dizia: Logo, chegando a ti esta carta, saberás que eu te enviei Naamã, meu servo, para que o restaures da sua lepra.  (2 Reis 5:1-6)
 
 
Esse texto da Palavra de Deus é muito rico em mensagens para todos aqueles que nele se detiverem. Trazendo uma variedade muito grande de ensinamentos. Nós, porém, procuramos vislumbrar apenas a figura discreta dessa menina de Israel, que apesar de ter sido levada como escrava por Naamã, sentia amor pela vida daquele homem e dava testemunho da grandeza do seu Deus, através das ações de um profeta de Samaria, para cura da lepra que vinha consumindo a vida de Naamã.
 

 
FIDELIDADE NA DIFICULDADE
 
 
 
O que começa nos chamando a atenção é que esse testemunho vigoroso vem de uma menina, no máximo de uma mocinha, e não de alguém de expressão no reino da Síria, nem de Israel. Sua vida estava desabrochando, se desenvolvendo, nada era definitivo, nem formado por experiência dos anos. Era uma menina, diz o texto sagrado, que conseguiu dar esse testemunho vibrante do poder de Deus.
 
Se parássemos por aqui, já teríamos encontrado nesse texto o alento, o conforto, a instrução, orientação e diretriz de Deus para nossas vidas, através de uma menina discreta, sem expressão, cujo nome nem foi registrado no texto bíblico. Nós, que somos do Povo de Deus, que vivemos no Brasil neste tempo, nós que já temos recebido tantas coisas do Senhor, recebemos muito mais do que essa menina recebera, na sua época, porque ela era escrava, tinha sido levada cativa por Naamã, chefe do exército do rei da Síria, para uma terra distante de seus pais
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Essa menina, apesar da situação difícil em que se encontrava, em momento algum duvidou da existência e da grandeza de Deus; pelo contrário, dava testemunho para os incrédulos, mantinha seu coração cheio de amor pelas almas. Como agia diferente de alguns de nós, hoje, neste final do século XX, tão desanimados! Bastam algumas lutas e já esfriamos na nossa fé, no nosso fervor espiritual, permitindo que pensamentos negativos se instalem em nós, e alimentemos alguns sentimentos que não agradam ao Senhor, consciente ou inconscientemente. Se Deus permite que passemos por algumas provações, isso não deveria ser motivo de pararmos de fazer as coisas que vínhamos fazendo para Deus. 
 
É claro que ninguém está livre dos problemas que andam por aí, pois estamos num mundo que jaz no maligno. O fato de sermos crentes em Jesus não nos isenta de passarmos por problemas. O próprio Jesus Cristo deixou dito que no mundo teríamos tribulações, mas que deveríamos ter bom ânimo, porque Ele venceu o mundo. (João 16:33) O importante é que continuemos fiéis ao nosso Deus. É como diz Romanos 14, no versículo 8: “Quer morramos, quer vivamos, somos do Senhor.”  Não importa o que nos aconteça!  Com luta ou sem luta, nosso nome está escrito no Livro da Vida; com provação ou sem provação, devemos nos manter fiéis ao nosso Deus, pois o mais importante nessa vida é nos mantermos atrelados ao coração de Deus, nos mantermos em comunhão com o nosso Senhor.
 
 
 
CIRCUNSTÂNCIAS NÃO ALTERAM A FÉ
 
 
 
Outro ponto em que queremos nos deter agora, é o fato dessa menina ter vindo das terras de Israel, do Povo de Deus, pertencendo, então a Deus. De posse dessa informação básica, vamos refletir juntos acerca de uma coisa: se pertencemos a Deus, temos que ter reações compatíveis com essa realidade. Não se concebe que alardeemos pertencer a Deus e que reajamos de forma incompatível com essa realidade.
 
Essa menina, por atitudes, mostra credenciais de filha de Deus, mostra-se identificada com Ele todo o tempo, uma vez que nada do que lhe estava acontecendo lhe tirava a comunhão que tinha com o Senhor. Se pertencemos a Deus, temos que ser fiéis a Ele em qualquer circunstância. Deus requer essa fidelidade de nós!  Imagine, por exemplo, o Brasil ser invadido pela Argentina, muita gente morrendo, e os que escapam sendo levados presos para aquele país!  Será que você permaneceria dando testemunho do seu Deus? Ou isso só pode acontecer enquanto você estiver morando numa bela casa, tendo um bom emprego e um carro do ano?  Você se manteria com a mesma fé no cativeiro, longe de tudo que antes lhe pertencia, como os amigos, namorada, parentes, Igreja? Você se interessaria pela cura das pessoas que lhe levaram cativo para o outro país?
 
 

 


 

PAGANDO O MAL COM O BEM
 
 
 
Dar testemunho para uma pessoa que queremos bem é um prazer, uma atitude fácil de ser tomada, mas testemunhar para uma pessoa que nos faz o mal é muito diferente!  É aqui que vemos a grandeza de caráter dessa menina, que ficou como um exemplo a cada um de nós, o que é natural, pois o caráter é a primeira coisa que Deus transforma quando passamos a pertencer a Ele.
 
São atitudes desse quilate que mostram uma verdadeira obra regeneradora de Deus numa vida. Vemos aí um exemplo de uma pessoa passando do império da morte para o Reino de Deus. Se pertencemos a Deus, nosso caráter deve se parecer com o caráter de Deus.
 
Existe um texto de 1 Pedro 2:9 que se encaixa perfeitamente ao caráter dessa menina, quando diz que “somos propriedade exclusiva de Deus, nação santa, o sacerdócio real, povo adquirido, a fim de anunciar as virtudes d’Aquele que nos chamou das trevas para a Sua verdadeira luz.”  A menina dava testemunho de Deus, porque pertencia a esse Deus! Antes de Deus mudar o caráter, nós pagávamos o mal com o mal, porém, mediante a restauração, aparece a mudança: passamos a pagar o mal com o bem. Romanos 12:20-21 diz: “Se teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber, pois assim amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça.”  
 
Você sabe o que quer dizer “amontoar brasas de fogo sobre a cabeça”? Isso quer dizer queimar a consciência de alguém, queimar-lhe a maldade, fazendo com que essa pessoa se arrependa daquilo que nos tem feito. Já imaginaram como ficou a cabeça de Naamã, quando voltou curado para a sua terra? O que será que fervilhava na sua cabeça? O que será que ele pensava?
 
“Não te deixes vencer pelo mal, mas vença o mal com o bem.” (Romanos 12:21) Se não soubéssemos que essa menina foi uma personagem do Antigo Testamento, pensaríamos que ela tinha lido esse texto escrito por Paulo e o colocado em prática. Ela era fiel a Deus no momento da dificuldade.
 
Lembram daquele ensino de Jesus, no Sermão da Montanha?  “Se você cumprimenta ao seu amigo que lhe cumprimenta, o que estarão fazendo de excepcional? Que grandeza de caráter há nisso?”  E disse mais: “Amai aos vossos inimigos, bendizei aos que vos maldizem, fazei o bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem, para que sejais filhos o vosso Pai Celeste, que é bom para com todos, e faz com que o sol se levante sobre os que são maus e bons, e que sua chuva desça sobre todos, indistintamente.”  (Mateus 5:44-48)
 
A falta desses sentimentos novos, dessas atitudes novas, são provas de que não estamos refletindo a glória e o caráter do Deus Criador. São as reações que medem o nível da espiritualidade humana, porque as ações podem ser planejadas, mas as reações, não; elas saem instantaneamente, naturalmente, sem tempo para serem mascaradas ou planejadas.
 
Se continuarmos no nosso texto, veremos que Naamã crê naquilo que foi sugerido pela menina, pois viajou para Israel, procurou humildemente pelo profeta Eliseu e, seguindo seu conselho, mergulhou sete vezes no Rio Jordão, curando-se completamente da lepra que o acometia. Foi abençoado pela menina que ele tinha aprisionado. A brasa de fogo deve ter provocado muitos pensamentos e reflexões em Naamã.
 
 
 
 
Pagar o mal com o mal traz prisão espiritual para ambos os lados; faz aumentar as barreiras já existentes, pois o caminho de Cristo é diferente: amor e perdão.
Esse texto que analisamos é maravilhoso, porque a menina dá testemunho de Deus, mostra aos outros o caminho da Salvação, mesmo passando por um momento difícil, fazendo o bem a quem lhe fizera o mal.
 
 
 
 

 

NADA NOS DEVE IMPEDIR DE SERVIR A DEUS

 

 
 
 
Como já falamos no início, essa menina não tinha expressão político-social, e nem ser humano completo era ainda, dada a sua pouca idade, calculada pelos estudiosos entre 10 a 14 anos. Porém, ela passou por cima de todas essas transitoriedades de criança a adolescente, e serviu a Deus de maneira mais madura do que muitas pessoas idosas que vemos por aí, pois algumas pessoas, quando atingem um estágio de conhecimento geral, tendem a fugir de certas responsabilidades que são colocadas por Deus em suas mãos.
 
A menina foi um exemplo: Ela estava em luta, escravizada, separada abruptamente de seus familiares, distante de tudo o que fazia parte do seu cotidiano, menos de Deus!  Quando pertencemos a Deus, nada é desculpa para que sejamos impedidos de servi-Lo. Não se desculpe por não servir a Deus, nem busque motivos onde não existem:  Igreja, o seu pastor; outros problemas que se instalaram na sua vida...  Quantos motivos!  Você vai servir a Deus porque é criação d’Ele, porque pertence a Ele!
 
A obediência de Naamã
 
 
Encerrando, fica uma sugestão: se você está passando por uma vale sombrio, por uma situação difícil, faça desse vale e dessa luta o seu motivo de bênção, um motivo para si e para outras pessoas. Tire partido de tudo que Deus permite que você passe!  A menina não poderia testemunhar de Deus para Naamã, sem ter sido escravizada por ele. Deus sabe de todas as coisas. Basta que tenhamos capacidade para discernir essas coisas e humildade para assimilá-las, nos submeteremos a elas. Só assim a glória de Deus será vista na nossa vida e na vida daqueles que nos cercam. (Romanos 8:28)
 
 
 
 
AUTOR DO ESTUDO
 

 

Pr. Bartolomeu Severino de Andrade
 
 
Essa mensagem foi pregada pelo Pr. Bartolomeu em 1996 na Igreja ADI, em Tubarão/SC, sendo gravada, estruturada em texto e revisada por Walmir Damiani Corrêa, do www.elevados.com.br 

 

Por: Bartolomeu de Andrade

Publicado em 01/09/2021

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