Tipos de medo

 TIPOS DE MEDO

 

 
 
Tomarão as suas tendas, os seus rebanhos, as suas cortinas e todos os seus bens, e os seus camelos levarão para si, e lhes gritarão: Há terror de todos os lados. Fugi, desviai-vos para muito longe, habitai nas profundezas, ó moradores de Hazor, diz o Senhor. Nabucodonosor, rei da Babilônia, tomou conselho contra vós, e formou um desígnio contra vós.   (Jr 49:29-30)
 
 
 
Introdução
 
 
 
Há medos por todos os lados, medo que é produto das ações erradas do homem, o homem que tem medo porque peca, porque falha, porque tem consciência do seu erro.
 
Em Gênesis 3:9,10, bem no início da Bíblia, relata-se, pela primeira vez, esse tipo de comportamento. Foi no dia da queda, aquele dia tão triste para o Senhor: “E chamou o Senhor Deus ao homem e lhe perguntou: Onde estás? E lhe respondeu: Ouvi a Tua voz no jardim e porque estava nu, tive medo e me escondi.”
 
Foi a primeira manifestação de medo do homem, diante da sua falha, do seu pecado, da sua desobediência perante Deus. Nossos medos são produtos das nossas ações erradas, não só diante de Deus, mas também diante dos homens, da Igreja, da sociedade, etc.
 
A partir de agora, passaremos a citar os motivos de medo gerados pelo pecado, ou seja, pela nossa atitude contrária à vontade de Deus.
 
 

Medo do inferno
 
 
 
Muitas pessoas estão servindo a Deus, na Igreja, porque temem ir para o inferno, colocando em segundo plano o louvor e a adoração ao Criador. A Igreja se transforma numa válvula de escape, para tentar “driblar” o diabo, e assim caracteriza-se a motivação errada em servir ao Senhor.
 
Ao lembrarmos da passagem do moço rico, reconheceremos ali essa inversão de valores: ele queria a salvação e não a companhia de Deus! Não pode ser assim! Deus nos amou primeiro! Ele não nos coage, nem nos força a acompanhá-Lo, pois pertencemos a Ele. Pelo medo de ir para o inferno, escondemo-nos dentro da igreja, embora não fale de Jesus para os outros, embora não testifique... Somos egoístas! Queremos só o céu!
 
 
 
Medo da morte
 
 
 
Se há alguma coisa que é inerente ao ser humano, é o fato dele querer agarrar-se à vida. O homem dá tudo o que tem, em troca de sua vida. O mais curioso disso é que o diabo percebe essas coisas! Em Jó 2:3 o Senhor intercepta a Satanás: “Observaste o meu servo Jó? Não há ninguém na terra semelhante a ele. Homem íntegro, reto e temente a Deus, e que se desvia do mal. Ele conserva a integridade, embora tenhas me incitado contra ele, para o consumir sem causa.”   
 
No versículo seguinte, Satanás respondeu: “Pele por pele e tudo quanto o homem tem, dará por sua vida.”  Observe que o diabo percebe esse nosso medo pela morte. Todos querem viver! Experimente perguntar para um mendigo, que mora numa casa de papelão, se ele quer viver ou morrer! Ele responderá que quer viver, sem dúvida!
 
Porém, devemos encarar a morte com a mesma tranquilidade com que Jesus a enfrentou. E Ele venceu a morte! É normal o diabo entrar sutilmente na nossa mente, perturbar-nos com situações opostas, como a morte do nosso pai, da nossa mãe, ou do nosso filho, da nossa esposa, do nosso amigo mais chegado... E lá vem a perturbação do diabo, impondo-nos medo, medo da morte.
 
Em 1 Coríntios 15:54,55 Paulo fala alegremente do momento em que sua morte chegar: “E quando este corpo corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal se revestir de imortalidade, então se cumprirá a Palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória. Onde está, ó morte, o teu aguilhão?”
 
Jesus venceu a morte. Talvez os discípulos não tenham entendido aquilo que Jesus houvera dito: “Olha, o Filho do homem vai, como está escrito a seu respeito, vai ser morto, sepultado, mas no terceiro dia ressuscitará.”  Porém, no dia da ressurreição só as mulheres estavam diante do túmulo.
 
É esse acontecimento tremendo que nos dá a certeza de que um dia estaremos com Ele, não precisando, então, ter medo da morte. Em 2 Timóteo 2:8 o apóstolo Paulo chama a atenção do seu discípulo para esse fato: “Lembra-te de Jesus Cristo resuscitado dentre os mortos, descendente de Davi, segundo o meu Evangelho.”
 
Aí está a razão pela qual não devemos temer a morte: um dia ressuscitaremos para estar com Ele, e O veremos como Ele é, desfrutando das alegrias celestiais. Isso está registrado em 1 Tessalonissenses 4:16 quando o mesmo apóstolo Paulo comenta: “Porquanto o mesmo Senhor descerá do céu com alarido e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo, ressuscitarão primeiro.”  
 
Não há razão para nos perturbarmos com a possibilidade da morte! O diabo anda semeando uma onda de medo nos corações dos filhos de Deus e há horror por todos os aldos, por causa disso.
 
 
 
Medo da AIDS
 
 
 
Apesar de ser um problema surgido na atualidade, Paulo já profetizava essas coisas há dois mil anos atrás (Romanos 1:24-27), pois o Espírito lhe concedia revelação e entendimento para tal. Veja o que já era dito naquela época: “Por isso Deus entregou tais homens à imundícia, pela consequência de seus próprios  corações, para desonrarem seus corpos, entre si, pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo à criatura, em lugar do Criador.” 
 
E não foram só os homens que mudaram o modo natural de suas relações íntimas; até as mulheres passaram a proceder ao contrário da natureza: homem com homem, mulher com mulher. É disso que Paulo falava naquele momento: torpezas, lesbianismo, adultério, fornicação... Tudo isso está embutido nas palavras do apóstolo Paulo. que diz mais: “...recebendo a merecida punição de seu erro.”
 
Há crentes que deixam de doar sangue para pessoas necessitadas,  temendo o contágio da AIDS. Medo!  Em 1980, numa reunião de oração, o pastor João Carlos Marques foi usado por Deus para uma profecia: “Eis que não muito longe destes dias, sobrevirá ao mundo uma enfermidade no sangue, uma enfermidade incurável, uma epidemia, mas aqueles que são Meus, Eu os guardarei.”
 
Só cinco anos depois (1985) o programa Fantástico anunciaria o aparecimento da Síndrome da Deficiência Imunológica Adquirida (AIDS), nos Estados Unidos. Porém, quando o Senhor falou sobre “aqueles que são meus...”, não quis se referir àqueles que pensam que são d'Ele, ou que parecem ao mundo que são d'Ele.
 
Uma irmã, conhecida nossa, foi contaminada com o vírus da AIDS num hospital, passando seis meses de verdadeiro terror, pânico, mas confiando no Senhor. O mesmo pastor que tivera a visão profética da doença orou por ela, e ela foi radicalmente curada, pois um exame feito posteriormente nada mais acusava. “Aqueles que são Meus, Eu os guardarei.”  São esses pecados que o homem comete por prazeres passageiros, que têm-nos levado a viver com medo.
 
 
 
Medo da inflação
 
 
 
Mais uma vez a Bíblia deixa registrado o que viria a acontecer: “...nos últimos dias sobreviverão tempos trabalhosos...” A cada mês a coisa piora, e mais e mais as coisas se agravam. É a Palavra de Deus! Não são só os incrédulos que sofrem com os anúncios de alta de preços; há crentes que perdem o sono por causa disso, vivendo perturbados, dando a impressão de que não sabiam que isso viria a acontecer.
 
A receita para vencermos a inflação é dada por Jesus Cristo, naquela passagem da multiplicação dos pães e peixes, de modo que percamos o medo, que percamos a confiança nAquele que disse que nos sustentaria, inclusive afirmando que não perderíamos um só fio de cabelo sem que fosse de Sua vontade.
 
“Dêem de comer a esses homens!” Se fôssemos comentar a situação, alguns temos atuais, diríamos que havia um grande déficit! Eram cinco mil homens, fora mulheres e crianças, a serem alimentadas com dois peixinhos e cinco pães! Podemos aprender quatro lições desse episódio, senão vejamos:
 
a) Jesus manda a multidão sentar-se: Ele orou e agradeceu por aquilo que tinha. Agradeceu pelo pouco! Paulo, certa vez, disse: “Eu me considero por satisfeito, porque aprendi a viver com fartura e com escassez .”
 
b)  A segunda lição é que Ele colocou o pouco que tinha nas mãos de Deus, que tem poder para multiplicar. A situação é idêntica àquela acontecida com o profeta Elias e a viúva de Sarepta: “Traz os vasos que nós vamos encher de azeite.”  Se Deus encheu as botijas de azeite, se multiplicou os peixes e os pães, pode fazer o mesmo conosco também! Porém, saibamos que aquilo que temos é suficiente, quando colocado nas mãos de Deus.
 
c) Uma terceira lição aprendida ali, é que o nosso pouco pode ser repartido com outras pessoas. Foi o que Jesus fez com os pães e os peixeis: “Manda assentar a multidão!” Os discípulos ficaram boquiabertos e, a seguir, foram atrevidos: “Senhor, mande-os que saiam pelas vilas e aldeias e catem o que comer por aí.”  Jesus, porém, foi firme: “Não é lícito fazer isso.Eles estão ouvindo a Palavra há algumas horas! Se eles saírem por aí, desmaiarão pelo caminho!”
 
d)  A quarta lição nos ensina que quando agradecemos pelo que temos, crendo que aquele pouco é suficiente para nós e até dividir com os outros, após saciada a nossa fome, poderá haver sobras. A passagem fala claramente sobre “sobras”.
 
Jesus é o mesmo ontem, hoje e sempre! Se acharmos que a inflação é galopante e irreversível, podemos também dizer que a situação de Jesus, naquele momento, era insolúvel! Podemos até dizer que aquela situação era mais insolúvel que a dívida externa do Brasil.
 
Medo  da inflação...  Não temos que temer nada! O que temos que ter em mente é que somos filhos de Deus, que andamos na luz como Ele na luz está, que mantemos comunhão uns com os outros, e que o sangue da cruz nos proteger, além de purificar os nossos pecados.
 
De um modo geral, esses medos são produtos da incredulidade. Só reage assim quem não crê que Deus pode dar um jeito na situação, que pode suprir nossas necessidades. Até oramos, mas não cremos! Assim, o medo se instala!
 
 
 
Medo dos outros
 
 
 
É outro tipo de medo que possuímos: medo dos adversários, de competir com eles numa vaga de emprego, de vestibular, medo que apareça um melhor do que a gente e nos tome o lugar.
 
Davi relata uma coisa curiosa: “Deitei e dormi, acordei porque o Senhor me sustentou.” A idéia que Davi passa é de um homem isento de medos. E ele repete, numa outra vez: “Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não terei medo algum, porque Tu estás comigo.”
 
Quantos medos por aí! Tememos que o nosso lar seja desfeito, que os nossos filhos não correspondam àquilo que esperamos deles...  Deus, usando Davi, afirmou que os filhos são Sua herança. E nós, após entregarmos nossos filhos nas mãos de Deus, normalmente ficamos com dúvidas: Senhor... será que meu filho está nas Tuas mãos? Eu queria que ele fizesse isso, mas ele está fazendo aquilo... 
 
O medo, muitas vezes, é de perder o amor do filho para um colega dele de escola, para um companheiro de trabalho... Medo! Medo! O problema é que nós queremos exercer a nossa própria justiça, querendo mostrar correção diante dos olhos humanos! A lição mais profunda que um homem ou mulher pode deixar é a sua forma de vida. É muito mais eficiente do que sentar-se e ficar ditando regras.
 
Mais vale o que eles veem em mim, o que eu sou, e não o que eu digo. A minha forma de vida, as minhas atitudes, posturas, tudo tem que ter precisão, tem que combinar com o meu discurso! Aquela frase popular que diz “façam o que eu digo, mas não façam o que eu faço” não serve de baliza para a orientação cristã de uma família.
 
Há medo por todos os lados, mas a Palavra nos afirma que o verdadeiro amor lança fora todo o medo. Quem ama, não tem medo. O profeta Habacuque afirmava que andava altaneiramente e a alegria do Senhor era a sua força, não tendo nada que o intimidasse, que o perturbasse, e nenhum motivo para fugir ou se enconder.
 
Medrosos não conseguem servir ao Senhor. Quem conhece a história de Gideão, entende melhor essa afirmação. Ele tinha 32 mil soldados prontos para a batalha, mas o teste de coragem, sugerido por Deus, fez sobrarem apenas 300 homens. O Senhor tem nos dado espírito de poder e não de medo!
 
Em outra batalha (Jeremias 46:5), Deus questiona por que os medrosos estão voltando as costas. Que questionamento! Estão fugindo sem olhar para trás!
 
Vocês devem estar pensando que frequentam uma Igreja, que tomam a Ceia do Senhor, que oram, jejuam... Os fariseus jejuavam duas vezes por semana, e tem crente que não jejua nem uma vez por ano! O fariseu diz que ora e dá o dízimo de tudo o que recebe, mas tem crente que não entrega o dízimo de tudo o que recebe, e quando dá diz que é dízimo, mas não chega a ser!  Lembram-se o que Jesus disse quando comparou Seus seguidores aos fariseus? “Se a vossa justiça não exceder a dos fariseus...”
 
É... Apesar de toda a nossa religião, do nosso materialismo, se não houver mudanças de coração, se a justiça não começar de dentro para fora, não haverá céu para nós!
 
Sabem qual era a dor dos fariseus? Era a dor de perderem a oportunidade de aparecerem para as demais pessoas. O fariseu falava alto, fazia espalhafato para dissimular os seus medos.  E você também é assim: canta no coral, pinta as paredes do templo, ora em voz alta, faz cursos em seminários, toca instrumentos, mas TEM MEDO!!!
 
 
 
Conclusão
 
 
 
Pedro deixou escrito: “Lançai sobre Jesus todas as vossas ansiedades, porque Ele tem cuidado de vós.” Ansiedade é aquela expectativa doida, angustiante sobre o amanhã.
 
Quantas vezes o diabo tem sussurrado no teu ouvido que a coisa vai piorar, chegando a criar cenas na sua mente, que te deixam chocado, angustiado! Temos que dar um basta nisso! Nós somos filhos de Deus! Nós não  temos que dar lugar ao medo! Não há temor quando nosso coração está em  Cristo. O salmista disse que há um rio, cujas águas alegram a Cidade de Deus, rio de águas cristalinas, que nós gostaríamos de nadar nele, mas nos atiramos sempre contra a correnteza, cheios de medo.
 
Não podemos nos guiar pelas circunstâncias, pelas aparências, pelas coisas que acontecem. Precisamos optar totalmente por Cristo, deixando que Ele seja nosso fiel guia e protetor. Davi cantava: “Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará. Mil cairão ao teu lado esquerdo, dez mil à tua direita, mas tu não serás atingido. Não temerás a seta que voa de noite ou a mortandade que assole ao meio-dia.”
 
O coração que está em Cristo não tem lugar para o medo. Coloque todos os teus temores aos pés de Jesus, confesse a Ele que você é medroso, pela libertação, peça o espírito de poder, de moderação, de graça!. Amém!!!
 
 
PREGADOR
 
 
Pr. Clóvis da Cunha
 
 
A mensagem montada acima foi pregada na Igreja ADI no ano de 1990, sem precisão de dia e mês, quando o Pr. Clóvis utilizou como texto-base Jeremias 49:29,30.
 
 
 

Por: Pr. Clóvis Cunha

Publicado em 23/05/2022

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